Textos com a Tag 'Educação'

Elevando-se Acima Do Seu “Animal”

Dr. Michael LaitmanPergunta: Que ações não são permitidas e não serão toleradas por um grupo que está aprendendo a educação integral? Por exemplo, num grupo de psicoterapia, a violência física é proibida. Há alguma limitação desse tipo num grupo de educação integral?

Resposta: Eu não encontrei nenhuma, então eu não acho que existam. Presumo que expressões de energia negativa são possíveis, mas, possivelmente, de uma forma nebulosa.

Eu acho que todo mundo vai perdoá-las, e até mesmo as vítimas serão perdoadas se o comportamento conduzir à realização do mal e porterior correção. Isso acontece entre as pessoas.

Nós começamos com um nível muito baixo: o egoísmo, os hábitos e filosofias adquiridos de nossa antiga sociedade. Tudo o que há nele ainda está sujeito à correção. Não há nada que possa ser feito aqui.

Isso não é motivo para expulsar uma pessoa do grupo. Eu acho que o grupo vai entender se houver uma razão objetiva. Às vezes, as pessoas voltam para as drogas, alcoolismo, e assim por diante.

A única coisa que tentamos fazer é nos certificar de que existam relações igualitárias no grupo. Em outras palavras, é preciso que haja o mínimo possível de relações “animais”, principalmente porque nós queremos elevar o grupo espiritualmente. É preciso haver a menor possibilidade de relações sexuais, especialmente as acidentais. É claro que não há problema quando as pessoas se descobrem, se gostam, e realmente tem a intenção de se conectar, mas isso também introduz certa quantidade de dissonância.

Em primeiro lugar, eu gostaria de criar grupos de homens e mulheres juntos, e daí eu iria separá-los por algum tempo, porque o método da união ainda é diferente para homens e mulheres. Então, uma vez que eles forem capazes de se elevarem, eles já não vêem o gênero, mas sim algo comum em seu lugar. Isto não é um nível simples. Imagine: a pessoa precisa se elevar acima de sua natureza, seus instintos naturais, seu ímpeto sexual, sua fundação muito básica.

No entanto, uma vez que ela ascende, esses limites podem desaparecer literalmente. Eu digo “pode” porque eu ainda não o observei. Eu acho que, no final, pode ser um grupo misto avançando novamente.

Da “Discussão sobre Educação Integral” # 9, 15/12/11

Todos Serão Capazes De Empregar-Se

Dr. Michael LaitmanPergunta: Além da aprendizagem integral, haverá pessoas que perderam seus empregos passando por treinamento profissional para aquisição de novas profissões?

Resposta: Os cursos de educação integral são o lugar para adquirir a profissão de professor, educador ou instrutor. Há um número de oportunidades aqui, dependendo das habilidades de uma pessoa.

Há pessoas que trabalham no local, num grupo, e como líderes de debates e jogos. Há pessoas que ensinam assuntos diferentes. Tudo isso pode ser ensinado, pois acrescentamos um pouco de ciência, tecnologia, cultura e psicologia à educação integral. Basicamente, a pessoa pode se tornar um especialista muito rapidamente.

A pessoa pode se tornar um professor de primeira classe em um ano e meio ou, no máximo, em dois anos. Para a preparação de diferentes tipos de professores assistentes e auxiliares de instrutor, levaria menos tempo ainda. Tudo depende da pessoa. Além disso, há trabalho para pessoas diferentes com diferentes habilidades e inclinações.

Nosso primeiro objetivo é transformar nossos alunos em professores, educadores e instrutores para as mulheres, homens, crianças, idosos e assim por diante, que falam diferentes línguas nativas, uma vez que estamos ainda divididos pela linguagem. Não há nada que possamos fazer sobre isso.

Há um amplo espectro de atividades e existe uma demanda enorme por pessoas. Mesmo se houvesse dez vezes mais pessoas agora, não haveria lugar para todos se candidatarem. De qualquer forma, essas pessoas virão até nós entre os desempregados. Quando elas encontram uma nova forma de se candidatar e, ao mesmo tempo, estão satisfeitas por uma existência normal, confortável e regular, então você simplesmente preenche suas vidas com significado, enquanto cura a sociedade.

Da “Discussão sobre Educação Integral” #9, 09/01/12

Harmonia Consigo Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Será que nós podemos discutir os problemas da vida cotidiana no curso de educação integral, conectando-os com a integralidade?

Resposta: Se nós estamos falando que o geral e o particular são iguais, isso significa que podemos unir essa família. Muito! Em outras palavras, você imediatamente transforma uma sala de aula, um grupo, numa família e cria condições integrais dentro dela.

Ao mesmo tempo, ninguém sonda o mundo privado do outro. O que nós estamos fazendo é criando uma família, algo comum, acima de nós, onde você e eu nos encontramos. Em seguida, nós conectamos automaticamente as crianças a ela, e elas também se tornam parte deste sistema integral. Surgem relacionamentos completamente novos dentro da família.

A coisa mais importante é não pressionar ninguém, porque o desenvolvimento normal e correto requer uma harmonia interna entre a pessoa e suas qualidades inatas. Eu não deveria ocultar, destruir ou diminuí-las, ou qualquer outra coisa dessa natureza. Pelo contrário, eu preciso chegar a tal estado onde minhas qualidades inatas florescerão completamente.

Nós não entendemos porque devemos preservar todas as nossas qualidades negativas: decepção, ciúme, inveja, ódio, uma centena de tipos de medos, e assim por diante. Mas todas elas têm a sua finalidade, a sua realização, justamente neste estado final. À medida que a pessoa se desenvolve, ela gradualmente vê que essas qualidades são necessárias para ela, para que ela as aplica, mas sob a forma oposta, quando estes medos a forçam a ser integral e a trazem para “fora de si mesma”, em vez de empurrá-la para dentro.

Da “Discussão Sobre Educação Integral” # 8, 14/12/11

Um Carrinho De Bebê Que Caiu Do Céu

Dr. Michael LaitmanPergunta: Houve um incidente, quando numa discussão de psicoterapia de grupo uma mulher disse que não pode se permitir ter um filho porque não será capaz de sustentá-lo, de conceber até mesmo comprar um carrinho de bebê, ao qual um homem respondeu: “Você dá à luz ao bebê, e você verá que alguém vai lhe trazer o carrinho de bebê, eles vão dar a você e tudo ficará bem”.

Numa sociedade integral, enquanto a pessoa está buscando sua correção, mais cedo ou mais tarde ela vai chegar a um ponto onde a natureza irá fornecer-lhe tudo. Como isso pode ser explicado a uma pessoa? Deve uma mulher pensar num carrinho de bebê antes de carregar um filho, ou ela deveria primeiro dar à luz e depois ver o que acontece?

Resposta: A questão é que não podemos dizer à pessoa sobre o sistema que existe acima dela. Nós nos esforçamos em direção a ele: é o sistema de “Adão”. Em muitas técnicas e práticas as pessoas tiram proveito do fato de que aspiram ao seu nível e tentam atrair as forças do futuro sobre si mesmas. Porém, dizer a uma pessoa que ela precisa agir de certa maneira, aspirar em direção a isso e ver que ele funciona, não tem fundamento em dado momento, e é por isso que é difícil para nós trabalhar com isso.

Na medida em que a pessoa se inclui na integralidade da sociedade, que cria um campo de garantia mútua em torno de si, ela pode agir desta maneira, porque se sente nos braços da sociedade. Mas para isso ela precisa se conectar a sociedade, participar ativamente da mesma, e perceber esta sociedade como perfeita. Então, naturalmente ela vai evocar as forças da natureza e os movimentos da sociedade, que certamente lhe trazem um “carrinho de bebê”.

Porém, falar sobre o fato de que existimos neste campo unificado, que o evocamos, que correspondentemente ele reage a nós… Certamente, psicólogos e sociólogos podem falar sobre isso. Isso realmente é algo que podemos entender e sentir que existe: esta é a nossa mente coletiva, o nosso desejo coletivo, a influência subconsciente de uns sobre os outros, a opinião comum. Mas nós ainda precisamos trabalhar com cuidado com isso, porque estamos lidando com pessoas que não são capazes de perceber de imediato estas questões sutis.

Portanto, simplesmente dizer “Basta dar à luz e você receberá um carrinho de bebê…”, de onde, exatamente? No que você está baseando isso? Com isso, você simplesmente fica desacreditado aos olhos dos outros, como uma pessoa frívola, alguém que está distante da realidade. Eu não acho que esta seja a abordagem correta.

Em primeiro lugar, nós precisamos da educação, e a aplicação prática vem um pouco mais tarde. Nós precisamos levar as pessoas ao ponto em que serão capazes de ver qual é a sua base e possam começar a sugerir soluções para você por si mesmas. Não imponha determinado comportamento a elas. Elas verão por si mesmas, com base em suas explicações, que aqui provavelmente isso vai funcionar.

Isso é o que se chama “educar o seu filho segundo os seus caminhos”, isto é, fazer com que uma pessoa investigue e sinta o seu próprio caminho. Você a educa, e assim escolher ela escolhe se caminho corretamente.

Da “Discussão Sobre Educação Integral” # 8, 14/12/11

A Impotência De Bilionários E Governos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Um milionário russo proclamou que se uma pessoa quer viver de forma adequada, ao invés de trabalhar oito horas por dia ela deve trabalhar doze horas. Então, as pessoas que têm o poder e os recursos estão indo numa direção completamente diferente.

Resposta: Os donos de empresas não poderão mais fazer isso porque eles não serão capazes de vender bens produzidos por trabalhadores que estão envolvidos na fabricação por doze ou até oito horas diárias. Ninguém vai comprar isso! Há uma crise, as pessoas vão para as ruas e o poder de compra está caindo. Elas estarão despedindo pessoas e não expandirão ainda mais suas operações. Não há e não haverá necessidade disso.

Pergunta: O que acabará obrigando uma pessoa a pagar pelos cursos de educação integral?

Resposta: O governo deve fazer isso. Nós teremos que trabalhar apenas para prover a nós mesmos todas as necessidades, e tudo o resto vai ter que ser direcionado à educação, para subir ao próximo nível. Esta é uma lei da natureza.

Olhe para o que está acontecendo nos países árabes. Cem mil pessoas estão marchando nas ruas e o governo não pode fazer nada. O farão esses governos? Eles não têm mesmo para onde fugir; eles estão mortos nesse exato momento. Mesmo um bilionário, para onde ele vai correr? Neste momento, existem não há um lugar no mundo para onde se possa fugir. Todas as transações, bancos e empresas, tudo está em aberto. Hoje, qualquer pessoa está diante de todos como que nua. Todo mundo vê tudo, tudo é fotografado em todos os lugares: não é mais do jeito que costumava ser.

Suponha que você vai escapar para algum lugar na tundra, vai viver com uma velhinha de alguma pequena cabana. É este o seu futuro? Eis a questão.

Olhe para todos os governantes dos países árabes. Eles têm exércitos, dinheiro e poder, tudo. E onde eles acabam? E por causa de quê? Quantas pessoas estão indo para as ruas? Eles não podem mais acabar com elas, porque surgiu um tempo diferente. Os governos não têm a capacidade de fazer o que quiserem, mesmo com a ajuda do exército e da polícia secreta. É impossível!

E como foi que a União Soviética desmoronou? Isto é completamente incompreensível. Onde está o exército, a KGB e as enormes massas de pessoas que estavam engajadas na preservação do regime? Subitamente, ele se foi. De alguma forma, não está claro como, ele desapareceu. Quem é o culpado? Ninguém, só o tempo e o desenvolvimento da sociedade.

E a mesma coisa aqui. Espera-se que no próximo ano cerca de 500 milhões de empregos sejam eliminados. Você entende a quantidade de pessoas que isso corresponde ao redor do mundo? Elas simplesmente forçarão seus governos a desencadear uma guerra nuclear, porque não restará outro caminho.

Nós precisamos explicar a esses milhões o que a natureza está exigindo de nós. Nós precisamos dar-lhes necessidades, enquanto eles receberão a satisfação da educação integral. É simplesmente uma necessidade que decorre das leis objetivas da natureza.

Pergunta: Então, nos grupos de educação integral, nós podemos discutir o que está acontecendo nos países árabes, ou não?

Resposta: Não só nos países árabes, mas em todos os lugares. Nós podemos trazer esses eventos como exemplos: olhe como isso não está ajudando, veja o que está acontecendo com os ditadores, com a supressão das pessoas. E o que poderia acontecer com os outros? Berlusconi já saiu. O que vai acontecer na Espanha? Em todos os países? Daí a conclusão de que, em seu conjunto, o número de pessoas descontentes está crescendo, mesmo que vivam no desemprego.

Nos EUA de hoje, até 50% das pessoas fazem filas por almoços grátis. Você entende o que é isso? São quase 400 milhões de pessoas, metade das quais não pode consegue se alimentar até o final do mês. Há problemas com ajuda financeira, com cuidados de saúde, com tudo. Tudo está mal. É impossível continuar apenas imprimindo dinheiro.

Logo isso vai ressoar na China, porque a China é um fabricante de bens. Quem vai comprá-los agora nos EUA, que é o seu principal mercado?Literalmente, todos os países são atraídos para este processo, e em todos os países muito da força de trabalho está sendo abandonado.

Você consegue imaginar se 100 a 200 milhões forem demitidos na China? Hoje eles estão vivendo em cidades com populações na casa dos milhões. Você não será capaz de levá-los de volta às aldeias. Você não pode voltar a transformá-los em camponeses iletrados, satisfeitos com uma xícara de arroz por dia. Na China, numa única fábrica até 50 mil pessoas estão trabalhando fora. Este é um problema terrível.

Não há outra escolha. Para evitar o desencadeamento de guerras e a destruição do “excesso” de pessoas, nós precisamos mostrar que a educação integral está em harmonia com a natureza e que justamente esta é a nossa salvação e o caminho correto. Mesmo depois de uma guerra você permanecerá em ruína e terá que fazer a mesma coisa, só que agora o sofrimento irá incitar você a isso.

Portanto, nós precisamos revelar e mostrar toda essa imagem às pessoas.

Da “Discussão Sobre Educação Integral” # 8, 14/12/11

Perfeição é o Oposto da Crise

Temos uma grande oportunidade. Olhando para milênios de desenvolvimento humano, podemos entender que o nosso problema atual é e como resolvê-lo sem esperar por todas as sugestões adicionais ou golpes. Podemos ouvir pessoas inteligentes que apontam a necessidade de um bom ambiente que irá desenvolver-nos idealmente e vai levar-nos lentamente de um estágio para outro em uma maneira agradável e fácil.

Então o que vamos ganhar de um bom ambiente? Com a ajuda de um bom ambiente eu começo a reconhecer o mal em mim. Eu aprendo que sou um egoísta e não quero unir-me, que eu sou preguiçoso e realmente indiferente ao meu próprio desenvolvimento. Há muitos atributos em mim que eu não estou ansioso para desenvolver. Com base nisso, eu entendo que eu tenho que criar um ambiente melhor.

É o mesmo se um preguiçoso que se junta a um time de futebol e precisa de muito mais pressão intensa para ser constantemente puxado, encorajado, e empurrado para o meio do jogo, no centro do campo, e assim por diante. [Leia mais →]

Através Dos Óculos Da Visão Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: No método da educação integral, é dada especial atenção para a correlação entre a mente e os sentimentos. No mundo corpóreo do egoísmo e da alienação, os desejos e pensamentos estão bem escondidos dentro de uma pessoa e muitas vezes são inacessíveis por sua consciência. Geralmente, como regra, isso gera sentimentos negativos: raiva, irritação e dor. Qual é o caminho certo para conectar os sentimentos de modo que eles não impeçam a comunicação entre as pessoas?

Resposta: O método da educação integral, em primeiro lugar, leva em conta o fato de que os sentimentos e desejos são primários.
Nós não sabemos de onde vêm e como eles surgem em nós. Todas as qualidades de nossa mente e os pensamentos destinam-se à realização desses sentimentos e à nossa satisfação.

Nosso desejo básico é o desejo de desfrutar. Quem, o quê e como são as conseqüências. Divirta-se! É por isso que toda a nossa mente só se desenvolve na medida de nossos desejos e apenas para servi-los. Grandes desejos desenvolvem uma grande mente numa pessoa. O egoísmo, que cresce de geração em geração e ao longo da vida de uma pessoa, desenvolve sua mente.

Se tomarmos um animal, o seu desenvolvimento praticamente termina um par de semanas depois de seu nascimento. Ele já tem todos os seus instintos e se adapta ao ambiente. É por isso que os animais nunca cometem erros. Eles sabem como se comportar, como se salvar, e como interagir com o ambiente. Sua mente e os sentimentos estão instintivamente em equilíbrio. Também neste caso, o desejo é primário e a mente secundária. Um animal entende o que é capaz de realizar em seus desejos e o que não é, e isso limita a sua mente.

Mas uma pessoa tem um grande problema aqui. A questão é que quando seu egoísmo se desenvolve, ele dá a ela desejos que ela não é capaz de perceber. É por isso que ela se fecha, se isola, se torna mais brutal, competitiva, etc.

Se seus desejos se correlacionassem com todos os outros desejos (seus e do ambiente) para que eles se complementassem harmoniosamente, não haveria conflitos, e sua mente se expandiria infinitamente.

Como a sociedade integral é uma sociedade da inclusão absoluta de todos em todos, isto significa que a pessoa adquire os desejos de toda a comunidade. Ela entende o que importa para a sociedade e, consequentemente, sua mente deixa de ser pessoal e se torna parte integral, e raciocina com ela. É como colocar óculos de visão integral do mundo, e ela entende que ela e o mundo são um todo, o que é bom para mim e o que é bom para o mundo é a mesma coisa.

Naturalmente, não há qualquer contradição nesta correlação harmoniosa entre ela e o mundo. Ela pode simplesmente se abrir sem medo; ela entende, vê e sente tudo em conformidade com o isso, e participa ativamente de cada ação, em tudo. Todas as suas razões para ser infeliz ou competir com os outros desaparecem.

Então, nós precisamos trazer a pessoa a esse estado sem limitar seus desejos, pensamentos e mente, e precisamos agir de uma maneira completamente diferente desde o início para lhe explicar que ela está incluída em todos os outros e que certo desejo comum está sendo criado.
Esta coletividade de todos os desejos é essa coisa nova que estamos criando. Nós estamos criando o sistema de “Adão”, o nosso desejo comum e nossa mente comum em conformidade com ele. Algo integral surge acima de nós, e nós existimos nele.

Desta forma, nós não prestamos nenhuma atenção à pessoa, mas apenas ao seu objetivo, sua inclusão nesta coletividade, o próximo nível do nosso desenvolvimento. Nós não a limitamos; ela não sente que está sob pressão. Ela não tem nada a esconder. Ela praticamente permanece como está, mas todo o seu desenvolvimento é dirigido no sentido da integração.

A harmonia entre os sentimentos e a mente se desenvolve como à medida que ela começa a sentir uma interconexão cada vez maior entre ela e os outros, como a que o mundo atual impõe a nós, mas ainda não estamos preparados.

A educação integral pretende direcionar o homem a começar a sentir o “nós”, a humanidade coletiva, e agir com base nela. Só então ele vai sentir como seu estado é livre. É exatamente aí que seu livre arbítrio e a liberdade de comportamento vão se manifestar, mas apenas uma vez que ele se inclua neles.

Mas se ele sai novamente deste estado, ele cai em seu pequeno egoísmo e os mesmos problemas começam de novo. Desta forma, a natureza nos ajuda, mostrando-nos que o descanso só pode ser encontrado na integração, e no isolamento numa prisão e na ausência de liberdade.

Da “Palestra sobre Educação Integral” # 9, 15/12/11

Este Mundo Cruel, Cruel

Dr. Michael LaitmanPergunta: Suponha que juntemos pessoas num grupo para educação integral, e elas têm de atravessar muitas etapas: conhecer-se entre si e começarem a sentir-se seguras. Na Rússia, a última fase leva metade do tempo destinado à educação porque as pessoas não confiam umas nas outras. Elas têm uma experiência enorme com o impacto negativo do ambiente numa pessoa. Leva tempo para a pessoa relaxar, para acreditar que ninguém lhe deseja fazer qualquer mal. Com o que é que este período deve ser preenchido?

Resposta: É muito difícil trabalhar com pessoas que continuam a voltar para um mundo grosseiro e cruel. Elas relaxam um pouco dentro do grupo, mas para elas é como um jogo que lhes permite tomar um “comprimido” e se acalmar por algum tempo. E depois, quando elas voltam ao mundo cruel, tudo desvanece.

Elas percebem que chegaram ao grupo apenas para relaxar mas não para se tornarem diferentes. Elas não conseguem permitir-se a si mesmas ser diferentes porque então elas estariam indefesas neste mundo; elas acabarão como pequenos coelhinhos peludos no meio de lobos e raposas. Portanto, este é o grande problema.

O grupo precisa criar o seu próprio micro-clima e ser relativamente grande, de forma a conter uma pessoa dentro do seu quadro. A pessoa deve sentir o seu apoio, seja em casa ou no trabalho: através de chamadas telefónicas, mensagens de texto, e por aí fora. Isto é, as pessoas deveriam permanecer constantemente num estado de garantia mútua, apoiando-se mutuamente, e preocupando-se com o micro-clima que aparece quando nos moldamos numa pequena sociedade.

Na realidade esta sociedade pode ser artificial. Qual é a diferença? Sentimo-nos bem por dentro. Em certa medida, é um refúgio psicológico.

Quanto à Rússia, eu acredito que tudo pode mudar lá muito rapidamente porque as pessoas estão preparadas para isso internamente. Elas não estão separadas em classes sociais; foram apenas divididas artificialmente. O seu conhecido passado Socialista, quando a liberdade e a igualdade ainda estavam na agenda, ainda encontra a sua força e se manifesta dentro delas.

Portanto, se fosse possível remover a terrível negatividade externa que explode através da comunicação social e, especialmente desta chamada cultura, então penso que isso poderia ser alcançado rapidamente. As pessoas acumularam tal potencial negativo que abraçariam com prazer algo completamente diferente.

Da “Lição Sobre o Novo Mundo” #8

A Maravilhosa Metamorfose De Um Egoísta Notório

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu estou muito interessado nas novas e corrigidas relações entre as pessoas que você descreve. Como pai, eu estou particularmente impressionado pelos seus exemplos de crianças e de situações difíceis nas escolas. Eu realmente gostaria de viver nesse mundo que você tem delineado. Mas, ao mesmo tempo, estou cercado de dúvidas, pois está escrito: “o coração humano é mau de nascença”. E você quer que uma pessoa, de repente, se torne boa. Como é que esse egoísta notório passa por tal metamorfose?

Resposta: A pessoa vai gostar de usar seu ego em sua forma oposta. Ela vai ver exemplos ao seu redor e fazer o mesmo. A fim de induzir uma pessoa a usar seu egoísmo de uma boa maneira, nós precisamos do apoio da sociedade, isto é, da influência do bem e do mal, ou seja, recompensa e castigo. Precisamos estabelecer um apoio para as crianças, de modo que elas respeitem ou não seus pais de acordo com essas qualidades.

Nós jogamos com o egoísmo humano de várias formas, organizando o ambiente em torno da pessoa. Existem alguns níveis nesse ambiente, pois um ser humano é composto de quatro níveis, o que exige que esses mesmos níveis sejam construídos em torno dele. Uma pessoa deve ser influenciada pelos seus filhos para que ela sinta que seus filhos a avaliam pelo quanto ela dá à sociedade. A opinião de uma criança é muito importante para os pais.

O próximo círculo são os vizinhos, o terceiro é o dos colegas de trabalho, e o quarto é a nação; todos o avaliam de acordo com o mesmo princípio. Tal ambiente deve ser construído em torno de uma pessoa; mas, ao contrário de uma prisão que ela quer fugir, ela leva em conta nosso egoísmo, porque esta é nossa natureza.

Nós temos que entender o quanto ganhamos por aprender a não suprimir nosso egoísmo, mas usá-lo corretamente. Por exemplo, se eu posso usar meu grande egoísmo para ganhar uma fortuna para meus filhos, todo mundo está feliz. O problema não é o egoísmo: ele pode ser um grande benefício para todos. A única questão é como eu o uso. Se a sociedade me obriga a usá-lo para o benefício de todos, então eu consequentemente o faço. E se eu não sou bem sucedido, então eu me esforço para corrigir isso. Tudo depende do quadro social; a pessoa é produto de seu ambiente. É por isso que precisamos agir sem qualquer tipo de pressão e violência.

Uma Necessidade Natural

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na década de 1920 e 30, um famoso psicólogo Soviético, Vygotsky, introduziu o conceito de “zona de desenvolvimento proximal”, que, entre outras coisas, fala sobre a diferença entre o “Eu” ideal e o “Eu” real. Se esta zona se torna muito grande, em algum ponto o contato entre os dois sistemas se quebra e a pessoa perde o contato com a realidade. O engano e a mentira aparecem, que é o que aconteceu na Rússia. Você vê algum perigo no fato de que é muito grande a diferença entre a imagem ideal de uma sociedade integral e o estado real das pessoas?

Resposta: Você entende o que é uma “necessidade natural”? Se naquela época todas essas idéias eram simplesmente desejáveis na Rússia, em nosso estado atual elas são totalmente necessárias. Se naquela época era possível criar uma sociedade capitalista, e para aqueles que viviam na demolida, pobre, deprimida e livre Rússia, o florescente mundo ocidental parecia um paraíso na terra, hoje já não é este o caso. Hoje, apenas uma única imagem aparece diante de todos nós: a aniquilação absoluta ou o trabalho construtivo num novo nível.

É por isso que eu enfatizo que é necessário estimular constantemente este ponto na pessoa. Outra solução simplesmente não existe.

Da mesma forma, não há outra solução para a atual crise Européia. Eles estão constantemente tentando evitá-la, adiar a decisão até futuras reuniões, prometendo que daí vão pensar em algo. Mas, é claro, não há nada para pensar. Tudo está se dirigindo sabe-se lá para onde, porque ninguém consegue calcular e prever as consequências negativas dessa história sem fim e da destruição forçada que se segue.

Não há outra maneira. Isso é em primeiro lugar.

E segundo, o racha. Acho que aqui devemos nos empenhar num trabalho sério e, mais importante, para desenvolvermos progressivamente a sociedade. Nós só temos um único mecanismo de influência sobre a pessoa: o ambiente circundante. Apenas o ambiente circundante, não existe outra possibilidade. Psicólogos, sociólogos, tudo isso é bom, mas sem a influência de uma sociedade sobre a personalidade, esta não vai mudar, não vai receber deles um propósito que viva internamente.

Se algum especialista me fala sobre tudo isso, eu o ouço, fico assustado por um instante, surpreso, imbuído de um conceito, e estou pronto a realizá-lo, a agir e lutar por algo logo ali e agora. Eu faço promessas a mim mesmo. Mas depois, sem o ambiente, sem a força envolvente a obrigar-me, eu nunca o farei realmente.

Preciso de uma sociedade que defenda esta idéia e um movimento que me obrigue à sua implementação, contando com as minhas qualidades pessoais como a inveja, o ciúme, o desejo de me elevar e realizar-me, e o sentimento de vergonha: quem sou eu comparado a eles, como me pareço aos olhos dos meus filhos e entes queridos. Aqui é preciso utilizar todos os recursos disponíveis (e todos eles são egoístas, uma vez que existem em torno de egoísmo), a fim de obrigar a pessoa a penetrar progressivamente nessa necessidade conscientemente reconhecida de uma unificação integral com os outros.

Especialistas e psicólogos devem liderar isto, e atrás deles, uma parede social, os meios de comunicação de massa.

De uma “Conversa sobre a Educação Integral” # 6, 14/12/11