Às vezes, a pessoa chega a um estado de tamanha baixeza que não sente mais prazer algum na Torá e na oração. Embora esteja estudando, ela sabe e sente a verdade sobre si mesma: que a verdadeira razão pela qual continua a estudar a Torá não é o temor do céu, mas o hábito… Para isso existe uma correção chamada “ministro do esquecimento” (Rabash, Carta 59).
Rabash escreve que devemos combater o esquecimento por meio de correções. Existe um anjo governante especial, ou seja, uma força especial na criação, chamada de “ministro do esquecimento”, cuja função é fazer com que percamos o estado, o grau ou a força que alcançamos a cada vez, para que desapareça e não nos deixe com uma sensação de perfeição.
Cada grau na espiritualidade é uma certa sensação de perfeição. Quando estamos em um determinado grau e a luz desce sobre nós, por menor que seja em relação a todos os graus subsequentes, ainda não sentimos um Chisaron (falta, deficiência). E se uma pessoa não sente um Chisaron, ela não pode se mover de seu lugar, porque todo movimento ocorre somente através da revelação de um Chisaron.
Portanto, existe uma força especial que expulsa as luzes do grau, do Partzuf, da alma, a cada vez, e obriga a pessoa a sentir que seu estado interior mudou. Dessa forma, ela a força a continuar no caminho. Caso contrário, permaneceria no mesmo estado para sempre, o que se chama observar a Torá e os mandamentos por hábito, por obrigação social ou por diversos outros motivos além de renovar o contato com o Criador.
Como podemos fazer com que essa força, o ministro do esquecimento, atue sobre nós com mais eficácia? Essa é a nossa tarefa. Pois, quando esquecemos o objetivo, não esquecemos o estado perfeito em si, mas sentimos, em vez disso, um estado imperfeito. Ou seja, apenas parte do estado desaparece.
Suponhamos que atingimos um bom estado, sentimos uma certa proximidade com a espiritualidade em um determinado momento, e então, de uma perspectiva superior, sofremos a perda desse grau. Mesmo assim, não sentimos um Chisaron nesse estado. Em outras palavras, embora a iluminação que existia nesse estado aparentemente desapareça, os Chisaronot (deficiências), os novos Reshimot, ainda não foram revelados.
O fato é que, nessa ação do “ministro do esquecimento”, existe uma parceria entre o Criador e o ser criado. Em todos os seus estados, mesmo em um grande estado (Gadlut), a pessoa deve trabalhar para alcançar a consciência da grandeza do Criador. Ela não deve se contentar com a grandeza do estado alcançado e transformá-la em mero prazer pessoal.
Portanto, para ensinar a uma pessoa que nunca se deve parar de trabalhar na consciência da grandeza do Criador, o Criador ativa a força chamada ministro do esquecimento. A grandeza do estado desaparece, e a busca pela grandeza do Criador não se renova. Isso significa que o sofrimento não chega à pessoa porque ela perdeu o grau, e então ela entra em um período de atraso, trilhando o caminho do sofrimento em vez do caminho da Torá.
E tudo isso porque, durante a ascensão, ela não trabalhou na conscientização da grandeza do Criador; ou seja, ela observou a Torá e os mandamentos para si mesma ou para o seu entorno, por hábito, e não em prol do objetivo.
Ela se esqueceu de que todas as suas ações para alcançar o objetivo e a correção, chamadas Torá e mandamentos, são uma força maravilhosa (Segula), a propriedade maravilhosa da Torá. Uma pessoa não é transformada pelas ações em si, pois não há nelas nenhum benefício real ou influência verdadeira, como acreditam aqueles que receberam educação inadequada. Eles pensam que, por meio dessas ações, estão conquistando algo e ganhando algo.
Não é por acaso que essas ações são chamadas de “força maravilhosa da Torá e dos mandamentos”. Em última análise, tudo o que devemos alcançar por meio delas é atrair a luz que reforma, cujo poder maravilhoso reside em sua capacidade de nos corrigir. Essa luz vem por meio do estudo dos livros apropriados, com a intenção correta, em um grupo cada vez mais bem direcionado, empenhado em alcançar o objetivo.
Da Lição Diária de Cabalá 22/05/26, Rabash, Carta 59
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