Brotos De Doação Acima Do Campo Do Egoísmo
“E um certo homem o encontrou, e eis que ele estava vagando pelo campo. E o homem lhe perguntou, dizendo: ‘O que procuras?’ E ele respondeu: ‘Procuro meus irmãos. Dize-me, peço-te, onde estão apascentando o rebanho?'”
Um homem “vagando pelo campo” refere-se a um lugar de onde deve brotar a colheita do campo para sustentar o mundo (Rabash, “Amor de Amigos – 1”).
A Torá é o ensinamento, o método, que explica todo o processo pelo qual devemos passar, daqui até o fim da correção. Então, por onde começamos a construir o vaso espiritual e a entrar no mundo espiritual?
Aqui se fala de José, que reúne (Osef) todas as qualidades anteriores de seus irmãos e, por meio disso, descobre que está no Egito, isto é, dentro da inclinação ao mal.
Sinto que sou o oposto do mundo espiritual e indigno dele. Além disso, não tenho nenhum desejo de entrar nele, é o que minhas qualidades internas me dizem. Essa percepção precisa chegar. Mas, por outro lado, já sabemos que, se derrubarmos as barreiras entre nós e nos unirmos, então, dentro dessa união, começaremos imediatamente a sentir o mundo espiritual.
Assim, a Torá nos explica o processo de desenvolvimento do nosso vaso comum, que nesta fase é chamado de José. Ele está “vagando pelo campo”, sem saber como alcançar a espiritualidade. Diante dele estende-se um vazio, e ele não sabe para onde ir.
E as obras do campo são arar, semear e colher. A respeito disso se diz: “Os que semeiam com lágrimas, com alegria colherão”, e isso é chamado de “campo abençoado pelo Senhor”.
Uma pessoa deve estar pronta para arar, semear e colher, ou seja, para trabalhar com seu desejo. Pois o desejo (Ratzon) é a terra (Eretz), ou aquele próprio campo, que deve ser arado e semeado com as sementes da doação, Bina, para que Bina possa entrar em Malchut. Ali, começa a crescer por meio do desejo de Malchut, produzindo brotos, a colheita que mais tarde faremos.
Assim, aquele chamado Israel, que se dirige diretamente ao Criador, entra no Egito e descobre um grande desejo egoísta dentro de si. É precisamente então, ao perceber que esse desejo o domina, que ele se esforça pela unidade e, por meio da oração e de um clamor por ajuda, escapa do Faraó.
Por que essa descida ao egoísmo é necessária? Para que possamos sair dela. Assim como colocamos sementes na terra para que, através dela, elas germinem e floresçam. É graças à terra, ou seja, ao desejo egoísta, que a minúscula semente da doação, o desejo altruísta, começa a crescer. Ela emerge precisamente da terra.
Quando a centelha da doação, o ponto no coração, desperta em nós, ela nos conduz à sabedoria da Cabalá. Começamos a estudar, juntamo-nos a um grupo e, de repente, descobrimos como tudo é ruim, quantos obstáculos surgem pelo caminho. O mal cresce cada vez mais até que sejamos completamente submersos nele. Então, com nossa última gota de força, lutamos para superá-lo e escapar. E fugimos, levando conosco o grande desejo de receber que adquirimos no Egito.
Assim brota a semente da doação: elevamo-nos acima da terra, levando conosco os desejos corrompidos, e então começamos a corrigi-los.
Este processo é acompanhado de alegria e tristeza, pelo endurecimento do coração, fracassos e dificuldades. No entanto, é precisamente através do desespero que nos aproximamos do êxodo. E esse êxodo se encontra na unidade. Ninguém sai sozinho, apenas juntos.
Do Congresso Internacional de Cabalá 24/02/12, “Arava”, Lição 3
Cada um deve tentar trazer para a sociedade um espírito de vida e esperança, e infundir energia na sociedade.
Está escrito: “Trabalhem para o Criador com alegria”. Se não há alegria, é sinal de que não estamos em estado de espiritualidade. A doação é impossível sem alegria.
O que caracteriza este mundo de forma distinta em comparação com o mundo espiritual? Do Machsom para cima, há revelação, luz. Do Machsom para baixo, há o oposto: escuridão, ocultação. Consequentemente, mesmo que eu experimente uma descida acima do Machsom, eu a percebo de forma diferente porque essa descida ocorre dentro das luzes, dentro da revelação.
No artigo “A Noite da Noiva” (Introdução ao Livro do Zohar), afirma-se que a lei (uma condição da ordem espiritual) é tal que a criatura não pode perceber o Criador abertamente se estiver em um estado ou qualidade oposta a Ele.
Nos foi dado o caminho da fé, que está acima da razão (Rabash, “O Significado da Verdade e da Fé”).
Um grupo maravilhoso reunido aqui em um congresso, unido por uma enorme e colossal unidade com a luz interior.
A essência da assembleia é que todos estejam em unidade e busquem um único propósito: encontrar o Criador. Em cada dezena está a Shechina [Divindade] (Maor VaShemesh. Parashat VaYechi).
Nada nos impede de manter constantemente a melhor sensação que já tivemos em nossas vidas, aquela que experimentamos no congresso quando sentimos unidade, a conexão entre nós e o Criador, a revelação espiritual. Se eu me afastar desse estado, significa que a culpa é minha, porque não me esforcei o suficiente.