Textos arquivados em ''

No Equilíbrio Entre As Duas Linhas

243.05Está escrito (Deuteronômio 4:2): “Não acrescentareis nada à palavra que vos ordeno, nem dela tirareis nada, para que guardeis os mandamentos do Senhor vosso Deus, que eu vos ordeno” (Rabash, “ Oque significa não acrescentar e não tirar na obra?”).

“Não acrescentareis, nem tirareis” significa avançar no equilíbrio entre as duas linhas. Não se trata de um princípio quantitativo ou de uma questão de intensidade do trabalho, ou seja, não significa não ter pressa nem ser preguiçoso. Significa, antes, que se deve sempre se manter em estado de equilíbrio.

O que significa estar em estado de equilíbrio? Significa facilitar a formação da linha do meio, prepará-la para que o Criador possa corrigi-lo. Como? Em primeiro lugar, tente permanecer na linha direita o tempo todo e não permita que a linha esquerda se fortaleça e domine você.

A linha direita se chama “a importância da espiritualidade”. Espiritualidade, o objetivo, a qualidade de doação, o Criador, que possui a qualidade de doação, e isso não significa simplesmente alguém grandioso, mas a força de doação, tudo isso deve ser importante para mim. Somente depois que tudo isso se tornar verdadeiramente importante para mim é que poderei entrar na linha esquerda.

A linha direita, a importância da espiritualidade, é adquirida somente através da fé acima da razão, não dentro da razão. Dentro da razão, a importância da espiritualidade só pode ser alcançada após cruzar o Machsom. Isso é chamado de fé completa e perfeita: a luz de Hassadim com a iluminação da luz de Hochma.

Abaixo do Machsom, temos, como que no mesmo estado, um ramo dessa mesma raiz da fé. Nós estamos como que num estado de fé corrigida e como que sentimos a presença do Criador com os nossos sentidos. Este “como que” é alcançado através do esforço, e especialmente através do nosso investimento no grupo.

Quando concluímos este trabalho e adquirimos fé de acordo com o nosso grau através do trabalho na linha direita, passamos para a linha esquerda e vemos que, dentro da razão, nada temos: as nossas qualidades estão desalinhadas, os nossos pensamentos são estranhos e a linha direita está diminuída. Então no voltamos à oração e pedimos ao Criador que nos ajude.

Se eu tiver preparado a linha direita, enfatizado a importância da espiritualidade, a importância do objetivo e a fé de que tudo foi preparado para mim do alto, e perceber na linha esquerda que eu mesmo me encontro em um estado completamente oposto, não em perfeição, mas, ao contrário, em deficiências e desejos mesquinhos, então, como resultado dessas duas linhas, surge a força da oração. Então uma resposta à oração vem do alto, da linha do meio.

Neste trabalho, devemos nos manter constantemente em equilíbrio entre as linhas direita e esquerda para que “a sua sabedoria não exceda as suas obras”. Ou seja, uma pessoa não deve se encontrar num estado em que diga: “Sou incapaz de fazer qualquer coisa”, ou “Não tenho forças”, ou “Tudo está nas mãos do Criador”, ou “Deixem-me em paz e não me digam que tudo depende de mim. Nada depende de mim”, e assim por diante.

Isso significa que a linha esquerda não deve se tornar maior que a direita quando eu não tiver forças e pensar que tudo isso é impossível, ou até mesmo que nada disso existe. Nem a linha direita deve dominar quando eu pensar: “Tudo está nas mãos do Céu, e tudo é decidido lá. Eu não sou ninguém aqui. Eu não existo; sou um vazio. Nada depende de mim; estou sempre inteiramente sob a Sua autoridade”. Isso é chamado de Klipa da linha direita.

Não! Ambas as linhas devem estar equilibradas. Isto é o que nos foi dado, e devemos fazer todo o possível para não cair em nenhum dos dois tipos de Klipa, a da direita ou a da esquerda. Em vez disso, devemos equilibrar as duas linhas para que contribuam para a formação da linha do meio.

Da Lição Diária de Cabalá 13/08/26, Rabash, “O que significa Não Adicionar e Não Tirar na Obra?”

Passar De Lo Lisma Para Lishma

221Pergunta: Como uma pessoa pode desenvolver o desejo de se dedicar ao estudo de Lishma?

Resposta: Digamos que ontem me senti inútil, distante do Criador, que estava apenas perdendo meu tempo, que minha vida não tinha sentido e que morreria da mesma forma que nasci. Em resumo, todas essas sensações existiam dentro do meu desejo de receber. Essencialmente, eu não tinha objetivo na vida.

Mas hoje, lembrei-me de que existe um Criador, e se eu estiver conectado a Ele, tudo ficará bem. Portanto, preciso estabelecer uma conexão com Ele.

Como posso fazer isso? Dizem que não há outro caminho para alcançá-Lo senão estudar e refletir sobre Ele enquanto se estuda. Existe uma certa fonte ou força superior que me aproximará Dele, e dessa forma eu ganharei algo. A luz celestial virá, os céus se abrirão e eu ganharei algo bom.

Então, mantive esse pensamento, essa intenção; vim para a aula, estou aqui sentado pensando em como o uso dessa lição como remédio me dará o que eu quero: uma vida espiritual, proximidade com o Criador, tudo de bom.

Por que vim estudar antes? Pensava que, se simplesmente estudasse a matéria, aprenderia a controlar os céus e meu destino. Agora compreendo que o conhecimento não me permitirá alcançar ou sentir o mundo superior; isso só pode acontecer com a ajuda divina, quando a luz vier e abrir meus olhos. Preciso dessa luz; por isso venho estudar. Este é o início de Lo Lishma.

Então, alcanço um Lo Lishma maior quando começo a pensar apenas no meu próprio benefício, mas de repente percebo que, mesmo me sentindo muito bem e recebendo constantemente, isso ainda não me traz prazer. Existe um prazer maior, mais eterno, sem vergonha e sem a sensação de que algo está errado. Esse prazer vem quando eu dou, ou pelo menos quando não sinto meu ego, meu mal.

Antes, eu me sentia como se estivesse à deriva, sem rumo, mas agora quero parar de pensar em mim, me desconectar do eu e, ao fazer isso, me desconectar de vários problemas. É para isso que estudo.

Então surgem pensamentos: o que significa estar desconectado de si mesmo? Qual o propósito disso? O que eu quero ter? Desejo algo eterno e perfeito. Quem é Ele, o Criador? Se eu entrar em Sua presença, tudo será bom em todos os aspectos. Então aqui estou eu, já estabelecendo uma conexão com o Criador. É Lishma ou Lo Lishma? Claro, Lo Lishma! É para mim, para que eu me sinta bem. Mas eu já O quero!

O que significa estar com Ele? Se eu tiver um bom pensamento sobre Ele e Ele tiver um bom pensamento sobre mim, certamente será bom para nós dois. Assim, já estou pensando em como dar a Ele e, por meio disso, sentirei que Ele está dando a mim. Isso já é uma espécie de Lo Lishma na forma em que todos os meus pensamentos são sobre ter um bom sentimento em relação a Ele, porque se eu tiver um mau sentimento em relação a Ele, também me sentirei mal.

Assim, gradualmente, a pessoa começa a desvendar tudo isso até atingir um estado chamado o maior Lo Lishma, que não a deixa dormir. Quero amá-Lo, quero estar conectado a Ele, entregar-me a Ele e me perder nisso, porque tenho certeza de que isso me fará bem. Se sou tão devoto a isso, significa que já alcancei um certo nível de Lo Lishma a partir do qual posso avançar para Lishma.

Cada vez eu exijo alcançar Lo Lishma em meus estudos de uma forma diferente, em um nível mais elevado, até atingir um estado em que Lishma se manifeste.

Da Lição Diária de Cabalá 16/07/26, Rabash, “O que se deve fazer se nasceu com más qualidades?”

O Jogo Da Luz E Dos Vasos

232.01A única coisa que foi criada foi o desejo de receber. Ao longo de milhares de anos da existência da humanidade, o desejo de receber em uma pessoa cresceu tanto no nível corpóreo quanto no espiritual, e quando atingiu o terceiro e depois o quarto estágio do desenvolvimento de Aviut (a profundidade do desejo de receber), sofreu uma quebra durante esse estágio.

Tudo o que é necessário está contido na quebra. O que falta é apenas a luz superior, o ponto de referência pelo qual podemos medir todos os fragmentos que sobreviveram dentro de nós na quebra e dar-lhes a sua forma correta; isto é, ver o seu uso apropriado, que é oposto à forma como existem atualmente dentro de nós.

Embora permaneça dentro de sua natureza, a pessoa não pode escapar dela, pois está imersa nela, e esta determina seus pensamentos, comportamento, desejos e direção: aquilo que a atrairá e de que maneira. E a luz que vem de longe, como luz circundante, afeta os vasos quebrados e lhes dá a compreensão da diferença entre eles e a luz circundante.

Inicialmente, essa compreensão passa por estágios de desenvolvimento chamados Shoresh, Aleph, Bet, Gimel e Dalet. A princípio, a pessoa se esforça em direção à luz. Ela pensa que, com a ajuda dela, pode se preencher, usando a espiritualidade para seu próprio benefício da maneira usual, assim como antes tentava obter todos os prazeres corpóreos e humanos usando o ambiente ao seu redor para esse fim.

Agora ela pretende usar o ambiente espiritual da mesma forma, para seu próprio benefício. Mas a luz a afeta de duas maneiras opostas: às vezes desperta um desejo apaixonado pelo mundo espiritual e aumenta seu desejo de receber dentro de si, enquanto outras vezes lhe mostra até que ponto esse desejo apaixonado é inatingível para ela.

Por meio desse jogo de luz com os Kelim (vasos), a pessoa começa a sentir que sua atitude em relação à espiritualidade deve ser diferente da maneira como costumava se relacionar com seus desejos anteriores deste mundo, quando os utilizava abertamente, tanto com os vasos de seu semelhante quanto com os prazeres contidos em seu semelhante à sua frente.

A luz ensina-lhe que a verdadeira forma de prazer reside na qualidade da própria luz. Significa que a pessoa começa a receber o encanto da santidade. Por outras palavras, ela vê o quanto os seus Kelim  cresceram e, consequentemente, o quanto o seu sofrimento aumentou. Então, ela busca a salvação desse sofrimento.

Ou seja, o desejo de receber se enterra (seu próprio método comum de buscar satisfação) e percebe que o sofrimento que experimenta corresponde à magnitude desse desejo. A pessoa começa a ver que o desejo de doar pode se tornar sua salvação: “Melhor a morte do que uma vida assim”. Ela não consegue se libertar desse desejo, que aumenta constantemente, e não consegue obter prazer algum por meio dele. Portanto, começa a desejar vasos de doação.

Nós despertamos para a conexão com o Criador a partir dos grandes Kelim de recepção que, precisamente em nosso tempo, começam a emergir da quebra e exigem correção e plenitude. E o que temos, além disso, é a luz que reforma: a luz que nos reconduz à fonte.

Isso nos dá a oportunidade de usar o poder da própria luz e buscar os Kelim de doação, não porque queremos escapar dos problemas, mas por causa da importância e da unidade que percebemos na qualidade de doação. Em outras palavras, a luz nos transmite a grandeza da fonte.

Conclui-se, portanto, que o que devemos corrigir agora é a nossa atitude para com o Criador. Devemos nos aproximar Dele e aderir a Ele, o que só é possível através da equivalência de forma. E só podemos alcançar isso com a ajuda da luz que reforma. Para isso, precisamos estudar em grupo a partir de livros corretos.

Da Lição Diária de Cabalá de 23/07/26, Rabash, “O que significa ‘Quem chora por Jerusalém é recompensado ao ver a sua alegria’ na Obra?”

Alguns Têm Uma Torá, Outros Têm Outra

137Após a destruição do Segundo Templo, algumas pessoas permaneceram, como o Rabino Shimon, que começou a escrever livros e a aconselhar a nação sobre o que deveriam fazer. Eles orientaram essa nação, que havia se desconectado de seu nível espiritual, a aderir a um sistema baseado em ações físicas correspondentes às espirituais.

Antes, todos oravam com uma oração do coração; agora, um livro de orações foi escrito para eles. Muitas coisas que não existiam antes passaram a ser definidas por instruções sobre como agir no plano material. Era necessário definir os limites do “animal”, que já não percebia as limitações impostas pelo mundo espiritual e buscava seu próprio recinto: fornecer uma estrutura para sua existência. Isso foi feito por meio do livro Shulchan Aruch e outros textos.

Assim, a situação que persistiu por milênios pode ser descrita como o menor dos males. Uma pessoa que existe no plano material, sem contato com a espiritualidade e sem percepção da luz circundante, acredita naturalmente que nada mais é possível.

Ela pensa que, ao observar a Torá e os mandamentos, está fazendo tudo o que é possível. De fato, em certo sentido, ela está. Ela não percebe que qualquer correção adicional seja possível. Correção de quê, se o problema no coração ainda não se manifestou?

É por isso que alguns têm uma Torá e outros têm outra. Para alguns, é externa; para outros, interna. Quando falamos da parte interna da Torá, estamos falando do motivo pelo qual uma pessoa precisa da Torá: seja para correção interna, desencadeada por um ponto no coração, seja para correção externa, motivada pelo desejo de saber o que fazer com as mãos e os pés, e que palavras dizer.

Por exemplo, você tem um livro sobre calúnia. Vamos considerar apenas uma estipulação: “Ame o seu próximo como a si mesmo”, e de repente você precisa de todos esses livros e enciclopédias para saber exatamente o que pode ser dito em relação a isso e o que não pode.

A lei, porém, afirma uma coisa: “Ame o seu próximo como a si mesmo”. Faça um esforço para fazer isso, e isso é tudo. De que livros estaríamos falando? No entanto, ao passar do trabalho interior para o exterior, você deve dar a cada coisa uma definição externa para saber quais formas de sua manifestação são proibidas; então, as emendas começam a se multiplicar. Internamente, existe apenas uma lei: a lei da adesão, da equivalência de forma.

Da Lição Diária de Cabalá 12/08/26, Rabash, “Deve-se sempre vender tudo o que se tem e casar com a filha de um discípulo sábio”.

Influenciado Pelos Desejos Do Ambiente

424.01Uma pessoa é constantemente influenciada pelos desejos ao seu redor, mesmo sem a publicidade do rádio ou da televisão. Nossos pensamentos transitam de um lugar para outro, de uma coisa para outra.

Você pode ir a algum lugar sem nem saber onde está e sentir a essência daquele lugar pela mudança em certa tensão em comparação com o lugar onde você estava antes.

Ou seja, uma pessoa não existe como um indivíduo isolado. Pelo contrário, ela não possui nada de próprio, exceto um ponto de referência, e tudo o que percebe é recebido do ambiente ao seu redor.

Todos os pensamentos, todos os desejos, tudo o que uma pessoa possui, provém do seu ambiente. Tudo depende de quão longe ela se distancia daquilo que lhe faz mal e se aproxima das influências benéficas.

Isso também depende do ambiente em que a pessoa se encontra: o quanto esse ambiente a desperta para isso.

Da Lição Diária de Cabalá 23/07/26, Rabash, “O que significa, ‘Quem chora por Jerusalém é recompensado com a visão de sua alegria’, na Obra?”

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 211

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 211

A eternidade só pode ser sentida no fim da jornada espiritual?

A eternidade pode ser sentida desde o primeiro grau espiritual, onde já percebemos parte do fim da correção. Por quê? Porque esse grau mais baixo, o grau 125, é o mesmo fim da correção, mas reduzido 125 vezes. Ou seja, sentimos o que existe no fim da correção, mas através de muitas camadas. Temos uma espécie de consciência disso, em todos os seus detalhes, mas de forma vaga.

Contudo, estamos imersos nessa sensação e começamos a nos identificar com a alma em vez de com o corpo. Nossa vida muda. Até mesmo nossa atitude em relação à vida e à morte se transforma completamente. Quando começamos a nos identificar com a alma, sentimos algo da eternidade.