A Diferença Entre Cabalá E Filosofia
Pergunta: O diálogo que estabeleço comigo mesmo, tentando compreender por que sofro, ocorre dentro dos meus Kelim habituais. Posso realmente investigar a origem do sofrimento neles?
Resposta: Seu diálogo consigo mesmo de fato ocorre dentro de Kelim (vasos) comuns. No entanto, como você está trabalhando de acordo com o sistema descrito por pessoas que já se corrigiram e alcançaram o estado de Gmar Tikun (correção final), você recebe delas uma força chamada Ohr Makif (luz circundante).
Naturalmente, sem ajuda divina, você continuaria girando em torno das mesmas questões com seu próprio intelecto e desejos, sem jamais transcendê-las. Todas as suas investigações permaneceriam no mesmo plano, como acontece com os filósofos.
Qual a diferença entre nós e eles? Eles usam o intelecto, mas não atraem a luz circundante para si.
Se você estudar os livros corretos, as fontes autênticas, com a intenção de atrair a luz circundante, começará a utilizar uma força, uma elevação, que existe acima da sua natureza. Essa é a diferença.
Se, em suas investigações, você se basear unicamente em seu próprio intelecto, como fazem os filósofos, permanecerá no mesmo plano. Nesse caso, não há correção pela luz circundante. Você simplesmente se torna mais inteligente dentro da estrutura deste mundo. Mas isso não lhe dá a capacidade de se libertar do sofrimento ou de alcançar sua origem.
Tudo o que você possui são conclusões alcançadas por meio do raciocínio. Isso se chama filosofia; não se busca a força superior para ser corrigido por ela. Buscar a força superior não para se demorar no sofrimento ou para preenchê-lo, mas para alcançar sua origem, é a obra de um ser humano.
Comentário: Mas a pessoa precisa saber o que pedir.
Minha Resposta: Há muitas sutilezas aqui. Quando a luz circundante começa a nos influenciar, nosso pedido muda. Deixamos de pedir por satisfação e passamos a pedir por correção. Começamos a desejar nos tornar semelhantes à própria luz, inicialmente sem entender o que está acontecendo conosco e, posteriormente, com consciência.
A primeira fase (Behina Aleph) das quatro fases da luz direta deseja receber e desfrutar da luz. Contudo, após algum tempo, subitamente começa a desejar doar, assim como a luz doa. Este é o resultado da influência da luz superior sobre nós.
Sem essa propriedade maravilhosa, jamais seríamos capazes de alcançar nada.
A diferença entre a sabedoria da Cabalá e a filosofia (assim como todos os outros métodos) é que a Cabalá utiliza a luz circundante. Do meu estado corrigido, eu atraio essa força, essa luz, para o meu estado presente, porque quero ser corrigido, porque quero estar lá.
Da Lição Diária de Cabalá 10/06/26, Rabash, “O que é acima da razão na obra?”
A fé acima da razão não é uma aquisição da mente, mas sim a aquisição de uma capacidade diferente, que não existe naturalmente em nós. É um outro canal, sobrenatural, um sexto sentido, espiritualidade, a correção do vaso, a força de Bina. Como se chega a ela? Através da reflexão, do trabalho e de uma série de subidas e descidas.
Todo o nosso trabalho é realizado acima da razão. Ela está completamente ausente no desejo de receber. Embora a Cabalá seja chamada de ciência, essa ciência é oculta. Ela não deriva da natureza do desejo de receber, a partir do qual todas as nossas ciências são construídas: física, química, eletrônica, até mesmo psicologia (embora esta não seja inteiramente uma ciência).
Existe uma ciência que estuda como um Kli (vaso espiritual) percebe a força superior que atua sobre ele. Se esse estudo envolve a percepção no nível mais básico, ele é chamado de conhecimento deste mundo, as ciências que existem neste mundo.
Embora uma pessoa possa existir naturalmente neste mundo, tal existência é impossível no mundo espiritual, visto que a natureza humana é diametralmente oposta à natureza do mundo espiritual. Uma pessoa nunca sabe exatamente como deve se comportar lá. A conduta que deve seguir lhe parece estranha, o oposto daquilo a que está acostumada, incompreensível.
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Todos mentem, mas não é assustador, ninguém escuta o outro.
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