Comentário: Em 2019, o Prêmio Nobel de Química foi concedido a cientistas por seu trabalho com baterias de íon-lítio, sendo reconhecidos por “lançar as bases de uma sociedade sem fio e livre de combustíveis fósseis” (New York Times, 09/10/2019).
Até agora, a humanidade sempre esteve ligada a uma tomada elétrica e viveu dela. E agora criaram uma linha de baterias que permitem que uma pessoa se movimente livremente pelo mundo.
Minha Resposta: Em nossa época, é claro que significa muito se uma pessoa se liberta da pressão. Mas o que vem depois?
Não creio que essa descoberta vá libertar a humanidade. Pelo contrário, irá escravizá-la de outra forma. Tudo caminha para mostrar à pessoa que a felicidade não está na bateria.
Constatamos que a humanidade não está se tornando mais feliz. Pelo contrário, quanto mais brinquedos, tecnologia e todo tipo de coisas possui, mais confusa fica em sua vida.
Pergunta: Você costuma enfatizar que nenhuma invenção em nosso nível terreno significa algo para você?
Resposta: Não trará nenhum benefício. Absolutamente nenhum! Mas essas invenções levarão a humanidade ao reconhecimento do mal. Tudo o que inventamos, supostamente para o benefício do nosso egoísmo, acaba nos conduzindo ao mal e ao reconhecimento desse mal.
Comentário: Então, se a humanidade parasse e não inventasse absolutamente nada…
Minha Resposta: Não podemos parar, porque o mesmo egoísmo nos impulsiona rumo ao progresso, para que compreendamos que não temos outra escolha senão corrigir o próprio ego.
Pergunta: Por que a humanidade inventa cada vez mais coisas?
Resposta: Ela almeja uma vida tranquila e boa. Mas o resultado é o oposto.
Comentário: De fato: energia nuclear para fins pacíficos e, imediatamente, energia nuclear que destrói tudo.
Minha Resposta: Sim, e o mesmo acontece com tudo. As pessoas não conseguem inventar nada de bom ou benevolente. Absolutamente nada!
Pergunta: Que invenção você consideraria eterna, benéfica para a humanidade e capaz de conduzi-la à felicidade?
Resposta: A correção da natureza maligna do homem — somente isso. Não há mais nada.
Comentário: Mas primeiro as pessoas precisam perceber que vivem com uma natureza maligna.
Minha Resposta: É exatamente isso que os leva a essa constatação. O mundo está num estado em que já não sabe o que fazer consigo mesmo.
Em certo momento, pensamos que o socialismo, o comunismo ou o capitalismo nos salvariam, ou algo mais, alguma forma de liberdade, o liberalismo e assim por diante. Mas tudo leva muito rapidamente à constatação do mal.
Comentário: Você costumava dizer que o desenvolvimento da humanidade era uma progressão linear do egoísmo, com a crença de que as coisas melhorariam e que, no final, o comunismo chegaria. Mas agora o egoísmo parece ter se fechado sobre si mesmo.
Em outras palavras, nos tornamos interconectados, como uma única aldeia, mas as mesmas velhas buscas continuam, e a humanidade ainda não consegue compreender a natureza maligna dentro de si.
Minha Resposta: Acho que chegaremos a um ponto em que a humanidade dirá: “Teria sido melhor se não tivéssemos inventado isso!” Quanto ao átomo, já se pode dizer isso hoje. E dirão o mesmo sobre tudo o mais.
E o que havia de errado em viver em cavernas? O quê exatamente?! Absolutamente nada. Quando as pessoas sabem o que têm, percebem que isso lhes basta.
Pergunta: Então, reunidas em volta de uma fogueira, as pessoas eram mais felizes do que aquelas que hoje andam por aí com baterias elétricas?
Resposta: Claro! Sem dúvida. Havia mais oportunidades para ser feliz lá.
Bem, o que se pode fazer? Está escrito: “Quem aumenta o conhecimento aumenta a tristeza”, ou “Quem aumenta a riqueza aumenta o sofrimento”.
Pergunta: Você acha que esses ditados ainda são relevantes hoje em dia?
Resposta: Mais do que nunca!
Pergunta: Não podemos evitar o aumento do nosso conhecimento, podemos? O egoísmo nos impulsiona.
Resposta: Não podemos. Não podemos evitar o aumento tanto da riqueza quanto do conhecimento. O egoísmo nos impulsionará constantemente a fazer isso.
O objetivo é nos levar ao reconhecimento do mal, especificamente que o mal reside em nossa própria natureza e no fato de acreditarmos que o mundo em que vivemos é o que precisa ser melhorado. Mas ele não pode ser melhorado; nós devemos nos elevar acima dele.
Pergunta: Em outras palavras, precisamos mudar a nós mesmos. Chegaremos a esse ponto durante nossa vida? Eu adoraria ver a verdade de suas palavras se concretizar.
Resposta: Não acredito que isso vá acontecer tão rapidamente. Mas, pessoalmente, isso não me preocupa. Que diferença faz quando acontecer? Independentemente do estado em que estivermos, isso acabará acontecendo com todos nós.
De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman” da KabTV, 15/10/19
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