A Linguagem Dos Ramos: Uma Linguagem Especial Da Cabalá
Assim, os sábios encontraram sem dificuldade uma linguagem adequada pela qual podiam transmitir seus conhecimentos uns aos outros oralmente e por escrito, de geração em geração. Adotaram os nomes dos ramos deste mundo, onde cada nome é autoexplicativo, como se apontasse para sua raiz superior no sistema dos mundos superiores…
Por essa razão, os sábios da Cabalá escolheram uma linguagem especial que podemos chamar de “a linguagem dos ramos” (Baal HaSulam, “Estudo das Dez Sefirot”, Vol. 1, Parte 1, Observação Interior).
A linguagem dos ramos é uma linguagem de comunicação, não de realização.
Por exemplo, ao ouvir médicos, posso entender certos termos comumente aceitos, mas não seu significado intrínseco, porque não sou médico. Não sei exatamente o que eles estão dizendo sobre o funcionamento dos órgãos, parâmetros médicos, exames e assim por diante. Ou seja, a linguagem dos médicos pode consistir em palavras que me são familiares, mas me falta o conhecimento necessário para compreendê-las e avaliá-las.
O mesmo se aplica à Cabalá: posso ler livros Cabalísticos em qualquer idioma e, ao mesmo tempo, não entender nada neles. Portanto, há uma diferença entre conhecer as palavras e compreender o seu significado.
A linguagem dos ramos não se refere ao significado mecânico de palavras como “tela”, “restrição”, “luz refletida”, “luz direta”, Hassadim, Chochma e assim por diante. Em vez disso, ela se refere ao fato de que uma palavra em nosso mundo designa um ramo que brota de sua raiz no mundo espiritual.
Ao perceber determinada palavra, ouço o nome de um ramo em nosso mundo e instantaneamente imagino sua raiz no mundo superior: a qualidade de doação, proximidade, separação, conexão e assim por diante, ou seja, tudo o que se relaciona à interação das partes dentro do único sistema da criação.
Pergunta: Um Cabalista pode não saber qual raiz espiritual corresponde a um ramo específico?
Resposta: É perfeitamente possível. Depende do nível do Cabalista.
Em geral, o sistema de HaVaYaH se revela relativamente rápido, e depois começam a surgir todos os tipos de nuances, discernimentos secundários e terciários, e assim por diante. Essas harmonias acrescentam uma grande quantidade de sensações, e sensações muito importantes, pois a qualidade da percepção das propriedades e ações espirituais depende delas. Portanto, mesmo as nuances mais sutis produzem um efeito tremendo e adicionam profundidade à informação espiritual.
Pergunta: Suponha que O Livro do Zohar descreva pessoas, animais, jardins e os frutos das árvores. Por que foi necessário descrever tudo especificamente dessa maneira?
Resposta: Porque esta é a linguagem dos ramos. Os autores do Livro do Zohar não poderiam escrever de outra forma, já que estes são os nomes das partes da nossa alma.
Pergunta: Por que Baal HaSulam escreveu de forma diferente, usando termos Cabalísticos como Zeir Anpin, Malchut e assim por diante?
Resposta: A questão é que, na descrição das propriedades espirituais, existem quatro linguagens. Baal HaSulam usou a linguagem da Cabalá, não a linguagem dos ramos.
Da Lição Diária de Cabalá em Russo 01/04/18
Por que os Cabalistas escolheram a “linguagem dos ramos” para suas explicações?
Na sabedoria da Cabalá, o aluno enfrenta um problema: para compreender o que o professor está dizendo, ele precisa estar em um nível espiritual elevado. O professor pode estar falando de graus muito altos, mas como, por natureza, todos os graus são semelhantes entre si e contêm os mesmos detalhes, o aluno pode, no mínimo, entender o que é dito de acordo com o grau espiritual em que se encontra. Mas se o aluno ainda não ascendeu a nenhum grau espiritual e existe apenas neste mundo, ele é incapaz de compreender a linguagem dos ramos espirituais.
O mundo espiritual e a alma são simplesmente desejos em sua forma direta e pura. Mas a ciência da Cabalá fala sobre estados em que a alma está revestida de um corpo. Os Cabalistas não descrevem os estados de uma alma que não está revestida de um corpo, embora, é claro, os conheçam e estejam conectados a eles.
De fato, você deve saber que a razão para o nosso grande distanciamento do Criador, e para a nossa propensão a transgredir a Sua vontade, reside em uma única razão, que se tornou a fonte de todo o tormento e sofrimento que suportamos, e de todos os pecados e erros em que falhamos. Certamente, ao removermos essa razão, nos livraremos instantaneamente de toda tristeza ou dor. Imediatamente nos será concedida a comunhão com Ele em coração, alma e força. E eu lhes digo que essa razão primordial nada mais é do que “nossa falta de compreensão da Sua orientação sobre as Suas criações”, o fato de não O compreendermos adequadamente (Baal HaSulam, “Introdução ao Estudo das Dez Sefirot”).
Comentário:
A Cabalá é uma transmissão sensorial de informações. Os termos nela utilizados não são encontrados em nenhuma língua. Eles nem sequer são retirados do hebraico, mas sim da linguagem da sabedoria da Cabalá. Portanto, adotamos definições cabalísticas como Sefirot, Partzufim, Reshimot, etc., em qualquer língua.
Pergunta:
Os perversos são eliminados do livro de Dumah porque ele leva em conta apenas a linha do meio, onde os perversos não estão incluídos. E quem os desejará na ressurreição dos mortos? Durante a ressurreição dos mortos, o anjo Matat receberá a conta por escrito dos cemitérios de Dumah. Mas quem desejará aqueles perversos que não são contados por Dumah para a ressurreição dos mortos? (Rashbi, Zohar para Todos, Vol. 3, Chayei Sara, E Dumah Se Levanta e Calcula, p.12)
Baal HaSulam era um homem muito reservado, um homem de seu círculo estreito. A cultura europeia era claramente manifestada nele. Isso é até evidente em sua música, que tinha uma prevalência de melodias polonesas do Leste Europeu, com algum sotaque italiano.