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Quando As Ações Se Tornam Mandamentos

608.02Pergunta: O que significa se dedicar à Torá e aos mandamentos?

Resposta: Praticar a Torá e os mandamentos (Mitzvot) com a ajuda da luz que reforma significa fazer tudo o que os Cabalistas que alcançaram Lishma descrevem. Eles nos aconselham sobre quais ações podem nos ajudar a alcançar Lishma. Por ora, chamaremos essas ações de Torá e mandamentos.

Lishma é o trabalho com Masachim (telas) em prol de doar ao Criador, em prol de Seu Nome. Uma vez que começo a trabalhar com Masachim, torna-se claro para mim o que são a Torá e os mandamentos. Já sei quais ações posso realizar em meu desejo de receber que me aproximam do Criador, ou seja, aumentam minha intenção de doar. Então, essas ações são chamadas de mandamentos. Ao corrigir meu desejo de receber através da intenção de doar, eu o preencho com a luz chamada Torá.

Agora, estando abaixo do Machsom (barreira), minha intenção, embora ainda não muito clara, está direcionada ao meu desejo de alcançar o início do verdadeiro trabalho espiritual, uma relação genuína com o Criador, doar-Lhe, atravessar o Machsom e adquirir um Masach. Ainda não sei exatamente o que isso significa, mas consigo imaginar de alguma forma. Portanto, se eu realizar qualquer ação que os Cabalistas me aconselham a realizar, isso é chamado de Torá e mandamentos.

E as ações que realizo com meu corpo (com meus pés, mãos ou vários objetos) são aquelas que devemos fazer dentro da estrutura do nosso mundo corpóreo. Elas não têm absolutamente nada a ver com o trabalho espiritual. Portanto, continuo dizendo que elas não fazem a pessoa avançar em direção ao Criador. Elas apenas mantêm a pessoa dentro da estrutura do nível espiritual inanimado (Domem de Kedusha).

Da Lição Diária de Cabalá 16/07/26, Rabash, “O que se deve fazer se nasceu com más qualidades?”

Acumular Diferentes Estados

252Para levar uma pessoa ao estado final em que seu Kli se torna o maior possível, ou seja, sua aspiração ao Criador se torna verdadeiramente imensa, o Criador deve guiá-la por uma ampla variedade de estados. Em cada um desses estados, a pessoa essencialmente aprende a diferença entre o estado do Criador e o estado oposto a ele, ou entre as luzes e os Kelim, entre a luz e a escuridão.

Afinal, somente pela existência de uma coisa e de seu oposto é que se pode aprender sobre essa coisa e seu oposto, bem como sobre ambas e a relação entre elas. Uma pessoa pode fazer isso? É o Criador quem o faz. A pessoa só precisa sentir e perceber em que estado se encontra.

O Criador influencia a pessoa tanto na escuridão quanto na luz, como se diz: tanto no exílio quanto no tempo da redenção. Ele entra em cada estado e literalmente faz tudo.

“Eu, o Criador, habito com eles em meio à sua impureza. Vou com eles ao exílio para lhes ensinar o que é Galut (exílio, dispersão). E os conduzirei à redenção, libertando-os do exílio ao mostrar-lhes quão terrível ele é, para que desejem deixá-lo. E na medida em que desejarem se libertar da opressão e sair do exílio, eu os libertarei”.

Assim, tudo é feito pelo Criador, a pessoa só precisa determinar sua atitude em relação a isso, aceitando tudo o que existe e tudo o que lhe acontece exatamente como é, chegando também a um estado de gratidão tanto pelo pior quanto pelo melhor, pois através disso, ela se conecta ao objetivo que lhe é mais importante.

Eles compreendem o quão necessário é o seu atual estado adverso para atingir o objetivo e que não há outros estados mais propícios para alcançá-lo. Devem perceber isso, aceitar e desejar permanecer nesse estado, considerando-o uma etapa de progresso rumo ao objetivo.

Contudo, como estar em um estado oposto ao do Criador não corresponde ao Seu desejo, devemos nos esforçar para nos aproximarmos Dele. Mas a razão para isso não deve ser “Eu me sinto mal agora e quero me sentir melhor”. Devemos aprender a discernir essas diferenças à medida que acumulamos gradualmente vários estados e avançamos em direção à meta com eles.

Em cada estado, a pessoa deve primeiro perceber: “Eu estou sofrendo” e, posteriormente, “O Criador está sofrendo”. Da perspectiva do objetivo, esse estado é benéfico para a pessoa; contudo, da perspectiva do propósito da criação, é desfavorável para o Criador, pois Ele estabeleceu que o objetivo é a adesão a Ele. Em outras palavras, o grau de proximidade com o Criador, o grau de progresso, é determinado pela capacidade do ser criado de doar.

Da Lição Diária de Cabalá 20/07/26, Rabash, “O Criador e Israel Foram para o Exílio”

No Início — Uma Faísca De Luz

226Não consigo mudar nada diretamente em mim. Não consigo me “tocar” de forma alguma. Não tenho acesso ao meu desejo de receber.

Por exemplo, a nossa visão. Os cientistas rastrearam o caminho desde o globo ocular até o nervo óptico, e daí para outros sistemas mais complexos do organismo, descobrindo ao longo do processo o que vemos, como vemos e como a visão pode ser corrigida.

Por fim, chegaram ao que é chamado de centro do prazer. Se você começar a examinar esse centro, descobrirá rapidamente que se trata de uma estrutura específica no cérebro que opera por meio de reações bioquímicas.

Mas por trás disso, além do alcance de um bisturi, reside uma parte de nós conhecida como o eu “sentimental”; este é o Kli espiritual. Não há como alcançá-lo. É um desejo! Todo o resto são meramente as vestes materiais do desejo, os meios pelos quais ele opera e se expressa. Mas não podemos alcançar o próprio desejo.

Então, o que meus olhos percebem? Faíscas de luz revestidas, digamos, em uma bela pintura. Eu olho para uma bela pintura e aprecio-a. O que isso significa? Não há prazer na pintura em si. Há nela uma faísca de luz que corresponde precisamente ao meu Kli. Outra pessoa pode olhar para a mesma pintura com indiferença, ou mesmo com repulsa. Mas ela me preenche de prazer.

Em outras palavras, a centelha espiritual que está representada na imagem é percebida por mim através dos meus olhos, passa por todos os sistemas até ser finalmente liberada no final da cadeia material e biológica, e entra na fonte do meu prazer espiritual: o desejo espiritual.

Todo o percurso que a informação faz — da imagem aos olhos, e através de todos os sistemas do organismo — é meramente um canal de transmissão. No início, há uma faísca de luz e, no fim, o desejo de receber. Só isso! Todos os nossos órgãos sensoriais são meros canais de transmissão.

Assim vivemos neste mundo: as mesmas luzes e Kelim, apenas com um intermediário entre elas. Disso vemos que não temos poder sobre a luz e os Kelim. Eles são completamente separados de nós e existem fora de nossos corpos, e só podemos alterá-los atraindo a luz circundante.

Da Lição Diária de Cabalá 30/07/26, Rabash, “O que significa que o óleo é chamado de ‘boas ações’ na Obra?”

Acompanhe A Preparação Até O Fim

237Pergunta: Os preparativos para o próximo congresso se desenvolvem de acordo com os mesmos níveis de qualquer outro desenvolvimento na natureza: inanimado, vegetativo, animado e humano?

Resposta: Claro, isso ocorre em qualquer desenvolvimento, e também no desenvolvimento dos desejos. Eles também passam por esse processo dos quatro estágios da luz direta HaVaYaH (Yod-Hey-Vav-Hey), e isso se aplica também ao congresso.

Quando uma pessoa começa a pensar nisso e a se preparar, ela experimenta altos e baixos, às vezes querendo ir, às vezes não. Se, no fim, ela toma a firme decisão de ir, chega ao congresso verdadeiramente preparada.

Eles precisam entender por que estão fazendo isso, o que esperam ganhar com isso e onde o resto do mundo (trabalho, família e saúde) se encaixa nesse contexto.

Eles precisam ponderar todos esses fatores e, por fim, chegar à pergunta: “Qual é o sentido da minha vida?” Esta é uma pergunta que não pode ser respondida de outra forma.

A experiência deveria mostrar-lhes que todas as outras áreas das nossas vidas dependem de algum fator desconhecido.

A sabedoria da Cabalá nos revela a fonte desse desconhecido, dessa força superior. Se uma pessoa se conecta a ela, adquire uma ferramenta capaz de corrigir tudo, tanto neste mundo quanto no mundo espiritual.

Se eles examinarem tudo isso minuciosamente de acordo com os estágios de HaVaYaH, sem dúvida chegarão ao congresso e estarão preparados.

Da Lição Diária de Cabalá 10/02/10, Baal HaSulam “Introdução ao Livro do Zohar

Duas Formas Opostas Da Torá

107Uma pessoa é um novo Kli, chamado alma, que pode ser formado dentro de nós através do estudo, quando a iluminação que advém nos reconduz à fonte. Ou seja, constrói em nós o sexto sentido, o anseio pelo Criador com a intenção de Lhe trazer contentamento através de uma tela.

Aqui não há lugar para os desejos de outras paixões animalescas, sobre as quais não se pode construir uma barreira, independentemente dos cálculos que se possam fazer quanto ao seu uso. Tudo isso não pertence à obra do Criador.

Portanto, existem duas formas opostas de Torá. Uma Torá ensina como existir neste mundo, abaixo do Machsom. Esta é chamada de Torá geral, através da qual as massas aprendem a viver melhor, a ser um bom judeu, ou seja, o que é comumente chamado de ser religioso. Consequentemente, ensina-se a governar as próprias qualidades, a ser bondoso e decente, a amar os seres criados, a controlar a própria fala e assim por diante.

Não rejeito isso de forma alguma. Aqueles que ainda não atravessaram o Machsom e que ainda não têm a intenção de atravessá-lo, devem, de fato, observar isso. Essa é a Torá para as massas, que as prepara para passar à Torá individual.

A Torá individual destina-se àquele que deseja se desenvolver individualmente, isto é, a um ser humano (“Você é chamado de ‘homem’…”) acima do Machsom, aquele que já possui um novo Kli.

O desejo pelo Criador é chamado de um novo desejo, um novo Kli com a intenção de dar. Dentro dele, várias perturbações dirigidas contra o Criador são despertadas, chamadas Klipot. Então, toda a conexão e todo o trabalho do indivíduo são direcionados unicamente ao Criador. E tudo o que é direcionado ao Criador é chamado de espiritual e é chamado de “homem” (Adam).

Da Lição Diária de Cabalá 16/07/26, Rabash, “O que se deve fazer se nasceu com más qualidades?”

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 206

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 206

Se o conceito de punição não existe, por que a Torá fala de punições?

Todos os livros da Torá são chamados de “livros sagrados” porque tratam do mundo espiritual. A espiritualidade existe a partir do nível da tela e acima dela, e não a sentimos. Algo separado e distinto é chamado de “santo”, “sagrado”. Todos os livros sagrados descrevem apenas o mundo espiritual. A Torá não fala sobre este mundo. Ela não nos instrui sobre como sermos bons com os outros, mas sim sobre como sermos bons com o Criador. Nosso anseio de nos assemelharmos ao Criador corrige nossa natureza e, naturalmente, também nos tornamos melhores neste mundo.

Como a Torá descreve as subidas? Nossas subidas ocorrem em duas linhas: a linha da direita e a linha da esquerda. Da linha da direita vêm as qualidades do Criador, as nove primeiras Sefirot, as forças de doação, e da linha da esquerda vem o desejo de receber. A pessoa se coloca no meio e se corrige. Portanto, a Torá apresenta duas coisas: o que acontecerá se você não agir e o que acontecerá se você agir. A leitura da Torá, especialmente dos livros dos Profetas, muitas vezes dá a impressão de calamidade, e nos sentimos repreendidos. Mas, na verdade, o que está sendo transmitido é uma descrição do que acontece em cada grau. Se você age de uma maneira, um resultado se segue, e se você age de outra maneira, um resultado diferente se segue. É assim que a estrutura dos graus espirituais é explicada. Não há intenção de repreender como se repreende uma criança.

Essas histórias descrevem, em linguagem narrativa, condições nos níveis superiores. Portanto, todos esses livros são destinados apenas àqueles que estão no mundo superior, porque em nosso mundo não há nada a “fazer” nesse sentido. O que uma pessoa faz aqui é resultado do que acontece acima. Por exemplo, a Torá fala da ruína do Templo. Mesmo na interpretação mais simples, explica-se que a ruína ocorreu porque caímos de um nível espiritual e, então, inimigos entraram. Nós mesmos causamos essa situação ao descer de um nível espiritual superior. Setenta anos antes da ruína, ela já havia sido predita. Por quê? Porque, com base no nível espiritual das pessoas, era possível prever o que aconteceria, assim como hoje podemos observar a deterioração da sociedade humana e nos sentirmos incapazes de impedi-la; alguns chegam a prever o colapso de países ou da própria humanidade.

Em outras palavras, tudo depende do estado interior, que se reflete e se expressa na forma física. A Torá fala desses estados interiores. Ela não descreve o que uma pessoa deve fazer com as mãos e os pés, ou com objetos físicos. Nosso mundo é um mundo de consequências. Se realizarmos correções nos níveis espirituais, tudo neste mundo se ajustará de acordo.

Este mundo deve ascender ao grau final. Devemos alcançar o estado de fim da correção, não apenas com o ponto no coração, mas com o coração inteiro, com todos os nossos desejos. Em outras palavras, somos obrigados a elevar até mesmo nossos desejos mais corpóreos ao nível mais alto. Os Cabalistas dizem que uma pessoa deve alcançar o estado de fim da correção enquanto ainda vive neste mundo.