O Erro De Um Milionário Chinês
Comentário: As condições de vida em algumas aldeias chinesas são muito difíceis. Em algumas, as pessoas nem sabem o que é um banheiro. Como antigamente, é apenas um buraco, e nada mais.
Um jovem que cresceu em uma aldeia tornou-se milionário e decidiu ajudar seus conterrâneos. Construiu casas com banheiros e chuveiros aquecidos para eles. Algo inesperado aconteceu. As pessoas começaram a brigar sobre quem tinha direito à propriedade e quem não tinha. Além disso, começaram a exigir casas maiores do empresário, já que suas famílias haviam crescido. O milionário não esperava por isso e quase entrou em depressão.
Minha Resposta: Ele simplesmente não entendeu que o egoísmo humano se estrutura de uma maneira um pouco diferente. É uma grande decepção.
Pergunta: Será que as pessoas realmente não conseguem, de repente, se acalmar em algum momento, ter uma casa, um banheiro quente e viver assim?
Resposta: Não, porque a existência determina a consciência. Você corrigiu a maneira como eles viviam e, com isso, mudou a consciência deles. A consciência deles aumentou mil níveis de egoísmo, e é isso — as pessoas não conseguem mais lidar com isso, e agora vão se destruir e se matar.
Pergunta: Então o milionário deixou o diabo sair da caixa?
Resposta: Sim. Agora as pessoas vão recorrer à justiça: o vaso sanitário deste é mais quente, a banheira daquele é maior, e assim por diante.
Pergunta: Então eles viviam tranquilamente em condições adversas e levavam suas vidas dessa maneira?
Resposta: Você nem imagina o quanto essas condições são duras! Mesmo em Pequim, vi quartos minúsculos e horríveis! A pessoa dorme em uma cama diretamente no chão. E faz frio lá no inverno. Na China continental, o frio é como na Sibéria. No quarto, há uma pequena TV, uma cama no chão e uma pequena sacola com alguma coisa, talvez vegetais. E isso é tudo o que ela tem.
Pergunta: Então a conclusão é que não se deve alterar as condições com as quais uma pessoa está familiarizada?
Resposta: Em hipótese alguma! As condições devem ser alteradas com muita cautela, apenas na medida do desenvolvimento da população e apenas na medida de uma ideologia correta.
Pergunta: Então, um salto tão grande não deveria ser dado?
Resposta: Não deve. De acordo com a Cabalá, o progresso deve andar de mãos dadas com a educação, com a consciência interior. Caso contrário, nada de bom resultará disso. No fim, inventarão bombas atômicas. E daí se todos tiverem pão? Serão ainda mais infelizes.
Pergunta: Como uma pessoa pode ser preparada para essa transição, de modo a ter acesso a um banheiro, um vaso sanitário aquecido e boas condições de vida?
Resposta: Por que precisa disso? Para começar a olhar com desdém para o vizinho? Se ele achasse sua existência normal e aceitasse a vida como ela é, por que precisaria de mais alguma coisa? E agora a esposa dele exige um guarda-roupa! O armário está lotado de roupas, mas ela precisa de mais; então agora você precisa comprar um segundo armário.
Pergunta: Então a história do peixinho dourado é sempre relevante?
Resposta: Absolutamente. Somente o desenvolvimento de uma pessoa deve determinar seu status material.
Pergunta: Tire-nos desse impasse. Como uma pessoa pode viver bem e feliz? O que é necessário para isso? Você disse que o progresso não é necessário para que uma pessoa seja feliz.
Resposta: De forma alguma. A humanidade recebeu condições mais ou menos normais e, em 100 anos, a população mundial aumentou de dois bilhões no início do século XX para oito bilhões no início do século XXI. E o que acontecerá a seguir? Embora digam que já está começando a diminuir. Mas por que está diminuindo? Porque as pessoas não querem mais se reproduzir; pensam apenas em si mesmas: “Prefiro criar condições em que serei cuidado, serei enterrado e tudo terminará comigo; ‘Que haja um dilúvio, não preciso de filhos’”.
Comentário: As pessoas também justificam isso dizendo que não querem ter filhos neste mundo terrível e cheio de sofrimento.
Minha Resposta: Elas não estão pensando nos filhos! Estão pensando nelas mesmas. Por que eu deveria investir em filhos? No passado, eu precisava fazer isso porque, mais tarde, os filhos me sustentariam, cuidariam de mim, e eu ficaria feliz em ver meus netos. E agora isso acabou. O egoísmo cresceu. Não precisa desses netos, não precisa de nada. Até o último dia da minha vida, estarei bem, e então eles me enterrarão. Pagarei agora para que, mais tarde, eu seja enterrado e tudo fique bem — é só isso. Hospitais e funerárias, só isso.
Pergunta: Ainda há progresso. Como uma pessoa pode ser feliz hoje em dia?
Resposta: Esse progresso não é bom. Ele confunde a pessoa, a empurra para uma espécie de, me perdoem, banheiro aquecido, e a pessoa permanece nesse banheiro aquecido a vida inteira. Ela pensa que isso é uma bênção. E além disso, não tem mais nada. Nada!
Pergunta: Voltemos ao milionário chinês. Como podemos fazer as coisas para que as pessoas se sintam bem? Suponhamos que ele tivesse essa intenção. O que ele deveria ter feito? E, em geral, o que deve ser feito para que as pessoas se sintam bem?
Resposta: Eu o aconselharia a abrir escolas. É uma vila de, provavelmente, vinte a trinta mil habitantes, no mínimo. Dê às crianças a oportunidade de estudar. “Elas já terminaram a educação escolar? Sim. E agora, vou construir uma universidade ao lado da escola”.
Pergunta: O que uma criança deve entender e sentir na escola?
Resposta: Ela deve aprender a ser um elemento integral no mundo. Ou seja, deve conhecer a natureza, o mundo, como ele gira e como ela deve girar junto com ele para ser um elemento integral conectado à natureza, sem violar sua harmonia. É isso que ela deve aprender na escola e também na universidade. É um longo processo.
Pergunta: Na sua opinião, isso é o mais importante?
Resposta: Sim, porque é necessário mudar um homem.
Comentário: Portanto, eu não mudo o mundo, mas, ao contrário, a mim mesmo.
Minha Resposta: É precisamente a educação no ambiente certo que transforma uma pessoa. E então veremos uma geração completamente diferente, por exemplo, de chineses.
Pergunta: E quanto ao mundo? Como podemos levar o bem ao mundo?
Resposta: Da mesma forma, não há mais nada. Apenas educação, e apenas na medida em que eles estejam dispostos a aceitá-la.
Pergunta: Educação para a formação de uma pessoa integral?
Resposta: Claro. Absolutamente!
Pergunta: Para que a pessoa sinta sua conexão com a natureza?
Resposta: Sim, a pessoa deve sentir isso conscientemente e entender que precisa se mover conscientemente nessa direção. E isso deve ser obrigatoriamente incutido desde a infância.
Pergunta: Se, por exemplo, direcionarmos a humanidade para um caminho como esse — de integridade, conexão mútua, compreensão de que ela existe dentro da natureza —, o progresso poderá então ser construído sobre essa base?
Resposta: Que progresso é esse?! Quando naves espaciais sulcam as vastidões do universo? Para quê?! Todo o progresso estará nas relações entre as pessoas e na penetração nas profundezas da natureza integral. Lá, uma pessoa encontrará tudo. Ela não precisa deixar sua aldeia. Ela voa pelo universo! Ela entende e sente o que acontece ao seu redor. Por que deveria deixar a aldeia para ir a uma cidade vizinha?
Pergunta: Uma pessoa sente que está verdadeiramente feliz nesse momento?
Resposta: Claro! Ela entende onde existe, para que vive, quem a criou, com que propósito e como cumpriu esse propósito, como, com a ajuda disso, revelou o universo para si mesma. Ela sente isso de forma plena. Não tem problema algum, nem mesmo na transição da vida para a morte. Sente-se eterna, perfeita — é isso que ela alcança. O que poderia ser melhor? E isso em vez de se tornar um chinês moderno que vive na cidade! É preciso proporcionar conforto interior à pessoa! De qualquer forma, você não conseguirá proporcionar conforto exterior!
Pergunta: Será este o principal progresso: proporcionar conforto interior a uma pessoa?
Resposta: Sim. Porque em um ambiente de conforto externo, todos só olharão uns para os outros.
A paz interior surge quando cada um alcança o equilíbrio consigo mesmo, com a natureza e com o Criador. Então, nada lhe causa medo. É isso que todos desejam. Ao oferecer a alguém mais ou menos bens materiais, você só gerará revoluções, disputas e assim por diante.
Em resumo, o milionário cometeu um erro.
De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 29/01/20
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O mundo não deve ser corrigido em questões religiosas antes que a correção econômica seja garantida para o mundo inteiro (Baal HaSulam, Os Escritos da Última Geração).
Nas