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Como Se Tudo Dependesse De Mim

292Pergunta: Por um lado, diz-se que devemos começar o trabalho com “Se eu não for por mim, quem será por mim?”. Por outro lado, dizemos que devemos sempre começar com “Não há outro além Dele”. Então, como devemos agir corretamente?

Resposta: Quando digo: “Não há outro além Dele”, estou me referindo à minha abordagem geral, à forma como me relaciono com o que está acontecendo comigo.

Sem dúvida, isso me foi enviado de cima, e significa que concordo com o governo superior e aceito o fardo da Malchut superior sobre mim. É isso que me distingue de uma pessoa comum na rua.

Depois de ter dito: “Não há outro além Dele”, digo: “Se eu não for por mim mesmo, quem será por mim?”. Ou seja, confiando no fato de que isso veio do Criador, agora me desapego de Sua ação.

Se eu permanecesse imerso em Sua ação o tempo todo, permaneceria no nível zero de Aviut, anulando a mim mesmo e nada mais. Portanto, emerjo dessa autoanulação e começo, por meio de meus próprios esforços e ações, a examinar todos esses estados; isto é, a agir de forma independente.

Eu faço minhas próprias correções, como se tudo dependesse de mim.

Da Lição Diária de Cabalá 17/07/26, Rabash, “Quem precisa saber que uma pessoa resistiu ao teste?”

O Benefício Das Perturbações Deste Mundo

424.01Pergunta: É possível fugir do mal por um mês, ou, pelo menos, por uma semana?

Resposta: Não creio que fugir do mal por uma semana ou um mês ajude, pois você perceberá muito rapidamente que precisa das perturbações deste mundo. Você ainda não absorveu o suficiente delas.

Como você pode verificar isso? Vá para alguma aldeia remota, isole-se lá, comece a estudar a sabedoria da Cabalá, estude as fontes autênticas junto com seus amigos, e você verá que, depois de um ou dois dias, no máximo, o tédio tomará conta e você não terá nada para fazer. Tenho certeza de que é exatamente isso que acontecerá.

Pergunta: Será que não fornecemos uns aos outros material suficiente para o trabalho interno?

Resposta: Não. Você nem sentirá a necessidade de trabalhar em conjunto. Eu preciso receber constantemente as perturbações deste mundo. Só então terei a necessidade de me conectar com meus amigos para superar essas perturbações e alcançar a espiritualidade. Caso contrário, não terei necessidade da sociedade, muito menos dos estudos.

Você acha que seus estudos se tornarão mais produtivos se você se isolar, afastando-se deste mundo? Não, eles não melhorarão, e seus estudos não se tornarão mais eficazes — na verdade, eles deixarão de existir. Os estudos se tornarão completamente teóricos, sem nenhuma necessidade real. Não temos possibilidade de avançar em direção à espiritualidade a menos que permaneçamos conectados com a vida cotidiana.

Eu também nunca fiquei longe do Rabash por muito tempo. Às vezes durava três dias, mas apenas ocasionalmente. Claro, durante o dia eu passava muitas horas com ele, mas mesmo assim não me separava da vida cotidiana comum.

Da Lição Diária de Cabalá 14/07/26, Rabash, “O que significa que ‘Lei e Ordenança’ é o nome do Criador na Obra”

O Homem É O Elemento Sensorial

278.03Pergunta: Se dissermos que tudo vem do Criador, isso significa que uma pessoa não existe de fato?

Resposta: O fato de tudo vir do Criador não nega a existência do ser humano. O ser humano é o elemento sensorial.

Ao estudarmos o Kli (vaso), percebemos que ele representa o desejo de receber deleite do Criador. O Criador preenche o Kli com a Sua presença.

Toda a plenitude que vai além do necessário (tudo o que surge após o primeiro estágio das quatro fases de expansão da luz direta) provém da sensação do Criador, da sensação do próprio Anfitrião, e não daquilo que Ele preparou para que eu receba.

O Kli é o órgão que percebe a realidade espiritual. Consequentemente, o grau de ocultação ou revelação do Criador corresponde ao grau de vazio (escuridão) ou plenitude experimentado dentro do vaso espiritual (Kli).

Da Lição Diária de Cabalá 03/07/26, Rabash, “O que significa: ‘Não há ninguém tão santo quanto o Senhor, pois não há ninguém além de Ti’, na Obra?”

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 194

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 194

Por que o amor de amigos é considerado a ação mais importante, até mesmo mais do que ações como se contentar com pouco e outras correções?

Isso porque na Cabalá se sabe que uma pessoa não pode se corrigir sozinha. O que pode nos corrigir é a luz superior, se ela chega até nós de um estado mais corrigido e nos ilumina. Somente assim ela corrige nossos corpos. Portanto, não devemos agir por conta própria para corrigir os corpos, como se tivéssemos uma chave inglesa ajustável na mão com a qual abrimos, fechamos e consertamos. Em vez disso, devemos atrair um “reparador” para vir e consertar o sistema. Esse é o tipo de luz que devemos atrair.

Portanto, não realizamos ações diretas para a correção. Não procuramos onde está a tela, a trazemos, a colocamos sobre o desejo de receber e martelamos alguns pregos para que não se solte, entre o desejo de receber abaixo e a tela acima, como nos diagramas, de modo que o desejo de receber fique coberto por uma tela. Em vez disso, buscamos os meios que nos trarão uma tela que nos trará a correção. Esse meio não é uma abordagem à correção em si, mas uma abordagem àquele que corrige. Essa questão representa um grande obstáculo para as pessoas antes que comecem a entender que devemos buscar o corretor e não as correções em si. Sem o corretor, simplesmente não haverá correção. É exatamente como uma máquina de lavar que quebra e você tenta consertá-la sozinho, sem nenhum conhecimento de como fazê-lo. Não funciona. Você terá que chamar um especialista que trará a peça necessária e saberá como instalá-la no lugar certo. Portanto, devemos procurar a “pessoa” certa que sabe como fazer esse trabalho. Essa “pessoa certa” é a luz superior.

Portanto, as ações que devem ser realizadas não são ações relacionadas diretamente ao próprio objeto, mas sim ações através das quais podemos atrair as luzes mais benéficas para a correção. Os Cabalistas nos dizem que a luz circundante mais benéfica para a correção surge quando lemos um livro de Cabalá durante o estudo com a intenção de alcançar nossa raiz, o lugar onde nós, nossa ação, o estudo e o Criador estamos em adesão em um único ponto. Os Cabalistas também dizem que, para sentar e estudar com a intenção correta, a própria intenção é fundamental.

Como alcançamos tal intenção? Os Cabalistas descrevem diversos meios para construir a intenção correta. Baal HaSulam escreve no artigo “A Liberdade” que a sociedade vem antes de tudo. Sem a sociedade, não podemos unir nosso desejo em direção ao objetivo e fortalecê-lo, e nossa intenção será menor do que o necessário para atrair a luz circundante.

Se nos atormentarmos com afirmações como “Não estou bem”, “Sou mesquinho”, “Sou lascivo”, “Sou ambicioso” ou “Sou cruel”, estaremos nos entregando aos nossos desejos mais sombrios. Uma pessoa é onde estão seus pensamentos. A partir desse ponto, nada nos resta a não ser se embriagar ou usar drogas para anestesiar a terrível dor que sentimos. A autoflagelação é inútil. Por isso, está escrito: “O insensato senta-se de braços cruzados e come a própria carne”. Tal comportamento é a verdadeira tolice, pois não nos direciona para o caminho certo. Ao olharmos para a sujeira dentro de nós, não a purificamos. Quando uma peça de um carro quebra, ela precisa ser consertada por um especialista que traga a peça nova e saiba como instalá-la.

Muitas vezes, voltamos constantemente nosso olhar para dentro de nós mesmos, para o nosso interior, e isso nos torna infelizes. Nosso estado interior se revela diante de nossos olhos, e não sabemos como nos desvencilhar dessa visão; permanecemos sentados, lamentando e nos consumindo. A sociedade deve influenciar cada pessoa a sair rapidamente desse estado negativo, pois dele surge a “fala dos espiões” sobre o Criador.

Trecho de uma palestra sobre o artigo “Qual é a essência da difamação e contra quem ela é dirigida?” – Parte 2, 13/06/02