Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 194
Por que o amor de amigos é considerado a ação mais importante, até mesmo mais do que ações como se contentar com pouco e outras correções?
Isso porque na Cabalá se sabe que uma pessoa não pode se corrigir sozinha. O que pode nos corrigir é a luz superior, se ela chega até nós de um estado mais corrigido e nos ilumina. Somente assim ela corrige nossos corpos. Portanto, não devemos agir por conta própria para corrigir os corpos, como se tivéssemos uma chave inglesa ajustável na mão com a qual abrimos, fechamos e consertamos. Em vez disso, devemos atrair um “reparador” para vir e consertar o sistema. Esse é o tipo de luz que devemos atrair.
Portanto, não realizamos ações diretas para a correção. Não procuramos onde está a tela, a trazemos, a colocamos sobre o desejo de receber e martelamos alguns pregos para que não se solte, entre o desejo de receber abaixo e a tela acima, como nos diagramas, de modo que o desejo de receber fique coberto por uma tela. Em vez disso, buscamos os meios que nos trarão uma tela que nos trará a correção. Esse meio não é uma abordagem à correção em si, mas uma abordagem àquele que corrige. Essa questão representa um grande obstáculo para as pessoas antes que comecem a entender que devemos buscar o corretor e não as correções em si. Sem o corretor, simplesmente não haverá correção. É exatamente como uma máquina de lavar que quebra e você tenta consertá-la sozinho, sem nenhum conhecimento de como fazê-lo. Não funciona. Você terá que chamar um especialista que trará a peça necessária e saberá como instalá-la no lugar certo. Portanto, devemos procurar a “pessoa” certa que sabe como fazer esse trabalho. Essa “pessoa certa” é a luz superior.
Portanto, as ações que devem ser realizadas não são ações relacionadas diretamente ao próprio objeto, mas sim ações através das quais podemos atrair as luzes mais benéficas para a correção. Os Cabalistas nos dizem que a luz circundante mais benéfica para a correção surge quando lemos um livro de Cabalá durante o estudo com a intenção de alcançar nossa raiz, o lugar onde nós, nossa ação, o estudo e o Criador estamos em adesão em um único ponto. Os Cabalistas também dizem que, para sentar e estudar com a intenção correta, a própria intenção é fundamental.
Como alcançamos tal intenção? Os Cabalistas descrevem diversos meios para construir a intenção correta. Baal HaSulam escreve no artigo “A Liberdade” que a sociedade vem antes de tudo. Sem a sociedade, não podemos unir nosso desejo em direção ao objetivo e fortalecê-lo, e nossa intenção será menor do que o necessário para atrair a luz circundante.
Se nos atormentarmos com afirmações como “Não estou bem”, “Sou mesquinho”, “Sou lascivo”, “Sou ambicioso” ou “Sou cruel”, estaremos nos entregando aos nossos desejos mais sombrios. Uma pessoa é onde estão seus pensamentos. A partir desse ponto, nada nos resta a não ser se embriagar ou usar drogas para anestesiar a terrível dor que sentimos. A autoflagelação é inútil. Por isso, está escrito: “O insensato senta-se de braços cruzados e come a própria carne”. Tal comportamento é a verdadeira tolice, pois não nos direciona para o caminho certo. Ao olharmos para a sujeira dentro de nós, não a purificamos. Quando uma peça de um carro quebra, ela precisa ser consertada por um especialista que traga a peça nova e saiba como instalá-la.
Muitas vezes, voltamos constantemente nosso olhar para dentro de nós mesmos, para o nosso interior, e isso nos torna infelizes. Nosso estado interior se revela diante de nossos olhos, e não sabemos como nos desvencilhar dessa visão; permanecemos sentados, lamentando e nos consumindo. A sociedade deve influenciar cada pessoa a sair rapidamente desse estado negativo, pois dele surge a “fala dos espiões” sobre o Criador.
Trecho de uma palestra sobre o artigo “Qual é a essência da difamação e contra quem ela é dirigida?” – Parte 2, 13/06/02
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