Textos na Categoria 'Palestras Sobre Os Degraus Da Escada'

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 222

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 222

Qual a diferença entre antes e depois da barreira?

Antes da barreira, uma pessoa passa por duas etapas principais e muito importantes:

1) Ocultação dupla
2) Ocultação simples

Essas duas etapas nos fornecem todos os vasos e discernimentos, que posteriormente ampliamos na espiritualidade e sobre os quais moldamos discernimentos adicionais. As transgressões e os erros que cometemos em nossa jornada espiritual rumo à barreira são os próprios vasos que utilizaremos mais tarde.

A diferença entre antes e depois da barreira não reside apenas nesses vasos. A questão é que, antes da barreira, quando estamos em ocultação e o Criador não se revela, podemos, por vezes, sentir algo em relação ao Criador. Nossa sensação do Criador é a da luz circundante (Ohr Makif) e não a da luz interior (Ohr Pnimi), porque ainda nos falta uma tela (Masach).

Após a barreira, adquirimos uma tela. A aquisição da primeira tela é chamada de travessia da barreira, e posteriormente telas adicionais são acrescentadas. Então, de acordo com a força de nossa tela, podemos receber a luz interior, que é uma sensação clara e tangível da Divindade.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 221

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 221

Será que o Criador nos doa o estado de correção final?

O Criador nos doa como se já estivéssemos no estado de correção final, e de fato estamos no estado de correção final. Apenas nos parece que não estamos. Em outras palavras, o “como se já estivéssemos” se aplica à nossa percepção, não ao próprio estado de correção final. A correção final é o único estado que realmente existe, e nos iludimos pensando que estamos fora dele. Essa ilusão provém da insensibilidade dos nossos sentidos. Portanto, precisamos corrigir nossos sentidos para sentirmos o lugar em que já existimos.

Rabash compara isso a uma pessoa inconsciente que gradualmente desperta e recupera a consciência. Esse “retorno à consciência” consiste nos 125 graus, pelos quais os estados gradualmente se tornam claros para ela, até que ela alcance o estado em que realmente existe. Isso continua até que sua consciência e o estado em que ela existe se tornem um só.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 220

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 220

O que significa que o Criador se relaciona conosco como se já estivéssemos no estado de correção final?

De fato, estamos com o Criador no melhor e mais perfeito estado possível, mas esse estado está oculto de nós por trás de 125 camadas. Lá, em algum lugar no estado da correção final, o Criador se relaciona conosco através dessas 125 camadas. Experimentamos a atitude do Criador através dessas 125 camadas, que enfraquecem essa atitude a tal ponto que a invertemos. Assim, da perspectiva do Criador, somos perfeitos, enquanto apenas da nossa própria perspectiva estamos corrompidos.

Isso significa que a autocorreção é para nosso próprio benefício. Ao nos corrigirmos, não estamos fazendo nenhum favor ao Criador.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 219

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 219

Como podemos doar se não há conexão com o Criador? A quem se atribui esse desejo?

O desejo de doar não é atribuído à pessoa. Suponhamos que pudéssemos realizar uma ação como preparar um sanduíche, apreciá-lo e atribuir esse prazer ao Criador: “Tu, o Anfitrião, criaste este mundo inteiro para mim e me permitiste desfrutar deste sanduíche. Gostaria de Te sentir para poder demonstrar o quanto aprecio o sanduíche. Mas, na verdade, não é o sanduíche em si que me proporciona prazer. Em vez disso, aprecio a sensação de que Tu o preparaste para mim.” Em outras palavras, chegamos a um estado de carência, em que precisamos sentir o Criador para termos alguém a quem agradecer.

Podemos começar por aqui e ver que o Criador se revelará. Mesmo que apenas pensemos em agradecer ao Criador, Ele se revelará. O Criador está pronto para isso, porque é verdadeiramente em prol da doação, independentemente de se tratar de algo tão simples quanto um sanduíche.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 218

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 218

Em qual desejo, dentre todos os nossos desejos, trabalhamos primeiro para que seja a fim de doar?

Temos muitos desejos e não trabalhamos em todos eles ao mesmo tempo. Trabalhamos em cada um deles individualmente. Os Cabalistas dizem: trabalhe primeiro com o menor desejo, para que possamos ter certeza de que não falharemos. Depois de concluir o trabalho nele, escolha um desejo maior.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 217

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 217

Qual a diferença entre uma pessoa estar próxima do Criador e o Criador estar próximo de uma pessoa?

A pessoa que avança e se aproxima do Criador descobre que, da perspectiva do Criador, não existe o conceito de estar “perto” ou “longe”, nem Dele nem de outras pessoas. A pessoa está sempre dentro do Criador e, da perspectiva do Criador, já se encontra no estado de correção final (Gmar Tikkun), a partir do qual o Criador se relaciona com ela. Contudo, a pessoa sente a atitude do Criador em relação a ela de forma negativa na medida em que ela própria não está corrigida.

É exatamente assim que nos comportamos nesta vida. Quanta pressão e quantos golpes uma mãe exigente desfere quando quer que seu filho se torne médico? Até que ele esteja cem por cento imerso nisso. Até que ele estude e tire a nota máxima. Nada menos que isso. Quanto mais ele resiste, mais ela o pressiona.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 216

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 216

Como podemos criar um movimento na espiritualidade?

Um movimento se dá por meio de uma mudança de forma. Se nos tornarmos um pouco mais semelhantes ao Criador do que éramos antes, é um sinal de que fizemos um movimento. Em outras palavras, o movimento ocorre por meio do esforço que fazemos sobre nós mesmos. Na medida em que nossas qualidades mudam em relação às qualidades do Criador, nessa mesma medida avançamos em direção a Ele. A distância da barreira até o Criador é medida em 125 graus. De acordo com o grau em que conseguimos alcançar a equivalência de forma com o Criador, esse é o lugar em que nos encontramos nessa escada de graus entre nós e o Criador, movendo-nos sempre para cima nela.

Nesta obra, nunca nos encontramos em pior estado do que o atual. Só podemos avançar. Às vezes, parece-nos que recuamos, como se nos “afastássemos”, mas essa é apenas a nossa percepção. Acontece para nos despertar, para nos fazer tropeçar, para nos dar diversas oportunidades de sentir novas percepções. Normalmente, as perturbações vêm para que as aprofundemos e nos vejamos com mais clareza, pois é precisamente através das perturbações que mais tarde sentiremos uma atitude especial do Criador. O lugar onde somos atingidos é o próprio lugar onde se desenvolve uma relação especial, tanto agora como no futuro. O mal é substituído pelo bem.

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 215

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 215

Como podemos agir para superar essa barreira?

Antes da barreira (Machsom), é impossível agir a fim de doar. Não podemos pensar a fim de doar e, em seguida, falhar na execução da ação necessária para tal. É por isso que se chama “antes da barreira”. Na espiritualidade, não há possibilidade de estarmos em um lugar enquanto já nos encaixamos em outro, pois, no momento em que sintonizamos com um determinado lugar, já estamos lá.

Na espiritualidade, temos uma espécie de “motor” que nos move para o lugar que nos corresponde de acordo com as mudanças em nossas qualidades. É como uma carga elétrica em um campo elétrico ou um pedaço de ferro em um campo magnético. É a equivalência de forma entre algo e seu campo potencial. O Criador é o centro da força espiritual, e Dele emanam as ondas do campo espiritual. Existimos dentro desse campo, dentro desse espaço, como alma. De acordo com o potencial da alma, quanto mais nos assemelhamos ao Criador, mais nos aproximamos Dele, e quanto mais nossas qualidades diferem das do Criador, mais nos distanciamos Dele. Assim, nós mesmos determinamos nosso movimento espiritual.

Se, ao longo de toda a nossa vida corpórea neste mundo, não fizéssemos absolutamente nenhuma mudança em nossa relação com o Criador, se não fizéssemos nenhum movimento, seríamos chamados de “aquele que estava morto e permaneceu morto”. Se fizéssemos algum movimento, ou ao menos desejássemos fazer algum movimento, já teríamos alguma relação com o Criador, e é possível que realmente tivéssemos feito algum movimento. Nosso objetivo é aderir a Ele, alcançar o centro desse campo e espaço onde o Criador está. Precisamos progredir cada vez mais em direção a Ele por meio da equivalência de forma, até que sejamos de fato incluídos Nele. Não nos tornamos nulos. Pelo contrário, nos tornamos como Ele. As qualidades da pessoa se tornam como as qualidades do Criador. Então haverá dois no centro desse campo, não apenas um.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 214

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 214

Será Que O Grau De Receber Em Prol De Doar É Superior Ao Grau Do Criador?

O Criador não tem problema algum com a doação. Ele doa de acordo com a Sua natureza. Nós, porém, devemos ser aqueles que doam em prol de dar, o que é uma combinação de palavras um tanto estranha. O ser criado é o desejo de desfrutar, e se, com o prazer que sente, pretende dar prazer ao Doador desse prazer, ao Criador, então está doando. Esta é a essência da natureza e da ação. Contudo, na prática, ele sempre recebe; não há outra possibilidade. Sempre usamos nosso desejo de receber, nosso apetite e os alimentos que nos são oferecidos para nos conectarmos com o Anfitrião. Não temos conexão com o Anfitrião a não ser através dos alimentos e de sua fome. Estes são os meios de conexão.

Não podemos falar do Criador, que doa segundo a Sua natureza. Certamente, Ele não faz nenhum esforço para doar. A doação é o Seu desejo, e é o que Ele realiza. Não falamos da força superior ou do grau de Sua separação de nós. Não podemos dizer o que Ele é, apenas o que recebemos e sentimos Dele, sejam coisas boas ou más, vergonha ou prazeres. Não podemos imaginar o que é o Criador, o que é o desejo de doar em si mesmo, mesmo que fôssemos um ser criado no mais alto grau. Embora, nesse grau, recebamos certos tipos de presentes do Criador, indícios que de alguma forma tornam possível compreender o que é o desejo de doar.

O que compreendemos, compreendemos dentro de nossos canais de recepção, e então, através do ato de recepção, podemos descrever nossa compreensão. Não podemos compreender além do que nossos canais permitem. Nunca podemos sair de nossos canais. Sair dos canais significa luz abstrata, que é algo que não foi criado. Nem percebemos essa luz abstrata. Se a percebemos, é simplesmente porque atingimos um estado no qual sentimos que a luz é abstrata, e mesmo isso ocorre em nossos canais de recepção.

Portanto, não nos envolvemos com o que existe acima do ser criado, porque isso é mera filosofia. Ninguém tem experiência disso, nem é possível para o ser criado alcançá-lo. O único tipo de realização possível ocorre quando o Criador doa um tipo de compreensão que está acima dos vasos do ser criado, em graus espirituais muito elevados. Mas os Cabalistas nem sequer escrevem sobre isso. Não tem significado.

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 213

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 213

Existe valor espiritual na intenção sem ação?

Primeiramente, precisamos nos preocupar com a intenção. Ou seja, primeiro devemos encontrar o Criador, estabelecer algum tipo de conexão com Ele. Em seguida, examinamos que tipo de conexão existe com o Criador. Talvez seja para receber, ou talvez não haja conexão alguma? Além disso, quando existe uma conexão, verificamos se essa conexão visa à doação. Suponhamos que alcancemos um estado em que possamos realmente estar em restrição (Tzimtzum), restringindo nossos desejos de modo que toda a nossa atitude em relação ao Criador seja voltada para a doação.

O que significa “em prol da doação”? Que grau de intensidade é necessário para isso? Considere comer uma salada, um pedaço de pão, peixe ou mesmo carne. Isso representa a diferença entre cinco porções, cinco graus de Aviut (espessura do desejo). Para qual porção, tanto quantitativa quanto qualitativamente, podemos calcular com segurança que esse prazer está sendo recebido em prol da doação? Isso é chamado de “o cálculo feito no Rosh do Partzuf ”. Somente depois disso a ação ocorre.

Contudo, na espiritualidade, o cálculo feito no Rosh do Partzuf é considerado a própria ação, pois a operação em si ocorre imediatamente depois. Há, sem dúvida, um cálculo no Rosh. Em outras palavras, quando examinamos e determinamos no Rosh que já somos capazes de construir o Rosh do Partzuf, isso atesta tudo o que virá a seguir. Isso é chamado de intenção no Rosh para a doação. De acordo com a ação que examinamos e preparamos, preparamos tudo para a recepção no vaso.