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Balaão E Moisés: Duas Forças Com Possibilidades Idênticas

laitman_610_2Das palavras do “Midrash Rabba”, Parshat “Balaque”: Para a maior parte, Balaão tem pouquíssimo interesse em suas maldições. Ele trabalhava única e exclusivamente em troca de dinheiro, e se o acordo lhe assegurasse um lucro, ele podia amaldiçoar qualquer pessoa a quem ele tinha anteriormente abençoado e vice-versa.

Balaão age como um político contemporâneo; ele só faz o que é útil num dado momento, sem qualquer envolvimento emocional.

Comentário: No entanto, Balaão confrontou o Criador; ele podia sentir o “dono da casa”.

Resposta: Moisés muitas vezes confrontou o Criador também. Ele bateu na rocha com uma vara (cajado) e pediu para ser levado e o povo poupado. Basicamente, ele teve muitas discussões com o Criador, assim como Balaão. Ambos, Moisés e Balaão, tiveram a possibilidade de se voltar ao Criador com uma chamada, uma súplica, um pedido, e mesmo com uma demanda.

Por Que As Pessoas Cometem Erros?

Dr. Michael LaitmanTorá, “Números”, 22:28: Então o Senhor abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “Que foi que eu lhe fiz, para você bater em mim três vezes?”

A palavra “jumenta” (burra), como a palavra “burro” (Hamor), vem da palavra hebraica “Homer” – matéria, e se refere à natureza egoísta de uma pessoa. O Criador opera como a força vital direta sobre os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza, de modo que não se opõe a isso. Mas, no momento em que a jumenta começa a falar, ela é elevada ao nível humano, o nível do próprio Balaão.

Em comparação com os outros níveis, é possível cometer erros no nível humano, porque o Criador está oculto. O Criador não está oculto da natureza em si, e de fato as leis que são reveladas na matéria são a revelação direta do Criador.

As perguntas, dúvidas e especulações chegam ao nível humano, e assim a pessoa comete erros e se corrige e, depois, comete erros novamente, e se corrige de novo.

A jumenta representa a matéria em todos os níveis da vida; ela representa a natureza, que é controlada por forças positivas e negativas que estão instintivamente equilibradas, dirigidas às ações esclarecedoras de acordo com a lei da natureza.

No nível humano existem dúvidas e problemas que devem ser resolvidos. Essa é a razão da jumenta ser muito mais esperta do que Balaão, porque o Criador é revelado no nível animal que ela se encontra, enquanto Ele está oculto no nível falante e não é revelado.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

Quando O Ego É Impotente

Laitman_049_01A Torá, “Números”, 22:28-22:30: Então o Senhor abriu a boca da jumenta, e ela disse a Balaão: “Que foi que eu lhe fiz, para você bater em mim três vezes?” Balaão respondeu à jumenta: “Você me fez de tolo! Quem dera eu tivesse uma espada na mão; eu a mataria agora mesmo”. Mas a jumenta disse a Balaão: “Não sou sua jumenta, que você sempre montou até o dia de hoje? Tenho eu o costume de fazer isso com você?” “Não”, disse ele.

Enquanto Balaão não havia usado todo o seu ego em seu próprio benefício, que Balaque o obrigou a fazer, ele não tinha nenhum problema, e vivia com seu ego em paz. No entanto, quando chegou a hora de usar o ego contra a meta da natureza, os problemas começaram. Hoje em dia, todos encontram esses problemas. Essa é a razão para a crise global.

Pergunta: O uso do ego é sempre contra a meta da natureza?

Resposta: Durante as nossas vidas, nós construímos casas, nos vestimos, criamos diferentes máquinas, desenvolvemos tecnologia e comunicações, e, aparentemente, melhoramos o mundo. Nós usamos o ego dessa maneira. Nós devemos gradualmente entender que tudo isso é em vão e não é a satisfação correta do ego. Embora essa tendência seja contra a meta da natureza, é assim que nós a abordamos.

Pergunta: Por que a jumenta para e começa a falar? Afinal, o ego sempre funciona contrária ao objetivo da natureza.

Resposta: É porque o ego está no nível do deserto aqui. Há seis partes para o desejo: comida, sexo, família, riqueza, honra e conhecimento, mas há uma parte adicional, que é o anseio pelo Criador, de estar em Seu lugar, de removê-Lo do topo, e isso é realmente o que o ego quer.

Primeiro, Nimrod, o símbolo do egoísmo, encarna esse desejo, e, depois, Balaque e Hamã, que queriam tomar o lugar do Criador, ou seja, usar o ego em sua intensidade plena, a fim de ser preenchido. Afinal, não há nada na natureza, exceto o ego. E se nós o preenchemos, o ego vai continuar a existir para sempre.

Mas nós temos uma missão mais sublime: usar o ego a fim de doar. Isso significa não aprisionar toda a natureza, toda a humanidade e todos os mundos no ego, mas sim transformá-lo de dentro para fora e usá-lo no infinito, eternidade e perfeição. O ego não sente essa missão, e, portanto, as pessoas não entendem isso.

Os únicos que entendem isso são vários milhares que têm o desejo que está acima dos desejos humanos por comida, sexo, família, riqueza, honra e conhecimento. Eles também têm um desejo de alcançar as leis do universo e de existir num nível de harmonia geral e perfeição.

As pessoas que anseiam por isso são chamadas de Israel, e, portanto, quando a questão sobre o preenchimento do ego surge através da saída do desejo – saída de nós mesmos e não pelo desejo de ser preenchido como Balaque e Balaão queriam – a jumenta em nós desperta e pergunta: “Como você quer me usar? O que você quer de mim?”

Isto significa que, quando a pessoa trabalha com seus desejos humanos comuns, tudo é normal. Ela usa o ego, arando e montando nele, mas agora o ego diz: “Você não pode me usar e explorar mais. Eu não posso continuar ou fazer nada”. Aqui, o ego é impotente.

De KabTV ” Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

Sangue – A Força Vital Do Corpo

Laitman_509Midrash RabbaParshatBalak“: Quando Balaão era conselheiro do Faraó no Egito, ele aconselhou o líder do Egito a se banhar no sangue das crianças hebreias. Ele também insistiu que o Faraó jogasse todos os meninos hebreus recém-nascidos no Nilo.

O ego precisa obter sua força vital do Criador que se move através do sangue, porque o sangue é a força espiritual do corpo. Como o sangue de uma pessoa é a força que anima o corpo, a Luz Superior também dá vida ao corpo espiritual e é chamada de sangue.

Portanto, a linha esquerda, que Balaão e todas as nações do mundo personificam, aconselha o Faraó a se levantar contra Israel, que é a linha direita, e, depois, se conectar com o Criador, a linha do meio.

Basicamente, o Faraó representa o egoísmo superficial. Ele colocaria uma coroa de ouro na cabeça ou preencheria uma pirâmide com tudo o que ele precisa para a vida após a morte, e nada mais. Esse mundo com todo o seu ouro o satisfaz.

Mas isso não é suficiente para Balaão. As forças ideológicas como Balaão, como força espiritual, estão acima do egoísmo para um determinado grau, por isso Balaão poderia falar com o Criador.

Sua essência é derivada da mesma fonte superior que Moisés. É possível dizer que eles se movem uns contra os outros: Moisés é do lado da Luz, e Balaão do lado do desejo. Essas forças devem estar em alinhamento, correspondência, mas isso não pode acontecer exceto numa batalha séria entre Gog e Magog.

Então Balaão e tudo abaixo dele devem ser derrotados. Isso significa que o ego, com sua intenção para seu próprio bem, vai morrer e não ser capaz de usar ou mesmo manter essa intenção para seu próprio bem.

Pergunta: O que significa que Balaão aconselha o Faraó a se banhar no sangue das crianças hebreias?

Resposta: O ego deve começar a receber a força vital do Criador, que é simbolizado pelas crianças hebreias, e Balaão quer transformar esse poder da Luz para si mesmo e o Faraó.

Ele insiste que todos os meninos hebreus recém-nascidos devem ser jogados no Nilo. Os meninos simbolizam o poder de superar o ego, o lado masculino. O Egito simboliza o poder de todo o ego, e o Nilo é a sua força vital.

Assim, se o Nilo está cheio de sangue, o poder de Din (Julgamento) vem, em que o ego não pode existir. Portanto, toda a vitalidade no Nilo morre.

Acontece que a força que dá vida é preenchida com a característica de Din; nenhuma força vital vem de cima; não há nenhuma Luz branca, e a característica de Bina desaparece. Com isso, o Egito termina e morre.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 05/08/15

Duas Ações Espirituais

laitman_545A Torá, “Números”, 22:18-22:19: Balaão, porém, respondeu aos conselheiros de Balaque: “… Agora, fiquem também vocês aqui esta noite, e eu descobrirei o que mais o Senhor tem para dizer-me”.

O que isso está falando é que não só o ego não se recusa a participar no processo de correção e limitar-se, mas também se inclui nesse processo e começa a trabalhar com a doação. Isso significa que o desejo de receber agora funciona como o desejo de doar, recebendo a fim de doar.

Pergunta: Mas por que Balaão diz, “Agora, você também, por favor permaneça aqui durante a noite, e eu sei que o Senhor vai continuar a falar comigo”.

Resposta: É porque essa não é uma ação direta pelo ego. Pelo contrário, o ego está começando a agir contra si mesmo. Há um estado de doação em prol da doação, que é a característica de Bina que é construída acima do egoísmo, e há um estado de recepção em prol da doação, que é o próximo nível que é construído em cooperação com o ego.

Pergunta: Segue-se que a primeira reação do ego é um Tzimtzum (restrição) completo, quando ele diz: “Eu não tenho nada”.

Resposta: Tudo começa com o Tzimtzum, e esse estado é chamado de estado de Katnut (pequenez). Então Balaão disse: “Agora, fiquem também vocês aqui esta noite, e eu descobrirei o que mais o Senhor tem para dizer-me”. Isso significa que o trabalho com o ego já começou.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

O Caminho Para O Objetivo Da Criação

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 22:22-22:27: Mas acendeu-se a ira de Deus quando ele foi, e o anjo do Senhor pôs-se no caminho para impedi-lo de prosseguir. Balaão ia montado em sua jumenta, e seus dois servos o acompanhavam. Quando a jumenta viu o anjo do Senhor parado no caminho, empunhando uma espada, saiu do caminho e foi-se pelo campo. Balaão bateu nela para fazê-la voltar ao caminho. Então o anjo do Senhor se pôs num caminho estreito entre duas vinhas, com muros dos dois lados.

Quando a jumenta viu o anjo do Senhor, encostou-se no muro, apertando o pé de Balaão contra ele. Por isso ele bateu nela de novo. O anjo do Senhor foi adiante e se colocou num lugar estreito, e não havia espaço para desviar, nem para a direita nem para a esquerda. Quando a jumenta viu o anjo do Senhor, deitou-se debaixo de Balaão. Acendeu-se a ira de Balaão, que bateu nela com a sua vara.

Nós vemos que o espaço para uma pessoa existir se torna estreito. Primeiro é um campo, depois uma estrada, e depois um lugar ainda mais estreito através do qual é impossível passar.

Esta é uma indicação dos Dinim (julgamentos) e da dificuldade de manter as leis. Primeiro, a pessoa usa o ego sem qualquer limitação em todas as situações da vida; depois, ela gradualmente descobre como o ego a aproxima de uma realização, movendo-a contra a sua vontade para a realização do objetivo da criação.

É possível dizer que, no início, o ego puxa a pessoa para a frente e a seduz com benefício egoísta, assegurando-lhe que tudo será dela e por causa dela. Isso é o que Balaão queria, e assim ele continuou andando com a sua jumenta, e, depois, começa a fase da realização, a restrição do ego.

A restrição do ego acontece gradualmente, por níveis: Shoresh, Aleph, Bet, Gimel e Dalet, onde esses níveis se tornam mais estreitos. Quanto mais o ego se aproxima da realização, mais compactadas se tornam as condições e, finalmente, o ego se rende ao desejo da pessoa e se torna a base sobre a qual a pessoa deve realizar todas as suas ações. Ou seja, ela começa a trabalhar com o ego em sua direção oposta.

O ego está pronto para ser usado com uma intenção em prol da doação, e não na forma que ele originalmente queria trabalhar, para seu próprio bem. Assim, a ação de restrição é para mostrar à pessoa para onde ela deve ir.

Pergunta: A pessoa deve entender isso temporalmente?

Resposta: Mesmo que ela não ouça ou entenda, em última análise, o aumento contínuo do sofrimento fará com que ela ouça e lhe dará uma direção clara e precisa. Nós vemos como a humanidade se desenvolveu e tornou-se mais sábia como resultado de tudo o que aconteceu ao longo da história, voluntariamente ou não, mesmo que isso aconteça muito lentamente e de forma muito desagradável.

Pergunta: Se Balaão tivesse escutado a voz do Criador, esse não teria sido o caminho do sofrimento para ele?

Resposta: Não, ele ainda teria passado por todo esse sofrimento, de outra forma teria sido impossível avançar! Baal HaSulam escreveu que existe um caminho ideal correto e um caminho ideal incorreto, mas o verdadeiro caminho é entre eles, e se chama Derech Eretz (o caminho da terra).

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

O Jumento de Balaão

Torá, “Números”, 22:20 – 22:22: Deus veio a Balaão, de noite, e disse-lhe: “Se estes homens vierem a chamar por você, levante-se e vá com eles, mas a palavra que eu disser a você – esta você deve fazer”. De manhã Balaão levantou-se, selou sua mula e partiu com os dignitários moabitas. A ira de Deus chamejava porque ele ia, e o anjo do Senhor postou-se na estrada para frustrá-lo, e ele ia montado na sua mula, e dois de seus servos estavam com ele.

“Hamor” (jumento) é da palavra “Homer” (substância), esta é a substância de toda a natureza e o jumento simboliza, sobretudo, a parte feminina chamada Nukva; estas são todas as deficiências, todos os desejos, e tudo o que está incluído em  nossa natureza egoísta.

Balaão usa todo o seu ego aqui e, portanto, as condições mais estritas, a Dinim (julgamentos), trabalharam contra ele, pois quando uma pessoa começa a usar o ego, ela aparentemente “anda no fio da navalha”. [Leia mais →]

É Impossível Amaldiçoar Israel

laitman_561Torá, “Números”, 22:16-22:18: Eles foram a Balaão e lhe disseram: “Assim diz Balaque, filho de Zipor: Que nada o impeça de vir a mim.

Pois o recompensarei generosamente e farei tudo o que você me disser. Venha, por favor, e lance para mim uma maldição contra este povo”. Balaão, porém, respondeu aos conselheiros de Balaque: “Mesmo que Balaque me desse o seu palácio cheio de prata e de ouro, eu não poderia fazer coisa alguma, grande ou pequena, que vá além da ordem do Senhor meu Deus.

O ego nasceu para ser corrigido e não para ser usado. Portanto, o único estado que irá abençoá-lo é quando ele se submeter na intenção ao Criador, à doação e amor. É impossível utilizar o ego por si só. Na Cabalá, “proibido” significa impossível.

É claro ver que Balaão entende que não pode usar o ego, porque o ego, que é a sua natureza e o controla, lhe foi dado apenas para servir Israel, ou seja, a sua intenção a fim de doar e amar, ao Criador.

Portanto, é inútil tentar fazer outra coisa no ego, porque com isso ele pode causar uma enorme dor à humanidade, como ela já experimentou no passado: guerra, destruição e sofrimentos, que foram esclarecidos na perspectiva histórica como processos inúteis.

Portanto, Balaque não pode amaldiçoar Israel, porque o ego nasceu especialmente para essa necessidade, a fim de construirmos acima dele o próximo grau.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 12/08/15

Aprender Com Os Sábios

Laitman_137Pergunta: Por que você não está contente com a conquista do significado revelado da Torá? Por que devemos penetrar suas ocultas camadas internas?

Resposta: De acordo com Baal HaSulam, na Introdução ao Estudo das Dez Sefirot, e o Gaon de Vilna, no Sidur do Hagra, é impossível atingir a Torá sem entender suas quatro camadas.

Os sábios que escreveram a Torá e todos os livros sagrados, escreveram a partir do nível em que atingiram cada parte da realidade e a realidade corporal, que nos é revelada. Essa é a razão de eu querer aprender com o que eles revelaram na Torá e não me contentar com ações mecânicas.

Eu não consigo entender o que a Torá diz e o que os sábios queriam transmitir, se não entendo o significado interno da Torá. Eu sou como uma criança que não sabe ler, mas apenas folheia um livro olhando para as imagens.

A Gestão De Israel E A Gestão Das Nações Do Mundo

laitman_933Midrash Rabba“, Parashat Balak: Na resposta que Balak recebeu dos sábios de Midiã, eles disseram: “Esta serpente, Moisés, amamentou do nosso peito. O Midianita convidou-o para sua casa, deu sua filha a ele por esposa e deu-lhe dinheiro. E depois de deixar a casa de seu sogro, Moisés destruiu o povo egípcio.  Você quer saber onde está o poder de Moisés e seus discípulos? Está em suas bocas. Quando eles clamam a Deus, Ele cumpre todos os seus pedidos. Portanto para derrotar os judeus com sua arma, aconselha-se chamar a Balaão, cujo poder de expressão não é menor do que o de Moisés”.

Na Torá é dito que não havia profeta entre os judeus que alcançasse um nível mais elevado do que Moisés, e entre as nações do mundo, mais do que Balaão.

Entre eles, ou seja, entre as forças positivas e negativas, deve haver um equilíbrio. Caso contrário, se você não começa a equilibrar uma e outra, não pode se desenvolver.

Quando você sobe a escada de mundos espirituais, você constantemente se desloca de um nível para outro, e em cada um deles os poderes da direita e da esquerda devem ser iguais.

Pergunta: Você está dizendo que a gestão de Israel deve, necessariamente, ser compatível com a gestão das nações do mundo?

Resposta: Eu não estou falando de história e não quero estabelecer uma guerra física ou espiritual entre eles ou da gestão de um contra o outro, porque no mundo físico, todo mundo é egoísta.

A pessoa que ascende os níveis espirituais caminha sobre “duas pernas”, as linhas direita e esquerda; seu coração e mente sobem cada vez mais na integração correta entre si. Isso ocorre porque o sistema de gestão superior, o sistema de revelação e criação do Criador, consiste de duas forças opostas.

Você não vai descobrir, reconhecer, ver, entender ou descrever o Criador de nenhuma outra maneira! Você precisa retratá-Lo diante de você em sua tela.

Em nossa tela interna, agora nós vemos, aparentemente, o mundo que nos rodeia. Na verdade, estamos olhando para dentro de nós mesmos e a ilusão nos parece como se estivéssemos vendo algo diante de nós. Mas, na verdade, as duas forças opostas devem desenhar a mesma imagem, o mesmo sistema de gestão em nossa tela, o mesmo pensamento da criação que é chamado de Criador.

Tudo isso se encontra em cada um de nós. E o que está fora de nós? Não sabemos e não entendemos isso.

Isto é, no progresso espiritual normal, minha perna esquerda é Balaão, Balaque e o resto das forças negativas, e minha perna direita é o povo de Israel, Moisés, etc. E todos são opostos entre si e iguais em cada nível. Precisamente entre eles, quando você perde completamente a diferença entre os dois sistemas, você pode subir.

A subida é feita apenas para cima; de acordo com qualquer que seja o critério é chamada de “para cima”. Quando não há preferência por uma força ou outra, direita e esquerda devem ser iguais! Então, qual é a força? É um componente invisível chamado terço médio de Tifferet. É o lugar onde tudo está oculto. Ele está acima de você!

Quando você alcança a oposição correta entre os dois sistemas, as duas forças opostas, escuridão e Luz, você começa a entender o pensamento da criação do Criador, que aquilo que existia antes da criação do mundo se encontra acima disso. Em outras palavras, você precisa subir a esse ponto a partir do qual foram criados estes dois sistemas de forças, o pensamento da criação.

Existem também duas partes no pensamento da criação, embora o sistema seja muito maior. Uma parte é o programa que desce para baixo, criando os dois sistemas de forças e os mundos espirituais. Primeiro, há o sistema de gestão, depois disso o nosso mundo, e em seguida, no nível do nosso mundo, a natureza: inanimada, vegetal, animal e humana.

A segunda parte é o pensamento superior da criação que se encontra acima do programa e do sistema de gestão, através do qual tudo é realizado em nosso mundo.

Além disso, tudo está oculto. Nesse meio tempo, nós não temos nenhuma possibilidade de descobrir o que se encontra acima do pensamento da criação. Nós sentimos algo, mas não podemos percebê-lo. Nós ainda não desenvolvemos os Kelim apropriados para isso.

Assim, os Cabalistas dizem que lá tudo está escondido, totalmente obscuro. Esses estados são chamados de GAR de Atzilut. GAR é as três Sefirot superiores do mundo de Atzilut, onde toda a conexão com o nosso mundo está oculta.

Há características completamente diferentes lá que não podemos atingir antes do fim da correção completa, na unificação de todos os sistemas, onde não há diferença entre as linhas direita e esquerda, entre o bem e o mal.

Quando nos elevamos acima disso, a base para a compreensão deste nível secreto começa a ser criada dentro de nós. É um segredo para nós, porque nós não somos capazes de verificá-lo hoje; nos falta a resolução para percebê-lo. Mas, de qualquer forma, tudo o que existe além do tempo e espaço, além do nosso mundo, é encontrado dentro da pessoa.

Portanto, essas duas forças opostas não são reveladas em nosso mundo sob qualquer forma. Isto é, o verdadeiro egoísmo e altruísmo não são nada do que vemos no nível físico.

Eles são descobertos apenas na resistência interna das pessoas que sobem acima deles. Por exemplo, quando um grupo de amigos que querem subir espiritualmente se reúne entre o povo de Israel, precisamente aí surgem essas características neles.

A Torá, ou seja, a Luz que trabalha nesses amigos que querem ascender, foi escrita precisamente para eles. Portanto, a única condição para a ascensão é ser “como um homem com um coração”, ou seja, usar o egoísmo corretamente.

Assim, nós descobrimos dentro de nós todos os personagens descritos na Torá e tudo que está escrito nela como forças no caminho para o melhor desenvolvimento.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 08/07/15