Textos na Categoria 'Livre Arbítrio'

Conquistando Minha Natureza

Dr. Michael LaitmanOs atributos de uma pessoa são divididos em dois tipos principais: os fatores internos, que herdamos e com os quais nascemos, e os fatores externos, que recebemos da educação, do ambiente, dos meios de comunicação de massa, e assim por diante. Na verdade, esses fatores não dependem da pessoa, mesmo que eles de fato moldem sua personalidade e determinem seu destino. Surge a pergunta: Como alguém pode melhorar sua vida?

É aqui que precisamos esclarecer o fator do ambiente. O verdadeiro ambiente não é apenas uma combinação de influências externas, mas é a mesma influência externa que eu criei para mim mesmo. A fim de fazer isso, eu preciso entrar em contato com certos fatores externos e construí-los corretamente em relação a mim, para que eles me influenciem de uma forma especial e seletiva que produza certos resultados.

É desta forma que eu trabalho de forma independente. Eu inicio esse plano sozinho, utilizando os poderes que preciso, quando eu conheço a minha natureza e a deles, e graças a isso, eu influencio a mim mesmo. Eu não influencio nada fora de mim; pelo contrário, eu uso os fatores externos para que eles me influenciem de certa maneira. Graças a isso, eu mudo e sinto a mim mesmo num mundo que muda para melhor.

Assim, eu não me transformo num desses “benfeitores” que mudam a natureza e corrigem o mundo. Pelo contrário, eu uso as forças externas a fim de me corrigir e melhorar minha vida. É preciso levar em consideração esses pontos, porque nós cometemos erros ao entendê-los, ou ao abordá-los na prática. 

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 25/12/11, “A Liberdade”

Ele Está Em Toda Parte. Então, Onde Eu Estou?

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Liberdade”: Assim, nós estamos nas mãos desses quatro fatores, como argila nas mãos de um oleiro.

Nós estamos rodeados pela influência do Alto de todos os lados. O Criador nos governa de uma maneira muito dura e absoluta, à medida que Ele controla todos os canais, tanto internos quanto externos, em nossos desejos, pensamentos, hábitos e natureza. Nós não temos nada que é nosso, e até mesmo as palavras que eu estou dizendo agora são organizadas por Ele.

Então, qual é o nosso livre arbítrio? Afinal, não podemos atribuir a liberdade a qualquer objeto, ação, pensamento ou a menor partícula do desejo de receber. O Criador o criou, Ele o influencia de forma absoluta. Então, o que pode ser livre nele?

As pessoas vieram com teorias sobre duas autoridades e politeísmo, sobre as quais o Baal HaSulam escreve em seu artigo “A Paz”. É difícil concordar que existe apenas uma autoridade que “cubra” tudo. Se o Criador é unificado, se não há outro além Dele, se tudo depende Dele, então estou sob o Seu controle absoluto, e é como se eu não existisse, mas sim me dissolvesse nele. Por isso, é preferível ter duas autoridades: uma boa e outra má. Isso é compreensível; entre elas há espaço para mim, e eu posso afetar as coisas.

Ainda assim, em algum momento eu percebo que por trás de tudo que me afeta há uma Fonte. Não é uma imagem que podemos imaginar, mas uma mente, um sentimento, algo unificado. Eu só tenho que descobrir a razão pela qual ela me afeta, o que quer de mim? O que eu deveria me tornar de acordo com a sua influência?

Ao saber o que Ele quer de mim, eu vou conhecê-Lo. Para quê? Apenas para conhecimento ou para cumprir o Seu desejo?

Qual foi Sua intenção ao me criar? O que Ele quer, gerindo-me desta maneira? Se Ele só quer que eu Lhe obedeça, é melhor não saber nada, mas simplesmente agir de acordo com as instruções que recebi. Mas, se Ele realmente quer que eu O alcance, revele-O, então eu tenho que fazer de tudo para alcançar este objetivo e não agir automaticamente.

Portanto, há muito trabalho a fazer com relação à causa inicial de tudo. Este é o nosso único trabalho: constantemente afiar, “polir” nossa atitude para com Ele. Quem é Ele? O que Ele quer de mim? Por que Ele me faz reagir dessa forma? Eu sempre subo os níveis de minha atitude e esclareço o que Ele quer me dar ao me exigir as coisas. O que Ele quer é que eu, graças à doação a Ele, O entenda.

Eu continuo esta cadeia e constantemente elevo o nível de Suas exigências para comigo. Assim, eu tenho que justificar o mal como o bem, uma vez que ambos vêm de uma só fonte. Eu tenho que entender porque Ele divide Sua doação em duas: graças a isso eu serei capaz de verificar a mim mesmo, ajustar o meu curso. Para Ele, essa dualidade não existe, mas minha realidade é dividida em doação e recepção.

Finalmente, nós devemos revelar constantemente o conceito de Unificado, e não mais do que isso. Se eu prestasse atenção nisso, eu veria que não há mais nada na minha vida. Mesmo no mundo corporal, tudo se resume a este esclarecimento que descobre a união, revela o Criador.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/12/11, “A Liberdade”

O Último Violino na Orquestra

Toda a história e a antiga parte privada da minha vida compõem os 99,9% feita pelo Criador, e 0,1% é o restante para eu fazer. No entanto, para mim, este 0,1% da minha vida é, em essência 100%. É porque ela depende de mim em 100%, e eu preciso apenas me preocupar com isso e nada mais. Afinal, todo o resto não está sob meu controle.

Preciso esclarecer particularmente esta área pequena, onde eu preciso fazer alguma coisa por minha conta. É como uma grande orquestra com os maiores músicos do mundo realizando todas as partes perfeitamente, com imensa compaixão, e sem um único erro ou sem ficar para trás por um segundo sequer.

Eu só preciso mexer algumas notas em mim mesmo nessa grande sinfonia. No entanto, se eu não tocar no ritmo, vou estragar toda a música. Mas se eu fizer o que é atribuído para mim, vou tocar uma sinfonia absolutamente perfeita. É assim que a minha vida está organizada. Portanto, uma pessoa precisa concentrar toda a sua atenção e esforço em agregar esses poucos pontos, jogando estas poucas notas, mas ela deverá fazer isso corretamente.

Assim, a sabedoria da Cabalá não fala sobre outra coisa senão isso. Há uma multidão infinita de tudo no mundo espiritual, é uma realidade enorme, como uma orquestra sinfônica com uma abundância de diferentes instrumentos e a pontuação musical mais complexa. No entanto, nós não estudamos tudo isso, e nós não entendemos ou sentimos qualquer coisa lá.

Cabalistas não nos contam sobre que, apesar de terem alcançado sua realização correta, eles já sentem toda essa harmonia comum. Eles explicam apenas como nós podemos desempenhar nossa pequena porção, as nossas poucas notas.

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Da 3 ª parte da Lição Diária de Cabala 20/12/2011, “Introdução ao TES”.

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O Botão De Tração

Um Raio De Luz Através Das Nuvens

Dr. Michael LaitmanSe eu seguir cuidadosamente os sinais que o Criador me dá na minha vida, vou ver que Ele me leva ao destino bom e diz: “Escolha isso, filho!”. E é minha responsabilidade agarrar esta oportunidade e realizá-la.

Mas, como eu posso perceber tudo isso? Como eu encontro meu destino e o Criador que me dirige? Como posso entender que isso é exatamente o que preciso fazer na minha vida, e é, de fato, a peça que faltava no quebra-cabeça comum? Todo o quadro já está completo, exceto por essa peça. Então, como a vejo e onde a encontro?

Acontece que eu preciso procurar pelo lugar do meu livre arbítrio. O Criador me levará para lá e me conduzirá diretamente ao lugar onde eu preciso realizar minha ação. O Criador nos dirige através de um caminho simples e natural, permitindo-nos sentir certa condução que nos traz uma sensação de conforto numa vida que é difícil, cheia de sofrimentos, problemas, doenças e infortúnios. E já que somos um simples desejo de receber prazer, nós instintivamente fugimos do mal e lutamos pela paz.

O Criador nos mostra a direção: do mal para o bem. No entanto, é preciso fazer um esforço do seu lado, uma vez que o avanço por esse caminho só é possível sob a condição de mudarmos nosso lema, a intenção com que a pessoa faz tudo. Ou eu só quero fugir do mal e alcançar o bem, de acordo com meu desejo natural de receber, ou eu avanço acima do meu desejo, no nível da intenção. E faço isso para agradar o Criador.

Em outras palavras, eu preciso me separar do meu desejo de receber, subir acima dele, realizar uma restrição nele, e apesar de tudo que permanece nele, avançar com a intenção de dar alegria a Ele, e não para mim. Isto constitui meu livre arbítrio.

Eu constantemente trabalho com meu desejo, e ele me avança e me mostra o caminho do sofrimento ao prazer, que brilha para mim à frente, como por meio de aberturas na parede ou como um raio de luz através das nuvens. No entanto, o avanço em direção a este raio só é possível se eu mudar a razão para o meu desenvolvimento, e ao invés de fazê-lo para mim mesmo, embora seja agradável e bom, eu começo a fazê-lo para o benefício do Criador.

Ele me chama para fazer o bem para mim, e eu vou a fim de fazer o bem para Ele.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 20/12/11, “Introdução ao TES

O Botão De Tração

Dr. Michael LaitmanCada momento, com todos os seus dados, vem do Alto. Tudo nele é pré-determinado e eu estou sob seu controle. No entanto, o momento seguinte está em minhas mãos.

Eu começo a analisar qual é o sentido de vida. Será que eu consigo entendê-la? De repente, percebo que não só posso entendê-la, com posso mudá-la também. Além disso, eu não só posso mudá-la, mas posso alcançar o mais elevado grau de percepção, sensação, consciência e controle da situação.

Acontece que entre milhares de botões, existe aquele mais importante. Todos os outros 999 botões não irão perturbar você quando você pressionar aquele botão único. É seu livre arbítrio.

Você tem que encontrar esse botão várias vezes, mover-se passo a passo, cada vez fazendo um trabalho diferente e realizando análises diferentes. Você não pode simplesmente pegar esse botão e segurá-lo até o fim. Não, você tem que procurá-lo novamente a cada vez, no meio de todos os outros botões. Agora, ele está aqui, então como posso alcançá-lo? No próximo nível, ele está num lugar totalmente diferente.

É assim que você muda sua vida. Isso não é um trabalho superficial. Ele lança você de um lugar a outro. Com a ajuda desse botão, você tem que ativar todos os outros. Esse botão é o acesso a eles.

No final, o livre arbítrio apenas obriga você a vir para o grupo. Isso não é complicado. Entrar no grupo e colocar-se sob a influência do ambiente adequado. Graças a isso, juntamente com o ambiente, em conexão mútua com ele, você vai encontrar o botão correto e mudar seu destino.

A realidade é muito mais simples do que imaginamos. Ela diz que o Criador criou o homem simples, mas as pessoas têm feito muitas complicações.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 18/12/11, “A Liberdade”

Ajuste Fino À Frequência Correcta

Dr. Michael LaitmanO que é o meu “eu”? Eu existo, sinto, vivo, e percebo a realidade… Mas não sei o que é o “eu”. Eu só sei que é a forma na qual eu sinto a mim mesmo. Existe o “eu” e existe o ambiente. De onde vem esta sensação? Vem do meu desejo de receber. Sinto todo o tipo de prazeres e deficiências de uma forma ou outra, e eles são parte da minha percepção, sensação, cognição e entendimento.

Em geral, os meus vasos compõem o desejo de receber. Em certa medida, eles estão cheios e noutra medida eles estão vazios. O desejo que está dividido em cinco níveis de desenvolvimento (inanimado, vegetal, animal, falante e a raiz) compõe a sensação do meu corpo pessoal, minha vida, meu “eu”, e o ambiente. Entretanto, eu tenho de apreender a essência do meu desejo com tudo o que está dentro dele. O que é este desejo? O que significa senti-lo?

Eu estou nele, e ele radia esta sensação de si próprio e da realidade externa. A sensação do eu é o meu corpo. A sensação da vida exterior é composta de muitas pessoas e do universo inteiro. Tudo isto está retratado e presente dentro do meu desejo.

Estas coisas devem ser esclarecidas à luz do livre arbítrio: Como posso usá-las? Em que direcção devo direccioná-las? Posso fazer o que quiser com estas sensações? Ou posso usá-las apenas se me virar numa certa direcção? Tenho de encontrar a “frequência” correcta, o intervalo correcto de frequências nas quais verei a imagem inteira e o caminho para o objectivo? Em tal caso, todas as outras vias estão fechadas. Não são para mim.

Uma abordagem muito delicada é necessária aqui, a única abordagem que me permitirá ver a imagem com a luz correcta. Todas os outros caminhos me dão imagens falsas e distorcidas, e eu pagarei caro por sua falsidade. O ponto principal aqui é perceber o que eu devo fazer e onde devo ir. Para fazer isso, eu sintonizo-me ao intervalo de frequências desejado, escolho a “fenda” correcta, de forma a olhar para a minha realidade interna e externa. Tal abordagem leva-me à única acção possível que devo realizar – essa do livre arbítrio.

Tudo o resto é irrelevante. Mesmo se não souber nada mais, não faz diferença. O ponto principal é que eu sei isto. Toda a minha vida e o futuro dependem disto. Ao preencher este princípio “subtil”, posso também mudar tudo o resto, ao extremo. Devo lidar com o que é importante e não com qualquer outra coisa, porque então eu apenas irei estragar as coisas.

Assim, o livre arbítrio deve proteger-me de acções falsas e prejudiciais que exigirão grandes esforços a corrigir. Preciso atingir a essência da forma mais curta possível e perceber isto.

Para isso, o Baal HaSulam explica que cada estado em que eu estou está dividido em quatro partes. Se eu me conheço a mim mesmo, eu estou sob o seu controlo. Estes são os factores:

  • A fonte;
  • A conduta inalterável de causa e efeito;
  • A conduta interna de causa e efeito;
  • A conduta de causa e efeito de coisas alheias.

A fonte é a natureza inalterável, a essência, que recebi mesmo antes de sentir a mim mesmo aqui e agora. Uma pessoa pode perguntar sobre suas questões como, porquê, e para quê, mas não irá alterar a realidade. Você é o que você é, e você avança numa rua de sentido único, do início ao fim. A distância que você percorreu é o passado, e não adianta queixar-se dele. Tudo o que tem de fazer é descobrir como tornar o futuro melhor.

Relativamente à conduta de causa e efeito, aqui também, como o Baal HaSulam diz, não há nada que você possa fazer. Claro, o trigo irá crescer de um grão de trigo, e o arroz irá crescer de um grão de arroz. Estas mudanças são adições à fonte, elas se vestem sobre ela. Além dos dados iniciais que existem na Reshimo, na “partícula de informação” que contém tudo, há também o resto do desenvolvimento, o segundo factor, que é também predeterminado. Isto significa que a pessoa deve procurar o livre arbítrio no terceiro e quarto factores.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 18/12/11, “A Liberdade”

A “Caixa” Indispensável

Baal HaSulam, “A Liberdade”: No entanto, quando examinamos os atos de um indivíduo, vamos julgá-los como conpulsórios. Ele é obrigado a realiza-los e não tem liberdade de escolha.

Somos o desejo de receber criado pelo Criador. Este desejo responde apenas para o prazer ou a falta dele, que é a dor. Assim, podemos experimentar sentimentos positivos ou negativos.

No primeiro caso, uma pessoa se sente bem e confortável, então ela quer permanecer nesse estado. O que nos enche exatamente, e onde é que vamos sentir o prazer? Afinal, não estamos falando apenas de um vidro que enchemos com água.

Conforto e prazer, e isso é especialmente evidente nas crianças: Se fizermos um bebê se sentir bem, ele vai estar tranqüilo. Esta é a resposta do desejo de receber, e naquele momento ele não precisa mudar. Na verdade, ele não pode mudar porque o prazer preenche completamente o desejo. [Leia mais →]

A Medida Da Liberdade

Não há nada mais importante do que a liberdade. Quando estou acorrentado, quando alguém me controla, não importa quem seja. Não faz diferença para mim se é da natureza, ou o Criador, ou a força superior, ou Deus. Eu não me importo se ele tem uma mente e sentimentos ou, pelo contrário, não tem rosto e é indiferente. Isto não é o que importa.

Quando estou nas mãos de alguém ou de algo, eu não existo. O meu “eu” não existe. Existe apenas um certo ser em total potencial em uma força de uma ordem superior.

Qualquer item que falamos tem a sua própria essência nos nossos olhos. Ele existe por conta própria. Mesmo que seja uma cadeira ou uma casa, nós atribuímos uma existência independente a ele. Nós subconscientemente o personificamos. Por exemplo, ficamos com raiva com um computador congelado ou um carro estragado. Nada tem valor aos nossos olhos sem uma certa parcela de independência.

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Livre Arbítrio No Mundo Do Infinito?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse uma vez numa lição que a pessoa precisa de livre arbítrio apenas quando ela não tem certeza. Será que nós teremos livre arbítrio após o fim da correção?

Resposta: Quanto mais nós avançamos em direção ao Criador, menos nós concordamos com Ele, e ainda encontramos o poder interno para concordar a cada vez. Quando eu entro no Infinito, eu descubro que não há ninguém pior do que o Criador.

Eu não concordo com Ele em nada. Eu O odeio mais que tudo. Mas, ao mesmo tempo, eu também tenho o poder de elevar-me acima deste sentimento e sentir o contrário: que não há ninguém mais elevado, mais perfeito, mais forte e mais certo do que Ele. Então, eu tenho que escolher: que caminho seguir? Enquanto isso, não há para onde ir. Isto é o que significa o  Infinito.

Em geral, nós devemos entender que não importa quão alto a pessoa sobe, a inclinação ao mal é ainda maior do que ela. Nós realmente descobrimos a criação como “a existência a partir da ausência”, em contraste com a “existência a partir da existência”.

Na Busca De Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso reconhecer exatamente o ponto do meu livre arbítrio?

Resposta: Em primeiro lugar, nós descobrimos que somos totalmente, cem por cento, não livres. Esta é a realização do mal.

No entanto, por outro lado, o que há de tão ruim nisso? Se eu estou inteiramente sob o poder do Criador, ou da Natureza, não há nada para perguntar de mim. Não sou nem bom nem mau. O que há para exigir de mim? Não importa o que eu faço, não sou eu fazendo-o, como está escrito: “Vá ao artesão que me fez”.

A religião é baseada nisso. Eu sou uma pessoa pequena. Eu faço tudo o que Ele quer. Se Ele diz para fazer, eu faço. Desta forma, todas as minhas acusações são removidas, quaisquer questões são anuladas, e eu me livro dos problemas.

No entanto, nesse caminho, você perde a independência e a liberdade. Apenas seguindo os decretosdo Criador, mesmo involuntariamente, você encontrará sempre uma recompensa para si e facilitará sua tarefa – à custa do seu verdadeiro “eu”. É por isso que a religião é boa para as massas. Quando tudo vem do Alto, ela adiciona uma sensação de conforto para a vida e oferece apoio psicológico para fluir junto com todos.

Por outro lado, na Cabalá, eu exijo a independência, em vez da auto-anulação. Eu quero encontrar o início do meu “eu”. Nessa busca, nesta avaliação racional e lógica, eu descubro que, na realidade, eu não existo. Eu não decido sobre nascer neste mundo, eu não escolhi as minhas qualidades, minha genética, meus pais, meu país ou meu ambiente. Eu fui criado e educado pelos sistemas e instituições já formados, tais como creche, escola, meio de comunicação de massa, e assim por diante. Quem sou eu depois de tudo isso? Eu sou um pedaço de massa cozida num forno comum num naco de pão normal.

Quando eu percebo isso, uma pergunta surge em mim: Isso que é a vida? O que ela me dá além de preocupações infinitas, uma fuga constante do sofrimento e breves momentos de prazer? Esta é a realização do mal: eu começo a pensar sobre a essência do que está acontecendo, sobre a minha viagem e seu fim, e eu entendo que não existo. Há apenas uma máquina que eu não comando nem controlo. Quando há um conflito de algoritmo no computador, ele dá uma mensagem de erro. Eu também respondo aos problemas, embora de uma forma sensorial. A pressão salta de algum lugar, e eu sinto dor. Isso é tudo o que é.

Neste caso, eu simplesmente não tenho nenhuma razão para viver. Muitas pessoas chegam a esta conclusão. A única coisa que as segura é o medo instintivo da morte, e mesmo isso nem sempre funciona.

Aqui é onde eu começo a busca pela verdadeira liberdade, a minha verdadeira essência. O caminho para isso está em se tornar como o Criador, sem adorar ou anular-se diante Dele, mas realmente se tornando como Ele. Eu devo crescer e me tornar mais parecido com Ele. A independência e a liberdade absoluta são inerentes ao Criador. Não há outro além Dele em toda a natureza. Eu posso crescer de acordo com o mesmo princípio quando não há mais ninguém além de mim em toda a natureza.

Este é o método Cabalístico. Nós buscamos liberdade e independência. A coisa mais dolorosa é o fato de que eu não existo. Onde eu posso encontrar o meu “eu”? Essa busca do meu próprio “eu” é a minha vida inteira. Eu quero uma maior auto-expressão. Eu quero governar sobre todo mundo e receber. O que é tudo isso? É para o meu “eu” se formar e crescer. Aqui, a Cabalá explica que adquirir o seu “eu” significa adquirir as qualidades do Criador, em outras palavras, adquirir a liberdade.

Pergunta: Então, como eu posso encontrar o meu “eu” sem livre-arbítrio?

Resposta: O ponto inicial do meu “eu” se manifesta através de perguntas sobre o significado e a essência da vida. Uma pessoa que chega a Cabalá já tem este ponto de escolha, o ponto no coração, uma centelha, o outro lado da linha média, o reverso da liberdade, o sentimento de vazio e falta.

Eu não tenho liberdade, e é por isso que eu faço perguntas sobre o sentido da vida. Isso é exatamente o que me falta. Eu não me importo sobre a própria vida, eu preciso encontrar o meu “eu”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/12/11, “A Liberdade”