Textos na Categoria 'Zohar'

No Limiar De Descobertas Sem Precedentes

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a aula do O Livro do Zohar, milhões de expectadores olham para estranhas letras, ouvem estranhas palavras, e esperam algo que não podem definir. É isso que o senhor chama de método científico?

Resposta: Em primeiro lugar, uma pessoa normal vive de acordo com seus instintos e entende tudo de forma natural. É assim que ela foi ensinada na casa dos pais.

Segundo, a pessoa que estudou as ciências desse mundo sabe como se relacionar com a natureza baseada no conhecimento científico que obteve. Essa é uma abordagem planejada. Por exemplo: um mecânico, um eletricista, ou um especialista em qualquer outra área que recebe uma educação apropriada, pode fazer trabalho manual ou intelectual, tem um conjunto de ferramentas para o trabalho, e com isso forma sua atitude para com a natureza.

Não lhe é permitido trabalhar com algo que não seja familiar; somente depois que seu conhecimento e experiência foram checados é que ele é aceito num trabalho em um campo específico. Suponha que a pessoa estudou mecânica e agora pode consertar máquinas ou dispositivos mais complexos. Ela usa o conhecimento adquirido em seu trabalho, mas é mais ou menos ciente daquilo que está lidando.

Terceiro, um cientista é uma pessoa que descobre algo que era previamente desconhecido, um fenômeno que não poderia ser adivinhado previamente. Algumas vezes, ele pode sentir, supor, e ser estimulado por algo, mas não tem claras definições internas sobre isso. Isso é o que chamamos descobrimento de um novo fenômeno na natureza.

Nesse ponto, surge uma pergunta: como eu posso descobrir novos fenômenos? Eu preciso me sintonizar com eles, mas o que significa “com eles” se eles são novos? Eu devo antecipar certos resultados, descobertas, e eventos que talvez aconteçam, ou não devo?

Portanto, a ciência tem duas partes. Há a teoria, onde as hipóteses são feitas e depois exploradas através da pesquisa. Assim, novos fenômenos são revelados. Essa é a maior parte da ciência, que é construída no exame de ideias que os cientistas têm a respeito de descobrimentos esperados. Sem isso, é impossível avançar.

Porém, também existem cientistas que pesquisam em completa escuridão. Eles não têm teorias preliminares, hipóteses, e ideias sobre possíveis descobertas. A Cabalá é uma ciência, e nós a utilizamos em todas as formas acima mencionadas: como pessoas comuns, os especialistas que a estudam, e como cientistas que, de algum modo, podem visualizar fenômenos que podem existir.

Aqui está o problema: em todos os nossos estudos, começando com pessoas comuns como em nosso mundo e indo até grandes cientistas que não sabem aonde estão indo e o que encontrarão na natureza, e em todos esses níveis na ciência da Cabalá, existe uma parte imprevisível sobre a qual você não sabe nada.

O que é desconhecido? Você não sabe que qualidade, que fenômeno você realmente irá encontrar dentro, porque você não tem essa qualidade. Você não pode nem mesmo imaginá-la.

Afinal, você irá descobrir nela o Kli (vaso) da percepção que você constrói, enquanto que o fenômeno é o próprio vaso. Você não pode experimentar previamente o que exatamente você irá revelar dentro de você, uma vez que você nunca sentiu isso antes, não possui qualquer intuição, e não pode nem mesmo adivinhar. É um novo Kli. A impressão, a sensação, é totalmente nova.

Assim é como nós avançamos na sabedoria da Cabalá. Mesmo em algo pequeno e simples, não há nada que nós possamos conhecer previamente. Desta forma, nossa abordagem quando lemos O Livro do Zohar é correta. Eu espero que a Luz que Corrige venha e corrija meus Kelim, meus desejos. Por exemplo: eu não posso ver nada sem meus óculos. Existe algo diante de mim, mas eu preciso de um dispositivo para ver isso. Eu coloco meus óculos e vejo algo novo.

Assim, ao lermos O Livro do Zohar e olharmos para as letras “mortas” e para o texto que não faz nenhum sentido para nós, nós precisamos abordá-lo como cientistas do mais alto grau, que estão prestes a descobrir algo sem precedentes para si mesmos.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/11, O Livro do Zohar

Uma Fórmula Muito Simples

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se lermos O Zohar com a intenção certa e exigirmos o dobro do tempo – uma hora e meia por dia em vez de 45 minutos – vamos alcançar a correção completa duas vezes mais rápido? Ou existe uma fórmula diferente de trabalhar aqui?

Resposta: A fórmula é muito simples. O hábito do meu professor, o Rabash, era que lêssemos O Zohar meia hora por dia. O Rabash não explicava nada e não adicionava uma única palavra. Nós simplesmente líamos o texto, sem parar, sem perguntar-lhe nada, por meia hora antes de dormir. É por isso que eu sigo a mesma ordem.

Você quer estudar o dobro do tempo? É por isso que eu acrescentei mais um quarto de hora à aula.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 17/03/11, O Zohar

Características Especiais Da Alma

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “Yitro (Jethro)”, Item 190: Isto é um homem zangado, mas não rapidamente. Ele detém o seu estado de repouso, finge ser sábio quando não o é, e levanta sempre a sua cabeça para olhar. Fora, ele é combativo, mas na sua casa, não o é. Ele não respeita a Torá, para a observar. As palavras das pessoas são um fardo para ele e responde-lhes de forma vigorosa.

O Zohar fala acerca da pessoa em nós, que é revelada constantemente. Existem 125 camadas dentro do nosso desejo comum de desfrutar, e cada uma delas contém as suas próprias camadas ou estados. De cada vez, dentro do novo desejo, uma nova camada de qualidades se revela – uma nova imagem da pessoa em mim, a imagem da minha equivalência com o Criador, a imagem do Criador dentro de mim, a imagem da minha semelhança e oposição ao Criador.

A combinação inteira das qualidades interiores e exteriores que estão presentes na Rosh (cabeça), Toch (corpo), Sof (os fins do Partzuf da alma), Kelim (desejos) que podem ser usados e desejos que não podem ser usados por agora, uma vez que não há tela sobre eles, assim como desejos que não podem ser usados até à correcção completa, chamados “Lev HaEven” (o Coração de Pedra) – ao agregado completo destes desejos é chamado o humano em nós.

De toda e cada vez, a cada momento do meu caminho, à medida que avanço em direcção ao estado do humano perfeito, revelo a imagem do humano em mim. Como posso reconhecer que tipo de pessoa se revelou em mim agora e quem sou eu neste momento de acordo com os sinais interiores e exteriores que eu descubro dentro de mim próprio?

Através de todas as várias características especiais que eu revelo nos Sefirot da Rosh, Toch e Sof do Partzuf da minha alma, posso dizer que imagem está agora inerente a mim. É como se lê-se acerca de mim próprio no meu bilhete de identidade que tenha uma descrição detalhada das minhas características.

Daqui percebo quem sou e o que sou. Percebo-me a mim próprio, isto é, às minhas qualidades, quais delas trabalham em prol da doação, quais trabalham contra ela, as que são ainda egoístas, quanto as tenho restringido, quantas estão na Klipa, e até que ponto estão sujeitas a correcções.

Tudo isto é a imagem de uma pessoa e não há nada além dela. Esta imagem incorpora tudo.

Portanto, enquanto lemos este capítulo n’O Livro do Zohar, devemos pensar constantemente sobre os nossos estados espirituais como se fotogramas de uma banda de filme se desenrolassem perante mim, revelando constantemente uma nova imagem da pessoa em mim até que todas estas imagens se juntassem e eu alcançasse um único estado. Contudo, todas as imagens anteriores são também salvas.

Então, com base em todos os pecados e transgressões, eu alcanço a minha imagem verdadeira e perfeita – o Humano que é semelhante ao Criador.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/3/11, O Zohar

O Tabernáculo É O Lugar Da Nossa Vida Espiritual

Dr. Michael LaitmanA porção semanal da Torá “Pekudei (Contas)”descreve quem participa da montagem do Tabernáculo (Itamar filho de Arão, Bezalel filho de Hur, Aholiav filho de Achisamach), bem como a estrutura do Tabernáculo, os materiais utilizados para equipá-lo, os detalhes de todos os seus acessórios e revestimentos sagrados…. Depois do trabalho de construção, o Tabernáculo está completo, eles trazem-no a Moisés, e Moisés abençoa-o….

O Tabernáculo é a nossa alma. Não há nada mais importante do que sua construção, já que todo o nosso trabalho está em construir a alma integral, a unidade de todos nós.Cada um de nós é uma parte da alma coletiva, que é considerado como “Adão” (homem ou humano), e quando nós construímos a correcta conexão entre nós, isso significa que construimos o Tabernáculo.

Cabalistas passam para nós o conhecimento e o programa que se deve realizar na linguagem dos ramos. Quando eles nos dizem sobre árvores e rochas, quais os têxteis e metais devemos usar, e quem, especificamente, deve fazer esse trabalho ou outro, eles falam sobre os quatro níveis do nosso desejo (inanimado, vegetal, animal e falante) e como esses desejos têm de se interconetar. Com a unificação, gradualmente construimos a alma integral, onde encontramos a presença do Criador, a Luz superior. Assim, o Tabernáculo se torna o lugar da nossa vida espiritual.

Está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal, e criei a Torá como tempero”. Isto significa que, primeiro, temos de saber o quanto nós nos odiamos. Então, corrigimos esse ódio e transformamo-lo em amor e unidade.

Com certeza, este é um longo caminho que não pode ser descrito em poucas palavras, mas quando nós conseguimos a interconexão e descobrimos que na verdade ela é o vaso, o receptáculo da Luz Superior e da vida espiritual, começamos a perceber como este é um trabalho difícil e delicado. Devemos, com grande precisão, com um par de pinças, montar este vaso, ligando todas as pessoas do mundo entre si.

Teremos de fazer isso, e esse trabalho já começou na nossa geração. Chegamos ao ponto em que o egoísmo global se revelou em nós. Portanto, o método de sua correção, a sabedoria da Cabalá, também está sendo revelada.

Ele descreve de que forma devemos estar interconectados para conhecer a força superior, a Luz que  corrige, que vai nos ajudar a unificar, uma vez que, da forma com estamos, não há espaço para a conexão dentro de nós. No grau da nossa unificação, vamos começar a compreender o que a Torá descreve, porque ela fala sobre os graus de nossa correção, o estabelecimento da conexão entre nós.

Esta descrição é vista como um manual sobre a construção de uma casa com todos os seus acessórios e mobiliário interno, mas ela torna-se um santuário. Sagrado (Kadosh) significa “separado” do nosso egoísmo, que reside acima de nós. Quando nos unimos na união do amor, isso é considerado como a santidade. Este é o grau de Biná, o nível de doação que nós adquirimos através do amor pelos outros, quando nos unimos em garantia mútua como um homem com um coração.

Quando nós gradualmente organizamos tal conexão, fundimo-nos em uma só alma mais uma vez, e encontramos a Luz que nos preenche, a presença do Criador. Por meio da força que se revela na unidade entre as pessoas, você pode subir para um grau mais elevado.

Isso apesar do fato de que isso ocorre no estéril “deserto”, isto é, a pessoa não tem mais nenhuma força, não tem lugar para ir, e não sabe como seguir em frente, mas a força superior que se revela lhe mostra como subir mais e mais até chegar a terra de Israel, o desejo totalmente voltado para o Criador. Nosso desejo egoísta torna-se totalmente transformado na doação, para o bem dos outros, de acordo com o princípio do “amar ao próximo como a si mesmo”.

Da Lição Semanal da Porção da Torá 3/3/11

A Dependência Global Em Mim

Dr. Michael LaitmanPergunta: Até que ponto nossos pensamentos, intenções e a habilidade de se concentrar durante a aula dependem de todos que estudam conosco ao redor do mundo? Existe uma tal interconexão global?

Resposta: O que é que a interdependência implica? Se eu enxergar toda a realidade como partes de minha alma, eu sou totalmente independente. Estas partes despertam somente conforme a minha atitude para com elas, o meu desejo de despertá-las.

Eu não me concentro em seu comportamento externo, mas sim desperto-as de dentro, e, com isso, no mesmo nível da conexão interior, elas despertam e me respondem. Tudo é determinado pela minha visão do mundo: ou eu o vejo como uma realidade material com muitos corpos físicos, ou como os desejos mundanos dos homens, ou como o corpo da minha alma, o seu Partzuf (estrutura).

Neste último caso, eu não vejo as imagens externas que, aparentemente, existem no mundo físico, mas sim as partes da minha alma, que eu devo transformar. “Eu” é o ponto focal do meu pensamento, da minha intenção. “Eu” é a intenção que devo acrescentar a estes desejos e propriedades para apontá-los corretamente.

O que significa que eu dependo e sou despertado pelos outros? Assim como eu os desperto, eu desperto a mim mesmo como resposta. Este despertar aparentemente passa por esse sistema externo, embora o sistema seja meu.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 8/3/11, “Introdução do Livro do Zohar”

No Limiar Do Infinito

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a lição, eu estou constantemente pensando na Convenção que está se aproximando e é difícil concentrar-me na lição. Será que eu estou perdendo algo por causa disso?

Resposta: Claro que não. A gente sempre sente a pressão no processo de preparação para tais eventos importantes. Uma vez por ano nos reunimos em uma convenção nos Estados Unidos e devemos ver isso como uma oportunidade única de unir-nos. Não há outra oportunidade para se receber mais Luz Circundante, apoio e força para avançar, do que em encontros como este.

É exatamente isso que eu, pessoalmente, espero. Eu me lembro que quando comecei a estudar com o Rabash, exatamente alguns meses depois viajamos juntos para Tzefat (Safed). Em um pequeno quintal de uma casa, os alunos do Rabash reuniram todos que haviam estudado com ele em épocas diferentes e, de repente, eles queriam se juntar a nós. Este era um grupo muito grande, de cerca de 40 pessoas, antes que eu trouxesse novos alunos para ele.

Eu vi como ele estava animado com esta viagem e por estar lá. Perguntei-lhe: “O que há de tão especial nisso?”. Ele explicou que essas reuniões são o meio mais eficaz em nosso mundo para o avanço espiritual, quando a pessoa vem para se unir com os outros, trabalha para este propósito, esforça-se e deseja receber as forças dos outros, para reunir e absorvê-los dentro de si, para literalmente beber num só gole este poder. E isso só depende dela e de sua sensibilidade.

Se eu me preparar para a Convenção do jeito certo, quando eu chegar lá eu receberei tudo o que puder. Tudo depende de mim. Isso porque estamos diante do Infinito. Eu posso ir à Convenção e não receber nada, desprezar os outros e sair de lá ainda mais frio do que antes. Ou eu posso ir lá e ficar impressionado, tocado e inspirado. Eu posso absorver tanta força e Luz Circundante que não receberia em anos de estudo. Tudo depende da minha preparação.

Portanto, nós já devemos nos preparar para a próxima Convenção. Antes de um evento tão grande, quando a pessoa planeja se conectar com os outros, ela deve experimentar preocupação e temor, achando que está no limiar de grandes mudanças internas. Essa expectativa cheia de pressão e a preparação é sentida até mesmo fisicamente.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 8/03/11, O Zohar

Alcance-O E Você Vai Receber A Resposta

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que você muitas vezes se recusa a responder perguntas sobre o  texto do Zohar?

Resposta: Qual é a razão de responder? A pessoa que o alcança recebe a resposta por si mesma. Mas a pessoa que não o alcança esta tem que trabalhar para alcançá-lo.

A resposta a uma pergunta que é percebida por nossa mente mundana deixa-nos no nível deste mundo material, acalmando-nos com uma falsa compreensão. Mas esta não é uma resposta real e não nos ajuda. Afinal, nesse caso, a pessoa não tenta adquirir uma conexão com a Torá – com a Luz que corrige – mas pretende atingir a sabedoria, e isto é oposto ao nosso caminho.

É claro que temos que conhecer um pouco o material, a fim de estarmos conectado um pouco a ele, pelo menos exteriormente, como crianças pequenas que entram em contato com alguma coisa em nosso mundo sem ainda compreendê-la. No entanto, não deveríamos receber respostas que extinguem o nosso desejo de realização. Afinal, estamos lendo o texto por causa da realização. Ao alcançá-la, vamos receber a resposta. E essa vai ser a resposta verdadeira.

Portanto, não há praticamente nada para perguntar sobre o texto do Zohar – sobre os nomes, títulos, forças, e anjos. Qual é o sentido disso? Quem o entende? Quem vai lhe dar uma resposta enquanto você ainda não o revelou dentro de você?

Portanto, todo o nosso estudo serve apenas para revelar os Kelim (vasos) ou desejos, onde tudo o que estudamos será revelado.

Da 2ª Parte da Lição Diária de Cabalá 7/3/11, O Zohar

O Caminho Para A Unidade Superior

Dr. Michael LaitmanIntrodução ao Livro do Zohar”, Artigo “Explicação da Divisão dos Quatorze Mandamentos em Dez Enunciados”:  Quarto enunciado: “E Deus disse: ‘Que as águas se reúnam’”. O terceiro mandamento é para saber que existe um grande Deus que reina sobre o mundo inteiro,  para uní-lo diariamente com a unificação adequada, a unificação do “Ouve, Ó Israel”, chamada “a unificação superior”. Esta é uma extensão de VAK dos três enunciados anteriores em ZA, VAK de Gadlut, Vav de HaVaYaH.

Tudo existe em um estado imutável, e todas as mudanças ocorrem apenas na percepção do homem.  Através da correção de suas qualidades, a pessoa alcança grau por grau, e os “enunciados”, “mandamentos”, ou “dias do início da criação” mudam para ela. Tudo isso foi dividido e agora muda a seus olhos, uma vez que a pessoa em si, em seu desejo interior, é corrigida.

O desejo dentro de nós sofre transformações. Elas ocorrem gradualmente, camada por camada, passando por todos os níveis de sua Aviut  (espessura, aspereza): Shoresh (raiz), Aleph (1), Bet (2), Gimel (3), e Dalet (4) em cada grau.

À medida que corrigimos o nosso desejo, começamos a revelar as Luzes, as fontes: de onde esta influência vem, qual a correção que ela realiza na minha alma, qual Luz se revela, de onde ela se origina, com Quem eu me conecto, quem é O Ser Superior que eu revelo.

Esta é uma correção gradual da alma realizada pela pessoa. Paralelo a isso, O Zohar descreve quais desejos (Kelim) sofrem correção, quais Luzes são reveladas de um conjunto  de dez enunciados, 14 mandamentos, ou sete dias do início da criação, isto é, sete níveis de Zeir Anpin (ZA), até que Nukva e ZA alcançem o estado das duas grandes luzes, a correção total (Gmar Tikun). Em última análise, nós estamos falando sobre as etapas do nosso progresso.

A Torá descreve todo o processo da nossa correção. No início do capítulo “Beresheet”  (Gênesis), todos esses enunciados são apresentados como um resumo de tudo o que ocorre posteriormente na Torá. Então, a partir deste capítulo, do mesmo modo que a partir do ponto inicial da letra “Yod“, todas as outras partes com respeito ao HaVaYaH pleno evoluem, até que toda a narrativa da Torá termina com a palavra “Israel”.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/03/11, “Introdução ao Livro do Zohar

Um Poço Com Água Viva

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é muito mais fácil superar a repulsa um do outro nas grandes Convenções?

Resposta: 1. Na Convenção a pessoa não está em seu grupo. Ela se dissolve em um oceano de pessoas com quem não teve contato próximo e, por isso, não revela sua maldade a elas.

2. Nas Convenções nós não trabalhamos para revelar o mal em nós mesmos, ao invés disso, nós despertamos a bondade. No entanto, essa bondade vem, apesar do mal que já foi revelado e para que nós conquistemos forças para o futuro.

Portanto, as pessoas que não trabalham em si mesmas no grupo não sentem um impulso para ir à Convenção. Elas não vêem isso como uma oportunidade para avançar. “O que vou fazer lá? Pular? Cantar? Eu posso assistir isso na televisão ou na internet, quando for confortável para mim!”.

Na realidade, existe uma grande diferença entre a participação virtual e a participação física na Convenção, pois neste último caso, a pessoa emprega energia, dinheiro e um grande esforço para participar dela. Além disso, antes de entrar na sensação do Mundo Superior, nós não podemos dispensar a importância do contato material. Portanto, a Convenção é destinada as pessoas que desejam ir lá com a percepção do mal que acumularam anteriormente, assim como aquelas que desejam receber as forças para superar o mal no futuro.

A Torá fala muito sobre como nos tempos antigos as pessoas se encontravam em um poço para comunicar e estabelecer conexões. É assim que devemos nos sentir na Convenção: como pessoas que se congregam ao redor de um poço vivificante no deserto, e deste poço podemos receber as forças vitais de Bina (a água é a qualidade de doação, a qualidade de Bina) .

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá  7/3/11, O Zohar

Da Tela Material À Tela Espiritual

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “Yitro (Jetro)”, Item 180: … Devemos olhar para as formas das pessoas em seis discernimentos e conhecer exaustivamente a sabedoria. Esses são os cabelos, olhos, nariz, lábios, rosto e mãos, ou seja, as linhas das mãos.

A ciência da Cabalá explica todas as qualidades espirituais com palavras materiais. Isso porque não há palavras ou letras no mundo espiritual, mas somente sensação, realização e compreensão. Portanto, não temos outra maneira de expressar e transmitir informações e impressões espirituais de uma pessoa para outra. É por isso que pegamos as palavras do nosso mundo, porque o nosso mundo, esta realidade material, é uma impressão da realidade superior e tudo o que existe nele tem raiz no mundo espiritual.

Portanto, quando O Zohar fala sobre as características do rosto de uma pessoa, seus órgãos internos, ou partes do corpo, tudo isso está descrevendo as forças correspondentes agindo no espaço espiritual, ou seja, entre as almas, dentro de sua conexão. Desta forma, usando “a linguagem dos ramos”, nós transmitimos informações sobre o mundo espiritual de um para o outro.

Isso pode ser comparado às forças elétricas, através das quais nós criamos uma imagem em uma tela de computador. Dentro do computador, há forças elétricas, mas nós as usamos para descrever as imagens que compreendemos.

Nós podemos falar de forças elétricas internas usando seus resultados externos: termos gráficos, cores e figuras geométricas. Nós podemos nomear estas forças elétricas por sua imagem gráfica, mesmo que elas não sejam cores, linhas ou imagens. É que na manifestação externa, elas criam estas formas para nós, e nós usamos os nomes dessas formas para nomear essas forças.

Portanto temos que entender que os autores do Zohar não se envolvem em misticismo, fisiologia, ou coisas do gênero, mas querem descrever a estrutura interna da alma em detalhe. A pessoa que está no mundo espiritual imagina tudo que está escrito no Zohar no sentido espiritual, sabendo que ele está falando da espiritualidade. Ela isso, porque a impressão espiritual é muito mais poderosa do que a material. Assim, ela observa a imagem espiritual antes de mais nada.

Por outro lado, a pessoa que está apenas no mundo material e, por enquanto, só percebe a realidade material em sua tela, vê as imagens materiais por trás das palavras do Zohar.

Portanto, ao ler O Zohar, vamos tentar ir de uma tela à outra, da tela externa na qual as imagens materiais nos são representadas, para a estrutura interna da alma. Vamos tentar imaginar as qualidades da alma. E mesmo que não entendamos o que O Zohar está falando, nossos esforços atraem a Luz que nos corrige.

O Baal HaSulam escreve o seguinte na “Introdução ao Talmud Eser Sefirot”: Portanto, devemos perguntar, por que então os Cabalistas obrigam todos a estudar a sabedoria da Cabalá? De fato, há algo grande nela, digno de ser publicado: há um remédio maravilhoso e inestimável para aqueles que se ocupam da sabedoria da Cabalá. Embora eles não entendam o que estão aprendendo, através do desejo e do grande desejo de entender o que estão aprendendo, eles despertam sobre si as Luzes que circundam suas almas.

O nosso desejo não deve ser para entender, mas para sentir essa imagem espiritual interior. Através desse desejo nós atraimos a Luz de lá, que nos corrige. Então, entramos na sensação do mundo interior.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 4/3/11, O Zohar