Textos na Categoria 'Zohar'

A Intenção Não Pode Ser Expressa Em Palavras

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você poderia nos contar sobre sua intenção ao ler o Livro do Zohar?

Resposta: Os Cabalistas nos ensinam qual deve ser a intenção. Toda pessoa deve realizar o que leu na medida em que entende.

É impossível falar sobre a intenção. Isso é algo que não pode ser explicado a outra pessoa, pois a intenção vem do estado interno da pessoa, que ela revela.

Eu estou em um estado que é desconhecido para mim. Eu o revelo a medida que ele se desenrola dentro de mim. A partir deste estado que se revela a mim, eu crio a intenção.

Em essência, é impossível vestir essa intenção em palavras. Não há palavras para ela. Isso porque ela inclui o desejo interno da pessoa (Hissaron) e o grau de sua conexão com a realidade superior, através de suas tentativas de encontrar os meios que lhe trarão a maior proximidade possível com o Anfitrião, o Criador – com a adesão (Zivug de Hakaa) a Ele.

Quais são esses meios? Eles são os livros, o professor e o grupo. A pessoa inclui tudo o que entende e sente de tudo isso, e através deles atinge a unidade com o Criador.

Todos esses meios devem estar presentes. Se você perde sequer um deles, não tem o contato certo. Além disso, cada um deles deve estar devidamente equilibrado com os outros.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/03/11, O Zohar

Na Esfera Radiante Da Alma

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “Yitro (Jethro)“, Item 465: No sábado, a Torá é coroada com ele, coroada com todas as Mitzvot, todas as sentenças e punições em setenta ramos de luz que brilham em todas as direções…. Quem viu aqueles portões que se abrem cada qual nas direções deles, onde cada um é composto por dez, e eles são cinquenta portões? Todos brilham e iluminam nesta luz que é emitida e que nunca pára.

Onde posso revelar todos esses detalhes? Posso encontrá-los apenas na conexão interna entre os amigos. O Zohar descreve todos os tipos de conexões que iremos revelar, até que estas se tornem um laço infinito entre nós, quando as corrigimos completamente.

Todos os estados e relações que O Zohar descreve, bem como as várias imagens da natureza inanimada, vegetal, e animal, incluindo as pessoas e todos os tipos de situações, ou, na linguagem da Cabalá, Partzufim (almas), Olamot (mundos), Reshimot (genes espirituais), e Sefirot (propriedades), juntamente com suas subidas e descidas, todos são expressões da conexão interna entre nós, as pessoas que estão dispostas a se unificar a fim de revelar o mundo superior dentro de suas relações.

Todos avançam na capacidade de ver como os 613 desejos de sua alma se expandem externamente em doação às outras almas, e como de cada alma, os seus 613 desejos, também se expandem para todas as outras. Imagine isto: há bilhões de almas que correspondem ao número de pessoas no mundo corpóreo. De cada alma, expandem-se 613 desejos para todas as outras almas, cada uma conectada à outra, e com uma nova conexão  mútua, elas doam a cada uma novamente, e se interconectando uma vez mais, elas continuam a doar.

Assim, finalmente, veremos uma esfera que não tem “espaço” vazio, dado que todo ele é preenchido com a união das almas. Se revelarmos essa união na sua mínima medida, em 1/125 da parte dela, começaremos a revelar a Luz que flui nos canais entre nós. Isso é chamado de revelação do Criador, porque esta Luz é, na verdade, o Criador, e é isso que O Zohar descreve.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 25/03/11, O Livro do Zohar.

A Torre No Céu

Dr. Michael LaitmanPergunta: O estudo do Zohar ajuda a pessoa a perceber que ela se desviou do caminho e corrigir essa transgressão?

Resposta: Na realidade, o meio mais eficaz que orienta a pessoa a esse respeito é a opinião do grupo, a sensação comum que reina nele. Se o grupo segue os conselhos do professor e dos autores dos livros, ele cria uma sensação dentro dele que permite que cada pessoa verifique até que ponto ela perde a direção à meta da criação.

Isto é como uma torre flutuando no céu, mas eu tenho que estar dentro dessa torre.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 28/03/11, O Zohar

Não Se Esqueça De Acender A Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu tento pensar sobre a nossa unificação, a conexão entre nós, todo o tempo, especialmente durante a leitura do Zohar. Mas, como a Luz trabalha em mim quando eu tento esforçar-me? Que mudanças ela executa em mim?

Resposta: A Luz está em repouso absoluto, ela não faz nada com você. Você realiza todas as mudanças. Você consegue usar a Luz? Use-a! Se não, não use. É como a eletricidade: isso está conectado a uma tomada elétrica? Se estiver, use-a! Como? Da forma que você quiser! Você pode usar para ligar uma geladeira, um aquecedor, qualquer coisa que você queira.

Como a Luz afeta você? Ela não afeta. Você obtém essa ação dela.

Foi dito: “Eu não mudei meu HaVaYaH (o plano da criação)”, o que significa que o Criador está em repouso absoluto. Por isso a Luz não faz nada! Você realiza tudo com suas próprias ações; você se transfere para o próximo estado. E se dizemos: “Deixe a Luz agir” ou “a Luz faz isso ou aquilo”, nós simplesmente atribuímos nossas ações a ela.

Nós ativamos a lei, e ela age. A lei está em ação; sua fórmula é conhecida. Ela existe além de nós e é chamada de “lei de equivalência das propriedades das Luzes e dos desejos (Kelim)” ou “lei de equilíbrio”.

Não há ações por parte da Luz. A Luz realiza uma única ação: ela cria o desejo de receber prazer, “existência a partir da ausência”. Desta forma, não é sobre a Luz que estamos falando.

E o desejo de desfrutar, existente nessa Luz e criado a partir da “ausência”, muda todo o tempo. Todas as transformações das propriedades, o desenvolvimento através das quatro fases, etc., isso que discutimos, ocorre somente em relação a esse desejo, a criatura. Tudo isso são mudanças do desejo de receber prazer dentro da Luz constante.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 24/03/11, O Livro do Zohar

O Esplendor Da Alma Integral

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que significa penetrar num sistema integral de almas sobre o qual O Zohar fala?

Resposta: Não pode ser explicado em palavras. Se pudéssemos entrar neste sistema, experimentaríamos fenómenos espirituais por detrás das palavras d’O Zohar e sentiríamos o que cada palavra significa. Seriamos capazes de reconhecer todas estas propriedades e desejos. Perceberíamos porque é que têm tais apelações e porque estão definidos por estes tipos de relações entre si. Tudo se tornaria claro.

Contudo, tudo isto revela-se a partir da visão interna do sistema. As almas estão ligadas umas às outras num único organismo, em suporte mútuo, garantia, companheirismo, e anulação de cada alma perante tudo, num grau superior ou inferior, em todos os níveis possíveis, enquanto cada alma funciona ainda acima do seu ego.

No sistema onde estamos ligados uns aos outros no nível interior, unimo-nos acima do nosso egoísmo. Neste caso, você verá todo o sistema. Ao mesmo tempo, será também capaz de ver este mundo como mais exterior em relação ao sistema interior, uma vez que este mundo permanece no egoísmo e é controlado por ele.

No sistema espiritual, somos motivados pela aspiração em direcção à unidade, enquanto que neste mundo somos controlados pelas inclinações em direcção à separação, separados uns dos outros, desejo de poder pessoal, e orgulho vão. Elas são duas forças opostas.

Neste mundo, eu anulo os outros e exalto-me, enquanto no sistema interior, eu anulo-me e exalto os outros. É essa a tendência, e é por isso que ambos estes sistemas parecem diferir tanto.

Na medida que a pessoa se envolva no sistema interior, ela conseguirá ver as ligações entre todas as almas. Ela sente como tudo está completamente harmonizado e a força da vida, a doação mútua que forma bilhões de canais entre as almas, circula entre elas, enquanto esta multidão de canais luminosos se transforma na Luz perfeita que preenche as relações entre todas as almas.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/3/11, O Livro do Zohar

Sair Da Mentira Ilusória

Dr. Michael LaitmanPor detrás de cada palavra ou frase d’O Zohar, temos de tentar reconhecer formas de conexão entre o homem e o seu ambiente. Não há nada mais na realidade além das formas de conexão entre uma pessoa e aqueles que estão à sua volta.

Mesmo agora, quando vejo pessoas e as paredes desta sala à minha frente, ou ouço o barulho vindo do exterior, todas estas são formas de conexão entre nós. Não há nada além destas forças que nos conectam, que são forças do desejo que assim me parecem na minha percepção material da realidade.

Da mesma forma, se tentarmos, então começaremos a imaginar outros tipos de conexão entre nós, outras forças que não operam dentro da recepção, mas dentro da doação entre nós. Então veremos que, na realidade, nunca existiram conexões egoístas entre nós. Nós sentimo-las como num sonho, de forma que baseado nesta conexão ilusória, que é oposta à verdadeira, reconheceráiamos a verdadeira conexão, a única que existe em contraste com a vida ilusória: o desejo de desfrutar com toda a sua força.

Afinal de contas, este desejo existiu apenas para que nós o transformássemos no desejo de doar. O Criador suporta-o desta forma artificial, mas não tem por si próprio qualquer essência real. Apenas a força de doar existe no mundo.

É por isso que O Zohar nos descreve todas as variedades da força de doação, que revelamos em todas as diversas formas, assim como as forças de recepção opostas a elas, sendo a base sobre a qual as forças de doação são reveladas no processo da guerra interior do homem.

É esta a única coisa em que temos de pensar enquanto lemos O Livro do Zohar, fazendo esforços de forma que a revelação destes níveis espirituais nos ajude e possa revelar-se em nós para que a possamos incluir dentro de nós.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/3/11, O Zohar

Momentos Da Sua Vida

Dr. Michael LaitmanAcabamos de ler O Zohar por mais de meia hora. Pergunto-lhes: durante todo este tempo, quantas vezes cada um de vocês desejou a chegada da Luz que corrige, esperando que algo acontecesse? Está escrito que os anjos perguntam à pessoa depois que ela morre: “você estudou a Torá e esperou a salvação?”.

Quantos momentos você passou esforçando-se, tentando não deperdiçar e “agarrar” algo muito importante, como um goleiro que guarda a meta, ou um caçador perseguindo uma presa? Você estava apaixonadamente antecipando isso, do mesmo modo que você se sente antes de um encontro muito aguardado com sua amada? Quanto tempo você permanece nesse estado? Quantas vezes você retorna novamente a essa aspiração?

Apenas estes momentos contam na vida. Eles são resumidos e determinam a velocidade da vida. Os outros momentos realmente não existem….

Da  2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/03/11, O Zohar

Onde Está O Meu Verdadeiro Eu?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como alguém pode receber do ambiente a importância da intenção de doar?

Resposta: Imagine que além do ambiente não há nada. Não existe Criador, nenhuma qualidade de doação, não há nada, apenas o ambiente.

Nós pensamos que há algo mais e isso tranquiliza-nos: existe o ambiente, mas também existe o Criador e a minha própria relação com Ele. Na verdade, não há nada disso,  apenas o  ambiente. Ou você se percebe em si mesmo, ou você pode se perceber no ambiente. Isso também será você, mas você perfeito, que incorpora dentro de si seus pedaços perdidos.

Além destes dois componentes não há nada. Ou você está submerso em seu eu atual ou se conecta com o ambiente que você atualmente imagina como estando fora de você: com o grupo, com o desejo comum. Mas isso é você!

Na realidade, a minha atual percepção de mim mesmo é condicionada pelo fato de que o meu egoísmo me arranca do meu verdadeiro “eu”, e eu penso que existo fora dele. É totalmente o oposto! Todo o meu Kli (desejo, vaso) da alma está ali, dentro do meu verdadeiro “eu”. É apenas a ocultação que atua em mim e eu considero isto estranho. Posteriormente, me será revelado de quem eu roubei, quem eu desapontei ou prejudiquei. Foi a mim mesmo, a pessoa mais próxima e querida para mim!

Pergunta cont:. Sob que condições eu posso receber a importância da doação do  ambiente?

Resposta: Pela fé acima da razão! Você está procurando uma confirmação racional,  uma certa lógica que explicaria que você apela ao grupo e recebe apoio dele. Tal lógica não existe. Na verdade, se você fosse capaz de provar isto de forma lógica, seria mais vantajoso para você estar neste time do ponto de vista egoísta; como em um time de futebol, por exemplo. Aqui, porém, você não tem nenhum apoio racional!

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/03/2011, O Livro do Zohar

Um Lego Feito De Pedaços Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a aula nós trabalhamos com a Luz que nos corrige. Mas com o que trabalhamos na Convenção?

Resposta: Na Convenção isso acontece ainda mais! Nós não temos nenhum outro meio para influenciar o que está acontecendo conosco, além da Luz que corrige. Essa é a única coisa que podemos despertar!

Nós despertamos nossos estados futuros, que ainda não foram revelados em nós e que estão para ser revelados. São estados de doação para fora, onde cada pessoa doa para fora, para o seu próximo. Esta é precisamente a qualidade que queremos descobrir – cada pessoa dentro de si mesma e todos nós como um todo.

Quando revelamos esta qualidade de doação, significa que revelamos o Criador. Como os Cabalistas nos dizem, esta qualidade nos criou, nos formou, e nos espalhou longe uns dos outros, para que, unindo-nos novamente, a revelássemos novamente.

Entretanto, o Criador está no exílio. O que isso significa? Podemos dizer que Ele também se desintegrou em pedaços minúsculos e está dentro de todas essas partes quebradas que estão longe umas das outras. Assim que você começa a conectá-las, você começa a recriá-Lo ou restaurá-Lo, a força comum de doação.

Nós temos que construir uma imagem para nós mesmos que esteja próxima da verdade. Caso contrário, vivemos em várias fantasias religiosas, imaginando uma imagem irreal, não-materialista.

Nós temos que entender que a diferença entre crenças ou religiões e a ciência da Cabalá é que as crenças ou religiões querem imaginar a espiritualidade nos desejos materiais, que percebem tudo “dentro” e, portanto, constroem suas noções de acordo com a realidade terrena, com a criação estando abaixo e o Criador acima, como se estivessem separados mais pela distância do que pelas qualidades. Elas não falam sobre a correção do homem.

Em contraste, a ciência da Cabalá diz que tudo está dentro do homem. Assim, a realidade ou dimensão superior se revela nas correções e mudanças internas da pessoa. Portanto, a coisa mais importante para nós é  corrigir o homem. Ao corrigir suas qualidades, a pessoa sente que o Criador é revelado dentro dela.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/03/11, O Zohar

O Caminho Para A Auto-Realização

Dr. Michael LaitmanO Zohar, Capítulo “Yitro (Jetro)”, Item 199: Sua testa é grande, mas não tanto, suas linhas são cinco: três que atravessam a testa de um lado para o outro, e duas não estão atravessadas. Tende ao confronto, principalmente em sua casa, todas as suas ações são apressadas, e ainda que pareçam ser benéficas, não o são. Elogia-se com aquilo que não tem. … É indulgente em seu discurso, mas nada mais. Coloca-se onde não lhe pertence, e quem colabora com ele deve ter o cuidado de sua cobiça, mas triunfará com ele.

O Zohar nos fala sobre o quão complicado somos por dentro. Toda vez que revelamos novas qualidades dentro de nós, que podem ser boas ou más, e que constantemente vem substituir uma outra, devemos usá-las para discernir todas as nossas oportunidades de realizar-nos no estado atual, para descobrir todas as nossas fraquezas e limitações. É assim que, continuamente, a pessoa realiza-se mais, e isso significa que ela atinge o Criador, como está escrito: “Eu O conhecerei de Suas ações”.

No final das contas, todo o nosso caminho é o caminho da realização pessoal, a realização de nós mesmos. Em essência, toda a ciência da Cabalá explica à pessoa quem ela é: o feito (ação) do Criador. Portanto, você não precisa de mais nada: na medida em que você entende como o Criador criou você, o que Ele criou em você, porque e de que forma, ou seja, o quanto você irá alcançá-Lo.

Portanto, ao ler as descrições dessas imagens do homem, temos que entender que nem uma delas é apagada. Todas complementam-se através de suas qualidades, que são semelhantes ou opostas às daLuz, e, no final, atingem a imagem do Criador.

Além disso, temos que entender que se está falando da pessoa que avança na espiritualidade e é assim que ela se vê agora, com suas qualidades positivas e negativas em relação à Luz, o Criador. Mas a própria pessoa está julgando a si mesma, e ela compreende essas qualidades. Outra pessoa poderia vê-las de forma diferente, porque “cada pessoa julga conforme seus próprios defeitos”.

Se uma determinada imagem aparece diante dela agora, isso só lhe parece, mas não existe por si mesma na realidade. A única imagem que existe por si só, é a imagem do Criador. Mas essas imagens são representadas dentro da pessoa por suas qualidades internas.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/03/11, O Zohar