Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Esperar ou Avançar?

Pergunta: Como devemos nos relacionar com os estados de confusão e manchas após a convenção? Podemos fazer alguma coisa ou devemos simplesmente esperar que eles vão embora?

Resposta: Sob nenhuma circunstância você deve esperar! Na espiritualidade você nunca deve esperar por alguma coisa, você deve apenas seguir em frente!

Acredite em mim, eu não estou mentindo para você. Quando eu, como qualquer um de nós, até o fim da correção, sente uma espécie de nebulosidade, manchas, falta de desejo e, de repente, se deteriora em estados difíceis, eu não perco a minha cabeça. Devemos compreender claramente que se trata do Criador, que me foi dado o próximo nível espiritual, que é revelado com a sua espessura, como se diz, “E a tarde e a manhã existiram um dia”, portanto, tudo está cumprido e assim estou feliz com isso. [Leia mais →]

A Parte Instrutória Do Mundo

Nunca nos é revelado de antemão o que temos de fazer e como o fazer. O Criador está oculto, o Seu sistema está oculto, são-me dados vários meios com os quais eu consigo tentar recriar o sistema dentro de mim. É-me dada apenas uma certa parte do sistema do Criador como um exemplo e pedido para criá-lo por mim. Então descubro que tenho os exactos atributos opostos em respeito às propriedades que tenho que criar. Mas também isto é ajuda, desde que me é mostrado o exacto oposto! Tenho que encontrar este oposto, para compreendê-lo e senti-lo, e das propriedades opostas adivinhar o atributo certo.

Isto significa que aprendo porque sou corrompido desta forma e porque devo concordar com o oposto apesar da minha relutância. De forma a realizar isto, tenho que me anular, baixar a minha importância e aumentar a importância do Criador. Estou numa luta e não concordo em rebaixar-me.

Por exemplo, existem pessoas a quem eu mais odeio, que me causaram tantos problemas, que eu não quero ver e que despoletam raiva em mim quando as vejo. Agora tenho que desenvolver uma atitude diferente em relação a elas, a atitude oposta. Começo a descobrir que minhas intenções são opostas às intenções que me são apresentadas como desejáveis.

Sou trazido até ao grupo e é-me dito para me conectar com eles e para os amar. Se começo a amá-los, irei corrigir a minha percepção e os meus sentidos e calibrar-me-ei ao sentido e revelação do Criador. Posso senti-Lo nos meus amigos, nesta relação corrigida que eu crio. Apesar dos amigos, irei sentir o Criador. Não existem amigos; existe apenas o Criador.

Tudo isto é graças ao facto de eu ter estilhaçado o meu ego e invertendo-o, retorcido de dentro para fora, por ter modificado minhas atitudes em relação aos meus inimigos de ódio a amor, de rejeição a conexão. Mas faço tudo isso de forma a construir um sistema de compatibilidade para com a força superior. Desenvolvendo e implementando a importância do Criador de maneira a trazer-Lhe contentamento sem qualquer conexão a mim, eu trago-Lhe contentamento de uma forma que Ele nem mesmo me veja, tal como eu não O vejo agora. Ele não sente que vem de mim, tal como eu não sinto que tudo vem Dele. É como se Ele, como se, me ignorasse, tal como O negligencio agora por causa da ocultação e por isso Ele deixa-me sentir que realmente me oculto. Estou pronto para que Ele me ignore e que Ele não saiba nada de mim, desde então minha doação, minha atitude em relação a Ele será justamente a Sua atitude em relação a mim, de acordo à maneira que me parece de momento.

Por tudo isto aprendemos a atitude correcta em relação ao Criador acima do nosso desejo corrupto. Isto significa que corrigimos o nosso desejo e nossa atitude e por isso atingimos doação. Isto significa que desenvolvemos o sentimento da importância do Criador de forma a conectarmo-nos a Ele.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 23/01/13, Escritos do Rabash

Síndrome Da Pipoca

Pergunta: Quando o vicio do ego nos rejeita e nos lança para fora da meta, nós vamos para o grupo para receber ajuda. Ao mesmo tempo, como podemos não apagar ou extinguir essa nova situação? Porque ela precisa de nos trazer benefício.

Resposta: Depende do grupo: ele deve ser como um comando, ele precisa de valorizar a labuta.

Pergunta: De tudo isso o que depende de mim?

Resposta: Eu estou feliz com a minha conexão com o grupo, e eu sinto muito se não estou ainda em adesão com o superior. Você precisa imaginar o estado desejado e, em seguida, a falta de estar em conformidade com a atual realidade dentro de você, você vai convidar tristeza que deve se tornar mais tarde em dores de amor.

Vamos supor que eu atingi um estado espiritual, e então o que chamamos de “Eu bati com a cabeça” e de repente me esqueci o objetivo e me vi em algum lugar, no cinema. Eu gosto de comer pipoca , beber Coca-Cola, e ver um filme interessante, isto não é sofrimento, mas o prazer de desconexão com a coisa principal. Além disso, eu gosto não só de prazeres animais, mas além disso, estou desconectado da espiritualidade.

Mas, então, a falta de sentido na minha vida de novo me faz lembrar de sua existência, e eu começo a voltar. Eu volto ao grupo novamente, ouço os amigos, e anulo-me a eles por falta de escolha, até que novamente começam a influenciar-me com a importância do Criador, a importância da meta. Eles lavam o meu cérebro com propaganda descarada que é misturada com uma mentira, mas eu intencionalmente passo por tudo isso e, eventualmente, o objetivo torna-se importante para mim.

Então eu recebo com amor tudo que eu experimento: o esquecimento, o prazer do cinema, e da descida do valor da espiritualidade nos meus olhos. Se eu quero ou não, isso vem do Criador e eu tive que passar por isso, a fim de ser corrigido.

Agora eu começo a recolher dentro de mim outros sofrimentos, tormentos do amor, porque eu, como se quiser alcançar a adesão e conexão, mas, eu não tenho sofrimento por isso, ainda não estou arrependido por não estar lá, eu não tenho uma deficiência, ou mesmo a ausência de deficiência. Eu só tenho um botão pequeno de alguma coisa, e desta grande distância, começo o caminho.

A questão que se coloca é: o que estou eu a sofrer? Que o Criador, por assim dizer, está rejeitando e atirando-me para fora? Ou que eu ainda não alcançei o objetivo? E aqui o principal é preocupar-me que o meu sofrimento seja sempre doce. Porque o que quer que aconteça, eu recebo tudo do Criador e, portanto, cada estado tem de ser justificado e junto à meta, onde todas estas situações receberão adoçante e correção.

Baal HaSulam escreve na Carta 5: Eu estou feliz por essas corrupções reveladas e as que estão a ser reveladas. O quanto eu reclame e lamente as corrupções que ainda não foram reveladas, e serão reveladas, porque a corrupção que está escondida está perdida, e uma grande salvação do Céu é sua revelação.

Da 4ª parte da Lição Diária da Cabala 23/01/13, Shamati # 9

Esforços A Cada Minuto

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante os workshops e aulas na Convenção de Arava foi a primeira vez que fui premiado com um forte ódio pelo grupo. É difícil superar. Como posso trabalhar com isso: através do trabalho nos intervalos entre as Convenções ou no trabalho durante as Convenções? Em outras palavras, quando nos deparamos com isso numa Convenção, podemos superá-lo por meio do nosso trabalho entre as Convenções, e deve haver um esforço constante para controlar a si mesmo?

Resposta: O esforço deve ser no lugar certo. Você precisa se ​​preparar para as quedas com antecedência. Não há nada de errado com elas. Pelo contrário, você precisa se deparar com esses estados com alegria, apesar do fato de sentir: “Como pode ser? Eu não quero isso!”. Esta luta interna é muito boa e essencial.

De qualquer forma, não tente remover ou apagar isso, mas também não se debruce sobre isso internamente, não se culpe, mas supere-o corretamente. Isso deve ser entendido, apesar do sentimento de ódio, que o Criador enviou para que eu reconheça o meu egoísmo, o quanto mais ele é revelado em mim agora, e é por isso que, em vez de amor e concordância com o grupo, eu sinto ódio; eu devo superá-lo e pedir ao Criador para me ajudar. Não tente se elevar e sair do inferno em que se encontra por si mesmo, mas peça ao Criador para ajudar você a sair disso junto com Ele. Então você vai ter algum contato com Ele. É por isso que Ele organizou esta queda para você.

Nós precisamos nos preparar para as quedas. Nossos workshops são uma preparação especialmente boa para elas.

Da Lição Virtual 20/01/13

Deslizar Sobre As Ondas Do Desejo

Dr. Michael LaitmanOlhando para a criação como um todo, em cada objeto e parte dela, nós podemos reconhecer uma medida do desejo: desejo de preservar a si mesmo, suas propriedades, seu estado. Isso vale para qualquer parte da natureza inanimada, animal, vegetal e humana. Cada uma se caracteriza por determinado grau de desejo, já que o desejo foi a única coisa criada. De nossa parte, nós só adicionamos a ele quando temos a chance de trabalhar acima dele.

Nos níveis inanimado, vegetal e animal, nós vivemos dentro do desejo e não entendemos como isso pode ser mudado em altura, tamanho e aplicação. Por outro lado, o nível humano numa pessoa adquire a capacidade de compreender isso, começar a querer mudar, e aplicar o desejo de uma forma diferente, e esta capacidade de modificar a aplicação e realização do desejo não nos deixa descansar.

Nós vemos como as pessoas vivem hoje: a sociedade dita o tamanho e a natureza do seu desejo. Como soldados, elas lutam para executar as ordens que recebem. Afinal de contas, elas recebem uma impressão que é para seu próprio bem. No entanto, aqueles que recebem uma necessidade adicional para agir acima da sua natureza, acima do seu desejo, que é, de fato, toda a matéria da natureza, são privados de descanso. Eles querem aprender, desejam saber como a matéria, a natureza, pode ser empregada, como se redirecionar e “implantar”, de modo a conseguir algo acima da natureza. Esta é uma abordagem totalmente diferente: não estar dentro da natureza, mas espcialmente acima dela.

Isto é o que a ciência da Cabalá ensina: a usar o desejo sem viver nele, mas acima dele, a fim de continuar buscando a realidade superior. “Superior” significa acima do desejo, acima da matéria da criação. Nós temos que aprender como governar o desejo, para permanecer acima dele sem descer até o fundo, mas, sim, ir com as ondas e usando o sopro do vento, o “espírito” soprando sobre o mar. Nós precisamos viver com algo que está acima dessas “profundezas”, soprar o ar, inflar as velas com o vento e usar a água apenas para deslizar sobre a sua superfície.

Isso é o que nós gradualmente aprendemos neste estudo. Nós aprendemos a usar a nossa natureza, a matéria do desejo, para controlá-lo de fora de nós mesmos, para restringir e transformá-lo na direção desejada, para verificar e modificá-lo, não como a nossa natureza dita, mas como nós escolhemos. Esta capacidade nós podemos obter com a ajuda da ciência da Cabalá, estudando os sistemas que temos que conhecer e, como um todo, o sistema dos mundos, os 125 degraus de mudanças, de calibração do desejo. Nós descobrimos como usá-lo a cada passo do caminho, a fim de conseguir algo acima dele.

Além disso, acima dele, nós alcançamos o grau da força superior que criou este desejo onde toda a humanidade vive. Nós usamos a matéria do desejo apenas para “subir” acima dele e formar para nós um espírito, equivalente à força superior. Este é o equivalente espiritual chamado de “Humano” (Adão).

Assim, nós temos que usar a própria matéria e a força que a criou; nós construímos a nós mesmos a partir de ambas. Esta é a forma como uma pessoa se torna independente da matéria (desejo) e da força (Criador) que criou este desejo, e fica em pé sozinha. Agora, ela é composta de matéria e espírito, mas na forma que encontrou por si mesma e escolheu livremente.

Isto é o que a nossa meta significa, e nós não descansaremos até alcançá-la. É assim que somos feitos. Alguns irão escolher este caminho por necessidade, como simples operários. No entanto, eles terão que entender sua tarefa, embora não em graus elevados, não no nível da raiz causal da criação. Eles vão nos seguir, enquanto que nós não descansaremos até alcançar a equivalência que devemos criar por conta própria, a imagem do Homem, livre tanto da criação como do Criador. Do Criador, nós só aprendemos a construir a nós mesmos à Sua semelhança, mas o Criador não nos obriga a isso. Pelo contrário, é a evolução independente que nos permite perceber que Sua forma é a mais correta, a melhor, mais desejável e profunda.

No entanto, nós não aceitamos a importância dessa forma automaticamente, mas sim, trabalhamos por meio da “fé acima da razão”, nos desconectamos das condições de nossa matéria e da força superior, e nesta desconexão de tudo, atingimos o valor da propriedade de doação, que é o maior que existe.

Essas coisas vão se desdobrar em nós mais tarde, mas por agora elas já devem estar nos dando um pouco de importância e compreensão do trabalho que nos obriga a subir constantemente acima do mundano. Nós buscamos prazer, além de conhecimento, hábitos e todos os tipos de valores que foram plantados em nós. Nós nos esforçamos para subir tão alto quanto possível e desfrutar de mudanças, mesmo que isso não seja muito agradável para a nossa matéria.

Nós simplesmente precisamos nos ​​acostumar a isso. A espiritualidade, ou a nova forma, por meio de pequenas ações, frequentemente nos puxa cada vez mais alto, mais e mais. E a espiritualidade deve ser algo que nós desejamos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/01/13, Shamati # 213

Ajude-Me A Doar Contra A Minha Vontade

Dr. Michael LaitmanSe a pessoa pretende doar aos outros sem qualquer resistência, não contra a sua vontade, então é o mesmo como o mundo inteiro faz, à medida que é aceito entre diferentes crenças e religiões fanáticas.

Existem muitas instituições de caridade que ajudam pessoas em hospitais e em outras situações difíceis. Seus desejos são coerentes com suas ações, e, portanto, é chamado “doação” apenas em ação. Afinal de contas, a ação, a intenção e o desejo estão todos numa direção, sem encontrar qualquer resistência interna. Assim, a pessoa está em alto astral, sentindo-se bem, pois acredita que recebe uma recompensa neste mundo e no próximo mundo.

No entanto, nós agimos contra o nosso desejo natural e sentimos a resistência interna, pois não queremos doar e amar os outros. Primeiro, nós descobrimos um espaço vazio dentro de nós, e não sentimos qualquer inclinação, atração ou conexão em relação à doação. Mas quando nós começamos a trabalhar nos elevando acima de tudo, nós saimos para o espaço espiritual.

Este tipo de trabalho realmente dá frutos. Ele não nos entorpece como na abordagem fanática, uma vez que há uma diferença entre recepção e doação. Afinal, o nosso desejo interno deve receber de acordo com a nossa natureza, mas se subirmos acima deste desejo natural e ansiarmos pela doação, procurando um ambiente, uma sociedade, que nos ajude a construir este atributo dentro de nós, seremos obrigados a atrair a força do Criador que nos ajudará a nos tornar doadores acima do nosso desejo egoísta.

Portanto, nós precisamos de um ambiente que precise do Criador, pois caso contrário não seremos capazes de estabelecer a doação acima da recepção. Então, nós seremos capazes de construir o espaço interior dentro de nós que será preenchido com a Luz, e nele vamos começar a sentir e compreender toda a realidade espiritual superior.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 22/01/13, Escritos do Rabash

Devoção À Natureza Oposta

Dr. Michael LaitmanA devoção é exigida de nós ao longo do caminho; nós somos obrigados a nos anular, para “assumir o fardo do Céu”, que significa devoção.

Nós vemos qualidades semelhantes nos animais: se algo de ruim acontece com seu dono, ou se o seu dono tem um problema, o cão sente isso e é muito dedicado a ele. Essa é a mesma devoção que falamos aqui, ou não?

Qual é a diferença entre a devoção nos níveis da natureza inanimada, vegetal e animal, e o nível “falante”? O escravo se acostuma com seu dono, sente a sua dependência dele e é dedicado a ele, como um cão. De que maneira ele é diferente de um servo do Criador?

Ser escravizado ao Criador é devoção a uma natureza que é oposta à natureza da pessoa. Eu estou num estado de submissão e auto-anulação, entre dois polos que se dividiram. Dentro de mim, há meu desejo de receber, e nele, eu sinto meu ego, reivindicações de diferentes problemas e decepções. Eu sinto tudo isso e não os anulo, eles vivem dentro de mim, mas, acima de tudo isso, eu gradualmente adquiro o reconhecimento e a devoção espiritual, entendimento opostos à minha propriedade egoísta.

A diferença entre estas duas formas da natureza que estão dentro de mim é clara, compreensível e familiar. Minha devoção sobe acima da minha razão e quanto maior o desejo, mais alto eu subo acima dele. De maneira oposta, a diferença, a tensão, a distância entre a natureza egoísta e a natureza altruísta, entre a intenção de receber e a intenção de doar, para mim ou para o Criador, a diferença entre esses dois polos, cresce cada vez mais.

Diz-se: “Aquele que é maior do que seu amigo, seu desejo é ainda maior” e “uma pessoa não pode cumprir uma Mitzva, a menos que tenha falhado em cumpri-la antes”. Isso significa que temos que cair e sentir uma maior profundidade do nosso ego, da inclinação ao mal, da cobra, e só a partir daí podemos subir para níveis mais elevados de desprendimento e devoção completa.

Estes dois pontos se não anulam. Em vez disso, nós podemos preencher a distância entre eles com o reconhecimento, a compreensão e o nosso amor que se eleva acima do ódio: “O amor cobrirá todas as transgressões”. Esta é a diferença entre a nossa devoção espiritual e a devoção religiosa.

A religião exige que o indivíduo siga com os olhos fechados, e quanto menos ele entende, mais devotado é o crente. Ele faz tudo o que lhe é dito, sem tentar entender. Quanto menos dúvidas ele tem, com mais certeza avança com a bandeira na mão e o olhar fanático no rosto, mais respeitável ele é considerado.

Na sabedoria da Cabalá, no entanto, é a dúvida, a confusão, os diferentes problemas e esclarecimentos internos que geram discernimentos ricos, pensamentos e ideias internas. Eles são todos opostos ao Criador e o trabalho para doar, mas acima deles, a pessoa constrói sua devoção, pois graças a eles, ela pode entender e sentir.

Baseado nisso, ela constrói o entendimento e o sentimento, percebe o mundo de uma ponta à outra nas duas formas, em todos os sentimentos e entendimentos possíveis. Ela não tem uma perspectiva estreita e não avança com os olhos fechados, mas reconhece totalmente o ego e assim constrói sua atitude em relação ao atributo de doação, compreendendo a propriedade do Criador.

Ela eleva o atributo de doação acima do atributo de recepção. De forma independente e consciente, ela consente em se entregar para servir e amar. Isto se torna seu Criador.

Da Preparação para Lição Diária de Cabalá 22/01/13

Preparar-se Para A Próxima Subida Agora!

Dr. Michael LaitmanNós temos que respeitar o sentimento de impotência, escuridão, indefinição e confusão. Diz-se: “Respeite os filhos dos pobres, visto que a Torá virá deles”. São esses pobres que não têm nada, que sentem um vazio crescente em seus corações e mentes, que são incapazes de se concentrar e encontrar o seu caminho em torno destes estados, que estão preparando seus vasos onde irão receber a Torá, a Luz que revela a eles todos os discernimentos espirituais.

Portanto, o principal é se acostumar a estudar na escuridão e na luz. Isto é simbolizado na tradição dos Cabalistas de iniciar seus estudos à meia-noite. Isso é o que os Cabalistas fizeram ao longo dos tempos, e até mesmo rei David costumava se levantar à meia-noite para “despertar a aurora”. É porque à meia-noite o Zivug (acoplamento) de Aba ve Ima superior começa, a fim de despertar os vasos para receber a Luz.

Se a pessoa quer alcançar a Luz, o estado é chamado de “dia”. Ela tem que tentar e despertar os vasos para receber a Luz em seu estado mais baixo e mais escuro, quando está “dormindo” e não sente a si mesma.

Nós ainda não percebemos esses discernimentos, mas logo aprenderemos como discerni-los, a fim de ver tudo na escuridão e na Luz, e saber como usar cada estado de forma mais clara e mais consciente. O principal ponto agora, após a subida atingida na Convenção, é não deixar o trabalho em tais ocasiões, que não são realmente compreendidas, não são agradáveis, e não nos satisfazem.

Esses tempos surgem para que possamos enfrentá-los, e apesar da sensação de peso nos nossos desejos egoístas, que não entendem a escuridão, nós permaneceremos em conexão e ascensão e, assim, construiremos os vasos para a próxima subida.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 22/01/13

As Portas Estão Se Abrindo Para Todos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é a relação entre quantidade e qualidade de um Congresso? Quando há mais de nós, como isso se reflete na qualidade?

Resposta: Hoje, considerando o estado em que o mundo se encontra e o que se expões diante de nós, é nosso dever admitir a todos e nesta ampla audiência nos preservar como o núcleo. Nós precisamos dos dois fatores juntos.

Não podemos botar para fora aqueles que não frequentam as aulas diariamente, não pagam Maaser, e assim por diante. O Congresso não será mais poderoso por causa disso. Nós devemos ser guiados pelo que a natureza nos demonstra. O Criador abre as portas para todos, embora o público não esteja com pressa de entrar. Eu espero que no próximo ano, as pessoas possam “digerir” e entender os acontecimentos dos últimos anos, incluindo a crise, o desespero e o resto. Leva tempo: uma pessoa lê algo, ouve sobre algo e, pouco a pouco, isso se instala nela até que ela vê como o mundo se torna “mais frio”, e “se dissipa” sem mais para oferecer.

Eu espero que neste ano, juntamente com a disseminação mais ampla, sejamos capazes de realizar algo…

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/01/13, Shamati 213

A Porta Para O Território Do Criador

Dr. Michael LaitmanA coisa mais incomum na sabedoria da Cabalá ocorre quando um iniciante ouve a mensagem sobre “amor, união e inclusão mútua”, que é totalmente contrária aos nossos desejos naturais. No início, a Cabalá nos parece uma ciência convencional, dura: “Eu quero entender o sistema, estudar fenômenos por trás da fachada da natureza, compreender a força superior e os princípios do seu trabalho, aprender as leis do universo e encontrar as causas ocultas da história…”. Em outras palavras, a pessoa tende a estudar fórmulas concretas, e, em seguida, ela descobre que é tudo sobre o amor.

Há alguém que aborda seriamente este assunto? Hollywood? Pessoas sérias estão sentadas em Wall Street, enquanto que o amor é um domínio para companheiros estranhos e “boêmios…”.

Demora muito tempo para começar a entender a mensagem do amor. Levam-se anos para fazer essa informação “mergulhar sob a pele” e atingir o coração. Nosso egoísmo não está disposto a aceitar coisas como o amor, nem permite a mensagem de que somente através da união nós revelamos uma nova realidade e que somente devido ao amor que nós subimos ao nosso estado mais elevado, nos tornamos mais bondosos e revelamos novos mundos. Nossa experiência material não fornece todos os exemplos acima, nem prova estas declarações de forma alguma.

Algumas pessoas são mais propensas a aceitar essas ideias; para outras, essa mensagem é realmente difícil de apreender. Depende da disponibilidade de nossas almas e da “profundidade” do desejo (Aviut). Isso também requer persistência, diligência e uma sensação de absoluta necessidade para atingir esse estado. Se ambos os fatores, uma forte rejeição e uma atração irresistível, nos obrigam a permanecer no nosso caminho, a qualquer preço, então, mesmo antes de chegarmos ao amor, ainda descobrimos que tudo depende de nossas qualidades. A Luz superior nos influencia e provoca várias impressões em nós; assim, nós começamos a perceber que nossas mudanças internas fecham ou abrem a imagem do mundo superior para nós.

Algo “clica” dentro de nós e começamos a ver muito mais e ter sensações mais aguçadas do que nunca. Nós continuamos penetrando a estrutura da realidade; nós adquirimos uma compreensão mais clara e mais ampla dela… Tudo depende do nosso coração. É o lugar onde podemos sentir e distinguir entre tudo e todos  o que está dentro do campo de nossa visão e sensações.

Em seguida, fecha-se a “porta”, como se uma nuvem negra descesse sobre nossos sentimentos e intelecto, e agora novamente, nós paramos de compreender e sentir qualquer coisa, como se estivéssemos andando num sonho e dificilmente conseguíssemos lidar com nossas responsabilidades. O tempo passa, a porta se abre novamente e, em seguida, ela se fecha novamente. Assim, gradualmente, nós começamos a perceber que tudo depende do nível de abertura ou fechamento de nossa mente e sentidos.

Então, nós penetramos mais fundo no núcleo do mecanismo que fecha e abre as portas. Depois de passar por todos esses estados muitas vezes, nós percebemos que a “porta” nos leva não apenas para algum lugar fora de nós, mas para os outros. Quando nos sentimos extremamente perto deles, nossos olhos e ouvidos se abrem e avançamos. Quando estamos longe deles, tudo se fecha.

Esta é a maneira que a Luz nos afeta, formando gradualmente a conexão entre nossos sentimentos e mente, e pela construção de nossa atitude para com os nossos amigos, adicionando mais cuidado mútuo, sensações de aprofundamento e abertura para o outro, tornando-nos familiarizados com o mundo superior e o estado superior. Nesta fase, a pessoa percebe que este mundo não é um lugar nas nuvens, nem que está atrás do horizonte, mas que está concretamente em nossas sensações: quanto mais nos abrimos aos outros, mais alto podemos subir.

Gradualmente, nos aproximamos dos “limites” e começamos a distinguir os detalhes do nosso desejo de receber. Nós o separamos em etapas e níveis; em vista disso, construímos os desejos perto da mente.

Isso leva tempo. Nós temos que nos incluir no grupo tanto quanto pudermos; literalmente “nos atiramos” no grupo como no mar; “nos perdemos” nele, nos dissolvemos em nossos amigos. Devido a este tipo de “auto-aniquilação”, a pessoa se “impregna” nos outros e percebe que “não importa o que conseguimos com esta conexão e inclusão mútua”. Tudo o que vem de nossos amigos é o território do Criador. Tudo o que está em mim é o território da inclinação ao mal, o “anjo da morte”.

Quando ela percebe tudo isso, surge a exigência de “amar os amigos”. Ela sente que precisa deles e se esforça para se relacionar com eles como se estivesse muito perto deles, como uma mãe que abraça permanentemente seus filhos internamente, a fim de protegê-los do perigo.

A partir de agora, fica muito mais fácil avançar, pois a pessoa já construiu seu caminho corretamente: ela já sabe que tudo está dentro dela, dentro de suas sensações, em sua atitude para com seus amigos e próximos, que na verdade são as partes de sua alma. Ela entende que, em vez de ver a externalidade na forma da natureza inanimada, vegetal e animal, ela tem que observar detalhes “externos” que são produzidos pela sua mente e sentidos, como algo que pertence a ela, mas que ao mesmo tempo está separado por uma “nuvem” e “poeira” que cobrem a sua percepção do mundo. Isso significa que ela deve retornar a uma imagem clara, mesmo que haja uma confusão criada pela inclinação ao mal; ela tende a se fundir com a imagem correta do mundo e se torna uma sensação unificada e intelecto.

Esta é a essência do nosso trabalho. Se conseguirmos fazê-lo, subiremos gradualmente a escada dos mundos. Conforme a nossa capacidade de retornar nossas partes “externas”, nós as sentimos como sendo preenchidas com a Luz superior.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/01/13, “Amor dos Amigos”