Textos na Categoria 'Torá'

A Bíblia Não É O Que Você Pensava Que Era…

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é a Bíblia? Eu não encontrei nada de sobrenatural nela. Embora a ideia do livro seja bastante original!

Resposta: Este livro não precisa da aprovação de ninguém. O personagem principal do livro é o Criador. O tema principal é a condição sob a qual nós podemos nos “reconciliar” com o Criador, ou seja, achar o caminho para um reino superior antes de morrermos, durante esta vida, uma vez que conseguirmos alcançar pelo menos uma mínima semelhança com o Criador.

Nós atingimos o reino superior sensualmente e ainda permanecemos fisicamente neste mundo. O espaço se expande.

Conforme a sua capacidade de implementar o princípio do “ama o próximo”, a pessoa adquire a semelhança com o Criador e O revela. No final, a nossa percepção desse mundo muda drasticamente, e nós percebemos múltiplas camadas, infinidade e atemporalidade.

Mostrando Ao Mundo Nossas Faces Brilhantes

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como uma pessoa pode fugir do caminho espiritual se o seu ponto no coração a atrai para isso?

Resposta: Toda a geração que saiu do Egito tem que morrer, e somente aqueles que nascem no deserto alcançam a terra de Israel. Nem todos eles morrem ou  nascem como novas pessoas quando chegam ao ponto de Bina.

Nascer como um novo povo expõe os pontos no coração à Luz de modo que dela surja uma imagem completa do homem que se assemelha ao Criador. Todos os outros morrerão, o que significa todos os outros atributos numa pessoa. É como vemos em nosso mundo quando mil entram numa sala e apenas um sai como professor.

Pergunta: Agora, quando nos envolvemos na disseminação, não esperamos que esse ponto seja revelado na pessoa, mas realmente começamos a despertá-lo nela. Em sua opinião, essa maneira um tanto agressiva é justificada?

Resposta: Eu não acho que sejamos agressivos, porque a nossa principal motivação não é impor nosso método a ninguém, mas identificar-se com o seu sofrimento, suas deficiências e seus sonhos não realizados. Nós sentimos pena e nos identificamos com ele e começamos a perceber que a dor e as deficiências que ele sente são o resultado de seu desamparo e desesperança.

Ele não admite, mas nós começamos a confessar: “Não há segurança suficiente no meu ambiente. Olhe para o que acontece comigo, meus filhos, meus netos. O que está acontecendo com o clima”. Ele reclama de falta de energia, escassez de água, sobre as grandes contas de serviços públicos que tem que pagar, etc. Ele não esquece a política local, política global, e tudo o que está no noticiário, embora isso não lhe diga respeito.

Se levarmos tudo isso em conta, temos a sensação de inutilidade, desespero, vazio e falta de propósito que são inconscientemente expressos como reclamações sobre tudo. Parece que se ele aceitar isso, tudo dará certo, mas se ele receber uma meta e ouvir que nada acaba, que tudo tem um objetivo e que tudo ficará bem, essa meta cobrirá todas as suas queixas.

As pessoas não morrem de fome, é claro, mas são privadas das coisas mais básicas. Nós vemos que é impossível corrigir alguma coisa, a menos que corrijamos a nós mesmos e comecemos a nos conectar e a pensar no outro. Afinal de contas, há um excesso de tudo o que precisamos no mundo, mas, ao mesmo tempo, em alguns países, metade de sua população está morrendo de fome, e a única razão é que não estamos conectados.

Não devemos nos acalmar e dizer que tudo isso será ajustado de alguma forma. Isso não pode ser! Esta é a razão por que o nosso contato com o mundo de hoje tornou-se tão vital.

A principal coisa é que a crise é agora evidente em cada aspecto da vida. Eu vejo o quão ela é profunda e é uma sensação muito desagradável, porque se olharmos para as coisas objetivamente, é como um tsunami que se aproxima e está ameaçando eliminar todos nós. Portanto, ou enfrentaremos aflições terríveis que forçarão todos nós a nos corrigir ou prevenimos esses sofrimentos com nossas explicações que levam as pessoas a começar a se corrigir perante os problemas que chegam. Os animais podem sentir um tsunami se aproximando e escapar com antecedência, mas o nosso ego não nos deixa sentir um desastre se aproximando com antecedência e nos engana sussurrando-nos que está tudo bem!

Os animais não podem sobreviver dessa maneira. Nós estamos numa situação pior, porque estamos desconectados da natureza. A fim de nos fundirmos com a natureza, temos que estar no atributo de doação e equilibrar nosso egoísmo através desse atributo. Só então ascenderemos ao nível de Moisés e seremos capazes de falar com o Criador.

Se nos conectarmos com a natureza, seremos capazes de resolver corretamente todos os nossos problemas e avançar à bondade. Caso contrário, o nosso ego continuará a nos confundir. Nós estamos destruindo a nossa vida, e a situação está realmente se tornando ameaçadora. Eu não estou tentando assustar ninguém; todo mundo já sabe tudo isso. As pessoas têm simplesmente se acostumado com a ideia de que uma guerra pode irromper e haverá problemas, aniquilação e morte. Nós nos tornamos apáticos: vamos viver pacificamente hoje, e o que vier amanhã, não importa. O mundo está num estado de desamparo absoluto e as pessoas não podem fazer nada com suas vidas, com a humanidade, com tudo o que temos feito e causado.

Nunca na história da humanidade as pessoas relutaram em ter filhos ou em pensar e se preocupar com eles, e nunca as crianças deixaram seus pais e viajaram para muito longe deles. Mas, por outro lado, vemos também o outro extremo hoje, quando adultos infantis (30-40 anos de idade) vivem com os seus pais e não têm a intenção de ter uma família própria.

Nós chegamos à última fase do desenvolvimento do egoísmo que já necessita correção. Portanto, chegou a hora de dizermos ao mundo inteiro que temos as duas tábuas de pedra com os Dez Mandamentos em nossas mãos. Vamos levantar um pouco a máscara de ferro e expor nossas faces brilhantes para todos.

A Revelação Do Egito

Laitman_155Quando Abraão reuniu o seu grupo, ele disse aos babilônios, “Quem for pelo Senhor, [deixe-o vir] a mim!” Essa foi, de fato, a sua mensagem. Ele não buscou aqueles que simplesmente não estavam felizes com esse mundo, mas as pessoas que compreendiam e sentiam que a coisa mais importante era a ascensão espiritual: a subida acima do egoísmo e a busca ela força superior. O chamado de Abraão foi para aqueles que queriam revelar o Criador.

Cerca de cinco mil pessoas responderam a esse chamado. Elas foram atraídas pela sua ideia, seu objetivo, e os meios para alcançar a meta era a unidade.

Abraão atraiu homens para o seu lado, e Sarah, mulheres, e juntos eles trabalharam no “proselitismo”. Em outras palavras, seus alunos receberam orientação sobre a forma como deveriam trabalhar em prol de dar, e trabalhar em conjunto, sobre a conexão entre eles, porque sem conexão, eles não receberiam a Luz Superior. Esse grupo se tornou a casa de Abraão, uma família com a qual ele deixou a Babilônia e chegou à terra de Canaã.

Muitas coisas aconteceram ao longo desse caminho espiritual. O grupo foi formado, e sua estrutura tornou-se mais clara. Parte dos desejos não foram mais usadas ​​e morreram, e outros nasceram e se desenvolveram. Assim, eles avançaram até o tempo de Jacá, a linha do meio, quando os problemas de uma nova qualidade foram revelados.

Os filhos de Israel tiveram que descobrir uma deficiência pelo Egito, que se revela na linha do meio de Jacó. Um de seus filhos, José, começou a sentir o estado de grandeza (Gadlut) dentro dele e foi combatido por seus irmãos. Ele não podia mais se dar bem com eles ou morar com eles, uma vez que sentia que o Aviut (espessura) das camadas mais profundas do desejo estava faltando aqui, e que, sem isso, não poderia realizar-se. Os irmãos não o entendiam, e ele precisava do Faraó na época. José é o resultado de Abraão, que pediu ao Criador: “Ó Senhor Deus, como eu saberei que vou herdá-la?” Na verdade, foi José quem conseguiu se conectar a esse grande desejo de receber e anexá-lo a Israel no estado de grandeza, no anseio de Yashar El (direto ao Criador).

Assim, eles precisavam da Torá, o método que permite que todos compreendam claramente e sintam Faraó dentro deles, a fim de continuar esse trabalho a fim de doar para que eles pudessem conscientemente atrair a Luz que Corrige sobre eles. Estas são novas fases do trabalho espiritual que são cada vez mais intensas, mas o estilo permanece o mesmo: conectar, atrair a Luz que Reforma, e, depois, conectar e atrair a Luz novamente, e, assim, sucessivamente. É assim que avançamos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 07/10/13, Escritos do Baal HaSulam

Será Um Dia De Descanso Para Você

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Êxodo” 35:1 – 35:3: Então Moisés convocou toda a congregação dos filhos de Israel, e disse-lhes: “Essas são as palavras que o Senhor ordenou que se cumprissem. Seis dias se trabalhará, mas o sétimo dia vos será santo, o sábado do repouso ao Senhor; todo aquele que nele fizer qualquer trabalho morrerá. Não acendereis fogo em nenhuma das vossas moradas no dia do sábado”.

Inicialmente, nós lidamos com os desejos egoístas de uma pessoa ou sociedade.

A Torá nos diz que tudo o que precisamos fazer é superar o nosso ego e nos reunir acima dele num único conjunto. Portanto, essa Parasha (porção da Torá) é chamada de “VaYikahel” (reuniu).

Ela fala sobre a reunião de todas as partes separadas, distantes e hostis da alma coletiva, que são encontradas em todos nós e que temos que reunir como um quebra-cabeça, numa única alma.

Através da conexão dessas partes, nós começamos a organizá-las sob a influência da Ohr Makif (Luz Circundante), a característica de doação e amor do Criador. Se tentarmos ser como Ele, na medida dos nossos esforços, Ele vai nos influenciar e ajudar nossa reunião numa conexão integral mútua.

Então veremos como nossas características mútuas criam certo todo, algum tipo de imagem completa, que na sabedoria da Cabalá é chamada de Partzuf, ou seja, um bloco ou estrutura.

Esse Partzuf é composto de Sefirot: Hesed, Gevura, Tiferet, Netzach, Hod, Yesod, Malchut. Nas primeiras seis Sefirot, que simbolizam os seis dias da semana, nós precisamos trabalhar na reunião das partes separadas da alma. Se conseguirmos isso, a Luz terminará a reunião completa, trabalhando em nossos esforços ao longo dos seis dias de trabalho. Então não precisamos fazer mais nada, uma vez que no sétimo dia o nosso trabalho está terminado.

Nós possibilitamos que Luz termine essa soldagem entre nós, na qual a unidade completa da alma emerge das partes separadas que se reuniram.

Nós terminamos uma semana, e começamos uma nova semana. Uma parte e depois outra parte é recolhida, e, dessa forma, nós reunimos toda a nossa alma comum. Dentro de um determinado número de ações como essas, nós alcançarmos a reunião espiritual de todas as partes tornando-se uma unidade completa, à semelhança de Adam (homem), o qual significa Domeh (semelhante ao Criador). Com isso, nós alcançamos a correção completa da humanidade, a qual temos que alcançar.

Portanto o Shabat é o dia mais sagrado, pois nesse dia a Luz age, influencia os nossos esforços, e os termina. É como se ao longo dos seis dias nós criássemos o trabalho a ser feito, e no sétimo dia a Luz o realiza.

Se no sétimo dia nós continuarmos esse trabalho, é como se estivéssemos felizes com essa quebra da alma de Adão, porque estamos tentando fazer o trabalho em vez da Luz. Essa é a maior violação de todo o sistema de correção.

Em geral, nós fazemos parte do trabalho e a Luz faz parte do trabalho. Se nós mesmos fazemos todo o trabalho, estamos adicionando ainda maior destruição no sistema e até mesmo rejeitando mais fortemente a reciprocidade de todas as partes que se reuniram durante a semana. Geralmente, é preferível não fazer nada do que reunir toda a semana e continuar isso mesmo no sétimo dia. Desta forma, nós negaríamos todo o método de correção do sistema e todo o seu progresso.

Assim, antes do sétimo dia, é necessário terminar os nossos esforços, o que significa que vamos parar no sexto dia e possibilitar que a Luz solde todas as partes, juntando-as. É dito: “Será um dia de descanso para você”. Basicamente, a pessoa está fazendo um trabalho e não apenas descansando. Nesse momento, nós finalmente sentimos a unidade gradual de todas as seis partes num todo geral e terminamos a correção do nível espiritual atual. Depois disso, nós corrigimos o próximo nível e o próximo, e assim por diante, semana após semana.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 10/10/13

De Modo A Não Permanecer Um Pedaço De Ego

Dr. Michael LaitmanO mundo inteiro é um estado egoísta da matéria. Tudo o que está nos níveis inanimado, vegetal e animal só existe a fim de se preservar da melhor maneira possível.

Na matéria humana isso é ainda mais exagerado, visto que eu quero me manter na melhor forma possível em comparação com o resto do ambiente dos níveis inanimado, vegetal, animal e humano. Eu tenho que estar no estado mais confortável para que todo o universo se envolva em servir ao meu ego. Essa é a inclinação natural de uma pessoa. Se pudéssemos apenas ver como nos restringimos internamente só porque não queremos sofrer. Eu me pergunto por que eu deveria me torturar só porque não sou Einstein ou Picasso. Eu não quero sentir pena como se estivesse cortando uma parte de mim, aceitando que não serei um Tolstoy ou Shakespeare…

O ego tem uma reação defensiva para cada desejo que não é cumprido, mas sempre que posso, eu quero agarrar e dominar tudo para o meu próprio benefício. Essa é a nossa natureza; a pessoa está pronta para engolir o mundo inteiro.

Nós não podemos mudar nossa natureza por nós mesmos. Ela foi criada e é mantida em nós e em todo o universo, graças a uma força chamada a Luz. Essa força é invisível e não é sentida de forma alguma por nossos sentidos, pois constantemente cria, desenvolve e sustenta o ego.

Mas dentro do ego, há um ponto separado que não pertence a ele, um ponto que analisa o egoísmo. A Luz que age sobre o ego também afeta esse ponto. Ele começa a se desenvolver e a sentir onde está, perguntando-se: “Eu estou em algum tipo de natureza? Quem sou eu? Onde estou?”.

Se esse ponto se desenvolve seriamente numa pessoa (na verdade esse ponto existe em todos nós, em alguns mais e em outros menos), ela começa a se perguntar: “Para que serve isso, por que, e de onde? Por que eu fui criada? Eu fui criada para sofrer? Se assim for, eu os amaldiçoo como a fonte que me condenou a tal existência. Se for por outro propósito, o que é ele exatamente? Eu exijo uma explicação de Você!”.

Quando a pessoa exige uma explicação da Luz (o Criador), ela entra em contato com essa Luz através do ponto no coração, porque esse ponto é o homem e tudo o mais existe no estado animal.

O que realmente pode me interessar? Pode ser minha própria natureza e como eu existo dentro dela no máximo de conforto durante vários anos e faço o mínimo de esforço possível e recebo tanto prazer quanto possível. Ou, eu anseio por minha raiz, por minha fonte, perguntando: “Quem és Tu, que me criou e me gere?” Essa é a mais alta forma de anseio no dipolo do ego e do ponto que pode se desenvolver dentro dele.

No momento em que o ponto no coração começa a se desenvolver, ele pode receber imediatamente o seu método não egoísta de desenvolvimento que se realiza apenas sob a influência da Luz superior. Se é isso que eu quero, que ele venha a mim com mais frequência, para ter maior influência sobre mim, isso é revelado a mim na minha razão, compreensão e sentimentos, em suas metas e planos para mim, porque essa é a fonte de poder, informações: tudo.

Isso é realmente o que o ponto no coração ou o ser humano em mim exige. Então eu recebo a Torá e começo a trabalhar com ela. Qualquer um em quem essa inclinação é invocada deve valorizá-la e verdadeiramente temer que ela possa desaparecer e que ele continuará a ser um pedaço de pedra do ego ou da besta.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 30/09/14

Quem Pode Passar Através Das Nuvens De Glória?

As nuvens de honra são a Luz Circundante geral (Ohr Makif) que sustenta toda a nação em certo nível de doação e amor, conexão mútua, e santidade.

É natural que a parte da nação chamada Erev Rav (multidão mista) seria mantida externamente a ela, uma vez que ansiava por servir ao redor e dentro do Tabernáculo, mas apenas para seu próprio bem e assim eles continuamente agarravam-se à fonte espiritual, para si mesmos.

Até o dia de hoje esta parte da nação tem os mesmos atributos e toda a sua vida é baseada em pequenos furtos espirituais. Esta é a razão porque eles não podem passar através das nuvens de glória que os mantêm longe, uma vez que as nuvens são o atributo de doação, sacrifício e amor ao próximo. Quando o Erev Rav vê que eles precisam trabalhar para os outros, eles são instantaneamente repelidos por isso e não querem entrar. Então esta é a Masach de proteção (tela).

A pessoa não precisa proteger nada. Ele simplesmente sabe que, se entra por aquela porta, terá automaticamente que pensar apenas nos outros e não sobre si mesmo, não sobre sua família ou qualquer outra coisa! Ele concorda em mudar totalmente sua intenção interna? [Leia mais →]

Processando O Vazio Do Deserto

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números” 1:52 – 1:53: Os filhos de Isarel armarão as suas tendas organizadas segundo as suas divisões, cada um em seu próprio acampamento e junto à sua bandeira. Os Levitas, porém, armarão as suas tendas ao redor do Tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, para que a ira divina não caia sobre a comunidade de Israel. Os Levitas terão a responsabilidade de cuidar do tabernáculo que guarda as tábuas da aliança”.

É dito no Midrash Raba que quando Moisés contou os judeus, dividindo e classificando-os de acordo com as tribos, o Criador ensinou-lhe como se tornar um acampamento e como avançar, o que significa como juntar novamente o vaso quebrado.

Quatro tipos de egoísmo em três linhas compõem as 12 tribos, as 12 partes do vaso espiritual. O vaso quebrado deve ser corrigido unindo todas as partes em um, na medida em que as pessoas avançam no deserto, ou seja, de acordo com a revelação do ego em todos os campos e em cada tribo.

O Criador ensina como a nação deve reunir todos para que cada vez eles absorvam um novo vazio corrompido, processá-lo internamente, e corrigi-lo para o atributo de doação. Esse é o avanço no deserto em 40 anos (níveis). É assim que a parte corrigida de Malchut à Bina deve ser a unidade exata da nação e, assim, concluir a construção de sua conexão com o Criador.

O movimento do acampamento no deserto simboliza o processamento do vazio. Esse é realmente um movimento para frente muito desagradável já que o deserto está cheio de escorpiões e cobras, o sol está queimando, não há nenhuma comida ou água, e todo mundo está coberto de feridas. Em outras palavras, o deserto simboliza o egoísmo ardente e crescente de uma pessoa. As pessoas sentem a conexão entre si como uma ferida que toca outra ferida, e a dor não vai deixá-las se unir. Elas devem subir acima disso, e embora a Luz que vem não cure as feridas, ela as formata num só corpo geral, saudável. A dor e as feridas se transformam num vaso unificado onde o prazer é revelado.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 24/12/14

Os Presentes De Abraão

Dr. Michael LaitmanPergunta: De que forma os métodos espirituais do Oriente são diferentes da sabedoria da Cabalá? Afinal, eles falam aparentemente de coisas semelhantes.

Resposta: Existem 3.800 religiões e crenças do mundo. Todas as principais religiões realmente vieram de Abraão, que viveu na antiga Babilônia perto de 3.500 anos atrás.

Abraão ensinou seu método, ou seja, a sabedoria da Cabalá, a um pequeno grupo que ele chamou de Israel. E ele deu presentes, ou outras formas de fé, para o resto das pessoas. A Torá diz que Abraão deu presentes aos filhos de suas concubinas e enviou-os para o leste, onde todos esses métodos chegaram de volta até nós.

A diferença é que o método de Abraão possui a capacidade de corrigir uma pessoa, algo que não existe em qualquer outro método. A sabedoria da Cabalá nos possibilita atrair a força do bem até nós que está oculta na natureza e que irá corrigir nosso ódio para com o outro em amor. Essa força do bem é adicionada à nossa natureza egoísta e nós nos tornamos portadores de duas forças. A integração dessas duas forças possibilita que trabalhemos com elas, nos desenvolvamos corretamente, e descubramos uma forma adicional de realidade que se encontra fora de nós.

A física moderna fala sobre a existência de uma realidade como essa. Além do universo, o mundo que vemos agora, existem outras formas de realidade. A sabedoria da Cabalá nos possibilita sair para além da estrutura das limitações deste mundo e vejamos mundos superiores. Possibilidades como essa não existem em nenhum outro método, porque eles não contêm a Luz que Corrige. A singularidade da Torá é que ela contém uma força que corrige nossa natureza e nos eleva acima do ego a uma natureza de doação e amor, na medida em que abre os nossos olhos, como é dito: “Você vai ver o seu mundo em sua vida” (Berachot 17a).

Do Programa na Rádio Israelense 103FM, 03/05/15

Sacerdotes E Levitas

laitman_934A Torá, “Números” 1:48 – 1:51: Pois o Senhor tinha dito a Moisés: Não faça o recenseamento da tribo de Levi nem a relacione entre os demais israelitas. Em vez disso, designe os levitas como responsáveis pelo tabernáculo que guarda as tábuas da aliança, por todos os seus utensílios e por tudo o que pertence a ele. Eles transportarão o tabernáculo e todos os seus utensílios; cuidarão dele e acamparão ao seu redor. Sempre que o tabernáculo tiver que ser removido, os levitas o desmontarão e, sempre que tiver que ser armado, os levitas o farão. Qualquer pessoa não autorizada que se aproximar do tabernáculo terá que ser executada.

“Levitas” é o atributo de Bina numa pessoa que é o verdadeiro vaso para receber a Luz Superior, a Shechiná (a revelação do Criador). Esta é a razão deles poderem se aproximar do Tabernáculo. Todos os nossos outros atributos estão proibidos de fazer isso uma vez que quanto mais a pessoa se aproxima do Tabernáculo, mais a Luz é revelada e a pessoa não será capaz de revelá-la em prol da amor e doação, assim como aconteceu com os filhos de Aarão, Nadav e Avihu, que pensavam que já estavam corrigidos.

Pergunta: No que os sacerdotes (Cohanim) e os Levitas se envolvem?

Resposta: Os Cohanim são a personificação do governo espiritual e se envolvem principalmente no trabalho ideológico, enquanto os Levitas ensinam as pessoas. Eles são os professores e guias que trabalham com as massas. O papel dos Cohanim é servir aos Levitas e à nação em prol do Criador. O papel dos Levitas é servir aos Cohanim e à nação em prol do Criador. As pessoas só devem pensar em como ascender a esse nível. Essa é a única coisa com que elas precisam se preocupar.

Os sacerdotes são GAR de Bina e os Levitas são ZAT de Bina e, assim, os Levitas são a parte que doa aos vasos de recepção (ao povo).

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 24/12/14

Os Cálculos Da Nação De Israel

laitman_749_01Em primeiro lugar, quando a família de Jacó foi viver pela primeira vez no Egito, era uma família de 70 pessoas. Tudo o que a Torá nos diz sobre isso ocorre apenas nos níveis espirituais, e todos os cálculos são realizados na intensidade da doação que é sentida entre pessoas que anseiam por conexão. Estes são seus únicos anseios, desejos e ações.

Abraão levou milhares de seus seguidores para a Babilônia em seu tempo, mas 70 ou dezenas de milhares são níveis diferentes de medição. Dezenas de milhares se refere ao número de pessoas, enquanto 70 refere-se à sua intensidade espiritual. Israel é um grande sistema (Partzuf), enquanto Jacó é uma pequena estrutura que contém sete Sefirot de Malchut à Hesed. Sete Sefirot que são multiplicadas por dez níveis em cada Sefira resulta em 70 partes.

Em segundo lugar, de acordo com a Torá, 600.000 homens deixaram o Egito. Estes números indicam que a nação Israelita se multiplicou naturalmente, e a pequena família de Jacó tornou-se uma nação de milhões de almas. Não há nada de anormal nisso já que o Egito é o egoísmo. Quando eu estou em enorme egoísmo, todos os desejos em mim crescem naturalmente, incham e se expandem como resultado do ambiente em que estou.

Quando a nação de Israel entrou pela primeira vez no Egito, era pequena, mas cheia de Luz. O atributo de amor e doação estava entre eles, e a pessoa estava entre eles, a despeito da sua vontade. Durante os primeiros sete anos de saciedade, isso era normal, mas durante os sete anos de fome que se seguem, os egípcios entram em mim e começam a me incomodar internamente, me forçando a ansiar por seus ideais. Eu olho para eles e vejo quão atraente são, como eles começam a viver dentro de mim, como eu os absorvo e não posso me livrar deles.

No entanto, a luta entre os egípcios e os israelitas em mim invoca o sentimento de escravidão no Egito. Até agora, eu ainda não defini meu estado no Egito como escravidão porque não estava sob o domínio espiritual dos egípcios e tudo era normal. Agora, no entanto, eu começo a descobrir até que ponto eles me afetam, e, portanto, tenho que fazer algo sobre isso. Eu alcanço um estado em que é melhor morrer no Mar Vermelho ou no deserto do que viver no Egito. A morte espiritual é melhor do que viver em completa rejeição do Criador.

Pergunta: Mas por que eu entro no Egito com uma força de 70 pessoas e saio de lá com uma força de 600.000 homens, com 3 milhões de mulheres, idosos e crianças atrás deles?

Resposta: Isso é o que eu poderia absorver egoisticamente dos egípcios. Embora eu tenha resistido a eles, eles ainda entraram em mim, e eu absorvi diferentes desejos, anseios, atributos e objetivos deles. Então eu os corrigi dentro de mim, o que significa que cresci num sentido espiritual e vi que não posso mais permanecer entre os egípcios, caso contrário seria enterrado sob eles. Esses desejos querem que eu permaneça neles, então eu posso, assim, influenciar o mundo.

É o trabalho no Egito que os judeus deram ao mundo nos últimos dois mil anos. Basicamente, nós não deveríamos ter nos engajado nele, e esta é a razão dessas ações serem chamadas de exílio. Esta não é a razão porque nos foram dados tais talentos, e ninguém está se beneficiando deles. Portanto, a humanidade não leva em conta a nossa contribuição corporal para o desenvolvimento do mundo. Eles estão esperando algo mais de nós. Nós devemos sair do Egito, que é a personificação de todo o mundo, e isolar-nos espiritualmente, atingir uma unidade interna entre nós e então corrigir o Egito e o mundo inteiro.

De Kab TV “Segredos do Livro Eterno” 17/12/14