Textos na Categoria 'Torá'

Entrar Na Terra De Israel

laitman_749_02O Faraó (egoísmo) existe constantemente em nós. Quando nós saímos do Egito, pensávamos que tínhamos escapado, mas ele continua a nos controlar com calma desde dentro.

Por isso mesmo, temos que vagar pelo deserto por quarenta anos para que, gradualmente, passo a passo, possamos corrigir essa qualidade em nós, pelo menos neutralizar o egoísmo, conectá-lo à Bina, e levar-nos a um estado pequeno, não querendo usar o ego, a despeito de quaisquer tentações. Nós podemos fazer isso quando atravessamos o deserto.

Portanto, está escrito na Torá que a geração do deserto deve morrer, e uma nova geração vai nascer, onde o egoísmo será corrigido e conectado à qualidade de doação, mas de uma forma neutra. Nós ainda não transformamos o egoísmo em doação, mas ele já existe sob o controle da intenção de doar.

O processo de atravessar o deserto é completado quando nós neutralizamos completamente o nosso egoísmo (doação em prol da doação), mas ainda não o corrigimos em altruísmo (receber em prol da doação), e entrar na terra de Israel (Eretz Israel: Ratzon – Desejo, e Yashar El – direto ao Criador) significa que começamos a processar o desejo que já tornamos neutro, e vamos até ele a fim de conquistar e transformá-lo.

Afinal, sete nações que vivem na terra de Israel permanecem lá, e nós precisamos tirá-las dessa terra, e nos tornarmos seus capturadores, ou seja, verificar o nosso desejo.

Sete nações representam sete desejos, as sete últimas Sefirot de Malchut que precisamos conquistar, expulsar de dentro de nós, isto é, neutralizar, parar de usar, e tirá-las das fronteiras de Israel. Isso é chamado de correção de Malchut.

Nós precisamos conquistar essa terra, preenchê-la e começar a corrigi-la com os dias da semana e os sábados, isto é, com uma subida consistente, seis anos e o sétimo ano, e assim por diante: usando todos os métodos de correção do nosso desejo, que é chamado de “a terra de Israel” (Eretz Israel).

Esse é o desejo egoísta inicial que o Criador criou de tal forma que a serpente do egoísmo entra em nós, e nós trabalhamos muito e de forma dura para percebê-lo até que começamos a nos relacionar com ele como um objeto estranho dentro de nós. Nós começamos a odiá-lo como uma força externa que escraviza e nos empurra para longe do Criador.

Só então é que vamos vê-lo como o Faraó, subir acima dele, e escapar com a ajuda da Luz superior, uma vez que não temos a força para fazer isso por conta própria. Mas quando aceitamos a Torá e começamos a nos corrigir, extraindo-nos do egoísmo, isso significa que entramos na terra de Israel e transformamos a qualidade de recepção na qualidade de doação.

Então, o Faraó se torna a maior Luz, porque a correção do maior egoísmo que temos o transforma numa qualidade diretamente oposta, como está escrito, “o anjo da morte torna-se o anjo da vida”.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/01/15

O Vinho É A Luz Da Sabedoria Superior

laitman_276_01A Torá, “Números”, 6:3: Terá que se abster de vinho e de outras bebidas fermentadas e não poderá beber vinagre feito de vinho ou de outra bebida fermentada. Não poderá beber suco de uva nem comer uvas nem passas.

Pergunta: Por que as uvas são mencionadas junto com bebidas alcoólicas na Torá?

Resposta: Na época, as uvas nunca eram usadas ​​como alimento. As pessoas tentavam estocar comida para um dia, uma semana, e até mesmo anos antes.

Isso explica por que o vinho assim como o óleo de oliva, farinha, e outros produtos que podem ser armazenados durante um longo período de tempo eram especialmente preciosos porque as uvas eram utilizadas apenas para fazer vinho.

As uvas pertencem a um nível muito elevado: o nível de Hochma. Por que há uma cerimônia especial de degustação de vinhos e pronunciamento de bênçãos para o vinho? A razão é que de acordo com a Cabalá, o vinho representa a Luz Superior, a Luz da Sabedoria, a Luz de Hochma, não só porque é um produto útil como eles pensam hoje em dia.

O vinho mata as bactérias que vivem nele, porque a Luz Superior trata, corrige e preenche completamente todos os nossos desejos. Não importa quanta sujeira exista nas uvas, durante o processo de fermentação toda a sujeira se transforma em sedimentos e o vinho permanece limpo.

Coletar uvas e produzir vinho não é um processo fácil. A Cabalá descreve cada nuance deste procedimento: o tipo de uva, o diâmetro de cada uva é pró-rata à sua superfície externa, o mês que a uva é colhida, e em que lado da montanha com relação a Jerusalém ela cresce, etc.

Normalmente, os Cabalistas colhem uvas antes do sol nascer, porque a formidável força (Amtakat a-Dinim) que está presente no vinho “dorme” ao nascer do sol. É como se as uvas dormissem e despertassem ao mesmo tempo.

Neste mundo, não há objetos ou eventos que não tenham uma raiz no mundo superior. Tudo é governado por uma força. Cada pessoa na Terra executa seu trabalho inconsciente e involuntariamente. É assim que o mundo segue em frente.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 21/01/15

Paz Entre Marido E Mulher

Laitman_632_1A Torá, “Números”, 05:18 – 05:19, 05:23 – 5:24: Então o Cohen (sacerdote) apresentará a mulher perante o Senhor, e descobrirá a cabeça da mulher; e a oferta memorativa, que é a oferta por ciúmes, porá sobre as suas mãos, e a água amarga, que traz consigo a maldição, estará na mão do Cohen. E o Cohen a fará jurar, e dirá àquela mulher: Se ninguém contigo se deitou, e se não te apartaste de teu marido pela imundícia, destas águas amargas, amaldiçoantes, serás livre. Depois o sacerdote escreverá estas mesmas maldições num pergaminho, e com a água amarga as apagará. E a água amarga, amaldiçoante, dará a beber à mulher, e a água amaldiçoante entrará nela para amargurar.

Se uma mulher (a criação) é parte do desejo correto, ela sobe e seu relacionamento com seu marido (o Criador) é reforçado. No entanto, se o seu desejo é egoísta, as “letras aparecerão imediatamente num pergaminho”, como resultado da quebra. Neste caso, o Partzuf deve ser corrigido de novo.

Pergunta: Você pode explicar o trabalho que o Cohen (sacerdote) realiza em Nukva? O que significa “descobrirá [o cabelo na cabeça] de uma mulher” e “porá sobre suas mãos a oferta memorativa”?

Resposta: Não há analogias neste mundo, porque na espiritualidade todas as ações descem do nível superior.

O nível mais alto (Cohen) funciona em um estado inferior (Malchut). Cohen é GAR de Bina, Keter. É por isso que a influência do Cohen sobre Malchut é tão intensa. O Cohen é o único que pode revelar a profundidade dos desejos corrigidos e não corrigidos de Malchut. Ninguém do nível de “Israel” ou “levitas” é capaz de fazer isso. Isso só pode ser feito do nível de Cohen.

Em outras palavras, A Luz que vem do mais alto nível de Keter examina Malchut até a parte inferior de suas intenções.

Quando marido e a mulher (primeiras nove Sefirot) e Malchut sobem, eles podem subir apenas através do Cohen, que lhes garante a Luz. Se essa conexão for interrompida, é essencial analisar o que se passa em Malchut.

Portanto, é como se o Cohen programasse o estado do Partzuf. Este último deve ser formado juntamente com sua esposa, fundindo-se juntos. E quando o Cohen dá o “pergaminho” a uma mulher (Malchut), ele esclarece se suas propriedades são adequadas à estrutura que ela está prestes a alcançar junto com seu marido, ou seja, se ela está pronta para ele.

Todos os homens com quem ela supostamente “enganou” seu marido são desejos egoístas que distraem Malchut.

Comentário: O Livro do Zohar afirma que “o julgamento do Cohen contradiz seu alto nível de Hesed – a etapa de misericórdia e graça. Não é assim porque o Cohen se esforça em aumentar a paz no mundo. Se uma mulher é “não culpada” (pura) o Cohen multiplica a paz entre ela e seu marido”.

Resposta: Neste caso, eles formam o próximo Partzuf superior, revelando assim o mal adicional e uma conexão mais forte entre eles que faz com que seja possível que eles atinjam o próximo nível.

Portanto, em algumas fases, o “adultério” é absolutamente necessário, porque lhes permite fazer correções adicionais. Tudo na vida acontece exatamente por causa de nossa ascensão. Não há nada na Torá que prejudique as pessoas.

Pergunta: Mais tarde, é dito no Livro do Zohar: “…ela impregna com um filho a partir da propriedade de Zachar (masculino)”. Aplicado ao nosso mundo material, esta frase significa que discussões entre marido e mulher desencadeiam um amor ainda mais forte entre eles, não é assim?

Resposta: Se eles se relacionam corretamente com a força superior e entender que tudo que passam é dado a eles só por causa de sua maior convergência e elevação, não haverá qualquer ofensa mútua; em vez disso, eles vão se reconciliar e continuar trabalhando em sua maior elevação. Caso contrário, tudo o que acontece entre eles vai levar a um divórcio.

Observação: Ele acrescenta: “Se ela é ‘impura’, não é o Cohen que a julga, mas o nome Santo a quem ela foi infiel”.

Resposta: O Santo Nome (Kadosh) é uma qualidade de doação, o nível a que eles aspiram.

Juntos, eles devem supostamente alcançar o próximo nível superior da propriedade de doação, mas sua “infidelidade” os fez degradar (cair) do nível superior para o “desejo de receber”.

Se ela passa a ser “culpada”, a propriedade que ela deveria atingir é aquela que a atira para baixo. Nesse ponto, ela deve ser corrigida.

Alguma coisa estava faltando em sua aspiração de chegar a um novo nível. Esse “algo” se revela através de sua “infidelidade”. Ao mesmo tempo, seu marido também sofre alterações. Ele deve encontrar o Cohen, levá-la a ele, e aumentar seus próprios desejos nesse nível.

Comentário: Um paralelo imediato com este mundo aparece em nossas mentes quando vemos um marido levando sua esposa para o tribunal e o processo legal começa…

Resposta: Na espiritualidade tudo acontece num só corpo: o Criador, o marido e a esposa, todas as propriedades e condições; tudo está dentro de um homem.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 21/01/15

O Terceiro Templo E A Solução Para O Problema Global

laitman_937Vagar no deserto é um estado interno muito difícil através do qual uma pessoa cresce gradualmente.

O deserto muda-a de ser um escravo do desejo egoísta para ser um mestre do ego. Isso ocorre nos 40 anos de peregrinação no deserto. A pessoa sobe gradualmente sobre seu ego, passo a passo, e muda-o para o atributo de doação.

Não é fácil atravessar o deserto; este é o problema do homem, e deve ser superado. Esta é a razão por que a Torá termina com a travessia do deserto e a entrada na terra de Israel. É isso aí! Isso é tudo o que precisamos. Nós obtemos a força com a qual podemos avançar corretamente.

Mas, por que a Torá não nos diz como lutar e conquistar a terra de Israel? Afinal, os espiões disseram que sete nações vivem lá. É porque é inútil lutar contra elas. Hoje nós vivemos do mesmo modo.

Nós recebemos um método que nos diz como absorver a Luz de correção, mas nada mais do que isso. Acontece que se você vier à terra de Israel, parece que depois você é deixado sozinho, porque neste momento você avança diretamente para a conquista da terra de Israel, o que significa superar o seu verdadeiro desejo egoísta. Antes era apenas a preparação. Agora você entra em seu coração egoísta e começa a conquistá-lo, a digerir e processá-lo no atributo de amor e doação.

No passado, nós construímos o Primeiro e o Segundo Templos, que foram destruídos. Agora, depois destas duas destruições, nós temos que construir o Terceiro Templo sobre o fundamento dos dois primeiros. Mas não podemos construí-lo sozinhos, não só a nação de Israel. Ele deve ser construído por todo o mundo. Esta é a razão por que ele é tão poderoso e eterno. O Terceiro Templo é a correção do desejo egoísta global que o Criador criou. O mundo inteiro deve tomar parte nisso. É como o profeta Ezequiel diz: “As nações do mundo levarão os filhos de Israel e trarão eles a Jerusalém”, o que significa que vão trazê-los para a necessidade de construir o Terceiro Templo.

Pergunta: Será que isso significa que o Terceiro Templo deixará de ser judeu, mas internacional?

Resposta: Sim. Hoje, o mundo já começa a sentir que todos os problemas se resumem a uma intrincada rede, a algo que todos compartilham: se você puxar a corda tudo vai desmoronar como um castelo de cartas. Se há um pequeno problema em alguma parte do globo, é imediatamente ecoado em todo o mundo. O mundo torna-se mais conectado mutuamente a cada dia, de modo que vamos começar a perceber que temos que encontrar uma solução global para o problema e não estamos preparados para isso. Nosso papel é levar a humanidade à compreensão de como estar pronto para enfrentar essa nova situação.

Deixando O Egito…

laitman_749_03A Torá é a Luz que desce até nós e corrige o nosso egoísmo individual e nos conecta através dos estados corrigidos com todos os outros até nos tornarmos um todo que não pode ser separado.

A Torá fala sobre a correção espiritual do homem. O livro do “Gênese” nos fala sobre a base essencial da criação. Ele nos fala que o Criador não criou nada, exceto o mal: “Eu criei a inclinação ao mal (egoísmo)… Eu criei a Torá como tempero”.

Mas quando Ele nos dá a Torá? Somente após o êxodo do Egito, no Monte Sinai, porque a inclinação ao mal tem que ser revelada numa pessoa e em toda a humanidade em primeiro lugar. O ego tem que se mostrar como prejudicial ao homem como a força que destrói o homem, sua vida, e mais importante, a força que separa o homem do Criador, da plenitude.

A pessoa deve compreender que a unidade com a força superior é o estado perfeito e não deve apenas ouvir histórias sobre isso, porque não é atraída a isso e tem definições completamente diferentes sobre o que isso significa. É somente quando começamos a perceber que a totalidade é o atributo de amor e doação que a regra “ama o teu amigo como a ti mesmo” se torna o nosso objetivo. Mas nós sentimos que estamos no estado oposto: no ódio mútuo, na rejeição e distantes um do outro.

O reconhecimento do verdadeiro estado da nossa natureza é chamado de êxodo do Egito, e quando chegamos ao Monte Sinai sabemos exatamente quem somos, o que somos, e o que queremos. Afinal de contas, o ponto de Moisés existe em cada um de nós e nos diz que queremos deixar o nosso Faraó. Nós o deixamos um pouco, mas, na verdade, ele está dentro de nós. Quando estamos no Egito acreditamos que o Faraó nos domina desde fora, mas agora começamos a perceber que ele está bem dentro de nós e que estamos tão perto dele que agora temos que nos livrar dele, ou melhor, corrigi-lo.

Em outras palavras, o atributo de amor e bondade só existe no atributo egoísta corrigido: nós recebemos uma matéria que não é corrigida e temos que corrigi-la. Isso é tudo! Não há outra questão. Assim, nós tivemos que estar no Egito, para que pudéssemos sentir que eu sou Faraó e que realmente desejo obter desse estado. Quando eu subo um pouco acima do atributo do Egito em mim, quero me livrar dele, e isso significa que saí do Egito. Mas é apenas teoricamente e não na matéria.

O Criador é o atributo de doação. Se mudarmos o nosso egoísmo para a doação, este atributo aparece em nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/01/15

Ouvir A Voz Do Criador

laitman_276_02A Torá, “Números”, 7:89: Quando Moisés entrava na Tenda da Congregação para falar com Ele, ouvia a voz que lhe falava de cima da tampa, que estava sobre a Arca do Testemunho entre os dois querubins; assim com Ele falava.

Isto se refere ao estado de contato espiritual do ponto de Moisés numa pessoa com o Criador.

A “voz” se refere à realização do Criador pela criatura. Isso é descoberto entre os dois querubins à imagem de pássaros nas bordas da cobertura da Arca Sagrada que simbolizam as linhas direita e esquerda: o atributo de Hassadim (misericórdia) e o atributo de Din (julgamento). Quando as duas linhas se aproximam, a pessoa conecta os atributos de amor e doação, egoísmo e altruísmo dentro dela, que agem juntos pela mesma causa. Ao mesmo tempo, o egoísmo é esmagado sob o atributo de amor e doação.

É graças à rigidez e sofrimentos que a pessoa pode agora apreciar verdadeiramente a conexão, o amor e a cooperação mútua com o Criador. Caso contrário, é impossível apreciar este estado; é simplesmente impossível! A pessoa não tem as sensações adequadas. É como pedir a uma criança: “Beije-me”. Ela se aproxima de você e automaticamente beija sua bochecha sem realmente sentir nada.

Os sentimentos emergem apenas se nada do passado é esquecido e é ainda revelado mais claramente. Na medida em que o passado surge numa pessoa, ela pode assumir o que o futuro próximo lhe reserva, porque o passado e o futuro têm que ser equilibrados e conectados numa sensação do Criador. O Criador aparece entre os dois querubins, as duas linhas opostas, o egoísmo e o altruísmo. A voz divina, Sua revelação, nasce entre eles. Ela é apenas o ponto de Moisés em nós que está em contato com o Criador e pode ouvir a Sua voz.

Ouvir é o atributo de Bina. A conquista do atributo de Hochma (visão) é realizado através de Bina, do atributo de doação. Quando uma pessoa sobe do atributo de Bina para o atributo de Hochma, a revelação do Criador ocorre, o contato com Ele.

O Tabernáculo simboliza atributos mais externos que a pessoa tem que corrigir em si mesma. Quando o ponto de Moisés é revelado de forma gradual, nós começamos a mergulhar mais profundamente em nossos atributos internos simbolizados pela Arca Sagrada que guarda o livro da Torá dentro dela, a tampa da Arca Sagrada, os dois querubins nas bordas da cobertura, entre os quais a voz do Criador é ouvida. Estes são os sinais das correções internas, que temos que realizar gradualmente e alcançar o estado de contato com o Criador que nos é revelado em nosso entendimento, reconhecimento e obtenção, que nos aproxima Dele.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/01/15

Luz Do Fundo Do Poço

laitman_424_02Como está escrito no Livro do Zohar, “Quando o Cohen (sacerdote) levantou-se abaixo e estendeu suas mãos, todas as sagradas Sefirot acima foram despertadas e corrigidas para ser abençoada e receber a Luz da profundidade do poço de Bina que constantemente desce a elas. E as bênçãos não param; elas descem e se transformam em fontes de todos os mundos.

Um Cohen (sacerdote) é a parte superior da estrutura espiritual chamada de Partzuf. Quando ele se levanta e estende suas mãos, sua bênção vem do alto até Malchut. Desta forma, ela é despertada abaixo, e depois, todas as características de Malchut sobem de baixo para cima com doação e amor. Elas ascendem aos mundos superiores.

Todas as Sefirot de Bina à Malchut são chamadas de “poço”. Quanto mais Malchut está conectada à Bina, este poço está vivo e fluindo. Caso contrário, é apenas um poço sem água. Se o poço está cheio de água, mas está coberto com uma pedra, isso significa que você deve realizar condições particulares para abri-lo e tirar água dele.

Na Torá, o encontro dos patriarcas com as suas futuras esposas quase sempre aconteceu ao lado de um poço. Se a mulher aceitasse água das mãos do homem, isso significava que ela era apropriada para ele, porque a água é a conexão entre Malchut e Bina. Desta forma, por meio das águas superiores e inferiores, ocorria a interação mútua entre eles.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/01/15

A Bênção Do Sacerdote

laitman_232_09Como está escrito no Livro do Zohar, “Quando o Cohen (sacerdote) estende suas mãos, a Shechina habita em seus dedos, porque o Criador concordou com o Cohen nessas bênçãos. Israel é abençoado de cima, da Shechina que habita em seus dedos, e de baixo para cima, do Cohen pronunciando uma bênção”.

A oração do Cohen (sacerdote) tem um efeito muito interessante. Ele é coberto por um pano especial chamado Talit e levanta suas mãos para cima de certa maneira e diz: “O Senhor te abençoe”, e assim por diante.

Ao mesmo tempo, as pessoas não devem olhar para ele porque o sacerdote personifica a Luz Superior para a qual é proibido olhar diretamente, apenas através de um Masach (tela), a Luz de Retorno, recebida com a preparação da intenção a fim de doar.

Portanto, todos os presentes abaixam os olhos. Não há nada de especial nessa ação corporal em nosso mundo, exceto como dica do estado espiritual interno de uma pessoa que recebe a Luz de um estado superior.

É dito que, “Quando o Cohen estende suas mãos, a Shechina habita em seus dedos”. Esta é uma condição onde a Luz Superior atravessa todas as nove Sefirot até Malchut, através de todos os estados de Yod-Hey-Vav-Hey do nome do Criador, e, assim, é imprimida em Malchut.

Malchut, por si só, produz a Luz de Retorno (Ohr Hozer). Essa diz, Amém. “Amém” significa verdade. Esta palavra é comumente usada, mas quase ninguém entende o seu verdadeiro valor.

Quando Malchut diz “Amém”, isso significa que ela recebe tudo o que desce sobre ela de cima e torna-se o recipiente das nove primeiras Sefirot.

Em outras palavras, se ela está pronta para receber as nove Sefirot, torna-se Nukva, a parte feminina das nove Sefirot, e representa toda a nação.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/01/15

O Nome Do Criador É Quatro Letras

Laitman_167A Torá, “Números” 6:27: Assim eles invocarão o Meu nome sobre os filhos de Israel, e Eu os abençoarei.

Dizer o nome do Criador é a revelação da essência do nome de quatro letras do Criador. Assim como um selo impresso em cera que deixa a sua marca, o Criador imprime Seus atributos numa pessoa de forma oposta, e a pessoa deve corrigi-los aos torná-los semelhantes ao Criador.

Essa é a cooperação mútua entre o anfitrião e o convidado quando eu, o hóspede, devo imprimir os desejos do anfitrião dentro de mim. Eu devo receber todas as bebidas que Ele me serve para que Ele seja impresso em mim e esculpa Seu nome em mim, isto é, a atitude do anfitrião. Quando eu permito isso porque quero que Sua atitude, Seu atributo, entre em mim, eu recebo isso e, assim, me conecto a Ele. A união entre a parte masculina (o Criador) e a parte feminina (o ser criado, o desejo de receber) ocorre quando um entra no outro, como quando um selo que é impresso numa almofada macia deixa sua marca.

Pergunta: Por que é proibido dizer o nome de quatro letras do Criador em voz alta?

Resposta: Dizer o nome do Criador em voz alta significa revelar o Criador. A revelação ocorre apenas dentro da pessoa, e ela não pode transmitir seus sentimentos a ninguém. De acordo com a sabedoria da Cabalá, a palavra “proibido” significa impossível. Você não pode revelar o Criador o suficiente para pronunciar Seu nome. Você só pode absorvê-Lo, perceber e receber a Sua forma que é totalmente impressa em toda a sua matéria, em todo o seu desejo de receber, a qual deixa a Sua marca (impressão) de Sua doação. Isso significa que você deve se relacionar com o Seu nome de quatro letras (Yud-Hey-Vav-Hey), quando está avançando na direção oposta, não de cima para baixo, mas de baixo para cima.

Em outras palavras, as dez Sefirot da Luz Direta se conectam às dez Sefirot da Luz de Retorno num todo único, e esse estado é chamado de objetivo da criação. No entanto, a menos que os Seus atributos sejam atingidos, não devemos expressar Seus nomes. Até mesmo o nome que é comumente usado, como Deus (El) é pronunciado “Kel“, para enfatizar o respeito que temos por ele. Em nosso mundo, nós também não chamamos nosso pai pelo nome, mas usamos o nome “pai”. Esse é um sinal de respeito para com uma pessoa que é especial para nós, e, assim, nós a distinguimos de bilhões de outras pessoas. É o mesmo na espiritualidade.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/01/15

Bênção E Graça

laitman_572_03A Torá, “Números” 06:22 – 06:26: E falou o Senhor a Moisés, dizendo: Fala a Aarão, e a seus filhos dizendo: Assim abençoareis os filhos de Israel, dizendo-lhes: “Que o Senhor te abençoe e te guarde. Que o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti. Que o Senhor sobre ti levante o Seu rosto e te dê a paz”.

Essa bênção é dita pelos Cohanim (sacerdotes) no Shabat e nos feriados. O Cohen (sacerdote) é o atributo mais sublime numa pessoa, e se ele está conectado ao Criador que o abençoa, tem um efeito positivo sobre todos os outros atributos que a pessoa tem. Essa bênção corrige toda a sua estrutura interna e todos os seus desejos e intenções.

Pergunta: Qual é o significado das palavras “e te guarde”?

Resposta: A Luz superior, ou o Criador, nos guarda do nosso egoísmo. Ele eleva, fortalece, dirige e nos corrige. Tudo está nas mãos da Luz que vem do alto e nos corrige. Como está escrito: “Que o Senhor faça resplandecer o Seu rosto sobre ti, e tenha misericórdia de ti“. Ter misericórdia de ti significa que Ele vai nos redimir do grande ego nos detém e não nos deixa ascender.

Tudo avança numa única direção, e não há nada mais do que isso.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 28/01/15