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Atributos Especiais Da Terceira E Quarta Gerações

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 14:17-14:18: “Mas agora, que a força do Senhor se manifeste, segundo prometeste: ‘O Senhor é muito paciente e grande em fidelidade, e perdoa a iniquidade e a rebelião, se bem que não deixa o pecado sem punição, e castiga os filhos pela iniquidade dos pais até a terceira e quarta geração’”.

Há três gerações de Keter à Malchut: Hochma, Bina e ZeirAnpin. É assim que ocorre em cada estado espiritual. A imagem do Criador é formada no quarto nível, Malchut. A terceira geração é Zeir Anpin, o estado de pequenez, onde o ego é apagado e, depois, totalmente corrigido na quarta geração. Isto é simbolizado pelas palavras: e castiga os filhos pela iniquidade dos pais até a terceira e quarta geração. Trata-se da ascensão de Malchut através ZeirAnpin à Bina, à Hochma, e depois à Keter.

A Torá, “Números”, 14:19-14:23: Segundo a tua grande fidelidade, perdoa a iniquidade deste povo, assim como a tens perdoado desde que saíram do Egito até agora. O Senhor respondeu: “Eu os perdoei, conforme você pediu. No entanto, juro pela glória do Senhor que enche toda a terra, que nenhum dos que viram a minha glória e os sinais miraculosos que realizei no Egito e no deserto, e me puseram à prova e me desobedeceram dez vezes — nenhum deles chegará a ver a terra que prometi com juramento aos seus antepassados. Ninguém que me tratou com desprezo a verá.

Não há nada de mal nisso. Pelo contrário, trata-se de uma grande misericórdia que o Criador executa quando Ele mata todo mundo, o que significa que Ele mata todo o desejo egoísta.

A razão é que é apenas nos desejos altruístas, que substituem os desejos egoístas, que o povo pode sentir o estado chamado a terra de Israel. Toda essa raiva é necessária para corrigir o egoísmo em altruísmo. Nenhum egoísta pode entrar no estado do atributo de amor e doação chamado a terra de Israel. Ele deve morrer primeiro, ou seja, renascer e entrar nela, seja num estado de pequenez (a terceira geração) ou num estado de grandeza (quarta geração).

Portanto, quando a Torá fala sobre punição, destruição e morte, ela se refere ao egoísmo, que realmente deve ser destruído. Apenas os atributos de amor e doação que o substituem sentirão o estado da terra de Israel.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 29/03/15

Antes Do Novo Nível

laitman_525A Torá, “Números”, 14:11-14:12: E o Senhor disse a Moisés: “Até quando este povo me tratará com pouco caso? Até quando se recusará a crer em mim, apesar de todos os sinais que realizei entre eles? Eu os ferirei com praga e os destruirei, mas farei de você uma nação maior e mais forte do que eles”.

A Torá descreve tudo usando uma linguagem terrena que tira totalmente a pessoa da direção espiritual habitual. Você se concentra num desejo e, de repente, o Criador diz: “Quanto tempo essas pessoas Me desprezarão?”, Como se Ele não fosse aquele que realmente leva você ao longo desse caminho. É o Seu jogo.

Pergunta: Qual é o significado dos sinais que o Criador dá ao povo?

Resposta: À medida que a pessoa avança para o estado de entrada no nível espiritual, a terra de Israel, ela supera muitos obstáculos, conecta-se ao grupo, conta com a garantia mútua, e sabe como receber a Luz Superior e como trabalhar com ela.

Ela vagueia no deserto por 40 anos, o que significa que vai através de 40 níveis que separam o ego da entrada no altruísmo. Mas a questão é que cada nível é mais elevado do que todos os níveis anteriores.

Portanto, não importa o que ela faça, e não importa quão justo ela seja, ela começa este nível do um estado de um ímpio completo: sentindo falta absoluta de fé, completamente separada do Criador.

Como se diz, todas as ações nobres não vão ajudar os justos, apesar de poderem ser grandes atos de caridade, no dia em que se tornarem ímpios completos.

Como uma pessoa justa pode se tornar ímpia? Muito simples: todo o bem que ela passou, de repente, é apagado de sua mente, de modo que ela sente que é ímpia agora.

Toda a sua vida justa de repente vira de cabeça para baixo. Como pode ser? Eu tenho feito tantas coisas boas: eu amava essa pessoa, dava a outra, ajudava outra e me conectava com outra. De repente, acontece que eu matei alguém, espanquei outro, dedurei outro e coloquei outro na cadeia. Isto significa que todas as suas boas ações se invertem e se tornam ímpias.

Isto é o que a pessoa sente antes de começar a trabalhar no próximo nível. Além disso, em relação aos níveis anteriores que se tornam ímpios, o nível que ela está enfrentando agora também é adicionado ao ego. Ela vê que o que faz, faz por si mesma, a fim de satisfazer seu ego. Tudo isso parece terrível: mentira, mal, traição, sujeira, tramar contra aqueles que estão perto dela e aqueles que estão mais distantes. Eles a trataram com todo o seu amor e alma enquanto ela traiu a todos, desejando apenas usá-los. Isto é o que A pessoa revela no próximo nível. Então, o que ela pode fazer? O que ela merece? Como ela deve abordar este nível quando tais gigantes ficam em seu caminho?

Todas as suas realizações anteriores se transformam em pecados e a pessoa vê como é indigna do próximo nível. Mas, se a conexão com o Criador é mantida dentro dela, ela pode chama-Lo. Assim, ela recebe a ajuda de cima e percebe que é somente com a ajuda do Criador que ela pode corrigir seu novo pecado, que é muito maior do que a soma de todos os seus pecados anteriores, e que os níveis anteriores só a ajudaram a ver seu ego melhor para que possa corrigi-lo agora.

Pergunta: Será que a pessoa se lembra dessa experiência amarga?

Resposta: Ela continua nos perseguindo até o fim da correção, pois é essencial que não percamos nossa fé no Criador, na inclinação ao bem. Esta é a razão de sempre nos culparmos, não percebendo que Ele organiza todas essas ações para nós, dando-nos diferentes atributos ruins, forçando-nos a realizar atos proibidos, etc. Mas como não temos nenhuma conexão com Ele, não vemos que tudo isso vem Dele, e erroneamente relacionamos tudo a nós mesmos e nos culpamos por tudo.

Pergunta: Será que a pessoa tem a sensação de que tudo será melhor no futuro?

Resposta: A pessoa vive apenas com o que opera em seus desejos, em seus vasos, num determinado momento. Portanto, cada vez é um novo beco sem saída para ela e, depois, outro beco sem saída, que não se parece com nada que ela tinha experimentado antes. Ela teme o que aconteceu com ela anteriormente, mas agora o medo é ainda maior.

Meu professor costumava me dizer que uma pessoa precisa de nervos fortes para o trabalho espiritual. Mas, por outro lado, o Criador nos dá tudo. Neste trabalho não há ataques cardíacos, suicídios ou dores de cabeça: assim como a Luz vem, ela também sai. Assim como um êmbolo agindo num cilindro, a Luz age constantemente em nós.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 15/04/15

Desejos Que Vão Com A Fé Acima Da Razão

laitman_608_01Torá, “Números”, 14:36-14:38: Os homens enviados por Moisés em missão de reconhecimento daquela terra voltaram e fizeram toda a comunidade queixar-se contra ele ao espalharem um relatório negativo; esses homens responsáveis por espalhar o relatório negativo sobre a terra morreram subitamente de praga perante o Senhor. De todos os que foram observar a terra, somente Josué, filho de Num, e Calebe, filho de Jefoné, sobreviveram.

Josué e Calebe são esses desejos dentro de nós que ainda podem subir acima da razão. Eles são necessários para a conexão com a terra de Israel.

Uma vez que eles são justos, permanecem na geração como um registro espiritual (Reshimo) do que eles viram na terra prometida. É por isso que toda a geração do deserto morre com exceção dos dois.

Como todo mundo, eles vagueiam no deserto por quarenta anos. Em todos os níveis, é necessário passar por quarenta degraus para subir de Malchut até a propriedade de Bina, que eles recém revelaram como incapazes de trabalhar com o egoísmo. Afinal de contas, eles não podem atravessar as fronteiras da terra de Israel sem ganhar a propriedade de Bina.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 06/05/15

A Torá: Mudar A Si Mesmo A Fim De Revelar O Criador

Dr. Michael LaitmanA Torá, “Números”, 14:13-14:16: Moisés disse ao Senhor: “Então os egípcios ouvirão que pelo teu poder fizeste este povo sair dentre eles, e falarão disso aos habitantes desta terra. Eles ouviram que tu, ó Senhor, estás com este povo e que te veem face a face, Senhor, e que a tua nuvem paira sobre eles, e que vais adiante deles numa coluna de nuvem de dia e numa coluna de fogo de noite. Se exterminares este povo, as nações que ouvirem falar do que fizeste dirão: ‘O Senhor não conseguiu levar esse povo à terra que lhes prometeu em juramento; por isso os matou no deserto’“.

Moisés parece dizer ao Criador: “Você poderia ter educado seus filhos corretamente, se não por incentivos, pelo menos, por castigo. Que tipo de um educador é você, se simplesmente pune seus filhos e mata-os?”

Moisés é o ponto mais profundo no coração de uma pessoa, onde ela pode estar em contato com o Criador. Quando uma pessoa sobe ao próximo nível, do nível de Bina para o nível de Hochma, por exemplo, ela sofre uma mudança interna. Ela deve dizer isso! Não é que Moisés de repente começa a reclamar: “Como você ousa se ​​comportar desse jeito?!” Em geral, as pessoas religiosas temem tais pensamentos: “É possível pensar dessa forma do Criador? Deus me livre! O que vai acontecer comigo se eu pensar desta maneira?” Por outro lado, aqui é a situação oposta, já que é a própria natureza que foi criada pelo Criador que agora se rebela contra Ele dentro de nós para que possamos realmente entender que a nossa situação atual é o oposto da natureza.

Isto significa que quando uma pessoa sobe e se aproxima do Criador, ela não pode ter medo de discordar Dele e amaldiçoá-Lo, mesmo das profundezas de sua alma. Ela está feliz com essas mudanças porque elas realmente indicam seu estado verdadeiro e elevado.

Portanto, o que Moisés diz indica que ele está prestes a completar o seu nível no qual conduziu o povo no deserto por 40 anos. Ele transforma o atributo de recepção no atributo de doação e agora alcança as últimas correções do seu ego. Este nível é como um míssil que cumpriu a sua função, desprende-se, e queima na atmosfera.

As queixas de Moisés decorrem do estado do fim da correção, depois que ele completou seu trabalho no nível atual. O próximo nível é totalmente diferente e neste nível há o preenchimento de receber com a intenção de doar.

É impossível realizar a missão que o Criador dá agora ao povo que acabou de atravessar o deserto e alcançou-O. Essa missão não pode ser realizada desta forma, porque a próxima fase é “receber com a intenção de doar”. Na próxima fase, chamada de passagem da fronteira da terra de Israel, ocorrem mudanças de fora para dentro na pessoa e vasos totalmente novos aparecem dentro dela, que é um novo método de trabalhar em si mesma e uma nova percepção do mundo. Este não é apenas o sentimento do mundo, mas o início da realização de como ela deve corrigir o mundo. Até então ela só se preparou para entrar na terra de Israel e conquistá-la, o que significa a fim de derrotar todas as nações de gigantes que vivem lá e atingir um nível tal que os frutos gigantes que carregava se tornariam luz, porque ela pode receber com a intenção de doar.

Portanto, as queixas de Moisés são apenas porque ele exige novos poderes e conhecimentos do Criador. Ele quer aprender uma nova correção e receber educação sobre como entrar nesta terra e conquistá-la. Deve haver uma reviravolta extrema dentro de uma pessoa e ela tem que se transformar numa pessoa diferente.

Pergunta: Será que isso significa que Moisés pode se queixar ao Criador?

Resposta: A conversa entre Moisés e o Criador é o reconhecimento completo do que deve acontecer com ele agora: “Eu preciso de uma transformação interior e você tem que fazer isso por mim”. Se ele não reclama com o Criador sobre isso, significa que ainda não está pronto para a transição. Portanto, tudo o que Moisés diz, o que pode parecer um grave ataque ao Criador, é realmente desejável a Ele. Isto significa que a pessoa entende que transformação interior importante ela deve atravessar para começar a trabalhar com o seu ego com a intenção a fim de doar. Ninguém pode imaginar isso.

Comentário: Em vez de não dizer o nome do Senhor em vão e não estar com raiva Dele etc., tudo acontece exatamente da maneira oposta.

Resposta: Não devemos ter medo de nada. O Criador é o atributo de bondade absoluta. Ele é inerte e sem vida até que você O traz à vida através de seus sentimentos. Assim como você pode estar com raiva de um vulcão que destruiu uma determinada região ou teme o sol, a lua ou terremotos, quando você atribui seus sentimentos a objetos inertes, você também se relaciona com o Criador do mesmo modo, com o atributo de doação e amor absoluto. Você não pode doar de uma forma ou de outra, mas simplesmente mudar a si mesmo.

Quando você muda a si mesmo, muda sua recepção pessoal e assim o Criador parece diferente para você. Mas, na verdade, é você que está mudando a si mesmo! Toda a Torá é baseada numa oração, que em hebraico vem da raiz da palavra que significa julgar a si mesmo.

Uma oração significa autojulgamento, e pergunta o que eu preciso mudar dentro de mim mesmo para revelar o Criador como o bem absoluto. Naturalmente, aqui encerra o trabalho de Moisés, mas é a preparação para a próxima fase.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 29/04/15

Nas Fronteiras Da Terra Prometida

laitman_740_01A Parashat Shelach fala sobre o que acontece com a pessoa antes de sua entrada na terra de Israel, ou seja, antes da subida ao próximo nível espiritual. Aqui, o temos o exemplo claro de como é necessário ir com fé acima da razão.

O próximo nível espiritual que é revelado diante da pessoa é o mundo maravilhoso de uma terra que mana leite e mel, mas que é impossível de entrar.

Houve um tempo em que os habitantes da União Soviética sonharam com o comunismo, “Esta será uma boa vida! Nós podemos satisfazer todos os nossos desejos e necessidades, dar vazão a todas as nossas esperanças, sonhos e desejos!” Mas quando eles entenderam que junto com isso vem a igualdade, a preocupação com os outros e a necessidade de trabalhar por todos e se sentir feliz com isso, imediatamente perderam o interesse. É essa a felicidade comunista? Leve de volta!

Assim, quando se fala de uma terra que mana leite e mel, é necessário compreender que este não é o leite e o mel não atuais, mas valores completamente diferentes para os quais eu devo criar um desejo e anseio dentro de mim.

Eles devem se tornar especificamente a coisa mais importante para mim, e assim, eu realmente entrarei num estado que vai me satisfazer como leite e mel.

Agora, estes valores parecem realmente terríveis para mim: trabalhar pelos outros, estar preocupados com os outros, pensar neles, e se preocupar com todos. Com isso, eu preencherei a minha vida?

Hoje, isso parece ser o inferno para mim! Então, eu preciso mudar a mim mesmo, para que os novos valores pareçam como o Jardim do Éden para mim e, assim, para mim, essa terra se tornará a Terra Prometida.

Pergunta: Por que há pessoas contra isso? O que há de ruim em viver pelos outros, pensar neles e amá-los?

Resposta: Não há nada de ruim nisso. Teoricamente, este é basicamente um sistema maravilhoso, um estado maravilhoso, mas quando ele foi colocado realmente em prática, o que aconteceu no regime soviético, nos kibutzim e em outras comunidades similares, nada se concretizou, porque o nosso ego é contra isso.

Não podemos sequer pensar em trabalhar para o bem dos outros. Em nós, a percepção existe para a satisfação pessoal, e se nós pensamos nos outros, é apenas em como nos satisfazer através deles.

No momento em que a pessoa começa a trabalhar nisso, o aspecto romântico termina imediatamente. A revolução devora seus filhos.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 29/04/15

A Torá Começa A Partir De Um Segredo

laitman_527_05A possibilidade de atingir o poder superior da natureza foi revelada pela primeira vez a uma pessoa que viveu 5.775 anos atrás. Por esse motivo, ela foi chamada de Adam HaRishon (o primeiro homem). Isso é porque ela implementou em si mesma todos os tipos de correções, permitindo-lhe descobrir a capacidade de sentir, entender e atingir a maior superior em si mesma, para passar a uma dimensão em que esta força atua.

Adão foi o primeiro Cabalista porque descobriu um novo sentido que não se baseava na característica de recepção, mas na característica de doação. Ele escreveu um livro sobre a descoberta da força superior e foi imortalizado por seus alunos que começaram a desenvolver este método, tornando possível para qualquer pessoa desenvolver dentro de si mesma o sentido para sentir a força superior de acordo com seu desejo.

Pergunta: É estranho ouvir isso, porque estamos acostumados a ver esta pessoa como uma figura semi-lendária que vivia com sua esposa, Eva, no Jardim do Éden e que comeu a maçã da árvore do conhecimento.

Resposta: A ideia é que a Torá sempre fala em linguagem humana, mesmo quando fala sobre coisas muito exaltadas.

A Torá descreve um processo espiritual único em um número de níveis chamados PARDES (Pshat – Simplicidade, Remez – Dica, Drush – Alegoria, Sod – Segredo), e se soubermos lê-lo corretamente, podemos alcançar o estado de Adam HaRishon, Adão.

Este PARDES representa quatro níveis de compreensão da Torá, e a realização da Torá começa a partir de Sod, como o gigante Cabalista, o Gaon de Vilna, disse, porque ainda não sabemos nada. Então, quando começamos a partir de Adam HaRishon, que comeu a maçã, para nós este é um verdadeiro segredo, porque não entendemos o que a Torá está falando.

No entanto, se trabalharmos de acordo com o método Cabalístico, gradualmente nos aproximamos do reino oculto, a força superior escondida, e começamos a descobrir esta parte da criação. Então nós começamos a ver na Torá o que realmente está acontecendo lá, e, a partir de Sod, passamos à interpretação mais simples, ao Pshat.

O Pshat simboliza para nós que tudo o que é dito na Torá é simples e revelado à nossa compreensão.

Continua…

Do Programa da Rádio Israelense 103FM, 16/8/15

Um Novo Nível: A Descoberta Das Características Do Criador

laitman_276_01A Torá, “Números”, 14:10: Mas a comunidade toda falou em apedrejá-los. Então a glória do Senhor apareceu a todos os filhos de Israel na Tenda do Encontro.

O povo se levantou contra os dois Tzadikim (Justos), Caleb, filho de Jefoné, e Josué, filho de Nun, que lhes pediram para ir à terra de Israel sem temer seus habitantes e para derrotá-los. O Criador foi imediatamente envolvido aqui; isso se referia à transição para o próximo nível. Até agora, os filhos de Israel viviam no deserto e estavam trabalhando com a característica de Bina, doação em prol da doação. Considerando que agora eles estavam entrando na terra de Israel, eles estavam começando a trabalhar com o ego, por isso lembravam-se constantemente do Faraó.

A recepção com a intenção de doar é um nível completamente diferente. Quando os gigantes aparecem diante de nós, que são desejos egoístas que temos que trabalhar com a intenção de doar, não entendemos como isso é possível. Uma mudança interna muito séria acontece aqui porque o método de trabalhar com o ego mudou. No deserto eu só subo acima dele, me separo dele, pois a peregrinação no deserto é um grande êxodo do Egito. Enquanto que agora a entrada para a terra começa; de modo que o trabalho é totalmente diferente.

O Egito é o primeiro estado, o deserto é o segundo estado, a terra de Israel é o terceiro estado. O período do Egito terminou com subida acima do ego. Enquanto que, na terra de Israel, eu afundo novamente no ego, começo a cavá-lo, elevando-o até mim, e com a sua ajuda eu me conecto e me comunico com todos.

Em outras palavras, se eu me elevei acima do meu ego antes, dei tudo que podia e ajudei com tudo, agora eu começo a elevar o meu ego e os seus, e me comunico dentro dele. Isto significa que o trabalho está sendo feito aqui com características opostas que simplesmente não existiam antes.

E este trabalho produz gigantes. Se durante o processo de transição, que é chamado de deserto, nós somos elevados acima do ego e abordamos apenas as luzes de Nefesh e Ruach, agora começamos a alcançar a Luz de Hochma, porque já estamos trabalhando com o ego. A descoberta das características do Criador acontece com isso, que não poderíamos alcançar no deserto, só na terra de Israel.

Esse é um trabalho novo e complexo, que parece totalmente impossível; uma nova abordagem é necessária aqui. Então Moisés, nosso professor, como o líder de nossas características internas, que nos levou ao longo de todo o deserto, não pode ir mais longe conosco. Ele deve ser substituído porque todo o paradigma, a nossa relação com a  correção e o avanço, mudou.

Pergunta: O que o súbito aparecimento da Shechina (Divindade, Glória do Senhor) naquele momento, simboliza, quando o povo de Israel está prestes a apedrejar Calebe e Josué?

Resposta: Aqui já não é possível fazer nada, porque algumas pessoas da nação, do “rebanho” de ex-escravos, entendem que estão a frente e sabem como superar o obstáculo, ao passo que outras não entendem.

Surge a pergunta: onde está Moisés aqui? Ele deve estar a frente! Mas ele não pertence a este nível, de modo que não foi ver a terra. Além disso, ele morreu, assim como o nível que termina seu trabalho e, depois, começa um novo nível.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 15/04/15

Rumo À Espiritualidade, Com A Ajuda Do Alto

Laitman_931-01A porção semanal da Torá, “Shalach” nos diz como Moisés enviou espiões à terra de Israel, a terra de leite e mel, onde crescem maravilhosas frutas especiais. De repente, eles viram que gigantes viviam lá, que não lhes permitiam entrar e chegar perto dessas frutas.

Isto significa que, a fim de conquistar esta terra e descobrir a grandeza do mundo espiritual, eles devem lutar contra desejos egoístas muito grandes e, gradualmente, superá-los. Mas uma pessoa não tem o poder de superar até mesmo o menor desejo egoísta, dominá-lo e conquistá-lo. Ela precisa da ajuda do Alto para fazer isso.

A questão é como ela deve pedir isso, uma vez que não tem confiança em nada. Ela pensa: “O que eu poderia alcançar? Em qualquer caso, é impossível!”.

Acontece que as frutas são maravilhosas e a terra é realmente o paraíso, mas há gigantes em cada passo do caminho, e eles se sentem como formigas correndo debaixo dos seus pés e podendo ser pisoteados sem os gigantes sequer perceberem.

É dito que os espiões pegaram um cacho de uvas que só poderia ser transportado por oito pessoas juntas e com grande dificuldade, o que mostra o quão pesado era. Na verdade, é assim porque uma pessoa pesa a si mesma e entende que não pode superar esses obstáculos e que realmente precisa de ajuda do Alto.

Assim, eles começam a se queixar: “Por que Deus nos trouxe a esta terra?” Um motim está prestes a começar no acampamento de Israel: “Vamos escolher um líder e voltar para o Egito”.

Depois de terem passado por tanta coisa e alcançado tanto, eles descobrem que estão lidando com a força superior que os conduz na vida, que a meta foi definida e tudo é planejado, mas se eles teimosamente se recusam a aceitá-la, vão morrer neste deserto! Com efeito, uma geração totalmente nova chegou à terra de Israel.

Por que todo mundo morreu no deserto? Porque eles não tinham poder suficiente para avançar e assim foram condenados a morrer. A Torá diz que todos os anos no 9º dia de Av eles costumavam cavar sepulturas para si e deitavam nelas. Aqueles que morriam, morriam, e aqueles que podiam sair da sepultura continuavam avançando.

Assim foi forjada a nova geração que foi criada no deserto e não tinha medo de nada até que alcançou as fronteiras da Terra Prometida.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 15/04/15

O Sistema Do Nosso Desenvolvimento Espiritual

laitman_281_02Pergunta: O que é um castigo na espiritualidade?

Resposta: Não há nenhum castigo verdadeiro na sabedoria Cabalística, porque nós não lidamos com o ser humano que parece se cansar de algo, ter raiva, ou se arrepender de algo, mas somente com o sistema da Providência. Se não executamos uma determinada função, o sistema opera de forma alternativa e cuida de nós em conformidade.

Se eu dirijo meu carro em quarta marcha e, de repente, alguma coisa quebra, eu mudo para terceira marcha. Agora, o motor funciona de forma muito mais difícil e eu dirijo mais devagar e me sinto menos confortável, mas ainda mantenho a condução. Depois, uma outra parte quebra e eu mudo para o outro estado, o que significa que tudo depende da nossa participação. Quanto maior ela for, mais rápido nós avançamos, é claro, com maior conforto, acima do tempo, superando tudo por pequenos esforços de nossa parte, ao longo do caminho do bem, e não pelo caminho do sofrimento.

Portanto, não se trata de quaisquer castigos, embora esse termo seja usado na linguagem cotidiana. Também não há castigos em nosso mundo. Se você se comportar corretamente, você avança por este caminho; se não se comportar, você está corrigido. Nós chamamos essa correção de castigo. Não é um castigo, mas uma correção.

Tal como para o sistema de correção, ele é totalmente insensível. Nós só atribuímos qualidades humanas a ele, como o bom e benevolente.

Eu também posso dizer isso quando toco piano, por exemplo; eu o considero emocionalmente como se fosse o meu parceiro ou amigo. Uma pessoa aplica seus sentimentos aos objetos com quem trabalha não importa no que se envolve, como um computador, por exemplo, embora seja apenas um pedaço de metal. Esta é também a forma como nos relacionamos com o Criador, embora seja um sistema sem emoção, como está escrito: “Ele deu uma lei que não pode ser quebrada”. O Criador é a lei da natureza!

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 15/04/15

Eu Anseio Por Doação

laitman_527_03Pergunta: Por que o Criador aflige dor aos justos, e como posso justificá-Lo?

Resposta: Para que o justo possa justificá-Lo. Você “coloca a carroça na frente dos bois”. No entanto, a verdade é que o Criador aflige dor aos justos, para que eles tenham a oportunidade de abençoar e justificá-lo. Como eles podem justificá-Lo sem a dor, com que motivos?

Uma pessoa independente deve ser oposta ao Criador internamente, e semelhante a Ele externamente. Isso significa que você deve ser feito de duas forças opostas, duas formas opostas, dois atributos opostos.

Está escrito: “Eu criei a inclinação do mal, eu criei a Torá como tempero”. Isto se refere à Luz nela, uma vez que a Luz nela a reforma. A inclinação ao mal, a matéria do desejo de receber, continua a ser como ela é, e nós temos que vestir a intenção a fim de doar acima dela. Assim, nós a reformamos com a ajuda da Luz e a alteramos para a forma boa e correta.

Quando trabalhamos dessa maneira, primeiro amaldiçoamos o Criador em todos os níveis e em desacordo com Ele. Esta é a razão do nível de Ibur (Conceição) ser chamado de “raiva e ira”. Depois nós alcançamos a bênção e a justificação do Criador, até alcançarmos o autosacrifício.

No entanto, o meu autosacrifício não é o resultado do prazer como ocorre em nosso mundo, quando estou pronto para me sacrificar totalmente se valer a pena. Nesse caso, eu não me conecto ao Criador, mas ao prazer que deriva Dele, e, se ele parar, o meu ego não vai permitir mais que eu me conecte a ele. Nós dependemos totalmente do prazer neste mundo, ao passo que, na espiritualidade, adicionamos outra dimensão, outro nível, e alcançamos a adesão com o Criador e não com o prazer e os benefícios que derivam Dele.

Agora, eu começo a valorizar o meu estado como aquele que doa e dá. O Criador não me dá. Eu não preciso de Sua doação. Eu não quero recebê-la. Não quero me aderir a Ele por causa dessa bondade. Eu não quero ser viciado nela. Quero respeitar o atributo de doação, que não tem forma ou imagem. Eu anseio por ele.

Como resultado, eu devo ser feito de duas formas, de uma forma interna que é o desejo de receber e da forma externa que é a intenção a fim de doar. Caso contrário, eu não posso estar aderido a Ele, uma vez que “o nosso coração se alegrará Nele” e não nas Luzes que vêm Dele, que só me confundem e subornam, e que eu devo resistir.

As Luzes são medidas de cima e me despertam – ou seja, o meu ego- para que eu seja aceso e me torne viciado no prazer que me deixa louco e domina minha mente e meu coração. Por fim, eu fico com apenas um ponto que não me atrai aos prazeres que vêm da Luz, e, nesse ponto, posso me manter constantemente fora do prazer, recusando as ofertas tentadoras. Isso não! Para não ficar viciado no prazer!

As tentações fazem a nossa cabeça girar, e o corpo é confundido pela emoção. Aqui, temos que preparar a garantia mútua entre nós, já que, sem ela, não posso ser independente. O prazer vem para cobrir a vergonha e me tornar independente. Baal HaSulam fala sobre isso no Talmud Eser Sefirot, “Histaklut Pnimit”, parte 1, item 7:

… Eles disseram que há uma grande falha nos presentes gratuitos, ou seja, a vergonha que encontra cada receptor de um presente gratuito. Para consertar isso, o Criador preparou este mundo, onde há trabalho e esforço, de modo a ser recompensado no próximo mundo por seu esforço e trabalho.

Mas essa desculpa é muito estranha. É como uma pessoa que diz a seu amigo, “trabalhe comigo apenas um minuto, e em troca eu lhe darei todo prazer e tesouro do mundo pelo resto de sua vida. Não há de fato maior presente gratuito que esse, porque a recompensa é incomparável ao trabalho. Neste mundo transitório e sem valor, o trabalho é comparado à recompensa e prazer no mundo eterno.

Que valor existe para o mundo passageiro em comparação com o mundo eterno? Ainda mais no que diz respeito à qualidade do trabalho, que é inútil em comparação com a qualidade da recompensa.

Nossos sábios disseram: “O Criador está destinado a dar de herança a cada pessoa justa 310 mundos, etc.” Não podemos dizer que parte da recompensa é dada em troca de seu trabalho, e o resto é um presente gratuito, pois daí o que isso faria de bom? A mancha da vergonha ainda permaneceria! Na verdade, suas palavras não devem ser interpretadas literalmente, pois há um profundo significado em suas palavras.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 16/02/14, O Livro do Zohar