Textos na Categoria 'Formação Integral'

Educação: A Principal Lei Dos Tempos Modernos

Dr. Michael LaitmanPergunta: De que forma deve a estrutura da educação integral ser introduzida em uma cidade menor? Deve-se convidar uma equipe preparada de especialistas?

Resposta: É impossível fornecer a uma cidade com uma população de 50.000 um exército de especialistas visitantes. É impossível sondar o incompreensível.

No máximo, uma equipe de 20 deve ser convidada, e todo o resto seria por meio da entrega virtual de conhecimento. Então, as pessoas devem ser reunidas em grandes grupos para palestras e eventos como festivais e festas públicas, sob os auspícios da integralidade.

É necessário, treinar simultaneamente especialistas locais. Da mesma forma como existem trabalhadores municipais em todos os lugares, a cidade também deve ter especialistas em educação integral que irão continuar a educar as crianças, anciãos e toda a população. É necessário fornecer-lhes materiais de mídia e, em geral estabelecer uma base para que esse processo continue infinitamente.

Pergunta: Quando essas medidas acontecem, em primeiro lugar, as pessoas se sentem entusiasmadas conforme se juntam a uma ação comum. Em seguida, os convidados da capital chegam e essa onda de entusiasmo diminui. O que deve ser feito a seguir, para que isso não diminua em nada?

Resposta: Eu acho que a educação integral deve ser aceita como uma lei sem que a qual a sociedade não pode mais existir. Ou seja, ela deve ser a lei mais importante e principal da cidade ou da sociedade, fundada sobre a compatibilidade, integralidade e nos complementos mútuos e participação voluntária.

Tudo que é feito hoje por várias agências e decidido em tribunais, polícia e outras autoridades será decidido num nível completamente diferente. No entanto, um departamento de educação sério é necessário para isso. Assim, é crucial criar um orçamento, incentivos materiais e conteúdo para todo o sistema que estará envolvido na educação.

Pergunta: O departamento de educação é uma agência separada?

Resposta: Eu acho que ele não deveria se relatar a ninguém, somente ao centro de formação comum do país.

Pergunta: E sobre os economistas?

Resposta: Eles não podem fazer nada, porque os departamentos locais ideológicos não se reportam a ninguém, exceto ao centro ideológico principal. Eu não posso imaginar que ele poderia ser de outra maneira.

Os economistas não podem dirigir a educação. Eles não podem interferir no processo de criação e educação nas escolas. Se surgirem problemas, eles devem ser resolvidos em conjunto ou num nível superior, mas não pairar um sobre o outro.

Da “Discussão sobre Educação Integral” #23, 02/03/12

Europa: A Nova Realidade Econômica

Dr. Michael LaitmanNas notícias (da Bloomberg Businessweek): “Recém acabou o almoço num dia chuvoso no subúrbio de Bos en Lommer, em Amsterdã, e a fila de pessoas esperando para encher seus sacos com arroz, suco, batata e pão gratuitos está se alongando.

“O mercado é um dos 135 bancos de alimentos na Holanda socorrendo as pessoas que tentam sobreviver com menos de 180 euros ($ 234) por mês, o limite para se qualificar para o auxílio. Os organizadores dizem que a demanda pelo serviço aumentou 20 por cento no primeiro trimestre…

“Em todos os lugares os europeus estão mudando de empregos, casas e hábitos para acomodar salários mais baixos, mudanças de mercados e economias em desaceleração…

“A crise agora está na porta das nações anteriormente consideradas invulneráveis ​​como os Países Baixos…

“‘As filas vão ficar cada vez maiores à medida que mais pessoas perdem seus empregos e têm problemas para pagar seu aluguel ou hipoteca”, disse Piet van Diepen, um membro do conselho do banco de alimentos.

“Na Holanda, mais de 23.000 pessoas recebem ajuda do banco de alimentos, disse ele. Os números também estão aumentando em lugares como a Grã-Bretanha, onde os números mostraram este mês que a economia voltou à recessão em meio aos maiores cortes do orçamento de qualquer um dos 10 maiores países da UE”.

Meu comentário: Esta poderia ser uma oportunidade para enviar estas pessoas para os cursos de educação integral. Em poucos meses, a face da Europa poderia mudar. As relações sociais, a garantia mútua, a comunicação e o senso de comunidade levariam à equivalência com a lei fundamental da natureza de união e cooperação.

Dessa forma, nós sentiríamos que a tensão social e política diminuiriam, e nós descobriríamos novos mecanismos de regulação da vida social. Como o Baal HaSulam escreve, o país que decidir implementar o sistema de união da sociedade através da educação dos seus cidadãos se tornará o país mais próspero e exemplar no mundo em poucos meses.

Uma Nova Pessoa Para Uma Nova Época

Dr. Michael LaitmanO grande problema actualmente é o aumento acentuado no desemprego causado pela crise económica. Afinal, construímos uma sociedade de tal forma que está a produzir mais e mais produtos e enchendo cada pessoa com tudo o possível. Ao fazer isso, abusámos das nossas capacidades e produzimos uma interminável corrente de coisas que as pessoas atiram fora assim que possível para comprar novas, tudo para o enriquecimento dos produtores.

Contudo, a crise chegou e a procura já não é mais o que devia ser numa grande sociedade de consumo e em desenvolvimento. Pelo contrário, a sociedade está a reduzir os seus consumos e como resultado tudo está a abrandar e a desmoronar-se. A indústria está a enfraquecer, as companhias estão a ir à falência e arrastando o sistema financeiro: bancos, seguros e empresas de investimento. Como resultado, os especialistas estimam que apenas 10% da população mundial trabalhará para nos fornecer todas as necessidades da vida, e o trabalho de outras pessoas simplesmente não será necessário.

Então, de repente, encontramos milhões de pessoas que continuam sem trabalho. Contudo, existe um método de acordo com o qual milhões de trabalhadores industriais e de escritórios que estão a deixar o mercado de trabalho e a tornarem-se livres do trabalho, serão capazes de começar um novo trabalho. De agora em diante a sua tarefa será formar o nosso equilíbrio com a natureza, iniciar mudanças sociais e humanas. É necessário criar um novo ser humano para a nova era que estamos a entrar.

De KabTV  “Uma Nova Vida” #20, 28/3/12

Um Jogo Interminável

A Never Ending GamePergunta: Durante o processo de educação, a pessoa tem que aprender certos modelos de comportamento. Quais são esses modelos de comportamento?

Resposta: Esses modelos de comportamento são as leis de comutação, algo semelhante à tabela de multiplicação. Antes de tudo, é a disponibilidade de cada um de entrar no outro, sentir o outro como seu parceiro no mesmo processo de ajuste.

Quando encontramos pessoas em nosso mundo egoísta, entramos num determinado contato com elas. Por exemplo, nós sorrimos a fim de estabelecer primeiro uma conexão puramente visual e, depois, emocional. Só depois é que começamos a perceber o outro mais de perto. O mesmo acontece aqui.

Quando falo de grupos e sociedades, estou me referindo a uma infinidade de grupos, que irão se familiarizar um com o outro, conectar e trabalhar em conjunto, seja por fundindo-se ou misturando-se um com o outro, a ponto de criar enormes convenções e festivais, quando diferentes grupos com a mesma preparação reúnem-se e realizam determinadas ações mútuas.

Em outras palavras, aqui nós já estamos lidando com milhares de pessoas num determinado espaço limitado, que devem interagir entre si. Ao mesmo tempo, nós podemos envolvê-las em estados e jogos especiais de modo a superar uma variedade de problemas e processos. Além disso, estes problemas e processos devem ser naturais e não artificiais. Por exemplo, de repente falta luz, ou surge certo perigo, ou o contrário, surge certa oportunidade, ou seja, alguém acha um tesouro em algum lugar. Como é que vamos interagir nesta situação?

Nós criamos diferentes condições de jogo e emoção para elas, nós tentamos tirá-las dos hábitos altruístas que elas estão acostumadas e as fazemos dependerem umas das outras  mais uma vez, o mais egoisticamente possível. Ao mesmo tempo, observamos como elas superam esses estados, e depois os esquecem, e mais uma vez tentamos estimulá-las, para lembrar e sair de seus egoísmos, na tentativa de encontrar novas forças internas para situações totalmente inesperadas.

Existem muitas oportunidades para as pessoas aqui. Eu acho que a coisa mais importante é trabalhar com estas situações, porque como uma criança, quando a pessoa joga, ela finalmente se corrige, corrige sua natureza. Nós pensamos que isto é apenas um jogo, mas na realidade esta é uma enorme meta universal para corrigir o egoísmo humano, além do qual nada mais existe. Todo o resto é a natureza inanimada,  instintiva.

Da “Discussão sobre Formação Integral” # 16, 27/02/12

A Internet Como Meio De Atingir A Meta

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o papel da Internet na interação integral? Afinal, deve haver uma razão para o seu desenvolvimento muito rápido.

Resposta: Eu acho que os cursos de aprendizagem integrais serão constantemente transmitidos. No entanto, o processo de aprendizagem, o qual poderemos assistir a transmissão a qualquer momento conveniente para nós em todas as partes do mundo, não é a única coisa que importa para nós. Há também a possibilidade de transição da percepção do mundo virtual e o mundo real para a percepção de um mundo único. Este é um terceiro mundo, onde percebemos a nova realidade como ilimitada, quando saímos de nós mesmos e começamos a perceber o mundo fora do tempo, espaço e movimento, num novo sentido, a qualidade de doação, que não pode ser medido em metros, segundos ou velocidade.

No fim, chegamos a um estado em que através da utilização de todas as possibilidades virtuais no processo de aprendizagem, gradualmente vimos um mundo onde todos os métodos eletrônicos de comunicação tornam-se substituídos por nossas qualidades interiores. E a necessidade de meios técnicos de comunicação irá simplesmente desaparecer, pois vou começar a perceber totalmente todos os mundos, juntamente com a minha nova visão integral interior e altruísta , não apenas o nosso mundo, nosso espaço, nosso universo ou o nosso mundo.

Claro que, por agora, nós naturalmente precisamos de todas as possibilidades virtuais que a Internet oferece para que possamos aprender. Mas depois, assim como uma nova percepção de si e do espaço começa a surgir na pessoa, ela vai existir nessa percepção sem ocupar-se com esses brinquedos eletrônicos. Vamos chegar a isso rapidamente.

Da “Discussão sobre Formação Integral” # 16, 27/02/12

Aposentados À Frente!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como os estudos em educação integral devem ser organizados para os aposentados?

Resposta: Com os aposentados, não é possível estudar através de comunicações por televisão, através das telas. Você precisa ficar na frente deles, ao vivo, para que eles possam senti-lo. É possível introduzir um sistema de estudo combinado, variando estudo com um professor e aulas virtuais.

Ao ensinar aposentados, o professor escolhe simultaneamente do grupo quem é apto para o ensino. Essas pessoas são fácil e rapidamente perceptíveis: elas costumam se sentar na frente e ouvem atentamente o professor. Da mesma forma, elas imediatamente se inscrevem para ser seus ajudantes, captam rapidamente o material de estudo, e dentro de um curto espaço de tempo são capazes de dar aulas por conta própria. Além disso, devemos preparar panfletos e jornais, organizar kits convenientes e acessíveis de materiais em vídeo que estarão sempre com elas.

Da “Discussão sobre Formação Integral” # 23, 3/3/12

Corpo Docente

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na aprendizagem integral, é possível utilizar a infraestrutura educacional que já existe: escolas, universidades, professores e educadores?

Resposta: Eu acredito que todos os professores durante o processo de integração devem tentar adaptá-lo rapidamente e todos devem trabalhar com o seu nicho. Uma vez que existem muitos materiais provenientes de outras fontes em educação e formação integral: física, química, biologia, geografia, ciências naturais, etc., seria desejável que os professores continuassem a ensinar seus assuntos, e ao mesmo tempo, também adquirir certo nível de conhecimento integral, que implantariam em suas salas de aula. Isto vem em primeiro lugar.

Segundo, há professores, que podem rapidamente adaptar o método integral ao ensino, tomando cursos de educação integral. Por sua vez, eles se tornariam os educadores e professores do ensino integral. Assim, haveria um fornecimento constante de pessoal.

Pergunta: Como os professores podem ser aplicados no início do processo educacional?

Resposta: Primeiro de tudo, eles continuam fazendo o seu trabalho regular, não param de fazê-lo. O ensino das crianças nas escolas deve continuar.

E os estudos do método integral devem ser simplesmente adicionados em todos os lugares onde possam ser adicionados; eles devem ser implantados em todos os processos produtivos e educacionais possíveis, mas nunca de uma forma que possa prejudicá-los: isso deve ser feito o mais suavemente possível.

Da “Discussão sobre Formação Integral” # 23, 3/3/12

O Novo Modelo De Homem

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o papel do guia, do moderador, num grupo de educação e formação integral?

Resposta: É muito mais fácil estudar a teoria do que gerenciar pessoas e ensinar-lhes lições práticas, levando-as a conclusões que não podem chegar por si mesmas. Pelo contrário, aqueles que estudam de acordo com este método chegam a estas conclusões e experimentam este método por si mesmos e inventam um método de reforma pessoal, quando de repente começam a sentir que o grupo é o “artista” que esculpe algo totalmente novo deles.

Com um sentimento e impressão inesperados, eles percebem o quanto podem mudar. Além disso, o que antes parecia ilógico de repente torna-se comum, e o que era imperceptível antes de repente é percebido e aceito mais facilmente, e até mesmo coisas que discordavam de repente parecem diferentes.

Então, primeiro eles começam a estudar a influência que a sociedade tem sobre a pessoa. Ao mesmo tempo, cada um descobre, surpreendentemente, como é dependente do ambiente e em que medida que pode ser manipulado pelo ambiente.

Nós podemos comparar isso a um grupo do tipo Vigilantes do Peso, Alcoólicos Anônimos, ou de pessoas tentando parar de fumar, etc. Não se trata de abandonar certo hábito e formatar uma personalidade totalmente nova: não se trata de você “se formatar” de acordo com o mesmo padrão egoísta, mas da aquisição de uma perspectiva totalmente nova, uma nova natureza, um novo código de comportamento, da mudança das pessoas.

Às vezes isso pode ser bastante desagradável, ou pelo menos surpreendente, porque a pessoa não pensa que pode mudar a si mesma tão facilmente usando o ambiente.

O ambiente está disposto a ajudá-la nisso. Se este age de acordo com determinado método, e explica às pessoas no que elas têm que se transformar, então existe uma cooperação mútua precisa no grupo, quando todas brincam juntas e este jogo coletivo, assim como num teatro, transforma-as em pessoas totalmente novas. Além disso, o papel que elas estão jogando continua a fazer parte delas.

Há muitos “mas” aqui; a questão é se o papel que elas começam a jogar continua a fazer parte delas para sempre. Isso se torna parte delas como a memória permanente de um computador? Ou é temporário e pode mudar por diferentes atributos, funções e outros papéis? Isso depende da orientação que a pessoa recebe e a orientação do grupo, e se estes grupos vão se tornar um incentivo constante que influencia as pessoas.

Da “Discussão sobre Educação Integral” 27/02/12

Uma Mudança Interna

Dr. Michael LaitmanO simples fato da pessoa estudar de acordo com o método da educação integral a muda de tal forma que o seu paradigma e seus sentimentos mudam o mundo em que vive, e ela sente o mundo como um lugar totalmente diferente. Nós podemos dizer que criando um mundo imaginário para uma pessoa, podemos mudar os seus parâmetros internos naturais e psicológicos. No geral, hoje nos desenvolvemos de forma absolutamente bestial e vemos que não podemos continuar existindo desta forma. Isto significa que podemos mudar o mundo apenas pela nossa percepção, e é isso que estamos fazendo.

Aqui nós já começamos a sentir que uma mudança interna real e profunda está ocorrendo na pessoa, e podemos ver como ela muda internamente e todo o mundo se torna diferente. A vida é basicamente um sentimento de algo que realmente não existe, é simplesmente como você sente.

Portanto, nós temos que constantemente realizar um trabalho psicológico muito sério nos workshops, travar relações em nossos sentimentos, nas definições: O que realmente significa isso, de forma relativa e objetiva, o que é a sociedade, quem sou eu, e qual é o status ao qual devemos nos agarrar, uma vez que tudo está mudando constantemente e é muito vago? De repente o mundo e eu nos tornamos algo que é indefinido, dependente, e onde você pode levar uma pessoa na direção que você deseja: Onde estamos?

Nós temos que ter esse sentimento, porque por um lado ele se relaciona com as opções que a pessoa tem. Por outro lado, esses sentimentos devem ser livres, e a pessoa deve sentir que pode mudar o mundo e a si mesma e conectar-se a outros. Os outros também percebem que este mundo é realmente uma pequena imagem que congelou na nossa imaginação, na nossa impressão, e que pode ser alterada.

O importante é retratar a imagem certa para uma pessoa e o que deveria ser: a saída total de si mesma para fora e a sensação da força única da natureza, que é a força de doação e o amor, de bondade e cooperação mútua. Quando nós estabilizarmos esta imagem, este sentimento, na mente de uma pessoa e a sociedade a apoia, nós começaremos a mudar sem medo, e haverá realmente uma transição interna da percepção egoísta da realidade (em mim), para a percepção externa (a partir de mim).

Da “Discussão sobre Educação Integral” 27/02/12

Não Afunde Os Outros Hoje, Para Que Eles Não Afogarem Você Amanhã

Dr. Michael LaitmanEu passei a minha vida inteira cuidando de mim mesmo, tanto interna e instintivamente, quanto conscientemente, intencionalmente e deliberadamente. Neste caso, como eu faço para mudar completamente a minha natureza? Como posso aprender a amar o próximo? Afinal, amar o próximo significa pensar apenas nele, colocar todo o meu corpo ao seu serviço, todos os meus meios, habilidades e geralmente tudo o que eu tenho. E fazer isso a tal ponto que não vou ter nada exceto esse ponto do desejo de doar para ele e implacavelmente cuidar dele para que ele se sinta tão bem quanto possível.

É assim que uma mãe cuida de seu filho. A própria Natureza a dirige incansavelmente para cuidar da criança, e a única coisa que lhe interessa na vida é que esses quilos de carne se sintam bem. Ela só pensa em como arrumá-lo confortavelmente, com que alimentá-lo, quando mudar a fralda, e no geral, o que fazer com ele para que ele se sinta ainda melhor. Não existe outro cuidado para ela.

Como podemos seguir o seu exemplo para que possamos tratar toda a humanidade da mesma maneira, com a mesma devoção? Isso é impraticável!

Mas, poderia a Natureza realmente definir condições impossíveis diante de nós? Por que, então, chegamos a um estado completamente oposto? Por que estamos totalmente imersos no interesse próprio? Além disso, embora os animais constantemente também se preocupem consigo mesmos, as pessoas, além disso, querem lucrar à custa dos outros, usá-los, impor seu poder e opiniões sobre eles, dobrá-los à sua vontade. Uma pessoa se deleita em se elevar sobre os outros. Além disso, ela gosta quando se sentem um pouco pior do que ela, quando ela está num estado mais vantajoso em relação a eles. Uma pessoa avalia constantemente a si própria em relação àqueles em torno dela, e só através disso é que ela estabelece a extensão da sua satisfação.

Se o egoísmo me levou ao ponto onde me sinto acima de todos e onde preciso deles somente para sentir a minha superioridade, como posso mudar essa natureza e mudar para um estado oposto? Talvez seja vantajoso para eu imaginar uma situação utópica em que me preocupo com meu próximo e recebo prazer disso, como uma mãe que cuida de seu bebê? Suponha que eu amasse os outros da mesma forma que ela faz e gostasse de estar constantemente cuidando deles, então, talvez, eu sentiria absoluta realização pessoal com isso?

No entanto, não vejo qualquer meio para conseguir isso. O que me obrigaria a isso?

Na verdade, a humanidade ponderou isso por milhares de anos. Ao longo da história, muitos livros foram escritos, muitas tentativas foram feitas para implantar algo semelhante: construir um bom ambiente, formar organizações correspondentes. Mesmo centenas de anos atrás, os utopistas tentaram criar as condições para as boas e afáveis relações entre as pessoas em diferentes cantos do mundo. No entanto, eles não tiveram sucesso na implantação dessas iniciativas.

No curso de nosso desenvolvimento, estamos nos tornando mais inteligentes e conhecendo a natureza humana cada vez melhor, e agora entendemos que somos incapazes de nos levantar acima da nossa própria natureza. Talvez seja mesmo uma coisa boa. Talvez isso nos dê algo especial. Mas, a construção de tal sociedade é impossível: uma ideia utópica, de fato.

É por isso que em nossas sociedades nos limitamos às leis de conduta, de modo a não prejudicar muito o nosso próximo. Nós temos advogados, contadores, sociólogos, psicólogos, políticos, e assim por diante, e eles padronizam as leis sociais. Nós nos unimos com os outros, mas apenas a fim de receber serviços. Por exemplo, um município se preocupa com a ordem na cidade, com a limpeza do lixo e outros serviços, como creches, escolas, centros culturais e assim por diante. Nós estamos dispostos a contar com as necessidades de todos e, neste caso, vale a pena nos unir. Afinal, graças a isso cada um paga uma quantia relativamente pequena para uma ampla gama de serviços. Essas coisas são claras para nós, pois através delas recebemos um benefício real, calculável.

Mas, quando se trata de mudar as atitudes das pessoas no reino dos sentimentos e emoções, de modo que a pessoa leve em consideração o seu próximo ao invés de ouvir seu próprio coração, isso é algo que não podemos fazer.

E aqui chegamos a um entendimento do estado especial da crise que estamos hoje. É uma crise muito estranha, e em sua essência, ela pertence às relações entre nós. Usando todas as mesmas formações egoístas já tentadas, buscou-se construir uma sociedade mais confortável para todos, tendo em conta os interesses comuns de uma forma ou de outra. Nós entendemos que um excesso de pessoas descontentes vai levar a confrontos e conflitos irreconciliáveis, e isso ameaça provocar guerras civis. Ao longo de todas as épocas, temos tido conhecimento de que o nosso egoísmo precisa ser bem refreado para que não nos devoremos uns aos outros.

No entanto, todos esses cálculos foram construídos sob um “guarda-chuva egoísta”: Nós entendemos que essa é a nossa natureza e que temos de nos conter dentro de certos limites. Mesmo que nosso mundo brilhe com facetas egoístas, ele ainda requer um mecanismo único, a fim de evitar os surtos que ameaçam destruir todas as nossas realizações. Foi assim que a humanidade chegou a criar o Banco Mundial, a ONU e outras organizações internacionais, e como chegamos a uma maior comunicação e a contabilidade mais completa de interesses.

Em particular, durante o último século percebemos que é necessário levar mais em consideração o outro. As duas guerras mundiais mostraram-nos que ninguém ganha na guerra desenfreada, pelo contrário, todo mundo sofre uma perda como resultado, e todo mundo paga um preço caro por isso.

É por isso que a humanidade criou todos os tipos de comunidades e canais de comunicação. Há ainda “botões vermelhos” em Moscou e Washington para o estabelecimento de contato de emergência em caso de uma ameaça global. Existe certa forma de confiança aqui simplesmente porque está claro para todas as partes envolvidas que ninguém sairia de um conflito incólume e proveitosamente. Assim, percebendo que não há alternativa, armados com uma base acumulada, podemos agora estabelecer certas interações e comunicação.

Por um lado, essa ainda é uma abordagem egoísta, mas por outro lado, tal processo ainda leva à proximidade entre nós. Mesmo que cada vez mais nós nos odiemos e queiramos matar os outros, está se tornando claro que eles são tão fortes, e, portanto, é vantajoso levarmos o outro em consideração.

De KabTV “Uma Nova Vida” #13, 11/01/12