Comentário: Continuo confundindo desejo, intenção e ação. Não consigo me sintonizar adequadamente com nenhum deles, nem com todos juntos.
Minha Resposta: Tentarei explicar de forma sequencial e concisa.
O Objetivo: O mais importante na vida de uma pessoa é alcançar o propósito da vida (da criação), que é a completa união com o Criador. Esse deve ser o resultado de todos os seus esforços na vida.
Os Meios para Alcançar o Objetivo: A união com o Criador se dá pela equivalência de forma. Mas o Criador é o desejo de doar e o ser humano é o desejo de receber. Portanto, a equivalência não se alcança pela similaridade de desejos, mas pela similaridade de intenção — com que intenção eu uso meu desejo.
Nossos desejos sempre serão opostos: o Criador deseja dar, e nós desejamos receber. Caso contrário, não existiríamos como entidades distintas Dele.
Uma vez que fomos criados a partir do desejo de desfrutar, só podemos alcançar a equivalência com o Criador mudando, não o desejo em si, mas a intenção — o propósito para o qual usamos o desejo.
Assim, nosso trabalho se concentra apenas na intenção, e a ela unimos o desejo na medida em que a intenção correta “em nome do Criador” o permite.
Restrição do Desejo (Tzimtzum): Portanto, devemos adquirir a força interior para usar o desejo desde o zero, sempre em proporção à intenção correta, “em nome do Criador” (na doação e no amor).
Isso significa que, inicialmente, devemos obter controle sobre todos os desejos, impor uma restrição a eles (Tzimtzum, Tzimtzum Aleph, a primeira restrição) e, em seguida, usar cada desejo apenas parcialmente, na medida em que possuirmos a intenção adequada.
Reconhecimento do Mal (Hakarat HaRa): A equivalência com o Criador é alcançada através da equivalência de intenção. Ao buscarmos a intenção de doar, começamos a descobrir cada vez mais a intenção de receber (Klipa) dentro de nós.
A revelação dessa intenção corrupta é chamada de exílio — o exílio egípcio (Galut Mitzrayim).
Se persistirmos em tentar mudar a intenção de “tudo para mim” para “tudo para o Criador”, chegamos à sensação de nossa escravidão ao egoísmo — a intenção “para o meu próprio bem” (por amor a Faraó).
Revelação do Mal: Nesse estado, percebemos gradual e plenamente que nossa natureza, não o desejo de receber, que é constante, mas a intenção “para mim mesmo” — é o nosso verdadeiro inimigo.
Ao tentarmos nos libertar da intenção “para mim mesmo” e adquirir a intenção “para o Criador”, descobrimos nossa absoluta impotência diante desse inimigo.
Revelação dos Meios de Correção: Ao final dessa compreensão, descobrimos que somente o Criador, a luz da correção (a luz da Torá, a luz que nos cerca), pode corrigir nossa intenção. Então, saímos da escravidão da má intenção para a intenção de doação (equivalência com o Criador). Significado: somente o Criador (a luz superior) pode nos libertar do estado egoísta — a servidão egípcia, o estado de pensar apenas em nós mesmos.
Portanto, o principal é isto: Pense na luz, no Criador, que pode, e somente Ele pode, corrigir você (sua intenção) de “para mim mesmo” para “para o Criador”, faça o Tzimtzum e use o desejo somente na medida em que a intenção “para o Criador” estiver presente.
Assim, alinhe todas as suas ações neste mundo com a luz que reforma, para que ela lhe dê a intenção “para o Criador”.
Se algo não estiver claro, escreva-me e eu esclarecerei.
Categoria: Oração e Intenção, Perguntas e Respostas, Trabalho Espiritual por souzapin - Comentários desativados em A Obra Do Criador: Desejo – Intenção – Ação