Sem Me Voltar Para Mim Mesmo
Pergunta: Existem sentimentos diferentes de maldade em relação ao Criador e em relação ao amigo?
Resposta: Para nós, o desejo de receber não faz diferença se estamos lidando com o Criador ou com um amigo. Não há distinção, pois sempre formamos nossa atitude a partir de nossas próprias entranhas não corrigidas.
Se uma pessoa direciona sua atenção para algo fora de sei desejo de receber, seja o Criador ou um amigo, a medida da correção e a magnitude e qualidade do desejo de receber determinam sua atitude em relação a esse objeto. Não há diferença.
Portanto, podemos usar o grupo e, de acordo com nossa reação a ele e com nossas relações mútuas, examinar e analisar criticamente nosso desejo de receber, exigir correções e implementá-las. Afinal, se algo tem uma direção voltada para fora do desejo de receber e a transcende, o mesmo se aplica tanto ao grupo quanto ao Criador.
Contudo, quando se trata da minha atitude em relação a mim mesmo, então, obviamente, importa se estamos falando do grupo ou do Criador. Que prazeres o grupo pode me dar em comparação com o Criador?
Tudo depende do grau de confiança que eu deposito em mim mesmo. Pode ser que eu imponha uma restrição em relação ao Criador e diga: “O que é o Criador para mim? O que me importa é o respeito ao grupo”. Ou, ao contrário, posso já restringir minha atitude em relação ao grupo: “Para que preciso do grupo? Eu quero o divino”. Mas sou eu quem deseja.
Quando uma pessoa tenta trabalhar sem se voltar para si mesma, descobre que, se não é para si, mas para fora de si, não lhe importa para quem é feito ou a quem exatamente trará benefício. Se é fora de mim, se nem no início, nem durante a ação, nem depois eu recebo qualquer resposta dentro de mim, que diferença faz qual dos mil fatores possíveis eu estou agora dedicando, se os resultados permanecem lá e não retornam a mim?
Que diferença faz quais sejam esses fatores? Da perspectiva do desejo de receber, não consigo analisá-los; não tenho nenhuma conexão com eles. Acontece que eu simplesmente projeto algo de mim para o espaço, e isso é tudo.
Mas como avalio a doação que recebi? É grande ou pequena? De alta qualidade? O fato é que eu só meço o quanto ela está desapegada de mim. Como escreve Rabash, existe uma consciência da grandeza do Criador antes de uma pessoa se desconectar de si mesma, e existe uma consciência da grandeza do Criador depois que ela se desconecta de si mesma.
No segundo caso, eu trabalho num estado em que não sinto de forma alguma meus atos de doação. Desagrupo-os do meu “eu” como se os lançasse ao espaço.
Por que faço isso? Porque a sociedade me dá a sensação da importância de tais ações. Em outras palavras, adquiro um sentimento da importância de algo que está fora do meu desejo de receber, um Kli, um desejo não realizado, e de repente sinto que devo satisfazê-lo doando algo de mim mesmo. Assim, um certo desejo externo a mim é satisfeito.
Se uma pessoa trabalha nisso, ela gradualmente passa para um estado no qual pode realmente sentir o que significa agir não por si mesma, acima da razão. E isso acontece gradualmente.
Da Lição Diária de Cabalá 26/02/26, Rabash, “O que é, ‘O Sabotador Estava no Dilúvio e Estava Matando’, na Obra?”
Pergunta:
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Nosso único trabalho é aquele que visa concretizar a grandeza de quem dá, como no exemplo do convidado e do anfitrião.