Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Acordar Sem Fazer Um Movimento

Todo o nosso trabalho é o de descobrir o real, fixo, já existente, eterno, inteiro estado em que nos estamos. Nós temos que evocar os nossos sentimentos e pensamentos para que possamos senti-lo em vez de o mundo que estamos sentindo agora. Temos que abrir os nossos corações e mentes sem fazer um movimento, mas apenas despertar mais de cada vez até chegarmos à adesão com o Criador.

Se esta é a forma como nós imaginamos este estado, entendemos claramente que tudo o que nos acontece sinaliza os locais que temos a que prestar especial atenção. É nesses lugares que temos que esclarecer os nossos sentimentos, pensamentos, intenções e atitude para com os nossos atributos, a fim de desenvolvê-los mais numa sequência e ser digno da revelação do estado em que estamos na adesão constante com o Criador.

Portanto, não há para onde correr. Nós temos que voltar para o mesmo ponto interno que começa a partir do ponto no coração, de cada vez, e assegurar que ele se desenvolve constantemente. Não há nada mais que possamos descobrir em toda a realidade, exceto a única força que está dentro de nós que nos apoia e cuida de nós o tempo inteiro.

Se uma pessoa pára dessa forma, vendo apenas uma direção certa para o seu desenvolvimento que leva à revelação da força superior que está no ponto no coração, e não se desvia dessa direção, e intencionalmente pára e restringe todas as outras formas que aparentemente lhe permitem desenvolver, ver, verificar e sentir, em fechá-los com toda a força , significa que ele está direcionando os seus poderes para alcançar a meta.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 19/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Traçar Uma Linha Entre Receber E Doação

O momento em que uma pessoa vem reclamar com o Criador, há uma ocultação de imediato e ela não está mais centrada no Criador, mas sim em um outro objetivo. É porque o Criador é a única força, não há outro além Dele e Ele é bom e benevolente. Se você apontar diretamente para Ele, então você não pode ter quaisquer queixas. O momento que você desviar um pouco da direção certa, você imediatamente se sente insatisfeito e cheio de reclamações.

Vire-se na direção certa e faça o seu melhor até você se desviar de novo e começar a reclamar. Assim, pela sua insatisfação e pela sua superação que ocorre, você avança para o Criador, como um barco que avança por aderência. Isto porque você não pode avançar diretamente para o Criador; você não tem o atributo de doação, os atributos do bom e benevolente. Você tem que construir essa imagem acima do seu atributo de receber, a partir de sua contrariedade. Você constrói uma réplica desses atributos, e não os atributos reais.

É de conhecimento comum que a única maneira de criar uma escultura é removendo o excesso e ou o supérfluo. Você pode pegar numa pedra grande e tirar-lhe todas as partes desnecessárias para obter a forma desejada. Você pode pegar gesso e fazer uma estátua de fora, mas em qualquer caso, o principal é a fronteira, a forma externa que criamos em cima do desejo de receber, esclarecendo-nos, cada vez, onde traçar a linha entre o desejo de receber e do desejo de doar.

Assim, o nosso trabalho é sempre feito da inclinação para assemelharmo-nos e, por essa razão, uma pessoa é chamada de “Adam – homem”, que significa “Domeh” (semelhante ao, em hebraico) ao Criador. Nosso trabalho é o de justificar o Criador. Eu não posso me concentrar nisso, tornar-me bom e benevolente e não há outro Além dele, por mim mesmo. Mas por o justificar a Ele, eu me torno igual a Ele e atribuo a mim a Sua forma.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 17/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Um Grande Positivo Acima De Pequenos Negativos Individuais

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso verificar se o meu trabalho é real?

Resposta: O trabalho real é quando eu uso o ambiente, o grupo, tanto quanto eu posso, querendo descobrir a nossa forte conexão mútua. Eu tenho que descobrir uma boa atitude honesta por parte do grupo em relação a mim e aceitá-la como a atitude do Criador para comigo, que se vestiu no grupo. De minha parte, eu tenho que expressar a mesma atitude para com o grupo: honesta, calorosa e boa, em perfeita conexão de acordo com o meu nível.

Não há outro lugar onde possamos encontrar e realizar as relações entre nós, exceto no grupo. Um grupo não significa estabelecer conexões pessoais com todos, mas tratar a todos igualmente, ao querer descobrir o Criador na conexão entre nós.

Nós somos todos diferentes e cada um traz sua singularidade e suas diferenças, todas as suas queixas e os seus problemas, e todos os estados negativos que atravessa. Nós chegamos ao grupo com todas estas diferenças, com nossas desvantagens (-), mas trabalhamos da maneira oposta, de modo que todo mundo vai transformar isso em positivo (+). Todos os nossos pontos positivos se conectam num grande “positivo”, e assim construímos o Criador, visto que este positivo foi criado acima de todos os nossos “negativos”.

No “negativo” eu consigo minha independência e permaneço com meu próprio “eu”; o “eu” não é apagado. Em nosso “positivo” nós chegamos a um “vazio”, pois é lá que a pessoa quer se dissolver e desaparecer no grupo. Assim nós passamos por uma mudança completa: de um extremo ao outro e incluímos as duas forças dentro de nós. O que nós temos é chamado de “razão”, mas acima há a “fé”, que é “acima da razão”. Isso significa que nós constantemente preferimos a doação, colocando-a acima da recepção.

Este é todo o nosso trabalho, que só pode ser realizado no grupo. A diferença (Δ) entre o “eu” e o “vazio” sempre determina a altura do meu nível, onde eu sinto a minha Luz de NRNHY.

Da 1ª Parte da Lição Diária de Cabalá 17/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Apegar-se Às Suas Qualidades

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “Discurso Para a Conclusão do Zohar“: Nós devemos entender o que significa a Dvekut (adesão) com o Criador. Afinal, o pensamento não tem nenhuma percepção Dele de forma alguma. Na verdade, nossos sábios têm discutido esta questão antes de mim, perguntando sobre o versículo, “e apegar-se a Ele: Como pode alguém apegar-se a Ele? Afinal, Ele é fogo que consome”.

E eles responderam: “Apegar-se às Suas qualidades: como Ele é misericordioso, você é misericordioso; como ele é compassivo, você é compassivo”.

Se nós alterarmos vários atributos em nós, transformando-os de “a fim de receber” para “a fim de doar”, como isso nos permitirá compreender quem é o Criador? Além disso, como isso nos ajuda a nos assemelhar a Ele? Como podemos adquirir esta semelhança? Como nos aderimos a Ele? Afinal, é impossível tocá-Lo. Assim, como fazer “truques” internos que nos permitam nos assemelhar a alguém que nem mesmo vemos e com quem não conseguimos nos identificar? Como podemos compreender o princípio: “por Suas ações Lhe conhecemos?”. Como as mudanças internas me levam a Ele? Como é possível amar os outros se não é minha natureza?

Eis porque eu não sou obrigado a amar diretamente, mas posso corrigir meus 611 desejos. Assim, a 612ª correção será a aquisição completa do atributo de Hassadim, e a 613ª correção será “receber para doar”. Assim, é impossível obrigar alguém a amar, mas é a partir das correções que a precedem que podemos atingi-lo.

Assim é como a semelhança com o Criador é atingida. Vamos cumprir e organizar todas as ações necessárias internamente, mas isso não significa que todas as ações em si sejam importantes, mas sim os esclarecimentos que fazemos em relação a cada detalhe. Todos os esclarecimentos somam e acumulam e se transformam em vasos espirituais.

Assim, nada está faltando em nosso trabalho. Nós não podemos chegar ao final da correção em um salto. Na verdade, já estamos no final da correção, mas não temos os vasos para senti-la. Então, nós devemos coletar todos os vasos ao longo do caminho para finalmente chegar a esta revelação.

Pergunta: O que significa para nós hoje “apegar-se ao Criador”?

Resposta: Eu construo Sua imagem dentro de mim através de diferentes discernimentos que faço internamente. Não se trata de sinais externos, mas de uma essência interna. O Criador é um espírito de doação que nasce e me preenche. É uma atitude na qual eu posso produzir o “doar a fim de doar” ou o “receber a fim de doar”. É uma reflexão que eu pondero de dentro de mim, para fora.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/02/13, “Discurso Para a Conclusão do Zohar

Uma Sombra Que Está Aderida À Luz

Dr. Michael LaitmanBaixeza não é quando não tenho o poder de fazer alguma coisa, mas quando penso que realmente faço alguma coisa. Baixeza não é alguém que não pode ser um herói, mas alguém que pensa que é um herói. Se o ego desperta numa pessoa, tudo o que ela diz indica sua baixeza.

Afinal, tudo é gerido pela Luz superior. Mas a pessoa pensa que tem o seu próprio poder, sentimentos e mente em seu ego, e esta é a sua baixeza. A baixeza está no fato de que ela não compreende que não sente e não percebe que o seu desejo de receber é apenas uma réplica da Luz. É apenas uma sombra da Luz e que não tem nada exceto essa sombra.

Se a pessoa sente e entende isso, se ela luta contra a baixeza que é evocada nela repetidas vezes a fim de revelar a diferença entre ela e o Criador, então ela entra em outra baixeza, que na verdade não é um sinal de baixeza, mas de adesão. Ela não quer estar aderida ao seu desejo e servi-lo devotamente, não na sombra, que é a réplica oposta da Luz que imagina que existe independentemente, pois está separada da fonte. Em vez disso, ela quer servir devotamente à própria Luz. Assim, ela chega à adesão com a fonte.

Então, ela é preenchida com orgulho, poder, com tudo o que a Luz tem por ter anulado o seu desejo de receber perante o Criador. Ela agradece ao Criador por ter criado este desejo de receber, através do qual a pessoa pode sentir como pode se aderir ao Criador. Assim o esclarecimento da baixeza pessoal constantemente ajuda a pessoa a se aproximar da verdade, da fonte. Então, onde ela sente a Sua baixeza, é o lugar onde descobre a humidade do Criador e Sua grandeza.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 18/02/13

O Comandante Geral Na Guerra Do Criador Contra Amaleque

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Escritos do Baal HaSulam, Carta 17: Isto é porque há aquele que anda, que é pior do que aquele que está sentado de braços cruzados. É ele quem se desvia da estrada, pois o caminho da verdade é uma linha muito fina que a pessoa caminha até chegar ao palácio do rei.

A pessoa que começa a andar no início da linha precisa de um grande cuidado para não se desviar para a direita ou para a esquerda da linha tanto quanto um fio de cabelo. Isto é assim porque, se no início o desvio é como um fio de cabelo, mesmo que ela continue completamente em linha reta, é certo que não chegará ao palácio do rei, pois não está pisando na linha da verdade…

Pergunta: O que devemos fazer para nos defender e permanecer no caminho certo se estamos totalmente nas mãos da força superior?

Resposta: Na verdade, se eu estou no mundo que é governado pela força superior, então por que eu deveria estar cuidando de mim mesmo? Esta força não pode cuidar de mim? Diz-se que o Criador coloca a mão sobre a boa-fé e diz: “Escolha-a”! É Ele que nos traz para o grupo, o professor e os livros. De quem devo me defender se “não há ninguém além Dele”?

No entanto, a fim de esclarecer o ponto de adesão, para me tornar sábio, sensível, e realizado de acordo com o nível do Criador, eu tenho que lutar contra todas as forças que são aparentemente opostas a Ele. Eu tenho que elucidá-las, classificá-las e descobrir quais agem “a favor” e quais “contra”. Nesta guerra, entre “aliados” e “adversários”, eu tenho que chegar à conclusão de que não sou capaz de lidar com isso sozinho, mesmo que eu tenha sentimentos, cérebro e certa experiência.

Eu ainda preciso do Criador ao meu lado, independentemente da minha mente e sentimentos que me ajudam apenas no início e depois apenas interferem. Isso explica por que eu peço a ajuda do Criador e luto apenas junto com Ele, o que se chama lutar pelo “poder da fé”.

Isso me torna um juiz, um comandante geral na guerra do Criador contra Amaleque, ficando entre os dois. Toda esta guerra se desenrola de acordo com meus esclarecimentos e solicitações. Esta é a forma que avançamos.

Há “erros” fatais que são difíceis de explicar. A fim de compreendê-los, a deve ver o sistema como um todo. Ela comete um pequeno erro insignificante no início de sua trajetória nas situações que entende e, portanto, perde o caminho e não consegue voltar a ele.

Em uma de suas cartas o Baal HaSulam descreve uma pessoa que recebeu a sorte grande de chegar ao Jardim do Éden. Lá, ela sente que o Criador está bem atrás dela. Ela se vira e segue o Criador, e, de repente, percebe que não conseguiu dizer o lugar onde o Jardim do Éden terminava e o inferno, que é logo depois dele, atrás do muro, começava. Ele sai do Jardim do Éden e recebe de volta à sua vida normal. O Criador permanece no jardim e fecha a porta no muro até a próxima vez, talvez depois de um par de círculos de vida.

Claro, não podemos avançar sem cometer erros. Diz-se: “Não há homem justo sobre a terra que faça o bem e não peque”. No entanto, diz-se sobre outros erros que nós cometemos quando o Criador nos ensina e nos obriga a errar, de modo que entendamos profundamente o básico onde nunca devemos cometer erros.

Em cada etapa há um erro que o Criador me traz. No entanto, Ele me segura pela mão, como um adulto segura a criança, leva-me a este erro, e diz: “Veja, você poderia ter caído aqui, este lugar é perigoso”. Ele me ajuda a sentir lugares problemáticos. Eu sou como uma criança nas mãos de um adulto que me carrega e ensina. Portanto, eu não estou com medo e me sinto confiante em Suas mãos.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 06/02/ 13, Escritos do Baal HaSulam

Eu Não Sinto Que Estou Distante De Vocês

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Carta 27: Claro que eu quero me unir com seus corpos e almas. Embora eu não possa trabalhar, exceto na espiritualidade e na minha alma, eu conheço sua alma e posso me unir a ela, mas vocês não podem trabalhar em seus corações, mas apenas com o corpo, pois não conhecem a minha espiritualidade, de modo que possam se unir a ela, e se vocês também entendem isso, também vão entender que não sinto que estou distante de vocês, mas vocês precisam estar perto do corpo e do local do curso, mas é para o seu próprio eu e para o seu trabalho, e não para o meu trabalho.

Mas eu oro ao Criador que Ele os conduza pelo caminho da verdade e que vocês sejam salvos dos obstáculos ao longo do caminho, e que o Criador seja por vocês em tudo que vocês fazem.

E de sua parte vocês têm que ter o cuidado de seguir o caminho que tenho preparado para vocês, na questão do coração e da mente, anseios e orações, e então o Criador certamente vai nos ajudar e, em breve, nos uniremos em nosso coração e alma.

É claro que as distâncias não importam para um Cabalista, que compreende o estado interior de seus alunos e não importa em que mundo ele se encontra: num corpo ou sem corpo, distante nesse mundo ou perto. Se há uma conexão entre o professor e os alunos, então nada pode afetá-la. Acontece que o problema reside apenas nos alunos, para os quais é difícil administrar sem a sensação física mútua ou do professor. Portanto, não há outra solução, exceto acelerar o progresso, tanto quanto puderem.

Da 1ª Parte da Lição Diária de Cabalá 17/02/13, Escritos do Baal HaSulam

Ligando Os Ponteiros Do Relógio Do Ódio Ao Amor

Pergunta: Quem são os inimigos de uma pessoa, se todo o seu mundo está dentro dela?

Resposta: Todos os seus desejos e pensamentos são seus inimigos.

Normalmente, as pessoas a sua volta, que não lhe causam preocupação ou não lhe dizem respeito, não significam muito para você. Mas são as pessoas que parecem ser seus inimigos ou aquelas a quem você odeia, essas, são a maior ajuda para o seu avanço. Só devemos entender como usar esse tipo de ajuda.

Se essas pessoas são seus amigos no grupo, você tem que transformá-los de seus inimigos para seus amigos queridos. Não faz diferença se alguém te odeia ou se você o odeia. Normalmente você é o único responsável pelas relações ruins, mas você tem que mudar as coisas do ódio para o amor. Não é fácil assim. Comece a calcular as coisas neste sentido oposto internamente e você vai ver o trabalho intenso envolvido.

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Da 1ª Parte da Lição Diária de Cabala de 11/2/13, Escritos do Baal HaSulam

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Diante De Um Portão Aberto

Uma pessoa chega ao portão principal, que leva ao mundo espiritual e se retira no último momento. É porque esta porta só abre se você aceitar as condições do superior. Enquanto você apenas se aproxima, você pode suportá-las até certo ponto, mas você não consegue cortar-se totalmente do passado e concordar em dar um passo para o futuro. É porque este portão é a fronteira entre o passado e o futuro, e portanto você recua.

Pergunta : O que é que nos falta nesse momento?

Resposta : Existe uma falta de apoio mútuo, a força do apoio do meio ambiente. Nós só podemos evocar o Criador e forçá-lo a agir por apoio mútuo. Você não pode ir até o portão sem a ajuda do ambiente, sem ser empurrado por trás e sem os outros pedindo por você.

Atravessar o portão para o mundo espiritual implica ter meios para se conectar com outros vasos, a fim de descobrirmos juntos a realidade que existe para além do portão. Nós abrimos a porta entre nós, por isso é impossível conseguir sem o apoio dos outros!

Este apoio depende de quanto eu consigo evocar os amigos. Eles existem e me apoiam apenas na medida em que eu os evoque, uma vez que são as partes da minha própria alma. Apenas parece que eles têm livre arbítrio e que alguém age contra mim. Tudo isso me é dado para que eu possa corrigir-me e atingir o seu apoio para isso. A fim de o fazer, eu tenho que dominar o meu ego; estas são as regras do jogo.

É um teatro onde, em conjunto comigo, há também diferentes atores no palco: alguns parecem meus amigos e outros inimigos, alguns me amam e outros odeiam-me. Com a sua ajuda e por meios diferentes, eu tenho que levar o meu ego à correção.

Mas na verdade eles não existem, eles só surgem para que eu possa realizar minhas ações com relação a eles. Numa ocasião eu trato-os como meus amigos e noutra como meus inimigos. Isso significa que eu devo perceciono-os “dentro da razão.” Noutra vez eu trabalho “acima da razão” e aceito isto como sendo o jogo do Criador. Toda a Torá deriva da combinação destas duas perspetivas.

Da 1ª Parte da Lição Diária de Cabala de 14/02/13 , Escritos de Baal HaSulam

O Criador Está Escondido Entre Nós

Pergunta: Se o mais importante é o desesperar dos meus próprios poderes ao longo do caminho espiritual, então porque é que nós temos que cooperar com todo o tipo de problemas corporais também?

Resposta: O Criador não vos faz a vida difícil e não coloca quaisquer obstáculos no vosso caminho. São vocês que estão a ficar confusos. Se pudessem ouvir o conselho que temos que corrigir as relações entre nós – e, nisso, descobrir o mundo espiritual desde o primeiríssimo momento que começaram a estudar – então as interrupções que estão constantemente a aumentar não pareceriam interrupções. Antes, cada vez, elas pareceriam como a revelação de uma nova espessura do nível superior.

Ninguém vos impediu de aceitar este conselho e de o preencher. Não se teria interrompido, mas sim, tinha-vos ajudado a erguer e apertado a conexão e descobrir a sua essência interior chamada de Luz.

Contudo, estão procurando pela revelação do Criador, não de forma a doar e a não doando a outros, não entre os amigos, mas num local totalmente diferente. Então, quem é responsável pelo facto de não terem sucesso? Podem ter construído barreiras diferentes que vos separam do mundo espiritual ao invés de se aproximarem dele desde que chegaram até hoje. Apesar de eventualmente poderem atingir a decisão correcta ao longo deste caminho, também, é por sentirem desespero e finalmente descobrirem que nós chegámos a um beco sem saída e temos que voltar atrás para seguir por um trilho diferente.

Assim como está escrito (Eclesiastes 7:29): “Isto é a única coisa que encontrei, que D’eus fez os seres humanos de forma correcta, mas eles conceberam muitos esquemas.” De facto, é um ponto muito simples, mas nós simplesmente ainda não encontrámos o local exacto da quebra. Queremos preparar o nosso próprio coração para o preenchimento. Esta é a inclinação de todos.

Contudo, não queremos aceitar o facto que o local de preenchimento está ao nosso redor! Existe um corte, um abismo, um vácuo vazio negro entre nós, mas isto não me preocupa de todo. Preocupo-me acerca do facto que não tenho o preenchimento dentro de mim! Isto significa que estou a pensar num local totalmente diferente ao invés do local onde a força superior deve ser revelada.

Eu também interpreto a ideia de uma força superior como eu acho melhor, que é como um sentimento intenso, uma realização maravilhosa, compreensão, uma sensação agradável, mas a verdadeira força superior é totalmente o oposto do que eu imagino. Sendo equivalente ao doar aos outros, preenchendo o outro enquanto me elevo acima de mim próprio, sem pensar em mim, anulando-me e restringindo-me. Eu dou tudo de mim e me privo de tudo o que me preenche apenas para preencher os outros. É somente acima de mim mesmo que eu procuro uma forma de preencher os outros.

Este é a realização espiritual que sinto na medida em que eu estou pronto a me disponibilizar acima dos meus próprios desejos e paixões, mas nós nem sequer pensamos nessa direção. Às vezes, tocamos ligeiramente neste sentimento em alguma convenção poderosa no deserto, mas, depois, cada um de nós volta para nossos próprios interesses pessoais, e, então, tudo chega ao fim.

O grupo não me apoia. Não me mantem focado neste ponto preciso . E meu ego sempre me puxa para baixo, para o abismo. Então, o que eu posso fazer?

Tudo isso é porque não nos apoiamos e seguramos uns aos outros. A força que nos pode salvar está entre nós, na conexão entre nós, no vaso coletivo, e não em cada um de nós. A força de nossa conexão é a Luz, e é aí que devemos exigi-la: nas fendas entre nós, nas barreiras, nas paredes. A Luz, o Criador se esconde lá dentro.

Podemos descobrir isto somente se começarmos a conectar-nos com os outros de uma maneira que as lacunas vão desaparecer, e, então, bem naquele lugar, você vai descobrir o Criador, ali onde Ele está escondido agora.

A questão toda é que você ouve, mas você não cumpre o conselho de forma correta. Isto é porque você não quer aceitar o que Rabash diz: “Estamos reunidos aqui para estabelecer uma sociedade para todos que desejam seguir o caminho e o método de Baal HaSulam …”

Temos que tomar uma decisão e depois cumpri-la constantemente, mas se todo mundo se preocupa consigo mesmo e não com os outros, isto não vai levar a nada. Se eu pensar sobre como cumprir isso por mim mesmo, não vai funcionar. O pensamento deve ir apenas para os outros, pois é um sistema fechado e analógico.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala de 13/02/13, Escritos do Baal HaSulam