Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Deixe Que O Mais Distante Se Torne O Mais Próximo

Dr. Michael LaitmanO temor (medo) espiritual é o temor de usar algo para o meu próprio benefício, mesmo que seja a revelação do Criador em qualquer forma, ou seja, apreciar o fato de que estou corrigindo o mundo, que estou dando alegria ao Criador, que doo como Ele e que alcanço adesão com Ele.

O Criador me mostra que tudo depende de mim e Ele faz isso com todos. Todo mundo ouve Dele que é o mais especial de todos. Esta é a verdade. Ele não está mentindo para mim e não tenta me comprar! Mas eu tenho que superar toda esta grande Luz, e para fazer isso preciso construir um escudo para me proteger deste temor com antecedência.

Portanto, o nosso trabalho está em ocultação e nós temos que realizar várias ações às quais não sentimos atração ao trabalhar na conexão entre nós. Nós temos que nos esforçar no grupo com antecedência, embora eu não tenha nenhum desejo nem anseie por isso, e não veja valor nisso. Não se trata apenas do grupo local que está perto de você e que pertence diretamente a você. Vale a pena investir neste grupo de acordo com várias análises egoístas conscientes e inconscientes. Mas eu também tenho que tentar me conectar ao vaso global.

Nós devemos entender que quanto mais distante a pessoa parece estar de mim geográfica ou emocionalmente, mais importante ela é, e mais crítica é a sua influência no meu progresso, mais do que as pessoas que estão perto de mim. É como a diferença entre os níveis espirituais, se eu encurtar a distância entre nós emocional e fisicamente, isso vai se transformar num amplificador para o meu nível de correção.

Assim, todos aqueles que estão distantes de nós são muito importantes para nós: os grupos distantes que estão longe e os alunos individuais que falam diferentes línguas, que diferem em sua mentalidade e que vivem em condições difíceis, de modo que têm que se esconder dos outros. Cada um de nós precisa ter certeza de que as distâncias físicas não vão nos manter longe uns dos outros, de modo que aqueles que estão mais distantes se tornarão os mais próximos.

Desta forma, certamente construiremos o vaso chamado “temor”, vamos entender o que significa o temor espiritual, e estaremos prontos para o avanço espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 15/03/13, Shamati # 38

Para Crescer Na Espiritualidade…

Dr. Michael LaitmanPergunta: Em uma das lições, você disse que o aluno, de acordo com seu progresso espiritual, começa a desprezar o professor cada vez mais. Você também deu um exemplo de sua relação com seu professor. Para que nível espiritual nós temos que subir para que este desprezo pelo professor desapareça?

Resposta: Como em nosso mundo, quando nós começamos a apreciar e compreender os nossos pais? Quando nos tornamos pais! Mas isso não justifica o desprezo. Aquele que quer crescer, precisa entender sua natureza e crescer, apesar dela.

Uma Criança Que Cresce Para A Alegria De Seu Pai

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, Shamati, Artigo 53, “A Questão da Limitação”: Esta é a chamada parte principal do grau, que é o discernimento de Katnut. Esse discernimento deve ser permanente, e Gadlut é apenas um complemento. Além disso, a pessoa deve almejar a parte principal, não os acréscimos.

A principal coisa é o estado de Katnut (pequenez), Hafetz Hesed, “doar a fim de doar”, estar pronto para se contentar com menos. Ao mesmo tempo, eu não preciso sentir que me restrinjo ou que me falta algo, mas sim o contrário, eu sinto que estou totalmente satisfeito.

O estado de Katnut deve se tornar muito querido e honroso para mim. Então, a pergunta é por que deveria haver um estado de Katnut em primeiro lugar e não um ponto? Eu não quero ter nenhum volume. Eu quero ter o mínimo de espaço possível. Para existir e fazer o bem a todos em prol do Criador, eu estou pronto para encolher até um ponto e não ter nada meu.

A verdade é que esta é a abordagem correta. É a partir de tal estado que começamos a perceber e atingir a realidade espiritual, mas no momento em que começamos a pensar nisso e em como podemos dar alegria ao Criador, nós entendemos que para isso precisamos receber todos os discernimentos e desejos Dele e mudá-los de “a fim de receber” para “a fim de doar”. Assim, nós nos tornarmos um embrião espiritual que começa a crescer em volume, a fim de ansiar e se aderir ao Criador, e assim dar-Lhe alegria.

Sem isso, nós não crescemos como um embrião no ventre de sua mãe. A cada segundo, a cada movimento adicional, cada grama que o embrião coloca é apenas a fim de dar alegria ao Criador. Ele tem que sentir que está deixando o Criador feliz.

Durante o momento do nascimento, durante as dores do parto, e na fase em que o embrião inverte a cabeça para baixo antes do nascimento, ele analisa cada passo que faz para ver se está em ordem para dar alegria a quem lhe dá nascimento. Depois que ele nasce, durante o tempo de Yenika (sucção), ele continua a se desenvolver como um bebê que está nos braços de sua mãe, da mesma forma que uma pessoa está nos braços do Criador.

Ele já começa a trabalhar com os seus desejos e se limita parcialmente, mas cada ação que faz em prol da limitação ou em prol do crescimento é só para dar alegria ao Criador; é assim como uma pessoa cresce. Portanto, o ponto a partir do qual a pessoa começa a crescer quando não quer ter mais um ponto, continua sendo seu centro. Ela fica nele, não querendo mais do que a existência básica, e tudo o mais que é forçada a acrescentar a este ponto é apenas para dar alegria ao Criador. Esta é a única coisa que o motiva em todas as suas ações: em cada limitação e alegria.

Ele é realmente feliz com isso, não para o seu próprio bem, mas para dar alegria ao Criador. Com isso ele alcança a adesão ao Criador como dois amigos queridos que sentem um ao outro.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 14/03/13Shamati # 53

Virando O Rosto Para O Superior

Baal HaSulam, “Um discurso pela conclusão do Zohar”: Na espiritualidade, o tempo de dar e o tempo de receber são separados. Isto é porque primeiro foi dado pelo Criador para o receptor, e nesta doação Ele só lhe dá a oportunidade de receber.

Pergunta: Como podemos reconhecer esta oportunidade e usá-lo corretamente?

Resposta: Tem vários sinais, e o primeiro é quando não somos deixados em paz. Se não acordar, então que tipo de chance isso dá-nos? Nós normalmente “acordamos” ou num café ou bar, ou durante um jogo de futebol na TV. Podemos realmente acordar para a correção, se a nossa natureza é simplesmente um desejo egoísta de receber prazer? Nós só acordamos por causa de problemas especiais, com propósito, e qualitativos.

Ao longo de milhares de anos de desenvolvimento, a humanidade recebeu muitos golpes simples. Se uma única geração de pessoas com longa vida tinha experimentado isso, eles pareceriam incrivelmente lastimados. É por isso que reencarnarmos de geração em geração, para virmos a experimentar golpes qualitativos.

Hoje, temos comida, roupas e abrigo. Cada um de nós vive melhor que os reis fizeram há 500 ou mil anos atrás. Frigoríficos, ar condicionado, micro-ondas, telemóveis , carros, ou se o pior acontecer, transporte público, são os atributos de nossa vida moderna. O mundo inteiro está em frente de nós. Mas não há muito tempo, até mesmo a Europa parecia muito diferente: As pessoas viviam em condições terríveis e tinham inconcebíveis relações sociais.

Nós todos estamos relativamente bem. Então o que está faltando em nossas vidas? Falta-nos alegria, propósito na vida. O que queremos viver? O paradoxo da nossa vida é que nós temos tudo que precisamos, mas que não desfrutamos da nossa existência.

Anteriormente, era o contrário. Se uma pessoa tinha um pedaço de pão a cada dia, ele não queria mais nada. Tendo esta “felicidade”, ele teria ficado na cama o dia inteiro. Enquanto que hoje as pessoas descansam nos seus sofás porque eles são esvaziados pela abundância. Isto é o que é chamado de golpes qualitativos. Filhos rebeldes, famílias destruídas, medos, preocupações e confusão, uma pessoa faz tudo para evitá-los, mas não há lugar para fugir.

Por outro lado, o mundo está sendo “puxado junto” por uma rede única, e nos preocupamos por causa da New York Stock Exchange, as colheitas europeias, as chuvas fortes em áreas remotas, ou conflitos em outros países. Nós estamos conectados com todos e dependemos de tudo. Estamos constantemente a sentir a pressão e incerteza. Assim, somos obrigados a cuidar dos outros.

Como resultado, nós todos assistimos aos desastres que são destinados principalmente para nós, e que formam uma única pergunta no nosso cérebro: “Qual é o propósito do meu sofrimento?” Baal HaSulam formulou esta questão um pouco diferente: “Quem é que goza do que está acontecendo? Ou mais precisamente, a quem trago prazer?” O problema é que não há respostas para essas perguntas.

Em geral, o período atual de nossas vidas representa o “lado oposto” da era do Messias. Antes de mais nada, temos de revelar um desejo. É por isso que a Luz vem a nós através da “porta de trás”, por detrás. Nosso dever é revertê-la de tal maneira que brilhe diante de nós. Rabash escreve sobre isso em seu artigo “A Matéria da Associação da Qualidade de Misericórdia com Juízo”. O superior parece-me algo muito triste e repugnante até eu subir “acima da razão” e começar a revelá-Lo e me apegar a Ele. Eu me transformo em meu oposto (оu fazer o mesmo com Ele em meus olhos), e depois viramos cara a cara para o outro.

No entanto, ele ainda brilha para mim através do “lado de trás” e causa desastres que, gradualmente, arrastam-me para uma abordagem correta através da construção de um vaso dentro de mim.

Isto é como nós passamos todos os níveis, todas as fases históricas. Baal HaSulam escreve que qualquer estado é preservado até que se torne insuportável. Então nós destruimo -lo e construímos outra coisa em seu lugar.

No entanto, desta vez não temos de destruir ou construir qualquer coisa ao nível deste mundo. Pelo contrário, devemos compreender e digerir o que está acontecendo com a gente, explorar a situação em que estamos, e entender e reconhecer isso. A principal coisa é perceber que o superior tem que realizar todas as alterações. Mas não é porque somos impotentes; afinal, Ele também fez tudo anteriormente, ainda que sem a gente se dar conta disso. Hoje, temos de reconhecer esse fato e ter certeza que aceitamos todas as ações que o superior faz, e que devemos obter todas as Suas ações, requerê-las e agradecer-Lhe por elas, e, assim, constantemente acompanhar todos os seus passos.

Este é realmente o “trabalho em prol do Criador”: eu estou a conhecê-lo, eu começo a fundir-me com Ele. Esta são as especificidades do nosso último estágio de desenvolvimento: Ficamos a conhecer o Criador melhor e melhor, até nós conhecermo-Lo completamente. Em outras palavras, finalmente, vamos ver que tudo o que nos acontece, incluindo eventos “negativos”, foram preparados para nós por Ele unicamente para nos fazer conhecê-Lo melhor. Este tipo de conhecê-Lo é impossível sem a nossa participação. Isto é exatamente o que está ainda oculto de nós.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabala de 11/02/13, “Um discurso pela conclusão do Zohar”

A Noite Se Transformará Em Dia E O Dia Se Transformará Em Noite

Dr. Michael LaitmanO sucesso de uma pessoa depende do ambiente que ela consegue organizar para si mesma. Nessa medida ela gradualmente começa a mudar seu conceito: o dia e a noite são luz e escuridão. Ela agora começa a ver que o que ela considerava ser a luz (seu sucesso em relação aos outros, o preenchimento de seus desejos egoístas de orgulho) agora parece escuridão total, como um estado terrível do qual ela deve fugir, a fim de pensar na doação aos outros, no sucesso do amigo e na doação ao Criador.

Na verdade, isso é o que se torna agora a luz e dia para uma pessoa, em vez da luz e do dia que ela sentia anteriormente no seu próprio sucesso. Na medida em que ela consegue se anular e restringir com força, ela encontra grande resistência por parte de seu corpo, e quanto mais vê a importância do outro e do Criador, mais avança.

No final, ela preenche a medida do seu esforço e recebe suficiente Luz que Corrige para que a Masach (tela) possa nascer nela. Em seguida, uma força de resistência pelo desejo de receber começa a agir nela, e, graças à equivalência de forma com a Luz que ela alcançou, ela é recompensada com a primeira revelação.

Nosso trabalho reside em encontrar os critérios corretos para verificar: onde é dia e onde é noite, onde está escuro e onde está a Luz? De acordo com esses valores, eu tenho de julgar: é para o meu próprio benefício ou para o Criador? Se eu começar a entender que isso é totalmente oposto aos meus critérios anteriores, é sinal de que já estou no caminho certo. Se eu começo a ter uma luta interior com a qual começo a avaliar o estado, é sinal de que já estou avançando.

Se eu oro para que minha escala de valores, o sistema de medição da luz e da escuridão, do dia e da noite, seja alterado para que eu seja capaz de vê-los espiritualmente, então é um estado ainda mais avançado. Quando eu realizo a adesão com a doação com todas as minhas forças e tento ver todos os estados dessa perspectiva, então estou pronto para me separar do desejo de receber. Se eu peço constantemente para que isso aconteça, e se sinto constantemente que o Criador está me enviando interrupções para fortalecer o meu pedido, então eu já estou perto dele, a fim de realmente trabalhar em Lishma (em Seu nome).

Assim, o que antes era escuridão se transforma em luz, e o que era luz para mim se transforma em escuridão, e eu realmente fujo. Tudo se transforma no estado oposto: dia e noite. O que era escuridão da noite antes se transforma em luz brilhante do dia.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/03/13, Shamati # 16

Nas Garras Da Liberdade

Dr. Michael LaitmanQuando sobe à Bina, a pessoa (Malchut) se anula acima de todo o egoísmo que é revelado a ela. Ibur (gestação) é um estado terrível para o desejo de receber. Imagine que você voltou para o útero: não pode haver um estado mais terrível para você, você não tem ar, Luz, nem liberdade de movimento. Você está espremido num confinamento estreito, como em um torno agarrando todos os seus sentidos, de modo que você não pode se deslocar internamente em sua consciência ou externamente.

Entrar no útero espiritual é um sentimento terrível, a claustrofobia espiritual… mas você prefere este estado, porque se você está nele, em Bina, no atributo de doação, então você não precisa de nada! Você aceita o confinamento na solitária escura como a boa terra prometida, assim como o céu. A condição para entrar no Ibur espiritual é mudar a sua apreciação de Malchut à Bina e começar a valorizar o atributo de doação.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/03/13, O Estudo das Dez Sefirot

Não Há “Pouco” Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós fizemos um exercício ontem, onde tentamos nos relacionar com tudo como um “diálogo com o Criador”. Afinal, Ele é o único que está nos enviando todos esses estados e nós temos que responder a eles corretamente. Como podemos “ficar mais fortes” na implantação desta abordagem, sem nos contentar com um par de tentativas por dia? Como podemos aprofundar essa visão, de modo que ela será executada por toda a nossa vida?

Resposta: A pessoa não pode sempre evocar-se sozinha. Ela precisa de um “estímulo” externo. O melhor estímulo externo é o grupo. É por isso que falamos da garantia mútua.

Na estrutura da garantia mútua não basta proteger o outro de forma que ele não vai fazer um buraco no barco; não basta proteger o outro de modo que não vai ter maus pensamentos. Além disso, nós temos que ter certeza de que ele tem bons pensamentos. Se todos nós mantemos a conexão mútua e o desejo comum pela meta, ninguém vai ter  pensamentos maus, mas apenas pensamentos bons.

Então, é claro, os pensamentos maus começam a despertar num ritmo muito rápido, mas eles vão imediatamente cair no local correto: vai ficar claro para a pessoa que isso é uma interrupção, “ajuda contrária”, que se destina a evocá-la a estreitar a conexão com os amigos e, através deles, com o Criador. Em seguida, todos serão capazes de facilmente processar até milhões de pensamentos semelhantes por dia, e dentro de alguns dias isso vai preencher o nível de todo este mundo.

Todo mundo se preocupa com todos. Todo mundo está conectado numa missão, num objetivo comum. Eu sinto que tenho que pensar na meta para o bem dos outros. Eu quero que todos anseiem por isso. Não posso deixar a conexão com a meta e com o Criador, pois se fizesse isso, eu trairia meus amigos e me transformaria num criminoso, numa fraude, num ladrão, que rouba o mundo espiritual dos outros e que anula seu esforço ao longo do caminho espiritual. Além do mais, eu roubo do Criador, eu O privo de prazer, já que atraso o grupo e não permito que Ele dê aos amigos o que eles anseiam. Eu sou o único responsável por isso.

Isto é o que todos devem pensar. Afinal, não há “pouco” na espiritualidade: se alguém não trabalha ao máximo, todos sofrem. Portanto, pense cuidadosamente sobre o que você faz e sobre o que o preocupa durante o dia.

Fora isso, há momentos em que você admite: “Agora, eu não posso pensar nos amigos. Eu tenho que descansar, tirar um cochilo ou me distrair com outra coisa, pelo menos mentalmente”. Estas pausas são externas à adesão ao grupo e ao Criador e, mais tarde, você não vai sentir necessidade delas.

Por enquanto, elas são necessárias. Assim, em certo ponto, você diz para si mesmo: “Eu vou fazer uma pausa e descansar de todos”. Você pode cair num estado “animal” por meia hora ou uma hora, mas você decide por quanto tempo; você decide não pensar no que é importante por um tempo. Então, você vai sentir os pensamentos “estrangeiros” sobre a espiritualidade…

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/03/13, “Introdução ao Livro do Zohar

Da Restrição Total À Revelação Total

Dr. Michael LaitmanNosso crescimento e desenvolvimento espiritual começa com a restrição do desejo de receber, que inicialmente nos domina. No momento que tentamos nos restringir, nós entramos no estado de Ibur (gestação) espiritual, sobre o qual se diz: “Um embrião no ventre de sua mãe vê o mundo de um extremo ao outro. Há uma vela acesa acima da sua cabeça e lhe é ensinada toda a Torá”.

Isso significa que ele não está limitado de forma alguma, pois se restringiu totalmente — o pequeno desejo egoísta que ele tem nesse momento em que ele sente o mundo corporal. É porque ele não sentiu o mundo espiritual de forma alguma, mas só este mundo, a realidade fictícia, como uma pessoa que está inconsciente, alucinando. Mas quando ele restringe seu desejo de receber, ele se torna ilimitado, não precisa mais receber, uma vez que a Luz de Ein Sof (Infinito) se ilumina para ele como a Luz Circundante, que é como estar no ventre da mãe. Assim, ele atravessa os estágios de Ibur.

Depois que ele nasce, ele já começa a trabalhar com o primeiro Aviut (espessura) do desejo, em vez do Aviut no nível da raiz, e depois é limitado novamente. A Luz de Ein Sof que não fica mais fraca de forma alguma, não o alcança, pois ele não tenta totalmente se anular e aderir ao superior. Ele próprio constrói Masachim (telas) e aumenta seus desejos a fim de realmente alcançar a Luz de Ein Sof pelo seu próprio trabalho e vesti-la em seus vasos.

Agora existem diferentes limitações em seu trabalho, e a Luz ilumina apenas na medida em que ele pode recebê-la a fim de doar em seus vasos corrigidos. Portanto, diz-se que: “o Criador odeia os corpos”, ou seja, o desejo de receber. O desejo de doar, no entanto, não é mais chamado de corpo, mas alma, uma parte Divina do Alto.

Assim, há um estado em que a pessoa se restringe de modo que a Luz de Ein Sof possa alcançá-la infinitamente. Mas a plenitude está em permitir que a Luz de Ein Sof seja revelada sem quaisquer restrições por parte da pessoa. A própria pessoa tem que descobrir com a ajuda de um Masach e trabalhar no nível de Ein Sof por si mesma, de modo a atingir a plena adesão com a Luz que não está limitada por qualquer restrição.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 12/03/13, Shamati #15

Estou Ouvindo Você, Câmbio!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Nós temos que ansiar por mudanças que o Criador nos envia ao longo do caminho espiritual. Mas estas mudanças envolvem sentimentos desagradáveis. Como podemos querer isso?

Resposta: Quando os ouvidos de uma pessoa ficam entupidos, ela tem que ouvir mais atentamente: “Alguém disse alguma coisa? Será que entendi bem?”. Este é o esforço interno para ouvir aquele que se dirige a você.

Nós temos que sentir o mesmo com relação ao Criador. Algo acontece a cada minuto: alguém está olhando para mim, alguém está falando comigo, algo acontece no mundo; dentro de mim, eu tenho tido diferentes pensamentos, diferentes desejos, diferentes problemas surgem… Tudo isso é a linguagem do Criador. Ele é o único que me envia essas mensagens.

Vamos pegar um determinado objeto, por exemplo, que está sendo afetado por todos os lados por partículas no ar, por átomos. Eu também estou constantemente sob a influência do Criador. Eu só tenho que aumentar minha sensibilidade, e, em seguida, através da minha “pele” vou realmente começar a descobri-Lo; vou decifrar Sua “conversa” e entender como e o que Ele faz.

É tudo sobre a minha sensibilidade interna. Mesmo se fico cansado de sempre prestar atenção a tudo o que acontece, eu tenho que pedir tal sensibilidade. Ela vem graças aos exercícios mútuos que eu faço com os amigos, e com sua ajuda eu descubro que num determinado momento me dão diferentes oportunidades para ter um diálogo com o Criador. Se eu não as perder, há espaço para pensamentos, tudo se transforma em sentimentos e os sentimentos não vão e voltam entre nós, mas sim se tornam sentimentos comuns…

Nós temos que aplicar aqui a psicologia simples e direta, e um pouco de “contabilidade” tanto quanto seja possível: no final, é o Criador dirigindo-se a mim através de diferentes “vestimentas”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/03/13, “Introdução Ao Livro do Zohar

Ou Ele Ou Eu!

Dr. Michael LaitmanComo podemos aprender o que é doação? Para fazer isso a natureza plantou um desejo de desfrutar em nós através do qual podemos aprender sobre doação por sua oposição, por seu atributo oposto.

Nosso desejo de desfrutar recebe certas impressões que evocam diferentes respostas nele e imprimem diferentes buracos, rachaduras, poços e ondulações no nosso desejo. Graças a isso, o desejo começa a sentir em certa medida que estas impressões são diferentes em tamanho e caráter, e que há certa conexão entre elas que não compreendemos.

De repente, nós descobrimos que nosso desejo de desfrutar é versátil, com várias camadas, e muito complexo, e assim ele recebe diferentes impressões complexas. Desta forma, nós aprendemos sobre nossa natureza. Quanto mais nós sabemos sobre ela, mais alcançamos o atributo oposto, a natureza oposta. Afinal, todo o nosso estudo baseia-se no confronto entre dois atributos opostos: recepção e doação.

Diz-se: “E eles não terão outros Deuses diante de Mim”, o que significa que estudando justamente sobre estes “outros deuses”, nós estudamos sobre o Criador e podemos formar a Sua imagem em nós. Caso contrário, Ele não tem nenhuma imagem e nenhuma forma que nos permita imaginar alguma imagem do que Ele é, quem Ele é e como descobri-Lo.

Como podemos descobrir o que é impossível descobrir? Apenas por impressões negativas que são percebidas negativamente no desejo de desfrutar nós podemos gradualmente construir uma atitude contrária, de modo que começamos a imaginar o que é o atributo de doação. Nós não podemos alcançar isso de outra forma: nem usando nossa imaginação, nem pelos nossos sentimentos ou qualquer ação de nossa parte que podem ser diretamente adaptados a Ele.

Tudo acontece apenas devido a alguma força especial, a Luz que atua em diferentes estados e evoca respostas diferentes em nós. Nosso trabalho é atribuir tudo à força superior, à medida que determinamos que “não há outro além Dele”. Isso, no entanto, encontra grande resistência por parte de nosso desejo de desfrutar, que até então pensava que não há nada além de si mesmo e agora tem que se contentar com isso. Um anula o outro, o que significa que um argumento surge: quem vai governar?

Ambas essas afirmações anulam uma à outra: é Ele ou eu! Este conflito é a base de todos os nossos estados. Nós não devemos ter medo de ficar entre esses dois lados opostos e lidar com os dois domínios insolúveis, para suportar, aceitar, se render, mas alcançar e justificar, entender e assemelhar-se à força de doação. Se a pessoa não foge deste esclarecimento, mas consegue trabalhar sob as condições desta separação, as opiniões conflitantes e sentimentos, se ela não conta com sua mente animal e não foge do campo de batalha, ela recebe uma nova mente e sentimentos desde Cima. Nesse caso, ela adquire uma forma semelhante ao Criador.

Até então, é impossível entender o que é doação. Quando a pessoa finalmente a alcança, isso se chama ajuda do Criador, um achado. A pessoa que aceita todas as formas de trabalho que lhe são dadas e abaixa sua cabeça, sem seguir sua própria mente, que parece entender e determinar tudo, então ela consegue. O principal é, como se diz, não acreditar em si mesmo até o dia da morte, ou seja, a morte do seu ego. Depois disso você já adquiriu fé.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/03/13, Shamati #15