Textos na Categoria 'Livre Arbítrio'

Não Perca Sua Chance!

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se eu vou a uma farmácia e vejo uma fila com 70 pessoas, eu vou pegar outros produtos e volto em uma hora, quando chega a minha vez. Por que eu preciso me ocupar com o trabalho espiritual agora, se eu não sei quando serei corrigido? Para que eu preciso disso? Por ora, eu posso voltar aos meus assuntos neste mundo.

Resposta: Não existe coerção no caminho espiritual! Se você não quiser ficar, vá embora! Você não deve ficar e prejudicar os outros. Se você realmente decidir que não deseja prosseguir nesse caminho, avise seus amigos; eles entenderão e lhe desejarão boa sorte.

Se você acha que passará cinco anos melhorando sua vida neste mundo, e depois voltará a um grupo mais forte e continuará o caminho junto com eles, estas são falsas esperanças. Em cinco anos, você terá que realizar um trabalho muito maior: você terá que compensar o seu contrato de cinco anos em egoísmo e recuperar o tempo perdido com o grupo em tudo que este passou durante estes cinco anos.

Conseqüentemente, você não está encurtando o caminho, mas, pelo contrário, tornando-o mais longo. Você acha que chegará a um grupo que já está na espiritualidade, e será mais fácil para você? No entanto, será que você terá uma maior equivalência de qualidades com os amigos? Não, você revelará diferenças ainda maiores de qualidades! Afinal, eles avançarão milhares de quilômetros, e você retrocederá dez milhas. A distância aumentará! Como resultado, você terá que esperar na fila por mais tempo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Caba 6/10/10 “O Amor pelo Criador e o Amor pelos Seres Criados”

O Ponto Ilusório da Liberdade

Dr. Michael LaitmanParece tão fácil simplesmente deixar a força da Luz vir e nos corrigir, fazendo-nos amar ao nosso próximo! Então, por que o processo de correção é tão difícil? A dificuldade vem do fato de que todo este processo está oculto, e isso ocorre para nos dar a liberdade de escolha.

Ser livre significa ir contra o meu desejo e compreensão, quando eu não quero isso de forma direta! O meu corpo animal não aspira a isso, e o meu egoísmo não me ajuda a fazer isso. Eu tenho que encontrar uma nova motivação para avançar, o que não vem de minhas qualidades. Caso contrário, eu estaria apenas aumentando o meu egoísmo animal.

A razão para o meu progresso deve estar fora de mim, no ambiente. Para avançar, eu tenho que usar algo que não pertence ao desejo egoísta, e aí reside toda a dificuldade. Se não fosse por isso, cada pessoa poderia aspirar à correção. Quem não gostaria de receber a perfeição e a eternidade, sentir o Criador, ver tudo de seu destino, do começo ao fim, e controlá-lo!?

Qualquer pessoa aceitaria trocar este mundo temporário por um eterno. No entanto, as pessoas sentem que isso é muito elevado, difícil, e inatingível. E tudo isso porque nós temos que revelar o ponto de nossa livre escolha, chamado de “terço médio de Tifferet“.

Nós entendemos o que é o amor e o ódio, mas não está claro o que é o estado neutro, “o terço médio de Tifferet“. Em cada nível, nós temos de fazer nossa escolha enquanto estamos nesse estado. Caso contrário, nós não seremos independentes do Criador.

Qual é a razão de se criar uma criatura miserável que sofre neste mundo, e depois dar-lhe o conhecimento de que existe um estado perfeito e que a pessoa deve usar apenas um instrumento chamado de Torá para ir do estado ruim ao bom? Na verdade, qualquer máquina poderia fazer a mesma coisa, se existe o bem e o mal, e um meio para se do mal ao bem. Não há liberdade de escolha aqui.

As religiões funcionam de acordo com esse esquema de duas linhas. A diferença entre a Cabala e a religião é o livre arbítrio, a terceira linha. A pessoa deve encontrar o ponto onde ela pode realizar ações de independentemente de si e sua escolha material, de modo que não buscará o benefício próprio.

Se nós descobrimos esse ponto e agimos com base nele, nós nos desenvolvemos livremente e somos independentes da nossa natureza anterior. Nós nos isolamos dela e geramos a nós mesmos, em vez do Criador fazê-lo.

Este ponto de independência representa a dificuldade. Ele nos confunde constantemente e apaga tudo o que nós compreendíamos e sentíamos antes, mergulhando-nos novamente em um “nevoeiro”. Mas isso está acontecendo porque nós estamos sendo levados a uma dimensão de vida completamente diferente, onde revelaremos a verdadeira realidade, em vez do estado de inconsciência em que estamos hoje.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabala 27/09/10, “O Amor pelo Criador e o Amor pelos Seres Criados”

Desejar A Doação

Dr. Michael LaitmanEm certo momento, após muitas encarnações (Gilgulim), um despertar inicial pela espiritualidade, o ponto no coração (Reshimo), desperta na pessoa. Ele é composto de duas forças: 1) o vazio que a pessoa sente pela inutilidade dessa existência vã e transitória, e o desespero de ser incapaz de encontrar satisfação neste mundo, e 2) algumas “centelhas” interiores que fazem a pessoa procurar algo desconhecido que existe além deste mundo.

Por um lado (para baixo), existe o desespero; por outro (para cima), existe uma centelha. Como resultado, a pessoa define seu curso. Juntas, essas duas forças formam dentro da pessoa a Reshimo: um novo rumo em sua existência.

Esta Reshimo a leva ao professor e ao grupo que estuda Cabala. Mais tarde, aos poucos, ela percebe que será capaz de construir a força de doação ou a equivalência com o Criador apenas conectando-se com outras Reshimot semelhantes à sua. Esta é a sua única escolha livre e ato de livre-arbítrio na vida.

O sucesso de uma pessoa é determinado pelo grau em que ela é capaz de aumentar sua centelha com a ajuda do grupo, contra todos os obstáculos pessoais. Se ela conseguir aumentá-lo, ela sentirá a necessidade da fé (doação) e dos outros (os meios). Tudo é definido pela felicidade na recepção (absorção) dos efeitos do ambiente espiritual (recomendações do professor e a opinião coletiva do grupo).

O ambiente não é apenas um grupo ou os amigos, mas a Shechina (Divindade). A minha relação com eles é a conexão com a Shechina, Malchut do Mundo de Atzilut, a alma coletiva de Adão. A união dos amigos na anulação de seu ego e a obtenção da qualidades de doação evocam uma resposta da Shechina e a recepção da Luz da correção a partir dela, a Ohr Makif.

Assim, a pessoa entra em interação com a Luz Circundante (Ohr Makif) que a faz avançar em direção à revelação da qualidade da fé (doação) dentro de si. E dentro desta qualidade, ela revela a Luz Interna (Ohr Pnimi). Todo nosso trabalho visa aumentar o desejo pela qualidade de doação através do ambiente correto e a importância da mesma. Isso não pode ser aprendido; este trabalho é descrito como “faremos e ouviremos”.

A pessoa se esforça na conexão com o grupo, apesar de que talvez ela não consiga sentir a necessidade de fazê-lo. Em troca, ela recebe o apoio e a necessidade coletiva, o desejo, acumulados pelos amigos no grupo: a necessidade da fé e da doação.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 21/09/10, “Quem Testemunha Pelo Homem”

O Sabor Da Verdade

Agora temos a oportunidade de acelerar o ritmo do nosso progresso por escolher egoisticamente o menor de todos os males. Obviamente, este não é o livre-arbítrio ainda porque o livre-arbítrio me permite escolher o que eu quero, enquanto aqui so foi oferecido pra mim dor e prazer, e gritaram pra mim: “Escolha!”

Baal HaSulam descreve duas escalas de medição: “amargo-doce” versus e “verdadeiro -falso”. Temos que subir o grau da verdade em vez da falsidade, ou em outras palavras, a doçura e amargura. Todo mundo vê que não há livre escolha aqui, mas somente a análise: até que ponto eu sou controlado pela minha mente e em que medida pelo meu coração?

Tudo é determinado por aquilo que é revelado a mim e que não é, e o que é mais importante: a verdade ou amargura? Obviamente, eu vou escolher de acordo com minha percepção. No entanto, o livre arbítrio real surge apenas no grupo. O grupo serve como fator externo no qual eu vou discernir o significado da verdade externa. [Leia mais →]

Como Dizer Se Você Está Conectado

Baal HaSulam explica no artigo “Arvut” que ninguém pode alcançar a meta sem a ajuda dos seus amigos, porque sem eles uma pessoa não tem o combustível, o “espírito da vida.” Uma pessoa no caminho espiritual deve se armar com um grande desejo depois de revelar a ruptura entre nós, porque a força do ódio entre nós desnuda a má inclinação. Até mesmo o Zohar fala sobre como os amigos do grupo do Rabi Shimon revelaram o ódio, e como só depois que eles atingiram o amor, em cada nível, por meio da Luz que foi evocada por meio do estudo mútuo.

O objetivo também é algo que descobrimos dentro de nossa interconexão. Gradualmente restauramos a conexão entre nós com a ajuda da Luz, nós revelamos 125 níveis até alcançarmos a unidade com o Criador. Assim, alcançamos o próprio Criador, a força da Luz que Reforma. Se, no entanto, não basearmos tudo na revelação, no local da ruptura e na sua correção, então as nossas ações não têm qualquer ligação com a espiritualidade. [Leia mais →]

Um Acelerador no Caminho Espiritual

Aqueles que são chamados de “Isra-El” (aspiram ao Criador) avançam pela sua própria obra individual e separadamente do resto da humanidade. É por causa do Reshimot que foi despertado pelo Criador dentro deles, desejando aproxima-los de si.

Eles entram em um processo especial chamado de revelação da alma (o Criador ou a espiritualidade que é a mesma coisa). Passo a passo, eles têm que descobrir progressivamente o processo contínuo que cada pessoa precisa passar por, de acordo com a velocidade com que seus Reshimot são percebidos.

Nós só podemos acelerar este processo, e não mudá-lo. Podemos acelerar o nosso desenvolvimento se usarmos todos os meios possíveis, passando pelos nossos estados de forma mais rápida e correta. Nós não mudamos os próprios Estados ou a ordem na qual eles vêm. Nossa liberdade é apenas para fazer uso do estudo e a conexão entre nós, a fim de aumentar a nossa consciência e sensibilidade para compreender esses estados mais rápidos e justificá-los.

Ao sermos preparados para esses estados, nós passamos para um ritmo mais rápido e, assim, construímos uma atitude diferente para com eles. Então, percebemos cada estado de forma positiva e com compreensão. Além da nossa atitude para o que está acontecendo conosco, nós somos absolutamente impotentes para alterar ou influenciar nada.

Nossa atitude para todos os estados que nós percebemos e nos submetemos (o que, obviamente, vem do Criador), constitui a nossa intenção. A intenção é a minha atitude para com as minhas sensações e à sua Fonte “não há outro além d’Ele.”

A partir da 1a. Lição Diária de Cabala de 9/16/19, “Qual é o Problema do Sofrimento no Trabalho”

Material Relacionado:
A Estrada Rápida para o Mundo Espiritual
Uma Chance Única de Acelerar o Tempo

Entre A Escuridão E A Luz

Dr. Michael LaitmanA pessoa precisa da força da Torá para revelar a si mesma e a realidade em relação ao Criador. Estar perto do Criador significa ser semelhante a Ele, à qualidade de doação e amor. Essa qualidade se revela à pessoa através de sua atitude para com o próximo, ou seja, alguém que esteja perto dela por ter o mesmo objetivo na vida. Este é o critério correto para a auto-análise e a avaliação de sua atitude para com o Criador.

O objetivo (proximidade com o Criador, a revelação do Criador, e a união com Ele) é atingido em duas etapas:

  1. As qualidades da pessoa se revelam como mal, porque elas não lhe permitem atingir o objetivo.
  2. A força de correção, a Luz, é revelada dentro da união entre as pessoas que aspiram ao objetivo. Assim, a inclinação ao mal, a natureza do homem, ajuda a pessoa a se unir com o Criador.

No começo os defeitos do egoísmo (Klipot) parecem grandes obstáculos. No entanto, à medida que avançamos nós descobrimos a capacidade de transformá-los em bondade. Todos eles se tornam o nosso ponto de independência (Klipat Noga), que nos permite crescer.

No lado direito nós temos o Criador, e no lado esquerdo a Klipa. Nós nos formamos como resultado de ambos, criando nossa forma independente da similaridade em relação ao Criador. Quando a força da Luz e a força das trevas conectam-se entre si de forma correta, elas dão origem à forma de Adão, o ser humano em nós. O ser humano em nós é o grau de nossa equivalência com o Criador.

Tudo é feito pela Luz. Ela revela a força da inclinação ao mal em nós, bem como a sua própria força, a fim de desenvolver o egoísmo. Como resultado, nós revelamos a sua única Fonte – o Criador – e a distinção entre o bem e o mal, ou luz e escuridão, desaparece. Todas as forças e qualidades formam a imagem da única realidade: a Fonte.

Isso constitui toda a ciência Cabalística: a revelação do Criador às criaturas, ou melhor, dentro das criaturas.

Da 1r parte da Lição Diária de Cabala 14/09/10, Escritos do Rabash

Manutenção Da Trajetória Espiritual

Pergunta: O que devemos fazer para mantermos a “trajetória espiritual” constantemente, ou seja, no ponto de tomar uma decisão em que o espaço de unidade espiritual vêm antes das realizações materiais?

Resposta: Assim que conseguirmos criar este tipo de ligação entre nós, um lugar para a “revelação do Criador”, ele imediatamente se desvanece. Isso é feito para que sejamos capazes de tomar esta decisão outra vez. Cada momento deve ser o “início”. E o que ajuda a pessoa a fazer esta escolha constante é apenas um ambiente forte, que lhe permite manter uma ligação (ver Baal HaSulam, “A Liberdade”).

É impossível manter esta decisão por sí próprio e por mais de um momento. Temos que trazer-nos para uma sociedade correta, como colocar uma semente no solo, e recebemos a realização da importância do objetivo da mesma. Então, você será capaz de unir os pontos de decisões, transformando-os em uma linha reta para a meta.

Da quarta parte da Lição Diária de Cabalá de 08/09/10 , “Rosh Hashaná”

Material Relacionado:
A Estrada Rápida para o Mundo Espiritual
A Unificação Com O Grupo Nos Conduz Ao Criador

Feliz Novo Começo, Feliz Ano Novo!

Todas as suas propriedades corporais estão relacionadas ao nível animado da existência, mas nós temos que construir o humano dentro de nós mesmos, o que significa tornar-nos “semelhantes ao Criador” (Adão) e existir em doação. Doação, entretanto, só pode ser realizada no grupo, no amor aos amigos, para alcançar o Criador. Através de nossos relacionamentos, criamos um desejo semelhante ao Criador: o lugar onde o Criador é revelado.

Assim, todas as qualidades pessoais e capacidades que estão encarnadas na nossa forma corporal não têm nenhuma relação com a espiritualidade. Com relação à espiritualidade, eu trabalho somente com o ponto no coração e devo desconsiderar o resto das minhas propriedades “terrenas”. Eu não posso ter sucesso na minha busca pelo Criador através delas, pois elas são secundárias, e eu aspiro trabalhar “acima delas”, sempre preferindo a doação à recepção, a “fé por cima da razão”.

A essência é o ponto no coração. Eu devo conectá-lo com os outros, com os amigos. Assim, agora eu tenho que tomar a decisão correta e determinar que eu quero alcançar o sucesso não no mundo material, mas na união dos pontos no coração. Este é o lugar onde o Criador será revelado tão logo ele se torne no mínimo semelhante ao Criador.

Eu tenho que constantemente refletir sobre essa questão. Somente isso determina o quão bem sucedido é meu avanço espiritual.

Então, esse ponto é considerado o Começo da Mudança (Rosh Hashanah). É a decisão que deve sempre significar um novo começo.

Na verdade, a linha da trajetória na qual nos movemos consiste de múltiplos pontos. Um caminho espiritual é a sequência de pontos, e cada um deles tem uma “pitada”, um “intervalo” no movimento entre os pontos anteriores e os seguintes. Assim, eles criam uma única linha da trajetória espiritual.

Para continuar movendo-me junto com os outros, na mesma direção, em cada ponto da trajetória, eu tenho que ser totalmente oposto ao prévio e ao futuro estados de existência. Somente então, podemos aderir a essa linha de trajetória.

Assim, e cada ponto, a cada momento de minha vida, eu devo ordenar minha mente para o Começo da Mudança dentro de mim.

O Geral E O Particular

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos conciliar a noção da Providência Privada e da oração individual da pessoa com a noção das leis espirituais gerais que cada pessoa deve cumprir?

Resposta: Você não entenderá isso até parar de se separar do sistema geral. O “particular” é um tipo de conexão entre você e o sistema de almas, o qual se origina fora do seu estado. Enquanto isso, o “geral” é a condição básica do grupo.

A pessoa nunca consegue receber algo para si. Com efeito, sozinha, ela não tem capacidade de receber a espiritualidade. A capacidade espiritual de uma pessoa existe fora dela. É no desejo dos outros que ela é capaz unir-se a si mesma com a ajuda da Luz Superior, como uma mãe que vive dentro dos desejos de seu filho.

Além dos desejos dos outros, cada um de nós tem apenas um “ponto”, sua raiz individual. O que você pode fazer com um ponto? Apenas conectá-lo a todas as outras partes de sua alma: os desejos dos outros.

Esta questão de conectar-se ao Kli geral é o que chamamos de Providência Privada. A noção de “eu” como indivíduo (um ponto) não existe na realidade! Este ponto sente a si mesmo somente no que diz respeito ao ambiente, seja de forma egoísta (nosso mundo) ou altruísta (o mundo espiritual). Sem o ambiente ele não consegue sentir nada, nem mesmo a si próprio.

Portanto, o nosso desenvolvimento refere-se exclusivamente ao ambiente, e a nossa liberdade de escolha está apenas na escolha de um ambiente melhor. Afinal, o meu ambiente atual será eu amanhã.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 5/9/10, “Qual É O Problema De Eu Fazer Um Pacto No Trabalho”