Textos na Categoria 'Livre Arbítrio'

A Liberdade Espiritual De Um Indivíduo

Dr. Michael LaitmanHá uma regra: “Na vida social, siga o coletivo, e na vida espiritual, siga o indivíduo”. Por exemplo, eu entro num grupo. Será que este grupo representa a maioria para mim? Eu tenho que ouvir os meus amigos? Eu vejo três centenas de homens diante de mim: esta é uma força.

Se eles exigem algo de mim no nível corporal, isso é uma coisa; mas e se eles estão estipulando seus termos no nível espiritual? Será que eles entendem mais do que eu? São eles, juntos, mais espertos do que eu sou? Como devo me comportar em relação a eles? Será que eu tenho o direito de influenciar o grupo? Afinal, se eles são a maioria, eu tenho que abaixar a minha cabeça e aceitar sua opinião.

Por outro lado, nós estamos falando da vida espiritual e, portanto, deve-se seguir um indivíduo em oposição à maioria. Eu sou esse indivíduo?

Estas não são simples perguntas e elas são relevantes para todo o grupo. No sentido corporal, tudo é muito claro quando se trata da maioria. No entanto, mesmo aí nós vemos muitos movimentos, partidos, governos e a máfia. Não há opinião comum no mundo.

É realmente muito simples para nós. Eu estabeleço uma separação entre a vida espiritual e a corporal, e a minha existência corpórea é reduzida às necessidades vitais. Eu devia estar contente com isso.

Eu garanto uma vida normal para mim: casa, trabalho, família, bancos, seguridade social, seguro-saúde, férias, aposentadoria, e assim por diante. Aqui é onde eu sigo a maioria e faço o que é considerado normal. Aqui terminam as minhas obrigações com relação à sociedade. Em nosso mundo, eu estou pronto. É assim que eu percebo o conceito de “seguir a maioria”, que se refere às condições sociais obrigatórias.

Além disso, toda a minha atenção e força são dirigidas para o meu desenvolvimento espiritual. Na minha vida espiritual, eu trabalho com o grupo. O Rabash escreve que é preciso rebaixar-se completamente diante do grupo. Eu me abaixo diante de uma sociedade espiritual como eu faço com a maioria.

Então, onde está a minha liberdade? Afinal, eu tenho que seguir a minha própria opinião quando se trata da espiritualidade.

Na realidade, isso é exatamente o que eu faço, porque eu determino o grau da minha conexão com o grupo. Ninguém está tirando essa liberdade de mim. Este é o significado da lei de “seguir o indivíduo”. Cada um de nós é um indivíduo e decide livremente fazer parte do grupo. Não existem leis que nos obriguem a fazer isso e nenhuma pressão externa. Nós aplicamos o mesmo princípio em nossa disseminação da Cabalá: quem a desejar pode pegá-la, e quem não quiser é livre para dizer não.

Portanto, a sua liberdade consiste em você abaixar-se perante a sociedade, sem que exista qualquer pressão para fazê-lo. No mundo físico, a sociedade obriga-o, mas no mundo espiritual ninguém faz isso, inclusive o Criador. Você precisa amadurecer e chegar a esta decisão sozinho.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/03/11, “A Liberdade”

O Projetor De Raios Laser Da Alma

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu não posso aspirar à doação, já que não tenho a menor idéia dela. O que é a doação?

Resposta: Qualquer qualidade espiritual, como a doação e amor, é revelada a partir do estado oposto a ela, já que não sabemos o ela é. Na verdade, se eu soubesse o que é a doação, eu já possuiria essa qualidade.

Mas eu não a possuo. Então, como posso adquiri-la? Posso fazê-lo apenas através da realização de ações mecânicas: eu influencio o grupo, enquanto que o grupo age em mim. E todas essas ações não têm relação com a espiritualidade, que é a razão pela qual nós nos percebemos atualmente como vivendo neste mundo.

Ele é uma realidade imaginária que contém alguns desejos e até mesmo corpos físicos, o que significa que eles não são, de fato, desejos, mas sim algo que não possui livre arbítrio. O mundo espiritual, no entanto, está cheio de desejos, aspirações e forças, como amor, ódio e luxúria, que são as manifestações do desejo do homem. E sem essa manifestação do desejo, não há um mundo; ele não existe.

É semelhante a uma imagem a laser: eu ligo o laser e a imagem aparece no ar. Se eu não ligá-lo, não haverá imagem. Esta é a maneira como percebemos o mundo espiritual. Quanto ao mundo material, ele existe mesmo sem a manifestação da minha vontade. Nesta realidade, eu passo por ciclos de vida, e isto me transforma sem eu estar ciente, sem pedir a participação da minha parte.

Por isso, esta realidade me parece tão “material”. Todas as mudanças que ocorrem nela ocorrem sem a minha participação consciente, meu esforço para a doação; elas simplesmente se desenrolam naturalmente, sob o impacto da força superior que empurra tudo para evoluir.

Mas quando, neste mundo corpóreo, eu alcanço um estado em que quero tomar parte ativa no meu desenvolvimento, a pergunta sobre o sentido da vida surge em mim. E a partir deste momento, eu começo a procurar a resposta.

Agora, é tudo para que eu comece a ativar a realidade espiritual. No instante em que fico pronto para isso, eu vou descobrir a parte da realidade que foi ativada por mim. É o que você pode considerar como o seu primeiro nível espiritual.

Assim, todas as nossas ações devem começar com a corporalidade, com a idéia de que eu me obrigo a influenciar o ambiente e o ambiente influencia a mim, em todas as formas possíveis, usando todas as forças e capacidades disponíveis, como está escrito: “Faça tudo o que você pode!”, o que significa agarrar qualquer oportunidade, não importa qual seja.

Afinal, se você realizou todas essas ações na forma material, ou seja, sem a correta participação consciente, você ainda desperta essa realidade. Esta é a forma como ela é construída.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/3/2011 sobre A Oração

O Homem Pode Atingir A Mente Do Criador

Dr. Michael LaitmanQuando a criatura começa a ser esclarecida sobre o que é o livre arbítrio, ela percebe que, se a qualidade de doação está acima da qualidade de recepção, então ela lhe traz a  verdade e a liberdade! Assim, a criatura escolhe a doação, pois entende que somente a doação transmite a integridade e a independência de seus desejos, isto é, a verdade absoluta que está acima do Criador, bem como da criatura.

O homem atinge um estado elevado. Afinal, o Criador e a criatura residem em suas qualidades correspondentes: as do Criador e da criatura. Mas o homem tem que fazer uma escolha que é independente de ambas as qualiades.

Parece que a força do Criador e a força da Criação ficam uma contra a outra, enquanto o homem realiza um ato único considerado como “oração”. Ele faz uma escolha que se encontra acima destas duas forças. Desse modo, o seu novo desejo (Kli) é produzido, onde a qualidade de recepção e a qualidade de doação, ou o atributo do Criador e o atributo da criatura, unificam-se como um, acima dessas qualidades.

É assim que o homem recebe um único resultado: ele descobre Keter do Criador. Não se trata dos atos do Criador, através dos quais o próprio homem é criado, mas Seus pensamentos, o plano que precede a criação. Este é o resultado da linha média que se eleva sobre as duas primeiras: a direita e a esquerda, as qualidades do Criador e da criatura, que atingem o homem em ação. Mas, na linha média, o homem sobe acima do início da Criação.

Aqui se desenvolve uma nova oportunidade dada à criatura: subir acima de todas as forças existentes e qualidades. Na verdade, todas as forças, qualidades, desejos, genes de informação, tudo o que existe no universo e é revelado a nós – a matéria da recepção, a força de doação – são apenas os instrumentos para levar a criatura à noções mais elevadas que precedem o ato de Criação.

Assim, em cada estado onde a criatura precisa fazer uma escolha correta, ela se sente totalmente impotente em relação ao ponto que precede todo seu nascimento. Ela precisa discernir os vasos e a Luz, o desejo de receber prazer que ela possui e o desejo de doar, ao passo que a escolha está acima de ambos.

A oração nasce quando a criatura percebe que no estado que ela chegou, como resultado de todos os seus discernimentos, ela não tem e não pode ter qualquer chance de se elevar acima dessas opções igualmente valiosas e tomar uma decisão. Aqui, o Criador tem a palavra final!

Nós achamos que precisamos do Criador apenas para derrotar a força do egoísmo com a nossa própria força de doação, para destronar o Faraó. Mas há mais do que isso, do que um simples confronto dos desejos, quando o homem fica entre as duas forças: o Criador e o Faraó. A essência não está em esclarecer quem é mais poderoso e, portanto, quem vai ganhar, mas sim em unir essas duas forças em uma só, na linha média, e subir acima delas.

Da 1a  parte da Lição Diária de Cabalá 10/03/11, sobre a Oração

A Criação Nadando Num Oceano de Luz

Dr. Michael LaitmanExistem apenas duas forces no universo: a força de doação – o Criador, e a força de recepção – a criação. Elas começam a partir de estados opostos entre si, onde a força do Criador é infinita, como um oceano de Luz que está num repouso eterno. E a força da criação começa com um pequeno ponto dentro desta Luz Infinita.

O objectivo do Criador é elevar este ponto de forma que ele se torne tão grande quanto a Luz e igual a ela em todos os sentidos, quer em tamanho quer em quantidade. Isto quererá dizer que o bom e generoso Criador terá conseguido fazer a sua boa e benevolente acção – a acção de doar.

Portanto, o Criador dá à criação todas as qualidades que estão presentes no desejo de receber prazer, em oposição ao que está presente no Criador, no desejo de doar, de forma que a criação possa decidir independentemente e escolha livremente o estado do Criador (doação), como a mais elevada e mais admirável qualidade comparada a tudo o que está presente na criação. Mesmo se recebesse a oportunidade de adquirir satisfação infinita para seu próprio benefício, iria preferir permanecer vazio só para estar perto da qualidade de doar.

Neste caminho a criação tem de passar através de uma quantidade enorme de discernimentos, mas eles podem todos ser divididos em dois caminhos: entendimento quantitativo e entendimento qualitativo. Todo o trabalho da criação assenta na percepção do mal. Tem de perceber o quão má é a sua qualidade egoísta de recepção em comparação com a qualidade de doar do Criador.

E a razão porque é má não é por causar sofrimento à criação. Nesse caso a criação escolheria doar de forma egoísta. Contudo estes entendimentos do bem e do mal não devem depender dos desejos da própria criação, isto é, não podem escolher algo que possam ser capazes de desfrutar naturalmente.

A escolha tem de ser feita do ponto que é independente dos seus desejos para que você prefira outorgar pelo bem desta qualidade, porque é a mais elevada. E não deve ocorrer porque você planeje receber algum tipo de satisfação ou benefício dela.

Portanto, neste caminho a criação começa sempre por perguntar, “Quem é o Criador para que eu ouça a Sua voz?” e “O que irei eu receber por todo este trabalho?” Isto é, revela todo o seu desejo, o vaso inteiro (Kli) e o seu tamanho, assim como qualidade, apreendendo-se e exigindo satisfação natural de acordo com as suas qualidades egoístas.

E quando tenta alcançar a verdade de forma a não depender dos seus desejos, a “suspender-se” entre o céu e a terra, vê-se a si mesmo como “metade pecador e metade correcto”, como na balança da justiça. A partir daqui começa já a trabalhar na sua própria liberdade de escolha.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/3/11, sobre o Orador

O Mundo Está Esperando Seu Veredito

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso continuar tentando unificar o mundo se vejo nele uma enorme quantidade de armas e preparação para a guerra?

Resposta: Nós precisamos fazer o que cabe a nós. O mundo chegou a um estado ameaçador e está se movendo rapidamente em direção a eventos indesejáveis; mas, independentemente disso, ele ainda permanece dividido em grupos, e ninguém está disposto a abrir mão de seus interesses, mesmo em face de uma ameaça iminente de explosão.

Cada país se defende e conduz uma política de protecionismo, tentando se manter separado de todos os outros. Essa tendência leva à guerra. Afinal, ninguém quer se unir com os outros e levar os interesses deles em consideração. Isto é como os jogos infantis, onde pequenos egoístas orgulhosos entram em conflito, exceto que cada um deles tem uma arma mortal nas mãos.

Nós precisamos aceitar isso como condições impostas à alma coletiva que precisa ser corrigida e tentar incutir a correção de todos esses fenômenos. Nós devemos perceber tudo o que vemos no mundo como um testemunho da nossa falta de esforço.

Todas as outras pessoas estão privadas do livre arbítrio e da capacidade de compreender o que está acontecendo. Portanto, como elas podem corrigir alguma coisa? Elas são controladas  pelo Superior. Nós precisamos fazer com que, na balança do mundo, o prato da misericórdia compense o prato da culpa. Esta escolha está somente em nossas mãos.

Todas as outras pessoas são inocentes, e os estados pelos quais elas estão passando são apenas conseqüências de nossas ações. O seu afastamento mútuo nos mostra o quão rapidamente as falhas inseridas na natureza revelaram-se, comparadas com a pequena velocidade com que fazemos as correções. Nós estamos ficando muito para trás!

Àqueles a quem é dado o livre arbítrio e mostrado o quanto o mundo continua se movendo em direção ao prato da culpa, devem estar cientes do que estão fazendo. Está escrito: “A pessoa deve sempre considerar-se metade pecadora e metade justa”, e “se alguém realiza uma boa ação, ela sentencia a si e o mundo inteiro à balança de mérito”.

Portanto, onde estão elas, as nossas “boas ações?”. Parece que somos capazes de fazer muito mais do que estamos fazendo. Se você vê que o mundo está enfrentando grandes problemas, isto aponta diretamente a você, todos nós, dizendo-nos que não conseguimos a unificação, a disseminação, a união, a auto-anulação, e garantia que deveríamos conseguir. Vamos esperar que acordemos, bem como todos os nossos amigos ao redor do mundo.

Nós precisamos pensar muito bem sobre isso, já que o estado do mundo é muito ameaçador, e tudo depende de nós. Faço um apelo a todos que estão ouvindo e que se juntam a nós em todo o mundo. Somente nós, o nosso pensamento de união, é capaz de corrigir o mundo e não deixar que esse estado perigoso cresça de tal forma que possa entrar em confronto e colapso.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/2/11, “Introdução ao Livro, Panim Meirot uMasbirot

A Matriz Da Unidade

Dr. Michael LaitmanNoventa e nove vírgula nove por cento de todas as mudanças em nós  ocorrem enquanto não vemos e não estamos cientes delas, embora influenciemos e agilizemos esses atos pelo esforço de ser corrigido. Mas elas acontecem exatamente como os processos físicos em nossos corpos, sobre os quais nós também não precisamos pensar.

Eu não sou o que bombeia o sangue através das minhas artérias, e não faz parte do meu trabalho garantir que o meu sistema linfático e nervoso, bem como todos os meus órgãos, funcionem bem. Na verdade, eu posso “desligar” totalmente e dormir, não me preocupando com nada, e meu corpo vai continuar a viver e até mesmo a crescer.

No desenvolvimento espiritual isso ocorre da mesma maneira. Existem muitos processos dos quais não precisamos estar conscientes e determinar a sua forma e ordem. Há uma margem muito estreita, onde tomamos nossas próprias decisões e fazemos a nossa participação. E isso é suficiente, é tudo que precisamos para alcançar qualquer coisa!

Nós revelamos a “unidade”. E por meio dessa unidade, a adesão a que aspiramos, nós adquirimos o conhecimento de todos os outros elementos do sistema que não conhecíamos. A mim é dado o livre arbítrio para que eu possa trabalhar de maneira a conseguir a adesão com o Criador. A mim é dito que se eu trocar a minha intenção por uma intenção altruísta, vou começar a entender o Criador. E se eu entender o Criador, todo este sistema se abrirá para mim e eu compreenderei tudo!

Portanto, eu não preciso trabalhar em todo o sistema e analisar tudo para que eu possa aprender, explorar e compreender toda a sua incrível diversidade e imensidão de fenômenos. Desde que eu adquira o desejo de doar, eu entendo tudo o que acontece dentro dele.

Nós trabalhamos dentro de um campo estrito, enquanto o mundo inteiro nos é revelado.  Está escrito: “Faça uma abertura para mim, do tamanho do buraco de uma agulha, e eu abrirei os portões do mundo superior para você”. Caso contrário, seria impossível aprender sobre este sistema ilimitado de complexidade infinita, que tem um número incontável de partes conectadas por possíveis laços infinitos em constante mudança, e cada umcom seu livre arbítrio define as mudanças que afetarão todos os outros.

Na matemática, nós sabemos como definir um fator desconhecido por outro em uma equação. Se tivermos dois fatores desconhecidos, precisaremos de duas equações. Mas neste caso, estamos lidando com um número infinito de componentes desconhecidos; por isso precisamos de um número infinito de equações conectadas em um sistema. Portanto, isso é uma matriz com um número incontável de condições, cada uma das quais muda de acordo com sua própria lei.

Nós não podemos resolver tal problema, já que a nossa mente corpórea é incapaz de resovê-lo. Em primeiro lugar, nós não possuímos instrumentos matemáticos para abordá-lo. Mas podemos fazer isso no mundo espiritual, porque aumentamos os Kelim de doação (adquirimos o desejo de doar) e recebemos o poder sobre tudo nele.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 24/2/11, Talmud Eser Sefirot

O Humano Acelerado

Nosso trabalho espiritual é chamado de “O trabalho do Criador.” Mas porque é assim se nós somos os únicos que temos que realizá-lo? Este trabalho é difícil, confuso e exige grandes esforços. Dedicamos muito tempo e esforço para ele, de fato, dedicando toda a nossa vida …. No entanto, ele é chamado de “O trabalho do Criador” porque ao realizar o nosso trabalho, levamos Ele e a Natureza como um exemplo.

Tudo se move para frente e retorna à sua raiz, incluindo os níveis inanimado vegetativo, e animado. No entanto, estes níveis de desenvolvimento do programa são inerentes a eles. É impossível muda-lo, e nem é necessário. Além disso, não há ninguém que possa mudar isso, pois esses níveis não têm liberdade de escolha. Eles são desprovidos de entendimento e de percepção do que acontece com eles e quem os governa. [Leia mais →]

Das Palavras Aos Sentimentos Reais

O estudo da Cabalá contém uma qualidade especial. A Luz, isto é, a força da correção contida nos livros Cabalísticos, traz a pessoa de volta à Origem.

A Luz é a essência interna do método, e é por isso que a ciência da Cabalá é chamada a parte interna da Torá. Quando nós a estudamos, nós despertamos a Luz Interior oculta no estudo, no grupo, e na nossa interconexão. Essa força realmente constrói a conexão entre nós, trazendo mudanças desejáveis a cada pessoa. Como resultado, a intenção de doar vem substituir a intenção egoísta acima dos desejos da pessoa.

Junto com o grupo, a pessoa constantemente pensa sobre o estado que ela está durante a preparação para o estudo, e durante o estudo mesmo ela exige mudanças através da Luz que Reforma. Isso é tudo que ela precisa. Somente esse tipo de preparação toca sua livre escolha, a única ação livre em sua vida nesse mundo e em toda escada dos níveis espirituais.

Desta forma, é melhor se focar nisso tanto quanto for possível, falar sobre isso com você mesmo tanto quanto possível, e assim discernir todos os detalhes para que eles se tornem mais claros e mais profundos. Assim é como eles irão finalmente nos capacitar para nos desapegarmos das palavras e mudar para sentimentos e entendimento interno. Então, tudo isso irá viver dentro de nós como uma extremamente importante base para ser, a única coisa com que devemos nos importar. Tudo o mais virá junto com sua própria concordância. [Leia mais →]

Uma Estrada Feita de Cruzamentos

Dr. Michael LaitmanNão só temos a oportunidade de ganhar o livre arbítrio, como simplesmente devemos ganhá-lo. Ninguém será capaz de evitar isso, uma vez que todas as forças da natureza empurram-nos e puxam-nos nesse sentido. Você, todos os outros, qualquer pessoa no mundo, todos terão de alcançar seu livre arbítrio de alguma forma.

Dois caminhos estão perante nós: o caminho da Luz (o caminho da Cabalá) e o caminho do sofrimento. A escolha precisa ser feita a cada instante. Não assuma que uma vez que você esteja num cruzamento e escolha virar à direita ou à esquerda, continuará a seguir a estrada.

Eu movimentei-me um metro à frente na mesma estrada e, agora, encaro novamente uma escolha, estando no cruzamento uma vez mais. Fiz a minha escolha, dei um passo nesta estrada, e agora encontro-me ainda num outro ponto de cruzamento, onde tenho novamente de escolher. A cada passo, recebo a liberdade de fazer uma escolha, e os mesmos dois caminhos se abrem à minha frente.

Devo continuar a escolher entre eles, a cada momento, de estado a estado, a cada novo ponto ao longo do qual avanço construindo uma linha a partir deles, um caminho até à minha correcção final (Gmar Tikkun).

A cada novo ponto, tenho de decidir para que direcção devo movimentar-me, e uma vez que um ponto é um círculo, escolho de todos os 360 graus. Contudo, essencialmente, todas estas direcções unificam-se em duas opções possíveis: o caminho da Luz ou o caminho da dor.

Da 1ª Parte da Lição Diária de Cabalá 18/2/11, Escritos do Rabash

A Era da Mudança

Dr. Michael LaitmanO processo de desenvolvimento do desejo egoísta, onde o desejo de doar operado de forma muito gradual, levou o homem a um estado totalmente quebrado. A natureza inanimada, vegetal e animal, assim como a sociedade humana, toda a realidade é agora uma visão deplorável.

Estamos em um estado muito perigoso, em contradição com a realidade inteira. Por um lado, a realidade parece ser uma coisa enorme, global, interconectada e inteira; mas por outro lado, a sociedade humana na Terra parece ter se transformado em uma placa cancerígena, um molde prejudicial, que consome e destrói a natureza, cobrindo toda a Terra com os seus resíduos e dejetos.

Estamos descobrindo que somos totalmente opostos à natureza; então teremos que perceber, no futuro próximo, que não há outra solução a não ser atingir o equilíbrio com ela. E isto pode ser realizado porque as duas forças opostas, de recepção e doação, já foram reveladas em nós, e estão prontas para nós começarmos a usá-las de forma equilibrada. Só então começaremos a crescer juntos como humanidade ,do nível inanimado para o vegetal do nosso desenvolvimento.

Até agora, estas duas forças opostas estavam se desenvolvendo sem nosso consentimento. Finalmente, elas nos trouxeram ao primeiro livre arbítrio, e agora começamos a nos desenvolver por conta própria, evocando a força de doação para ele, a fim de determinar o nosso desenvolvimento acima da força da recepção enraizada em nós.

Antes, a força de doação estava oculta interiormente, e ia aumentando gradualmente, como uma massa crescente, ou, pelo contrário, era atraída de longe: “Venha por aqui, há algo aqui, há prazeres esperando por você aqui”. Agora, nós escolheremos o desejo de doar por nós mesmos, como a força que deveríamos estar seguindo no nosso desenvolvimento. A doação não estará ajudando o desejo de receber, mas o desejo de receber seguirá o desejo de doar.

Temos que continuar a tomar essa decisão cada vez mais acima do nosso desejo egoísta, que não pára de aumentar. Enquanto subimos, ambas as forças, de doação e de recepção, continuarão crescendo e surgindo igualmente em nós, para nos dar a oportunidade de termos o livre arbítrio. Nós nos sentiremos como se existíssemos no meio delas. Na Cabalá, este lugar é chamado de “Klipat Noga“, e este é o caminho que vamos avançaremos.

Em cada ponto do meu caminho, minha escolha consiste em revelar a igualdade entre estas duas forças em mim e preferir o desejo de doar ao desejo de receber. A doação deve determinar minha direção para que o desejo de receber se desenvolva especificamente desta forma. Ao fazer isso, o desejo de receber assume a forma do desejo de doar, a forma do Criador. E quando o desejo de receber é semelhante (“Dome“, em hebraico) ao Criador, então ele é conhecido como “homem” (“Adam“).

E vamos usar essas duas forças da mesma forma. O desejo de recepção será cada vez maior, e o desejo de doar vai crescer da mesma maneira, a fim de dar-lhe uma nova forma. No final, vamos voltar ao mesmo lugar de onde começamos nossa descida, o mundo do Infinito, onde ambos os desejos coexistem perfeitamente incorporados. Nós também alcançamos a sua adesão absoluta através da nossa escolha, como agimos de baixo para cima, até que todo o desejo de receber adquira a forma completa do desejo de doar. Esse será o fim da correção, a conclusão do nosso desenvolvimento.

Nós vivemos em um momento especial, uma nova era. O que há de novo é que agora, através da nossa escolha, o desejo de doar deve reinar acima do desejo de receber prazer. Isso é chamado de “desenvolver a fé acima da razão”.

Todos os dias nós estamos acompanhados de mais pessoas, cujas misturas anteriores de desejos já foram concluídas. Aos poucos, eles chegam ao seu primeiro livre arbítrio: ir do grau inanimado para o vegetal, para emergir como um ser desenvolvido espiritualmente a partir de um ser inanimado.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabalá 18/02/11, Escritos do Rabash