Textos na Categoria 'Espiritualidade'

A Porta Está Sempre Aberta

Dr. Michael LaitmanPergunta: Com o que nós devemos nos cuidar nestes últimos dias que antecedem a Convenção?

Resposta: Nós devemos tomar cuidado com pensamentos estranhos e pensar apenas sobre o sistema de conexões que queremos revelar entre nós, de modo que cada um se sentirá conectado com os outros no fundo do seu coração.

Aqueles que revelarem esta conexão íntima sentirão imediatamente a verdadeira Luz, o Criador! A Luz e o desejo se tornarão imediatamente iguais. No momento em que você sente até mesmo o menor desejo espiritual, ele adquire imediatamente uma forma, pois um vaso não pode existir sem forma.

Na espiritualidade, é impossível descobrir um mecanismo sem função que precise ser dissolvido e obrigado a trabalhar. O Baal HaSulam escreve que no mundo espiritual “a entrada e a porta” são sempre reveladas juntas. A porta só pode ser vista uma vez que esteja aberta, isto é, que nós sempre revelamos o vaso (desejo) e a Luz (Criador) dentro dele, no mesmo instante.

“Animais” Não Fazem Parte Da Casa

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que nós devemos fazer com nossos desejos “animais”? Nós devemos desfrutá-los ou limitá-los?

Resposta: Não faça nada com eles. Só os deixe em paz. Deixe o animal pastar na grama como lhe aprouver. Se ele deixar o humano em mim agir de acordo com minha missão, então a pessoa irá usar a parte inanimada dela corretamente sempre que necessário, e deixá-la com seus próprios mecanismos o resto do tempo.

Eu me separei do “burro” e, enquanto isso, eu cuido dos meus assuntos. O ser humano em mim precisa estabelecer uma conexão com outras pessoas. Eu estou trabalhando para elevá-lo e fazê-lo ascender. Virá o tempo quando eu irei dirigir minha atenção ao animal em mim, mas agora eu simplesmente dou a ele o que é necessário.

Afinal, eu não trato uma vaca com bifes e saladas. Ela tem sua pastagem e lá ela come feliz. Se nós tratamos nosso corpo animal corretamente, ele não irá precisar de nenhum excesso. Pelo contrário, qualquer excesso irá prejudicá-lo. Um animal precisa somente de coisas que sustentem seu equilíbrio com a natureza.

Assim, abasteça-o com as necessidades vitais e “deixe-o no pasto”. Se sua cabeça deseja os “céus”, a conquista espiritual, então seu animal não exigirá nada extra de você e não arrebentará a cerca. Afinal, agora para você todos os excessos pertencem ao grau humano.

Da 1a parte da Lição Diária de Cabala 03/11/10, Escritos do Rabash

Misticismo Ou Força Da Vida?

Dr. Michael LaitmanPergunta: As pessoas recém-chegadas à Cabala ficam surpresas com a palavra “Luz” e a associam com algo misterioso.

Resposta: A Luz Superior é a força vital que nos anima, como a luz solar, da qual dependem nossas vidas e a saúde. É por isso que a Força Superior é também chamada de “Luz”. Do mesmo modo que a luz solar “anima” a nossa vida material, a Luz Superior transmite-nos a espiritualidade.

Todo o sistema que age neste mundo (a terra, o sol, e a lua) corresponde ao trabalho do Mundo de Atzilut, onde todas as influências se originam e onde a Luz de Hochma (Sabedoria) reveste-se na Luz de Bina e desce às nossas almas. Esta é a razão pela qual os objetos espirituais recebem esses nomes, de acordo com a “linguagem dos ramos”.

A Luz Superior, como a luz solar, traz-nos a vida. Porém, neste mundo, nós não estamos rodeados pela verdadeira Luz. Pelo contrário, estamos envoltos apenas pela luz que anima a nossa “matéria proteica”, mantém o nosso metabolismo e, portanto, nos permite permanecer vivos por cerca de 70 anos.

Nós nos esforçamos para receber a verdadeira Luz da vida, que ilumina nossas almas e é capaz de conceder-nos a vida eterna e perfeitamente satisfeita. A sabedoria da Cabala é o método de atração e recepção da Luz pela pessoa. Quando a pessoa recebe a Luz, isso significa que ela atingiu a sabedoria da Cabala, que torna “vivos” aqueles que são fortalecidos por ela.

A nossa vida provém da Luz de Hochma. A Luz de Hassadim (Misericórdia) representa a correção, mas todos neste mundo anseiam ser preenchidos pela Luz de Hochma. É por isso que a ciência da Cabala leva o nome de “sabedoria da recepção”, pois ela nos ensina a receber a Luz de Hochma.

É proibido receber a Luz de Hochma de forma direta, mas apenas dentro da Luz de Hassadim. É por isso que nós estudamos como revestir a Luz de Hochma na Luz de Hassadim e, finalmente, obter toda a Luz.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabala 18/10/10, “O Ensino da Cabala e sua Essência”

Um Ato Singular Da Natureza

Dr. Michael LaitmanA participação mútua é a única ação que nós realizamos constantemente, quer queiramos ou não. No nosso mundo tudo é baseado no compromisso mútuo: os processos de consumo, absorção e secreção que ocorrem em um organismo, bem como várias reações químicas, atração ou rejeição de objetos, o seu comportamento em um campo magnético ou elétrico, e assim por diante. Estes são exemplos de participação mútua, baseadas nas ações do vaso espiritual e da Luz.

Quando nós buscamos uma forma de medir a qualidade de nossas ações, devemos sempre avaliar a extensão da nossa participação em outros. Em outras palavras, é pela forma como eu participo no maior número de almas: não em crianças ou adultos, e não nas ações dos níveis inanimado, vegetal, animal, ou falante, mas nas almas.

As almas são pontos nos corações. Portanto, quando eu chego a uma Convenção tão grande, a um encontro de milhares de pontos no coração, com os quais eu pretendo me conectar, então isso se torna a ação mais eficaz para o meu desenvolvimento espiritual. Este é o ato mais poderoso que pode ocorrer na realidade, em todos os mundos.

Do Programa de TV Cabala para Principiantes 27/10/10

Quando Os Laços Não Se Quebram Mais

Dr. Michael LaitmanIndependentemente do fato de existirmos no sistema unificado, a conexão entre nós está quebrada. A pessoa recebe a oportunidade de sentir o ponto inicial de sua conexão com todos os outros, e essa sensação é a vida em nosso mundo.

Assim, eu recebo a oportunidade de renovar e reforçar essa conexão com base no princípio da doação, a fim de viver uma vida espiritual. Se eu não conseguir fazer isso, a centelha espiritual em mim expira.

Além disso, eu recebo um novo desejo, uma nova centelha. Em outras palavras, eu experimento um Gilgul (reencarnação ou um novo ciclo de vida) e chego a uma nova realidade. Aqui, eu descobro uma conexão diferente com o sistema de Adam HaRishon, e sinto que estou vivendo neste novo mundo, em um ou outro ponto na linha do tempo, e dentro de uma determinada estrutura de relações entre as pessoas. Esta é a minha outra chance, em outro nível de desejo e de conexão mútua.

Se eu deixar de aproveitar essa situação novamente, eu serei mais uma vez transferido a um outro nível de conexão mútua. Em outras palavras, eu experimento um Gilgul a fim de surgir em outra geração, outra linha do tempo, e receber mais uma chance de unificar.

A cada momento, me é mostrado um nível específico de interconexão com os outros, para que eu possa encontrar uma maneira de unir-me a eles por laços de amor. No mundo corpóreo, eu sou forçado a um nível mínimo de conexão. Se eu obter por minha própria conta certo nível de relação baseada no amor, então, em vez do nosso mundo corpóreo, eu sinto uma forma de existência muito mais exaltada e intensa: a vida espiritual e eterna.

Agora, em vez da cadeia de Reshimot (registros espirituais, genes) que cria em minha percepção a revolução constante da vida e da morte, eu me mantenho impacientemente renovando a conexão com os outros, elevando-me acima da cadeia de “reboots” (reinicializações). A conexão não quebra mais; a vida não pára com a perda do corpo.

Não importa como olhamos para ele, tudo está dentro desse sistema unificado, onde a lei da interação correta das partes governa. Esta lei é o Criador ou o amor.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 29/10/10, “Klalut Adam”

Sainda Fora Da Garrafa

A aproximação da Convenção é um evento da unidade. Queremos criar uma unidade tão grande que nela vamos revelar o Mundo Superior. Isso significa que pela força da nossa consolidação comum que se eelvará acima do egoísmo pessoal de cada pessoa.

Toda pessoa deve sentir que esta subida tem uma nova sensação de um mundo novo, um avanço para uma nova dimensão, onde nós existimos em doação, em vez de recepção, como fazemos aqui.

A segunda metade da vida a realidade pela lei de doação, ao contrário da realidade do nosso mundo, que existe na lei da recepção. Unindo-se uns aos outros queremos que cada pessoa receba grandes forças do grupo, que lhe permitirá sair do “gargalo” e, pelo menos um pouco, para sentir o mundo que vivemos pelos princípios da doação.

Mesmo que pudéssemos cair para trás, no entanto, com o tempo essas “saídas” se tornarão mais freqüentes. Uma pessoa vai começar a se acostumar a estar entre dois mundos e compreender o que está acontecendo com ela, até que seus esforços acabem sendo bem-sucedidos e ela se tornará um “residente permanente” do mundo espiritual.

Da 1a. parte da Lição Diária de Cabala de 31/10/10,  “A  Necessidade de Amor dos Amigos”

Não Pinte a Espiritualidade Com Formas Corporais

No processo de desenvolvimento, tendo alcançado uma idade compreensível, nós nos tornamos equipados com um enorme arsenal de imagens e conceitos sobre os elementos deste mundo. Em consequência disso, somos capazes de dividir e conectar várias imagens e significados na nossa imaginação ou em ações. Desta forma, quando escutamos sobre algo, podemos imaginá-lo baseados sobre o que conhecemos de “algo semelhante” mesmo se nunca tenhamos visto esse objeto ou tido relação com ele.

Enquanto que na espiritualidade, nós não temos nenhuma ideia sobre ela, nem qualquer contato com ela; nós não temos conhecimento dos seus elementos que possamos classificar e dividir ou conectar para imaginar algo “parecido”. Nós lemos sobre um fenômeno espiritual, e, se imaginamos algo como em um quadro, nós devemos compreender que estamos nos enganando. Neste caso, estamos tomando imagens do mundo corporal que são familiares a nós, e, delas, em nossas imaginações, nós as juntamos, como se fossem, imagens do mundo espiritual.

Visto que esse caminho é sabidamente falso, nós, enquanto estudamos a Cabalá, tentamos não juntar nada em nossa mente e sensações, mas agir desde o que está sendo descrito, como “o juiz só tem o que seus olhos veem”. Adicionar coisas (intelectualizando e fantasiando) não é permitido uma vez que significa forma não vestida na matéria. A Cabalá é contra isso porque temos que alcançar a forma vestida na matéria. Se começamos a imaginar formas que não estão vestidas na matéria, elas serão sempre falsas formas emprestadas do nosso mundo, e nós nunca iremos conhecer a verdade.

Da 4a parte da lição diária de cabala, 20/10/10, “A essencia da sabedoria da cabala”

Iguale As Descidas Às Subidas

Dr. Michael LaitmanA pessoa que é lançada na escuridão perde toda a conexão com o estado anterior de subida. Se o Criador demonstra misericórdia para com ela e a desperta com Luz, isto não significa que a pessoa realizou uma correção. Se, no entanto, ela desperta com a ajuda do grupo, ela realmente torna-se corrigida.

Durante a subida a pessoa preparou o caminho correto: ela colocou tudo o que podia no grupo, usando-o como um “fundo de inspiração”. Os esforços que ela fez, permitiram-lhe manter a conexão durante a descida. Agora, agarrando-se no fim dessa corda, a pessoa pode despertar, e através do grupo atrair Luz, energia, compreensão e fé acima do conhecimento. Assim, ela começará a sair da descida em direção a uma nova subida.

Por meio do grupo a pessoa tem sempre a oportunidade de renovar a união. Ao contrário da união dos antepassados, que não puderam receber a Torá, a nossa união conecta diretamente a pessoa ao grupo. Este é o lugar onde reside a liberdade de escolha da pessoa: para começar a trabalhar com a ajuda do grupo e igualar as descidas às subidas.

Acontece que, no final, toda a nossa liberdade é realizada no grupo. A pessoa realiza a união apenas com a ajuda do grupo.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabala 26/10/10,  “600.000 Almas”

A Ausência Precede A Existência

Dr. Michael LaitmanA evolução do desejo de receber prazer é um processo demorado. Toda a sabedoria da Cabala nos fala sobre as mudanças no desejo de receber. O Baal HaSulam explica que neste processo, o desejo (ausência) sempre antecede a satisfação (existência).

Primeiro, eu sinto falta de algo, e depois adquiro o que está faltando; assim, um após o outro. Ao mesmo tempo, a falta, ou o desejo de receber, é mais importante que a satisfação, já que o desejo determina a satisfação.

Na espiritualidade, esta lei atua de forma exata, sem concessões e favores, e se a criatura não tem a intenção de escalar o próximo nível, ela não subirá, nem chegará perto dele. Tudo depende da preparação, baseada no sentimento de falta e de ausência de satisfação. É por isso que a “ausência precede a existência.”

Segundo esta lei, todos os níveis da criação estão em desenvolvimento: do inanimado ao vegetal, animal, e falante. O homem, também, nasce no nível animal, e depois evolui e sobe ao nível designado. O mesmo ocorre no desenvolvimento do nosso mundo interior. Tão diversos quanto a humanidade, são os seus desejos, que também são classificados em quatro níveis: inanimado, vegetal, animal, e falante (dentro do ser humano).

Portanto, como se parece o nível falante na humanidade? São as pessoas ou desejos que visam a equivalência com o Criador, na ascensão ou adesão a Ele. A fim de obter um forte desejo, aspirando a essa meta elevada, nós devemos existir em ambos os lados: por vezes, rejeitando o mundo espiritual, não compreendendo, sentindo, ou concordando com ele, e outras vezes, ansiando por ele e vendo algo profundo, bom e vital nele.

Assim, a ausência e a existência rendem-se uma a outra, Luz e Escuridão, e somente graças a ambas é que se forma o desejo corrigido e benéfico. Por este motivo, nós entramos no grupo com o entendimento de que não há outro caminho, exceto o processo de unificação. Somente entre os amigos é que eu desenvolvo um novo desejo de tornar-me equivalente ao Criador, e não apenas apelando a Ele egoisticamente. No grupo eu absorvo o valor da doação, e, ao mesmo tempo, descubro o quão intensamente eu odeio isso.

Se eu não tenho medo, e estou disposto a suportar a revelação do meu próprio mal, isso é chamado de ausência que precede a existência, a preparação para a libertação. Ao encontrar-se na montanha do seu próprio ódio, a pessoa exige a existência, a equivalência com o Criador. Assim, a Luz que Corrige vem para levá-la de volta à Fonte.

Da Lição de 22/10/10, Artigos do Rabash

Estudando As Ações Do Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se só existe uma alma, então porque são necessárias 600.000 almas para se alcançar a garantia mútua entre elas?

Resposta: Nós alcançamos a alma comum exatamente a partir desta divisão. É impossível alcançar aquilo que alma comum significa sem atravessar a quebra.

Para compreender esse quadro, nós devemos primeiro revelá-lo como quebrado e tentar reuní-lo novamente. Quando você trabalhar duro e alcançar o entendimento de que não pode fazê-lo sozinho, sem o Superior, então você revelará Aquele que pode ajudar você. E junto com Ele você montará esse “quebra-cabeça”.

Você descobrirá o que Ele fez e porque Ele quebrou a alma comum. Ele fez isso por sua causa, de modo que você juntasse as partes quebradas e, no processo, entendesse como elas deveriam ser organizadas e que conexão deveriam ter. É como se você estivesse montando um carro a partir de milhares de peças e tivesse que compreender porque cada peça é necessária e como ela deve estar conectada com as demais, em que ordem.

Quando você junta tudo, você compreende que para o motor funcionar, ele necessita da força da vida! Aquela força da vida é chamada de Criador. Assim, nós nos damos conta Dele e de Suas ações. De outra forma, nós nunca seríamos capazes de compreendê-Lo.

Da 4ª parte dA Lição Diária de Cabala 25/10/10, “600.000 Almas”