O Mundo É Um Raio-X De Você
O trabalho em grupo acontece em dois planos: 1. a grandeza do grupo, dos amigos, ou do Criador (que é a mesma coisa), e 2) a sua própria insignificância em relação ao grupo e ao Criador. Se eu me oriento dessa maneira, eu recebo o desejo correto, que permite com que eu me anule e passe a fazer parte do grupo.
Quando eu realmente faço parte dele como um único ponto, eu começo a sentir que sou um embrião espiritual imerso na Luz que preenche o grupo.
Os rostos dos amigos que vemos ao nosso redor não são chamados de “grupo”. O grupo é o desejo comum das almas, unidas entre si, e que me foi dado como o lugar onde eu encontro o Criador. Eu tenho que trabalhar em relação a este “lugar”, porque sou um desejo ou vaso, e este lugar é o desejo ou vaso com o qual eu trabalho, a fim de fazer parte dele, aderir-me a ele e expandir-me. Eu posso trabalhar com ele porque nós temos a mesma natureza!
No entanto, eu não posso trabalhar com o Criador, pois Ele é luz. Ele é a qualidade que eu revelo dentro do nosso vaso comum (o “lugar”), conforme eu entro e participo nele. Agora, esse lugar parece-me preenchido por partículas separadas (almas). Porém, se eu visse o verdadeiro estado interior, eu veria todas elas como almas especiais e Partzufim espirituais unidos por uma rede de conexão, um desejo.
Eu tenho que corrigir minha atitude para com elas, a fim de vê-las como conectadas, e isso constitui a minha correção! O grupo é Malchut do Mundo do Infinito. Não há uma pessoa no mundo que não esteja conectada com outras e não esteja no Fim da Correção.
No entanto, agora eu vejo um mundo diferente, devido à minha visão não corrigida, como está escrito: “Cada pessoa julga conforme seus próprios defeitos”. Quando eu exijo uma maior inspiração e energia para avançar a partir delas, eu me dirijo ao meu próprio reflexo no espelho!
Foi assim que o Criador organizou o mundo que vemos a nossa frente. Ele é uma cópia minha, com a qual eu trabalho. Conforme eu exijo esse trabalho em grupo e união, isso me influencia de volta, da mesma maneira. Em essência, eu trabalho comigo mesmo, como se estivesse diante de um espelho, fazendo diferentes faces de eu mesmo!
Foi para realizar isso que o Criador dividiu minha percepção do mundo em duas partes: eu e tudo fora de mim, para que eu tivesse a oportunidade de trabalhar e alcançar a sensação interior. Caso contrário, eu nunca seria capaz de sentí-Lo. Eu nem mesmo entenderia que algo pudesse existir além de mim.
Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 21/11/10, Beit Shaar HaKavanot
O Criador plantou em nós uma propriedade especial chamada “vergonha” como um meio de crescimento. Se eu compreendo que eu sou um receptor com respeito ao outro, eu me sinto “envergonhado” uma vez que isso machuca meu “ego”, meu status, e a percepção do meu caráter. De fato, o Criador nos criou com Sua Luz, e nós descendemos dessa mesma fonte superior onde sentir-se como um receptor é oposto a ela. Então, nos sentimos humilhados.
Tudo se origina na Infinidade, o estado inicial, e para que nós alcancemos a correção total, temos que encontrar todas as condições colocadas aí. No estado de Infinidade, o desejo de receber é inflexível, ele não abre mão de uma partícula da adesão, unidade, ou semelhança com o Criador.
A Sabedoria da Cabalá não é aprendida através da mente. A Luz nos afeta, e a Cabalá gradualmente cria dentro de nós a sensação da imagem dos atos do Criador. A partir desse quadro, nós gradualmente absorvemos a sabedoria da Cabalá e nosso mundo espiritual interno.