Textos na Categoria 'Equivalência com o Criador'

Aprendendo Com O Criador

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como eu posso ver um exemplo do trabalho do Criador? Na minha vida cotidiana, eu posso reconhecer o que Ele está tentando me mostrar?

Resposta: Você vai reconhecer o exemplo do Criador diretamente em sua sensação. A minha alma está estruturada de tal forma que dentro ela começa a sentir um fragmento da alma superior que lhe mostra um exemplo. Então, eu sigo este exemplo, olhando para ele como uma criança olha para um adulto. E quando a criança recebe um exemplo do adulto, ela quer fazer a mesma coisa.

No entanto, você não pode reconhecer tais exemplos na sua vida, porque você ainda não tem a qualidade da doação. Você só vai ser capaz de discerni-los quando tiver o Kli que pode ajudá-lo a tornar-se semelhante a Ele. Então você verá o Seu exemplo de acordo com a equivalência de forma.

Foi-nos dado apenas um exemplo: quando experimentamos o desespero e, como consequência, somos levados ao grupo que estuda a ciência da Cabalá. Então dizem: “Comece a se unir com os amigos e a estudar os livros Cabalísticos juntos”. Somente então, com a correta ajuda do estudo, construindo conexões com os amigos e começando a rejeitar o seu ego, a Luz virá e o ajudará a superar seu desejo egoísta. Somente depois disso você vai ser capaz de adquirir qualidades superiores.

No entanto, o exemplo do Criador só pode ser recebido quando você tem um Kli no qual você pode percebê-lo. Ao provar que você tem a oportunidade de se tornar semelhante a Ele, você irá adquirir uma imagem, a partir da qual você irá construir sua equivalência com o Criador.

Da Palestra no Salão do “Cabalá L’Am” em 14/12/10.

Voltar Mais Amadurecido

Dr. Michael LaitmanQuando nós lemos as obras dos Cabalistas, as pessoas que revelaram o Mundo Superior, a realidade superior, nós não compreendemos ou sentimos o que eles falam, mas simplesmente acompanhamos suas palavras. Eles nos falam que existe uma Força Superior que é inatingível por si só. De nossa parte, nós a alcançamos como o Criador, o Bom que faz o bem. A partir desta qualidade, o Criador fez a criação e desejou que ela se desenvolvesse e recebesse a Sua bondade.

A bondade está em tornar-se igual ao Criador. Não há nada melhor ou maior do que isso. Portanto, “fazer o bem” significa levar a criação ao nível do Criador. Para isso temos que adquirir dois parâmetros, que são inerentes a Ele: a perfeição e a independência. Em princípio, a independência é parte da perfeição, mas para nós ela tem um significado especial e é de fundamental importância. Nós devemos ser independentes, como o Criador. Assim como Ele existia por Si mesmo antes da criação, do mesmo modo nós devemos atingir o mesmo grau de independência, apesar de sermos Suas criaturas.

Além disso, nós temos que atingir o grau do Bom que Faz o Bem por nós mesmos e adquirir também esta qualidade. A fim de nos dar esta oportunidade, o Criador criou um estado perfeito onde somos idênticos a Ele, semelhantes, unidos e unificados em todos os sentidos – em qualidades, na percepção, na independência, e em todos os outros apectos.

A partir deste estado inicial e final, Ele nos rebaixou em vários níveis da perfeição, até alcançarmos a oposição total. Então, a partir deste estado oposto, Ele nos dá a oportunidade de voltarmos à perfeição com uma posse valiosa. Tudo que precisamos fazer é voltar para casa.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 13/01/11, Escritos do Rabash

Um Mecanismo Para Atrair O Criador

Existe um triângulo e nós-todos os sete bilhões de nós – estamos no fundo dele. Quanto mais perto nós chegamos uns dos outros, mais revelamos o Criador. Tudo depende se nós combinamos com Ele ou não.

Nós O podemos repelir ao repelir todos os demais. Na medida em que eu rejeito outras pessoas, eu rejeito o Criador e então o experimento como mal e como sofrimento. Na medida em que eu desejo estar mais perto dos outros para que todos nós nos unamos, eu começo a sentir o bem que vem d’Ele.

Eu não posso influenciar o Criador diretamente. Ele está oculto de mim e eu não posso alcançá-lo, me agarrar a Ele, trazê-lo para mim, ou forçá-Lo. A única coisa que eu posso é executar ações em meu âmbito abaixo. Se nós agimos juntos aqui, abaixo, então nós O influenciamos na mesma medida. Essa é toda a sabedoria da Cabalá: trabalhar com cada um, nos acercarmos juntos, e na medida do nosso sucesso, nós trazemos o Criador para perto de nós mesmos. [Leia mais →]

O Grupo É O Local Onde Nos Encontramos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se nós avançamos apenas em virtude do ambiente, quando a nossa escolha virá de nossa própria intenção altruísta (Lishma)?

Resposta: Nós temos que alcançar a perfeição, e ela contém dois parâmetros:

1. Por um lado, eu sou independente e igual ao Criador de todas as maneiras,
2. Por outro lado, eu sou semelhante a Ele em todos os sentidos.
Nesse caso, eu sou independente e perfeito.

Acontece que a independência e a perfeição devem se unir e levar-me ao estado final. Mas como a independência e a equivalência podem coexistir? Como eu posso alcançar a perfeição, elevando ambas estas qualidades, que são opostas entre si?

Para possibilitar isso, o Criador teve que acrescentar um terceiro fator aos dois já existentes (Ele e eu). Este terceiro fator será o local do nosso encontro, o lugar da revelação. É onde eu revelarei o meu “eu” independente e e o Criador oposto a mim.

É necessário criar um “território”, onde nós poderemos ser parceiros, em oposição mas iguais e unidos. Este território é chamado de “a soma das almas”, a Shechiná, Malchut. Após a quebra, nós, como o Criador, estamos fora dos limites da soma das almas, e agora temos que nos encontrar lá. Nós fazemos isso conforme somos capazes de participar neste processo e revelar um ao outro.

É por isso que a criação foi quebrada. Ela quebrou em muitas partes diferentes, que são os npiveis de independência da criação, ou seja, sua separação e distanciamento do Criador.

Nós temos que usar essa situação, razão pela qual o Baal HaSulam escreve que devemos manter a singularidade de cada pessoa. Afinal, ela nunca serepetirá em mais ninguém. Cada pessoa deve ser independente e especial.

Mas, por outro lado, devemos dar a cada pessoa a oportunidade e ajudá-la a alcançar a equivalência de forma com o Criador. Por meio de sua singularidade, por ter uma combinação única de qualidades e desejos, a pessoa as desenvolve a fim de dirigí-las à doação. É assim que ela chega à equivalência com o Criador.

Essa semelhança é realizada por meio da união com os outros. Por que isso não é feito através da união com o Criador? A fim de preservar a independência. Ao trabalhar diante do Criador, a pessoa se anula, enquanto que em relação ao grupo, ela pode ter um papel decisivo, à semelhança do Criador.

O lugar do nosso encontro é o território do grupo, que foi criado artificialmente e dividido em partes. Nós chegamos até lá na linha média e nos unimos. Lá nós realizamos o Zivug (acoplamneto) de HaVaYaH e Elokim, a união do julgamento e da misericórdia.

No entanto, se a pessoa não pensa sobre estes três elementos: ela e o Criador, unindo-se no grupo, então ela imagina de forma errada a realização do objetivo da criação que lhe aguarda.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 12/01/11, Escritos do Rabash

Uma Marca da Correção Final

Dr. Michael LaitmanQuestão: Será que nós precisamos resistir ao egoísmo ou trabalhar com ele?

Resposta: Eu resisto ao egoísmo quando olho para ele e identifico-me com o ponto do Criador. Eu reconheço que esta é a minha natureza; no entanto, ela se tornará a natureza do Criador quando eu corrigí-la, porque o egoísmo é Sua marca (impressão).

É por isso que o egoísmo é chamado de “ajuda contra você”. A forma dele é oposta à forma que eu necessito, e isto me ajuda, já que eu não tenho mais nada.

Por esta razão, neste instante me falta a Luz, que ajudará a encher os “dentes” egoístas na marca (impressão) com as qualidades apropriadas, e eu recebo a união – a forma do Criador.

O nosso egoísmo contém todas as formas opostas, de modo que são formadas enquanto se desviam de sua perfeição em direção ao nosso mundo.

Estas formas estão como que incluídas umas nas outras, como uma boneca dentro de outra boneca. E nós precisamos alcançar uma forma apropriada, completamente oposta, com a ajuda da Luz.

É por isso que nós nos opomos ao egoísmo na compreensão de que temos tudo, exceto a Luz Superior. Portanto, eu preciso atrair a presença da Luz Superior sobre o meu desejo pelo estado futuro de união, meu desejo pela forma correta (Reshimo).

Por esta razão, nós dizemos “faremos e ouviremos” desde o início; em outras palavras, nós estaremos prontos para a união uma vez que recebamos o desejo do grupo.

Da Lição sobre 15/10/10, “Arvut

Não Se Preocupe Se Você For Um Principiante – A Cabalá É Simples!

Dr. Michael LaitmanA pessoa que começa a estudar a ciência da Cabalá descobre que suas noções anteriores estão longe da realidade. “Corpo”, “alma”, e outras noções familiares adquirem um significado completamente diferente.

A ciência da Cabalá organiza tudo de forma muito simples, praticamente não deixando-lhe qualquer chance de ficar confuso. Existe um desejo por prazer, dentro do qual podem ser percebidas as diferentes formas de doação. Essa é a única coisa acontecendo em nossa realidade.

Dependendo do nível de doação que você se encontra, esta é a realidade que você sente. Você pode sentir a realidade no nível zero; em outras palavras, você pode viver em nosso mundo, onde o nível doação é igual a zero. Nós estamos bem no fundo, mas mesmo aqui existem quatro níveis de desenvolvimento: inanimado, vegetal, animal e humano.

Então, à medida que você sobe os 125 níveis da escala espiritual, você atinge o nível de doação, ou, em outras palavras, o Criador. No final, no nível 125, você chegará à doação total.

Nós estamos falando sobre a equivalência de forma, ou como a criação adquire uma forma de doação acima do desejo por prazer. Você deve ascender constantemente sobre o seu desejo de receber, a fim de adquirir a forma do desejo de doar sobre ele. A forma de doação que você veste sobre o desejo de receber o levará ao nível da doação, porque você realizou isso de forma específica. É assim que você se torna semelhante e equivalente ao Criador, tornando-se homem (Adão).

Em essência, isso é muito simples: você só precisa combinar corretamente as duas qualidades, ascendendo uma escada inclinada que é construída com duas forças ou linhas: a direita e a esquerda. Desta forma, os princiciantes recebem explicações claras. Na verdade, os Cabalistas não descrevem uma distinção entre os mundos. Tudo depende da pessoa: desenvolva a sua capacidade pela forma de doação e você verá mais do que vê agora.

Da 4a parte da Lição Diária de Cabalá 6/01/11, “A Sabedoria da Cabalá e a Filosofia”

O Lugar Onde Os Pecadores Recuam

Dr. Michael LaitmanNós trabalhamos acima da nossa matéria, o desejo de desfrutar. Esta deve aumentar o tempo todo, para que possamos crescer e criar a forma de doação e equivalência com Criador por cima dela.

É por isso que nós experimentamos o desejo crescente como um desastre. Ele vem quando a pessoa está pronta para ele. Está escrito: “A desgraça que os pecadores recebem começa com os justos”. Em outras palavras, as formas negativas se revelam em quem costumava ser justo, que se elevou e se preparou.

Os principiantes, que ainda não entendem o método, ficam surpresos com isso: “Por que é que depois de todos os esforços que fiz, eu estou experimentando tais estados negativos?”. De repente, a inspiração se foi e a pessoa se sente indiferente a tudo. No entanto, com a experiência vem a sabedoria e a pessoa percebe que o caminho a seguir passa por descidas e oposição à inclinação egoísta.

A meta espiritual será sempre uma pergunta para mim: “Por que eu avanço? Vale a pena eu ir contra o meu egoísmo, a minha natureza? É normal trabalhar em tais descidas enormes, sem qualquer aspiração ou motivação?”. A pessoa se sente infeliz e desamparada, e experimenta seus estados como algo indigno e injusto.

Este é exatamente o lugar sobre o qual está escrito: “Os justos andarão onde os pecadores recuarão”. A questão toda é que temos que sair da nossa natureza. Não devemos alimentá-la ou tender a ela, mas elevá-la, a fim de subir acima dela. Toda vez que a pessoa se prepara para uma subida, ela recebe um novo “peso no coração”, para que ela possa subir ainda mais. É assim que ela avança no caminho espiritual.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 5/01/11, Escritos do Rabash

Desenvolvimento Espiritual: De Embrião À Pessoa

Dr. Michael LaitmanTalmud Eser Sefirot, Volume 3, Parte 8: Na espiritualidade, tempo e espaço significa a renovação da forma . Uma vez que o Partzuf cresce somente através de uma grande quantidade de uniões (Zivugim) e transferências de Luzes, que diferem umas das outras, construindo-o juntas, elas são chamadas de “meses do desenvolvimento intrauterino” ou o período do desenvolvimento embrionário, que pode durar 7, 9 ou 12 meses dependendo da quantidade de porções de Luz que são necessárias para formá-lo.

Nós estudamos as mudanças que acontecem com o desejo de desfrutar e contamos o número de mudanças ou renovações, que são chamadas de “meses” (Hodesh, mês em hebraico, vem da palavra Hidush – renovação). Não existe tempo na espiritualidade. O tempo é determinado pelo número de mudanças que atravessamos, ao invés do movimento do ponteiro de um relógio ou as mudanças de algum fator externo. Quanto mais eu mudei, é o quanto de tempo que se passou. É assim que o tempo é definido na espiritualidade.

Portanto, o período do desenvolvimento de um embrião significa que eu passo de um estado ao outro (“Eu passo”, Over em hebraico, vem da palavra embrião, Ibur) . Eu tenho que passar por certa quantidade de mudanças para ir do desenvolvimento intrauterino dentro do Superior ao desenvolvimento fora Dele.

Agora, eu também estou no Superior e Ele me desenvolve. Durante esse processo de desenvolvimento eu não tive qualquer influência nas mudanças que atravessei.  Eu sou forçado a mudar pelos instintos e forças que experimento como sofrimento, e, assim, eu passo por essas mudanças contra a minha vontade.

Então, surge outra fase: eu começo a sentir que existe algum tipo de razão por trás disso, que existe uma necessidade elevada, e que existe um Superior que faz essas mudanças em mim, desejando que eu comece a descobrir o sistema de governança, a ordem de desenvolvimento de causa e efeito, o começo e a meta de todo o caminho. É assim como o mundo inteiro está começando a despertar em nossa época.

Depois disso, nós alcançamos a compreensão de que temos que despertar essas mudanças por nós mesmos. De certo estado em diante não há tempo que o Superior mude por nós, forçando-nos a nos desenvolver. Agora, o Superior somente adiciona Luz para nós, as quais percebemos como mal. Porém, isso não nos habilita a nos desenvolver, mas somente alcançar a compreensão de que devemos exigir o desenvolvimento do Superior. Isto é, nós já precisamos participar do desenvolvimento por nós mesmos e exigí-lo.

O Superior não me força a fazer a ação em si, mas somente a solicitá-la, de modo que eu peça que Ele a coloque em prática. Meu pedido tem que estar no meio. Por enquanto, esse pedido pode ser expresso como um pranto, porque me sinto mal.

Depois disso, eu me desenvolvo e sou obrigado a ter esse pranto, que surge da compreensão do bem, quando entendo que tudo isso é para meu bem. Mesmo que eu possa me sentir mal em minhas sensações, eu já compreendo que isso é bom para o meu desenvolvimento, porque tenho que ascender ao próximo nível. Então, o Superior não exige mais um pranto de mim, mas a cooperação no desenvolvimento. Isso é chamado de sociedade (parceria).

Depois, nós alcançamos o estado onde o Superior não me desperta de forma alguma, mas eu tenho que procurar pela oportunidade de despertar dentro de mim usando o ambiente. Eu tenho que despertar o Superior, de modo que Ele me desperte, e, então, eu concordo com Sua ação e digo a Ele exatamente como fazer isso. É como se eu entendesse e escolhesse a melhor forma de ação por mim mesmo, e então o Superior a faria.

No final, nós alcançamos o estado onde eu dou ao Superior todas as ordens. No começo do caminho Ele fez todas as ações em mim, desde o princípio até o fim, sem minha consciência. Eu não sabia quem estava agindo em mim, o que Ele fazia, e onde estava. Mas, no final do caminho, eu determino tudo, do princípio ao fim, e somente uso a força do Superior.

Todo nosso caminho se situa na aquisição de uma independência progressivamente maior e autossuficiente, tornando-se cada vez mais semelhante ao Superior.

Da 2a parte da Lição Diária de Cabalá 16/12/10, Talmud Eser Sefirot

Domicílio: O Grupo

Dr. Michael LaitmanPergunta:Durante a lição temos que aspirar a um lugar e unir tudo em um. No entanto, ao longo dos anos tenho desenvolvido noções diferentes sobre fenómenos espirituais. Ao ler sobre Bina e Malchut, percepciono-as de forma diferente. É possível reduzi-las a um ponto?

Resposta: Elas realmente têm que se tornar um todo. Em essência, Bina e Malchut são as qualidades do Criador e da criação. Nós não sabemos exactamente do que se trata, mas, não obstante, suas relações e interconexão indicam união.

Bina abaixa uma parte de si mesma até Malchut, as letras “ELEH” do nome Elokim. Malchut ascende até Bina, mudando o nome MA para MI. Por trás das descrições destes processos em O Livro do Zohar, nós discernimos os laços que as conectam.

Desta forma, temos que construir a nossa intenção. Unindo-me com o grupo, eu vejo-o como o lugar, o ponto central onde a qualidade de Bina (doação), ou Elokim, é revelada. É aí que eu elevo os meus desejos e anseios. É onde eu quero unir-me como uma parte corrigida de Malchut.

Eu espero que Bina me ajude por meio dos seus vasos ELEH, que são abaixados intencionalmente para cuidarem de mim, para se tornar um ventre materno para mim e elevar-me espiritualmente. É assim que eu devo considerar o grupo.

O grupo é o sistema que está capacitado para me apresentar Elokim, HaVaYaH. É o lugar onde eu recebo nutrição, e de onde as Luzes e as mudanças chegam até mim.

A minha concepção sobre o grupo depende apenas de como eu sou capaz de me anular perante ele. O Superior pode assumir qualquer forma, mas isso ocorre apenas na medida em que o inferior ascende os níveis de auto-anulação e se torna semelhante a Ele, atravessando as fases de concepção, alimentação e vida adulta.

É isto o que eu quero quando me sujeito à influência do grupo, o lugar que nos alimenta. Esta deve ser a minha intenção durante a lição: procurar constantemente o meu lugar na história sobre as relações entre Bina e Malchut.

Elas conectam-se através de Zeir Anpin, através de HaVaYaH, a qualidade da misericórdia, a Luz. Este é todo o sistema que nos desenvolve. O nosso território é a parte inferior de Bina, Zeir Anpin e a própria Malchut. É aí que está toda a nossa vida, tanto material como espiritual.

Isto porque a realidade é uma só. Mesmo que neste momento vejamos apenas uma imagem ilusória, isto é apenas uma falha na nossa percepção, uma ilusão causada pela compreensão e sensação débeis. Quando o nevoeiro começar a dissipar-se, o Mundo Superior surgirá dela, da nossa conexão com o grupo, com as outras almas, que surge de AHP, ou seja, da parte inferior da Bina (ZAT), Zeir Anpin e Malchut.

É sobre isto que fala toda a ciência da Cabalá. Esta é a expressão da nossa relação com o Criador, com a unidade da HaVaYaH e Elokim, que temos de alcançar.

Portanto, temos que compreender que ZAT de Bina é o grupo corrigido em que nos encontramos. Nunca revelaremos mais nada. Nós discernimos apenas o grau de nossa capacidade em unir-nos na parte inferior de Bina, no grupo. Esse é o nosso lugar. Ao colocarmo-nos em seu poder, revelaremos a nossa verdadeira realidade, que por enquanto está oculta de nós, por um véu de percepção turva.

Quanto Seus Olhos Vêem?

Dr. Michael Laitman“Um juiz não tem nada mais do que seus olhos vêem”. Esta é uma lei muito rigorosa que deve ser observada com muita precisão. Nós não podemos seguir nem mesmo o melhor conselho a menos que ele venha de nossas próprias correções, nossa equivalência com a Luz.

Também dentro de si mesmo, você deve sempre se perguntar: “Quem eu estou ouvindo agora? A pessoa que vive dentro de suas próprias fantasias, ou aquele que olha para as coisas como elas realmente são e sabe o seu lugar exato, sem pular muito alto?”.

Então, eu não percebo as coisas que ouço dos Cabalistas como leis ou mesmo conselhos, mas como uma “Segula“, um meio milagroso. Eu quero que ela me influencie e me transforme! Quando eu mudar, eu perceberei a verdade.

“Um juiz não tem nada mais do que seus olhos vêem”, o que significa que eu realmente terei a satisfação em minhas “mãos”, em meus Kelim de recepção, e eu “verei isso com meus olhos”, ou seja, dentro da Luz de Hochma. É quando eu serei capaz de agir!

Até que isso aconteça, você pode memorizar toda a Torá de cor, mas isso só vai funcionar como um “meio milagroso” ou um “tempero”. Você só será capaz de corrigir e usar o seu egoísmo na medida em que você pode adicionar esse “tempero” no seu egoísmo.

Então você verá exatamente quais desejos você pode usar e de que forma, ou quão profundamente (com qual Aviut). Esta primeira abordagem precisa de correção.

Uma abordagem completamente diferente de ensino segue-se disso, ou seja, que nós não temos nada a dizer ao aluno. Nós só podemos despertá-lo para que ele absorva o máximo possível da Luz que Corrige. É impossível dar-lhe modelos de comportamento já prontos, exceto o “meio milagroso”: a necessidade de unir-se no grupo com os amigos, e depois esperar que ele mude por conta própria.

Se isso não afeta o aluno, se ele não muda e não aceita os conselhos do professor, então nada pode ser feito em relação a isso. É impossível dar-lhe à força exercícios que estão acima do seu nível, mas apenas na medida em que ele se corrija e compreenda que deve fazer a análise, a mudança, e começar a agir.

Isso restringe muito as possibilidades do professor de ensinar um aluno em comparação ao nosso mundo, independentemente do aluno ser um adulto ou uma criança.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/11/10, “Corpo e Alma”