Textos na Categoria 'Educação Integral'

Uma Equipe Unida

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qualquer dinâmica de grupo passa por vários estágios. A primeira fase obrigatória é a fase da segurança. Antes que a pessoa se abra, ela precisa sentir que está num espaço seguro onde ninguém vai ferir ou humilhar.

Resposta: E o mais importante, este espaço tem que ter a qualidade conhecida como garantia mútua.

Para alcançar o objetivo, nós precisamos do apoio de todos os outros, como, por exemplo, numa boa equipe de ataque ou no exército, quando eles entram numa missão de reconhecimento e todo mundo se sente confiante no fato de que os outros vão sempre lhes dar cobertura. Você avança porque para você a sensação de “eu” já desaparece e, em vez disso, há a sensação de “nós”. Essa sensação é tão forte que nem sequer importa para você decidir se quer viver ou morrer, a coisa mais importante é implementar a idéia comum.

Quando as pessoas estão unidas através de uma idéia compartilhada, elas perdem os interesses individuais, enquanto o comum, o coletivo, começa a influenciá-las de tal forma que, por causa da execução de seu objetivo comum, a sua idéia compartilhada, elas já não se importam de que forma isso vai ser atingido por elas pessoalmente.

Se alcançarmos tal estado de união da sociedade, a pessoa sobe exatamente ao grau chamado de “Adão”. Ou seja, nós precisamos ter um objetivo que sempre estará diante de nós. Precisa ser por nós: não por uma pessoa com quem nós trabalhamos, mas por nós. Caso contrário, se nós não começarmos a lutar por este objetivo, a natureza vai nos empurrar, de forma muito dolorosa, por meio de tremendo sofrimento, em direção a ela com as suas forças coercivas. De uma forma ou de outra, no estado final, nós teremos que chegar a esta forma de comunicação entre nós, esse tipo de união.

Da “Lições sobre o Novo Mundo” # 8, 15/12/11

A Coabitação Civilizada Ou “Bazar” Europeu?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Suponha que todos nós possamos decidir que os estrangeiros que vieram ao nosso país para trabalhar causem prejuízos. Mas como podemos concordar com alguma coisa mais positiva e integral?

Resposta: Uma coisa é falarmos de uma família, onde as pessoas são forçadas a chegar a um acordo, ou seja, elas têm devem concordar ou se separar. Mas se estamos falando do tipo de egoísmo que não nos obriga a estar juntos, como no exemplo dos trabalhadores estrangeiros, então isso é uma coisa completamente diferente. Aqui temos que chegar a um sentido de necessidade da convivência integral, terrena e civilizada, que precisa ser construída baseada na educação.

Muitas vezes me perguntam:

– Você israelense?
– Sim.
– Você tem um problema com seus vizinhos?
– Claro! Quem não sabe disso?
– Concorda com a abertura das fronteiras do país? Você pode viver com eles em paz?
– Claro!
– Então, por que não faz isso?
– Eu concordo! Mas só depois educamos uns aos outros.

Eu não seria capaz de viver no mesmo apartamento com o meu vizinho até que um completo entendimento mútuo surgisse entre nós. Mas para que isso ocorra é preciso passar pelo processo de educação, para que ambos se entendam, sintam e se aproximem. Sem isso você não pode abrir as fronteiras.

Na Europa, eles abriram as fronteiras e agora querem fechá-las novamente. Por quê? Bem, porque durante os 20 anos de existência dos mercados europeus, eles não se ocuparam com a educação das pessoas.

Eu diria mesmo que era um “bazar” Europeu, nem sequer um mercado, porque eles não perseguiram a educação ou integração dos povos. Há um número enorme de culturas, línguas, de tudo. “Nós somos a Europa!”. Em que, exatamente, vocês são a Europa? Hoje está se tornando claro que este é simplesmente um conjunto de pessoas completamente incompatíveis. Depois de todo esse tempo, alguma nacionalidade européia foi criada a nível mundial, algum tipo de cultura compartilhada? Não. Pelo contrário, as contradições estão começando a se manifestar-se externamente cada vez mais.

Em outras palavras, a educação deve preceder absolutamente todas as ações.

Da “Lições sobre o Novo Mundo” # 6, 14/12/12

Primeiros Passos

Dr. Michael LaitmanPergunta: A dificuldade reside no fato de que a consciência coletiva é governada apenas pelo egoísmo. Vinte anos atrás, quando a psicologia estava apenas surgindo na Rússia, ela foi vista com desdém, mas essa atitude mudou gradualmente. Eu espero que, se continuarmos a promover nossa metodologia da educação integral, a força da natureza vai nos ajudar a implantá-la em breve. Nesta fase, no entanto, isso ainda não é evidente.

Resposta: Se estamos falando da primeira etapa de implantação, primeiro nós precisamos montar um bom e sério fórum virtual de cientistas e especialistas em diversas áreas, pessoas que entendam que a necessidade da integralidade é uma lei da natureza e uma ascensão, uma elevação. A elevação do homem a este estado é nosso próximo e obrigatório grau, o próximo estágio de desenvolvimento.

Nós precisamos começar a promover a opinião geral dos especialistas que estão falando sobre isso com base em suas próprias pesquisas, incluindo sua investigação sobre a crise, o que demonstra claramente as origens e consequências da crise e confirma que somente a cura do egoísmo dentro de nós pode transformá-la de um ponto de ruína em um ponto de elevação. Quando juntarmos tudo isso e formos capazes de explicar isso a todos, para amplos círculos da sociedade, então os psicólogos receberão uma luz verde para começar a moldar uma influência desejável sobre as pessoas, que será recebida como tal pela própria sociedade.

Da “Lições sobre o Novo Mundo” #6, 14/12/12

A Maravilhosa Metamorfose De Um Egoísta Notório

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu estou muito interessado nas novas e corrigidas relações entre as pessoas que você descreve. Como pai, eu estou particularmente impressionado pelos seus exemplos de crianças e de situações difíceis nas escolas. Eu realmente gostaria de viver nesse mundo que você tem delineado. Mas, ao mesmo tempo, estou cercado de dúvidas, pois está escrito: “o coração humano é mau de nascença”. E você quer que uma pessoa, de repente, se torne boa. Como é que esse egoísta notório passa por tal metamorfose?

Resposta: A pessoa vai gostar de usar seu ego em sua forma oposta. Ela vai ver exemplos ao seu redor e fazer o mesmo. A fim de induzir uma pessoa a usar seu egoísmo de uma boa maneira, nós precisamos do apoio da sociedade, isto é, da influência do bem e do mal, ou seja, recompensa e castigo. Precisamos estabelecer um apoio para as crianças, de modo que elas respeitem ou não seus pais de acordo com essas qualidades.

Nós jogamos com o egoísmo humano de várias formas, organizando o ambiente em torno da pessoa. Existem alguns níveis nesse ambiente, pois um ser humano é composto de quatro níveis, o que exige que esses mesmos níveis sejam construídos em torno dele. Uma pessoa deve ser influenciada pelos seus filhos para que ela sinta que seus filhos a avaliam pelo quanto ela dá à sociedade. A opinião de uma criança é muito importante para os pais.

O próximo círculo são os vizinhos, o terceiro é o dos colegas de trabalho, e o quarto é a nação; todos o avaliam de acordo com o mesmo princípio. Tal ambiente deve ser construído em torno de uma pessoa; mas, ao contrário de uma prisão que ela quer fugir, ela leva em conta nosso egoísmo, porque esta é nossa natureza.

Nós temos que entender o quanto ganhamos por aprender a não suprimir nosso egoísmo, mas usá-lo corretamente. Por exemplo, se eu posso usar meu grande egoísmo para ganhar uma fortuna para meus filhos, todo mundo está feliz. O problema não é o egoísmo: ele pode ser um grande benefício para todos. A única questão é como eu o uso. Se a sociedade me obriga a usá-lo para o benefício de todos, então eu consequentemente o faço. E se eu não sou bem sucedido, então eu me esforço para corrigir isso. Tudo depende do quadro social; a pessoa é produto de seu ambiente. É por isso que precisamos agir sem qualquer tipo de pressão e violência.

Um Feliz Equilíbrio: “Nós E o Mundo”

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que através dos avanços na tecnologia, as pessoas têm mais tempo livre e que elas poderiam estudar ciência, cultura, e filosofia como algo não essencial para a vida. Hoje, em nosso tempo livre, nós estamos começando a desenvolver uma “indústria interior”?

Resposta: Em primeiro lugar, todos devem passar por cursos educacionais, um estudo longo e agradável de um mundo novo, a estrutura do homem, sua psicologia, as relações entre as pessoas: pais e filhos, cônjuges, educação infantil, a estrutura da sociedade, e a história do desenvolvimento do egoísmo. Precisamos examinar os sistemas globais e integrais com o exemplo do corpo humano e da estrutura do universo. A pessoa deve ser um pouco mais desenvolvida.

Mas, tudo isso é estudado de uma forma suave e gentil, sem quaisquer exames, mas através de discussões, empatia e comunicação dentro do grupo. Esta não é uma classe aonde você vem, aprende e vai para casa o mais cedo possível. Você está nessa atmosfera porque precisa conhecer a si mesmo e o mundo no qual vive, assim como ensinamos as crianças. Afinal, o que queremos delas? Nós queremos que elas conheçam o mundo em que elas existem, e aprendam a usar bem tudo que as cerca.

Os adultos devem aprender as mesmas coisas agora, porque eles não aprenderam que “eu e o mundo” é a essência do estudo. Eles também devem aprender como este “eu e o mundo” se transforma em “nós e o mundo”, e depois este “nós e o mundo” se transforma num grande todo, em um sistema integral.

Isso é o que ensinamos às pessoas porque a lei geral da natureza é o equilíbrio. Dentro deste estado de equilíbrio, nos sentimos mais confortáveis. Tudo tende ao equilíbrio. É por isso que é necessário mostrar às pessoas as leis existentes em todos os níveis na física, química, biologia e zoologia, para ver que isso é verdade. Então, está claro que a sociedade humana também está obrigada a se organizar baseada no mesmo princípio.

Isto não é misticismo, mas uma ciência séria. Nós fazemos assim não porque algum Lenin ou Trotsky decidiu implementar essa ideia, mas porque a natureza da crise global no obriga a fazer. E nós fazemos isso não porque somos comunistas que incorporam as ideias de Marx, mas porque aprendemos isso da vida moderna, e vemos que, na verdade, ele estava certo.

Marx estava certo no que disse sobre a crise. Ele realmente não se aprofundou na forma de realizar isso na prática. Mas, para implementar isso, nós nos dirigimos a todos os profissionais que existem no nosso mundo. E a quem nós podemos confiar se não nos cientistas? Nós construímos tudo baseado em suas recomendações.

De KabTV “Uma Nova Vida” Episódio 6, 03/01/12

Desenvolvimento Psicológico

Dr. Michael LaitmanPergunta: O trabalho de um psicoterapeuta é composto por avaliações contínuas dos problemas de uma pessoa, onde no final ele começa a entender o que está acontecendo com ela.

Resposta: Seu trabalho não é transformar uma pessoa num psicólogo. Seu objetivo é dar à pessoa um conselho específico e correto, uma receita que ela possa usar, e então tudo estará bem nesta determinada fase. Mas ela possivelmente estará de volta num par de meses ou anos, porque ela está sempre mudando e os problemas e as circunstâncias mudam. Ela vai precisar de você.

Basicamente, essa é uma abordagem muito diferente. Você é um profissional e ela vem buscar conselho. Resumidamente falando, basta dar-lhe um tratamento e pronto.
Mas o nosso objetivo é transformar cada pessoa em seu próprio especialista, porque ela precisa trabalhar constantemente consigo mesma.

Ela sempre encontra novas áreas internas desconhecidas dentro de si, ela revela cavidades, qualidades, pensamentos e desejos egoístas. Como todos eles mudam, eles a colocam em novas posições específicas em relação ao ambiente. É por isso que a pessoa precisa constantemente se desenvolver psicologicamente. Ela precisa ser um mestre.

De “Lições sobre o Novo Mundo” # 7, 14/12/11

Diferentes Golpes Para Diferentes Pessoas

Dr. Michael LaitmanPergunta: Deve haver diferentes livros ou textos didáticos no curso de educação integral? Ou dever haver um livro para todos, traduzido para outros idiomas?

Resposta: Quando a pessoa começa a ascender, ela perde sua identificação com o mundo corporal: “sua tribo”, as pessoas, o clã ao qual pertence, a sua educação.

Isso não importa, porque quando você dirige tudo para o bem dos outros, você deve compreendê-los: o que significa “para o bem”? Talvez não seja de forma algum para o bem deles? Basicamente, você não pode ser o juiz disso.

Por exemplo, quando eu gosto de determinado alimento e ele é bom para mim, eu poderia causar danos ou sensações desagradáveis para outra pessoa oferecendo-o a ela, pois existem muitos gostos e opiniões opostas.

É por isso que a integração pressupõe tanto os sentimentos da outra pessoa quanto a inclusão de seus desejos e pensamentos, utilizando a si mesmo para a realização dela. Basicamente, neste caso eu devo sempre me controlar, mas não de acordo com os meus desejos e pensamentos: não que o que é bom para mim é bom para os outros, “empurrando” assim o que eu desejo para mim para eles. Às vezes isso acontece conosco, e, geralmente, causa conflitos entre pais e filhos. Pelo contrário, eu devo entrar nessa pessoa, sentir seus desejos, e satisfazê-los com a ajuda dos meus desejos.

Esta é a conexão correta das engrenagens. Assim, cada um de nós está trabalhando por todos os outros, como as células no corpo.

De “Lições sobre o Novo Mundo” # 7, 14/12/11

Uma Experiência Delicada

Dr. Michael LaitmanPergunta: As pessoas modernas opõem-se por completo à integralidade, da qual estamos a falar. Uma pessoa que pisa outras pessoas para chegar à frente é melhor que uma pessoa que se rende a todos e se preocupa com os outros. Como regra, a segunda é um perdedora.

Reposta: Vamos fazer uma experiência; fotografemos pessoas e comecemos a mostrar como elas se comportam em diferentes locais. Deixe-as verem a si mesmas de longe. Você pensa que isto não fazrá com que elas mudem, mesmo sem qualquer trabalho social?

Mostremos às crianças o comportamento dos seus pais. Este é o factor de influência mais forte sobre os pais! Vejamos como eles reagem a isto.

Isto irá mudá-los. Se as crianças em casa exprimissem o seu desrespeito ou ressentimento pelas acções dos seus pais, os pais não seriam capazes de permanecer no mesmo estado. Eles seriam forçados a lutar pelo respeito dos seus filhos. É uma catástrofe terrível para os pais quando os seus filhos se ressentem deles, quando os seus filhos não só discordam dos seus pais mas também das suas acções, do que eles são. Precisamos usar isto. Cuidadosa e delicadamente, mas necessariamente, devemos fazê-lo.

De “Lições Sobre um Novo Mundo” #7, 14/12/11

Altruístas Corpóreos E Egoístas Espirituais

Dr. Michael LaitmanPergunta: Recentemente assisti a um encontro de representantes de crenças orientais. Todos eles foram muito simpáticos e preocupados uns com os outros. No que o comportamento deles difere da educação global integral que falamos?

Resposta: Primeiro que tudo, o comportamento deles não é conduzido pela necessidade da natureza. Eu sou um egoísta. Eu sou completamente indiferente a todos os métodos, incluindo o meu (se é que podemos chamar-lhe meu). Eu simplesmente olho o mundo, o seu movimento e evolução, como um técnico, e percebo que não há nada que possa ser feito.

Não sou um apoiante de uma ideia específica. Não estou a tentar inventar algo fictício, algum novo reino maravilhoso. Eu percebo que estamos aqui no caminho do desenvolvimento necessário, e é por isso que este caminho é o melhor para nós e leva-nos em direcção ao objectivo correcto. Este é o primeiro ponto.

Segundo, eu não tenho ideias idealistas. Eu aplico egoísmo ao nosso desenvolvimento sem suprimir, diminuir, ou escondê-lo. Ele não vai a lugar nenhum; em vez disso, continua a se desenvolver ainda mais.

De facto, agora estamos a desligar o egoísmo entre nós, não irá se desenvolver. Nós não sentimos o quanto nós realmente nos odiamos uns aos outros, quão oposto somos, o quanto cada um de nós quer realmente destruir toda a gente e permanecer completamente sozinho, ou apenas deixar os outros como dóceis actores de todos os seus desejos.

O método de educação integral e ensino envolve o uso de todos os recursos internos e externos, naturais e humanos. Não é de forma alguma construído na supressão de qualquer coisa, e é por isto que funciona para toda a humanidade.

Todos os outros métodos são baseados na supressão do egoísmo, na ausência do seu uso. Mas ele ainda salta cá para fora e mostra-se a si mesmo porque continua sempre a desenvolver-se em nós, a cada segundo, de uma geração para a outra, e não há nada que possamos fazer sobre isso.

Além disso, todos estes métodos são dirigidos a um número muito limitado de pessoas. De acordo com estudos, entre seis e dez por cento das pessoas no mundo têm inclinações altruístas naturais: dar, viver em harmonia, pintar flores, etc. Nós estamos familiarizados com este fenómeno. Mas este destino apenas pertence a muito poucas pessoas e os outros não as conseguem perceber de forma alguma: “Bem, continuem a visitar hospitais, continuem a ajudar os doentes e os mais velhos. Vocês não estão a ferir ninguém; é magnífico o que vocês fazem, vocês são boas pessoas. Mas não nos arrastem para isso”.

Mas aqui é um assunto totalmente diferente: a Natureza, especificamente, obriga egoístas a tornarem-se altruístas com a ajuda do mesmo egoísmo. Por outras palavras, nós damos a este egoísmo – toda a nossa natureza, todas as nossas propriedades – a realização máxima.

De “Lições Sobre um Novo Mundo” #7, 14/12/11

Uma Necessidade Natural

Dr. Michael LaitmanPergunta: Na década de 1920 e 30, um famoso psicólogo Soviético, Vygotsky, introduziu o conceito de “zona de desenvolvimento proximal”, que, entre outras coisas, fala sobre a diferença entre o “Eu” ideal e o “Eu” real. Se esta zona se torna muito grande, em algum ponto o contato entre os dois sistemas se quebra e a pessoa perde o contato com a realidade. O engano e a mentira aparecem, que é o que aconteceu na Rússia. Você vê algum perigo no fato de que é muito grande a diferença entre a imagem ideal de uma sociedade integral e o estado real das pessoas?

Resposta: Você entende o que é uma “necessidade natural”? Se naquela época todas essas idéias eram simplesmente desejáveis na Rússia, em nosso estado atual elas são totalmente necessárias. Se naquela época era possível criar uma sociedade capitalista, e para aqueles que viviam na demolida, pobre, deprimida e livre Rússia, o florescente mundo ocidental parecia um paraíso na terra, hoje já não é este o caso. Hoje, apenas uma única imagem aparece diante de todos nós: a aniquilação absoluta ou o trabalho construtivo num novo nível.

É por isso que eu enfatizo que é necessário estimular constantemente este ponto na pessoa. Outra solução simplesmente não existe.

Da mesma forma, não há outra solução para a atual crise Européia. Eles estão constantemente tentando evitá-la, adiar a decisão até futuras reuniões, prometendo que daí vão pensar em algo. Mas, é claro, não há nada para pensar. Tudo está se dirigindo sabe-se lá para onde, porque ninguém consegue calcular e prever as consequências negativas dessa história sem fim e da destruição forçada que se segue.

Não há outra maneira. Isso é em primeiro lugar.

E segundo, o racha. Acho que aqui devemos nos empenhar num trabalho sério e, mais importante, para desenvolvermos progressivamente a sociedade. Nós só temos um único mecanismo de influência sobre a pessoa: o ambiente circundante. Apenas o ambiente circundante, não existe outra possibilidade. Psicólogos, sociólogos, tudo isso é bom, mas sem a influência de uma sociedade sobre a personalidade, esta não vai mudar, não vai receber deles um propósito que viva internamente.

Se algum especialista me fala sobre tudo isso, eu o ouço, fico assustado por um instante, surpreso, imbuído de um conceito, e estou pronto a realizá-lo, a agir e lutar por algo logo ali e agora. Eu faço promessas a mim mesmo. Mas depois, sem o ambiente, sem a força envolvente a obrigar-me, eu nunca o farei realmente.

Preciso de uma sociedade que defenda esta idéia e um movimento que me obrigue à sua implementação, contando com as minhas qualidades pessoais como a inveja, o ciúme, o desejo de me elevar e realizar-me, e o sentimento de vergonha: quem sou eu comparado a eles, como me pareço aos olhos dos meus filhos e entes queridos. Aqui é preciso utilizar todos os recursos disponíveis (e todos eles são egoístas, uma vez que existem em torno de egoísmo), a fim de obrigar a pessoa a penetrar progressivamente nessa necessidade conscientemente reconhecida de uma unificação integral com os outros.

Especialistas e psicólogos devem liderar isto, e atrás deles, uma parede social, os meios de comunicação de massa.

De uma “Conversa sobre a Educação Integral” # 6, 14/12/11