Textos na Categoria 'Economia'

O Sistema Financeiro Na Rede Mundial


Opinião (da Nature): “Os reguladores financeiros e mentores políticos devem se concentrar em instituições financeiras que são ‘muito centrais para falhar’, bem como aquelas que são ‘muito grandes para falir’, sugere uma pesquisa publicada esta semana no Scientific Reports’… Os autores descobriram que durante o pico da crise, um grupo de 22 instituições financeiras, que receberam a maior parte dos empréstimos, tornou-se mais central para a rede, o que significa que o padrão de cada uma teria um maior impacto econômico em toda a rede.

“Nós representam instituições financeiras (selecionado como explicado no texto). Elos (links) de saída representam o impacto potencial estimado de uma instituição para outra. Os nós são posicionados dentro de um círculo de raio 1, centrado em 0. … Assim, quanto mais próximo um nó está do centro, mais elevada é a sua classificação de débito. Um nó no centro (classificação da dívida = 1) é capaz de colocar em perigo todo o valor econômico da rede. O ranking dívida diminui afastando-se para esquerda ao longo da espiral. Ao mesmo tempo, o diagrama permite visualizar a estrutura da rede e comparar a importância de quaisquer dois nós dados. O tamanho e a cor do nó refletem o valor de classificação da Dívida (nós maiores e vermelhos têm classificação mais elevada da dívida). A cor de um elo reflete a classificação da dívida do nó da qual ele se origina (elos vermelhos se originam do nó com alta classificação de Dívida e têm alto impacto nos nós de destino). (A) Período um, no início da crise. A maioria dos nós têm baixos níveis de classificação de débito, ou seja, estão localizados perto da fronteira. (B) Período quatro (auge da crise). Os nós têm níveis comparáveis ​​de classificação da dívida. No entanto, eles também são muito mais centrais, ou seja, podem afetar uma grande fração do valor econômico total. Um único calote tem a probabilidade de desencadear uma falha sistêmica”.

Nós Estamos “Um Ano Distantes Dos Tumultos Globais Por Alimento”

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (do CounterCurrents.org): “Em um artigo de 2011, pesquisadores do Complex Systems Institute apresentram um modelo que explicava exatamente por que as ondas de agitação que varreram o mundo em 2008 e 2012 explodiram quando o fizeram. O número determinante foi a subida dos preços dos alimentos. Seu modelo identificou um limite preciso para os preços globais de alimentos que, se ultrapassado, levaria a agitação em todo o mundo….

“Antes mesmo do clima extremo mexer com os preços dos alimentos este ano, seu relatório de 2011 previu que a próxima grande quebra ocorreria em agosto de 2013, e que o risco de mais tumultos no mundo se seguiria. Assim, se as tendências se mantiverem, esses complexos sistemas teóricos dizem que estamos a um ano de uma bola de fogo da instabilidade global”.

Meu comentário: Talvez, então, eles ouvirão sobre a necessidade de uma educação integral, que traz o conhecimento de como unir não para destruir tudo, mas para criar uma nova ordem mundial em conexão mútua com o objetivo de atingir padrões iguais e se elevar na percepção do mundo superior do nível “Humano”. A Natureza nos obriga a isso.

“A Economia Mundial Entrando Na Temporada De Furacões Financeiros”

Dr. Michael LaitmanOpinião (de Insurance Journal): “A temporada de furacões do Atlântico Norte vai de meados de agosto a outubro, com um pico forte na atividade de tempestades em torno da metade de setembro. Um padrão menos familiar, mas ainda mais destrutivo de distúrbios é a temporada de furacões financeiros, que coincide com a temporada meteorológica quase no mesmo dia. …

“A coincidência entre furacões financeiros e meteorológicos não pode ser totalmente fortuita. A economia global, como a atmosfera do mundo, é um sistema complexo finamente equilibrado.

“Em tais sistemas, pequenas perturbações podem se acumular para provocar grandes efeitos. E assim como os pontos de inflexão meteorológica tendem a ocorrer quando começa a circulação do ar do outono para romper o ar úmido acumulado nas calmarias do verão, algo similar parece acontecer com os mercados financeiros quando a negociações acalmadas pelos feriados de verão voltam ao normal. O resultado pode ser a reação súbita e violenta de eventos acumulados ao longo do verão que os mercados pareciam ignorar. …

“Na China, a atividade econômica não foi capaz de acelerar como esperado, apesar de repetidas tentativas de estímulo monetário e fiscal. Isto pode significar, simplesmente, que o governo e o banco central ainda não fizeram o suficiente. É possível, no entanto, que a economia chinesa se tornou muito complexa para ser gerida e aperfeiçoá-la de forma tão eficaz como no passado. Ou talvez os resultados decepcionantes de estímulo chinês até agora reflitam um amplo fracasso da política monetária, que está se tornando evidente em todo o mundo. Decepções recentes na Grã-Bretanha apoiam essa interpretação.

“Os EUA e Grã-Bretanha se recusam a reconhecer que imprimir dinheiro nunca pode ser contraproducente. Na Alemanha, pelo contrário, eles se recusam a aceitar que imprimir dinheiro nunca pode funcionar. O que nos leva, finalmente, para a mais importante fonte de instabilidade que ameaça o furacão financeiro no Outono deste ano – o conflito iminente entre o BCE, a Alemanha e o resto da zona euro”.

Meu comentário: A falta de compreensão da natureza do processo é a causa do nosso estado, e o problema desaparecerá quando tomarmos consciência de sua causa e nossas ações estiverem de acordo com o programa da natureza (Ver artigo do Baal HaSulam “Paz no Mundo”).

O Bem-Estar Do Mundo É Um Imperativo De Nosso Tempo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Hoje, está muito claro que uma pessoa depende e é escravizada ao seu ambiente. Mas como nós podemos concluir, a partir desse fato, que devemos agir para o bem-estar da sociedade?

Resposta: Se a pessoa não servir ao mundo, o mundo não vai fornecer-lhe o que ela precisa. Na verdade, o que eu preciso hoje depende de todo o mundo. Eu não tenho nada se o mundo não der para mim, ou seja, se o mundo inteiro não estiver mutuamente conectado. Isso significa que eu preciso me preocupar que o mundo inteiro esteja conectado e coopere em harmonia. Só então é que ele vai ser capaz de me proporcionar o que eu preciso.

Em alguma parte do mundo, pessoas estão escavando ferro, em outro lugar cobre, em outro petróleo, e em outro gás. Fábricas fornecem os bens e navios os transportam; cientistas desenvolvem novas tecnologias e, por fim, o produto final me atinge. No passado, nós não estávamos realmente preocupados com isso. Havia suficiente ego “local” do dono da fábrica ou do proprietário do poço de petróleo, mas hoje não funciona mais assim. Em breve nós ficaremos surpresos ao ver como os principais mecanismos de produção não funcionam. Por quê? O proprietário do poço de petróleo não quer ter lucro? Ainda assim, o seu negócio irá falhar, uma vez que não damos a ele poder, não nos preocupamos com ele.

É hora de nos preocupar com o bem-estar de todo o mundo. O sistema está operando integralmente e agora ele precisa da deficiência de cada um para funcionar. “Mas será que eu posso saber e lembrar tudo que acontece no mundo? Alguém poderia enlouquecer, nem mesmo um computador pode fazer isso!”.

É verdade! Portanto, a única opção é a conexão dos corações e desejos, e não dos pensamentos. Comece agindo no nível dos desejos e, de repente, você verá como o pensamento “veste” com precisão o despertar do coração, o desejo, e é capaz de se preocupar com todos. Então, você verá e saberá por que um grande potencial de seu cérebro ainda está inativo.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 11/09/12, “Paz no Mundo”

Os Resultados Da Primeira Auditoria Do Federal Reserve De Quase 100 Anos De História

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (do 12160.info ): “O que foi revelado na auditoria foi surpreendente: $16.000.000.000.000,00 tinham sido secretamente dados aos bancos norte-americanos e empresas e bancos estrangeiros de todos os lugares, da França à Escócia. Desde o período entre dezembro de 2007 e junho de 2010, o Federal Reserve (Banco Central dos EUA) tinha socorrido secretamente muitos bancos do mundo, corporações e governos. O Federal Reserve gosta de se referir a esses resgates secretos como um programa de empréstimo que inclui tudo, mas praticamente nenhum dinheiro foi devolvido e o mesmo foi emprestado a juros zero. Porque o Federal Reserve nunca tornou público isso ou mesmo informou o Congresso dos Estados Unidos sobre o pacote de resgate de $16.000.000.000.000,00 de dólares é óbvio: o público norte-americano se ofenderia ao descobrir que o Federal Reserve socorreu bancos estrangeiros, enquanto os norte-americanos estavam lutando para encontrar postos de trabalho”.

Meu comentário: É assim que o egoísmo manipula a propriedade pública “para o benefício de seu país e do povo!”.

O Mundo Enfrenta Uma Aterrisagem Forçada

Dr. Michael LaitmanNas notícias (do Ereport.ru): “O Serviço de Investidores da Moody`s reduziu suas previsões de crescimento para os países avançados e emergentes do G-20, citando um aumento dos riscos negativos para a recuperação global”.

“Em sua última Previsão Global de Risco-Macro 2012-2013, a agência de classificação diz que o crescimento real nas economias do G-20 será de cerca de 2,8 por cento em 2012 e 3,4 por cento no ano seguinte. Este é representa uma redução de 20 pontos base e 10 pontos base, respectivamente, em relação à previsão de Abril da Moody`s”.

“De acordo com a agência, os principais riscos para o crescimento global são a recessão mais profunda do que o esperado na zona do euro, o perigo de uma aterrissagem forçada nos principais mercados emergentes, como China, Índia e Brasil, um choque no preço do petróleo devido à oferta, causada pelo ressurgimento dos riscos geopolíticos e do potencial de súbito e acentuado aperto fiscal nos EUA no próximo ano”. …

“A diretora de crédito para risco soberano do grupo Moody`s, Elena Duggar, diz: ‘Em nossa opinião, os esforços de consolidação fiscal, a fraca confiança empresarial e dos consumidores, a desalavancagem do setor bancário e imobiliário, os níveis de desemprego persistentemente elevados e a fraqueza do mercado vão continuar a restringir o crescimento nas economias avançadas’”.

“A agência de classificação também prevê que as economias emergentes do G-20 vão crescer cerca de 5,2 por cento em 2012 e 5,7 por cento no próximo ano. Isso é “significativamente inferior” aos 6,6 por cento vistos em 2011 e aos 8 por cento alcançados em 2010″.

“Duggar diz: ‘Nós estamos revisando para baixo nossa previsão para estas grandes economias de mercado emergentes, onde o ambiente externo mais fraco e a desaceleração da demanda doméstica estão causando uma desaceleração no ritmo de crescimento’”.

“‘Nós continuamos esperando que a desaceleração nas economias avançadas e o fluxo volátil de capital suprimam o crescimento em mercados emergentes”.

Meu comentário: Há apenas uma pergunta: a velocidade do aprofundamento da crise é mais rápida ou mais lenta do que a velocidade do pensamento dos políticos? Se a crise ultrapassa a oportunidade de refletir sobre o que está acontecendo, o mundo vai mergulhar na escuridão da guerra, da fome e dos desastres naturais. Se, no entanto, eles forem capazes de interpretar os acontecimentos e as ameaças, e subir acima de seus cálculos egoístas (ou melhor, falhas), então nós vamos atravessar a crise com pequenas perdas e começar a construir uma nova economia na nova sociedade.

“A Pobreza Está A Voltar À Europa”

Dr. Michael LaitmanNas Notícias (do The Telegraph): “‘A pobreza está a voltar à Europa’, contou numa entrevista ao Financial Times Deutschland, o chefe da Unilever na Europa, Jan Zijderveld.

“‘Se um consumidor na Espanha gasta apenas 17 € quando vai às compras, então não serei capaz de vender-lhes detergente por metade do seu orçamento’.

“A Unilever já começou a mudar a forma como vende alguns dos seus produtos. Na Espanha a empresa vende o detergente Surf em pacotes para apenas cinco lavagens, ao passo que na Grécia, oferecem agora puré de batata e maionese em pequenas embalagens, e criou uma marca de baixo custo para bens básicos tais como chá e azeite.

“’Na Indonésia, vendemos pacotes individuais de champô de 2 a 3 cêntimos e ainda fazemos bom dinheiro’, diz o sr Zijderveld. ‘Sabemos como fazer isso, mas na Europa esquecemo-nos disso nos anos anteriores à crise’.

Meu Comentário: É assim como a crise irá destruir a produção desnecessária e deixar-nos dentro dos limites do consumo razoável. Da mesma forma, o desemprego irá forçar a sociedade e o governo a encontrem-lhes uma actividade útil: a educação integral.

Uma Armadilha Do Progresso

Dr. Michael LaitmanOpinião (RonaldWright, do About.com): “O filme, baseado no criterioso livro de não ficção de Ronald Wright, Uma Breve História do Progresso, apresenta argumentos convincentes de que a tecnologia, se não for usada adequadamente e com moderação, pode levar a condições adversas e ao colapso da civilização, se não ao fim real da humanidade”.

“Wright, que é entrevistado no filme, aponta para ‘armadilhas do progresso’, ou exemplos onde o know-how humano, sistemas de crenças ou tecnologias, que resolveram necessidades de curto prazo, na verdade tiveram efeitos adversos”.

“Um exemplo, apresentado como uma reconstituição dramática no filme, é a caça pré-histórica de mamutes – foi um progresso quando os nossos antepassados descobriram como caçar de forma eficiente, matando dois animais de cada vez, em vez de um, mas quando eles descobriram como para matar o rebanho inteiro, levando-os até um penhasco, eles mataram toda sua fonte de alimento futuro, e colocaram a sua sobrevivência em risco. Isso é uma armadilha do progresso que qualquer um pode entender. O mesmo tipo de comportamento perigoso persiste até hoje, argumenta Jane Goodall, que aponta a exploração continuada dos recursos da Terra pela humanidade e o consumo exagerado, agravado pela crescente utilização de tecnologias que são consideradas como progresso, simplesmente não são bons para a evolução futura – ou sobrevivência – das espécies”.

“Surviving Progress é preenchido com informações e apresenta uma ampla gama de argumentos que exigem uma reconsideração da noção de progresso. O filme cobre uma miscelânea de preocupações que são apresentadas como uma nutritiva salada mista de reconstituições, gráficos e entrevistas televisionadas. É um filme intelectualmente estimulante e provocativo que levanta mais questões do que respostas. A questão essencial é válida e desafiadora: a humanidade está suficientemente desenvolvida para ser capaz de lidar com seu know-how e não permitir o mau uso da tecnologia para, no final, destruir a civilização? Essa é uma pergunta que deve ser considerada por todos”.

Meu Comentário: Hoje, nós estamos superando esses erros devido à crise atual. Espera-se que as pessoas entendam que a economia egoísta chegou ao fim, e deve mudar para a economia da felicidade, em igual abundância para nossos corpos e desenvolvimento ilimitado para nossas almas.

Discriminação: Uma Fonte De Estresse

Dr. Michael LaitmanNas notícias (do Cornell Chronicle ): “Os adolescentes que crescem na pobreza são mais propensos a relatar que estão sendo tratados injustamente, e essa percepção de discriminação está relacionada a mudanças prejudiciais na saúde física, relata um novo estudo de Cornell publicado na edição de julho da revista Psychological Science”.

“Um dos primeiros estudos a explorar o papel da discriminação como um fator na bem conhecida ligação entre pobreza e problemas de saúde, a pesquisa sugere que as tensões associadas com a experiência na discriminação de classe social têm um considerável impacto negativo”. …

“Como esperado, a pobreza esteve associada a maiores níveis de carga alostática, indicado pelo aumento do índice de massa corporal, da pressão arterial e dos níveis de hormônios do estresse. Os pesquisadores descobriram que a discriminação percebida foi responsável por 13 por cento destes efeitos negativos da pobreza sobre a carga alostática”. …

“‘É surpreendente que a discriminação de classe social seja tão ignorada no discurso público e na literatura’, disse o principal autor, Thomas Fuller-Rowell, Ph.D. ‘Há considerável atenção dada à forma como os estereótipos raciais agem na vida cotidiana e influenciam a forma como pensamos e tratamos as pessoas, mas esses tipos de discussões são quase inexistentes em relação aos estereótipos de classe social'”.

Meu comentário: Numa sociedade igualitária, algumas doenças desaparecem devido ao equilíbrio com a sociedade, e algumas devido ao equilíbrio com a natureza. Como resultado da harmonia com o ambiente, nós vamos obter saúde absoluta no mundo integralmente dependente.

“Por Que O Socialismo?”

Albert Einstein (Revista Mensal Maio 1949)

“É aconselhável para quem não é especialista em questões econômicas e sociais expressar opiniões sobre o tema do socialismo? Eu acredito por uma série de razões que é”.

“Vamos primeiro considerar a questão do ponto de vista do conhecimento científico. Pode parecer que não há diferenças metodológicas essenciais entre a astronomia e a economia: os cientistas em ambos os campos tentam descobrir leis de aceitação geral para um grupo circunscrito de fenômenos de forma a tornar a interligação destes fenômenos tão claramente compreensível quanto possível. Mas, na realidade, estas diferenças metodológicas existem. A descoberta de leis gerais no campo da economia é dificultada pela circunstância de que os fenômenos econômicos observados são frequentemente afetados por vários fatores que são muito difíceis de avaliar separadamente. Além disso, a experiência que se acumulou desde o início do chamado período civilizado da história humana — como é conhecido — foi largamente influenciada e limitada por causas que não são de forma alguma exclusivamente de natureza econômica. Por exemplo, a maioria dos principais estados da história deve a sua existência à conquista. Os povos conquistadores se estabeleceram, jurídica e economicamente, como a classe privilegiada do país conquistado. Eles tomaram para si o monopólio de propriedade de terra e nomearam um sacerdócio entre suas próprias fileiras. Os sacerdotes, no controle da educação, fizeram a divisão de classe da sociedade uma instituição permanente e criaram um sistema de valores pelos quais as pessoas, dali em diante, fossem guiadas, em grande parte inconscientemente, em seu comportamento social”.

“Mas a tradição histórica é, por assim dizer, de ontem; em nenhum lugar nós realmente superamos o que Thorstein Veblen chamou ‘a fase predatória’ do desenvolvimento humano. Os fatos econômicos observáveis pertencem a esta fase e até mesmo essas leis que podem derivar deles não são aplicáveis a outras fases. Uma vez que o propósito real do socialismo é precisamente ultrapassar e avançar além da fase predatória do desenvolvimento humano, a ciência econômica em seu estado atual pode lançar pouca luz sobre a sociedade socialista do futuro”.

“Em segundo lugar, o socialismo é dirigido a um fim social e ético. A ciência, no entanto, não pode criar fins e, menos ainda, incuti-los nos seres humanos; no máximo, a ciência pode fornecer os meios para atingir certos fins. Mas os fins em si são concebidos por personalidades com ideais éticos elevados e — se esses fins não são natimortos, mas vitais e vigorosos — são aprovados e transferidos pelos próprios seres humanos que, meio inconscientemente, determinam a evolução lenta da sociedade”.

“Por estas razões, nós devemos estar vigilantes para não superestimar a ciência e os métodos científicos quando se trata de problemas humanos; e não devemos pressupor que os peritos são os únicos que têm o direito de se expressar sobre questões que afetam a organização da sociedade”.

“Inúmeras vozes têm afirmado há algum tempo que a sociedade humana está passando por uma crise, que sua estabilidade tem sido gravemente abalada. É característico de tal situação que os indivíduos se sintam indiferentes ou mesmo hostis em relação ao grupo, pequeno ou grande, a que pertencem. Para ilustrar minha definição, permitam-me registrar aqui uma experiência pessoal. Discuti recentemente com um homem inteligente e bem intencionado a ameaça de outra guerra, que, na minha opinião ameaçaria seriamente a existência da humanidade, e comentei que só uma organização supranacional ofereceria proteção contra esse risco. Então, meu visitante, muito calma e friamente, disse-me: ‘Por que você se opõe tão profundamente ao desaparecimento da raça humana?'”.

“Estou certo de que há um século ninguém teria tão levianamente feito uma declaração deste tipo. É a declaração de um homem que tem lutado em vão atingir um equilíbrio dentro de si mesmo e mais ou menos perdeu a esperança de sucesso. É a expressão de uma dolorosa solidão e isolamento que muitas pessoas estão sofrendo nestes dias. Qual é a causa? Há uma saída?”.

“É fácil levantar tais questões, mas difícil responder-lhes com qualquer grau de segurança. No entanto, eu devo tentar o melhor que posso, apesar de que estou muito consciente do fato de que nossos sentimentos e buscas são muitas vezes contraditórios e obscuros, e que eles não podem ser expressos em fórmulas fáceis e simples”.

“Ao mesmo temo, o homem é um ser solitário e social. Como um ser solitário, ele tenta proteger sua própria existência e a existência daqueles que estão mais próximos a ele, para satisfazer seus desejos pessoais e desenvolver suas capacidades inatas. Como um ser social, ele pretende obter o reconhecimento e o carinho de seus semelhantes, para compartilhar seus prazeres, confortá-los em suas tristezas e melhorar as suas condições de vida. Apenas a existência destes esforços variados, e frequentemente conflitantes, conta para o carácter especial de um homem, e sua combinação específica determina o quanto um indivíduo pode atingir um equilíbrio interior e contribuir para o bem-estar da sociedade. É bem possível que a força relativa desses dois impulsos seja, na maior parte, fixada por herança. Mas a personalidade que finalmente emerge é largamente formada pelo ambiente onde o homem se encontra durante o seu desenvolvimento, pela estrutura da sociedade em que ele cresce, pela tradição dessa sociedade e pela apreciação de determinados tipos de comportamento. Para o ser humano, o conceito abstrato de ‘sociedade’ significa a soma total de suas relações diretas e indiretas com seus contemporâneos e com todas as pessoas de gerações anteriores. O indivíduo é capaz de pensar, sentir, lutar e trabalhar sozinho; mas ele depende tanto da sociedade — em sua existência física, intelectual e emocional — que é impossível pensar nele, ou compreendê-lo, fora do âmbito da sociedade. É a ‘sociedade’ que provê o homem com alimentos, roupas, uma casa, as ferramentas de trabalho, língua, as formas de pensamento e a maioria do conteúdo do pensamento; sua vida torna-se possível através do trabalho e das realizações dos milhares de milhões passados e presentes que estão todos escondidos atrás da pequena palavra ‘sociedade'”.

“É evidente, portanto, que a dependência do indivíduo em relação à sociedade é um fato da natureza que não pode ser abolido — tal como no caso das formigas e abelhas. No entanto, enquanto o processo de toda a vida das formigas e abelhas é fixo até no mais ínfimo pormenor por instintos hereditários e rígidos, o padrão social e as inter-relações dos seres humanos são muito variáveis e susceptíveis de alteração. A memória, a capacidade de fazer novas combinações, o dom da comunicação oral, tornaram possíveis desenvolvimentos entre seres humanos que não são ditados por necessidades biológicas. Estes desenvolvimentos manifestam-se em tradições, instituições e organizações, na literatura, em realizações científicas e de engenharia, em obras de arte. Isso explica como pode, em certo sentido, o homem influenciar a sua vida através de sua própria conduta e que neste processo consciente o pensamento e o desejo possam desempenhar um papel”.

“Ao nascer, o homem adquire, através da hereditariedade, uma constituição biológica que devemos considerar fixa e inalterável, incluindo os impulsos naturais que são característicos da espécie humana. Além disso, durante sua vida, adquire uma constituição cultural que adota da sociedade através de comunicação e muitos outros tipos de influências. É esta constituição cultural que, com o passar do tempo, está sujeita a alterações e que determina, em grande medida, a relação entre o indivíduo e a sociedade. A antropologia moderna tem-nos ensinado, através da investigação comparativa das chamadas culturas primitivas, que o comportamento social dos seres humanos pode variar muito, dependendo de padrões culturais predominantes e os tipos de organização que predominam na sociedade. É sobre isto que aqueles que estão se esforçando para melhorar a situação do homem podem fundamentar suas esperanças: os seres humanos não estão condenados, devido à sua constituição biológica, a aniquilar uns aos outros ou ficar à mercê de um destino cruel e auto infligido”.

“Se nos perguntarmos como a estrutura da sociedade e a atitude cultural do homem devem ser alteradas a fim de tornar a vida humana tão satisfatória quanto possível, devemos constantemente estar conscientes do fato de que há determinadas condições que não podemos modificar. Como mencionado anteriormente, a natureza biológica do homem não está, para todos os efeitos práticos, sujeita a alterações. Além disso, os desenvolvimentos tecnológicos e demográficos dos últimos séculos criaram condições que estão aqui para ficar. Em populações relativamente densas, com os bens que são indispensáveis para sua existência, uma extrema divisão de trabalho e um aparelho produtivo altamente centralizado são absolutamente necessários. O tempo — que, olhando para trás, parece tão idílico — se foi para sempre, quando indivíduos ou grupos relativamente pequenos podiam ser completamente autossuficientes. É um exagero dizer que a humanidade constitui, mesmo agora, uma comunidade planetária de produção e consumo.

“Eu cheguei agora ao ponto onde posso indicar resumidamente o que para mim constitui a essência da crise do nosso tempo. Ela se refere à relação do indivíduo com a sociedade. O indivíduo tornou-se mais consciente do que nunca da sua dependência da sociedade. Mas ele não sente esta dependência como um bem positivo, como um laço orgânico, como uma força protetora, mas sim como uma ameaça a seus direitos naturais, ou mesmo a sua existência econômica. Além disso, sua posição na sociedade é tal que as unidades egoístas da sua composição estão constantemente sendo acentuadas, enquanto os seus impulsos sociais, que por natureza são mais fracos, se deterioram progressivamente. Todo ser humano, qualquer que seja sua posição na sociedade, sofre este processo de deterioração. Inconscientemente prisioneiro do seu próprio egotismo, sente-se inseguro, solitário e privado do gozo simples e não sofisticado da vida. O homem só consegue encontrar significado na vida, curta e perigosa como ela é, ao se dedicar à sociedade”.

“A anarquia econômica da sociedade capitalista como a que existe hoje é, em minha opinião, a verdadeira fonte do mal. Vemos diante de nós uma enorme comunidade de produtores cujos membros lutam incessantemente para privar os outros dos frutos do seu trabalho coletivo — não a força, mas em geral no cumprimento fiel das regras legalmente estabelecidas. A este respeito, é importante perceber que os meios de produção — isto é, toda capacidade produtiva que é necessária para a produção de bens de consumo assim como bens de capital adicional — podem legalmente ser, e na maior parte são, propriedade privada dos indivíduos”.

“Por razões de simplicidade, na discussão a seguir chamarei de ‘trabalhadores’ todos aqueles que não partilham a posse dos meios de produção — embora isso não corresponda à utilização habitual do termo. O proprietário dos meios de produção está em posição de comprar a força de trabalho do trabalhador. Ao usar os meios de produção, o trabalhador produz novos bens que passam a ser propriedade do capitalista. A questão essencial neste processo é a relação entre o que o trabalhador produz e o com o que ele é pago, ambos medidos em termos de valor real. Na medida em que o contrato de trabalho é ‘livre’, o que o trabalhador recebe é determinado não pelo valor real dos bens que produz, mas pelas suas necessidades mínimas e pelas exigências dos capitalistas da força de trabalho em relação ao número de trabalhadores competindo por empregos. É importante compreender que, mesmo em teoria, o pagamento do trabalhador não é determinado pelo valor do seu produto”.

“O capital privado tende a tornar-se concentrado nas mãos de poucos, em parte por causa da concorrência entre os capitalistas, e em parte porque o desenvolvimento tecnológico e a crescente divisão do trabalho incentivam a formação de unidades maiores de produção em detrimento das menores. O resultado destes desenvolvimentos é uma oligarquia de capital privado, cujo enorme poder não pode ser efetivamente verificado até mesmo por uma sociedade política democraticamente organizada. Isso é verdade, já que os membros dos órgãos legislativos são escolhidos pelos partidos políticos, largamente financiados ou, por outro lado, influenciados pelos capitalistas privados que, para todos os efeitos práticos, separam o eleitorado da legislatura. A consequência é que os representantes do povo não protegem suficientemente os interesses das camadas carentes da população. Além disso, nas condições existentes, os capitalistas privados inevitavelmente controlam, direta ou indiretamente, as principais fontes de informação (imprensa, rádio, educação). Assim, é extremamente difícil, e na verdade na maioria dos casos completamente impossível, para o cidadão individual chegar a conclusões objetivas e fazer uso inteligente de seus direitos políticos”.

“Portanto, a situação que prevalece numa economia baseada na propriedade privada do capital caracteriza-se em dois princípios: primeiro, os meios de produção (capital) são de propriedade privada e os proprietários dispõem deles como quiserem; em segundo lugar, o contrato de trabalho é livre. Claro, não há nada de sociedade capitalista pura neste sentido. Em especial, deve-se notar que os trabalhadores, através de longas e amargas lutas políticas, conseguiram garantir uma forma um pouco melhorada de ‘contrato de trabalho livre’ para determinadas categorias de trabalhadores. Mas, tomado como um todo, a economia de hoje não difere muito do capitalismo ‘puro'”.

“A produção visa o lucro, não o uso. Não existe nenhuma disposição de que todos aqueles capazes e dispostos a trabalhar estarão sempre em posição de encontrar emprego; quase sempre existe um exército de desempregados. O trabalhador está constantemente com medo de perder o emprego. Já que os trabalhadores desempregados e mal pagos não fornecem um mercado rentável, a produção de bens de consumo é restrita, resultando em grandes dificuldades. O progresso tecnológico resulta frequentemente em mais desemprego em vez de uma flexibilização da carga de trabalho para todos. O lucro, junto com a concorrência entre os capitalistas, é responsável por uma instabilidade na acumulação e utilização do capital que conduz a depressões cada vez mais graves. A concorrência ilimitada leva a um enorme desperdício de mão de obra e a essa deformação na consciência social dos indivíduos que mencionei antes”.

“Eu considero esta deformação de indivíduos o pior mal do capitalismo. Todo nosso sistema educativo sofre deste mal. Uma atitude competitiva exagerada é incutida no aluno, que é treinado para adorar o êxito aquisitivo como preparação para sua futura carreira”.

“Eu estou convencido que há apenas uma maneira de eliminar esses males graves, especialmente através do estabelecimento de uma economia socialista, acompanhada por um sistema educacional que seja orientado para objetivos sociais. Em tal economia, os meios de produção são possuídos pela própria sociedade e utilizados de forma planejada. Uma economia planificada, que ajusta a produção às necessidades da comunidade, distribuiria o trabalho a ser feito entre todos aqueles capazes de trabalhar e garantiria o sustento a cada homem, mulher e criança. A educação do indivíduo, além de promover suas próprias capacidades inatas, tentaria desenvolver nele um sentido de responsabilidade por seus semelhantes, em lugar da glorificação do poder e do sucesso na nossa sociedade atual”.

“No entanto, é necessário lembrar que uma economia planificada não é ainda socialismo. Uma economia planificada desta forma pode ser acompanhada pela completa escravização do indivíduo. A realização do socialismo exige a solução de alguns problemas sócio-políticos extremamente difíceis: como é possível, tendo em vista a profunda centralização do poder político e econômico, evitar a burocracia de se tornar todo-poderoso e arrogante? Como proteger os direitos do indivíduo e, com isso, assegurar um contrapeso democrático ao poder da burocracia?”.

“A clareza sobre os objetivos e os problemas do socialismo é da maior importância em nossa época de transição. Uma vez que, nas atuais circunstâncias, a discussão livre e sem impedimentos desses problemas tem sido objeto de um tabu poderoso, eu considero que a fundação desta revista seja um importante serviço público”.