Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 169
Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 169
Como podemos não querer receber algo se nunca o recebemos antes?
Como a espiritualidade é algo oculto, aparentemente a desejamos, mas, na realidade, o que mais queremos é nos livrar do sofrimento. Enfrentamos diversos tipos de sofrimento em nossa condição neste mundo, e precisamos escapar dele. Então, parece-nos que somos atraídos pela espiritualidade porque realmente a desejamos. Contudo, na verdade, não podemos desejá-la antes de a termos visto e sentido. Até mesmo o fascínio do desconhecido que imaginamos não é espiritualidade. A espiritualidade existe para nos presentear, não para ser o que imaginamos que seja. Com o tempo, uma nova faceta e imagem da espiritualidade se revelam para nós, e, à medida que progredimos, a forma da espiritualidade se transforma constantemente.
Portanto, não podemos desejar a espiritualidade como ela realmente é, porque ela é oposta a nós. Somos impelidos à espiritualidade porque parece que ela resolverá nossos problemas. Então, o pequeno desejo de receber que temos pela espiritualidade, que é essencialmente uma simples curiosidade, nós desenvolvemos gradualmente por meio do estudo, ouvindo do ambiente, da sociedade: “Vale a pena”, “É importante”, “É ótimo”. Isso nos atrai e nos obrigamos a estudar, trabalhar e realizar ações que nos ajudarão. Esse estudo e essas ações nos ajudam a atrair a luz circundante.
Ao atrairmos a luz circundante, recebemos uma graça de Kedusha que nunca tivemos antes. Mesmo que parecesse que desejávamos muito a espiritualidade, a graça de Kedusha que recebemos é completamente diferente. A graça de Kedusha significa que começamos a concordar com o fato de que devemos alcançar “em prol de doar”. Este é um fenômeno muito estranho e antinatural, onde dentro do Lo Lishma (“não por causa Dela”) geral começa a aparecer um pequeno Lishma (“por causa Dela”). Em outras palavras, queremos realizar o trabalho para que tanto nós quanto o Criador tenhamos algo a ganhar. Claro, se nada fosse ganho para nós mesmos, não faríamos o trabalho, mas já surge uma certa intenção de que seja também para o Criador.
Esse estado é chamado de “Lo Lishma que leva a Lishma”. A transição já aparece ali, semelhante à quebra dos vasos, onde no vaso, em Malchut, há uma centelha de Bina através da qual Malchut pode posteriormente receber correção.