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Fé Que Sustenta Uma Pessoa

276.05Durante o período de preparação, a pessoa ascende os graus para atravessar o Machsom e entrar no palácio do rei. A cada passagem pelos estados de recepção, uma grande iluminação divina a sustenta, preenche e desperta.

Então a pessoa cai e, em vez de uma luz ainda maior, recebe a escuridão. No estado de escuridão, a pessoa é “testada”, pois, não importa o quão alto tenha subido, se ainda não cruzou o Machsom, assim que a luz deixa de brilhar sobre ela, cai imediatamente em um estado animalesco. Não sabe de nada e nada lhe importa, exceto a simples existência animada.

Ela sente que não fez nenhum progresso. A natureza animalesca presente durante as descidas que vivenciaram há um ou dois anos permanece inalterada. De fato, quando o espírito divino a abandona, resta apenas a alma animal.

Em tais estados, é possível avaliar se uma pessoa está progredindo espiritualmente na direção da doação ou não. Se ela for capaz de ler ao menos algumas linhas, ou simplesmente refletir sobre elas sem necessariamente penetrar profundamente, e se perceber o quanto o estado de escuridão está se tornando cada vez mais profundo, pode-se dizer que os rudimentos dos vasos de doação surgiram nela.

Ela percebe que não tem nada, nenhum sentimento de plenitude. Mas, apesar disso, vive com a convicção de que esse estado está de alguma forma ligado ao caminho espiritual. Então, não se deixa confundir pelos prazeres que lhe são oferecidos, nem pela agradável sensação de plenitude que, de outra forma, poderia fazê-la se sentir orgulhosa. Pelo contrário, nesse estado, não faz cálculos para si mesma. Não pode justificar o Criador, pois nada recebe Dele e vive somente pela fé.

O que é fé neste caso? A fé após atravessar o Machsom é a luz de Hasadim, e a fé completa é a luz de Hasadim com a iluminação de Hochma. Mas durante o período de preparação, quando não há nem uma nem outra, a fé é a iluminação que vem do alto, a luz que sustenta a pessoa.

Alternativamente, em um estado de descida, especificamente quando essa iluminação desaparece, o que resta é apenas a importância do objetivo em sua forma pura, que é algo que a pessoa recebe do grupo, não de cima.

Ou seja, ela ouve ou ouviu no passado dos amigos sobre a importância do objetivo, e agora isso a sustenta e a serve. Agora, em um estado de escuridão, ela é sustentada pela importância do objetivo que adquiriu no passado, quando era capaz de ouvir e trabalhava em grupo.

Ela se inspirou no que leu, no que lhe foi dito e no que ouviu do professor, ou seja, nas três fontes: o grupo, os livros e o professor.

Em outras palavras, a grandeza do objetivo agora lhe vem não de cima, mas do ambiente. A importância que sente no estado de escuridão, percebe como uma iluminação vinda de fora, e isso é chamado de fé que sustenta uma pessoa.

Da Lição Diária de Cabalá 29/06/26, Rabash, “A Grandeza de Alguém Depende da Medida de Sua Fé no Futuro”

O Contraste De Dois Opostos

216.04Pergunta: A importância do objetivo e a percepção da própria falta de força devem sempre avançar em paralelo? A importância do objetivo não aumenta durante uma subida, visto que é justamente durante uma subida que ela é sentida?

Resposta: O ponto mais alto no reconhecimento da importância do objetivo e o ponto mais baixo na avaliação da própria força são revelados por meio de dois processos: subida e descida.

Não se pode dizer que apenas uma subida aumenta a importância do objetivo para mim, e uma descida traz apenas decepção com minhas próprias capacidades. Na realidade, a diferença entre esses dois estados gera ambos. Em outras palavras, é a direção em que você está se movendo que dá origem tanto à importância do objetivo quanto à decepção com sua própria força.

É claro que a sensação da importância do objetivo surge durante uma subida. Mas nunca acontece de algo nascer sem que seu oposto apareça ao lado. Há sempre um contraste entre o preto e o branco; caso contrário, nenhuma definição seria possível. Toda definição se baseia em dois opostos, assim como as letras pretas são percebidas apenas contra um fundo branco.

Da Lição Diária de Cabalá 13/06/26, Rabash, “E o Senhor apareceu a ele nos carvalhos de Mamre”

A Verdade Reside Entre Dois Mundos

707Uma pessoa age por hábito; ela sente e aceita apenas aquilo a que está habituada. Tudo o que é desconhecido passa despercebido e permanece inatingível.

Inconscientemente, descartamos tudo o que é novo antes de o sentirmos ou tomarmos consciência dele. É por isso que nos é tão difícil encontrar a espiritualidade!

Vivemos em um mundo que selecionamos a partir do mundo do infinito; escolhemos o familiar e o habitual.

Para expandir nosso mundo com o mundo de doação, não devemos rejeitá-lo, mas aceitar os estados de doação através da “fé acima da razão”, aceitar as propriedades, os desejos, os pensamentos e as ações do “anti-mundo”.

Para isso, você precisa combinar dois níveis opostos dentro de si: perceber seu estado egoísta atual, o grau inferior, e, da perspectiva da propriedade de doação, o grau mais elevado.

É preciso existir entre esses níveis, regozijar-se na sensação do vazio do nível inferior e na oportunidade de encontrar forças para se elevar acima dele.

Essa força vem a mim da luz superior através do grupo; ela me mantém acima da “terra” como que por um ímã.

A verdade e a fé (a doação) deveriam me impulsionar para cima com mais força do que a sensação de egoísmo animalesco me puxa para baixo, em direção à “terra”.

O verdadeiro estado reside em sentir ambos os graus simultaneamente, enquanto cada um isoladamente é uma mentira. Mesmo que eu esteja inteiramente imerso na espiritualidade, isso por si só já é uma mentira.

O verdadeiro estado sempre se encontra entre dois extremos que trazem simultaneamente uma sensação de perfeição e de carência, de gratidão e de oração.

Devo me alegrar por experimentar ambas as sensações simultaneamente e permanecer constantemente em um estado de transição, sentindo os obstáculos, mas mantendo-me acima deles pela força de vontade, como um alpinista escalando uma montanha que sente que, se relaxasse a tensão por um instante sequer, cairia imediatamente.

Este é o único estado verdadeiro; precisamos nos treinar para permanecer nele o tempo todo e para encontrar alegria nele.

É assim que podemos nos testar. Somos capazes, apesar de todo o nosso descontentamento, luta eterna e constante oscilação entre inspiração e completo desespero, de permanecermos alegres mesmo assim?

Da Lição Diária de Cabalá 02/08/10, Rabash, “O Significado da Verdade e da Fé”

A Felicidade Não Está Na Bateria

600.04Comentário: Em 2019, o Prêmio Nobel de Química foi concedido a cientistas por seu trabalho com baterias de íon-lítio, sendo reconhecidos por “lançar as bases de uma sociedade sem fio e livre de combustíveis fósseis” (New York Times, 09/10/2019).

Até agora, a humanidade sempre esteve ligada a uma tomada elétrica e viveu dela. E agora criaram uma linha de baterias que permitem que uma pessoa se movimente livremente pelo mundo.

Minha Resposta: Em nossa época, é claro que significa muito se uma pessoa se liberta da pressão. Mas o que vem depois?

Não creio que essa descoberta vá libertar a humanidade. Pelo contrário, irá escravizá-la de outra forma. Tudo caminha para mostrar à pessoa que a felicidade não está na bateria.

Constatamos que a humanidade não está se tornando mais feliz. Pelo contrário, quanto mais brinquedos, tecnologia e todo tipo de coisas possui, mais confusa fica em sua vida.

Pergunta: Você costuma enfatizar que nenhuma invenção em nosso nível terreno significa algo para você?

Resposta: Não trará nenhum benefício. Absolutamente nenhum! Mas essas invenções levarão a humanidade ao reconhecimento do mal. Tudo o que inventamos, supostamente para o benefício do nosso egoísmo, acaba nos conduzindo ao mal e ao reconhecimento desse mal.

Comentário: Então, se a humanidade parasse e não inventasse absolutamente nada…

Minha Resposta: Não podemos parar, porque o mesmo egoísmo nos impulsiona rumo ao progresso, para que compreendamos que não temos outra escolha senão corrigir o próprio ego.

Pergunta: Por que a humanidade inventa cada vez mais coisas?

Resposta: Ela almeja uma vida tranquila e boa. Mas o resultado é o oposto.

Comentário: De fato: energia nuclear para fins pacíficos e, imediatamente, energia nuclear que destrói tudo.

Minha Resposta: Sim, e o mesmo acontece com tudo. As pessoas não conseguem inventar nada de bom ou benevolente. Absolutamente nada!

Pergunta: Que invenção você consideraria eterna, benéfica para a humanidade e capaz de conduzi-la à felicidade?

Resposta: A correção da natureza maligna do homem — somente isso. Não há mais nada.

Comentário: Mas primeiro as pessoas precisam perceber que vivem com uma natureza maligna.

Minha Resposta: É exatamente isso que os leva a essa constatação. O mundo está num estado em que já não sabe o que fazer consigo mesmo.

Em certo momento, pensamos que o socialismo, o comunismo ou o capitalismo nos salvariam, ou algo mais, alguma forma de liberdade, o liberalismo e assim por diante. Mas tudo leva muito rapidamente à constatação do mal.

Comentário: Você costumava dizer que o desenvolvimento da humanidade era uma progressão linear do egoísmo, com a crença de que as coisas melhorariam e que, no final, o comunismo chegaria. Mas agora o egoísmo parece ter se fechado sobre si mesmo.

Em outras palavras, nos tornamos interconectados, como uma única aldeia, mas as mesmas velhas buscas continuam, e a humanidade ainda não consegue compreender a natureza maligna dentro de si.

Minha Resposta: Acho que chegaremos a um ponto em que a humanidade dirá: “Teria sido melhor se não tivéssemos inventado isso!” Quanto ao átomo, já se pode dizer isso hoje. E dirão o mesmo sobre tudo o mais.

E o que havia de errado em viver em cavernas? O quê exatamente?! Absolutamente nada. Quando as pessoas sabem o que têm, percebem que isso lhes basta.

Pergunta: Então, reunidas em volta de uma fogueira, as pessoas eram mais felizes do que aquelas que hoje andam por aí com baterias elétricas?

Resposta: Claro! Sem dúvida. Havia mais oportunidades para ser feliz lá.

Bem, o que se pode fazer? Está escrito: “Quem aumenta o conhecimento aumenta a tristeza”, ou “Quem aumenta a riqueza aumenta o sofrimento”.

Pergunta: Você acha que esses ditados ainda são relevantes hoje em dia?

Resposta: Mais do que nunca!

Pergunta: Não podemos evitar o aumento do nosso conhecimento, podemos? O egoísmo nos impulsiona.

Resposta: Não podemos. Não podemos evitar o aumento tanto da riqueza quanto do conhecimento. O egoísmo nos impulsionará constantemente a fazer isso.

O objetivo é nos levar ao reconhecimento do mal, especificamente que o mal reside em nossa própria natureza e no fato de acreditarmos que o mundo em que vivemos é o que precisa ser melhorado. Mas ele não pode ser melhorado; nós devemos nos elevar acima dele.

Pergunta: Em outras palavras, precisamos mudar a nós mesmos. Chegaremos a esse ponto durante nossa vida? Eu adoraria ver a verdade de suas palavras se concretizar.

Resposta: Não acredito que isso vá acontecer tão rapidamente. Mas, pessoalmente, isso não me preocupa. Que diferença faz quando acontecer? Independentemente do estado em que estivermos, isso acabará acontecendo com todos nós.

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman” da KabTV, 15/10/19

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 161

Palestras sobre os Degraus da Escada , Parte 161

O que devemos fazer no próximo instante?

No instante seguinte, devemos nos unir mais profundamente às nossas sensações, aguçar ainda mais nossos sentidos e desenvolver maior acuidade interior em nosso contato com o Criador. Essa busca, essa conexão, essa descoberta do contato, nos é dada ao aumentar a iluminação sobre nós. Essa é a recompensa.

Precisamos entender que o progresso rumo à correção final, mesmo que inclua vários estados alternados de luz e escuridão, é em si a recompensa. Quando nos é dada uma deficiência e a capacidade de reconhecê-la, essa é a nossa recompensa. Como poderia ser algo diferente de recompensa?

O castigo é quando nos sentimos abandonados, quando sentimos que não estamos sendo atendidos, como se estivéssemos em suspenso. Não há castigo maior. “Por que me abandonaste?” Esse sentimento em si já é o castigo.

Os Cabalistas são pessoas que anseiam pela divindade e que, de fato, como está escrito, são “judeus”, ou seja, descendentes de Abraão, Isaque e Jacó. Em que Abraão se diferenciava das outras nações? Porque ele era um Cabalista. Ao reconhecer seu Criador e desejar unir-se a Ele, ele se diferenciava de seus vizinhos persas.

Para esclarecer, a nação israelense não é única por seus genes biológicos, mas sim por ser um grupo de Cabalistas que se separou do povo persa. Por isso, eles se autodenominavam “judeus” (Yehudim) ou “hebreus” (Ivrim). “Judeus” porque buscam a unificação (Yichud) e “hebreus” porque atravessam (Laavor) a barreira (Machsom) entre o nosso mundo e o mundo espiritual. Essa é a nossa nação. Quando deixamos de ser Cabalistas, passamos a ser chamados de “gentios”.