Quando A Luz Começar A Brilhar Sobre Nós

235Os atributos do Criador nos alcançam através da luz que retorna à fonte (a luz que reforma). Nós existimos nos atributos quebrados de Malchut e Bina e não conseguimos compreender como lidar com uma forma oposta àquela que existe dentro de nós. Contudo, antes de podermos definir o oposto, precisamos entender o que ele é.

Se vejo o preto, não consigo compreender o branco a partir dele, ou seja, como transformar o desejo em “branco”. Devo perceber a diferença entre eles, compreender sua natureza e então compará-los dentro dos meus Kelim (vasos). Através dessa comparação, tanto em meus sentimentos quanto em minha mente, avançarei em direção a uma dessas formas: o preto ou o branco.

Portanto, apesar de existirmos em um estado de fragilidade e de possuirmos Kelim de Malchut e Kelim de Bina  que operam no modo de receber para si mesmo, não conseguimos compreender o que significa a propriedade de doar. Ela simplesmente não nos é dada.

Às vezes percebemos o quanto entendemos pouco o que significa “em prol de doar”. Isso indica que a luz já começa a brilhar sobre nós como propriedade do Criador e não como algo atraído pelos prazeres.

Ou seja, a luz começa a nos mostrar quem Ele é. O Criador nos revela Seu caráter, e isso já é uma grande revelação, porque vemos o quanto somos mesquinhos e o quanto estamos imersos em receber para o nosso próprio benefício.

Essa revelação chega à pessoa de acordo com o quanto ela se prepara bem para exigir da luz superior o que deseja receber. Se ela busca apenas os prazeres encontrados na espiritualidade, a fim de corrigir sua intenção, a luz superior — em vez de lhe proporcionar prazer — brilha sobre essa pessoa de tal forma que ela sente sofrimento. Assim, a luz guia a pessoa para que ela não busque prazeres, mas comece a se perguntar: “O que devo buscar? Eu me sinto mal.”

Então a luz começa a mostrar-lhes que, além do prazer e do sofrimento, existe algo superior — a qualidade de doação, o próprio Criador, Seu caráter. Assim, Ele nos guia a não exigirmos prazeres espirituais que associamos aos nossos instintos animalescos (Kelim), imaginando-os como os prazeres deste mundo, mas, em vez disso, nos ensina a compreender que o verdadeiro prazer reside em adquirir a qualidade de doação. Adquirir essa qualidade é o próprio prazer, porque é a qualidade do Criador.

Da Lição Diária de Cabalá de 23/07/26, Rabash, “O que significa ‘Quem chora por Jerusalém é recompensado com a visão de sua alegria’ na Obra?”