A Única Oportunidade
É impossível obrigar uma pessoa a realizar qualquer ação, pois, na espiritualidade, uma ação é definida como o movimento da alma, um desejo gerado por um esforço espiritual interior. Uma pessoa é incapaz de produzir esse esforço por si só. É uma ação que surge dentro dela de acordo com sua própria natureza e a medida da luz que lhe provém do alto.
Nunca dizemos que um vaso (Kli), operando de acordo com sua Aviut (intensidade do desejo), Reshimot (registros espirituais) e a luz que o incide, de repente queira mudar ou se tornar algo diferente. Você não pode decidir nada por si mesmo; tudo está predeterminado para cada momento específico. Se você deseja mudar seu futuro, apenas uma oportunidade lhe foi dada: estudar em grupo, através do qual você adquire um desejo adicional que não é apenas seu, mas um desejo adquirido do grupo, um desejo pelo ser superior.
Foi precisamente por isso que ocorreu a quebra em muitas partes. A alma, como um único vaso repleto de luz, pode se desfazer, causando a dispersão da luz e a queda da alma. Alguém poderia perguntar por que são necessárias 613 partes em vez de um único todo? Está escrito que isso foi feito para facilitar a correção. Através de uma multidão de almas, encarnações e pequenas ações, o trabalho de correção se torna mais fácil de realizar. Esse é o objetivo principal. Se a alma não tivesse sido quebrada, eu não teria tido a possibilidade de determinar absolutamente nada.
O vaso, juntamente com todos os seus Reshimot e desejos, é preenchido com luz e a recebe do alto; isso já está predeterminado. Tudo vem do alto, tanto o desejo quanto a luz. O mesmo seria válido mesmo na ausência de desejo e de luz. Somente depois a luz chega e desperta o vaso (Kli), que começa a se mover em resposta.
A divisão da alma coletiva em muitas partes me dá a oportunidade, em meu próprio nível — sem recorrer a algo superior, o que sou incapaz de fazer — de realizar a única ação que não está predeterminada. Isso é possível precisamente porque ocorre em meu nível, onde posso receber um acréscimo ao meu desejo das outras partes, ou mais precisamente, um acréscimo à minha percepção.
Assim, eu não determino quem sou, o que sou ou o que o Criador me doa. Imagine um Kli: o que está dentro dele é o que ele tem; qualquer luz que chegue até ele é a luz que chega. Ele não pode mudar nada disso. Isso determina seu estado, seus pensamentos, seus desejos — tudo. A única livre escolha é receber uma percepção adicional de um Kli vizinho, porque os dois estão conectados por sua raiz comum. Se não estivessem conectados, tal possibilidade não existiria.
Dois Kelim (vasos), unidos por sua raiz comum, descem a este mundo e se separam. Ao buscar conectar-se com outra pessoa, ao receber algo dela, você está, na verdade, realizando o mesmo ato de conexão que existe na raiz. Em vez do triângulo (Kli – raiz – Kli), você “une” os dois vasos diretamente, como se fundisse seus desejos em um só. Você recebe de seu amigo uma aspiração por espiritualidade, pelo Criador, independentemente de essa aspiração já ter sido corrigida em alguma medida ou não.
Dessa forma, é como se você unisse os dois vasos acima, e esta é a única ação que você é capaz de realizar por sua própria livre escolha — a única. Então, é como se você possuísse dois vasos: aquele que era originalmente seu e o desejo que você recebeu de seu amigo. E uma vez que você tenha tomado o desejo de seu amigo, você evoca, assim, do alto — onde a multidão de almas está unida — pelo menos a luz que pertence a ambas as almas. Como resultado, tanto a sua própria luz quanto a luz de seu amigo começam a fluir sobre você; e esta é uma adição maravilhosa.
Da Lição Diária de Cabalá 02/07/26 , Rabash, “O que significa que a Torá foi dada a partir da escuridão na Obra?”
O Estudo das Dez Sefirot descreve a construção da nossa alma. Ao estudá-lo, aprenderei exatamente o que se passa dentro de mim, mesmo que eu não o sinta agora. Mas quero senti-lo e compreendê-lo, pois, se me conectar com ele, entrarei na vida eterna.
Pergunta:
Palestras sobre os Degraus da Escada