Textos arquivados em ''

Palestras Sobre Os Degraus Da Escada, Parte 157

Palestras sobre os Degraus da Escada, Parte 157

Se a decepção final só chega no fim da jornada, por que deveríamos nos lembrar constantemente de que “não há outro além Dele”?

Se uma pessoa finalmente se desespera e só se volta ao Criador no fim da jornada, por que dizemos constantemente: “Não há outro além Dele”? Por que devemos nos voltar a Ele o tempo todo? Parece que alguém poderia sentar, esperar, esquecê-Lo e trabalhar dentro de si mesmo como se Ele não existisse, até que finalmente se decepcione com tudo, e então algum “ponto” na mente e no coração desperte e nos lembre de nos voltarmos a Ele.

A questão é que, se não estivermos constantemente nos relacionando com a ideia de que “Não há outro além Dele”, todo o esforço que aparentemente fazemos por conta própria estará direcionado para outro objetivo. Erramos o alvo e não avançamos na direção certa.

O que é a decepção com nossas próprias forças? É a decepção que visa estabelecer que “Não há outro além Dele”. Esse é o verdadeiro propósito da decepção.

O que significa alcançar a correção final? Nós nos encontramos num determinado estado agora. O que significa alcançar a correção final neste estado? Significa alcançá-la com tudo o que temos atualmente. Não sabemos o que mais teremos depois, ou mesmo se haverá algo além do que temos agora. Talvez o que conquistamos até agora já seja a correção final e não haja mais graus? Como podemos saber em que posição nos encontramos nessa jornada? Não sabemos nada.

Se pudermos agora conectar completa e absolutamente nossas qualidades intrínsecas, o estado em que nos encontramos e nosso ambiente (tanto nossas condições internas quanto as externas), com o Criador, e se pudermos unir todos esses fatores em um todo unificado, sem qualquer distinção entre eles, isso constituirá nossa correção final.

O que acontecerá no próximo nível, e se ele sequer existirá, quem sabe? Talvez tudo esteja prestes a ser revelado no próximo instante? Não devemos pensar no futuro. Precisamos agir agora.

Se, neste momento, nos decepcionarmos com nossas próprias forças e nos voltarmos ao Criador, essa é a melhor ação possível. Por quê?

Isso ocorre porque, se realmente tentarmos conectar essas três variáveis, chegaremos à conclusão de que não podemos. Isso é um sinal de que nos dedicamos de fato a unir esses três fatores. É como uma pessoa que mira um rifle, alinhando o olho, o cano e o alvo em uma linha reta. Se clamarmos ao Criador dizendo que somos incapazes, isso é um sinal de que de fato O encontramos. Mesmo que não direcionemos nosso apelo diretamente ao Criador, ainda assim acreditamos que podemos ter sucesso por nossa própria força.

Se nos voltarmos verdadeiramente ao Criador e Ele realizar essa unificação para nós no nosso nível, é como se estivéssemos na correção final. Adquirimos uma luz interior, um estado espiritual, talvez uma parte da correção final. Mas como saberíamos que é apenas uma parte? Não saberíamos. Não sabemos tudo e, consequentemente, não conhecemos o valor dessa parte dentro do quadro geral. Os Cabalistas dizem que existem outros 620 estados semelhantes até que uma pessoa alcance a correção final.

Uma pessoa se decepciona ao tentar unir Israel, a Torá e o Criador em um só. É somente diante dessa tentativa que nos desesperamos. Esse é o trabalho, e é isso que significa “Não há outro além Dele”. Nós nos desesperamos diante de nossa incapacidade de realizar essa unificação. Não há nada mais a fazer senão isso.

Além disso, se nos desesperamos por não conseguirmos alcançar essa união e nos voltamos ao Criador, é sinal de que estamos, de fato, próximos da unidade, talvez já a tenhamos alcançado, pois nos voltamos ao Criador justamente a partir do estado em que nos encontramos e desejamos conectar os dois: “Não há outro além Dele”. O que mais existe além disso? A conexão é tão intrínseca.

Este é o sinal de que realmente nos voltamos ao Criador e não para algo que imaginamos ser o Criador. É a prova de que direcionamos nosso caminho e nossa visão precisamente para Ele.

Os Estados Mudam, A Causa Jamais

962.2Pergunta: Se a causa dos nossos estados é constante, o que muda? São os próprios estados?

Resposta: Sim, os estados mudam, a forma que assumem se transforma, mas a causa permanece a mesma. A causa é a ausência da revelação do divino em você, em sua essência, em seu desejo.

Podemos colocar desta forma: uma pessoa é uma “caixa preta” dividida em milhares de células. Em cada célula, o grau de revelação do Criador é diferente.

Por exemplo, o Criador quer que você O revele em um determinado lugar agora. Então, o Criador estabelece um estado específico para você, no qual você O revela. Através disso, você promove a correção desse estado e recebe o próximo. Isso continua até que você revele o Criador em cada célula, até que tenha corrigido todos os estados.

De todos os estados enviados a você, você de alguma forma revela a presença divina. Ao mesmo tempo, esses estados intensificam seu desejo por espiritualidade e proporcionam uma compreensão mais profunda da realidade e da experiência. Você transita da ocultação dupla para a simples.

Da Lição Diária de Cabalá 23/06/26, Rabash, “Qual a importância do noivo, que suas iniquidades sejam perdoadas?”

Transição De Ocultação Dupla Para Ocultação Simples

261Pergunta: Como ocorre a transição da ocultação duplo para a ocultação simples?

Resposta: A transição da ocultação dupla para a ocultação simples ocorre aqui, neste mundo, lenta e gradualmente. Uma pessoa oscila entre um estado e outro, e assim gradualmente se move para um estado de ocultação simples.

O que é ocultação simple? É quando, em meio a qualquer evento que me aconteça, sinto que ele vem do alto, que o Criador está por trás de tudo isso. Gradualmente, esse sentimento começa a acompanhar a pessoa constantemente, e ela convive com ele mesmo antes do Machsom (barreira espiritual). Isso acontece muito antes, se acumula e se manifesta em nossas sensações.

Da Lição Diária de Cabalá 13/06/2026, Rabash, “E o Senhor apareceu-lhe nos carvalhos de Mamre”

O Grupo Faz Parte Da Minha Alma

938.01Pergunta: Qual o papel do grupo quando passamos por diferentes estados?

Resposta: Precisamos do grupo por vários motivos. Na verdade, há apenas um motivo, mas como o Criador ainda está oculto para nós, esse motivo se divide em vários submotivos em relação a mim. Primeiramente, sinto que o grupo me lembra da importância do trabalho espiritual. Sua influência me ajuda a retomar o rumo certo no meu trabalho. Sem um grupo, perco a direção correta.

Tudo isso é apenas o começo da jornada. Conforme avanço, começo a ver o grupo como parte da minha alma. A construção espiritual é projetada de tal forma que há uma parte da minha alma em cada pessoa e, em última análise, devo me unir a cada uma delas. Ainda não sei como, mas terei que fazer isso de alguma forma.

Aprendemos que tudo isso está organizado como uma pirâmide. Eu preciso me unir a todos, mas não na mesma medida. Conecto-me com algumas almas no nível inanimado (Domem), com outras no nível vegetativo (Tzmeach) e com outras no nível vivo (Chai). Em outras palavras, uno-me a todas as partes da alma comum de Adam HaRishon, mas com cada uma em um nível diferente de unidade.

Em última análise, preciso de amigos ao meu redor com quem eu possa trabalhar como um único Kli (vaso). Eles e eu funcionaremos como órgãos de um só corpo, um único Kli. É assim que devemos trabalhar. De fato, vemos que os projetos mais avançados e eficazes do nosso mundo são baseados nesse método.

Uma pessoa sozinha simplesmente não pode progredir. Tudo o que ela pode fazer é, de alguma forma, chegar à conclusão, ao longo de milênios, de que não pode alcançar a espiritualidade sozinha. Qualquer pessoa que foge da sociedade está completamente sem esperança.

Da Lição Diária de Cabalá 23/06/26, Rabash, “Qual a importância do noivo, que suas iniquidades sejam perdoadas?”

Quando Você Perde A Esperança Em Sua Próprias Forças

239Pergunta: O que exatamente nos é revelado acima da razão?

Resposta: Não sei o que me será revelado acima da razão. Por ora, simplesmente sigo em frente.

Dizem que, depois de me sentir completamente exausto e desesperar com minhas próprias forças, e depois de pensar: “Se eu não lutar por mim, quem lutará por mim?”, eu terei o direito de me voltar a Ele com um clamor por ajuda. Não me restará mais nada a fazer.

O Criador já não me deixa esperança de que eu possa tentar algo por conta própria e, assim, alcançar o objetivo desejado. Resta apenas uma coisa em mim: um grande desejo de alcançá-lo, sem absolutamente nenhum meio para tal, e então eu clamo.

Eu clamo porque não vejo nenhuma possibilidade de seguir em frente. Não me restam oportunidades; não me dão nenhuma chance.

Este não é um grito comum, fruto do desespero na vida. Em termos Cabalísticos, é o momento em que a pessoa percebe que nenhum esforço, por mais egoísta que seja, pode levá-la ao objetivo. Todos os cálculos, forças, conhecimentos e estratégias pessoais se esgotaram.

Só então pode surgir uma oração genuína, não um pedido de realização, mas um pedido de ajuda a uma força que transcende a própria natureza.

O paradoxo reside no fato de que esse estado não é considerado uma descida, mas sim uma preparação para a subida. Enquanto uma pessoa ainda acredita que pode alcançar a espiritualidade por meio de seus próprios poderes, ela ainda não atingiu uma verdadeira necessidade do Criador. Quando todo outro suporte desaparece, a deficiência se torna completa, e dessa deficiência completa nasce o verdadeiro clamor.

Da Lição Diária de Cabalá 13/06/26, Rabash, “E o Senhor apareceu-lhe nos carvalhos de Mamre”

Como Cuidar Do Corpo

737.01Pergunta: Todos os nossos pensamentos e intenções vêm do corpo. Qual a melhor maneira de cuidar do corpo físico? Sei por experiência própria que, se durmo o suficiente, estou pronto para me dedicar a atividades relacionadas ao trabalho espiritual.

Resposta: É claro que quanto mais saudável o corpo de uma pessoa, melhor preparada ela estará para o trabalho interior. Isso é bem conhecido. Temos a obrigação de dar ao corpo o que ele precisa. Os antigos romanos diziam: “Mente sã em corpo são”. Por “mente”, eles se referiam à alma animal, mas, mesmo assim, o princípio permanece. Portanto, é necessário dormir, comer, lavar o corpo e cuidar dele.

Quando eu morava em Rehovot, havia um jovem que morava perto e criava um cavalo muito caro. O jeito como ele cuidava e o amava era inacreditável! Era a vida dele. Essa imagem ficou vívida na minha memória. É assim que devemos cuidar do corpo. Claro que não devemos dedicar toda a nossa vida a ele, mas precisamos dar a ele o que ele precisa.

É assim que devemos agir. Deixemos o corpo trabalhar para nós, para o ser humano que existe dentro de nós! Para isso, estou pronto para cuidar dele.

Rabash cuidava muito bem do seu corpo. Eu comprava para ele todos os mantimentos necessários — legumes, frutas e chocolate. Ele fazia exames de sangue regularmente e se dedicava bastante a manter a saúde.

Costumávamos ir juntos ao mar. Ele só saía da água depois de nadar 600 braçadas. E se não íamos ao mar, caminhávamos, uma hora e meia de cada vez. Eu tinha que cantarolar algo animado, e caminhávamos nesse ritmo por uma hora e meia. No meio da caminhada, parávamos por dez minutos, durante os quais eu podia fazer uma pergunta, e depois continuávamos. Nessa época, ele já tinha 80 anos.

Também frequentávamos aulas de natação e ginástica com um passe de sócio. Minha esposa se lembra de que costumávamos passar de três a quatro horas por dia praticando esportes e exercícios físicos. Algumas pessoas conseguem ficar sentadas o dia todo, mas Rabash não; seu corpo precisava de atividade física. Comprei uma bicicleta para ele, e todas as noites ele se exercitava nela, dando 400 voltas. Não era nada fácil!

Certa vez, eu estava passando por uma terrível decadência espiritual. Naquela época, um instrutor de ioga vinha nos visitar e nos ensinava, não filosofia, mas exercícios que ajudavam a desenvolver a flexibilidade do corpo. Eu estava em um estado tão ruim que disse: “Não sou capaz de fazer isso”.

“Tudo bem, então não faça isso”, respondeu Rabash. “Continuarei sozinho”.

Ele continuou praticando com o professor de ioga em casa, e em poucos dias eu voltei.

Rabash fazia tudo de acordo com um cronograma. Ele definia horários para comer, horários para beber e assim por diante. Ele nunca bebia enquanto comia, e nunca comia enquanto bebia. Sua relação com o corpo era sempre muito precisa e disciplinada. Havia também coisas que eu achava muito difícil de suportar.

Por exemplo, ele não permitia que o ar condicionado fosse ligado.

“Este é o calor natural; não há nada que se possa fazer a respeito”, ele dizia. E nós o suportávamos.

“Se quiser, ligue um ventilador. É como o vento; isso é aceitável”.

Minha pressão arterial subia terrivelmente. Eu sentia como se fosse explodir. A temperatura ao nosso redor era de 40°C. Rabash tentava se comportar em relação à natureza da maneira mais simples possível.

Da Lição Diária de Cabalá 07/06/26, Rabash, “Quais são os momentos de oração e gratidão no trabalho?”