A Verdade Reside Entre Dois Mundos
Uma pessoa age por hábito; ela sente e aceita apenas aquilo a que está habituada. Tudo o que é desconhecido passa despercebido e permanece inatingível.
Inconscientemente, descartamos tudo o que é novo antes de o sentirmos ou tomarmos consciência dele. É por isso que nos é tão difícil encontrar a espiritualidade!
Vivemos em um mundo que selecionamos a partir do mundo do infinito; escolhemos o familiar e o habitual.
Para expandir nosso mundo com o mundo de doação, não devemos rejeitá-lo, mas aceitar os estados de doação através da “fé acima da razão”, aceitar as propriedades, os desejos, os pensamentos e as ações do “anti-mundo”.
Para isso, você precisa combinar dois níveis opostos dentro de si: perceber seu estado egoísta atual, o grau inferior, e, da perspectiva da propriedade de doação, o grau mais elevado.
É preciso existir entre esses níveis, regozijar-se na sensação do vazio do nível inferior e na oportunidade de encontrar forças para se elevar acima dele.
Essa força vem a mim da luz superior através do grupo; ela me mantém acima da “terra” como que por um ímã.
A verdade e a fé (a doação) deveriam me impulsionar para cima com mais força do que a sensação de egoísmo animalesco me puxa para baixo, em direção à “terra”.
O verdadeiro estado reside em sentir ambos os graus simultaneamente, enquanto cada um isoladamente é uma mentira. Mesmo que eu esteja inteiramente imerso na espiritualidade, isso por si só já é uma mentira.
O verdadeiro estado sempre se encontra entre dois extremos que trazem simultaneamente uma sensação de perfeição e de carência, de gratidão e de oração.
Devo me alegrar por experimentar ambas as sensações simultaneamente e permanecer constantemente em um estado de transição, sentindo os obstáculos, mas mantendo-me acima deles pela força de vontade, como um alpinista escalando uma montanha que sente que, se relaxasse a tensão por um instante sequer, cairia imediatamente.
Este é o único estado verdadeiro; precisamos nos treinar para permanecer nele o tempo todo e para encontrar alegria nele.
É assim que podemos nos testar. Somos capazes, apesar de todo o nosso descontentamento, luta eterna e constante oscilação entre inspiração e completo desespero, de permanecermos alegres mesmo assim?
Da Lição Diária de Cabalá 02/08/10, Rabash, “O Significado da Verdade e da Fé”