Mentirosos são os que dizem que o idealismo é inato ou resultado da educação. Na verdade, ele é resultado direto da religião. Enquanto a religião não se difundiu suficientemente pelo mundo, o mundo inteiro foi bárbaro, sem um pingo de consciência.
Somente após a expansão dos servos do Criador é que a posteridade dos agnósticos se tornou idealista. Assim, o idealista só o é por causa do mandamento de seus ancestrais. Contudo, trata-se de um mandamento órfão, ou seja, sem um comandante (Baal HaSulam, “Os Escritos da Última Geração”).
Inicialmente, Baal HaSulam fala sobre a disseminação da adoração primitiva de ídolos no mundo, onde as pessoas adoravam árvores, pedras e o sol. Muito mais tarde, surgiram as três principais religiões mundiais (judaísmo, cristianismo e islamismo), todas derivadas da Cabalá. Se não fosse pela Cabalá, da qual todos os seus adeptos, com exceção de alguns, desceram a colina e começaram a convertê-la em práticas terrenas comuns, hoje não existiriam nem as três principais religiões nem todas as outras.
Pergunta: Então, quando Baal HaSulam fala sobre religião, ele se refere àquela que existia antes do judaísmo, cristianismo e islamismo?
Resposta: A Torá afirma que, antes do surgimento da Cabalá na antiga Babilônia, existiam várias crenças; cada pessoa adorava seu próprio ídolo familiar, e isso era uma prática puramente psicológica.
Mais tarde, o rei Nimrod desejou unir todas as tribos que habitavam o reino (as chamadas setenta nações do mundo) em uma só nação. Para isso, ele precisava de algo unificador, uma única imagem espiritual suprema.
Foi nisso que Abraão, um residente da Babilônia, começou a trabalhar. O pai de Abraão, Terá, não apenas adorava ídolos, mas também os fabricava e vendia. Abraão, diferentemente de Terá, ficou sob a influência do rei Ninrode e compreendeu que era necessária uma força única para unir as pessoas, visto que o egoísmo estava crescendo, dividindo-as e alienando-as cada vez mais.
Para criar um Estado e uma nação unificada, era necessária uma força consolidadora. Ninrode representava a autoridade estatal, enquanto Abraão desempenhava essas funções como sacerdote espiritual.
Mas quando Abraão começou a desenvolver o conceito de uma única criação espiritual e de uma força suprema que governaria tudo, ele chegou à conclusão de que essa força já existia. Ele a descobriu ao tentar harmonizar os diversos totens em uma fonte comum.
Ao generalizar essa ideia e transformar todas as divindades em uma única força, ele compreendeu que ela não possui imagem. É tão universal que é desprovida de qualquer forma.
Assim, o único ídolo que eles queriam criar de repente “ganhou vida” e se tornou real. Depois de descobrir que existe uma força benéfica da natureza que contém tudo, une tudo, generaliza tudo e governa tudo, Abraão começou a ensinar isso ao povo.
Isso era conveniente para Ninrode, pois agora ele era o único governante, rei e autoridade na Terra, enquanto Deus estava no céu. Praticamente todos os governantes usaram esse modelo até os nossos dias.
Mas Abraão gradualmente começou a anular a autoridade de Ninrode: “Quem é ele? Devemos adorar o Criador e tratar diretamente com Ele”. Surgiu um forte confronto entre ele e Ninrode, e Abraão foi forçado a deixar a Babilônia com seus seguidores que o compreendiam e concordavam com ele.
Aqueles que ainda não haviam alcançado esse entendimento e desejavam uma existência normal, segura e egoísta decidiram permanecer com Ninrode. Mas não puderam fazê-lo porque, sem a força unificadora que Abraão pregava, o egoísmo começou a separá-los, dividi-los e colocá-los uns contra os outros.
Eles perceberam que precisavam se dispersar, caso contrário se destruiriam mutuamente em uma guerra interna. Essa foi uma decisão racional. Assim, eles se espalharam pelo mundo com seus ídolos, enquanto os servos do Criador partiram com Abraão.
Pergunta: O que Abraão e seus seguidores com ideias semelhantes ensinaram? Era a sabedoria da Cabalá?
Resposta: Sim, um método para unir as pessoas, para capacitá-las a ascender ao nível do Criador.
Pergunta: Os Cabalistas chamam isso de religião?
Resposta: Em princípio, o que Abraão revelou é chamado de Daat (“religião”).
Portanto, Baal HaSulam escreve que o significado da única religião verdadeira é a conquista da força única da natureza que governa tudo. Uma pessoa pode revelar essa força se seguir o caminho correto para alcançá-la, através do qual adquire o conhecimento absoluto de todas as leis da realidade.
Baal HaSulam não presta atenção a mais nada.
De KabTV, “A Última Geração”, 03/07/17
Categoria: Estudo Cabalístico, Religião, Sociedade por souzapin - Comentários desativados em Cabalá E Religiões Mundiais