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Sentindo-se Traído

294.4Pergunta: Quando sinto uma traição terrível, simplesmente terrível, quando mal consigo suportá-la, estou em chamas, você diz que, nesse momento ou um pouco mais tarde, quando estiver um pouco mais esgotado, preciso me concentrar em sua origem e não em quem me traiu?

Resposta: No Criador! O que alguém insignificante tem a ver com isso?! Ele é um fantoche, e o titereiro é o Criador.

Pergunta: Então, devo começar a conversar e trabalhar com o Criador? E deixar para lá esse homem que supostamente me traiu? Ele não me traiu.

Resposta: Você não pode exigir nada dele! Ele é um fantoche! Só isso. E você se sente em paz. Você não vê traidores ou pessoas que o perseguem, nada nem ninguém. Você vê fantoches. E o Criador lá de cima controla os fios deles, só isso.

Pergunta: Você quase sempre diz que odiamos alguém, em vez de começarmos a mudar a nós mesmos e nossa atitude em relação ao Criador. É isso?! É só isso que temos que fazer?!

Resposta: É só isso. Mas essa é a parte mais difícil.

Comentário: Então, se eu conseguir me controlar de tal forma que direcione todos os meus esforços para trabalhar para Ele, e somente com Ele, então tudo começará.

Minha Resposta: Então você precisa redefinir completamente o que significa verdade, mentira, devoção e traição.

Pergunta: Todos os conceitos desaparecem. Você praticamente eliminou o conceito de “traição”. Então, como ela não existe da parte do outro, não posso culpá-lo?

Resposta: Não. Não há amor, nem ódio, nem devoção, nem lealdade.

Pergunta: Devo apontar o vetor para mim mesmo e pronto?

Resposta: Sim, mas, pelo menos, seria belo, verdadeiro e puro!

Pergunta: Será então um experimento claro?

Resposta: Sim.

Pergunta: Mas eu |O odeio! Digo isso com cautela.

Resposta: Não se preocupe, Ele não ouve.

Comentário: Entendo. Como disse Guberman: “Ele é cego, não vê suas artimanhas”. É isso mesmo. Quando odeio um traidor, você diz: “O Criador está fazendo isso, me armando uma cilada”. Então, meu primeiro sentimento é: “Eu odeio o Criador!”. Isso é verdade?

Minha Resposta: Claro. Naturalmente! Não há dúvida nenhuma! Se você odeia alguém, esse alguém é o Criador. Seu relacionamento é sempre com Ele!

Pergunta: Como meu ódio pelo Criador se transforma?

Resposta: Fazemos tudo somente com o Criador. Nossa conexão é exclusiva Dele. E tudo que parece indicar uma relação boa ou má entre nós é pura ilusão! O Criador estabelece situações, romances, histórias e mistérios que ninguém jamais poderia ter imaginado.

Pergunta: Por que Ele está fazendo isso conosco?

Resposta: Assim, deixaríamos este mundo de lado e lidaríamos somente com Ele. Mas, para isso, precisamos ser puros: ou egoístas absolutos ou altruístas absolutos. Ele não tolera nada além disso. O resto é desperdício, impureza. Portanto, precisamos nos sintonizar apenas com o Criador e lidar somente com Ele.

Pergunta: Como esse estado de minhas queixas, ódio e súplicas ao Criador: “Deixe-me em paz!” se transforma em um estado diferente — o amor?

Resposta: Isso se transforma em uma oração, um desejo de ver Suas ações por trás de tudo que me cerca, tanto em mim quanto ao meu redor. Que não há outro além Dele!

Pergunta: Esta é a oração principal?

Resposta: Sim, para que Ele me revele isso.

Pergunta: Será esta a mudança fundamental dentro de uma pessoa? E será que ela muda tudo, o mundo inteiro?

Resposta: Isso muda tudo. Vira tudo de cabeça para baixo! Mexe com a minha cabeça! Porque eu sempre pensei que estava conectado a algo mais, dependente de alguém, fazendo algo mais. Na verdade, não há ninguém e não há nada!

De KabTV, “Notícias com o Dr. Michael Laitman”, 22/01/26

Líder Espiritual — Uma Ideia Comum

963.5Comentário: Como se sabe, alguém precisa estar à frente de uma organização — é impossível prosperar sem um líder. As pessoas precisam acreditar em alguém. Alguém que lhes dê o exemplo, assim como você dá o exemplo aos seus alunos.

Minha Resposta: Creio que meus alunos compreenderão que somente juntos, em um grupo poderoso que já inclui dezenas de milhares de pessoas, eles serão capazes de alcançar algo. Afinal, um líder espiritual não é um indivíduo isolado, mas uma força coletiva, uma ideia comum. Seu portador é o grupo que consegue unir e conduzir a todos adiante.

Neste caso, não estamos falando de um mundo egoísta, mas de um mundo de unidade, um mundo altruísta, no qual o líder é o Criador. Creio que sou o último que, de certa forma, pode ser considerado um líder espiritual na Cabalá — um professor e disseminador com muitos alunos.

Minha aspiração é levar meus alunos a um estado em que somente a união os conduzirá adiante. Somente a união!

E quando todos se tornarem um só e formarem um elemento que os guiará adiante, quando em sua unidade sentirem o Criador, então será Ele quem os guiará, e não alguma personalidade tangível com barba e óculos. Só assim! É por isso que estou tentando criar uma espécie de estimulador dentro da liderança espiritual.

Ou seja, tudo precisa ser organizado para que o grupo funcione! E se for apenas uma pessoa, logo aparecerá uma segunda, e uma terceira, e tudo desmoronará, como aconteceu no passado com os movimentos hassídicos e outros. Tudo isso levou ao caminho errado, e no fim tudo desapareceu.

Comentário: Mas você tem alunos muito bons.

Minha Resposta: Eles não são fortes em nada, absolutamente nada! São fortes e poderosos apenas do ponto de vista do egoísmo, e devem ser temidos. Precisamente aqueles que são considerados avançados não são, de forma alguma, mais espirituais do que os outros. No nível do nosso mundo, essas pessoas simplesmente têm uma maior capacidade de persuasão e de oratória.

Por isso, não se deve segui-los!

Eu avisando vocês: não deem ouvidos a nenhum dos meus alunos individualmente! Em vez de mim, só pode haver uma direção espiritual. Em nenhuma circunstância, nem os próximos de mim, nem os distantes. Só assim!

Quem quiser se organizar separadamente, quem tiver algum tipo de “desejo criativo”, que vá e abra novas comunidades. Numa sociedade Cabalística, isso não pode existir. Só existe uma assembleia geral, à frente da qual está a direção espiritual!

De KabTVEu Recebi uma Chamada. A Destruição de Laitman”, 18/09/10

Passado, Presente, Futuro

294.4No mundo corpóreo, existem três categorias de tempo: passado, presente e futuro. No mundo espiritual, porém, não existe tempo, mas sim uma ordem de ações, graus ou estados, nos quais a pessoa revela onde realmente se encontra.

Cada estado pelo qual uma pessoa passa faz parte desse estado eterno e perfeito em que de fato existimos. Mas a atitude em relação a um estado deve vir dos dois graus mais próximos: do grau anterior e do grau futuro. É o que se chama de “do passado e do futuro”.

Tudo depende da conexão que uma pessoa tem com os graus superiores e inferiores em relação ao seu estado atual, de modo que tudo se manifeste no presente. Ela extrai confiança do passado, constrói a fé no futuro a partir dele, regozijando-se no próximo estado, absorvendo a luz circundante do mundo futuro que brilha para ela no presente, e dessa forma constrói os estados pelos quais passa.

Portanto, quando não conseguimos enxergar o futuro, nem mesmo compreendemos o estado em que nos encontramos, e não sabemos como utilizar corretamente o passado, mas buscamos nos relacionar de forma intencional com esses três estados, com esses três tempos, então podemos estar sempre em ascensão, em inspiração, com a força para usar cada minuto unicamente em prol do objetivo, e assim encurtar o tempo.

Estamos constantemente sob o domínio das luzes ou dos vasos, o que significa que ou as Reshimot dos vasos se revelam em nós, ou as luzes que neles brilham. Quando as luzes brilham nos Kelim, não temos dificuldade em lidar com nossos estados, porque estes já são estados que merecemos após correções em cada nível.

Mas se ainda estivermos na iluminação de Malchut, esse estado ilumina para nós o vazio e a imperfeição, que se expressam como falta de confiança, sofrimento, medos e todos os tipos de deficiências de realização.

Contudo, se em vez de se apegar ao vaso, a pessoa se voltar para as luzes futuras que estão destinadas a se revelar neste Kli e tentar se conectar com o futuro, com as luzes circundantes, então elas brilharão imediatamente para ela em seu presente, e ela estará em comunhão com o Criador mesmo nos piores estados. Assim, em cada estado, temos a oportunidade de nos conectar com as luzes, com o doador, e não com os vasos, com as deficiências.

Portanto, seja qual for o meu estado, seja um estado de falta de perfeição e de plenitude, ou, ao contrário, de plenitude e trabalho na linha correta, cada estado é determinado por um único critério. Ele deve ser o mais elevado possível e permitir-me estar em adesão com o Criador. E se, apesar de todos os prazeres que me preenchem, eu também puder permanecer em adesão com o Criador, não há razão para que esses prazeres desapareçam.

Da Lição Diária de Cabalá 31/01/26, Rabash, “Três Tempos na Obra”

Elokim — A Atitude Do Criador Em Relação À Criação

 281.01Pergunta: Por que o Rabash chama a medida de julgamento de “Elokim” no artigo “O Que É, Sua Orientação É Oculta E Revelada?”?

Resposta: O Criador, em Sua governança, aparece para nós de diversas formas, mas não como Atzmuto; antes, como está escrito: “Por Tuas ações nós Te conhecemos”. Suas ações para conosco são as nove Sefirot relativas à Malchut.

Malchut, ao criar uma restrição, uma tela e uma luz refletida sobre si mesma, absorve as nove primeiras qualidades e deseja assemelhar-se a elas. Então, descobre-se que a tela e a luz refletida são o Kli de Malchut, sua atitude em relação ao superior, segundo o princípio “como Ele é misericordioso, seja você misericordioso”. Ou seja, na medida em que revelo como Ele se relaciona comigo, nessa mesma medida eu o aceito e me relaciono com Ele da mesma forma, e nada mais.

Uma das atitudes do Criador para conosco é chamada de “Elokim”. Diz-se que é a medida do julgamento. Como pode haver uma medida de julgamento nas primeiras nove Sefirot?

O julgamento é uma limitação da criação, que nem sempre consegue aceitar a governança do Criador como boa e, ao praticar o bem, não consegue percebê-la como tal. Portanto, essa doação se apresenta à criação como a categoria do julgamento. É isso que queremos dizer quando afirmamos que a luz constrói a escuridão. Se o Criador se revela à Malchut em um estado em que ela não consegue aceitá-Lo, ela O sente como escuridão.

O que é Elokim? Quando Malchut ascende à Bina, ela traz sua limitação para Bina e, de acordo com essa limitação, a doação de Bina é dividida em relação à Malchut em “Mi” e “Eleh” — “Elokim”.

Quando Malchut ascende à Bina, por um lado, ela eleva a medida do julgamento ali presente e, por outro, o desejo de adquirir as qualidades de Bina. Então, a própria Malchut começa a diminuir a medida do julgamento e, na medida em que adquire as qualidades de doação de Bina, ela pode realizá-las.

Então, este nome Elokim opera plenamente. “Mi” e “Eleh” se unem: “Mi” é Galgalta ve Eynaim, “Eleh” é AHAP. Assim, o nome Elokim é revelado.

Da Lição Diária de Cabalá 25/01/26, Rabash, “O Que é, Sua Orientação é Oculta e Revelada?”