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Compreenda A Importância Do Criador

144Pergunta: A revelação do Criador é, na verdade, a revelação de uma nova forma em si mesmo?

Resposta: A revelação da face do Criador é chamada de manifestação de Sua importância porque, na verdade, é isso que eu busco. Não se trata da revelação do prazer, mas da revelação de Sua superioridade, de Seus atributos e de Sua perfeição. Isso me ajuda a respeitar o Criador mais do que o meu desejo de receber.

Esse desejo cresce constantemente na pessoa. Mais e mais Reshimot (registros espirituais) vêm à tona. Em outras palavras, mais e mais da linha esquerda se soma à pessoa. Então, ela precisa revelar a face do Criador como um ser maior e mais exaltado, que a influencia mais, para que ela possa resistir ao desejo de receber e respeitar o Criador mais do que seu desejo egoísta. Isso significa que a pessoa tem a força para trabalhar em prol da doação.

Conclui-se, portanto, que o desejo de receber foi originalmente criado na mesma medida do Criador; ambos são iguais em magnitude. Contudo, a pessoa sente a magnitude do desejo de receber apenas na medida em que é capaz de superá-lo e, ao mesmo tempo, revelar o Criador como importante e grandioso.

Cada vez é como um jogo. No início, o desejo de receber nos é oculto; sentimos apenas uma pequena parte dele na forma da realidade deste mundo. Na verdade, trata-se da mesma realidade geral, só que é chamada de “este mundo” porque a percebemos sem levar em conta o Criador.

Tudo o mais, além deste nível, já percebemos em conformidade com a realidade do Criador, ou seja, sentimos de fato o Criador, que é chamado de mundo superior. “Todo o mais” significa que já consideramos a importância do Criador em relação à importância do desejo de receber.

Esse desejo cresce gradualmente, partindo do estado mais baixo e menor, até atingir o nível do Criador. Ele nos ajuda a pedir repetidamente ao Criador que nos mostre cada vez mais Sua importância, grandeza e superioridade. E quando revelamos o Criador e preferimos lhe trazer prazer em vez de servir ao nosso ego, aderimos à forma do Criador, a absorvemos, a adotamos, e ela verdadeiramente se torna a nossa forma.

Da Lição Diária de Cabalá 26/01/26, Rabash, Artigo 29 “Lishma e Lo Lishma”

Como Se Tornar Uma Máquina De Movimento Perpétuo

239No entanto, nos foi dado um lugar no qual podemos trabalhar sem qualquer recompensa. Ou seja, mesmo quando ainda não temos gosto pela Torá e pelas Mitzvot devido ao Tzimtzum, há um conselho, que é trabalhar na grandeza do Criador, o quanto somo privilegiados por servir ao Rei (RABASH, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma”).

Pergunta: Essas palavras se aplicam a nós que estamos neste mundo?

Resposta: Eu quero desfrutar. É assim que sou. Meu desejo de receber não percebe nada de outra forma. Há algo diante de mim; eu o recebo e o desfruto. Como posso trabalhar de maneira diferente? Só consigo trabalhar de outra forma se, mesmo assim, receber algum prazer.

Sem prazer é impossível viver, impossível se mover. Só posso desfrutar daquilo que recebo. Estamos confusos quanto a isso porque esse é o nosso fundamento, que ainda não foi esclarecido. Esclarecê-lo exige anos de trabalho persistente e sério.

A questão é a seguinte: posso me mover do lugar onde estou agora em qualquer direção, mesmo que seja apenas um metro? Minha resposta é: sim, posso, mas somente se você me abastecer com, digamos, um litro de combustível, ou cem calorias. Só então poderei me mover de um lugar para outro. De onde virão as cem calorias? De várias maneiras, mas preciso recebê-las.

Assim, tenho duas possibilidades. Ou recebo as cem calorias de todos os tipos de prazeres que supostamente existem ao meu redor, ou recebo contemplando a grandeza do Criador. Tenho à minha disposição duas fontes de energia para colocar em movimento meu desejo de receber, e isso é tudo.

Se eu for capaz de trabalhar devido à grandeza do Criador, eu me torno uma máquina de movimento perpétuo e não dependo de nada. Nesse caso, minha máquina pode operar sem parar; ela não depende mais de nenhum fator externo insignificante. Este é o nosso objetivo final!

Da Lição Diária de Cabalá de 26/01/26, Rabash, Artigo 29, “Lishma e Lo Lishma”

O Princípio Do Semáforo

032.01Antes da invenção das placas de sinalização como forma de organizar o trânsito, os policiais ficavam parados, controlando o fluxo de veículos. Naquela época, muitas pessoas ficavam irritadas e reclamavam dos policiais por não fazerem seu trabalho direito e por não prestarem atenção à fila de carros.

Mas hoje, o facilitador do trânsito tornou-se inanimado, sem mente. Assim, agora cada um aceita o veredicto da placa de trânsito (semáforo), e ninguém se irrita com ele ou lhe pede favores  (RABASH, Artigo 28, “O que é, Sua orientação é oculta e revelada?”).

Por um lado, o Criador coloca um semáforo diante de nós, e essas leis da natureza são absolutas. Você pode amaldiçoar o semáforo, mas isso não adiantará, exceto talvez se você se voltar para a causa, para aquele que o opera. Nos dias de hoje, às vezes, quando o trânsito está intenso, você pode ver um policial dirigindo o tráfego. Aí você tem alguém para quem gritar.

Mas se essa causa for desconhecida, você não vê o policial, o semáforo funciona segundo um mecanismo interno e você não reclama. Você não tem a quem recorrer porque a governança é oculta. A Natureza! A partir desse exemplo, fica claro o quanto a compreensão da causa eleva você a um nível diferente em relação à situação.

Se eu sei que é o Criador quem organiza tudo para mim, então me volto imediatamente para Ele. Não olho para o semáforo; olho para o policial. Se vejo tanto o policial quanto o semáforo, olho para aquele que dirige o trânsito, porque a salvação virá dali. Então, todas as leis da natureza perdem sua importância.

É por isso que o Criador não Se revela. Porque se Ele fosse revelado, eu me apegaria a Ele por causa do meu desejo de receber, e nunca conseguiria me libertar do seu controle. Foi isso que aconteceu originalmente com Malchut, o Mundo do Infinito. Para se libertar disso, deve haver uma restrição, um distanciamento, e o desejo de receber deve ser corrigido para um desejo de doar.

Da Lição Diária de Cabalá 25/01/26, Rabash, Artigo 28, “O que é, Sua Orientação é Oculta e Revelada?”

A Singularidade Do Governo Do Criador

232.01O artigo de Baal HaSulam, “Não Há Outro Além Dele”, aborda nossa relação com a força superior, ou seja, com nossas vidas, com o que nos acontece, como podemos compreender esta vida e como podemos formar uma percepção mais correta dela.

Diz-se que não existe outra força além do Criador e que somente Ele governa tudo. Se uma pessoa sente que existem muitas forças diferentes e contraditórias, isso é feito deliberadamente para nos desviar da intenção correta de que existe apenas uma força e, assim, ao contrário, fortalecer nossa orientação exclusivamente para ela.

Precisamente por ser direcionada para o Criador e ser afastada Dele por meio da rejeição de todos os tipos, a pessoa começa a entender que tudo vem do Criador e, dessa forma, se une completamente a Ele.

Isso não se conquista facilmente; leva muitos anos. Afinal, toda a nossa vida é estruturada de forma a revelar a unicidade do Criador. Portanto, devemos lembrar constantemente que “não há outro além Dele”. Este é o principal mandamento para uma pessoa em nosso mundo, onde tudo é organizado unicamente para desviá-la da direção que a conduz a essa única força que a governa.

O benefício dessas rejeições é que a pessoa começa a entender que não pode se conectar ao Criador por si só, não pode se apegar à ideia de que todas as perturbações vêm do Criador e que tudo o que lhe acontece a direciona para o Criador.

No fim, ela se desespera, não sabe o que fazer e, precisamente por meio da “ajuda negativa” do Criador (que a exaure e a sacode de um lado para o outro como se houvesse outras qualidades, forças, problemas ou doenças em uma pessoa, qualquer coisa, exceto o Criador), ela chega a um estado em que, apesar de todas essas ações, ela se eleva acima delas e se apega ao Criador.

Somente superando corretamente todos os obstáculos é que uma pessoa consegue lidar com essas perturbações. No entanto, percebemos que sempre surgem mais obstáculos. Raramente em nossas vidas sentimos que tudo vem do Criador e que somos direcionados a Ele.

Normalmente, esses pensamentos ocupam apenas alguns minutos por dia, e isso se pensarmos neles. Caso contrário, dias, semanas, talvez até anos, ou uma vida inteira, podem se passar nesse estado.

Mas se uma pessoa se esforça constantemente para criar uma comunidade, condições e um ambiente ao seu redor que inevitavelmente a impulsionem em direção ao Criador, ela poderá verdadeiramente alcançá-Lo, não soltá-Lo e suplicar que o Criador a acolha, para que, através de todos os acontecimentos da vida, ela possa ser conduzida em direção ao Criador.

Tudo depende da medida em que a pessoa consegue implorar ao Criador que abra seus olhos e seu coração, para que possa sentir em seu coração e ver claramente que tem uma conexão apenas com o Criador, e que somente o Criador a dirige, direciona e guia.

Em geral, tudo o que nos acontece é realizado por uma única força. Ela não é boa nem má. Acima de tudo, é simplesmente uma força. E quando a pessoa começa a compreender o plano da criação, ela já avalia essa força como positiva.

Torna-se claro para ela que todas as rejeições eram necessárias apenas para que ela não se contentasse com uma pequena conexão com o Criador, mas alcançasse verdadeiramente estados em que nada mais lhe restasse no mundo; ou era a morte ou a adesão ao Criador.

Então, a pessoa desenvolve um apelo muito claro ao Criador e pede a Ele que realmente a ajude e lhe dê a força que a unirá ao Criador para sempre.

Agora ela compreende que todos os obstáculos que lhe pareciam intransponíveis e que ela detestava foram enviados pelo próprio Criador, e que surgiram dentro dela apenas para afastá-la e, ao mesmo tempo, aproximá-la verdadeiramente do Criador. Pois foi precisamente através dos obstáculos que ela foi obrigada a lutar contra eles e, assim, conectar-se cada vez mais com o Criador até a completa adesão.

E o Criador mediu com muita precisão os obstáculos dados a cada pessoa. Conhecendo a natureza humana, Ele enviou obstáculos totalmente corretos e exatos a cada pessoa individualmente, para que, ao se afastar deles, a pessoa se aproximasse novamente do Criador.

Isso foi feito para que a pessoa percebesse que tudo é realizado por uma única força positiva e que não existe outra força no mundo além do Criador. Em outras palavras, não existem forças negativas no mundo.

A força negativa é a própria pessoa, seu egoísmo, e ao seu redor existe apenas o Criador, que direciona somente força positiva para nós. E se avaliarmos isso corretamente, nenhum problema surgirá, e avançaremos unicamente no caminho de nos aproximarmos do Criador.

Na Cabalá, diferentemente de todas as outras filosofias, métodos e ciências, existe um aspecto especial: a pessoa começa a compreender que não possui nenhum livre-arbítrio. Diversos pensamentos surgem em sua mente e desejos em seu coração, e ela não tem controle sobre eles, pois tudo é governado pelo Criador. Ou seja, o Criador está dentro da pessoa e governa sua mente e seu coração, seus pensamentos e seus desejos.

E não podemos fazer nada a respeito. De todos os eventos que acontecem conosco, devemos apenas constatar que existe uma única fonte: uma força superior, única e unificada.

E não importa como ajamos, correta ou incorretamente, devemos compreender que é o Criador quem nos guia por meio de todas as ações. Portanto, não existem crimes nem punições no mundo. Existe apenas uma coisa: tudo foi criado para revelar a unicidade do Criador. Devemos alcançar esse estado.

E todas as nossas preocupações de que “se tudo vem do Criador, o que depende de nós?” são equivocadas. Devemos ter cuidado para não nos preocuparmos conosco mesmos, nos desapegarmos do nosso “eu” e nos sentirmos acima dele. Somente então, ao nos distanciarmos corretamente de nós mesmos, podemos reconhecer a unicidade do governo do Criador.

De uma Lição de Cabalá em Russo 01/12/19

O Temor Que Determina O Poder Da Alma

539Pergunta: O que significa o temor diante do Criador? Como alguém pode se sintonizar com essa sensação?

Resposta: Diz-se no Livro do Zohar que o temor perante o Criador consiste em três partes. Se avançarmos seriamente, começaremos a sentir o nosso egoísmo, como ele nos guia e nos impulsiona em direção a certas conquistas e realizações. Ele nos força a nos preocuparmos constantemente: Será que esta vida será melhor para nós? Nos tornaremos mais inteligentes, mais fortes, mais sábios, mais compreensivos, mais avançados? Receberemos algo neste mundo ou no mundo vindouro?

Gradualmente, começamos a perceber que o mundo espiritual não está além dos limites da morte, e que a morte do nosso corpo não tem influência alguma sobre nada. A morte espiritual significa que simplesmente permanecemos em nosso Reshimo. E tudo o que nos acontece depende apenas de quanto reconhecemos nossos Reshimot e criamos um Partzuf espiritual a partir deles, isto é, uma parte corrigida de nossa alma, e tentamos desenvolvê-la até um nível completo onde a alma inclui o resto da criação: as partes inanimada, vegetativa, animada e humana da alma.

Portanto, o temor revela aquilo que eu temo. É uma função protetora natural do egoísmo, que treme constantemente: serei capaz de receber ou não, agora ou depois, tenho certeza disso ou não, perdi o que conquistei, ganhei mais hoje do que ontem, e assim por diante? O estado de temor é o mais essencial no egoísmo: ele treme constantemente para não lhe faltar satisfação. Essa é a sua propriedade fundamental.

Nossa tarefa é transformar o temor material em temor espiritual: Serei capaz de doar? Chegarei a um estado em que penso menos em mim e mais no Kli (vaso) externo? Incluo-me nesse processo, desperto para a qualidade da doação? Transponho a barreira psicológica que me separa de estar fora de mim, onde minha alma realmente reside? Dentro de mim existe apenas o meu egoísmo, e minha alma está fora de mim. Devo impor um Tzimtzum (restrição) ao meu egoísmo, proibi-lo e desenvolver minha atitude em relação aos outros. Consigo fazer isso?

É precisamente aqui que surge um novo temor: Serei capaz de doar, serei capaz de me libertar do meu egoísmo, serei capaz de criar o Rosh (cabeça) do Partzuf? Suponhamos que temos um desejo sobre o qual construímos uma tela (Masach) e trabalhamos com a luz acima dela.

O que criamos acima é chamado de Rosh (cabeça), e abaixo está o Guf (corpo).

Nós nos esforçamos para reduzir o temor e a ansiedade que sentimos em relação ao nosso desejo. É sobre isso que aplicamos a primeira restrição, Tzimtzum Aleph (TA), e então construímos uma barreira e trabalhamos acima dela.

Como se sabe, o ângulo de incidência é igual ao ângulo de reflexão; portanto, na medida em que percebemos corretamente a luz vinda de cima, nessa mesma medida podemos trabalhar com ela.

Ao transferir o temor da “preocupação comigo mesmo” para o temor como “preocupação com os outros”, eu me incluo em seus desejos, o que se chama “amar o próximo”. Assim, construo o Rosh do Partzuf, e este se torna o elo entre mim e os outros. No Rosh, defino minha alma, que é construída acima do corpo, acima da tela. Nela, posso incluir o mundo inteiro e o Criador. É assim que funciona.

Portanto, como estudamos na “Introdução ao Livro do Zohar”, a preocupação pode ser interna e externa.

A preocupação consigo mesmo geralmente se transforma em ansiedade sobre o que me acontecerá neste mundo e no mundo vindouro. Essa preocupação é absolutamente incorreta, porque não existe “este mundo” nem “o mundo vindouro” — tal conceito simplesmente não existe.

Existe um mundo, um estado espiritual, no qual posso entrar ainda hoje. Chama-se Olam Haba, isto é, o mundo vindouro, o mundo que está por vir. No minuto seguinte, meu próximo estado, chama-se “mundo futuro”.

Portanto, devemos nos preocupar com os outros, incluindo o Criador, que se manifesta além da tela. É essa preocupação que determina o poder da alma.

Da Lição Diária de Cabalá de 20/10/13, sobre o tema “Grupo e Disseminação”