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Temos Livre Arbítrio?

760.4Pergunta: Se uma pessoa tem livre arbítrio, posso olhar para o meu passado e dizer que poderia ter feito algo diferente naquela época, que eu tinha liberdade de escolha?

Resposta: Não. Por que você pensaria assim? E quanto ao futuro, também não. E no presente? Em que tenho, neste momento, liberdade de escolha? Somente em me fortalecer, concordar, desejar a qualidade de doação, esforçar-me para que isso aconteça o mais rápido possível e exatamente como o Criador deseja.

Tenho liberdade de escolha, não na ação em si, mas na sua execução. Que ela se concretize, não de modo que eu a aceite sob pressão de ameaças e infortúnios, mas sim de forma que, por minha própria vontade, daqui para frente, eu deseje a sua realização.

O Criador já tem tudo planejado. Em relação às ações, em relação ao que nos acontecerá, não temos nenhuma liberdade. Tudo o que devo enfrentar está predeterminado.

Mas se eu não desejo esses estados, se não quero avançar rumo a uma doação cada vez maior, depois de ter decidido que, a partir deste momento, em cada etapa seguinte, serei ainda mais doador, então inevitavelmente revelo esses estados como sofrimento. Não tenho saída: avanço, mas sofro cada vez mais.

Ou, pelo contrário, se eu me convencer de que esses estados são bons e eficazes, de que os desejo antecipadamente, eles me serão revelados como bondade, como bem-aventurança, abundância e eternidade.

No entanto, as etapas pelas quais passo são obrigatórias. Posso determinar o ritmo, mas não posso evitar estar em cada um desses estados.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/03/26, Rabash, “O que significa ‘As boas ações dos justos são as gerações’ na Obra?”

O Domínio Da Doação

938.01Devemos sempre cortar as ervas daninhas ao nosso redor, pois elas nos afetam — devemos nos manter longe de ambientes ruins, de pessoas que não favorecem o caminho da verdade. Precisamos estar atentos para não sermos levados a segui-las.

Isso é chamado de “isolamento”, quando se tem pensamentos sobre a “autoridade única”, chamada de “doação”, e não sobre a “autoridade pública”, que é o amor-próprio. Isso é chamado de “duas autoridades” — a autoridade do Criador e a autoridade de cada um (Rabash, “Sobre a Importância da Sociedade”).

Tudo isso é claro; o problema surge apenas na implementação. Cada um de nós está sob sua própria autoridade e não entendemos o que significa estar sob a autoridade de outra pessoa. “Significa que devo me tornar um escravo? Se existe autoridade, então existe um dono?”

Na verdade, devemos estar sob a autoridade do desejo altruísta, e não do egoísta. É muito difícil para nós entendermos essas coisas. Simplesmente não vemos onde e como tudo isso acontece.

Mas, com o tempo, através do estudo e da participação na vida do grupo, se uma pessoa se deixa influenciar pela pequena luz, gradualmente começa a despertar. Então, torna-se capaz de discernir a verdadeira natureza da distinção entre autoridade pública e autoridade individual, a autoridade do Criador e a autoridade da criatura, a qualidade de doar e a qualidade de receber. Esses detalhes são revelados com grande dificuldade, mas, uma vez discernidos, a pessoa começa a compreender o que se desenrola diante dela.

“É um longo caminho”, disseram os sábios, “mas você pode encurtá-lo se seguir alguns conselhos”. O conselho é simples. Se você deseja se perceber em um nível superior, na próxima dimensão, então construa-o, forme-o. Una-se àqueles que desejam o mesmo e, juntos, invoquem a força superior, para que, entre vocês, em sua compreensão e sentimento comuns, criem uma rede que se tornará o próximo nível.

Tudo acontece na percepção de uma pessoa. O Criador em Si mesmo é inatingível; nós O percebemos apenas nas relações entre todas as partes da realidade que estão dentro da nossa percepção. Se você mudar sua atitude em relação à realidade, essa mesma atitude se tornará o seu Criador (Boreh), das palavras “Bo” (vir) e “Reh” (ver).

Neste momento, para você, o Criador é a força egoísta que governa toda a realidade que você vê. Nesta forma, você a percebe e a sente. Portanto, transforme-a através da luz que reforma. Existe uma força que você desperta; é o seu próximo nível.

Todos os graus já existem nessa dimensão, nesse “canal de força informacional” do qual você pode receber tudo. Conecte-se e receba. Se você quiser saber o que será o amanhã, você saberá. Se você quiser saber como realizar mudanças, você saberá como. Basta conectar-se. Esta é a luz que reforma.

Em geral, nossa abordagem é a seguinte: unir-nos uns aos outros e evocar a luz que concretizará essa unidade. Devemos demonstrar nossa prontidão de acordo com o estado em que nos encontramos e solicitar correções.

Para a implementação, é muito, muito simples. É por isso que os artigos de Rabash sobre o grupo são tão simples e diretos. São poucos, e todo o material cabe em algumas dezenas de páginas. Neles está o método completo. O resto são apenas complementos que ajudam a atrair a luz. Para descrever como organizar o grupo no qual atraímos essa luz, dez páginas são suficientes.

Assim, hoje nosso trabalho é, antes de tudo, nos organizarmos na estrutura correta e, em seguida, nos voltarmos com um pedido de correção.

Da Lição Diária de Cabalá 15/03/1 , Rabash, “Sobre a Importância da Sociedade”

Por Que O Criador Age Em Segredo?

592.01No artigo “A Noite da Noiva” (Introdução ao Livro do Zohar), afirma-se que a lei (uma condição da ordem espiritual) é tal que a criatura não pode perceber o Criador abertamente se estiver em um estado ou qualidade oposta a Ele.

Portanto, somente na equivalência de qualidades com o Criador podemos percebê-Lo, naquelas qualidades em que somos semelhantes a Ele em quantidade e qualidade. Pois é uma falha na glória do Criador que a criatura O perceba como um malfeitor, e o ser criado não seria mais capaz de permanecer conectado a Ele.

Por essa razão, o Criador age em segredo. Ele precisa despertar estados negativos em nós, mas não sentimos que eles vêm Dele. Embora, naturalmente, “não há outro além Dele”, e somente Ele faça isso. Como está escrito: “Quem faz a escuridão e cria a luz”.

Precisamos sentir a escuridão cada vez mais. Ela precisa ser constantemente revelada dentro de nós para que possamos corrigi-la e revelar a luz, o Criador, em seu lugar.

Assim, nosso trabalho consiste sempre em ocultar e revelar, ocultar e revelar. A ocultação do Criador produz escuridão; a revelação produz luz. Esses dois estados devem necessariamente se alternar. Nossa consciência deve ser direcionada para a compreensão de que ambos os estados são bons, que vêm do amor e são dirigidos precisamente a nós para que possamos alcançar a perfeição.

Se uma pessoa não estiver preparada, o estado de ocultação do Criador será sentido por ela como escuridão e maldade, como se o Criador estivesse se escondendo dela. Este é o maior castigo do mundo.

Assim, Sua orientação para o bem e para o mal nos foi prescrita, com a orientação da recompensa e da punição. Aquele que se esforça para não perder a fé no Criador, isto é, em toda situação, aconteça o que acontecer, se eu me esforçar para me manter constantemente consciente de que tudo o que acontece agora comigo, dentro de mim, fora de mim e em todo o mundo é governado pelo Criador, e se eu tentar permanecer nessa consciência apesar de sentir estados desagradáveis, alcançarei a recompensa: finalmente, o Criador será revelado a mim.

Mas se eu não quiser manter constantemente a ideia de que tudo vem do Criador, que tudo ao meu redor é apenas o Criador, que através de amigos, de estranhos, de pessoas próximas, de qualquer pessoa e de qualquer forma, através de bilhões de influências diferentes sobre mim, está brincando comigo, então, no fim, Ele desaparece dos meus sentimentos, e eu me separo da fé no Criador, do sentimento da Sua presença.

Somente a dezena pode manter cada um de nós em fé constante no Criador, em constante direção a Ele, em constante conexão com Ele, no pensamento constante de que tudo vem do Criador: Ele faz tudo, Ele me governa, e até mesmo meus pensamentos sobre Ele também vêm Dele.

Ou seja, quer eu queira ou não estar conectado a Ele, isso também vem Dele. E não importa se meus pensamentos são bons ou maus, se minhas ações são boas ou más. O principal é que eu as atribua a Ele. Isso é o mais importante.

Da Convenção Internacional de Cabalá, 07/09/19, Moldávia, Lição 4

Não É Masoquismo, Mas Uma Lei Da Natureza

594Nos foi dado o caminho da fé, que está acima da razão  (Rabash, “O Significado da Verdade e da Fé”).

A razão é o que sentimos e compreendemos, enquanto a fé é aquilo a que devemos nos elevar e aceitar acima da razão. Ou seja, não levar em conta nossas sensações e nossa razão  ao percebermos se algo é bom ou ruim para nós, mas sim aceitar que o Criador sabe melhor o que é bom e o que não é para nós.

Por exemplo, no nosso mundo, vamos ao médico. Pessoalmente, tenho muito medo de injeções. Já passei por muitas cirurgias e cortes, mas ainda assim tenho medo. Qualquer forma de correção ou cura é feita em carne viva. Devemos nos esforçar para alcançar um estado em que possamos suportar quaisquer mudanças, quaisquer correções, com alegria e sem dor.

Quando o Criador começar a nos curar, será agradável, alegre e doce para nós que isso esteja acontecendo, contanto que percebamos a importância do objetivo como maior do que a importância do nosso corpo animal.

Isso foi absolutamente verificado; é absolutamente certo!

Se uma pessoa se conecta com o objetivo, não importa quais sofrimentos passem pelo corpo, porque ela não os sentirá como sofrimento, mas apenas como alegria. Isso não é masoquismo; é simplesmente uma lei da natureza, porque o pensamento é superior ao desejo, superior à carne.

Da Convenção Internacional de Cabalá 07/09/19, Moldávia, Lição 4

Adesão Com O Criador A Cada Segundo

232.01Pergunta: Quando devo analisar se minhas ações são corretas ou não?

Resposta: A análise correta se dá quando, a cada segundo da sua vida, você se conecta ao Criador. “Vida” significa consciência. Eu estou vivo; sinto a mim mesmo e tenho uma missão. Como diz a canção: “Há apenas um instante entre o passado e o futuro; é esse instante que chamamos de vida”. Nesse instante, você deve se fundir com o Criador. É isso que Ele permite que você faça.

Dessa forma, você analisa o Reshimo (o gene informacional espiritual). Não há outro trabalho aqui. Se você se concentrar apenas nisso, será muito bom. Pois o passado e o futuro são como Klipot, já que nos chegam por meio de coisas inventadas. Eles geram em nós diversos cálculos e medos que não têm relação com a realidade.

Comentário: Mas uma pessoa tem que lidar com uma combinação de muitos fatores.

Minha Resposta: Não estou falando do que você faz no seu trabalho. Lá você trabalha com o plano inanimado: com pessoas, planos e assim por diante; lá você precisa saber como trabalhar. Estou falando das suas definições internas, qualidades espirituais, daquilo que está conectado com o Criador.

E com o Criador, o cálculo é simples: não tenho poder sobre o passado, o presente ou o futuro. Meu trabalho se resume ao que tenho agora. Qualquer Reshimo que Ele me der, devo agora realizar. E a minha realização desse Reshimo é a adesão ao Criador no instante em questão. Ponto final! É só isso.

Não estou dizendo que essa seja a maneira como devemos nos relacionar com a vida em geral, mas sim com nossos estados espirituais. No plano material, posso planejar meu trabalho com um mês de antecedência, um ano de antecedência. Uma coisa não está conectada com a outra. No trabalho, eu lido com o plano inanimado.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/03/26, Rabash, “O que significa ‘As boas ações dos justos são as gerações’ na obra?”

A Meditação Acalma O Egoísmo

564Pergunta: Por que a meditação oriental é tão popular?

Resposta: A meditação oriental é muito popular no mundo todo. Certa vez, visitei um grupo de americanos na Carolina do Norte, em um lugar extraordinariamente belo nas Montanhas Great Smoky. Eles têm uma enorme área de terra à disposição.

Eles recebem doações de diversas fontes que lhes permitem viver com muita modéstia, ter comida, um teto sobre a cabeça e meditar o tempo todo. Pediram-nos para não passar de carro nem mesmo por baixo das janelas para não os perturbar.

As pessoas ficam sentadas por horas sem o menor movimento; estão completamente imersas em si mesmas. A questão é: que ferramentas utilizam para analisar isso? Pelo que entendo da Cabalá, essas pessoas suprimem seu egoísmo, ou seja, deixam de usá-lo e buscam alcançar a paz plena.

Claro, esse é um desejo egoísta, mas pertence ao nível mais baixo e menor do egoísmo e, portanto, a pessoa sente certa liberdade da pressão habitual de uma enorme densidade egoísta. A meditação leva todos a um nível de egoísmo ao qual podem se entregar.

Portanto, a pessoa tem a impressão de estar alcançando uma revelação espiritual. Mas essa definição do mundo espiritual difere daquela dada pela ciência da Cabalá. As pessoas são capazes de investir muito esforço e tempo nessa meditação porque ela proporciona uma poderosa fonte de alimento para o ego e traz uma sensação de conforto e plenitude.

Não é uma tarefa fácil; exige que a pessoa se afaste da vida ativa, mas oferece recompensas substanciais. O grupo que vi na Carolina do Norte era composto por centenas de pessoas, homens e mulheres. Além disso, havia uma proibição de qualquer intimidade física entre homens e mulheres, o sexo era estritamente proibido.

O homem precisava elevar-se acima de todas as coisas materiais e prover ao corpo apenas o alimento necessário à sua existência, dedicando o resto à contemplação interior.

Já vi outros grupos semelhantes e me encontrei com sufistas na Inglaterra e nos EUA. Tive encontros com pessoas que tinham uma audiência regular de trinta milhões de ouvintes de rádio na América.

Para mim, é bastante claro o que acontece durante a meditação oriental. As pessoas suprimem tanto o seu egoísmo que ele quase deixa de ser sentido. Então têm a sensação de estarem flutuando no ar, acima de toda a natureza. Portanto, consideram-se já pertencentes ao mundo espiritual.

Curiosamente, muitas pessoas usam símbolos Cabalísticos em seus exercícios: por exemplo, letras do alfabeto hebraico, palavras especiais (mantras), os nomes do Criador “HaVaYaH”. Existem até mesmo muitas igrejas com “HaVaYaH” e a Estrela de Davi gravados em suas fachadas. A Estrela de Davi é um símbolo da união entre matéria e espírito.

Essa meditação é mais eficaz para hindus que conseguem se desconectar da vida a tal ponto que quase param de respirar. O corpo entra em hibernação interna, todos os seus sistemas desaceleram tanto que uma pessoa pode viver por muitos dias sem comida, água e quase sem oxigênio.

Pergunta: Em que mundo existe uma pessoa neste momento?

Resposta: Ela praticamente não existe. Quase não há vida em seu corpo, o metabolismo está praticamente parado, então ela não precisa de nada.

Pergunta: Isso não conta como transcender a matéria?

Resposta: Isso não é uma elevação espiritual. A elevação requer que a pessoa se liberte do poder do corpo, ou seja, do desejo de receber satisfação egoísta, e alcance o desejo de doar. Todas as técnicas orientais almejam isso, mas não conseguem porque não têm a força necessária para ascender ao próximo nível.

Elas apenas suprimem a força vital de uma pessoa para que ela sinta como se tivesse se elevado um pouco acima da vida material física, acima do nível animal. Embora já lhe pareça que este é um estágio espiritual, a ciência da Cabalá fala de um mundo espiritual completamente diferente.

De KabTV, “Nova Vida 509 – Meditação e Contemplação, Parte 1”, 25/01/15

A Terceira Força

232.09Pergunta: O senhor disse certa vez que um judeu e um romano são simplesmente duas forças tentando esclarecer a terceira força. Ou seja, eles se desenvolvem não sem um propósito. A terceira força nasce independentemente ou a partir dessas duas?

Resposta: A terceira força é intermediária entre elas, e é essa que agora devemos restaurar e trazer à existência.

Tudo o que aconteceu até este momento foi apenas uma preparação para o que devemos fazer agora: corrigir o mundo. Não os judeus, nem as outras nações, mas especificamente a nós mesmos, o que fazemos tomando a Cabalá como fonte de correção.

Pergunta: Essa terceira força já existe ou simplesmente não a percebemos?

Resposta: Devemos criar juntos essa terceira força porque ela não existe; ela não desce do alto. Somente duas forças vêm do alto: a força do Criador e a força da criação, a propriedade de doar e a propriedade de receber.

De KabTV, Eu Recebi uma Chamada. A verdade sobre a Realidade”, 08/10/10

É Difícil Ser Humano

224O ser humano deve escolher entre a verdade e a falsidade. Não há escolha entre o doce e o amargo; é evidente que sempre escolherei o que é bom e doce para mim, e não o que é mau e amargo. Não sou capaz de preferir um estado mau a um bom.

No entanto, se eu vir a verdade e a falsidade em oposição ao doce e ao amargo, é possível que eu escolha a verdade amarga, um sentimento ruim, porque a verdade é mais importante para mim.

Estes representam dois níveis diferentes: o nível animado (análise segundo o doce e o amargo) e o nível humano (análise segundo a verdade e a falsidade), onde a pessoa trabalha com a fé acima da razão.

Se você alcançar o cálculo único da verdade, dentro do qual todas as outras forças e possibilidades estão incluídas, significa que você atingiu a união com o Criador.

Mas se você avaliar apenas o doce e o amargo, essa é uma análise (escolha) animal. E um animal nunca comete erros em seu nível; ele sempre escolhe o que é bom para ele, mas não avança para o nível humano.

No entanto, a natureza não nos permite permanecer no nível animado; ela nos obriga a evoluir.

Nos níveis inanimado, vegetativo e animado da natureza, a análise do comportamento se reduz apenas à análise do doce e do amargo, com preferência pelo doce. Contudo, para o ser humano, existe uma diferença entre o nível animado dentro dele, com a análise do doce e do amargo, e o nível humano dentro dele, com a análise da verdade e da falsidade.

Portanto, o ser humano está em constante confusão entre o animado e o humano dentro de si, buscando o que escolher e procurando um meio-termo; ele deseja o doce, mas vê que o benefício reside na verdade.

Da Lição Diária de Cabalá 17/08/10, Baal HaSulam “Introdução ao Livro Panim Meirot uMasbirot

O Erro Do Nosso Mundo

232.1Todos os erros do nosso mundo, em todos os seus sistemas e religiões, residem no fato de as pessoas trazerem o espiritual para o material, rebaixarem a espiritualidade e acreditarem que existe alguma santidade em certas formas, objetos, artefatos e corpos. Beijam uma mão, beijam uma árvore, uma pintura, uma boneca. Aí reside toda a confusão que se apoderou da humanidade.

E por mais que o judaísmo tenha lutado contra isso (claro, não externamente, mas internamente), também não obteve muito sucesso com o povo. As pessoas recorrem a amuletos, cordões vermelhos, “água viva”, mudam de nome e se envolvem em todo tipo de coisa “milagrosa”.

Elas pensam que dessa forma atraem para si uma luz benevolente e abundância do alto. Por quais meios? Pelo fato de que, a partir de hoje, vamos chamá-lo, digamos, não de Misha, mas de Grisha? E daí? “Mas assim, do nada, isso traz sorte”. As pessoas usam a psicologia humana e as forças da natureza e pensam que isso é espiritual.

É claro que, dentro do âmbito deste mundo, podemos fazer muito através do poder de uma pessoa, até mesmo pelo poder do pensamento, pelo poder do desejo. Naturalmente, em nosso mundo ainda existem muitas leis. Não entendemos por que isso ou aquilo acontece e pensamos que vem do espiritual. Este é outro problema. É difícil revelar e distinguir.

Até mesmo aqueles que se dedicam à Torá pensam que seu estudo é algo espiritual. O que há de espiritual nisso? Desde a destruição do Templo, a espiritualidade permaneceu distante, separada de nós. “Não, nós estudamos, e isso é chamado de espiritual”. Mas a vida prova que não há nada de espiritual nisso. Observe o que está acontecendo com toda a nação. Portanto, a confusão é muito profunda.

Da Lição Diária de Cabalá de 16/03/26, Rabash, “O que significa ‘As boas ações dos justos são as gerações’ na Obra?”

Desfrute Da Doação

4Pergunta: Como pode uma pessoa (que é “algo a partir do nada”) alcançar o plano do Criador se ela não existia naquele estágio?

Resposta: Diz-se: “Pelas Tuas ações Te conheceremos”.

O que diz o segundo estágio do desenvolvimento do desejo? “Quero ser como Tu”, isto é, como Keter. Quando revela a ação de Keter de dentro de Chochma, diz: “Não quero ser como Chochma, não quero desfrutar de sua luz, mas quero ser como a raiz, como Keter, que dá prazer a Chochma”.

Então Bina deseja alcançar a mesma ação que Keter e realiza essa ação em Zeir Anpin, e ao doar como Keter, chega a compreender quais prazeres existem em Keter e deseja desfrutá-los precisamente. Portanto, Malchut deseja desfrutar do grau do Criador, do grau de Keter, que é Ele quem dá.

Vamos colocar desta forma: uma criança gosta do que a mãe lhe dá. Então ela pensa: “Quero dar prazer à minha mãe para que ela se sinta bem”. E ela faz algo pela mãe. Através disso, ela compreende o quanto a mãe gosta de lhe dar coisas.

O prazer da mãe ao dar um doce para o filho não é o prazer que ele sente com o doce em si, nem o prazer que ele transmite para a mãe. Ele entende que, para a mãe, esse prazer equivale a um milhão de doces. Então ele quer desfrutar exatamente desse prazer.

Isso significa que em Malchut, no quarto estágio, surge um desejo adicional que não existia antes. O ser criado alcançou esse desejo. Portanto, o quarto estágio é chamado de “Malchut” (reino); é um estágio que não procede diretamente do Criador e é a raiz dos seres criados. Ainda está conectado ao Criador, ainda repleto de luz, não separado dele, mas o desejo que nele existe não veio diretamente.

A criança percebeu: “Mamãe desfruta muito mais aquele doce que me dá porque me ama, quer me dar, tem uma generosidade imensa. Então eu quero desfrutar como mamãe desfruta”.

Portanto, para esse desejo adicional, que não provém diretamente do estágio raiz, a criação não pode colocar uma barreira. Ela não pode agora dizer: “Mas eu quero doar, eu quero ser como Ele”. Ela não pode, ela é incapaz.

Agora, deseja desfrutar da doação da mesma forma que o Criador a desfruta, mas quer experimentar esse prazer em seu desejo de receber. Portanto, o ser criado só é capaz de impor uma restrição.

Aqui surge uma questão séria: de onde ele pode tirar a força para a restrição? Em outras palavras, aqui se revela a diferença entre ele e o Criador, chamada “vergonha”, e o ser criado faz a restrição.

Da Lição Diária de Cabalá 19/03/26, Rabash, “Sobre Chesed [Misericórdia]”