Passado, Presente, Futuro

294.4No mundo corpóreo, existem três categorias de tempo: passado, presente e futuro. No mundo espiritual, porém, não existe tempo, mas sim uma ordem de ações, graus ou estados, nos quais a pessoa revela onde realmente se encontra.

Cada estado pelo qual uma pessoa passa faz parte desse estado eterno e perfeito em que de fato existimos. Mas a atitude em relação a um estado deve vir dos dois graus mais próximos: do grau anterior e do grau futuro. É o que se chama de “do passado e do futuro”.

Tudo depende da conexão que uma pessoa tem com os graus superiores e inferiores em relação ao seu estado atual, de modo que tudo se manifeste no presente. Ela extrai confiança do passado, constrói a fé no futuro a partir dele, regozijando-se no próximo estado, absorvendo a luz circundante do mundo futuro que brilha para ela no presente, e dessa forma constrói os estados pelos quais passa.

Portanto, quando não conseguimos enxergar o futuro, nem mesmo compreendemos o estado em que nos encontramos, e não sabemos como utilizar corretamente o passado, mas buscamos nos relacionar de forma intencional com esses três estados, com esses três tempos, então podemos estar sempre em ascensão, em inspiração, com a força para usar cada minuto unicamente em prol do objetivo, e assim encurtar o tempo.

Estamos constantemente sob o domínio das luzes ou dos vasos, o que significa que ou as Reshimot dos vasos se revelam em nós, ou as luzes que neles brilham. Quando as luzes brilham nos Kelim, não temos dificuldade em lidar com nossos estados, porque estes já são estados que merecemos após correções em cada nível.

Mas se ainda estivermos na iluminação de Malchut, esse estado ilumina para nós o vazio e a imperfeição, que se expressam como falta de confiança, sofrimento, medos e todos os tipos de deficiências de realização.

Contudo, se em vez de se apegar ao vaso, a pessoa se voltar para as luzes futuras que estão destinadas a se revelar neste Kli e tentar se conectar com o futuro, com as luzes circundantes, então elas brilharão imediatamente para ela em seu presente, e ela estará em comunhão com o Criador mesmo nos piores estados. Assim, em cada estado, temos a oportunidade de nos conectar com as luzes, com o doador, e não com os vasos, com as deficiências.

Portanto, seja qual for o meu estado, seja um estado de falta de perfeição e de plenitude, ou, ao contrário, de plenitude e trabalho na linha correta, cada estado é determinado por um único critério. Ele deve ser o mais elevado possível e permitir-me estar em adesão com o Criador. E se, apesar de todos os prazeres que me preenchem, eu também puder permanecer em adesão com o Criador, não há razão para que esses prazeres desapareçam.

Da Lição Diária de Cabalá 31/01/26, Rabash, “Três Tempos na Obra”