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Compreendendo O Zohar


O Zohar conta-nos o que acontece no mundo espiritual. Ele descreve as acções de doação da criatura. Todavia, como nós somos incapazes de tais acções por agora, somos incapazes de as compreender. Existimos no nosso desejo egoísta. Apenas sabemos sobre receber prazer e preenchimento, e as acções que nos levam até lá.

Desta forma, as acções descritas por O Zohar parecem-nos que estão escritas em certa língua estrangeira, como um código secreto. Ele parece-nos falar sobre algo totalmente surreal. Não importa o se ele está escrito na linguagem da Cabalá, com Sefirot, Partzufim, e mundos, ou em alegorias do gênero de contos de fadas, com o sol, a lua, montanhas, pessoas, animais e etc. Nós não compreendemos ou sentimos nada disso, porque não existimos na qualidade (isto é, natureza) de doação, mas na qualidade de recepção.

Se as nossas qualidades egoístas corpóreas fossem substituídas de Cima pelas qualidades espirituais de amor e doação, imediatamente compreenderíamos o que O Zohar nos está a contar. À medida que o lêssemos, iríamos revelar o Mundo Superior. Ele não seria apenas revelado na nossa imaginação como quando lemos um romance de aventura, mas na realidade.

Embora ainda não tenhamos estas qualidades espirituais e o texto permaneça surreal a nós, a nossa leitura de O Livro do Zohar é chamada Segula, um remédio especial. Mesmo que não o compreendamos, lemos-o e tentamos atrair para nós as forças que o outro mundo descreveu no livro. Ao desejar a mudança e sentir o texto, ele “brilha” sobre nós com a “Luz que Corrige,” (Ohr Makif – a Luz Circundante).

Esta força influencia-nos e revela novas qualidades de doação dentro de nós, que são descritas por O Zohar. Ele foi escrito na natureza de doação, não da recepção, e assim só pode ser compreendido ao manter a natureza de doação.

Revelando A Quebra


Uma pergunta que recebi: Como poderia Aba ve Ima (pai e mãe) permitir a quebra dos Kelim, dado que foi culpa deles que isso ocorreu? Em outras palavras, será que eles permitiram que a Luz descesse devido a tanto amor?

Minha Resposta: Não, este não foi um caso de demasiado amor, ou de falta de compreensão ou fraqueza associados a uma mãe que é excessivamente cuidadosa. A razão foi a falta de conhecimento do único fator que era impossível prever antes do tempo.

Aba ve Ima (pai e mãe) não sabiam que quando a conexão com o Criador fosse revelada ela poderia trazer tal tremendo prazer à criatura. Contudo, a criatura não tinha uma tela (a intenção correcta para o receber).

Recordemos o exemplo do hóspede e do anfitrião. O anfitrião quer tratar o hóspede do fundo do seu coração, porque o ama. O hóspede, porém, recusa e, finalmente, concorda ser tratado apenas para agradar ao anfitrião. Desta maneira, o hóspede expressa o seu amor ao anfitrião, em vez de simplesmente satisfazer o seu próprio apetite, embora ele esteja muito esfomeado.

A pessoa que quer amar o Criador e dar tudo o que tem para Ele, vê os presentes preparados para ela e sabe que ela os irá obter; todos os prazeres desta mesa já foram experimentados. Todavia, ela retribui o Anfitrião com tudo o que recebeu D’Ele.

Ao o fazer, a pessoa descobre a quem ela quer verdadeiramente dar de volta. Ela revela a grandeza do Criador, assim como um tremendo prazer originado da conexão entre a pessoa e o Criador. E ela não tem poder de resistir a esse prazer. Este estado é impossível de se imaginar antes de recebermos a Luz (o presente). Ao agir assim, a pessoa gradualmente sobe ao nível do Criador e chega a receber o status do Anfitrião.

Além do mais, esta sensação não podia ser revelada no início, porque o Criador queria que a criatura fizesse esta revelação independentemente, de forma a alcançar este status por si mesma. Todas as outras acções da criatura não são independentes, uma vez que elas simplesmente se revelam através da corrente das Reshimot (seus genes informativos internos).

O ponto da livre acção por parte da criatura reside em alcançar o status do Criador, assim como fazer todas as revelações que acompanham este processo. Este ponto de livre acção é revelado precisamente por virtude da quebra dos recipientes (vasos) – Shevirat Kelim.

O Criador não pode dar esta realização directamente à criatura, mas apenas por meio de um “desvio”; para que a criatura faça esta descoberta por si mesma e quebre. Quebrar significa que a pessoa compreende que não o pode fazer por si mesma, porque está além dela. A pessoa é incapaz de dar tanto e sacrificar tal tremendo prazer. Então, ocorre uma quebra.

Depois da quebra, a pessoa adquire a chance de alcançar este status. Isso acontece gradualmente, em porções pequenas, com a excepção do “coração de pedra” – o ponto no qual o prazer de alcançar o status do Criador está concentrado no momento da quebra. Porém, finalmente, até mesmo este ponto é corrigido.

Em outras palavras, a quebra é a grande revelação do abismo que separa o Criador da criatura, o qual Criador não permite à criatura sentir directamente. É por isso que a criatura se deve quebrar e revelar o seu mal.

Criando Um Recipiente Unificado Para a Luz


Uma pergunta que recebi: Você disse que O Zohar pode apenas ser estudado quando você se torna uma parte do recipiente (vaso) da alma comum. Como é que eu me torno parte dele?

A Minha Resposta: Uma pessoa não consegue fazer nada por si própria; isso é trabalho do Criador. Você deve apenas esperar que Ele faça isto, isto é, desejar, esperar, e influenciar as cosias de tal maneira que faça isto acontecer, o quanto você for capaz. Você tem de colocar toda a sua energia nisto e esperar que a salvação do Criador venha. Isto é tudo o que podemos fazer.

Nós estamos à volta do Monte Sinai e a gritar, como está escrito, “Os filhos de Israel gritaram do trabalho”. A união do desejo comum atrai a Luz Circundante de acordo com o principio da equivalência de forma, porque a Luz Circundante vem de uma fonte. Quando desejamos tornar-nos como um homem, de forma a revelarmos o recipiente (vaso) comum da alma (o Kli), então ele torna-se revelado.

Nós temos de nos preparar para o Congresso em Fevereiro, para que sejamos capazes de unir o nosso desejo e revelarmos um desejo comum. Ele só pode ser revelado dentro de todos juntos, dentro de toda a nação, que inclui homens e mulheres. É sobre isso que lemos na história sobre a recepção da Torá no sopé do Monte Sinai, assim como no êxodo do Egipto. Está escrito que isto se tornou possível graças às mulheres justas.

Todos os nossos desejos têm de se unir, venham eles da esquerda ou da direita, sejam eles grandes ou pequenos – eles têm de se tornar como um. Esperamos que quando aceitarmos esta acção mútua, revelemos um desejo suficiente para ser influenciado pela Luz Circundante.

Reunindo As Peças da Perfeição Quebrada


Após a quebra da alma comum, uma parte da minha alma permaneceu no Mundo Infinito, onde está conectada com todas as outras partes. Quando eu me corrijo agora, eu corrijo aquela pequena parte da conexão com todas as outras, mais do que corrigir a pequena parte mesma.

Inicialmente, todos os nossos desejos estavam conectados pela força da Luz, a Força Superior. Eu não era consciente de minhas ações então; eu estava doando aos outros e recebendo deles também porque a Luz nos guiava a fazer isso. Assim é que existíamos no Mundo Infinito – o Kli (vaso) de Keter estava preenchido com a Luz de Nefesh, e o Kli (vaso) foi mantido nessa condição pela força da Luz Superior.

Porém, agora não é suficiente para nós estarmos simplesmente conectados. Quando retornamos àquela condição depois da quebra, com cada um de nós sendo um pequeno vaso de desejo (Kli), nós entendemos o sistema inteiro, o completo corpo comum da alma. Ganhamos consciência dele e compreendemos todo o infinito, e adquirimos o conhecimento de como nos conectar com as outras partes, como doar a elas, e dar-lhes vida.

Assim, a quebra foi necessária para que todos se mesclassem com todos os outros e para que cada um de nós tivesse os registros de informação (Reshimot) necessários. Agora, que começamos a despertar depois da quebra, todos estamos começando a sentir como essa mútua inclusão está emergindo em nós numa forma corrupta, expressa como um abominável ódio a todos. Se nós não nos corrigirmos, não haverá nenhuma pessoa no mundo que você queira que esteja viva. Mesmo que essa pessoa não o incomode diretamente, você ainda vai querer que ela morra.

Esse vai ser o sentimento comum a todos; todos nós iremos desejar que os outros desapareçam porque cada pessoa inclui tudo que está nesse desejo quebrado. A única saída é corrigir esse sistema.

A Luz de Hassadim é Tudo Que Precisamos

Uma pergunta que recebi: Por que eu não posso revelar a Luz de Hochma?

Minha Resposta: Porque você não tem a Luz de Hassadim. Você só tem o desejo de receber, o qual não se sente bem na Luz de Hochma, porque não pode receber prazer dela. A Luz de Hochma não pode ser sentida nos desejos egoístas. Ela só pode ser revelada na presença da Luz de Hassadim, a sua intenção de doar (Biná das quatro fases da Luz Direta).

Você pode ter um Kli infinito com Luz de Hochma infinita dentro dele, mas se você não tem a Luz de Hassadim, você experimentará uma completa escuridão, um estado chamado de “inferno”. Até mesmo um pequeno brilho da Luz de Hochma sem Hassadim é sentida como sofrimento, doença, desastres e crises.

Nós recebemos uma pequena sensação da Luz de Hochma na Luz de Hassadim através da misericórdia do Criador. Isso nos dá uma sensação de vida, para que sejamos capazes de existir e nos desenvolver com o livre-arbítrio, a fim de adquirirmos a Luz de Hassadim e alcançarmos a revelação plena da Luz do Hochma.

O Criador nos desenvolve “brincando” conosco. Quando Ele brilha sobre nós com a Luz de Hochma, nós nos sentimos mal, mas isso ocorre a fim de compreendermos que necessitamos da Luz de Hassadim (a tela, Ohr Hozer, a Luz Refletida, a intenção de doar e amar). Então, nós revelaremos a Luz de Hochma na Luz de Hassadim, refletida pela tela.

Com o tempo, à medida que a pessoa recebe golpes, dependendo da quantidade da luminescência de Hochma, ela começa a se perguntar: “Por que estou sofrendo? O que está acontecendo? Qual é o sentido da minha vida?”. Então, essa pessoa é levada até o grupo, o professor, e o estudo da ciência Cabalística, onde gradualmente descobre que a única coisa que ela precisa é a Luz de Hassadim.

É por isso que a ciência Cabalística nos ensina a construir a tela de doação (a intenção de doar e amar, Ohr Hassadim). Na medida em que formos capazes de doar, o Criador também nos será revelado como Aquele que Doa, como no exemplo do hóspede e do anfitrião.

Sintonize A Luz Que Está No Zohar


Uma pergunta que recebi: Como eu posso entrar em sintonia com a Luz que Corrige ao estudar O Zohar?

A Minha Resposta: A Luz que Corrige é a força de doação que vem de Cima e constrói as qualidades de doação por cima do nosso desejo de receber. Porém, como podemos atrair essa força se só pensamos egoisticamente sobre querer doar? Isso não vai ajudar. Em vez disso, temos de nos sintonizar com o sistema que nos influencia.

A nossa alma deve receber a influência da Luz Circundante. É por isso que nos foi dado O Livro do Zohar, que nos conta todo tipo de história: sobre o burro e a serpente, as diferentes nações, as três linhas, Zeir Anpin e Malchut, o Templo, e muitas outras coisas. Eu não sei com qual desejo estou trabalhando agora, e se tenho a intenção correta; porém, quando leio O Zohar com a atitude correta, ele funciona como um sistema de conexão entre a minha alma e o Sistema Superior.

Existe um Sistema Superior no qual a minha alma já está incluída num estado totalmente corrigido; por enquanto, a minha alma não corrigida está abaixo. Estes dois sistemas têm uma estrutura idêntica. A única diferença entre eles é o uso do desejo, ou seja, a intenção, que determina como o desejo é usado. À medida que eu corrigir o meu desejo, a minha alma se expandirá, a partir de um ponto, e desejos novos e ocultos emergirão. Mas eu preciso de um mecanismo para conectar-me a estes dois estados.

 

O Livro do Zohar funciona como um elo de ligação. Quando eu o leio corretamente, eu revelo esta conexão. Tudo o que tenho a fazer é tentar imaginar-me na forma corrigida. Eu tenho que entrar em sintonia com o texto e começar a viver dentro dele. Eu devo desejar que ele me “cubra”, e assim eu serei o protagonista de tudo que está sendo descrito ali. Ele só fala sobre eu e a minha batalha interior contra o meu ego corrompido, em que eu estou lutando por uma chance de ser semelhante ao Criador. Todas as qualidades e os personagens são eu; tudo está dentro de mim.

Se eu me preparar assim para ler O Zohar, eu atrairei proativamente a Luz Circundante.

“E a Escuridão Brilhará Como a Luz”

Uma pergunta que recebi: Qual a diferença entre a escuridão e a Luz na espiritualidade?

Minha Resposta: Quando a pessoa atrai a Luz de Hassadim para a  escuridão, ela revela que a escuridão é a luz de Hochma. É assim que a Cabalá define a diferença entre a escuridão e a Luz.

A Noite é quando a Luz de Hassadim está ausente, e o dia é quando a Luz de Hassadim está presente. A Luz de Hochma está sempre presente porque Hochma é essencialmente o Criador.

Portanto, ela sempre brilha 100%. Porém, depois do Tzimtzum Alef, a Luz de Hochma é revelada apenas na medida em que a Luz de Hassadim (com a intenção de doação) é gerada pela pessoa.

Portanto, a escuridão e o sofrimento que sentimos hoje também são provenientes do Criador. Eles significam que a Luz Superior está se aproximando de nós, mas nós a sentimos como escuridão, mal, e  problemas, porque ainda estamos opostos a ela.

Nossa Vida Inteira É Um Jogo Do Superior Com O Inferior


Todos os nossos problemas na vida são causados pela Luz Superior que nos influencia. Nós sentimos isso como escuridão ao invés de Luz dentro de nossos desejos egoístas (são os Kelim não corrigidos), e nos perguntamos: “Por que nos sentimos tão mal?” Em essência, estamos perguntando sobre a razão do nosso estado. Para encontrar a resposta, temos que revelar que a razão é a oposição de nossas qualidades ao Nível Superior (o AHP do Superior). Na medida em que avançamos espiritualmente, nossa pergunta gradualmente muda até que finalmente pedimos ao Superior: ”Mostre-me o que fazer!” E nós aceitamos qualquer condição que Ele nos dá.

Hoje, pela primeira vez na história, nós nos tornamos conectados dentro de uma conexão egoísta global, que nos fez opostos ao Criador. Antes disso, cada um de nós desenvolveu-se individualmente por milhares de anos e não éramos opostos ao Nível Superior (o AHP do Superior), porque Ele (a Força Governante) é uma e indivisível, enquanto nós (aqueles que são governados) estávamos desconectados uns dos outros. Agora, no entanto, conectando-nos a um único sistema, estamos revelando nossa oposição ao Superior (ou o AHP do Superior). Ele é um, e temos que nos tornar um também, mas opostos a Ele. Ele é uma expressão da nossa forma corrigida, que vemos contra nosso egoísmo não corrigido, a forma egoísta. Isso é por causa dessa oposição que sentimos a crise e o sofrimento.

Depende de nós desejar a mudança e pedir ao Superior que nos corrija e nos faça semelhantes a Ele. Então seremos preenchidos com a sensação da Luz (um sentimento de doação e amor) e subiremos ao nível do Superior.

Nosso sucesso nesse caminho e nossa habilidade para fazê-lo rápido e agradável depende de quão meticulosamente manteremos em mente que tudo que acontece no mundo é uma peça do Criador com a pessoa, um jogo do Superior com o inferior.

Um Dispositivo Para Revelar a Luz Superior


O Livro do Zohar foi ocultado das pessoas por um longo tempo. Apenas algumas almas escolhidas (Cabalistas) usavam e o passavam de uns para os outros, formando uma linhagem.

O livro foi revelado a estranhos quando a viúva do Cabalista Moshe de Leon o vendeu juntamente com outros livros que pertenciam ao seu marido. Foi nessa altura que os Cabalistas começaram a proibir o seu estudo e criaram restrições rígidas para repelir as pessoas dele. Entretanto, eles continuaram a estudar este livro, a fim de corrigir suas almas, e também ensinaram outros discípulos que tinham um ponto em seus corações. Se, no entanto, uma pessoa não tivesse um ponto no coração e não se esforçasse para revelar a espiritualidade, então ela era proibida de abrir este livro.

Hoje, a humanidade como um todo chegou a um estágio de desenvolvimento onde O Zohar pode ser aberto por qualquer pessoa; não há perigo em fazê-lo. Primeiro de tudo, isto se deve ao “Sulam” do Baal HaSulam, um Comentário sobre O Zohar, e segundopor, por causa do atual nível de desenvolvimento das almas. O egoísmo humano tornou-se tão grosseiro, agressivo e corporal que, se a pessoa não tem um ponto no coração, ela não se interessará pelo Livro do Zohar.

Sem dúvida, este livro é o único recurso capaz de corrigir a alma. Nós ainda não entendemos completamente que ferramenta maravilhosa ele é. Nós ainda não sentimos uma única palavra dele e não utilizamos a Luz que, supostamente, chega até nós quando lemos este livro. N[os ainda não estamos conectados a este sistema operacional; nós simplesmente lemos as palavras sem compreender o seu significado.

Quando entendermos que tipo de sistema ele é, nos conectarmos a ele e começarmos a usá-lo, então O Zohar revelar-se-á para se tornar a Malchut do Mundo do Infinito para nós. Assim como um embrião, nós entraremos no útero espiritual que se tornará o nosso mundo, e continuaremos a crescer, ascendendo de um mundo para outro até alcançarmos a Malchut do Mundo do Infinito. Isto é o que O Livro do Zohar significa – é uma revelação progressiva que funciona desta forma.

Nós não entendemos o que é um livro sagrado. Ele é realmente um dispositivo para revelar a Luz Superior!

Página Diária 25.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

O Sistema Espiritual: Como Ele funciona?

Muitas vezes nós falamos de que como existe um Criador e uma criatura, que deve haver uma conexão entre eles, e que ambos devem chegar a um estado onde eles se encontrem. Mas como isso é possível se a criatura só recebe, ao passo que o Criador só doa? Isso pode ser demonstrado através do exemplo bem conhecido do anfitrião e do convidado. O Criador, o anfitrião, quer dar e, portanto, leva comida e bebidas à criatura, prepara cinco pratos para ela. A criatura não quer receber os pratos, mas finalmente diz: “Eu receberei só com o propósito de doar ao Criador”; assim, ela se aproxima da mesa e prova os pratos. Este é o lugar onde eles se reúnem em doação mútua – o Criador doa prazer à criatura, enquanto a criatura recebe o prazer, a fim de provocar satisfação no Criador.

Como é que esse princípio se manifesta no sistema dos mundos? O local onde as almas existem, é chamado de Mundos de “Beria“, “Yetzira“, e “Assiya” (Mundos de BYA). Abaixo está este mundo – o lugar que estamos agora. Se percebermos o ponto no coração que desperta em nós, seremos capazes penetrar o estado onde as almas estão, os mundos de BYA.

As almas que existem no mundo da BYA estão quebradas, ou seja, ainda não estão corrigidas. Este é um estado que eu alcanço depois que começo a trabalhar com meu ponto no coração, e descubro que o meu estado está quebrado, que eu não quero me conectar com os amigos, com os outros, que eu odeio todo mundo. E, na verdade, eu também odeio o Criador da mesma forma, só que eu não sei disso, e também não admito isso. Tal estado é chamado de “o reconhecimento do mal”.

Mas graças ao trabalho no grupo, com o professor e os livros, eu desperto em mim a importância da meta. Portanto, existem dois extremos em mim – o reconhecimento do mal e a importância da meta; e a partir daí eu começo a gritar, a pedir. Este pedido eleva-se acima do limite denominado “o Parsa“, que é a condição de que meu pedido será realmente para doação, para a correção.

E se este for o meu desejo, então não haverá mais o Parsa, não haverá diferença, ou uma parede entre mim e o sistema chamado “Malchut“, “Nukva“, ou “Knesset Israel“, e eu estou incluído nele. Este é o local mais elevado que as almas podem alcançar, e então “Malchut” se conecta com o Partzuf chamado “Zeir Anpin“, ou” o Criador “. Ou seja, se Malchut recebe de mim algum tipo de déficit para a correção, ela levanta esse último ao Criador, e de lá recebe a Luz.

Então, esta Luz vem até mim, corrige-me, e me permite entrar novamente nesse sistema na versão corrigida, integrar-me dentro dele, estar em contato com o Criador.

Em outras palavras, na primeira vez o pedido é “dá-me força para doar”, e na segunda vez, quando esta força já está em meu poder, depois de eu ter me corrigido, eu já me elevo e existo num nível mais elevado. É sobre isso que O Livro de Zohar fala. Mas a verdade é que não importa o quanto nós sabemos ou compreendemos, mas sim que a coisa mais importante é nos esforçarmos de algo forma em adentrar os estados que ele fala. A entrada para a espiritualidade se assemelha às ações de um bebê na materialidade ─ assim como o bebê não sabe nada, e entra, ouve, e está incluído em tudo de maneira ingênua, nós também devemos nos esforçar durante a leitura para entrar no mundo que O Zohar fala.

Antecipando a Chegada da Luz

A pessoa pode começar a assistir às aulas do Zohar enquanto estamos no meio do livro ─ isso não importa. Se a pessoa que lê O Zohar não conseguir que a Luz que está dentro dele brilhe em cima dela e abra sua alma, então não importa onde e o que lê, porque ela não sabe do que se trata. Eu só explico um pouco a fim de delinear algum tipo de orientação, a fim de concentrá-lo; mas até que o livro seja aberto, nada do texto escrito será compreendido.

Talvez nós possamos dizer que entendemos alguma coisa, mas esse não é o objetivo. O nosso objetivo é que a Luz que nos dê a força de doação. Na medida em que eu alcanço a força de doação, a força de Hassadim (misericórdia), eu posso receber a Ohr Hochma (Luz da Sabedoria). A Ohr Hochma é a visão: a capacidade de ver, de sentir o mundo espiritual, o Criador, a alma, o meu estado eterno e completo. Por conseguinte, durante o estudo do O Zohar eu devo apenas antecipar a chegada da Luz. Se ela não vier, então, mesmo sabendo este livro de cor, isso não ajudará.

Isto é, o objetivo da minha leitura é apenas receber do livro, do estudo, do grupo, de todos, algum tipo de projeção, a inspiração que me transformará, que me dará força para doar. E se for meu direito, eu começarei a sentir a espiritualidade. É possível que muitos dos nossos telespectadores não entendam uma palavra sequer do O Zohar, e é possível que alguns deles pensem que são muito espertos ─ não há diferença entre eles. Toda a diferença reside no desejo de que o mundo espiritual se abrirá. E se isso existe: esta é a coisa mais importante.