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Sintonize A Luz Que Está No Zohar


Uma pergunta que recebi: Como eu posso entrar em sintonia com a Luz que Corrige ao estudar O Zohar?

A Minha Resposta: A Luz que Corrige é a força de doação que vem de Cima e constrói as qualidades de doação por cima do nosso desejo de receber. Porém, como podemos atrair essa força se só pensamos egoisticamente sobre querer doar? Isso não vai ajudar. Em vez disso, temos de nos sintonizar com o sistema que nos influencia.

A nossa alma deve receber a influência da Luz Circundante. É por isso que nos foi dado O Livro do Zohar, que nos conta todo tipo de história: sobre o burro e a serpente, as diferentes nações, as três linhas, Zeir Anpin e Malchut, o Templo, e muitas outras coisas. Eu não sei com qual desejo estou trabalhando agora, e se tenho a intenção correta; porém, quando leio O Zohar com a atitude correta, ele funciona como um sistema de conexão entre a minha alma e o Sistema Superior.

Existe um Sistema Superior no qual a minha alma já está incluída num estado totalmente corrigido; por enquanto, a minha alma não corrigida está abaixo. Estes dois sistemas têm uma estrutura idêntica. A única diferença entre eles é o uso do desejo, ou seja, a intenção, que determina como o desejo é usado. À medida que eu corrigir o meu desejo, a minha alma se expandirá, a partir de um ponto, e desejos novos e ocultos emergirão. Mas eu preciso de um mecanismo para conectar-me a estes dois estados.

 

O Livro do Zohar funciona como um elo de ligação. Quando eu o leio corretamente, eu revelo esta conexão. Tudo o que tenho a fazer é tentar imaginar-me na forma corrigida. Eu tenho que entrar em sintonia com o texto e começar a viver dentro dele. Eu devo desejar que ele me “cubra”, e assim eu serei o protagonista de tudo que está sendo descrito ali. Ele só fala sobre eu e a minha batalha interior contra o meu ego corrompido, em que eu estou lutando por uma chance de ser semelhante ao Criador. Todas as qualidades e os personagens são eu; tudo está dentro de mim.

Se eu me preparar assim para ler O Zohar, eu atrairei proativamente a Luz Circundante.

“E a Escuridão Brilhará Como a Luz”

Uma pergunta que recebi: Qual a diferença entre a escuridão e a Luz na espiritualidade?

Minha Resposta: Quando a pessoa atrai a Luz de Hassadim para a  escuridão, ela revela que a escuridão é a luz de Hochma. É assim que a Cabalá define a diferença entre a escuridão e a Luz.

A Noite é quando a Luz de Hassadim está ausente, e o dia é quando a Luz de Hassadim está presente. A Luz de Hochma está sempre presente porque Hochma é essencialmente o Criador.

Portanto, ela sempre brilha 100%. Porém, depois do Tzimtzum Alef, a Luz de Hochma é revelada apenas na medida em que a Luz de Hassadim (com a intenção de doação) é gerada pela pessoa.

Portanto, a escuridão e o sofrimento que sentimos hoje também são provenientes do Criador. Eles significam que a Luz Superior está se aproximando de nós, mas nós a sentimos como escuridão, mal, e  problemas, porque ainda estamos opostos a ela.

Nossa Vida Inteira É Um Jogo Do Superior Com O Inferior


Todos os nossos problemas na vida são causados pela Luz Superior que nos influencia. Nós sentimos isso como escuridão ao invés de Luz dentro de nossos desejos egoístas (são os Kelim não corrigidos), e nos perguntamos: “Por que nos sentimos tão mal?” Em essência, estamos perguntando sobre a razão do nosso estado. Para encontrar a resposta, temos que revelar que a razão é a oposição de nossas qualidades ao Nível Superior (o AHP do Superior). Na medida em que avançamos espiritualmente, nossa pergunta gradualmente muda até que finalmente pedimos ao Superior: ”Mostre-me o que fazer!” E nós aceitamos qualquer condição que Ele nos dá.

Hoje, pela primeira vez na história, nós nos tornamos conectados dentro de uma conexão egoísta global, que nos fez opostos ao Criador. Antes disso, cada um de nós desenvolveu-se individualmente por milhares de anos e não éramos opostos ao Nível Superior (o AHP do Superior), porque Ele (a Força Governante) é uma e indivisível, enquanto nós (aqueles que são governados) estávamos desconectados uns dos outros. Agora, no entanto, conectando-nos a um único sistema, estamos revelando nossa oposição ao Superior (ou o AHP do Superior). Ele é um, e temos que nos tornar um também, mas opostos a Ele. Ele é uma expressão da nossa forma corrigida, que vemos contra nosso egoísmo não corrigido, a forma egoísta. Isso é por causa dessa oposição que sentimos a crise e o sofrimento.

Depende de nós desejar a mudança e pedir ao Superior que nos corrija e nos faça semelhantes a Ele. Então seremos preenchidos com a sensação da Luz (um sentimento de doação e amor) e subiremos ao nível do Superior.

Nosso sucesso nesse caminho e nossa habilidade para fazê-lo rápido e agradável depende de quão meticulosamente manteremos em mente que tudo que acontece no mundo é uma peça do Criador com a pessoa, um jogo do Superior com o inferior.

Um Dispositivo Para Revelar a Luz Superior


O Livro do Zohar foi ocultado das pessoas por um longo tempo. Apenas algumas almas escolhidas (Cabalistas) usavam e o passavam de uns para os outros, formando uma linhagem.

O livro foi revelado a estranhos quando a viúva do Cabalista Moshe de Leon o vendeu juntamente com outros livros que pertenciam ao seu marido. Foi nessa altura que os Cabalistas começaram a proibir o seu estudo e criaram restrições rígidas para repelir as pessoas dele. Entretanto, eles continuaram a estudar este livro, a fim de corrigir suas almas, e também ensinaram outros discípulos que tinham um ponto em seus corações. Se, no entanto, uma pessoa não tivesse um ponto no coração e não se esforçasse para revelar a espiritualidade, então ela era proibida de abrir este livro.

Hoje, a humanidade como um todo chegou a um estágio de desenvolvimento onde O Zohar pode ser aberto por qualquer pessoa; não há perigo em fazê-lo. Primeiro de tudo, isto se deve ao “Sulam” do Baal HaSulam, um Comentário sobre O Zohar, e segundopor, por causa do atual nível de desenvolvimento das almas. O egoísmo humano tornou-se tão grosseiro, agressivo e corporal que, se a pessoa não tem um ponto no coração, ela não se interessará pelo Livro do Zohar.

Sem dúvida, este livro é o único recurso capaz de corrigir a alma. Nós ainda não entendemos completamente que ferramenta maravilhosa ele é. Nós ainda não sentimos uma única palavra dele e não utilizamos a Luz que, supostamente, chega até nós quando lemos este livro. N[os ainda não estamos conectados a este sistema operacional; nós simplesmente lemos as palavras sem compreender o seu significado.

Quando entendermos que tipo de sistema ele é, nos conectarmos a ele e começarmos a usá-lo, então O Zohar revelar-se-á para se tornar a Malchut do Mundo do Infinito para nós. Assim como um embrião, nós entraremos no útero espiritual que se tornará o nosso mundo, e continuaremos a crescer, ascendendo de um mundo para outro até alcançarmos a Malchut do Mundo do Infinito. Isto é o que O Livro do Zohar significa – é uma revelação progressiva que funciona desta forma.

Nós não entendemos o que é um livro sagrado. Ele é realmente um dispositivo para revelar a Luz Superior!

Página Diária 25.12.09

Páginas Diárias é uma coleção de extratos das aulas diárias do Rav Michael Laitman e Bnei Baruch traduzidas para o Português.

O Sistema Espiritual: Como Ele funciona?

Muitas vezes nós falamos de que como existe um Criador e uma criatura, que deve haver uma conexão entre eles, e que ambos devem chegar a um estado onde eles se encontrem. Mas como isso é possível se a criatura só recebe, ao passo que o Criador só doa? Isso pode ser demonstrado através do exemplo bem conhecido do anfitrião e do convidado. O Criador, o anfitrião, quer dar e, portanto, leva comida e bebidas à criatura, prepara cinco pratos para ela. A criatura não quer receber os pratos, mas finalmente diz: “Eu receberei só com o propósito de doar ao Criador”; assim, ela se aproxima da mesa e prova os pratos. Este é o lugar onde eles se reúnem em doação mútua – o Criador doa prazer à criatura, enquanto a criatura recebe o prazer, a fim de provocar satisfação no Criador.

Como é que esse princípio se manifesta no sistema dos mundos? O local onde as almas existem, é chamado de Mundos de “Beria“, “Yetzira“, e “Assiya” (Mundos de BYA). Abaixo está este mundo – o lugar que estamos agora. Se percebermos o ponto no coração que desperta em nós, seremos capazes penetrar o estado onde as almas estão, os mundos de BYA.

As almas que existem no mundo da BYA estão quebradas, ou seja, ainda não estão corrigidas. Este é um estado que eu alcanço depois que começo a trabalhar com meu ponto no coração, e descubro que o meu estado está quebrado, que eu não quero me conectar com os amigos, com os outros, que eu odeio todo mundo. E, na verdade, eu também odeio o Criador da mesma forma, só que eu não sei disso, e também não admito isso. Tal estado é chamado de “o reconhecimento do mal”.

Mas graças ao trabalho no grupo, com o professor e os livros, eu desperto em mim a importância da meta. Portanto, existem dois extremos em mim – o reconhecimento do mal e a importância da meta; e a partir daí eu começo a gritar, a pedir. Este pedido eleva-se acima do limite denominado “o Parsa“, que é a condição de que meu pedido será realmente para doação, para a correção.

E se este for o meu desejo, então não haverá mais o Parsa, não haverá diferença, ou uma parede entre mim e o sistema chamado “Malchut“, “Nukva“, ou “Knesset Israel“, e eu estou incluído nele. Este é o local mais elevado que as almas podem alcançar, e então “Malchut” se conecta com o Partzuf chamado “Zeir Anpin“, ou” o Criador “. Ou seja, se Malchut recebe de mim algum tipo de déficit para a correção, ela levanta esse último ao Criador, e de lá recebe a Luz.

Então, esta Luz vem até mim, corrige-me, e me permite entrar novamente nesse sistema na versão corrigida, integrar-me dentro dele, estar em contato com o Criador.

Em outras palavras, na primeira vez o pedido é “dá-me força para doar”, e na segunda vez, quando esta força já está em meu poder, depois de eu ter me corrigido, eu já me elevo e existo num nível mais elevado. É sobre isso que O Livro de Zohar fala. Mas a verdade é que não importa o quanto nós sabemos ou compreendemos, mas sim que a coisa mais importante é nos esforçarmos de algo forma em adentrar os estados que ele fala. A entrada para a espiritualidade se assemelha às ações de um bebê na materialidade ─ assim como o bebê não sabe nada, e entra, ouve, e está incluído em tudo de maneira ingênua, nós também devemos nos esforçar durante a leitura para entrar no mundo que O Zohar fala.

Antecipando a Chegada da Luz

A pessoa pode começar a assistir às aulas do Zohar enquanto estamos no meio do livro ─ isso não importa. Se a pessoa que lê O Zohar não conseguir que a Luz que está dentro dele brilhe em cima dela e abra sua alma, então não importa onde e o que lê, porque ela não sabe do que se trata. Eu só explico um pouco a fim de delinear algum tipo de orientação, a fim de concentrá-lo; mas até que o livro seja aberto, nada do texto escrito será compreendido.

Talvez nós possamos dizer que entendemos alguma coisa, mas esse não é o objetivo. O nosso objetivo é que a Luz que nos dê a força de doação. Na medida em que eu alcanço a força de doação, a força de Hassadim (misericórdia), eu posso receber a Ohr Hochma (Luz da Sabedoria). A Ohr Hochma é a visão: a capacidade de ver, de sentir o mundo espiritual, o Criador, a alma, o meu estado eterno e completo. Por conseguinte, durante o estudo do O Zohar eu devo apenas antecipar a chegada da Luz. Se ela não vier, então, mesmo sabendo este livro de cor, isso não ajudará.

Isto é, o objetivo da minha leitura é apenas receber do livro, do estudo, do grupo, de todos, algum tipo de projeção, a inspiração que me transformará, que me dará força para doar. E se for meu direito, eu começarei a sentir a espiritualidade. É possível que muitos dos nossos telespectadores não entendam uma palavra sequer do O Zohar, e é possível que alguns deles pensem que são muito espertos ─ não há diferença entre eles. Toda a diferença reside no desejo de que o mundo espiritual se abrirá. E se isso existe: esta é a coisa mais importante.

Andando pelo Porão Escuro com a Luz de uma Vela


O Zohar: Todos os caminhos do Criador são corretos, e Seus caminhos verdadeiros. Conseqüentemente, “os justos andam neles”, dado que eles conhecem os caminhos do Criador e se empenham na Torah; e qualquer um que se empenhe nas correcções da Torah conhece os caminhos da Torah e anda neles, e não se desvia para a direita ou para a esquerda. Porém, é aqui que os transgressores tropeçam.

Isto não se refere ao mundo material, mas apenas à alma da pessoa, se esta usar todos os meios possíveis e toda a sua força para tentar atrair a Luz da Correcção, de forma a se fundir com o Criador. A pessoa quer andar no caminho certo, mas algumas vezes ela experimenta a noite ao longo do caminho, e algumas vezes o dia.

É por isso que todos os “transgressores” descritos na Torah (Esaú, Balam, Balaque, Assuero, a Serpente primordial, o Faraó), assim como os “justos” (Abraão, Isaac, Jacó, David) surgem na pessoa. Ela cai num estado de escuridão, medo, guerra, problemas, e depois desperta, tem êxito e avança adiante. Então, ela atravessa o mesmo ciclo, repetidamente. Ela “peca” inúmeras vezes no caminho espiritual, porque deve revelar todo o seu desejo não-corrigido, e sente quão oposta ela é em relação ao objectivo espiritual. Somente depois disso é que ela pode aprender que tipo de Luz ela precisa para corrigir o seu desejo e transformá-lo num desejo de doação.

Nós não temos qualquer outra questão mediante a qual estudamos o que o Criador fez e como Ele age dentro de nós; nós só podemos fazer isso através do desejo de desfrutar, através das cascas vazias e más que são reveladas em nós. Assim, podemos converter o mal em bondade com a ajuda da Luz, à medida que ganhamos conhecimento acerca de como fazer isto. Primeiro a pessoa tem de pecar, de forma a compreender que ela usa o seu desejo de desfrutar em prol do mal – contra todos e contra o Criador. Ela percebe que está cheia de egoísmo e que ele governa sobre ela. Enquanto atravessa estes estados ela é chamada de “transgressora”, e ao corrigi-los ela torna-se “justa”. Então, esperemos tornar-nos os transgressores sobre os quais a Torah nos fala, dado que estes são estados espirituais elevados.

Estes estados chegam à pessoa que está pronta para perceber o seu mal, desde que ela não se submeta a ele, mas sim sinta-o e o distinga. Uma Luz especial brilha sobre ela, permitindo-a discernir a escuridão dentro de si mesma. Da mesma forma que verificamos Chometz com uma luz de vela antes do feriado de Pesach, a pessoa deve descer ao porão escuro do seu interior, e auxiliada pela luz de uma vela, começar a verificar onde está Chometz e onde está a comida que é adequada para Pesach.

Apenas os Kelim de doação são adequados para Pesach, enquanto que todos os outros são proibidos. Nós precisamos ao menos de uma pequena luz de vela para descer ao porão e começar a verificá-lo. É assim que nós nos preparamos para sair do nosso Egipto interno. Ao revelar e verificar o mal interior, a pessoa dá um passo adiante e sai do exílio para o Mundo Superior.

A Escuridão Suporta A Luz


Na preparação para a lição O Zohar, nós devemos nos sintonizar de modo a querer perceber, compreender e sentir O Zohar dentro de nós, dentro da nossa matéria; então, a Luz será revelada e se abrirá, em vez de sermos tranquilizados por nossas fantasias. Além disso, não devemos esquecer que todas as formas de conexão da Luz com os Kelim, são atingidas dentro da nossa união e conexão, através do restabelecimento da conexão entre nós no local onde ela foi quebrada.

Os nossos Kelim estão quebrados e temos de revelar a conexão interrompida entre nós, e sentir como corrigí-la. A corrupção, bem como a correcção, estão dentro de nós, e ambos os sentimentos devem ser expressos em nós como a escuridão e a Luz. Eles devem definir-nos as formas das letras, a forma da nossa conexão, e a nossa sensação do Nível Superior. As palavras expressam uma relação especial entre o Kli (recipiente ou vaso) quebrado e o corrigido. A partir destas duas formas a pessoa atinge a si mesma, o Criador, as relações entre os dois e a união.

“Nada desaparece na espiritualidade” é uma lei que significa que as minhas formas anteriores, quebradas, são reveladas a mim através dos meus erros, transgressões, problemas e obstáculos, e que elas nunca desaparecem. Isto permite com que eu me esforce no sentido de revelar estas coisas e atraia a Luz Circundante, que corrige o que ocorreu antes.

No entanto, a corrupção continua dentro de mim, para que eu seja capaz de construir a correcção por cima dela. Ambos os estados têm de existir. É impossível ter apenas perfeição serena, uma vez que eu não seria capaz de sentir ou compreender nada. A corrupção continua sempre a existir, e a correcção acontece acima dela, mas estes dois estados se apoiam um ao outro. A escuridão está abaixo e a Luz está acima, e isso é que produz a compreensão e a sensação dentro de mim, a relação entre eu e o Criador, assim como tudo que daí decorre.

Quando a Escuridão Está Cheia de Luz


O Zohar: Quando a escuridão chega e Nukva se conecta a ela, ela governa e brilha em Hochma, que é a sua governança. E dado que lhe falta Hassadim, todas as suas aberturas estão bloqueadas de todos os lados, pois todas as Luzes congelam dentro dela e não há abertura nela, através da qual qualquer luz possa aparecer.

Ela está cheia de Luz, mas as aberturas estão bloqueadas. Posteriormente, quando a linha do meio desperta nela e abre as aberturas, elas irão receber a iluminação de Hochma dela, que estava bloqueada dentro dela nessa altura. Está escrito que elas imploram penetrar Nukva precisamente quando ela é percebida como pequenas formas e aberturas bloqueadas, dado que somente então é que Hochma está nela de forma completa.

Na verdade, a noite está cheia de Luz, mas nós somos incapazes de ver na noite, dado que nos falta a Luz do amor e da doação (Hassadim) para ver a Luz. Apenas na Luz de Hassadim podemos nós obrigar a Luz de Hochma a se revelar e a brilhar na Luz de Hassadim. Quanto maior a Luz de Hassadim, maior a revelação.

A noite ou escuridão é um estado em que eu estou num oceano de Luz de Hochma, mas não tenho Luz de Hassadim. Se eu começar a desenvolver qualidades internas de amor e doação ( Luz de Hassadim), então a Luz de Hochma começará a brilhar para mim pouco a pouco. Isto significa que eu desperto o amanhecer, a Luz da manhã, o dia.

Do meio dia para a frente, a Luz de Hassadim, a minha força de doação, enfraquece e eu começo a descer do nível de Hassadim que estava antes. É como se o crepúsculo, a diminuição da Luz de Hochma na Luz de Hassadim, se estabelecesse. É então que a tarde vem, seguida pela noite. Afirmando de forma diferente, o meu desejo de desfrutar cresceu e não me deixa forças para que eu permaneça em doação e amor (Hassadim); ele ganha mais e mais poder sobre mim. As forças da escuridão da noite capturam-me e eu desisto, descendo até à escuridão e tornando-me incapaz do amor e doação.

Mas então, enquanto estou nesta escuridão, eu acumulo novamente a força de doação, e a partir da meia-noite eu começo a combinar Hochma e Hassadim, para que uma Luz brilhe dentro da outra. É assim que eu revelo a Luz.

Tudo isto é feito por uma pessoa se ela supera o seu desejo de desfrutar através da sua aspiração pelo doação; então ela vê a Luz. E vice-versa, ela vê a escuridão à medida que seu egoísmo a supera. É assim que avançamos no nosso desenvolvimento espiritual, do dia para a noite, repetidamente. Tudo depende apenas da pessoa, dado que na parte do Criador, a Luz rodeia-nos permanentemente, como está escrito, “Eu não mudei o meu HaVaYaH”, e, “A lei é dada e ninguém pode quebrá-la”. Tudo já lhe foi dado, e de agora em diante você é benvindo a fazer o que quer que você queira.

A Guerra dos Macabeus Dentro de Nós


A guerra Macabeia e o feriado de Chanukah não foram acontecimentos acidentais na história. Esta é uma história sobre como a pessoa constrói sua alma e acende a Luz dentro dela, simbolizada pela ânfora sagrada de óleo que encontramos dentro de nós, no meio de toda a quebra. Há uma parte dentro de nós que podemos acender se ao menos a encontrarmos!

Quando esta for acesa, nós iremos corrigir nosso egoísmo numa medida específica. Iremos desta forma receber a oportunidade de preparar o óleo sagrado, ou seja, seremos capazes de corrigir Malchut por conta própria.

O óleo sagrado é o desejo de doar e de amar sem qualquer recompensa para si mesmo. O óleo é o desejo. O óleo normal são os desejos egoistas, ao passo que óleo sagrado são os desejos com a intenção de doar. A centelha que recebemos, de forma a começarmos nosso trabalho interno, é como uma pequena vela, que toda pessoa precisa procurar em si. Quando formos capazes de acender esta centelha, começaremos a corrigir o nosso principal desejo egoísta, ou preparar o óleo para a lanterna.

“Chanukah” vem das palavras “Chanu Ko”, que significam “eles pararam aqui”. Esta é apenas uma breve parada no meio do caminho, entre os estados internos chamados Yom Kippur e Rosh HaShaná (no inicio do caminho) e Purim (a Correcção Final).

Durante Chanuhah nós corrigimos apenas os Kelim de doação, à medida que acendemos uma vela acima do nosso desejo de desfrutar. Porém, quando alcançamos o feriado de Purim, usamos o desejo em si mesmo. Desta forma, o símbolo do feriado de Purim não é uma vela que arde acima do óleo (desejo), mas vinho, a Luz que preenche o desejo.

Para acendermos a vela, nós temos de unir Malchut e Bina, os desejos da recepção e os desejos de doação, de forma a acendê-la em Bina. Este é o significado do feriado de Chanukah, quando elevamos Malchut a Bina; assim, Malchut torna-se parte de Bina, acrescentando a força do seu desejo nela.

Então, a Luz acende em Bina, no pavio, que sobe do óleo. O pavio é Zeir Anpin, que é chamado de linha do meio. Ele conecta o óleo (Malchut) à Luz (Bina).

Tudo isto ocorre acima do nosso desejo. Isto é uma correcção, em que alcançamos a qualidade de doação, recebendo-a acima das nossas qualidades egoístas. Nós alcançamos o estado chamado Tshuva mi Ira – doar em prol de doar.

Página Diária 06.12.09

A Atitude em Relação ao Grupo Determina Tudo
A principal coisa que devemos lembrar a todo momento é que nós somos um grupo, e cada um de nós, como membro desse grupo, deve fazer uma autocrítica interior: será que eu sou um justo dentro de uma sociedade de pessoas justas? Será que eu e todo o grupo pretendemos alcançar a auto-anulação e o amor pelos outros, onde revelaremos a doação ao Criador e Ele como nosso doador e sustentador? Nós devemos prestar atenção nisso o tempo todo.
A todo momento, quando eu não estou nesse estado, eu fico automaticamente sujeito à minha natureza – o desejo de receber. Então, eu me encontro em “Moshav Letzim” (local de zombadores), numa sociedade egoísta, porque a atitude da pessoa em relação ao grupo é que determina isso. Assim, ela não deve esperar nada; ao invés da poção da vida ela entra na poção da morte. As mudanças, de um extremo ao outro, são determinadas por: será que eu presto atenção às coisas certas, na medida em que sou capaz de fazer isso, ou não presto atenção a elas? Portanto, nós devemos nos esforçar nessa análise contínua.

Não Podemos Fazer Nada Sem a Luz que Corrige
Depois que a pessoa investe algum tempo nos estudos e no trabalho em grupo, a Luz que Corrige lhe traz os discernimentos corretos: que a qualidade de doação, a própria qualidade do amor é que lhe dá a liberdade. Então, ela reconhece que quer a espiritualidade porque essa é mais vantajosa do que toda a materialidade. E isso já é um belo discernimento no nível de “Lo Lishma” (desejar a espiritualidade egoisticamente para si mesmo). “Eu quero doar, amar, sair de mim mesmo, para me anular. Para deixar a prisão. Isso é bom”; no entanto, “Eu quero sair de mim porque eu serei feliz. Mas eu realmente quero sair desta prisão de inclinação egoísta”.
Quando a pessoa está num grupo e anseia atingir a meta espiritual junto com os amigos, estes não são mais chamados de “Moshav Letzim”, mas sim “Cabalistas”, em relação ao objetivo que pretendem atingir. Então, quando ela começa a trabalhar com os outros, e tenta sair de si mesma, ela começa a sentir que não ocorre nenhuma mudança nela, que ela não consegue mudar. A Luz que age sobre ela lhe traz os discernimentos. Em cada estado, a Luz que Corrige é que lhe traz a emoção, a inteligência, a visão, o sentimento de conexão com os outros, e as análises. Então, ela percebe que não pode fazer nada sem a ajuda da Força Superior, exigindo assim o terceiro componente.
Em outras palavras, “Eu e o grupo nos influenciamos de forma positiva, mas nós não somos nada”. Ali ocorrem muitas decepções, e começam a ocorrer tensões e problemas no grupo. Eu espero que nós sintamos realmente como nós estamos recebendo simultaneamente uma boa influência, como está escrito: “as Luzes agitam os vasos”. Porém, como resultado disso, nós já começamos a entrar em algum tipo de harmonia, mesmo que ela seja negativa; ou, quem sabe, talvez ela seja positiva, na verdade? Mas pelo menos isso está ocorrendo reciprocamente, em algum tipo de conexão, em conjunto. Então, a Luz começa a influenciar cada um com mais intensidade, porque todos começam a sentir essas mudanças muito rapidamente, como num amplificador. Então, elas alcançam o reconhecimento do mal – que elas já não podem fazer nada sem o Criador, sem a Luz que Corrige.

Alcançar a Sensação do Criador
Vejam como é difícil para nós introduzir o conceito de “Unidade” em todos os nossos pensamentos e desejos, atribuir a nós mesmos, dia e noite, sem parar, algum tipo de Força Superior que “Tu me cercaste por detrás e por diante “; vejam de que modo estamos fugindo desta conexão. Não diga “eu não O sinto “, pois é claro que você não O sente. Se você sentisse, você estaria conectado a Ele; essa sensação já teria exigido que você fizesse isso de forma obrigatória. Nós, que já estamos discutindo e lendo sobre isso, somos incapazes de atribuir tudo o que ocorre na sociedade, na família, dentro de nós, no mundo, no nosso trabalho interior, ao Uno e Único Criador. Isso porque nós não sentimos o Criador.
Até que eu O sinta em meus sentidos, até que eu esteja conectado a essa fonte através de um feixe de luz, até que eu esteja dentro Dele e Ele esteja dentro de mim de alguma forma, eu não posso pensar Nele uma vez que algo aconteça comigo, mas eu penso imediatamente em cerca de mil e uma outras razões, e não sobre Ele. Devido à sua natureza egoísta, a pessoa é incapaz de estar conectada ao conceito do “Uno”.
Pergunta de um aluno:
Resposta pelo Dr. Michael Laitman: Porque nós estamos numa quebra, porque somos feitos de Luz e vaso, escuridão e luz, calor e frio. O nosso sentimento é composto do desejo e do sentimento de realização, ou de algum tipo de deficiência dentro deste desejo. Um vem diretamente do Criador, enquanto o outro vem indiretamente d’Ele. Tanto o prazer quanto o déficit vêm indiretamente, e por isso eu não posso atribuí-los ao Criador. Como eu vou atribuí-los a Ele?
Acontece que, até que a pessoa reconheça, sinta, e revele o Criador, a todo o momento nós dizemos: “Ouve, Israel, o Senhor nosso Deus é o único Senhor”, isso é uma mentira. Na verdade, nós não estamos realmente sentindo isso. Portanto, alcançar este slogan e realmente dizê-lo, significa alcançar a “revelação do Criador”.