Textos com a Tag 'Desejo'

Faça O Momento Durar Para Sempre


O objetivo do Criador é elevar o homem ao seu nível. O que significa isto? Percebemos a nossa vida dentro da vontade de desfrutar, que foi criada pelo Criador. Esta qualidade é a única coisa que existe fora dele, e é por isso que sempre nós sentimos falta de realização. Nós sempre sentimos falta de alguma coisa, e aspiramos a algum tipo de prazer. Mas a Luz que vem para a vontade de desfrutar imediatamente desaparece. Ela anula o desejo, e o desejo não sente satisfação.

Portanto, porque percebemos a nossa vida dentro do desejo de ter prazer, ela é percebida como temporária e transitória, onde tudo desaparece. Cada momento passa e desaparece, ao invés de permanecer e tornar-se completo por todos os momentos posteriores. Por um lado existe o desejo, e por outro lado – o prazer. Quando os dois se encontram, eles são neutralizados, mesmo que o prazer seja mínimo. [Leia mais →]

A Indução Espiritual

No livro Beit Shaar HaKavanot (A Portaria das Intenções), o Baal HaSulam explica que a intenção depende dos desejos que não têm a tela (Kelim de Igulim). Por outras palavras, a intenção depende do nível do nosso entendimento, que nós estamos sob o poder destes desejos, assim como a nossa vontade de transformá-los em desejos com uma tela (Kelim de Yosher).

A tela, que é a força anti-egoísta, irá aparecer apenas se eu mesmo a quiser construir. Isto significa que eu devo distinguir a “cabeça” e os “pés” nos meus desejos, que são coisas que são mais ou menos importantes para mim. Quando eu quero trabalhar com a tela numa “linha direita”, eu começo a colidir com os desejos De Igulim. A tensão surge entre nós, pois eu quero definir uma nova escala de valores de acordo com Yosher, a tela anti-egoísta, e não de acordo com Igulim. Então, os Igulim começam a me influenciar e a me empurrar de tal maneira que, finalmente, eles me ajudam a chegar ao lugar em que eu preciso de estar.

Se nós queremos avançar, então a tela é necessária. E, pelo contrário, se nós queremos adquirir uma tela, então o avanço é através dos desejos De Igulim, que operam sem uma tela. Subsequentemente, isto é como acrescentar a sua “linha” ao campo dos Kelim de Igulim. É como um pedaço direto de fio atravessando um campo magnético, em que a electricidade (Luz), começa a fluir para esta linha de acordo com as leis da “indução espiritual.”

Ao querermos todos os nossos desejos orientados numa direcção (para o Criador), nós construímos uma “linha” (desejo sem uma tela) dentro dos Igulim. Esta é chamada de intenção ou oração. O Baal HaSulam escreveu o Beit Shaar HaKavanot como introdução a um livro de orações Cabalistico que ele queria escrever.

Uma página do Livro de Orações do Rashash (Rabino Shalom Sharabi):

O Jogo Das Escondidas Do Criador

Tudo depende do desejo; tudo é revelado dentro do desejo. Desta forma, nós só precisamos de um desejo adequadamente organizado, formado, e orientado para o objectivo. De forma a moldar o nosso desejo, a lhe dar a forma certa, que ela esteja pronta para ser preenchida pelo Criador, o Criador brinca um jogo de “escondidas” connosco: Ele oculta-se e revela-se a Si Mesmo, alternativamente. A pessoa nem sempre reconhece este jogo, mas este ocorre constantemente com cada pessoa até que ela seja corrigida.

É necessário reconhecer a toda a hora que o mundo inteiro não é mais que a manifestação do Criador em várias imagens: pessoas que odiamos, pessoas que amamos, pessoas que ajudam, pessoas que interferem, umas que estão próximas, umas que estão distantes de nós, amigos, e pessoas completamente desconhecidas. Tudo vem do Criador: todas estas pessoas, assim como a natureza inanimada, vegetação, animais e todos os pensamentos e desejos de um ser humano – tudo excepto o ponto do nosso “EU”. Este ponto, este “EU”, é o ponto de vista, do qual a pessoa deseja crescer e se tornar similar ao Criador.

O Criador usa todas estas manifestações de imagens, pensamentos e desejos no jogo que Ele conduz connosco. Como Ele se oculta e se revela, Ele trás-nos para mais perto ou para mais longe; porém, o Criador faz isso apenas com uma intenção: de nos agitar, como está escrito, “A Luz Superior agita e evoca desejos”. Se, apesar do facto de que somos atirados de um lado para o outro a toda a hora, nós usarmos toda a nossa força para nos mantermos no pensamento que tudo vem do Criador, dado que “Não há ninguém além D’Ele”, e que o Criador é indubitavelmente “Bom e faz o bem”, desta maneira nossos desejos tornam-se mais amplos e profundos.

Se a pessoa verdadeiramente se “agarra com seus dentes”, não se permitindo a si mesma afastar o pensamento e a sensação de que é o Criador que realiza todas as acções em respeito a ela, então a pessoa vê como usar adequadamente cada minuto da vida. Afinal de contas, cada opositor é, na verdade, não um opositor, mas um ajudante para permitir que a pessoa se agarre ao Criador em estados extremos.

A pessoa pode avançar desta maneira até que ela alcança um estado, em que está disposta a fazer o que quer que seja e consegue suportar tudo apenas para não abandonar o Criador. Esta é a única coisa que ela pede. Ela vê exercícios muito importantes nestes obstáculos, que são enviados a ela com amor pelo Criador. O Criador só aguarda a disposição da pessoa para que Ele se possa revelar a Si Mesmo a ela.

A pessoa avança desta maneira até que ela completa todo este processo, que é chamado ocultação ou o período de preparação; então, ela alcança Lishma (pela doação) a partir de Lo Lishma (não pela doação). Quando o Criador vê que a pessoa completou todo o seu processo, Ele revela-se a Si Mesmo, e a “fuga” (Brach) torna-se uma bênção (Barech) do Criador.

Na Espiritualidade, Por que A Circuncisão Pertence Aos Homens?

Uma pergunta que recebi: Por que é que na espiritualidade os homens precisam de atravessar a circuncisão (Brit Mila), embora eles incorporem a qualidade de doação no mundo espiritual, e não as mulheres, que correspondem à qualidade de recepção?

Minha Resposta: Certamente, se estamos a falar sobre a correcção de Malchut, conseqüentemente  ela é a parte feminina (receptora) que deve ser corrigida. Então, porque é que a correcção (circuncisão dos três desejos impuros ou Klipot) é feita em Zeir Anpin, que é o símbolo das qualidades masculinas?

Antes do Fim da Correcção, a minha intenção de doação apenas se aplica aos desejos acima do Tzimzum Bet (Segunda Restrição). Estes são os desejos conectados às qualidades de Bina, ao passo que todos os outros desejos ainda não podem ser corrigidos. Por esta razão, eles são isolados e tornam-se utilizáveis novamente apenas no Fim da Correcção.

A intenção de doar dentro de mim é chamada “homem” e o desejo é chamado “mulher”. Esta intenção de doar é chamada Zeir Anpin (homem) ou “superação”. Eu percebo o quanto eu preciso de organizar e separar esta intenção, e percebo que forma de doação aplicar para torná-la adequada ao Criador. Malchut, a parte receptora dentro de mim, é sem forma. Contudo, à parte “doadora” em mim deve ser dada forma, especificamente à medida que e dependendo do que eu estou disposto a doar. Então, eu apercebo-me que sou incapaz de trabalhar com minhas intenções e a minha tela não cobre todas as profundezas de Malchut. Segue-se que eu devo reduzir as minhas intenções até certo grau.

A parte dentro de minha alma chamada “homem” é a intenção de doar nela. Ela é a parte a que a circuncisão se aplica. Não estamos a falar sobre nada externo; este é o meu “doador” interno, cuja forma deve corresponder ao Criador. É por isso que eu executo esta correcção de Brit Mila, isto é, eu restrinjo-me a mim mesmo na utilização de certas partes de Malchut, e desta forma avanço no mundo espiritual. Conseqüentemente, é por isso que este mandamento não pertence às “mulheres”.

Por que a Teoria Marxista Falhou?


Uma pergunta que recebi: O Baal HaSulam escreve sobre coisas que a humanidade atravessou há muito tempo atrás: o socialismo e o comunismo. Estas coisas não são história antiga agora, e nós não deveríamos querer voltar a elas?

Minha Resposta: Toda a nossa realidade ocorre dentro de nosso desejo egoísta, que se desenvolve e atravessa diferentes fases à medida que cresce gradualmente sob a influência da Luz Superior. É também por isso que o desejo inventa várias teorias sobre que tipo de relações são mais benéficas para ele ter com sua natureza e com a sociedade humana. É em função disso que sua atitude em relação ao socialismo, marxismo, e todos os outros períodos, muda. [Leia mais →]

Nossos Desejos Não Nos Pertencem

Uma pergunta que recebi: Como posso eu, simultaneamente, satisfazer o meu desejo de receber prazer, e identificar-me com o Criador? Um contradiz o outro.

A Minha Resposta: Você deve compreender que o desejo de receber prazer se origina de duas qualidades: doação e recepção.

Se a pessoa existe apenas dentro de uma das propriedades, então ela é “escrava”, e, nesse caso, nem sequer compreende suas acções. Tal como qualquer pessoa “da rua” que simplesmente segue os seus desejos como qualquer outra o faz, ela acredita que eles lhe pertencem por toda a sua vida inteira, até que ela morra.

O desejo do Criador é estar sempre satisfeito, até que a pessoa alcance a condição sob a qual um novo desejo, o desejo de doar, emerja entre os seus outros desejos comuns. Apenas depois do surgimento deste desejo de doar é que a criação começa a sentir o Criador.

A mesma coisa acontece a nós; nós começamos a sentir que além das nossas acções há também Alguém que age de dentro de nós. Essas duas sensações permitem-me entender que os meus desejos não são realmente meus, mas pertencem a Ele, e que é Ele quem coloca Sua mão sobre mim e faz todos os tipos de mudanças dentro de mim, às quais sou forçado a seguir obedientemente.

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Descobrindo A Necessidade De Uma Solução


Uma pergunta que eu recebi: Que forças auxiliam no “apodrecimento” do desejo de receber prazer, chamado “corpo”?

Minha Resposta: O desespero deve-se à incapacidade de ser satisfeito, e não o desespero do desejo por prazer. A pessoa chega ao ponto em que já não acredita que é possível ser feliz nesta vida. Os desejos não satisfeitos nos levam à depressão. Obviamente, isto tem um propósito. É assim que toda a humanidade alcançará esta fase, a fim de descobrir a necessidade de buscar uma solução, e a necessidade de elevar-se a um nível superior. O egoísmo nos ajudará a alcançar este propósito, e nos obrigará a tomar uma decisão. Isso se chama “ajuda contra você”.

Imagine Que Nosso Desejo Tornou-se Realidade


Uma pergunta que eu recebi: O que nós devemos imaginar quando lemos as palavras do Zohar, as quais não entendemos nada? Nós deveríamos imaginar as almas unidas, a influência da Luz sobre nós, ou algo mais?

Minha Resposta: Você precisa imaginar que estamos todos juntos em um desejo, e que o que lemos no Livro do Zohar será revelado como preenchimento dentro deste desejo. E juntos, esse desejo e sua realização, revelarão o Criador.

Nós estamos aguardando e esperando os resultados dos nossos estudos. Nós realmente precisamos corrigir a nossa conexão com os outros, porque ela se tornará o nosso vaso para a Luz. Então, o meu desejo receberá a qualidade da correção, a qualidade da união – o Criador. O Criador é o meu desejo  por doação corrigido.

Eu preciso imaginar um estado no qual eu quero existir.  Eu posso não saber o que é a Luz ou como ela entra em mim, mas eu ainda preciso imaginar o estado corrigido que eu quero alcançar. Exatamente como na nossa vida cotidiana, quando nós queremos algo, nós não pensamos sobre as ações que temos que fazer para obtê-lo, mas apenas sobre o resultado final, sobre o nosso desejo tornando-se realidade. Então, eu sou capaz de compreender o que me falta para atingir o objeto do meu desejo, e onde posso obter o exemplo correto do estado futuro, ou seja, quais os livros que podem me dar esse exemplo.

A Magia Espiritual

Uma pergunta que recebi: Nós vivemos nossas vidas com esperança e nunca atingimos o prazer. O que acontecerá quando nós adquirirmos o desejo de doar? Nós seremos capazes de sentir prazer?

Minha Resposta: Quando nós transformamos a intenção egoísta em altruísta, o tempo deixa de existir. A própria noção de tempo desaparece, porque não há passado, presente ou futuro na espiritualidade. Quando estamos no atributo de doação, nós não temos informações sobre causa e efeito. Nós temos prazer durante o ato de doação que nos encontramos, e não precisamos de mais nada. Ter a oportunidade de doar é nossa recompensa.

Mas nós não nos preocupamos com os resultados de nossa ação? A oportunidade de doar é o resultado. Por esta razão, o conceito de tempo desaparece e tudo está em repouso absoluto.

O egoísmo nos promete o futuro, enquanto que na espiritualidade não há futuro; tudo acontece no presente. O futuro é sentido apenas se eu revelo no meu estado atual a falta de doação, somente se eu quiser doar mais e aspirar a ela. É como se eu desejasse ir do pequeno mundo do Infinito ao grande.

Isso também só é possível através da magia, através dos desejos egoístas que estão me ajudando. Eles me revelam as deficiências do meu estado, a impureza da minha doação.

Muita Prosperidade?

Uma pergunta que recebi: Qual é a diferença entre os estados chamados “sete anos de prosperidade ” e “sete anos de fome”? Como eles se aplicam ao nosso mundo?

Minha Resposta: “Os sete anos de prosperidade” (sete anos bons) é o tempo que a humanidade se esforçou para alcançar a prosperidade. Nós queríamos realizar uma boa vida através das revoluções tecnológicas, científicas, sociais e políticas. Apenas alguns anos atrás, os americanos reinvindicavam que eram os mais bem sucedidos em alcançar a prosperidade, uma vez que eram uma nação de consumidores. Quanto mais as pessoas consomem, maior a fartura global. Agora nós descobrimos que a cultura de consumo não é sustentável; nós estamos destruindo a nós mesmos e o nosso planeta. Não podemos continuar no caminho do consumismo, porque há limite para tudo.

Quando eu era criança, as previsões para o futuro pintavam um quadro muito diferente do nosso atual estado das coisas. Foi-me dito que quando eu crescesse eu trabalharia apenas quatro horas por dia em vez de oito, eu usaria o resto do meu tempo para atividades culturais, poderia ter férias de dois meses, e as crianças do futuro seriam bem-educadas e culturalmente mais desenvolvidas.

No entanto, hoje as pessoas trabalham doze horas por dia e quase não tem férias. A educação e a cultura passam por crises terríveis. Famílias se separam. A maioria da humanidade está em desespero e depressão, dependente de antidepressivos e “drogas recreativas”. Chegamos ao estado em que “os sete anos de prosperidade” terminaram e “os sete anos de fome” (os sete anos ruins) já começaram. Os “sete anos de fome” ocorrem a fim de levar a humanidade à decisão de que ela já não quer continuar tal existência.

Portanto, o que devemos fazer agora? As pessoas na antiga Babilônia enfrentaram o mesmo dilema, quando seu egoísmo explodiu, como o nosso agora. E o conselho dado por Abraão naquele momento é aplicável hoje.

“Há duas soluções possíveis. Vocês desejam se disperar pelo mundo, enquanto que a finalidade da criação é trazer-nos a semelhança com o Criador? Não fujam de sua missão”, Abraham alertou. “É inevitável que vocês voltem a ela em quatro mil e quinhentos anos”. Obviamente, Abraão estava falando sobre o nosso tempo.