Textos com a Tag 'Desejo'

Construa-se a Si Mesmo Entre Dois Ímãs

Laitman_160Uma pergunta que recebi: Por que o desejo de receber prazer tem de sofrer tanto e atravessar tantos golpes a fim de se tornar um desejo de doação? Se eu sinto que doar é uma qualidade boa, por que é tão difícil desistir do desejo de receber?

Minha Resposta: Você sente os golpes e as dificuldades porque você se identifica com o desejo de receber prazer e não percebe que ele não lhe pertence. Tanto o desejo de receber quanto o desejo de doar são anjos; são forças do Criador que lhe são enviadas. São duas linhas que vêm até você de Cima. Você precisa se identificar com a linha do meio, que consiste de ambas as linhas. A linha do meio não pertence a nenhuma das duas linhas; é quando você começa a sentir uma nova realidade que é totalmente separada delas, que está acima delas.

As linhas estão lá para ajudá-lo, como dois ímãs distantes exercendo força sobre uma barra de ferro a partir de dois lados opostos. Você está conectado a estas forças para que possa construir a linha do meio como resultado de sua influência. Você não se identifica com nenhuma delas, nem com o desejo de receber prazer nem com o desejo de doar.

O desejo de receber prazer foi criado pelo Criador como “existência a partir da ausência”, ao passo que o desejo de doar, o Próprio Criador, já “existia”. Você não está conectado com nenhum deles, caso contrário você não se tornaria independente. A sua independência vem da construção do seu “Eu” como resultado de ambos.

Então, por que você se sente mal? É isso que o faz abandonar o desejo de receber prazer, de deixar de se identificar com ele, e estar acima dele. Primeiro, os golpes vêm na forma de vergonha e humilhação, para o afastar do desejo de receber porque o faz sofrer. Depois disso, o contrário é verdade: a pessoa quer cultivar um desejo de receber maior, porque ela se constrói a si mesma acima dele, como acima de um ímã.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabala 04/05/10, O Zohar

Como Uma Mãe Amorosa Que Concede à Sua Criança

O Criador é um puro desejo de doar. Ele recebe prazer da doação. Ele cria a criatura, o desejo de receber, de modo a doar a ele. Será que o Criador sente prazer em doar? Sim! Será que Ele concede, a fim de sentir prazer? Não! Ele recebe o prazer do fato de que Ele quer oferecer. Nós dizemos que ele sofre por causa da nossa relutância em receber o prazer, mas é apenas a nossa percepção limitada pela qual percebemos o seu “sofrimento “em relação a nós mesmos.

Nós, por outro lado, somos o desejo de receber, e a nossa alegria reside unicamente na recepção. Esse desejo não pode ser apagado dentro de nós, ele só precisa ser corrigido. O desejo corrigido terá prazer em ser realizado, mas a sua realização virá na realização do outro. [Leia mais →]

Descobrindo A Alma

Laitman_514_02Nas Notícias (de Top.rbc.ru): “Segundo o professor Dimitrios Karussis, membro da Comissão Executiva da Sociedade Israelense de Neuroimunologia e Chefe do Centro de Esclerose Múltipla do Hospital Universitário Hadassah, em Jerusalém, os cientistas foram capazes de identificar a alma num ser humano usando a tecnologia da RNM (ressonância nuclear magnética).

Pesquisas indicam que estudar Cabalá ativa uma parte do cérebro que os pesquisadores chamam “aparelho da fé”. Ela ativa a atividade cerebral e aumenta várias vezes a resistência do organismo às doenças que a medicina moderna permanece impotente .”

Meu comentário: Como nós podemos revelar a alma? Depende do que queremos revelar. Se essa é a força ativadora do organismo animal, então certamente isso é factível. Quando eu era estudante, a investigação sobre “o peso do corpo antes e depois da morte” já estava sendo realizada em todo o mundo, para definir o peso da alma que supostamente deixa o corpo.

Tudo depende de como nós definimos a alma. Às vezes um homem e uma mulher referem-se entre si como “minha alma gêmea”. Se é assim que você define a alma, então você pode pesá-la. Mas se entendermos que a alma é uma parte do Criador proveniente do Alto, a força de doação, então, do mesmo modo que outras forças do nosso mundo, ela só pode ser identificada pelos resultados de suas ações. Ao perceber a força de doação dentro da qualidade de doação (o desejo de dar, Kli), nós revelamos o Criador em nós e, portanto, o chamamos  Bore, das palavras “Bo” – “Venha” (alcançá-lo com sua propriedade de doação) e “Re” – “Veja” (descubra).

Não existe Criador sem criatura. Nós somos incapazes de dizer qualquer coisa sobre Ele, pois Ele está fora de nós, visto que é a essência ou a forma abstrata que não podemos discutir. A Cabalá, sendo uma ciência puramente experimental, proíbe-nos de exercer o raciocínio filosófico, tais como o Baal HaSulam afirma na “Introdução ao Livro do Zohar”: “o juiz tem somente aquilo que seus olhos podem ver”.

Nós precisamos do material sobre o qual essa força espiritual pode agir. Este material, juntamente com a força que age nele, será chamado de “alma”. Por quê? Porque o material em si – a parte do Criador proveniente do Alto que possui a mesma qualidade de doação – será semelhante ao Criador.

Como os cientistas podem descobrir a alma, se ela existe na propriedade de doação? Que tipo de dispositivos podem usar? O que pode ajudá-los? Para descobrir a alma, a pessoa precisa do material que possui a qualidade de doação.

Isso só pode ocorrer quando a pessoa já alcançou tal correção. Então, independentemente do que revista esse material será chamado de Luz da alma. O Kli em si (o desejo), o material que tem a propriedade de doação, será chamado de corpo da alma. Sem possuir tais qualidades, a pessoa deste mundo é incapaz de perceber o corpo da alma ou sua luz.

Assim, se definirmos a alma de acordo com a Cabalá, como uma parte do Criador proveniente do Alto, os cientistas não têm como abordá-la. A pessoa pode atingir a alma apenas com o auxílio da Cabalá.

Tudo depende da nossa intenção. Se nós aspiramos revelar a espiritualidade, a Luz virá e corrigirá o nosso material (desejo), de modo que ele se torne doador. A alma surgirá dentro de nós quando o material se equivaler ao Criador, tornando-se a parte do Criador proveniente do Alto.

O Descontentamento É O Catalisador Para o Desenvolvimento

Laitman_068A diferença entre a Luz e o desejo compele-nos a avançar em frente. Quando a Luz preenche o desejo, nós (o desejo) nos acalmamos. Nós somos tão pacificados que somos incapazes de nos mover porque não sentimos a necessidade de o fazer; nós não sentimos qualquer carência que seja. Nós começamos a preocupar-nos e a lutar pelo equilíbrio interno apenas à medidad que a Luz difere do desejo.

Nós lutamos pelo equilíbrio tanto em termos de quantidade quanto de qualidade. Quando a Luz criou o desejo de desfrutar e o preencheu (Fase Um, Behina Alef), a criatura não sentiu quaisquer problemas, dado que a Luz veio primeiro. Apenas posteriormente emerge a diferença entre Behina Alef preenchida pelo Criador e o Próprio Criador.

Uma certa adição ocorre. A Luz começa a introduzir novas propriedades no desejo original, e a criatura começa a sentir a fonte do prazer. “Há alguém que me preenche! É mais alto que eu, é alguém que vem antes de mim. É alguém que dá; é o meu Gerador, o Criador”. Desta forma uma sensação adicional é introduzida no desejo da Fase Um. Esta sensação força a criatura a compensar por isso; ela compele-nos a desenvolver.

O tipo de “fricção” determina tudo. Na Fase Um, Hochma, a fricção foi a sensação do Superior. Na Fase Dois, Bina, esta será a sensação de realizar insuficientemente o desejo de doar.

Bina queria dar, tornou-se preenchida com a Luz de Hassadim (Hafetz Hesed), e desta forma não não quis mover-se para lado algum ou fazer alguma coisa. Mas então sentiu: “O Criador está a dar verdadeiramente, e que dou eu?”, o que produziu o sentimento de descontentamento. Assim, o movimento inicia, o que leva a um novo estado. Desta maneira, a incompatibilidade entre as propriedades do Criador e da criatura, o Kli e a Luz, o desejo e o preenchimento, causam o movimento constante ou desenvolvimento.

Da Lição da Tarde do Zohar 29/04/10

Adicionando “Dinheiro” Ao Desejo

Uma pergunta que recebi: O que significa que o Partzuf (alma) “ilumina?” O desejo desaparece?

Minha resposta: “Iluminação” do Partzuf indica o enfraquecimento da tela, e não o desejo. O desejo em si nunca é levado em conta. A presença ou ausência da tela determina tudo.

Portanto,  consideramos apenas a tela. Quanto ao desejo, ele torna-se incluído no ato, enquanto há uma tela sobre ele, pois sem uma tela o desejo está sob restrição. Apenas a tela determina o nível de semelhança com o Criador. Ela define o caráter do Partzuf espiritual, a sua magnitude, e altura. Assim, quando falamos de um desejo, significa um desejo coberto pela tela, e não simplesmente um desejo.

No nosso mundo, uma pessoa também avalia tudo dentro do seu desejo. No entanto, outras pessoas não estão interessadas no próprio desejo, mas sim, querem saber quanto do desejo pode ser realizado. Você não pode simplesmente gritar: “Eu quero!” Você deve pagar e, em seguida você receberá.

A palavra hebraica para “dinheiro” (Kesef) vem da palavra “cobertura”, ou “tela” (Kisui). Desta forma, o desejo é avaliado de acordo com a sua tela.

Da 2a. parte da Lição Diária Cabalá  de 30/04/102nd, Prefácio da Sabedoria da Cabalá

Material Relacionado:
A indução espiritual

A Imensidão Do Nosso Desejo De Desfrutar

Uma pergunta que recebi: Por que nós devemos esperar tanto tempo e sofrer tantas lições negativas que nos machucam, antes de finalmente percebermos qual o caminho correto?

Minha resposta: Nós não esperamos! Nós evoluimos a cada instante, passo a passo. Mas o nosso ego, o nosso desejo de desfrutar, é simplesmente infinito. Sua profundidade é enorme: uma criatura enorme. Imagine a si mesmo como o nosso Universo infinito; bem, o desejo humano é bilhões de vezes maior que todo o universo.

Agora, nós precisamos começar a nossa correção. E o meu desejo de desfrutar contém milhares de qualidades nas quais eu preciso sentir golpes, de modo a reagir com um “Ai!”. Então, serão necessários mais mil golpes que me façam andar: “Ui!”. Isso não é brincadeira; toda a nossa vida passa exatamente assim. Finalmente, eu ainda precisarei de mais mil golpes para decidir sobre mim mesmo: “É isso aí, eu não agüento mais! Algo deve ser feito”.

Cada qualidade é composta de quatro níveis (Aleph, Bet, Gimel, Dalet). Até atingirmos o nível final (quarto nível) continuaremos recebendo golpes e sofreremos sem pararmos para pensar sobre a nossa situação. É como se eu sentisse dor numa parte do meu corpo e depois outra; eu a suporto e digo a mim mesmo que não é grande coisa, até que finalmente percebo que algo deve ser feito. O mesmo princípio se aplica aqui. Mas é exatamente assim que deve ser, porque nós somos feitos de um material complexo, com várias camadas, que se desenvolve a partir de um ponto. Não há escolha nessa questão.

Somente no fim da correção é que tudo o que passamos se fundirá e produzirá a perfeição da realização, da satisfação e da compreensão .

Da terceira parte da Lição Diária da Cabalá 29/04/10, A Entrega da Torá

A Verdadeira Mudança Versus “Maquilagem”


Uma pergunta que recebi: Como posso eu preencher o desejo de alguém se cada pessoa gosta de algo diferente?

Minha Resposta: Deve ser uma atitude interna em relação à outra pessoa: você tem de se preocupar com ela da mesma maneira que você previamente se preocupava consigo mesmo. Você deve exigir que a Luz Superior torne o seu amigo tão importante quanto você se considerava a si mesmo no passado, egoisticamente, para seu próprio benefício.

Não faça nada artificialmente. Nós temos de deixar a Luz Superior fazer todo o trabalho. Ela faz as correcções. Tudo o que nós podemos fazer é arruinar as coisas! Nós não temos a força ou o entendimento para fazer algo. Desta forma, se nós tentamos mudar, nós só o fazemos externa e artificialmente, e isso não é correcção.

O Rabash dá um exemplo usando uma parábola sobre gatos que, supostamente, eram treinados para serem serviçais nobres e importantes, de forma a provar que é possível mudar a natureza de alguém. Mas quando os gatos viram ratos a correr, eles atiraram suas bandejas para longe e apressaram-se a os apanhar. Nós somos iguais: Nós executamos mudanças externamente belas até que explodimos e saltamos violentamente em cima uns dos outros. Estas não são certamente as mudanças que a Cabalá fala.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/04/10, “Matan Torá”

Calculando O Prazer De Um Desejo Desconhecido

Dr. Michael LaitmanUma pergunta que recebi: Ontem eu fui até o restaurante do Criador e pedi um bife por 100 dólares, mas hoje, com apenas 80 dólares disponíveis, eu posso apenas pedir frango. Se eu nunca experimentei frango, como posso eu calcular o prazer em relação ao desejo usando a tela (preço)?

Minha Resposta: Esta é uma pergunta muito profunda e importante, uma vez que ela determina a diferença entre todos os estados e graus pelos quais nós ascendemos ou descemos. Cada satisfação difere da outra, como o prazer da música difere do prazer da arte, e assim por diante. Então podemos nós fazer este cálculo ou não? Se não podemos, então como avançamos nós na espiritualidade?

Como executo eu um calculo baseado no bife de ontem de 100 dólares com o frango de hoje de 80 dólares, se eu nunca experimentei o frango, e ainda assim,todavia, quero executar o cálculo máximo para doação? Se a doação não for 100% então não é chamada doação. Além do mais, se eu recebo mais do que é possível, eu irei para a Klipa (egoísmo), que deve ser evitada.

Desta forma, eu realizo um cálculo sobre Dalet-Hitlabshut (o quarto nível de prazer) e Guimel-Aviut (o terceiro nível de desejo), isto é, um cálculo sobre quanto da carne de ontem eu receberia por 80 dólares. Ontem eu recebi bife por 100 dólares, e hoje com apenas 80 dólares aparenta ser o mesmo bife, apenas mais pequeno. Eu corto a Luz de Yechida dele, e deixo apenas Nefesh, Ruach, Neshama, e Haya.

Como resultado, eu começo a sentir a diferença entre o quarto e o terceiro nível. Por conseguinte, em vez de executar um cálculo sobre o bife que eu agora rejeito, eu executo um cálculo sobre o dinheiro: o que significam os 100 dólares em relação aos 80 dólares? A diferença é o prazer que eu agora rejeito. Logo, eu agora compreendo o valor dos 80 dólares, e assim eu executo um cálculo em relação ao máximo que eu posso receber dele em prol da doação.

Este é um dos princípios da educação: compreender uma coisa a partir de outra (“Lilmod Devar Mi Toch Devar”). Eu executo um cálculo considerando uma coisa, então conecto-a à outra, e avanço para um terceiro cálculo.

Desta forma, no nosso cálculo nós temos sempre em conta o Rosh de-Hitlabshut (a Luz anterior) do estado espiritual anterior (o Partzuf anterior). Daí nós já podemos descer para Rosh de-Aviut (desejo) a fim de executar um cálculo sobre uma nova satisfação.

Da 2ª parte da  Lição Diária de Cabalá 23/04/10, Prefácio à Sabedoria da Cabalá

Sistema De Cálculo Binário: Desejo Atual E Luz Prévia

Dr. Michael LaitmanQualquer estado é definido por dois parâmetros: a Luz e o desejo (Kli). Em acréscimo, quando não há Luz e nenhum desejo por ela (razão pela qual a Luz partiu), então o que sobra é um “registo” (Reshimo) da Luz e do desejo.

Suponhamos que eu tinha um desejo e prazer dentro dele, mas agora o estado mudou : não há nem a Luz prévia nem o desejo por ela. No novo estado eu tenho um novo desejo, mas como posso eu determinar que Luz aceitar dentro dele? Eu tenho um desejo distinto que eu sinto agora, mas eu ainda não recebi a Luz dentro dele, porque a Luz tem de vir de fora. Neste caso eu uso a informação (Reshimo) sobre a Luz do meu estado anterior e a informação sobre o desejo do meu estado atual.

Suponhamos que eu estava num restaurante ontem onde desfrutei de uma refeição custando 100 dólares. Hoje eu chego ao mesmo restaurante com apenas 80 dólares e não sei o que pedir com este dinheiro. Embora eu compreenda que não possa pedir tanto quanto eu pedi ontem, agora eu tenho de descobrir o que pedir baseado no que aconteceu ontem. Eu tenho de pedir um pouco menos e devo determinar precisamente quanto menos. Eu recordo o prazer (a Luz) de ontem, que é a minha única referência, uma vez que o prazer sempre vem de fora. Há apenas dinheiro (Kli) no meu bolso e eu sei que hoje eu tenho menos dele.

Cada estado espiritual contém sempre informação sobre o desejo (Reshimo de Aviut) e informação sobre a Luz que estava vestida no desejo anterior (Reshimo de Hitlabshut). Baseado nestes dois Reshimot é sempre possível compreender o que está a ocorrer. Sem estes Reshimot (reminiscências) a pessoa perderia toda a sua memória e razão. Ela não saberia o que aconteceu um momento antes e não compreenderia como se comportar no momento seguinte.

Nós agimos apenas de acordo com os Reshimot. Estes dados são construídos dentro de nós; nós fazemos todas as nossas comparações e cálculos baseados neles.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 23/04/10, Prefacio à Sabedoria da Cabalá

Um Vaso Espiritual Real


Uma questão que eu recebi: O que é o verdadeiro receptor espiritual (Kli)?

Minha Resposta: O Kli verdadeiro é um desejo que está pronto para a correção. Minha tarefa é totalmente discernir qual a parte do meu desejo que eu posso corrigir em prol da doação, e a parte que eu não posso corrigir e devo apenas restringir.

Suponhamos que me seja dado um desejo e eu percebo que eu possa corrigir 20% do mesmo para doação, e que eu tenho que restringir os outros 80% dele, fazendo Sof fora dele, o que significa o fim do Partzuf. Isso significa que eu corrigi todo esse desejo. Ambos tipos de desejos estão sempre presentes, e eu tenho que entender o que fazer com eles. [Leia mais →]