Textos na Categoria 'Zohar'

A Bênção Acima E Abaixo

Dr. Michael LaitmanÉ dito no Livro do Zohar que Moisés pediu misericórdia ao Criador após a morte dos filhos de Aarão: …se as pessoas que vivem neste mundo se arrependerem e voltarem a Você, quem vai abençoá-las? O Criador respondeu-lhe: “Você está dizendo-me isso? Diga isso ao seu irmão Aarão, já que ele foi confiado com a bênção acima e abaixo, uma vez que é o elemento para alcançar a misericórdia”.

O ponto é que o contato com o Criador ocorre através do atributo chamado de sacerdote (Aarão) numa pessoa.

A bênção é a descida da Luz Superior para corrigir uma pessoa. A Luz só pode passar por Aarão, o sacerdote, o que significa através desta hierarquia. Não pode ser de outra maneira. É impossível entrar em contato com o Criador de outra maneira.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 06/03/14

Medo E Temor

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como é possível distinguir entre medo e temor?

Resposta: Em geral, o medo é um estado inferior, algo relevante para o nosso corpo bestial, o nosso desejo de receber. Em contraste, o temor é sentido de acordo com a característica de doação, com respeito ao Criador.

Eu trabalho dentro do meu desejo de receber. Se eu tenho medo de fenômenos dentro do meu desejo de receber, isso é chamado de “medo”. Se eu suspeito e tenho medo sobre se vou ser capaz de doar aos amigos e através deles ao Criador, isso é chamado de “temor”.

A diferença entre medo e temor está nisso, que o medo é um fenômeno natural que aparece e ocorre em mim naturalmente, como resultado do medo do desejo de receber se ele vai receber prazer, e nisso não há diferença entre uma pessoa e um animal. O temor não depende de mim, mas em como vou receber a Luz que Reforma. Isso me traz temor.

O medo é despertado em mim naturalmente, por si só, enquanto o temor é resultado da influência da Luz Superior, a luminária, da consciência da grandeza do Criador. Ou seja, a principal diferença é que o medo vem a mim da natureza e o temor está acima da natureza, sob a influência da Luz que Reforma.

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 04/09/14, O Zohar

Os Acusadores


O Zohar, Capítulo “Bo” (Venha ao Faraó): Veja como as pessoas devem seguir o caminho do Criador e manter os mandamentos da Torá, para que através dela, sejam recompensadas ​​com o outro mundo, e salvas de todos os acusadores acima e abaixo.

Se o grupo deu ao homem uma demanda de cinco por cento pela doação, então a Luz o influencia em conformidade.

Os outros noventa e cinco por cento do seu desejo ainda não estão conectados ao grupo e estão orientados para a recepção. Esta parte também é influenciada pela Luz que Reforma, mas o faz sob a forma de um “ajuda contra ele”, uma correção do curso, de modo que homem veria: suas exigências são dirigidas no caminho errado.

A “ajuda contra ele” vem na forma dos “acusadores”, aqueles que aparentam resistir ao caminho, ao objetivo, ao grupo: tudo o que se relaciona com a espiritualidade. Basicamente, eles são nós em dado momento, porque nossa demanda ainda não é pura.

Na realidade, a única Luz de cima. Ela não se divide como na imagem, ela simplesmente influencia os meus desejos e as propriedades de diferentes maneiras; ela varia o grau da influência positiva e negativa. Tudo só vem para me orientar corretamente em meu caminho.

Quando eu me incluo no grupo, ele me lembra que eu não deveria lutar contra “os acusadores”. O objetivo desses “inimigos” é o de ser uma grande ajuda para mim e me dar força.

A pessoa não deve lutar contra as tentações do nosso mundo ou as queixas sobre o caminho espiritual. Em vez disso, ela precisa pedir ao Criador a força para superar os “acusadores”, em vez de combatê-los face a face.

Da mesma forma, é impossível lutar contra o Faraó, só se pode fugir dele. Eu só manifesto o mal, e, quando atingir sua máxima força, vou adquirir a força necessária para fugir.

A pessoa precisa ter uma atitude prática para com os “acusadores”, porque eles representam as forças que atuam sobre nós. Sua oposição é causada pela minha falta de contato adequado com o Criador neste momento. Este é o defeito que eu preciso corrigir.

É difícil para o homem passar por todas as suas queixas pelo Criador, lembrando que foi Ele que as enviou. Aqui é necessário ter uma opinião comum, uma base comum, uma aspiração comum, e um acordo do grupo.

No grupo nós temos um princípio forte: tudo vem do Criador, e é preciso se voltar a Ele, em vez de se voltar aos “acusadores”. Assim, nós os usamos de forma rápida e correta como se pretendia.

No fim das contas, o homem é grato pelo “mal”, assim como pelo bem, e se une com a fonte única, que envia apenas bem para ele.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 20/10/10, Escritos do Rabash

Uma Pessoa Leva O Mundo Tanto Para Uma Subida Quanto Para Uma Descida

Dr. Michael LaitmanAquelas partes do “criado” pelo desejo do Criador, que podem despertar no sentido espiritual, são chamadas de Israel. E aquelas que ainda não são capazes de despertar são chamadas de “nações do mundo”.

Estas partes existem dentro de cada pessoa, de acordo com seu desejo. A sabedoria da Cabalá não olha para os corpos, mas apenas para os desejos de uma pessoa.

Além disso, quando uma pessoa adquire o desejo pela espiritualidade, ela começa a ser chamada Israel. Mas tão logo este desejo desaparece, murcha e começa a se esconder entre seus desejos egoístas, ela imediatamente começa a pertencer às “nações do mundo”. E isso diz respeito a todos nós.

O desejo egoísta que é referido como “nações do mundo” também se divide em duas partes: “os justos do mundo” e “os animais” (estes querem ferir seu próximo), e os outros conseguem o que querem, mas não à custa dos outros.

Todos os desejos se dividem assim nestes quatro grupos:

•Desejos egoístas chamados de “nações do mundo”: prejudiciais e inofensivos

•Desejos que são inclinados a “doar”, que são chamados de Israel: aqueles dedicados à doação e aqueles que não são.

Quando a pessoa estuda Cabalá, ela inclina todo o mundo ao bem, porque atrai a Luz Superior com seus estudos, o que faz com que o mundo do egoísmo se torne mais amável. Mas quando a pessoa só estuda a Torá regular (a Torá aberta), só a observância física dos mandamentos, ela agrava o sofrimento do mundo (ela inclina o mundo no sentido da culpa).

Não há nenhum estado intermediário. Eis porque todas as pessoas conectadas à Torá devem começar a estudar Cabalá! Caso contrário, prejudicam o mundo.

O Zohar nos fala sobre isso e Baal HaSulam explica o significado disso.

Toso o sistema é feito de tal forma que quando as pessoas só observam os mandamentos corporais sem estudar Cabalá, conduzem a um estado onde todas as outras partes da alma que não pertencem ao trabalho espiritual, mas apenas ao desejo egoísta, ganham uma força maior e sentem mais oportunidades de satisfazer seu ego.

Ou seja, essas pessoas, que só fazem a observância corporal, evocam todo o mal, que mais tarde se torna revelado nas outras três partes da alma.

E aquelas almas que pertencem às três partes inferiores não possuem qualquer liberdade de escolha de serem boas ou más. Apenas aqueles que estudam a Torá tem uma escolha: podem inclinar o mundo para o bem ou para o mal. E o grupo maior, que estuda a “Torá interna”, ou Cabalá, tem pouca escolha, se eles fazem tudo que depende deles!

Toda a escolha pertence àqueles que estudam exclusivamente a “Torá externa”; esta é a parte mais problemática. Tudo depende se eles também vão começar a estudar Cabalá e em que medida.

Quem pode estudá-la, mas o faz, prejudica totalmente o mundo. Mas aqueles que a estudam, embora não com sua capacidade plena, beneficiam o mundo num maior ou menor grau, mas não o prejudicam. Esta é uma grande diferença!

Se todas as pessoas que têm algum tipo de conexão com a espiritualidade estudassem a Cabalá pelo menos um pouco, não haveria nenhum mal no mundo! Não haveria crises nem problemas. Esta é a chave para o sucesso, nada mais precisa de correção, nem o sistema bancário, nem a ecologia. E nada mais vai nos salvar de nossas desgraças.

A única coisa que vai ajudar é que todas as pessoas que estão ligadas à Torá estudem especificamente a Torá interna, em vez da Torá externa e então todo o mundo chegará à bondade; toda as pessoas vão sentir apenas o desejo de fazer boas ações.

Esta é a conclusão feita no Zohar e por todos os Cabalistas das gerações seguintes.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/12/10, “Introdução ao Livro do Zohar

Um Esquema Muito Simples

Dr. Michael LaitmanPergunta: Se apenas uma pessoa que tem o ponto no coração tem a liberdade de escolha, isso significa que ela não deve exigir que os outros mudem? Isso significa que tudo depende de nós?

Resposta: Nós não exigimos nada! Eu sempre fico repetindo que a Cabalá deve ser disseminada de forma muito discreta. Ela é apenas para aqueles que a querem.

Não devemos forçar aqueles que não estão interessados, “Não há coerção no espiritual!” Nós só precisamos mostrar para as pessoas que já adquiriram o desejo de espiritualidade, “o ponto no coração”, que elas têm um lugar para ir com este desejo e desenvolvê-lo.

Afinal de contas, essa pessoa se sente mal. Ela não entende por que não sabe onde realizar um desejo que está sentindo. Portanto, deixe-a descobrir onde pode realizá-lo, e nós não nos dirigimos ao resto. Deixe-os ficar como estavam.

No entanto, em nosso mundo, existe uma nação chamada Israel. Estas são as almas que antes estavam no nível espiritual, mas caíram no desejo corporal.

Todas devem estudar Cabalá e se corrigir. Isso é porque elas passaram pela quebra; uma vez elas já subiram até a espiritualidade e caíram.

Mesmo que o ponto no coração não esteja despertado nelas agora, elas ainda o têm, e nós temos que levar esse conhecimento até elas, e especialmente àquelas que estudam a “Torá externa”, em vez da “Torá interna”. Elas certamente devem estudar Cabalá, e esta é a única maneira que o mundo pode ser corrigido.

Não há outra possibilidade de melhorá-lo e livrá-lo de todas as desgraças. Todos os problemas no mundo acontecem por causa da falta de Luz!

A única maneira de atrair a Luz para o mundo é estudar a Cabalá, que atrai a Luz Circundante. Não existem outras maneiras de fazer isso.

A Cabalá é o meio de conexão com a Luz Superior, a revelação do Criador às criaturas, a revelação da Luz ao desejo de receber. Ela nos conecta com a Luz. Ela ensina você a construir uma tela anti-egoísta.

Estes são os únicos três componentes: desejo, Luz, e a tela no meio. Toda a humanidade está na parte inferior, o Criador está no topo, e a Cabalá está entre eles como o meio para alcançar a tela.

É por isso que qualquer pessoa que deseja se livrar de todos os infortúnios precisa tentar chegar o mais próximo possível dela porque ela atrai a Luz ao fazer isso. E a maneira como vamos nos sentir em nossos desejos depende apenas da Luz.

Da 4 ª parte da Lição Diária de Cabalá 05/12/10, “Introdução ao Livro do Zohar

Cabalistas Sobre O Livro Do Zohar, Parte 2

Estudar O Livro do Zohar por uma hora traz mais resultados do que estudar uma interpretação normal por um ano. “Kisle Melech”, Tikkun 43, Capítulo 60

Isso é necessário hoje para nos proteger do mal, porque, onde as gerações anteriores estavam mais perto do Criador, nossa geração está distante do Criador. Só a Cabalá pode nos proteger. Ya, Tsemach, “Prefácio ao Etz Chaim

A proibição de estudar Cabalá vigorou somente até o ano de 5250. A partir de então, a proibição foi suspensa e, ao contrário, houve uma diretriz para estudar o Livro do Zohar. A partir do ano 5300, todo mundo era obrigado a estudar a Cabalá. Uma vez que o Mashiach virá como consequência, não temos o direito de adiar isso. ” Ohr Hama” Prefácio

Se estudássemos o Livro do Zohar com crianças de nove ou dez anos de idade, aproximaríamos a salvação.Keilot Yakov“, Capítulo “Sod

A libertação virá apenas com o poder do Livro do Zohar.Kise Eliyahu“, Capítulo 4.

Hoje, é urgente a necessidade de se tornar proficiente em Cabalá. O Livro do Zohar é necessário para abrir o caminho para a salvação. Rav Kook, “Orot,” 57.

Por Que Jacó Tem Medo De Esaú?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Jacó tem medo de Esaú. Do que ele tem medo?

Resposta: Digamos que eu vim visitá-lo. Antes de vir eu tive um bom jantar e mesmo que você me ofereça alimentos diferentes, eu não estou com fome, ou seja, o meu desejo de receber prazer não é grande. Eu digo a você: “Você sabe, eu não quero nada, mas por você (em prol da doação) eu estou disposto a aceitar um pequeno deleite, por exemplo, chá e bolo”. Eu recebo o meu deleite e não sinto vergonha; eu fiz isso com a intenção de agradar o anfitrião, e isso nos torna iguais, porque quando eu não recebo em meu benefício, isso é referido como dar a você, e isso me deixa cheio de respeito pessoal.

Nós nos sentamos à mesa, conversamos, o tempo passa e eu começo a ficar com fome. Você diz: “Então, talvez você queira algo?” Mas agora, eu realmente estou com fome! Eu sinto o cheiro do alimento; eles estão me “atacando”! Então, o que eu faço? Eu tenho medo de permanecer neste grande desejo. Eu estou enfrentando um grande desejo. Será que eu serei capaz de resistir a este grande prazer ao ter este grande desejo e será que posso realizar a mesma ação para agradar o anfitrião?

Se eu estou agindo em prol da doação, eu revelo o Criador, e se não consigo, eu aterrisso no chamado “inferno”; eu caio no estado chamado Esaú que me governa.

Isso é chamado de Jacó está com medo. Ele não sabe se será capaz de superar o seu egoísmo, o seu desejo de receber prazer, porque Esaú está nele, ele começa a exigir, está se aproximando de Jacó e diz: “Nós somos irmãos! Vamos ficar juntos!” Nosso desejo egoísta nos diz: “Você quer que a espiritualidade? Eu estou com você! Você quer chegar à Luz? Eu amo a Luz! Dê-me!”

Nós devemos afastá-lo, confundi-lo, enganá-lo, dizer-lhe: “Tudo bem, vejo você amanhã”, e correr o mais rápido que pudermos e tanto quanto pudermos. A Torá nos ensina a trabalhar com o nosso egoísmo, tomando progressivamente pedaços dele para correção até corrigirmos todo o egoísmo.

Da Porção Semanal 18/11/10, O Zohar

Anatomia Espiritual

Dr. Michael LaitmanA Torá “Levítico” ( Tazria-Metzora ), 14:10, 14: 14-14: 17: E ao oitavo dia tomará dois cordeiros sem defeito…

E o sacerdote tomará do sangue da expiação da culpa, e o porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e no dedo polegar do seu pé direito.

Também o sacerdote tomará do logue de azeite, e o derramará na palma da sua própria mão esquerda.

Então o sacerdote molhará o seu dedo direito no azeite que está na sua mão esquerda, e daquele azeite com o seu dedo espargirá sete vezes perante o Senhor.

E o restante do azeite, que está na sua mão, o sacerdote porá sobre a ponta da orelha direita daquele que tem de purificar-se, e sobre o dedo polegar da sua mão direita, e sobre o dedo polegar do seu pé direito, em cima do sangue da expiação da culpa.

Esta passagem é sobre vários tipos de correção. Sacerdote (Cohen) é a mais alta qualidade de Bina. Sangue (DAM) da palavra “domem” (inanimado) é a mais baixa propriedade de um homem.

Mãos, pés, dedos e orelhas significam as qualidades com as quais a pessoa deve trabalhar. Por exemplo, uma orelha representa a propriedade de Bina num homem. Dedos simbolizam dez Sefirot de Keter. O braço e perna direita são o nível de Hesed.

Em outras palavras, nós chegamos a um estado em que a Luz Superior chamada Cohen começa corrigindo propriedades óbvias, evidentes numa pessoa. O grande dedo da mão direita simboliza Keter de Hesed. O dedão do pé direito denota Keter de Malchut.

Ungir a ponta das orelhas esquerda e direita indica a correcção que é feita com a ajuda de sangue e óleo, uma vez que o sangue representa “domem” (inanimado), enquanto que “óleo” significa Bina. De um modo geral, o óleo simboliza a Luz que vem da Sefira Hochma. É assim que a correção acontece.

Neste mundo, existem dois conceitos: escutar e ouvir. Às vezes, nós dizemos: “Você não me ouve”. O que significa ouvir? Significa que existe uma propriedade no homem, mas não há nenhuma implementação desta propriedade. Escutar e ouvir são duas coisas diferentes. Pode-se ouvir sons, mas, para ouvi-los, a pessoa deve ligar seus aparelhos internos.

É por isso que quando o aparelho interior que tem a propriedade de óleo é ligado ao nível de Hochma (orelha direita), esta propriedade começa a perceber, sentir e atingir o nível em que ele está posicionado. Neste caso, a pessoa começa a perceber e aceitar o nível em que se encontra. Este é o ponto onde ocorre a sua correção.

Mãos representam os vasos de recepção, enquanto os pés são as ferramentas por meio das quais damos do que é repelido. A cabeça é o ponto de entrada de tudo o que acontece em nosso sistema e os pés são o lugar através do qual tudo sai. Este processo é chamado de circulação.

Normalmente, o sistema inferior é originado a partir dos pés, visto que as dez Sefirot de Malchut do nível inferior têm que crescer até Keter do Partzuf inferior. Esta situação deve ser corrigida, embora não haja efetivamente nada para corrigir, uma vez que as Sefirot restantes serão alteradas automaticamente por esta ação.

Muitas religiões têm um ritual de ablução (purificação dos pés) dos pés. Isso significa que quando a pessoa se corrigir, debaixo dela surgirá imediatamente o próximo Partzuf inferior, o sistema inferior que é construído das dez Sefirot chamadas dez dedos.

Os pés repousam sobre o solo, isto é, eles estão posicionados sobre o desejo geral. Neste momento, um objeto viável que pode ser ainda mais corrigido e que é feito do desejo geral deve ser moldado, ou seja, há a necessidade de formar algo concreto que exige correção. Assim, para se autocorrigirem, os pés têm que estar limpos.

Pergunta: Por que há sempre algo entre o solo (chão) e os pés, por exemplo, sapatos?

Resposta: Existe uma regra que a pessoa nunca deve se sentar no chão. Ela tem que colocar algo no chão antes de se sentar nele. Não importa se é uma folha de papel ou qualquer outro objeto.

A terra simboliza um desejo completamente não corrigido, não analisado, isto é, uma mistura do bem e do mal. Para começar a analisá-lo, a pessoa precisa ficar de fora desse desejo, flutuar sobre ele. É por isso que não é permitido sentar no chão sem uma camada intermediária colocada entre a pessoa e o solo, sempre deve haver uma camada de roupa ou outra coisa lá.

Pergunta: Será que essa regra explica por que, a fim de obter as colheitas da terra, devemos primeiro arar?

Resposta: Não, é um esquema totalmente diferente. O solo tem que ser anulado, a fim de semeá-lo. Se o solo não é arado, as forças que fazem o grão crescer não serão liberadas.

De KabTV “Segredos do Livro Eterno” 25/02/14

Não Perca A Sua Conexão Com A Vida

Dr. Michael LaitmanAo ler O Zohar, nós precisamos primeiro pensar na intenção, como se eu estivesse planejando viajar e a coisa mais importante para mim é chegar ao destino certo.

Mas, ao mesmo tempo, eu preciso fazer muitas coisas ao longo do caminho. Por exemplo, se eu preciso ir para outra cidade, eu entro no carro, tranco as portas, ligue a ignição, coloco o cinto de segurança e percorro muitas ruas, às vezes até na direção errada, até chegar à estrada principal. Por que eu não posso simplesmente ir direto?

Mas o fato é que eu sou constituído de muitos sistemas, diferentes desejos, e preciso estar conectado a muitas condições, partes do sistema comum de Adão (homem), que operam em duas direções: recepção e doação. As diferentes combinações de recepção e doação são tão complexas e complicadas que às vezes é completamente impossível entender como um determinado evento ou condição pode se relacionar com a meta; por exemplo, os terríveis eventos como a Segunda Guerra Mundial e de outras catástrofes que não podem ser justificadas. Mas cada ação nos aproxima; nós apenas não vemos como isso nos aproxima. Por esta razão, as intenções, ações, pensamentos e desejos podem se tornar seu oposto absoluto, mudando 180 graus. Mas, ao mesmo tempo, nós temos que manter a meta.

Imagine o que aconteceria se você esquecesse para onde você estava indo no meio da viagem! Essas doenças ocorrem na velhice. Esta não é apenas uma memória fraca onde você entra no carro e não se lembra para onde está indo; é um afastamento da realidade que ocorre o tempo todo. Essa pessoa já não pode cuidar de si mesma; ela precisa receber cuidado, como uma criança.

Nós temos a mesma doença em relação à espiritualidade, uma vez que perdemos a nossa intenção! Cada momento nós perdemos a conexão com a vida e nos esquecemos: por que vivemos, o que temos feito e continuamos a fazer, e com que finalidade. Esta é uma doença real, e precisamos combatê-la em todas as formas possíveis, de outra forma não estão vivos! Quando eu perco a intenção, eu não vivo uma vida espiritual! Eu vivo como um animal em vez de um ser humano!

Agora me diga, quantos momentos de sua vida você passou a viver como um ser humano? Quanto esforço você coloca em ser humano? Você está pelo menos tentando alcançá-lo? O número desses momentos é igual ao número de vezes que você deixa a Luz superior influenciá-lo. E você ainda quer alcançar algum tipo de resultado dessa maneira? Você sequer dá à Luz a oportunidade de trabalhar com você, talvez apenas dez minutos em dez anos!

E agora você conta o tempo pelo calendário e se queixam de que têm sido 10 anos, quanto tempo mais? Afinal, está escrito que isso leva de três a cinco anos! Mas o que você estava fazendo todo esse tempo?

Você conta o tempo de acordo com o giro do relógio, mas será que você girou com ele em torno de uma intenção? Não girou? Então o que você está exigindo?

Em outras palavras, todos nós temos a doença de Alzheimer, a perda absoluta da memória, e sequer suspeitamos disso. E como podemos manter uma intenção pura dessa maneira? É por isso que não há garantia mútua! Outras pessoas vêm àqueles que perderam a memória e os ajudam! Não há outra solução. Por isso, vamos concordar em manter a intenção.

Da Lição O Zohar 25/11/10

Numa “Fatia” Do Desejo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que uma pessoa deve usar tudo o que tem, a fim de satisfazer o amigo. Mas o que há em mim?

Resposta: Se você veio aqui junto com todas essas pessoas sentadas ao seu lado na lição e milhares de outras pessoas de todo o mundo, este é um sinal de que você está conectado a elas. A Luz ilumina o desejo de receber geral, penetra em algum estrato desse desejo de receber, e conforme a sua intensidade, na medida de seu poder, ele desperta todos nós. Por isso, nós somos despertados a partir desta “fatia” do desejo que a Luz ilumina e penetra através de nós e nos desperta. Caso contrário, permaneceríamos animais.

Nesta “fatia”, nós estamos conectados uns aos outros. Portanto, todos nós somos chamados de “amigos” porque pode haver uma conexão entre nós, de acordo com o entendimento mútuo, sentimento, realização e ajuda. Esta é a diferença entre amigos que pertencem a uma camada de desejo e a nossa conexão com o superior e o inferior. Entre nós somos iguais.

Assim, a minha correção é a conexão com todos aqueles que se encontram nesta fatia do desejo. Isso é porque eu entendo que se não nos conectarmos neste nível, nesta fatia, não vamos continuar a correção. Diante de nós estavam as fatias anteriores do desejo, de Adam HaRishon em diante. E nós estamos numa nova fatia, muito original, que a partir de agora começa a correção da verdadeira Malchut.

Pergunta: Mas o que há em mim?

Resposta: O que há em você é uma conexão com todo o resto das partes que foram reveladas junto com você. E você deve estar em conexão com elas, na medida em que isso é possível. Há aqueles com quem você não se identifica no momento; há aqueles com quem você tem uma relação estreita, forte e boa. Você tem que saber que a sua correção deve estar conectada a eles.

Imagine: todos nós estamos numa fatia. Nossa correção deve estar conectada entre nós. Não há nada além disso! É impossível dentro desta fatia pensar em mim mesmo. Pois aqui nós estamos falando da fatia de desejo que foi revelada. A geração seguinte já será uma fatia ou nível inferior e assim por diante. Assim, a minha correção pessoal é isso, que eu vou fazer com que todos aqueles que estão dentro da minha fatia estejam conectados num único conjunto. E isso é tudo.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 24/03/14, O Zohar