Textos na Categoria 'Zohar'

Uma Ciência Que Você Estuda Em Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanPergunta: Durante a lição, como você renova a sua intenção entre os opostos que lhe puxam em diferentes direções?

Resposta: É uma boa coisa ter distúrbios. Tão logo a pessoa renova a sua intenção, ela foge mais uma vez, e outros cálculos começam a arrastá-la para baixo.

E mais uma vez ela está sendo lembrada dos céus que seus pensamentos não se relacionam com o avanço espiritual. E mais uma vez ela encontra a força para analisar sua situação e pedir para sair rapidamente do atoleiro para a unidade.

Ela retorna ao tema da lição com este ponto de unidade, a fim de agarrar-se ao Zohar, tanto quanto possível.

Este é o “estudo da Torá” – e não “queimar a pestana”, mas estudar a si mesmo. Porque, no final, nós revelamos a nós mesmos. Está escrito: “Eu vou ver o Criador desde a minha própria carne”. Desta forma, nós nos aproximamos da verdade.

Aqueles que pensam que precisam conhecer o material estudado estão enganados. A pessoa precisa saber quem ela é e descobrir quem ela é por meio do texto escrito. “Quem sou eu, que a Torá ensina a pertencer à Luz?” Eu descubro todas as minhas contradições, todos os distúrbios e tipos de conexão espiritual, todos os “prós” e “contras”.

Isto é o que eu tenho que aprender. A Torá dá aulas à minha inclinação ao mal, colocando-a diante da Luz. Está escrito: “Eu criei a inclinação ao mal e a Torá para acompanhá-la”. Quando esses dois fatores se manifestam diante do homem, e ele começa a verificar um através do outro, este é o estudo da Torá.

Eu não estudo o texto; eu me estudo. Quando eu me esforço em direção à verdade, o texto me traz a sensação da extensão da minha separação dele. As pessoas são como máquinas; elas estudam o texto, mas há a Torá que você estuda em si mesmo. Está escrito: “Nós vamos ver a Luz em Sua Luz”.

Este é um tipo diferente de estudo onde você trabalha em conjunto com os distúrbios, resistindo a eles; este é um auto estudo prático. “Quem sou eu em comparação com o Criador?” Esta é a essência deste estudo.

Todos os distúrbios e problemas que me impedem de imergir na realidade sobre a qual estou lendo são as diferenças entre eu e o Criador. Quando eu subo acima de todas as faces do meu egoísmo, eu demonstro prontidão para seguir em frente, em direção a Ele.

Da Lição 29/11/10, Introdução ao Livro do Zohar

Pais E Filhos

Dr. Michael LaitmanDiz-se que Abraão gerou Isaac, e Isaac gerou Jacó. Em nosso mundo, um filho continua o negócio de seu pai e, portanto, é considerado superior ao pai.

Em contraste, no mundo espiritual, o anterior é superior. O filho é o resultado das ações de seu pai, mas num estado pior, num desejo mais espesso. Assim, Isaac é um estado menor do que Abraão, e Jacó é inferior a Isaac.

Por outro lado, quanto mais profundo e mais forte o desejo, mais oportunidades ele tem de ser corrigido em equivalência com o Criador. Portanto, do ponto de vista do desenvolvimento das gerações, cada nova geração é pior do que a anterior. No entanto, do ponto de vista da utilização do nível do desejo, cada geração seguinte sobe mais alto, ou seja, alcança a maior Luz.

Portanto, algo que era impossível de fazer por Abraão, devido à sua pequena profundidade do desejo, é manifestado em Isaac, na esquerda, a linha egoísta. Este trabalho não pertence a Abraão. Ele só tem que “amarrar”, limitar o despertar de seu desejo egoísta. Enquanto isso, Jacó se conecta com ambas as forças e começa a perceber a si mesmo. Como resultado, a alma começa seu desenvolvimento e consiste em duas propriedades.

Não Há Palavras Na Espiritualidade

Dr. Michael LaitmanSe você abrir um livro de oração Cabalístico, você verá letras individuais em vez de palavras completas; elas expressam sensações, ações internas, telas, a repulsão e a atração da Luz. Não há palavras na espiritualidade.

Nós normalmente usamos as palavras deste mundo e as relacionamos com a espiritualidade; é comum. Mas podemos fazer isso sem palavras. Uma pessoa que alcançou a espiritualidade não age com palavras.

Baal HaSulam orou para descer do seu nível para um estado onde poderia encontrar palavras adequadas, ao vestir essas realizações em palavras “materiais” para que elas pudessem ser entendidas, para transmitir aos que estão abaixo dele o que ele alcançou.

Na espiritualidade, existem apenas sensações. Eu não tenho que vesti-las em palavras, pois tenho Reshimot e gostos (Ta’amim). Eu não tenho que explicá-las a mim mesmo, a menos que eu esteja disposto a compartilhar a minha impressão com os outros. Mas a partilha é sempre limitada. Nem uma única palavra pode incluir todo o significado que ela realmente abrange.

Portanto, a oração é o trabalho no coração, um grito do fundo do coração, sem qualquer linguagem ou livro de orações. Livros de orações foram escritos para nós pelos Cabalistas (membros da Grande Assembleia) antes do exílio, quando todos nós caímos do nível espiritual. Se você cai da consciência dos mundos espirituais para este mundo, você não tem nada a dizer sobre a espiritualidade. Assim eles escreveram orações para nós, para que pudéssemos ao menos falar sobre a espiritualidade na forma de orações. No entanto, a conexão com a espiritualidade ainda permanece, e quando durante o exílio muitas pessoas pronunciam as palavras que estão escritas no livro de orações elas causam certa “agitação” na Luz Circundante que por sua vez protege a nação. Mas elas só funcionam no momento do exílio e não por muito tempo. Não é uma verdadeira oração.

Atualmente, nós estamos chegando ao estado em que temos que começar a trabalhar no ponto no coração que nos atrai de volta à Bina.

Da Lição 18/10/10, O Zohar

A Crise Provocada Pela Grande Mente

Dr. Michael LaitmanA questão é se nos foi dada uma mente para que possamos examinar as coisas por ela e nos aprofundarmos ou se ela nos foi dada para que possamos realmente nos confundir com ela e deixar que a força superior nos penetre e corrija.

Esta é a questão: Como nós vamos usar os dados que estão dentro de nós, que nos controlam, em nossas inclinações, em todos os atributos que uma pessoa tem?

Por que eles foram dados a nós? A fim de chegarmos a certa correção ou para usarmos esses dados e as nossas capacidades do jeito que são?

Se eu quiser usá-los do jeito que eles são, eu nego o fato de que houve uma quebra, o que significa que eu quero continuar trabalhando com a minha mente e meu coração diretamente, usando-os para descobrir o mundo.

Então nós vemos o resultado sombrio e a crise que tal atitude acarreta. Embora não tenhamos ainda alcançado a consciência inicial do desenrolar da crise, isso está prestes a ser revelado em breve.

É porque apenas os vasos quebrados são revelados. Se eu usar a minha mente e coração e não ouvir as advertências dos Cabalistas dizendo que está tudo quebrado, e continuar trabalhando com eles, eu finalmente vou descobrir que está tudo quebrado. Quando eu descobrir que o sistema está quebrado, significa que eu atingi a crise.

Vai levar um longo tempo e muita dor até que eu reconheça a crise e a compreenda. É porque essa atitude é chamada de caminho da evolução natural, “em seu tempo” (Beito), o caminho do sofrimento, o caminho da mente quebrada.

Mas há um outro caminho, o caminho do “eu vou apressá-lo” (Achishena), o tempo de aceleração. Ao longo dessa trajetória me dizem: “Você sabe por que tudo está quebrado? De modo que você vai ser capaz de sentir confuso, sentir seu desamparo, e perceber que não tem nem uma mente nem um coração e que não pode existir dessa forma. A crise que você vê diante de si não basta para querer parar esta perseguição estúpida e dizer: basta!”.

Agora eu começo a usar meu coração e mente de forma diferente: eu estou fora do foco egoísta e esta é realmente a razão que eu abro uma passagem para a Luz, permitindo que ela me influencie e me mude internamente. Isso significa que eu uso o meu coração e mente, mas de forma diferente.

Eu não quero usar o meu coração e mente diretamente, como eles foram dados para mim. Minha mente foi dada a mim para que eu possa entender que não tenho uma mente. Todos os meus sentimentos foram dados a mim para que eu possa entender que não tenho nenhum sentimento. Meu coração e mente não podem me ajudar a descobrir a verdadeira realidade.

Existem apenas duas maneiras de usar corretamente os dados que me foram dados: ou dentro da razão ou acima da razão. Escolha!

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 13/06/14, O Zohar

A Oração É Um Trabalho No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: Um pedido de ajuda ao Criador durante tempos ruins é uma oração? Eu posso recitar orações tradicionais com as minhas próprias palavras?

Resposta: A oração é chamada de trabalho no coração e não palavras que uma pessoa diz. Eu posso não saber as palavras das orações ou a linguagem. Afinal, o choro de uma criança é também uma oração. Ela não conhece nenhuma linguagem, só grita. Por quê? Ela quer alguma coisa. Isso é chamado de oração.

A oração é elevar MAN, revelar um desejo vazio. Elevar um desejo significa que eu quero algo maior em comparação com o meu estado atual. Se eu quero isso, é chamado de oração.

Se eu quero algo que não excede o meu nível atual, este pedido não é considerado uma oração, e não se eleva ao Superior que cuida de mim. O Superior está disposto a realizar apenas uma ação: ajudar-me a subir até Ele. A sua intenção é justamente para isso, de acordo com a ordem dos degraus que descem de cima para baixo. Portanto, a oração deve ser elevar MAN (Mei Nukvin – as águas de Nukva), quando Malchut quer ser como Bina.

Existe o nível de Bina e o nível de Malchut. Durante a segunda restrição (Tzimtzum Bet) Malchut sobe para Bina e Malchut já está presente em Bina. Em seguida, como resultado da quebra, Malchut desce de Bina de volta à Malchut, mas ela desce em conjunto com Bina quebrada. Estas são, de fato, as centelhas espirituais (o ponto no coração) que são inseridas em nós.

Agora, de nossa Malchut comum, nosso desejo de receber prazer, e da centelha de Bina, que nos desperta, nós queremos elevar esta centelha de volta à Bina. O meu trabalho consiste em avaliar a centelha espiritual em comparação com Malchut. Eu as comparo entre si. Se a centelha for maior, isso significa que eu gostaria de me tornar  semelhante à Bina, fundir-me com ela, uma vez que a centelha é uma parte de Bina em mim, uma parte do Criador de cima.

Então é como se eu a elevasse de volta para o nível de Bina com minha aspiração. Isso é chamado de “as águas de Nukva“, que eu elevo. É uma parte de Bina (“água”) que está  em Malchut (“Nukva”). Isso é chamado de um choro, uma oração. E ninguém se importa com o que você diz em voz alta durante este tempo.

Da Lição de 18/10/10, O Livro do Zohar

Encontre Todas As Imagens Dentro De Si Mesmo

Dr. Michael LaitmanEstá escrito: “Eu criei a inclinação ao mal”. No capítulo semanal “VaYishlach“, a imagem de Esaú é certa interpretação especial da inclinação ao mal; em outros capítulos, esta será o Faraó, Bilaque, Bilam, e outros vilões, mas esta será sempre a minha inclinação ao mal; ela não existe fora de mim. Ela é descrita simplesmente a partir de diferentes perspectivas, enfatizando propriedades diferentes com as quais eu preciso trabalhar cada vez num nível diferente.

Por outro lado, eu também estou sendo informado sobre as forças que devo usar para me ajudar a trabalhar com isso, e me é mostrado que o meu primeiro encontro com esta inclinação ao mal resulta em completo fracasso.

Eu imediatamente me submeto a ela quando ela se revela; eu não sei o que fazer! Mas então, aos poucos, eu começo a me libertar dela, eu me separo, a restrinjo e começo a controlá-la um pouco. Eu corto uma parte dela e a corrijo, depois outra parte, e, desta forma, vou de uma camada para outra até o fim da correção, até corrigir todo o meu egoísmo.

A Torá sempre revela como o homem se corrige, e agora você não terá qualquer dificuldade em lê-la. O homem é um mundo pequeno, e tudo deve existir dentro de você. Você só precisa tentar encontrar Beit El, Siquém, Balak, Dina, todas as características deste conto dentro de você, e também toda a natureza inanimada, vegetal e animal da que a Torá fala, porque essas coisas também são propriedades de sua alma, apenas num nível mais baixo.

De maneira nenhuma você deve ver uma obra literária na Torá. Está escrito sobre isso: “Não faça imagens, não faça qualquer imagem para si mesmo”.

Da Porção Semanal da Torá 18/11/10

Uma Bênção No Coração

Dr. Michael LaitmanPergunta: O nosso trabalho não é todo em ocultação? E não é do estado de ocultação que temos que abençoar o Criador?

Resposta: Como você pode abençoá-lo num estado de ocultação: sofrer e abençoá-Lo? É impossível abençoar o Criador a partir de um estado de ocultação se você está num estado oposto a Ele.

Se eu tenho os mesmos desejos que Ele, eu estou num estado de revelação. Se estou num estado de ocultação significa que os meus desejos são opostos a Ele. Há estados especiais, como trabalhar à noite, mas se você abençoa o Criador no escuro, você tem que transformar a escuridão em Luz.

Se o Criador me aflige e eu digo “muito obrigado” e peço mais, é como o filho que se orgulha de seus próprios poderes e combate o inimigo com uma espada e um escudo feito de papelão. Isso não pode acontecer.

Pelas minhas correções eu posso chegar a um estado em que, em vez de golpes, eu sinto misericórdia, depois amor. Eu posso, então, abençoar na mesma medida, como se diz, “todos os meus ossos dirão”.

É impossível de outra forma. É impossível sentir dor e abençoar ao mesmo tempo. Se eu me sinto mal, eu amaldiçoo o Criador. Eu não posso ser neutro e abrir a boca para abençoar, uma vez que falamos do trabalho no coração.

Se os meus desejos são corrigidos de acordo com o Criador, eu O abençoo neles. Primeiro eu tenho que restringir meus desejos e me anular. Todos os desejos que eu posso transformar em doação e corrigir pela Torá são os desejos com os quais posso abençoar.

A bênção é um sentimento no desejo que está em equivalência de forma com o Criador, que sente como Ele é bom e benevolente ao trazer golpes ao meu desejo de receber. Eu anulo a minha conexão com o desejo de receber e subo acima dele. Por isso meu desejo de receber sofre, mas eu não gosto da dor como um masoquista, mas sim me elevo acima do desejo de receber para o desejo de doar.

Assim, eu estou contente com os golpes que o meu desejo de receber sente na ausência da Luz, na escuridão total. Meu “eu” é aderido à doação, acima do meu ego.

Meu desejo de receber nunca receberá nada, mas eu mudo aquilo com que me identifico com ele. Por exemplo, uma menina fica grávida e tem um filho. Primeiro, ela só se preocupava consigo mesma: o que ela pode desfrutar, seus vestidos, se divertir, e todos os tipos de coisas. Mas agora ela só se preocupa com o bebê. Todo o seu coração está nele e toda a sua atenção está focada nele. Ela não se importa com o que acontece com ela, visto que todos os seus pensamentos são para ele, e ele é a coisa mais importante para ela.

Se eu saio de mim mesmo desta maneira isso se chama anular a mim mesmo. Quando eu estou dentro dos outros, isso significa que todo o meu coração está no Criador. Esta é a minha correção. Então, não faz diferença que escuridão eu sinto internamente, desde que os outros sintam a Luz interior.

Pergunta: Nós não vamos exigir a revelação?

Resposta: Depende do que a revelação significa para você. Revelação para mim é se preocupar com os outros. Não é a mesma Luz que preenche o meu ego, meus desejos. Eu atinjo a Luz que recebo em outros, uma vez que este é o meu amado bebê. Na medida em que eu estou nos outros e me preocupo com eles eu posso exigir a Luz.

Então eu posso sentir o que eles recebem graças ao meu esforço. Isso é chamado de dia para mim. Assim, neles eu sinto a presença do Criador e, portanto, me aproximo do fim da correção. Estes não são os mesmos vasos que eu tinha antes. Eu estabeleci a minha atitude para com as pessoas e com o Criador acima deles, mas eu não recebo um preenchimento em meus velhos vasos.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 01/06/14, O Livro do Zohar

Vamos Ter Que Nos Esforçar Para Alcançar A Correção

Dr. Michael Laitman“Introdução ao Livro do Zohar“, “BeLaila De Kala” (A Noite da Noiva), Item 138: Este é o ponto principal do ensaio, pois, até agora, as correções também foram consideradas como a obra das nossas mãos, porque nós recebemos recompensas ou punições por elas. No entanto, no grande Zivug do fim da correção será revelado que as duas correções e punições eram todas obra de Suas mãos, como está escrito: “Os céus contam a obra de Suas mãos”. Isto é assim porque o grande Zivug do firmamento vai dizer que tudo é obra de Suas mãos e Ele por si só está fazendo e vai fazer todas as obras.

Uma pessoa tem um sentimento e tais pensamentos de queo fim da correção é um estado fixo que virá em algum momento no futuro e que podemos simplesmente esperar por ele. Ela não entende que este estado vem de acordo com as correções que ela executa. Nada vem por si só, mas apenas de acordo com o nosso trabalho nas correções.

Não devemos esperar para permanecer do jeito que somos e que as correções vão simplesmente chegar por conta própria. Não, eu sou o único que tem que se esforçar para alcançar a correção.

Da 3a parte da Lição Diária de Cabalá 02/06/14, O Zohar

Como Você Imagina O Inferno?

Dr. Michael LaitmanPergunta: O que é Geena (Inferno)?

Resposta: Geena depende da forma como uma pessoa define. Há aqueles que supõem que Geena é quando tudo o que tinham neste mundo desaparece e eles lamentam que a vida passou sem qualquer benefício.

Há aqueles que supõem que Geena não é aqui neste mundo de um ponto de vista emocional: bom ou ruim, com todos os tipos de observações. Pelo contrário, ele nos espera no futuro, depois que o corpo morre. Eles pensam que depois que o corpo morre, Gan Eden (Jardim do Éden, paraíso) ou inferno espera por eles.

Na Cabalá, o que é chamado de Geena é o estado mais indesejável. Através do nosso estudo e do trabalho em grupo, nós nos esforçamos para chegar a um estado onde os valores são alterados para que o céu e o inferno assumam uma identidade diferente em comparação com o que é convencionalmente aceito. As pessoas comuns pensam que quando o corpo morre, algum tipo de porta se abre para o inferno ou o céu para uma pessoa.

Mas será que esta besta miserável tem culpa por ter morrido ou porque estava viva? Isso fala sobre a vida ou a morte do desejo de receber na mesma situação, quando temos o livre arbítrio. Esta ilusão de que eu me encontro num corpo físico e sinto este mundo é intencionalmente dada para que eu possa saltar por cima dela e me ver como vivo e existindo apenas num Kli (vaso) espiritual em relação à Luz.

É muito bom e benéfico imaginar o inferno (Geena) e vê-lo de uma forma diferente o tempo todo. Quando eu estou sob o controle do desejo de receber, que não me deixa doar, isso é chamado de inferno. Então nós temos tal Geena!

Da 3ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/05/14, O Livro do Zohar

Não Há Nenhuma Crueldade No Palácio Do Rei

Dr. Michael LaitmanO Livro do Zohar, Introdução ao Livro do Zohar, Artigo “A Noite da Noiva”, seção 132: Quando isso aconteceu com o Rei David, o medo o envolveu. Logo em seguida, Duma subiu ao Criador, e disse: “Mestre do mundo, é dito na Torá (Vayicrá, 20:10): ‘E o homem que comete adultério com a mulher de outro homem… ‘David quebrou sua aliança, não foi?” O Criador respondeu-lhe: “David é justo, e sua santa aliança permanece pura, pois é conhecido por Mim que BatSheva foi destinada a ele desde a criação do mundo”.

“Você não tem permissão de trazer a morte sobre ele… “Então Duma imediatamente desistiu de suas queixas, e voltou, desanimado, para o seu lugar”.

Pergunta: Por que o anjo Duma quer que o Rei Davi morra, tanto que ele “voltou, desanimado, para o seu lugar”, quando não foi bem sucedido?

Resposta: Duma só ajuda a fazer esclarecimentos. Ele é um anjo do Criador, é uma força espiritual.

Está escrito que Duma “voltou, desanimado, para o seu lugar”, porque uma Klipa (casca) também deve crescer para estar em equilíbrio com Kedusha (santidade). Caso contrário, não vamos ter livre escolha ou o poder de esclarecimento. Como eu posso esclarecer alguma coisa, se diante de mim nada se opõe a mim, nem mesmo alguém que seja tão sábio e forte como eu sou e que não tem nada contra mim?

Duma age contra Urias e não contra David. Enquanto que, graças a ambos, David esclarece seu verdadeiro estado.

Tudo o que a Kedusha recebe, a Klipa pode sugar e extrair dela depois. O benefício aqui é enorme. Graças a isso, nós esclarecemos cada vez mais novos Shevirot (quebras). Assim, nós somos obrigados a realizar transgressões graças às quais o Kli (vaso), o desejo, é revelado numa maior profundidade, maior densidade.

Isso é um pouco como um poço cheio de água. Esta água é Ohr Hassidim (Luz da Misericórdia), Hesed (misericórdia), e o poço é o Kli, o desejo. Enquanto o desejo está cheio de Hassadim, nós não o vemos.

Mas quando erramos, nós estamos realizando uma transgressão e Hassadim desaparece, ou seja, a água vaza para fora do poço, e nós vemos suas paredes. Verifica-se que há ainda outras fissuras através das quais somos levados a uma maior profundidade. A água flui ainda mais longe e você afunda mais profundamente no desejo e é assim que o Kli é descoberto e é assim que você se familiariza com ele.

É impossível investigar o Kli enquanto ele está cheio de Hassadim. Pois Hassadim é Hesed, misericórdia. Portanto, todo o desejo é cheio de Hassadim e tudo é maravilhoso. Hassadim cobre tudo como a água e não possibilita realizar esclarecimentos. Mesmo o amor pode ser cego.

Portanto, transgressões especificamente ajudam a examinar os nossos desejos. Nós vemos isso em particular no que diz respeito à peregrinação do povo de Israel no deserto, onde eles cometeram transgressões a cada passo do caminho. Eles arrastaram essas transgressões do Egito, porque tomaram os vasos egípcios de lá.

Se o seu saco está cheio de prata e vasos de ouro, então você descobre um vaso após o outro, outro desejo mau, e mais outro. A descoberta de um desejo egoísta é chamada de transgressão, mas, em seguida, torna-se possível corrigi-lo.

Portanto, o anjo Duma realiza um trabalho muito bom e grande ao revelar os desejos. Nós precisamos entender que “não há crueldade no palácio do rei”; em vez disso, todos se ajudam e se apóiam. No entanto, sem o conhecimento da Cabalá é impossível entender essa história que aconteceu com o Rei Davi, que parece ser um criminoso, uma vez que matou o marido para possuir a esposa do homem.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá28/05/14, O Livro do Zohar