Textos na Categoria 'Trabalho Interno'

Chame A Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Eu não consigo localizar o ponto de partida que não serve ao meu ego e que me permitirá subir acima dele. Tudo o que está em mim, mesmo esta pergunta, é o resultado do meu orgulho. Então, o que posso fazer?

Resposta: Chore.

Pergunta: Mas eu não posso chorar.

Resposta: Então, você deve gritar. Claro, você não tem força e ainda sente que é um pouco corrupto, então, você não fica realmente alarmado com isso, já que não lhe parece tão ruim. Isso significa que ainda lhe faltam muitos discernimentos pelo quais você pode ser atraído à meta, pelos quais você é repelido pelo estado atual e sai dele.

Assim, chore e grite, e peça para fazer tudo o que está em seu poder. Se você ainda não pode fazer nem mesmo isso, então você ainda tem o ambiente ao qual pode se voltar. Volte-se para os amigos.

Se você não tem força para fazer mesmo isso, então, pelo menos um pouco se incorpore neles. A pessoa deve realizar determinadas ações, e lhe é dada a oportunidade de fazê-lo.

Pergunta: A inveja que sinto dos amigos realmente funciona, mas ela ainda não me leva ao ponto desejado. Portanto, não importa o quão duro eu grite, meus gritos só serão egoístas.

Resposta: Não importa; eles ainda ajudam. A Luz Circundante responde aos gritos egoístas. Portanto, é a Luz Circundante e não a Luz Direta, e nem a Luz Interior, e assim você age nela mesmo através de gritos egoístas. Assim, grite. Grite e ela despertará em resposta a isso.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/06/13, Escritos do Baal HaSulam

O Que É Odioso Para Você, Não Faça Aos Seus Amigos

Dr. Michael LaitmanExistem dois princípios: Hillel disse: “O que você odeia, não faça ao seu amigo”, e o rabino Akiva disse: “Amarás o teu próximo como a ti mesmo”. O primeiro princípio refere-se à Bina, que é dividida em duas partes:

• Uma é neutra, a principal coisa para ela é não prejudicar ninguém. Eu sempre vigio a mim mesmo, a fim de ser um “bom menino”, aparentemente para “pairar sobre a terra”, sem envolver o meu ego. Eu não tenho nenhuma camisa? Bem, eu não preciso disso. Eu moro na “floresta”, longe de todos, e não me comunico com ninguém. Assim, sigo o princípio: “O que você odeia, não faça ao seu amigo”. Evito causar qualquer dano aos outros, assim como não gostaria de ser prejudicado por eles. Estas são as três primeiras Sefirot de Bina.

• Isto me leva à “continuação da frase original”, para as sete Sefirot inferiores de Bina, para os vasos de recepção. Agora, eu verifico a mim mesmo com relação ao assunto de “falsificar”: Talvez eu, de alguma forma, prive os outros? Talvez eu não contribua para o bem que eles poderiam receber? Isso ainda não toca meu “principal capital egoísta”. Eu não estou pronto ainda que sacrificar alguma coisa de mim, mas já me sinto a necessidade de ajudar os outros. Enquanto eu não corrijo o meu desejo de receber, eu já adiciono algo ao desejo de doar. Devido às fases anteriores da correção, eu começo a reconhecer as oportunidades para beneficiar os outros: “Ah, ele pode ganhar aqui e isso vai trazer-lhe bem”. Eu contribuo para essas oportunidades. Esta é a fase de transição que vai me levar à verdadeira dádiva.

Por enquanto, não é a doação real, nem abnegação em prol do outro. Por exemplo, eu ganhei cinco mil dólares no mês passado, e só dois mil é suficiente para mim. Surge a pergunta: Se eu seguir o princípio “o que você odeia, não faça a seu amigo”, eu devo dar três mil dólares para o outro?

A resposta é não. Afinal de contas, eu não trabalho com os vasos de recepção, não renuncio aos meus, mas continuo totalmente na propriedade da misericórdia (Hassadim) e apenas contribuo para o bem dos outros. Eu tenho um bom coração e estou pronto para ajudar os outros, mas não à minha custa. Assim, eu trabalho com o egoísmo no nível 0, nível 1 e, parcialmente, no nível 2 de Aviut (a “espessura” do desejo), mas não no desejo do AHP, que pertence aos níveis 2, 3 e 4.

A parte superior do meu vaso, o meu desejo total de desfrutar, são os vasos de doação (248 desejos), e na parte inferior são os vasos de recepção (365 desejos). Os vasos de doação estão no estado de Hafetz Hesed (HH), na propriedade de misericórdia, e querem doar a fim de doar, mas os vasos mais baixos recebem a fim de doar. Assim, na primeira parte, eu realizo a “purificação”, e na segunda parte a correção, tornando-me semelhante ao Criador pelas propriedades. Aqui, eu já formo a minha semelhança humana: a imagem humana, semelhante ao Criador.

Em geral, esse desejo corrigido com a intenção altruísta é chamado de “alma”.

Assim, o princípio de Hillel pertence à parte superior do vaso, e o princípio do Rabi Akiva à parte inferior. Claro que, em qualquer caso, eu trabalho com o meu egoísmo e deve superá-lo. No entanto, o trabalho de acordo com o primeiro princípio não exige que eu sofra prejuízos, desista de meus bens, e esta é a sua diferença fundamental.

É importante lembrar que estamos falando de uma pessoa que quer aderir ao Criador (C), e é por isso que ela pergunta: “Como posso conseguir a adesão? Como posso entrar no mundo superior, na espiritualidade?”. Primeiro essas perguntas empurram a pessoa nos vasos de recepção, para a linha de esquerda, e depois a levam ao princípio de Hillel. Mais tarde, esta decisão a leva novamente e a deixa trabalhar com seus desejos egoístas.

Este caminho é descrito no exemplo de um convertido que vai a um sábio para pedir conselhos. Primeiro, ele pede que Shamai o ensine a amar o próximo como a si mesmo, mas é recusado porque é impossível atingir a meta de uma só vez. Em seguida, ele vai a Hillel e pede a ele para explicar todo o método Cabalístico enquanto ele está sobre um pé, ou seja, para descrever os meios de avanço por uma única regra. Em resposta, Hillel formula o princípio de “o que você odeia, não faça a seu amigo”, ou seja, ele esclarece que ações são necessárias para isso.

Assim, de acordo com a lei da criação, o princípio ou adesão com o Criador é dividido em duas partes:

• “O que você odeia, não faça a seu amigo”;

• “Ama o teu próximo como a ti mesmo”.

Se eu avançar de forma consistente de acordo com esta ordem, eu vou finalmente atingir o amor pelo Criador.

Pergunta: Seguindo o princípio “o que você odeia, não faça a seu amigo”, eu realizo ações físicas. Como posso combinar isso com a intenção correta?

Resposta: O mesmo princípio funciona em nosso mundo, no mundo espiritual, na vida cotidiana e entre os amigos. Não importa em que ambiente eu esteja, eu devo ficar no nível desse ambiente e tentar me comportar da mesma forma como eu quero que eles se comportem em relação a mim. Consequentemente, no grupo, eu sigo os desejos dos amigos e seu objetivo, e no trabalho, eu ajusto minha atitude aos desejos dos meus colegas. E eu faço isso em todos os lugares.

Eu me coloco na situação do outro e, assim, meço a minha atitude com relação a ele, e isso já é doação. Na verdade, eu não desejo mal a mim mesmo, e assim, com certeza trarei benefício para o outro.

Isso é mais do que um exercício; isso já é uma ação, a correção. Não importa se eu atuo egoisticamente. Não pode ser de outra forma. Minhas ações sempre resultam do egoísmo. No entanto, com essa abordagem, elas atraem para mim a Luz que Reforma e, então, eu mudo. É por isso que é dito que o coração segue as ações. Primeiro, eu atuo de acordo com o ditado de Hillel, e, depois, a Luz vem e me corrige.

Pergunta: Portanto, nós poderíamos dizer que o critério do meu avanço é a medida do amor ao próximo que eu alcanço?

Resposta: Claro, como poderia ser de outra forma? Os graus espirituais são diferentes justamente na sua medida de doação.

Pergunta: Nos últimos quatro ou cinco anos, eu só fui capaz de entender que não sou bom. A única coisa que posso fazer é tentar não prejudicar os outros. Nada mais.

Resposta: Se você está pensando em como não causar danos aos outros, você chegou longe. A aceitação deste pensamento na sua cabeça é uma grande conquista.

Pergunta: Na verdade, doar a fim de doar também é egoísta, porque no final, eu desejo o bem para os outros apenas porque desejo o bem para mim. Isso só me fornece uma vida mais confortável.

Resposta: Então, por que a humanidade ainda não adotou esse princípio? O problema é que isso é repugnante à nossa natureza, que exige que os outros se sintam mal. Nós vemos como países inteiros chafurdam em conflitos bobos, a base dos quais é o orgulho primitivo. Isto custa uma quantidade enorme de recursos, bilhões em investimento, um monte de nervos e problemas. Não obstante, em geral, o mundo age egoisticamente, e nada nele poderia ser chamado de “doação em prol da doação”.

Pergunta: Eu acho que a “doar a fim de doar” é algo ingênuo, abstrato. O que é isso na realidade?

Resposta: É uma ação dirigida contra a vontade, contra meu egoísmo. Ela exige que eu incline a minha cabeça, sinta o outro, fique no seu lugar, “experimente a mim mesmo” e ele em mim mesmo. Aqui, você precisa de um profundo entendimento de psicologia.

O princípio “o que você odeia, não faça ao seu amigo” compõe a metade de todo o método, metade da correção da alma. Tendo implementado-o, eu subo para o nível do Partzuf Abba ve Ima do mundo de Atzilut, eu obtenho as Luzes de Hassadim. Elas contêm a iluminação de Hochma, porque eu anulo o meu egoísmo.

Para não causar danos ao outro, eu devo parar, trabalhar em mim mesmo. Eu lhe faço um favor — não apenas às minhas custas, sem entregar os meus bens, mas pelo comprometimento e concordando em seu benefício. Em nosso mundo, essas ações são pensadas para ser generosas e benevolentes, e ainda pensamos que somos capazes de realizá-las altruisticamente.

De qualquer forma, com a abordagem correta, com a ajuda da Luz que Reforma, elas gradualmente me guiam ao longo do caminho. Cada vez, o meu desejo de doar cresce, enquanto eu busco o meu próprio interesse, busco recompensa, mas a Luz me leva ao verdadeiro pagamento.

Eu repito, nós devemos realizar ações, a Luz vai seguir as ações, e mudanças virão depois da Luz. No início, eu purifico meus vasos da intenção egoísta. Assim, mesmo as minhas piores ofenças se transformam na categoria de equívocos. Então, eu prossigo diretamente para a correção, construindo minha equivalência humana a partir de um “material” limpo.

Assim, “o que você odeia, não faça ao seu amigo”. Este é todo o método, e se você tomar esse caminho, ele vai levar você à meta.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 30/05/13, Escritos do Baal HaSulam

Um Caminho Inevitável

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “O Amor do Criador e o Amor dos Seres Criados”: A fase imediata após o “ama ao teu amigo como a ti mesmo” é a adesão.

O mandamento do amor ao próximo nos leva ao nível do amor do Criador. É um caminho seguro, com todas as oportunidades, estados e meios que precisamos. É impossível escapar dele por diferentes desculpas, como dizer que não sabíamos ou que não podíamos agir já que todo mundo recebeu o que precisa.

A correção do “ama teu amigo como a ti mesmo” inclui todas as outras correções e é a mais odiosa, porque é oposta à nossa natureza, embora não tenhamos escolha, exceto entender que ela é a nossa única base. Enquanto não descobrirmos a necessidade dessa correção, não poderemos entrar no caminho que conduz à meta.

Pergunta: Como podemos dar satisfação ao superior ao tratar os outros bem?

Resposta: Basicamente, é a mesma coisa. Imagine que todos os seres criados, todas as pessoas são “filhos do Criador”. Isso é o que diz as fontes. Então, se você faz o bem para o filho, você certamente satisfaz o pai.

Uma vez o Criador disse a Jonas, o profeta, que Ele não podia simplesmente abandonar a grande cidade de Nínive, com 250.000 habitantes, apesar de seus pecados. A mensagem é clara: “Se você os tratar com amor e os salvar, você vai me dar satisfação”.

O Criador não tem vaso (Kli) para receber satisfação de nós, de modo que os meios para isso é toda a realidade que se espalha entre nós, entre cada um de nós e o Criador. E nesta realidade as outras pessoas vêm em primeiro lugar.

Portanto, a disseminação do método de correção e a preocupação com o mundo inteiro são as ações mais preciosas que nos foi autorizado realizar e nós temos que nos concentrar nelas. É claro que primeiro nós temos que corrigir a nós mesmos, a fim de saber como nos relacionar com o mundo.

O cálculo é o seguinte: “Eu faço tudo para dar satisfação ao Criador. Eu expresso esse desejo ao me preocupar com o mundo, ou, mais precisamente, ao me preocupar com as pessoas. Os níveis inanimado, vegetal e animal da natureza também vão participar de sua correção. A fim de cuidar das pessoas, eu tenho que me corrigir e por isso tenho que começar por me corrigir”.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 02/06/13, Escritos do Baal HaSulam

A Guerra Heróica Contra A Fraqueza

Dr. Michael LaitmanRabash, “O Que Procurar na Assembleia de Amigos”: …que a pessoa deve fazer um esforço para obter o amor ao próximo. E isso é chamado de “trabalho”, uma vez que ela deve se esforçar acima da razão. Pensando de foma razoável, como é possível julgar o outro a uma escala de mérito quando a razão lhe mostra o verdadeiro rosto de seu amigo, que ele odeia?

Acontece que nós devemos nos esforçar quando não queremos. Eu não sinto nenhuma vontade de trabalhar, não tenho nenhum desejo ou interesse nisso. Caso contrário, não seria considerado esforço. Eu não sou atraído a amar o amigo e a valorizá-lo. Talvez, eu realmente precise procurar esses estados quando o amigo não me interessa, quando não gosto de estar com ele, e sinto que sou contrário a ele. Então, eu posso ver até que ponto eu posso amar o outro e posso verificar se ele me obriga a me esforçar.

Às vezes, durante uma grande Convenção ou um evento especial eu sou impressionado pelo espírito geral que é compartilhado por todos. Então, é claro, eu me sinto bem. No entanto, no momento em que deixo esta influência externa, eu imediatamente caio. Isso significa que eu não desperto sozinho. Eu não sinto como se pensasse no amor dos amigos e na conexão. A grandeza da meta também desaparece, e eu passo certo tempo sem rumo, até que sinto novamente outro despertar de Cima.

No entanto, é durante este tempo que nos sentimos sem vida que devemos nos esforçar, visto que quando sou revivido de Cima, eu não tenho nada a acrescentar de mim mesmo, e sou totalmente operado de Cima. Parece que eu opero por mim mesmo, mas eu sou totalmente operado de Cima e estou sob o domínio do superior. Portanto, tudo o que eu faço não é por minha conta.

Só quando eu não sinto o espírito da vida e me obrigo a me esforçar é considerado por minha conta. Então, isso é chamado de esforço, uma oração, uma intervenção de baixo que atrai a Luz que Reforma. Esta Luz vai me fazer sentir atraído pelo outros, a amar os amigos, e isso já vai ser por minha conta.

Tudo isso é verdade, já que eu causei a intervenção de baixo, em resposta à qual há uma intervenção de Cima, que é a Luz que Corrige que eu atraí. Assim, a minha correção também será minha. Quando eu me sinto distante dos amigos, baixo e indiferente, eu revivo o espírito da vida. O problema é apenas em como me esforçar, como ansiar pelo amor dos amigos em momentos em que me sinto totalmente sem vida.

Assim, como está escrito: “Tudo o que está em seu poder fazer, faça”. Vocês devem pensar nisso, discutir o assunto e consultar um ao outro sobre o que precisa ser feito. Isso é realmente considerado o nosso esforço.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 28/05/13

Acreditar “Acima Da Razão” Que A Doação Está Acima Da Recepção

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como nós podemos criar o ambiente certo no Grupo de Dez, para que cada um de nós sinta que tudo o que acontece na vida é apenas para seu próprio bem e que isso é o que o Criador quer?

Resposta: Nós precisamos do apoio da sociedade para aceitar tudo na “fé acima da razão”. Isso não significa que você deve apenas dizer que tudo é para o melhor, sem pensar, como as pessoas que sentem que é justo fazê-lo. Nós queremos aceitar tudo o que acontece como benéfico e ver tudo à Luz do Criador como um meio para a correção de nossos vasos. Nós tentamos chegar à correção para que possamos realmente ver que tudo é para o melhor, que isso vem do “não há outro além Dele”, do Bom e Benevolente.

Tudo o que eu tenho no momento é bom e eu tenho que subir para o próximo estado pelas ações que estão ocorrendo em mim. O ambiente tem que me ajudar a sentir as ações do Criador como boas e benéficas.

A fim de fazer isso, eu tenho que subir à “fé acima da razão”. Este é um conceito muito confuso, já que a pessoa pode dizer cegamente que tudo é para o melhor, mesmo que sinta como se estivesse em pedaços. Mas, “o juiz só sabe o que seus olhos podem ver”. Portanto, “fé cega” não é “fé acima da razão”, mesmo que a pessoa esteja confusa e tenha recebido do ambiente o poder para agir por certa ideia.

Nós temos que organizar corretamente todo o sistema para que ele opere em nós e nos ajude a ansiar pela doação. A “fé acima da razão”, que significa doação, deve ser mais importante para nós do que a recepção. Mas a pessoa não pode alcançar esse sentimento, já que não tem o poder de fazê-lo e, portanto, não deveria mentir para si mesma.

Nós temos que nos voltar ao grupo, para que ele nos dê um sentimento cada vez maior da importância da vantagem de doar em vez de receber. Eu sou impressionado pelo ambiente de como este atributo é importante, da mesma forma que copio todos os seus valores corporais. A sociedade é forte em quantidade e qualidade, e eu me submeto diante dela e absorvo dela o sentimento da grandeza da doação.

Depois que eu sou impressionado por ela, eu tenho que me conectar com os amigos, e com eles desenvolver uma grande deficiência pela aquisição de um novo atributo para a mudança pessoal. Isso já é um tipo diferente de submissão perante a sociedade.

Primeiro eu tive que receber a importância da meta, a importância do Criador, a importância do professor, a importância do estudo. Estas são coisas normais, do mesmo modo que se eu quero ser um alfaiate, eu tenho que estar numa sociedade de alfaiates, a fim de aprender a profissão deles e ser inspirado por sua importância. Mas se eu quiser alcançar a força de doação, eu tenho que ser incorporado num grupo e submeter-me de forma diferente. A autosubmissão é a conexão interna entre nós seguindo todas as condições que os Cabalistas criaram, submetendo-se aos amigos, ao professor, o estudo e a forma para atingir a meta. Eu não só tenho que ser incorporado nesta sociedade, mas realmente me sumeter a ela, e graças a isso receber a Luz que Corrige.

A Luz que Corrige me influencia, e assim o grupo, o professor, o estudo, a meta da criação, e a preocupação por toda a humanidade, tudo se torna mais caro para mim. Tudo se torna mais importante. Isso significa que eu já estou no processo de correção.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 27/05/13, Escritos do Rabash

Não Deixe Sua Centelha Ser Extinta

Dr. Michael LaitmanRabash, “A Pessoa Sempre Deve Vender As Vigas de Sua Casa”: Cada um deles tinha uma centelha de amor ao próximo, mas a centelha não podia acender a Luz do amor para brilhar em cada um, de modo que todos concordaram que, unindo-se, as centelhas se tornariam uma grande chama. Portanto, agora, também, quando ele está espionando-os, ele deve superar e dizer: “Como todos eles tinham a mesma opinão de que devem andar no caminho do amor ao próximo quando a sociedade foi criada, o mesmo deve ser agora”. E quando todos julgarem seus amigos favoravelmente, todas as centelhas vão acender mais uma vez e novamente haverá uma grande chama.

A meta da criação é alcançar a força de conexão, a força do amor em que todos sentem as deficiências do outro e as preenchem. Mas é impossível fazer isso sozinho, uma vez que a pessoa não tem o poder para isso. Há apenas uma pequena centelha nela que a empurra à meta e nem sequer entende para onde é atraída e por que.

É por isso que devemos nos conectar, de modo que todos receberão o poder da conexão espiritual: o poder do desejo coletivo, o poder de conectar o coração, o poder do amor. É por isso que viemos a este mundo em que nos conectamos fisicamente pelos nossos corpos, por diferentes ações externas. Estas ações físicas atraem a Luz que Reforma sobre nós que conecta nossas pequenas centelhas numa forte chama geral.

Cada um recebe esta força geral e só por isso pode senti-la e usá-la. Esta Luz nos obriga a unir todas as nossas centelhas espirituais e a estarmos inclinados à doação mútua. Então, pela força geral de doação que agora está em cada um de nós, já podemos começar a trabalhar e realizar ações espirituais de doação e ascender.

Acontece que ao utilizar nossos corpos físicos e o trabalho corporal que é o resultado de intenções egoístas, nós evocamos a Luz Circundante que conecta nossas centelhas numa centelha, numa chama, que se torna a força da doação, amor e conexão geral. Assim, cada um recebe esta força. Nós não a dividimos como num saque, mas sim a usamos em conjunto, permanecendo no meio, dentro dela como um todo, como um grupo de dez, por exemplo. Então cada um pode usar esta força e, portanto, começar a realizar ações espirituais e não ações corporais. A primeira etapa é chamada de fase de preparação, e a segunda etapa já é a fase de correção: primeiro “doar para doar”  e depois “receber para doar”.

A pessoa que não atua a fim de se conectar com os amigos num grupo de dez não usa realmente o único meio para alcançar a espiritualidade, o que significa que não está na fase de preparação. A fase de preparação é quando usamos todos os meios que nos foram dados neste mundo, no nível corporal, a fim de alcançar a força de doação, a força de conexão.

A fase de preparação não terminará enquanto o Grupo de Dez não preencher a si mesmo e se tornar como um só homem pela Luz que Reforma. No momento em que nos conectamos e adquirirmos a força geral de conexão que é suficiente para o cumprimento das ações de doação, isso significa que ultrapassamos a Machsom (barreira), a fronteira do mundo espiritual.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 29/05/13

Meu Coração Está Trancado E Há Alguém Batendo Do Lado De Fora

Dr. Michael LaitmanPergunta: Quando é que a realidade corpórea se torna uma realidade espiritual para a pessoa?

Resposta: Isso acontece quando ela consegue se relacionar com o outro como consigo mesma, quando a fronteira entre os dois é apagada.

Na verdade, nós não podemos sequer dizer que adquirimos o atributo de doação, embora essa transição seja descrita dessa forma. Nós não podemos realmente adquirir novos atributos. Nossa essência, como um harware de informática, permanece inalterada.

A questão é até que ponto eu “tomo” o outro como se fosse eu mesmo. Eu opero acima do meu ego crescente, pois caso contrário haveria uma proximidade natural entre eu e o outro, assim como entre um casal ou entre parceiros que se preocupam com o outro por causa de interesses comuns ou interdependência. Esta é a razão pela qual a resistência do ego deve ser construída, acima da qual eu ainda trago o outro para perto de mim, até que ele, na verdade, se torne como eu, de acordo com os princípios de “não faça aos outros o que é odioso para você”, e “ama teu amigo como a ti mesmo”.

Isso não signfica que eu saio de mim mesmo. Mais precisamente, eu “engulo” os atributos do outro, o que parece externo a mim. Então, o mundo inteiro é meu.

Comentário: O problema é que quando eu olho para o meu Grupo de dez, eu não quero “engoli-lo”…

Resposta: Isso ocorrerá, e você vai sentir que os amigos são as pessoas mais próximas a você, e que ninguém está mais perto do que eles. Até mesmo seus parentes, sua família, vão parecer muito mais distante do que os amigos. Afinal, os amigos estão perto de sua alma e a família está mais perto do seu corpo. A família é como um contrato que temos que manter, e a garantia mútua entre os amigos é muito dinâmica, em constante mutação, ao se juntar, aproximar-se cada vez mais de você…

Por fim, eu repito: você não vai sair, mas vai realmente deixar todos os amigos entrar em você.

Pergunta: Como eu posso acelerar este processo? Uma vez que ele volta e bate em mim repetidamente…

Resposta: É isso mesmo, o futuro está batendo em sua porta, e você não o deixa entrar e, assim, sente dor. Você tem que abrir a porta com antecedência, antes que batam nela, antes que seja tarde demais.

Diz-se no “Cântico dos Cânticos”: “Abra a porta para mim, minha amada”. Mas sua amada não está pronta, ela não quer receber o seu amado, e sua porta está trancada. Quando ela abre, o amado já se foi, e está escondido: “Eu procurei por ele, mas não o encontrei, eu o chamei, mas ele não me respondeu”.

Portanto, você deve abrir a porta com antecedência, abrir-se ao Criador juntamente com os amigos.

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 03/06/13, Escritos do Baal HaSulam

Um Empréstimo Em Termos Espirituais

Dr. Michael LaitmanBaal HaSulam, “A Paz”: Estas são as palavras do rabino Akiva: “O livro está aberto e a mão escreve”. Qualquer estado em que a geração se encontre é como um livro, e todos os malfeitores são como mãos que escrevem pois cada mal é gravado e escrito no livro até que eles acumulem a uma quantia que o público não o mais pode suportar. Nessa altura, eles arruínam esse estado mau e reorganizam-se num estado mais desejável. Então, toda ação é calculada e escrita no livro, isto é. no estado.

E ele diz, “Todos os que desejam pedir emprestado podem vir e pedir emprestado”. Isto significa que ele acredita que este mundo não é como uma loja aberta sem um dono, mas que há um dono presente, um lojista que permanece na sua loja e exige de cada cliente o preço certo pela mercadoria que ele está a levar da loja, isto é labuta na Sua obra enquanto ele é nutrido por essa loja, de uma maneira que é certa a o trazer ao propósito da criação, como Ele deseja.

Sua meta é atingir a doação. No entanto, a pessoa requer poderes para perceber isso, e ela não tem esses poderes. Ela os toma a título de empréstimo, mesmo que pretenda tudo para a doação. O mesmo ocorre se ela quiser reembolsar, isto é, não usar qualquer coisa para si. Ela usa o mundo inteiro para doação.

De acordo com os padrões do nosso mundo, é impossível declarar que uma pessoa como esta esteja tomando algo como empréstimo. Você percebe que nós pegamos um empréstimo para benefício pessoal. Aqui, tudo é diferente. A propósito, a proibição da Torá contra emprestar com interesse deriva disso. No mundo espiritual, nenhum empréstimo deve ser pago de volta com mais do que aquilo que foi recebido.

Portanto, as forças que eu não tenho no início eu tomo por empréstimo, mas não estou tomando para mim mesmo. Elas não são minhas. Eu só acrescento a elas um desejo pela doação. Em vez do Criador, eu doo a todos, e todo o meu objetivo é apenas transmitir essa doação de forma habilidosa, como se fosse de Suas mãos. Eu não tenho nada meu além do meu eu altruísta que contrai o desejo egoísta dentro dele e age acima dele. Portanto, eu não tenho nada a retornar.

Pergunta: Apesar de tudo isso, não está claro: Como uma pessoa pode pedir um empréstimo para si na espiritualidade?

Resposta: Eu disse que este é outro tipo de empréstimo. Você vê, eu não tenho os meus próprios poderes de doação. Além disso, eu (especificamente, eu) quero dar da mesma forma que o Criador. Eu tenho que transmitir e dar aquilo que Ele deseja para o mundo.

Este estado é descrito alegoricamente com uma metáfora que diz que o Criador quis dar às nações do mundo o método de correção. No entanto, elas não podiam aceitá-lo. Então, Ele usou um grupo de transição chamado Israel, que significa “direto ao Criador”. O povo de Israel é como um intermediário que conecta a Luz superior com o AHP. Graças a isso, Malchut pode subir à Bina e ser “adoçada” lá, de modo a passar a Luz de cima para baixo.

Isso é chamado de empréstimo só porque a pessoa não tem o poder de doação, e ela recebe isso do Criador. No entanto, ela não o utiliza para si, como é habitual no nosso mundo egoísta. Neste mundo, a pessoa procura primeiro beneficiar a si mesma, e depois, ela pensa no benefício dos outros, seja em questões financeiras, bem-estar ou prazer. Na espiritualidade, eu não peço para mim. Eu quero participar da vida do Criador. Esta participação se destina inteiramente à doação. Por isso, eu ativo todo o meu desejo no nível máximo. Tudo o resto eu mantenho temporariamente “fechado” sob a restrição.

Pergunta: Portanto, por que é necessário pedir um empréstimo como este para a meta de doar?

Resposta: Isso é chamado de subida, uma solicitação de correção (MAN). Do Criador, eu peço poder para ser capaz de examinar e corrigir a própria ação. Eu quero que Ele faça isso, como está escrito: “Revista-se em mim e realize a ação de doação”. É como uma criança que pede ajuda à sua mãe ou simplesmente chora e a mãe vem e ajuda. O problema todo é transformar num “choro infantil” internamente. E leva tempo para se aprender isso….

Da 4ª parte da Lição Diária de Cabalá 19/04/13, “A Paz”

Amor Absoluto Acima Do Ódio Fictício

Dr. Michael LaitmanPergunta: Baal HaSulam explica que se os pais tratarem seu filho com amor absoluto, o filho, inevitavelmente, começará a odiá-los, ao invés de retornar o seu amor, já que ele não vai se preocupar que os pais deixem de amá-lo. E sobre o Criador: Será que vamos também começar a odiá-Lo quando descobrirmos o Seu amor absoluto por nós?

Resposta: Nós temos que chegar ao amor absoluto em relação ao Criador em nosso trabalho espiritual, ou seja, independentemente se recebemos prazer ou punição do Criador. O nosso crescimento espiritual é baseado em desenvolver o amor enquanto sentimos um crescente sentimento de repulsa, até que ele atinja o ódio absoluto, ou seja, sentir que o Criador nos odeia mais e mais, enquanto nós desenvolvemos um crescente amor absoluto em relação a Ele, a fim para trabalhar na fé acima da razão.

Assim, nós podemos entender por que o Criador criou em nós um desejo no qual sentimos prazer ou dor. Mas nós temos que nos elevar para um novo sentimento de doação e, assim, a nossa atitude para com o Criador torna-se totalmente independente do seu amor, uma vez que estabelecemos a nossa atitude acima do sentimento de ódio, de acordo com o princípio “o amor cobre todos os pecados”.

Sucesso Material Não É Garantia De Sucesso Espiritual

Dr. Michael LaitmanRabash, “Com Respeito À Acima da Razão”:  Acontece que uma pessoa tem qualidades que seus pais legaram a seus filhos, e tem qualidades que adquiriu da sociedade, que é uma nova posse. E isso chega até ela somente através da ligação com a sociedade e da inveja que sente em relação aos amigos, quando vê que eles têm melhores qualidades do que a sua própria. Isso a motiva a adquirir as boas qualidades deles, que ela não tem e às quais inveja.

Assim, por meio da sociedade, ela ganha novas qualidades que adota ao ver que eles estão num grau superior ao seu, e ela os inveja. Esta é a razão ela qual agora ela pode ser maior do que quando não tinha uma sociedade, uma vez que ela adquire novos poderes através da sociedade”.

A pessoa nasce um pequeno animal, e no que ela cresce depende da formação. Se nós estamos falando de uma educação material comum, então a pessoa se desenvolve devido à sociedade. Ela tem inveja das outras e anseia por prazer, dinheiro, poder, fama e conhecimento, e é por isso que aprende com a sociedade como pode alcançar esses objetivos, isto é, o sucesso neste mundo. Se ela tem pré-requisitos para o desenvolvimento espiritual, ela encontra um ambiente que possa incutir nela novas propriedades, a espiritualidade.

Na sociedade material, uma pessoa se desenvolve naturalmente, adotando instintivamente os valores da sociedade e buscando aprender com esta como alcançar o sucesso mundano. Mas a educação espiritual é diferente, porque exige que a pessoa anule a si mesma, isto é, lhe dá a liberdade de escolha: adotar os valores espirituais do ambiente ou não.

Somente na medida de sua autoanulação a pessoa será capaz de ver a sociedade como maior do que ela. Ela terá que aplicar muito esforço para olhar para a sociedade de baixo para cima, e então será capaz de receber da sociedade os seus valores, a importância e a grandeza da meta, e, assim, avançar espiritualmente.

O sucesso espiritual depende não só do ambiente, mas também da forma como a pessoa o utiliza, isto é, o quanto ela se anula e aprecia a sociedade, se ela concorda em sofrer, vendo os outros superiores a si mesma. A inveja obriga a pessoa a sentir-se humilhada, mas ela precisa entender que é para seu próprio benefício ver os outros como maiores. Se ela for capaz de tal atitude, então ela vai avançar. No final, a pessoa tem que desfrutar que pode ficar contra o seu egoísmo e pisar nele, a fim de alcançar os valores espirituais e chegar mais perto da meta espiritual.

É por isso que o avanço da sociedade material é completamente oposto ao progresso espiritual. E o sucesso no mundo material não garante que a pessoa seja capaz de ter sucesso na espiritualidade, pois ele é determinado pela liberdade de escolha da própria pessoa.

Da Preparação para a Lição Diária de Cabalá 02/06/13