Textos na Categoria 'O Criador'

Bênção Ou Maldição?

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que é tão importante não condenar o Criador, mas constantemente justifica-Lo?

Resposta: Se dói que você amaldiçoa o Criador e você pretende corrigir a situação, não é porque você está com medo de falar mal Dele, já que todo mundo O justifica em palavras, todo mundo.

A diferença entre aqueles que revelaram o Criador e aqueles que não revelaram é que se a pessoa não revelou o Criador, isso significa que ela O amaldiçoa. Se uma pessoa revelou o Criador, isso significa que ela O abençoa.

Esta é a maneira como é revelado nos vasos, no sentimento de uma pessoa, de acordo com a equivalência de forma. Se eu entendo o Criador, sinto, agradeço e abençoo-O, sentindo que sou como Ele, é a esse ponto que eu O revelo. Uma vez que eu revelo o Criador, eu O abençoo.

Mas se eu estou num estado de ocultação, isso significa que eu amaldiçoo o Criador. Existem diferentes níveis de ocultação, assim como há diferentes níveis de revelação. Há níveis de profunda ocultação onde eu sou como um bebê que é perdoado, não importa o que ele faça no momento, enquanto cresce e é saudável. Ele pode fazer uma bagunça e quebrar as coisas, mas ainda é perdoado, pois é um bebê! Esta é a forma de ocultação.

Também pode ser uma forma de ocultação onde eu começo a perceber que deveria me comportar corretamente, mas, entretanto, não posso. Assim, eu continuo a me desenvolver. A ocultação ou revelação do Criador, no entanto, são sempre um sinal de que eu falo sobre Ele, abençoando ou amaldiçoando-O.

Da 1ª parte da Lição Diária de Cabalá 29/10/14, Shamati # 1

Aquele Que Coloca Tudo Em Movimento

Dr. Michael LaitmanDurante o nosso estudo, nós primeiro descobrimos as ações do nosso ego em cada estado. Isso é chamado de um outro deus. É quando eu penso que faço as coisas por mim mesmo e que a minha vida é determinada pelos outros, como os líderes mundiais que mantêm a lei e a ordem, aqueles que estão perto de mim, os que estão distantes, amigos e inimigos. Em suma, eu vejo muitos fatores operacionais, tanto positivos quanto negativos.

Cada vez que eu fico mais forte, eu vejo que não é assim. Eu simplesmente olho para o que está acontecendo de errado e atribuo essas ações aos que me rodeiam. Mas quando a situação se esclarece, eu vejo que o Criador os coloca em movimento e que eles realmente não entendem o que está acontecendo. Ele é o único que os opera, a fim de me influenciar. Assim, mais uma vez eu descubro que não há outro além Dele.

Isso ocorre em cada estado. Cada vez eu finalmente descubro que não há nenhuma outra força diante de mim, mas Ele.

Isto também se aplica a mim: agora parece que estou me esforçando, agindo ou fazendo alguma coisa, organizando a minha conexão com os outros e que eu sou independente em meus pensamentos e desejos, mas é tudo mentira. O Criador governa tudo.

Por que vemos uma imagem diferente? É assim que seremos capazes de corrigir o vaso, os nossos desejos, e nossa capacidade de perceber e ver que não há outro além Dele e que só Ele opera na realidade.

Onde eu posso revelar isso? Nos estados, desejos e pensamentos que agora me fazem sentir confiante em saber que somos todos independentes. É em relação a essa noção que está escrito: “Como a vantagem da Luz sobre a escuridão”. Quanto mais eu atribuo uma independência mais definida e determinada a diferentes fatores, mais claramente eu finalmente descubro que não há outro além Dele.

Submetendo-me a diferentes mudanças que me guiam a favor e contra a unicidade do Criador, eu finalmente começo a descobri-Lo, não apenas em situações diferentes, mas também na intensidade, na espessura (Aviut) do meu desejo, não só em sua largura, mas também em sua profundidade. Eu vejo cada vez mais como ele opera em mim em cada detalhe externo.

Verifica-se então que, em vez dos amigos e do grupo, eu estou lidando com o Criador. Mas isso não significa que eu deveria desrespeitá-los. Pelo contrário, nesse meio tempo, eles alcançaram a equivalência de forma e por isso eu me identifico com eles como me relaciono com o Criador. Por isso, é dito: “do amor dos seres criados ao amor do Criador”.

Acontece que em todos os problemas e contradições, e em todas as minhas missões pela fonte desta vida de sofrimento, eu fui trazido à única fonte e vejo que na verdade é o Criador que apresenta toda esta realidade para mim. Anteriormente, a força contra ela me confundiu ao me mostrar que os outros são os culpados por tudo que acontece, inclusive eu, já que eu fiz tantos esforços. Agora, verifica-se que somente a Luz opera a favor e contra.

Eu, por outro lado, sou apenas um espectador, olhando para a obra de Deus, na única força que opera em toda a realidade.

Da Convenção em Los Angeles “Dia Dois” 01/11/14, Lição # 3

O Kit De Ferramentas Da Luz

Dr. Michael LaitmanA sabedoria da Cabalá, em contraste com outras sabedorias, investiga a matéria interna mais elevada, o desejo que está no nível humano.

Desejos nos níveis inanimado, vegetal e animal aparecem para nós neste mundo. Nós podemos investigar, entender e usá-los. Ao investigá-los, nós criamos uma ciência.

Mas não há ciência que investigue o desejo no nível humano. A psicologia tenta chegar a isso, mas sem sucesso. Por quê? Porque o investigador deve estar num nível superior ao objeto, o sujeito, que está sendo investigado.

Sendo uma pessoa neste mundo, eu posso explorar a matéria inanimada (física, química e afins), vegetal (botânica) e animal (biologia, zoologia, etc.). Afinal, eu estou num nível superior.

No entanto, a matéria do nível humano, o nosso mundo interior, não pode ser investigada a partir do nosso nível. Assim, a psicologia e a psiquiatria são desprovidas de uma base sólida, real e científica.

Mas, com a ajuda da sabedoria da Cabalá, nós podemos criar esta base, e graças a isso, podemos investigar de forma mais verdadeira e objetiva todo o resto das camadas inferiores dos níveis inanimado, vegetal e animal. Por enquanto, nós temos a oportunidade de levar em conta os erros nas investigações da natureza desses níveis inferiores, onde fazemos as distorções geradas pela nossa própria natureza humana.

Portanto, a sabedoria da Cabalá é especificamente uma ciência no sentido pleno da palavra, e é muito mais precisa do que outras ciências, pois com ela nós investigamos a substância da criação, o desejo de receber, nos níveis inanimado, vegetal, animal e falante, e usamos um aparato exclusivo chamado Luz Superior.

Quando os físicos estudam a matéria num acelerador de partículas, eles induzem colisões e observam os resultados.

Conosco é a mesma coisa: a Luz vem e faz uma colisão, ou seja, ela realiza um Zivug de Hakaa (acoplamento de golpe). Primeiro a colisão é feita e depois o acoplamento. Com a ajuda deste experimento, nós analisamos e aprendemos sobre o que está acontecendo no encontro entre o desejo de receber e o desejo de doar, entre o Criador e a criação.

Do Congresso em Los Angeles 02/11/14, Lição 3

Sem Volta

Dr. Michael LaitmanPergunta: Como uma pessoa pode sentir que “não há outro além Dele”, se ela ainda não alcançou a doação?

Resposta: Antes de eu chegar à doação, eu tento organizar em minha mente e coração a opinião de que “não há outro além Dele”. É mais fácil fazer isso na mente; no coração isso é relativamente mais difícil.

Isso depende do meu relacionamento com o grupo e como eu construo o novo Kli juntamente com eles, que eu estou pronto para decidir que “não há outro além Dele”.

Conforme a nossa conexão, nós construímos nosso coletivo, a bola de framboesa, a soma total de todos nós. No entanto, neste ponto de nós, eu não sou encontrado; sim, eu me anulo. Isto significa que no centro desse círculo, eu me encontro acima do meu ego.

É possível multiplicar uma por uma todas as anulações de nós mesmos: 10 vezes, 100 vezes, 1000 vezes; mais e mais à medida que nos unimos. Segue-se que eu adquiro novos sentimentos e pensamentos espirituais através dos quais vou descobrir o Criador.

E para ser mais preciso, eu vou descobrir o Criador não dentro do grupo de dez, mas na conexão entre os grupos de dez. Se diz que o grupo de dez deve revelar o ego dentro dele e subir sobre ele para se conectar com os outros. Na verdade, o grupo de dez não é ainda o círculo exterior.

Quando nos conectamos com os outros grupos de dez, nós criamos entre nós todos os tipos de formas de conexão que são capazes de nos revelar imagens particulares do Criador e possibilitar de certa forma que possamos vê-Lo.

Isso significa que não há nenhum outro lugar para procurar por “não há outro além Dele” além do ponto geral de conexão. Esta é uma tarefa simples para a consolidação de todas as pessoas, e por isso está escrito: “E todas as nações afluirão a ele”. (Isaías 2:2)

A sensação de que “não há outro além Dele” depende apenas e somente do grau de nossa autoanulação, porque nós construímos isso acima do ego, como o telhado de uma Sucá. De mim, eu crio nós, e de nós, nós criamos o Criador.

A capacidade de anular a si mesmo é determinada pelo ambiente e quanto você abaixa a cabeça para ele. A cada momento, o Criador dá à pessoa oportunidades; a Luz Superior trabalha incessantemente, mas tudo depende da sua concordância em se anular, e se você vai ou não utilizar as oportunidades dadas a você.

Se você não se preparou, você vai receber a Luz do lado oposto, ou seja, em vez de Sua aproximação, você vai sentir distanciamento. É assim que acontece na vida regular. Você recebe algum tipo de oportunidade única para avançar, e a aceita como uma perturbação e um obstáculo. Você ainda não se preparou para um salto como este, e assim, em vez de um trampolim, você vê uma barreira alta e intransponível.

Só há liberdade de escolha numa coisa: anular-se perante o ambiente, ser incluído no seu interior, e ser como os amigos em tudo. Tente realizar este potencial. Você está pronto para fazer isso! Sua liberdade de escolha reside somente nisso e você não precisa de mais nada. O Criador traz a boa sorte, e deste ponto não há caminho de volta, só para frente.

Comece a entrar no grupo, ser incluído nele, e construir um Kli comum com os outros onde você vai descobrir o poder superior. O nosso mundo é o mundo da ação. Nós estamos dentro dele porque é possível realizar ações dentro dele sem a concordância do coração. Nisso está toda a base para o nosso mundo imaginário, mas este jogo nos possibilita avançar e construir a nossa independência espiritual, e isso é especificamente graças aos nossos seres enganadores.

Da 2ª parte da Lição Diária de Cabalá 10/10/14, Escritos do Rabash

O Papel Da Nação De Israel

Dr. Michael LaitmanPergunta: Qual é o papel de Israel hoje e dos judeus em particular?

Resposta: O papel de Israel foi descoberto pela primeira vez na antiga Babilônia, quando um dos grandes sábios daquela geração, o sacerdote babilônico Abraão, proveu uma resposta para o que estava acontecendo lá.

Naquela época, a Babilônia estava passando os mesmos processos que o mundo está passando hoje: uma pequena sociedade de três milhões de pessoas, que era quase a civilização do mundo na época, de repente começou a se afundar em ódio mútuo por causa da erupção repentina do ego.

Até então, os babilônios viviam como uma pequena sociedade entre os rios Tigre e Eufrates, e tudo estava bem. Porém, quando o grande ego entrou em erupção, descobriu-se que, por um lado, eles estavam integralmente conectados entre si, e por outro lado, não poderiam existir em conjunto egoisticamente. Portanto, o termo da Torre de Babel simboliza o ego que, literalmente, cresceu para o céu.

Isto é o que está acontecendo hoje. Por um lado, nós descobrimos que as pessoas estão mutuamente conectadas entre si e, por outro lado, se odeiam. As duas forças que operam mutuamente dentro de nós precisam de uma solução, pois, caso contrário, vamos chegar a um beco sem saída.

Uma dessas duas forças, a força da natureza, nos une e nos mostra a globalização e a conexão mútua entre todos e para com todos. Essa força nos fecha integralmente e nos mostra que somos um corpo inteiro. A segunda força é a força humana egoísta que nos separa desde dentro, nos separa, e não nos permite ser um todo.

Estas duas forças foram estudadas pela primeira vez na antiga Babilônia e houve duas respostas à pergunta “o que devemos fazer?”.

A primeira resposta foi dada por Nimrod, o rei de Babilônia, que decidiu que os babilônios não tinham escolha, exceto se separar e se afastar uns dos outros. Ele desintegrou seu reino temendo que seus súditos começassem a se destruir mutuamente. Este é o lugar de onde vem o conceito da construção da Torre de Babel, e seu resultado foi a dispersão das pessoas e a mistura das línguas, que era um sinal de que as pessoas deixaram de se entender.

Essa foi a maneira de resolver o problema, mas hoje, os babilônios modernos não têm para onde ir, pois não temos outro planeta. Por isso, nós lidamos com a questão que temos que responder.

A segunda solução foi dada por Abraão, um dos principais sacerdotes na antiga Babilônia. Abraão entendeu que o ego nos separa do interior, enquanto as forças externas da natureza, que nos aproximam, foram dadas a nós de propósito para que possamos subir acima delas e nos assemelhar à natureza. Isso significa que vamos trabalhar contra o nosso ego na conexão entre nós.

Como isso pode ser feito? Como a pessoa pode se opor à sua própria natureza? Abraão sugeriu a organização de pequenos grupos de pessoas que começariam a se conectar, e em suas tentativas de se conectar, iriam extrair a força externa da natureza que seria revelada internamente entre elas, corrigindo e elevando-as acima de si mesmas.

O principal objetivo da natureza é levar a humanidade ao estado de “Ama teu amigo como a ti mesmo”, quer gostemos ou não. O problema da separação deve ser resolvido imediatamente, e somente desta maneira.

Cerca de cinco mil seguidores se juntaram a Abraão. O grande filósofo do século XII, Rambam, escreve sobre isso, e isso também está contido em escritos anteriores, como no Midrash Raba e outras fontes.

O Sefer Yetzirah (Livro da Criação) é o único livro remanescente escrito por Abraão, e ele nos fala sobre todo o sistema da natureza que afeta toda a sociedade humana.

Liderados por Abraão, 5000 pessoas deixaram a Babilônia e foram para a terra de Canaã, a terra da Israel moderna. Abraão ensinou-as a subir acima do ego na conexão entre si de acordo com os antigos mandamentos judaicos de “ama teu amigo como a ti mesmo”, “não faça aos outros o que é odioso para você” e “ser como um só homem em um coração “, etc. Este grupo é conhecido pelo nome de Israel, o que significa Yashar-El, direto ao Criador, assemelhar-se à natureza. Afinal, o Criador não é um quadro na parede ou um vovô sentado numa nuvem. O Criador é a natureza! Toda a natureza é chamada de Criador.

As 5000 pessoas que deixaram a Babilônia com Abraão foram chamadas de nação de Israel, decorrente da palavra “Yashar-El“, direto ao Criador. É uma nação que não cresceu como resultado das raízes biológicas como todas as outras nações, mas de acordo com uma ideologia, um propósito que define para onde ela está indo e como ela vai estabelecer uma sociedade.

Apesar de sermos os descendentes biológicos das pessoas, infelizmente não nos parecemos com elas, porque perdemos essa ideologia. Portanto, nosso estado atual é chamado de exílio do nível espiritual que elas tinham alcançado.

Quando o povo judeu deixou o Egito e vagou pelo deserto, ele trabalhou constantemente em sua conexão. Seu ego continuou crescendo, assim como o ego da humanidade cresce de geração em geração (que é o que nos torna diferentes dos animais), e as pessoas trabalharam nele.

Isto continuou até que o ego de repente explodiu na medida em que se desenvolveu. Foi o que aconteceu na véspera da destruição do Segundo Templo, no último ano A.C.. As pessoas não podiam subir acima dele na boa conexão entre si e caíram no nível egoísta.

O Templo se refere à santidade, doação, amor ao próximo e à incorporação de todos num todo. Quando a nação judaica caiu desse nível, ela determinou o resto de sua história de 2000 anos de exílio.

Da entrevista com V.Kanevsky em Toronto, 05/08/14

Como Ovelhas Diante De Lobos

Dr. Michael LaitmanPergunta: Depois que o Primeiro e o Segundo Templos foram destruídos, será que o povo judeu sentia e lembrava a sua fundação criada por Abraão? Será que os filhos de Israel se lembravam em torno do que eles foram criados e consolidados? Será que esta fundação vivia entre eles?

Resposta: Sim e não.

Após a destruição do Segundo Templo, o povo caiu de ver a imagem interna da realidade, as forças governantes, tudo o que acontece no mundo, e, novamente se encontrou em ódio mútuo, rejeição mútua e distância mútua entre si, com uma indiferença que nos caracteriza até hoje.

Exilados da terra de Israel, nós passamos por muitas terras e nos voltamos para o oeste, para a Europa, para o leste, para as nações árabes, e começamos a afundar em apatia. Desde então, o que nos manteve juntos não é o poder do amor, nem pertencer a uma ideia, nem reciprocidade, conexão e ajuda mútua, nem qualquer cálculo, mas apenas o desejo de sobreviver. Nós ficamos presos um ao outro como ovelhas num rebanho diante de lobos, mas não nos mantivemos juntos.

Basicamente a nossa situação tem sido assim durante todo o exílio até o dia de hoje, que é todo os dois mil anos.

Pergunta: Que papel a religião cumpriu nisso?

Resposta: A religião ajudou as pessoas neste estado de absoluto desprendimento das fontes espirituais, da compreensão, de tudo. Ela simplesmente reforçou e os apoiou neste estado baixo e abjeto para que as pessoas pudessem estar envolvidas na realização de algum tipo de atividades mundanas, também chamado de Mitzvot, e, assim, manter-se desta maneira. A religião é o que resta e o que foi dado ao povo depois da destruição do Templo, em vez da sabedoria da Cabalá.

A sabedoria da Cabalá abre os céus, revela o Criador, e revela o poder da unidade ao povo. Ao realizá-la entre eles, eles descobrem o Criador, que é encontrado entre eles e que torna possível para eles viverem dentro de uma sensação de uma realidade completamente diferente.

E quando tudo isso se perdeu, nós adquirimos nossa forma atual. Isto diz respeito a todos, com exceção de alguns Cabalistas em cada geração que escreveram livros e desenvolveram esse método, e que continuaram a trabalhar para alcançar o Criador e a unidade entre nós.

De KabTV “Babilônia Ontem e Hoje” 24/09/14, Parte 7

Mais Sombra Do Que Luz

Dr. Michael LaitmanPergunta: Você disse que a cabana do feriado, a Sucá, simboliza a alma de uma pessoa. Como entender isso?

Resposta: A pessoa sentada numa Sucá simboliza o desejo. As medidas da Sucá simbolizam as qualidades da alma humana, e seu telhado simboliza o Masach (tela).

Ou seja, eu não quero receber a Luz para meu próprio prazer, então deve haver mais sombra do que Luz numa Sucá. Isto simboliza a minha disponibilidade de estar satisfeito com as mínimas necessidades, com tudo o resto para a doação.

É como o nível de Tzadik (justo), doação em prol da doação. Primeiro de tudo, é necessário chegar a isso para atingir o início de semelhança e equivalência com o Criador. Existem algumas etapas de aproximação do Criador, e este é o estágio inicial.

A alma é o nosso desejo de receber, de desfrutar, que é organizado desta forma pelo ambiente certo, a integração de forças, de preparação, como se estivessem dentro de uma Sucá. Certamente, isso não se refere a uma Sucá material, mas a essa integração dos meus desejos dentro do ambiente que torna possível para eu corrigi-los gradualmente para o bem dos outros.

Em todos os dias do feriado de Sucot, nós recebemos uma Luz nova, com cuja ajuda examinamos os nossos desejos e os corrigimos. A iluminação que chega até nós é chamada de Ushpizin (convidados). Nós recebemos convidados de honra na nossa Sucá nesta ordem: Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Arão, José e David. Eles representam sete Luzes, cada uma delas corrigindo em nós uma parte específica da alma: Hesed (a característica de Abraão), Gevura , Tiferet, Netzach, Hod, Yesod e Malchut .

Assim, durante todo o feriado de Sucot, nós corrigimos a nós mesmos, organizando refeições festivas para os Ushpizin. Costuma-se comer e beber apenas numa Sucá, porque só lá é possível fazer uma correção.

Durante Sucot nós fazemos bênçãos com quatro símbolos: Lulav (palmeira), Etrog (cidra), murta e salgueiro. Sua forma é semelhante às características inatas das quatro partes da alma humana: Hochma, Bina, Zeir Anpin e Malchut, que juntas compõem um HaVaYaH completo.

Portanto, há uma tradição de escolher o Etrog com cuidado para que não haja quaisquer defeitos, pois ele simboliza Malchut, a base da criação, a base da alma. Todos esses símbolos devem estar conectados entre si, e assim é possível abençoar, ou seja, atrair a Luz.

De fora, este processo pode parecer algum tipo de cerimônia idólatra. A pessoa sacode os ramos simbólicos que são reunidos algumas vezes, movendo-os em todas as direções da Luz: direita, esquerda, centro, acima, abaixo, para frente e para trás. No entanto, se lermos a explicação do ARI no livro, Shaar HaMitzvot, então ficará claro que atividades espirituais elevadas são escondidas por trás disso.

Na verdade, a pessoa deve realizá-las dentro de si mesma. As ações externas são apenas uma tradição, enquanto que o mais importante é essa agitação que ela realiza dentro de sua alma, corrigindo-a. A correção da alma é o propósito da vida de uma pessoa.

Durante cada um dos sete dias de Sucot, é necessária a realização de atividades internas como estas numa Sucá que é construída dentro de nós, atraindo Ohr Makif lá. Se organizarmos todas as partes da alma para se assemelhar aos quatro símbolos de Sucot e soubermos como abençoá-los em todas as direções do nosso desejo: direita e esquerda, com doação e com recepção, então, no final do feriado de Sucot, nós chegamos ao feriado de Simchat Torá.

De KabTV”Uma Nova Vida” 02/10/14

O Diagnóstico E O Poder De Cura Da Torá

Dr. Michael LaitmanPergunta: Por que o feriado de Simchat Torá (Regozijo com a Torá) vem imediatamente depois de Sucot?

Resposta: Durante os sete dias de Sucot, quando estou na Sucá, o que significa cercado pela Luz circundante, eu estou sendo corrigido. Esta Luz me alcança através da Scach (ramos que cobrem a Sucá), que por sua vez, é um mecanismo espiritual completo.

Eu tenho convidados todas as noites, tais como Abraão, Isaac, Jacó, Moisés, Aarão, José e Davi; cada um deles simboliza um atributo especial numa pessoa. Em outras palavras, trata-se de forças que corrigem meus atributos, transformando-os de mal em bem.

Eu executo o trabalho interno em todo o caminho para a perfeição e uso a Torá como a força de correção, e graças a isso, sou capaz de identificar o mal dentro de mim e identificá-lo de tal forma que, no final, não resta ninguém.

Após este diagnóstico, a Torá transforma o mal em mim em bem e eu me assemelho ao Criador, a bondade absoluta. Eu sou preenchido de amor e doação pelos outros e através deles pelo Ele, pois é realmente a mesma coisa. Assim eu descubro o que é chamado de “o mundo inteiro está cheio de Sua honra”. Ele está em tudo o que me parece externo.

Pergunta: O feriado de Simchat Torá simboliza alegria. Com o que a pessoa está realmente feliz neste feriado?

Resposta: É que ela usou a Torá corretamente e corrigiu-se em equivalência com o Criador.

Pergunta: Por que é tão agradável se assemelhar ao Criador?

Resposta: Visto que nós chegamos à adesão e equivalência de forma com Ele, agora podemos doar a Ele, assim como Ele doa a mim. É assim que somos feitos e não há um estado mais sublime para nós.

Pergunta: Ainda assim, o que se esconde por trás disso?

Resposta: Eu fui criado como um desejo de receber prazer. Portanto, num estado de completa equivalência de forma com o Criador, eu recebo prazer dele. Ao transformar todo o mal em bem, em equivalência com o Criador, eu começo a receber todo o bem e abundância infinita Dele. É porque eu também quero doar abundância infinita.

Assim, o simbolismo festivo do mês de Tishre descreve o caminho para o fim da correção, o que resulta no oitavo dia, o Shmini Atzeret, depois do qual não há mais nada para corrigir. A palavra “Atzeret” deriva da palavra hebraica “parar – atsar“, que simboliza o fim da correção.

Nós comparamos este estado perfeito a uma romã. Todos os meus 613 desejos são as sementes da romã que finalmente mudaram de mal em bem.

De KabTV “Uma Nova Vida” 05/10/14

A Sociedade Do Futuro

Dr. MIchael LaitmanO processo revolucionário em que estamos participando começou com o Big Bang e continuou através de uma conexão cada vez mais forte: de partículas fundamentais a átomos, de átomos a moléculas, de moléculas a estruturas cada vez mais complexas, até o surgimento do corpo humano, incluindo o sistema cognitivo, o sistema nervoso, e sistemas adicionais. Alguns deles não são conhecidos e alguns não são entendidos por nós.

Em geral, esse processo evoluiu em duas direções: extensão e conexão.

Tudo aspira à conexão, e somente os seres humanos, suas sociedades e sua natureza, recebem uma forma oposta. Numa sociedade, nós nos tornamos cada vez mais conectados. No entanto, por outro lado, nós nos opomos uns aos outros, porque o ego nos separa. Como resultado disto, não podemos construir uma sociedade coesa baseada na ajuda mútua, de acordo com o princípio de cada organismo vivo, inclusive o nosso. Em vez disso, construímos algo muito estranho, e nossa sociedade torna-se como um câncer que, finalmente, se devora e morre.

Basicamente, nós não sabemos o que fazer. Estudos científicos das forças e mecanismos que nos movem descobriram que não temos possibilidade de evitar uma terceira guerra mundial e o caos. Os cientistas sabem disso e escrevem que não há solução real para esse caminho de desenvolvimento, e o que resta é apenas submeter-se à misericórdia do processo que nos leva em direção a um futuro desconhecido.

Nós estamos destruindo o planeta, esgotando os recursos naturais, e fazendo com a natureza e a ecologia o que quer que nos agrade. Tudo isso não é porque isso veio até nós, mas porque não sabemos como construir sistemas que consistem de opostos que se conectam numa única estrutura. Essa união de opostos é precisamente a lei essencial de sistemas complexos.

Aqui, nós chegamos à sabedoria da Cabalá. Este problema surgiu inclusive há 3500 anos na antiga Babilônia. Por um lado, os seus habitantes eram muito próximos uns dos outros e dependiam uns dos outros. Por outro lado, não podiam se suportar. Eles se odiavam e sentiam repulsão mútua. E não havia nada que pudessem fazer sobre isso, a própria estrutura da sociedade era tal que estava devorando a si mesma.

Foi então que um homem sábio chamado Abraão descobriu que a transição para um novo nível de desenvolvimento estava escondida aqui. Basicamente, não havia nada de especial nesse estado. Assim como a transição do nível inanimado para o vegetal, ou do vegetal para o animal, também é a transição do nível animal para o nível falante. Esta transição exige que nós atinjamos o poder de conexão entre opostos, de modo que eles possam estar conectados e formar um sistema completamente harmonioso. Apesar das polaridades, apesar do ódio e da rejeição entre nós, nós podemos utilizar uma força única, uma rede única, a fim de alcançar o equilíbrio entre ambas e construir uma vida.

Nós realmente não entendemos o significado deste passo. Nós não entendemos o que é a fonte da vida e como dois opostos podem se conectar. No entanto, é precisamente as polaridades absolutas entre positivo e negativo que formam o átomo, um sistema estável no qual eles são opostos e ainda se conectam simultaneamente.

Para continuar, de acordo com esse princípio, combinações cada vez mais complexas são construídas, possuindo a capacidade de evoluir. Positivo e negativo são combinados entre si, a fim de atrair o que é útil para o desenvolvimento e o equilíbrio entre eles, e para repelir o que é prejudicial para esse equilíbrio. Assim, por meio de absorção e de repulsão, a vida é criada. Há um desenvolvimento cada vez mais complexo, até que haja a necessidade da construção de um novo sistema que os Cabalistas chamam de sistema espiritual. Em outras palavras, ele é mais elevado do que os sistemas que nos são familiares.

Abraão descobriu que existe uma lei universal na natureza que abrange todos os sistemas, que os mantém e desenvolve. É possível chama-la de poder da Luz, o poder do Criador, o poder superior. No entanto, ele tem um objetivo: manter todas as partes da realidade em harmonia e conexão mútua.

É possível atrair e usar essa força mesmo agora, quando queremos subir para o novo nível e nos tornar um sistema. Com isso, nós despertamos a força universal, e construímos o equilíbrio tão esperado entre nós.

Na Cabalá, a lei que Abraão descobriu é a chamada de lei da equivalência de forma. Se eu sou pessoalmente atraído à força única de equivalência de forma, nessa medida eu desperto sua influência sobre mim e ela constrói a conexão entre eu e outras pessoas a quem sou atraído. Ela constrói entre nós um sistema harmonioso e equilibrado entre todas as partes.

Abraão descobriu a camada mais profunda dessa lei geral integral da natureza, que já era conhecida e a qual ele chamou todos os babilônios a se juntar a ele.

Maimonides, filósofo do século XII, disse que Abraão escreveu uma série de livros e fez um grande trabalho de disseminação para que as pessoas oudessem entender o que ele descobriu e que ele estava falando especificamente sobre uma lei da natureza que não se deve opor. É assim que nós evoluímos, sem possibilidade de escapar de seu fluxo, da tendência natural ao equilíbrio, conexão e harmonia.

No nível inanimado, vegetal e animal, nós chegamos ao equilíbrio espontaneamente, sem liberdade de escolha. No entanto, no nível falante, isso já não tunha êxito, porque nós precisamos participar conscientemente na construção do equilíbrio e de um sistema humano universal. Cabe a nós entender, reconhecer, querer se esforçar e optar por tentar organizar corretamente a fim de avançar.

Então, graças a esses esforços, nós despertamos a força universal singular da natureza, que é o Criador, a Luz. Não importa como você a chama. Em resposta aos nossos esforços, ela vai nos influenciar e realizar a ação correta de conexão em nós. Isto é o que Abraão ensinou às pessoas.

A história posterior é conhecida. Algumas pessoas ouviram e compreenderam o método por um tempo, mas depois, e apesar de tudo, se retiraram do processo. É impossível construir um sistema harmonioso e equilibrado, se todo o resto da humanidade está quebrado. É por isso que nós chegamos à situação atual, onde a crise babilônica da separação retornou.

Por que especificamente hoje? Isso ocorre porque a humanidade, da mesma forma que naquela época, está descobrindo que está conectada num sistema universal. Nós estamos fechados dentro de um sistema, uma sociedade, uma família, sobre a face da Terra, e estamos todos ligados uns aos outros.

Hoje, nós não precisamos lutar. Basta romper as conexões com alguma nação e esta não vai suportar o isolamento. Armas modernas são as mesmas clavas bárbaras primitivas numa forma sofisticada. Ninguém precisa delas num sistema global que é como uma aldeia global. Hoje, as conexões comerciais, industriais, financeiras e logísticas determinam tudo. Se você cortar estas artérias para uma nação, é como desconectar algum órgão do corpo. É claro que ela não vai sobreviver sozinho.

Isso é também o que aconteceu na antiga Babilônia, na Mesopotâmia, o berço da humanidade, quando ela se tornou uma sociedade. A mesma coisa está acontecendo hoje.

Os Cabalistas, alunos de Abraão em todas as gerações, falaram sobre isso e inclusive fizeram um cálculo numa linha do tempo de acordo com a lei do desenvolvimento humano para compreender que a humanidade iria retornar à mesma situação. A lei de unificação começou a ser esclarecida no final do século XIX, e de acordo com todos, chegou a esclarecimento no final do século XX. Mais precisamente, os Cabalistas escreveram sobre isso como sendo desde o ano de 1995.

Esta é a situação atual. Quando eu comecei a estudar a sabedoria da Cabalá em 1975-76, eu não acreditava que isso iria realmente acontecer. No entanto, houve na realidade uma transição muito forte, e de repente havia uma conversa sobre um sistema unificado, uma humanidade unificada, uma aldeia global e uma dependência absoluta mútua, etc.

Junto com isso, o mal da natureza humana foi revelado mostrando o quanto nós somos opostos uns aos outros e não estamos prontos para nos conectar de forma correta. Afinal, apesar das oposições entre nós no nível inanimado, vegetal e animal, a força universal nos conecta de tal forma que as polaridades são transformadas num dipolo que nos conecta e nos mantém em equilíbrio e harmonia.

No entanto, no nível falante, nas relações humanas entre nós, cabe a nós despertar em nós a influência da força universal e participar do equilíbrio entre positivo e negativo, entre os dois extremos. Isso exige de nós um trabalho específico.

Em primeiro lugar, cabe a nós compreender e reconhecer a situação em que nos encontramos e continuar a investir esforços compartilhados, a fim de construir o ambiente certo. Na Cabalá, esses esforços são chamados de elevar MAN, ou seja, fazer um pedido de conexão. Com isso, nós despertamos a influência da força universal sobre nós que nos conecta num sistema e em harmonia com toda a sociedade humana.

Isto é certo para o atual momento histórico. Hoje, a sabedoria da Cabalá, a ciência que Abraão descobriu, foi aberta diante de todo mundo. Isso porque todos nós devemos utilizar o sistema que foi criado e começar a usar corretamente as condições que foram criadas para a construção da sociedade do futuro. Caso contrário, a humanidade corre o risco de ser destruída.

Assim, os Cabalistas, as pessoas que estão envolvidas com este problema e sua solução, nos advertem sobre a verdade da nossa situação e do nosso futuro. Eles nos dizem que, de qualquer forma, nós estamos chegando a um equilíbrio coletivo. No entanto, se não despertarmos a força única da natureza que traz a nossa unificação e a conexão correta entre nós, então ela será revelado como o poder único que nos conecta e reúne, mas sem a nossa inclinação e desejo. Nesse caso, nós teremos que obedecer a essa lei contra a nossa vontade, e isso vai nos levar às situações muito desagradáveis ​​através de desastres, epidemias e guerras.

Esta é uma força boa, pois conecta a totalidade do sistema em um. No entanto, se nos opomos a ela, nós despertamos em nós mesmos a influência de forças opostas que atuam sobre nós como desastres.

Os Cabalistas tentam levar esse conhecimento a toda a humanidade e ensiná-la como chegar ao entendimento correto de conexão, despertando em nós uma atração em direção a ela, e de acordo com nosso desejo, estimular a descoberta da força única sem despertar desastres. Como necessidade, nós chegaremos mais perto do correto estado singular integral e avançaremos da forma mais agradável e desejável. Tal esforço é o que é exigido de nós.

Os problemas mais difíceis hoje estão sendo descobertos na sociedade humana, apesar de tudo de bom que existe no mundo. O avanço científico e tecnológico atingiu o seu pico, mas eles não se atrevem a mostrar um pouco dessa tecnologia moderna para a humanidade. Caso contrário, as pessoas não precisarão trabalhar e não haverá qualquer necessidade de se esforçar.

Basicamente, nós já saímos para um novo nível de desenvolvimento, mas ainda não estamos prontos para realizá-lo por causa da nossa incapacidade. Nós temos as ferramentas em nossas mãos, mas não estamos prontos para integrá-las corretamente no novo nível, porque a nossa abordagem não é integral, ou seja, a nossa estrutura interna não é integral. Pelo contrário, somos egoístas, e nossa tendência é estarmos distantes um do outro e não nos conectarmos em harmonia.

Como resultado, nós olhamos com temor para o estado futuro da humanidade unida, e não sabemos o que fazer com sete bilhões de seres humanos que não vão trabalhar. Não temos qualquer conceito de outra forma de existência e sobre uma conexão diferente entre nós enquanto subimos para outro nível de percepção, para diferente vida e maneira de viver.

Há uma infinidade de surpresas escondidas por trás da nova situação, mas ainda não estamos prontos para digeri-las, porque a nossa percepção não é integral.

A principal coisa no sistema integral é renunciar à visão individualista do eu contra o mundo. Em vez disso, eu devo adquirir uma percepção integral e ver uma imagem completa onde todos nós estamos conectados e completando um ao outro. Só então eu descubro o estado futuro em que a humanidade deve existir, e, assim, entendo e sinto essa vida que é esperada num momento propício.

Cabe a nós alcançarmos essa percepção, e é isso que a sabedoria da Cabalá nos ensina.

Da Convenção no México 01/08/14, Lição 1

Sob O Poder Do Temor

Dr. Michael LaitmanRabash, “Artigo 31”: Diz-se: O que o Criador exige de nós? Apenas temor diante Dele.

Isso significa que o Criador (um sistema da natureza superior que possui apenas uma força que se manifesta através do sistema) insere “algo” em nossos pensamentos… isto é, Ele nos faz uma pergunta.

Não há nenhuma outra força no universo, exceto “não há outro além Dele”. Claro, o Criador nunca faria uma criação que fosse contra Ele; no entanto, Ele criou o pensamento (contra Si mesmo) para que apareça o temor Dele…

É como se uma pessoa seguisse o Criador no seu desejo de encontrar e revelá-Lo examinando em que tipos de interações entre nós Ele pode ser encontrado.

Nós não podemos imaginar como isso é fácil. Tudo está bem diante de nós, mas nós olhamos para longe e não vemos o que está ao nosso lado. Não há nada além de uma barreira psicológica. Assim que mudamos e saímos de nós mesmos, nós começamos a sentir o Criador nas conexões entre nós.

Eu me movo em direção aos outros e saio de mim. De repente, revela-se que a força natural que conecta, regula e mantém tudo junto sob a forma de um perfeito equilíbrio existe bem aqui, junto conosco.

Nós somos aqueles que distorcem o equilíbrio e a harmonia de nossas intenções, desejos e relacionamentos egoístas. Nós sentimos que somos nós que estamos estragando o equilíbrio e a harmonia. Então, é claro que o mundo é algo que é criado exclusivamente por nós contra o pano de fundo da perfeição.

A realização se refere a procurar o Criador usando a fé acima da razão. A realização acontece quando encontramos as propriedades que estão além deste nível material, acima de nossas considerações terrenas e contrárias à nossa lógica. Todas as nossas percepções se originam do desejo de receber para o nosso próprio bem. É por isso que não podemos concordar com algo que contradiga este desejo.

Por outro lado, o mundo real está fora de nós; é a nossa percepção externa. Por isso é que a fé acima da razão é uma condição que todos nós temos que finalmente alcançar ao sentir as coisas que acontecem fora de nossas necessidades e aspirações naturais egoístas.

Por causa da questão do pecador, a pessoa tem que concordar repetidamente com o poder do Criador sobre nós. Este processo é chamado de “temor”.

As questões do pecador são o constante elevar das necessidades, demandas e pensamentos sobre as maneiras de agradar a nós mesmos. É um movimento permanente para nós mesmos. É quando nós cuidamos apenas de nós mesmos em todas as possíveis formas e em todos os níveis. As questões dos pecadores nos sãos dadas de propósito para que depois de nos livrarmos delas, começamos novamante a avançar.

E assim por diante, sem fim, nós caímos no egoísmo ao cuidar de nós mesmos em nossos pensamentos e desejos. Então, nós fazemos esforços e subimos novamente. Esse processo continua até que nos cansamos e nos recusamos a cumprir este trabalho. Ele continua até que chegamos a compreender que somente o ambiente pode nos apoiar nesse processo e nos ajudar a aprender a pensar nas outras pessoas.

Se ficássemos no estado de garantia mútua e mantivéssemos o pensamento sobre ajudar uns aos outros, não apenas a nós mesmos, tudo seria muito bom. Por que isso é assim então? Porque nós somos incapazes de pensar nos outros. Nós continuamos a cair em nossos próprios desejos. No entanto, se formos capazes de pensar nos outros e ao mesmo tempo, pedir ao Criador para nos ajudar, Ele irá estender a ajuda para nós já que Ele responde apenas a esses tipos de pensamentos e orações, porque eles são semelhantes às Suas propriedades.

Portanto, assim que começamos a aspirar servir aos outros e a pedir ao Criador para nos conceder assistência, Ele responde imediatamente e nos ajuda, uma vez que nós, o grupo e o Criador estamos na mesma sintonia e num movimento comum. Se fizermos isso por conta própria, sem o Criador, nada vai acontecer. Mesmo se nós estivermos junto com o grupo, não vai acontecer. Deve haver o sistema de um triângulo: eu, o grupo e o Criador.

Essa estrutura deve também ser acompanhada pelo temor. Nós temos que ser cuidadosos e vigilantes para não nos desviarmos do nosso caminho ou perdermos a direção correta. Nosso egoísmo irá nos separar, nos dividir interiormente e sussurrar: “Por favor, esqueça o Criador e o grupo. Nada há de errado em abandoná-los! A principal coisa é também pensar em si mesmo, ou apenas nos outros sem envolver o terceiro elemento.”

Neste ponto, nós precisamos de um apoio tremendo. Quantos mais nós participarmos deste movimento, melhor. A massa geral das pessoas que assegura um avanço absolutamente correto é chamada de 600000 almas.

É um número condicional que sequer é um número, mas um avanço geral que causa o impacto de Zeir Anpin em Malchut. Como Zeir Anpin consiste de seis Sefirot que influenciam Malchut, influenciando um ponto em Malchut com a Luz de Hochma, seu nível multiplica por 600.000.

Assim, ao receber apoio, nós realmente nos tornamos capazes de sentir temor e permanecer constantemente em estado de permanente aspiração para avançar.

Isto explica o significado da frase: “O Criador fez todos O temerem”. Cada estado ruim que a pessoa sente é essencial para mantê-la em seu estado atual.

Em outras palavras, se ela ainda não subiu as escadas da grandeza do Criador, ela não tem chance de superar a si mesma. Somente quando a pessoa sente a grandeza do Criador, seu coração se rende. Isso significa que ela já subiu os degraus do temor.

Como a pessoa pode entender que atingiu o estado de temor, o nível correto de excitação, e sabe como cuidar dos outros? Isso acontece quando ela percebe que ao cuidar os outros ela sente a satisfação do Criador. O Kli (vaso) só se torna corrigido quando recebe satisfação. Até então, nós temos que continuar procurando a realização, tanto em quantidade e qualidade para que nossa preocupação, apreensão e temor sejam formulados corretamente e coincidão com o nível que está acima do nosso ego.

Por isso, nós recebemos a grandeza do grupo, a importância dos nossos amigos, como um meio de conexão entre nós, como uma ferramenta de exercício. Isso é feito exclusivamente para sentir a satisfação do Criador no final do processo; a gratificação dentro de nossas dez Sefirot que só podemos sentir juntos na conexão entre nós. Quando nós nos amarramos num nó, nós começamos a nos sentir como uma unidade dentro do unificado.

Naturalmente, a pessoa desaparece quando chega a um estado de conexão global. Ela perde a “individualidade”. De um “eu” individual, ela muda para “nós”, de “nós” para a unidade onde “eu – nós – o Criador” é um todo. Diz-se: “Ele e Seu nome são Um”. O Criador é a Luz e Seu nome é um Kli (vaso).

Portanto, todas estas perguntas e outros inúmeros obstáculos levam a pessoa a sentir a necessidade do Criador, de Sua ajuda.

Em outras palavras, nós não somos capazes de fazer perguntas e sequer conseguimos corrigir erros, uma vez que quando nos deixamos levar, nós cometemos erros que imediatamente nos fazem cair. A fim de cometer erros corretos, nós temos que aspirar a avançar. É dito: “Eu criei a inclinação ao mal e a Luz para corrigi-la”. Como o mal se manifesta? Onde o podemos detectar e vê-lo?

Acontece que estas palavras não são sobre o mal que existe neste reino material, e não é o mal de nossos relacionamentos mútuos. Nem uma única pessoa no mundo sabe o que o mal feito pelo Criador é na verdade. A maldade que deve ser corrigida se revela em nós apenas quando aspiramos à unidade no caminho certo.

Se nós aspiramos pela unidade e nos esforçamos em nos conectar corretamente no avanço mútuo e se ao compartilhar o temor, nós conseguimos ajudar os outros, não só a nós mesmos, então podemos começar a sentir nossa natureza egoísta, percebemos quão fortemente somos repelidos por ela e quão extensivamente nós odiamos, não só uns aos outros, mas também a nós mesmos. Esta revelação é tão nojenta que a repelimos. Nós paramos de procurar por outras qualidades negativas internas.

Neste momento, ocorre o reconhecimento do mal. O Criador nos avisa antecipadamente que é Ele quem fez a inclinação ao mal e que somos nós que devemos revelá-la ao aspirar por Ele. Então, nós precisamos de um tipo especial de temor. Nós temos que fazer esforços não para nos esquivar deles, e nos controlar, inspecionar e verificar regularmente.

Nós temos que dar uma olhada se nós evitamos inconscientemente a revelação do nosso egoísmo como algo muito desagradável para nós. Pelo contrário, nós temos que apreciar o processo de revelação do mal dentro de nós, uma vez que é uma etapa essencial no nosso avanço. É por isso que temos que estar preparados para lidar com sensações muito desagradáveis e apreciá-las, porque elas estão acompanhando o nosso avanço rumo ao Criador.

Ao mesmo tempo, nós nunca devemos esquecer sobre a grandeza do Criador. Não podemos imaginar o que é a força superior, o que, de fato, existe no universo e não apenas na imagem limitada que sentimos agora. É impossível compreender em que medida a imagem que habita em nossos pensamentos e sensações é artificial.

Os cientistas já descobriram que estamos num estado dormente, que vivemos de ilusões e dentro de uma matriz que cria uma imagem distorcida, um sonho. Nosso egoísmo nos tranca dentro de nós mesmos, razão pela qual consideramos tudo o que acontece como se acontecesse dentro de nós. Somente quando nós saímos e paramos de nos sentar na concha de nós mesmos é que começamos a sentir o mundo real.

Antes que isso aconteça, é muito difícil visualizar o que é a realidade superior. Não é como o nosso universo, nada como o sistema solar e a Terra ou a sua superfície. Nós apenas visualizamos estas coisas como se estivéssemos dormindo, em nossos sonhos.

Da Convenção em São Petersburgo “Dia Um” 19/09/14, Lição 1